Deixe a Neve Cair

Em 03.12.2019   Arquivado em Filmes

Deixe a Neve Cair (Let it Snow) *****
As Panteras Elenco: Isabela Merced, Jacob Batalon, Kiernan Shipka, Liv Hewson, Mitchell Hope, Odeya Rush, Shameik Moore, Anna Akan, D’Arcy Carden, Hallea Jones, Joan Cusack, Mason Gooding, Matthew Noszka, Miles Robbins
Direção: Luke Snellin
Gênero: Romance, Comédia
Duração: 93 min
Ano: 2019
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Três contos se passam durante a noite de Natal, enquanto uma tempestade de neve obriga os habitantes de uma pequena cidade a se refugiarem, dando início à diversos encontros românticos.” Fonte: Filmow.

Comentários: Originalmente um livro contendo três contos de natal entrelaçados escritos por John Green, Maureen Johnson e Lauren Myracle, Deixe a Neve Cair foi adaptado livremente pela Netflix e está disponível na plataforma desde 8 de novembro, como parte dos lançamentos de Natal desse ano. Nele um grupo de adolescentes de diferentes tribos, classes sociais e etnias de uma pequena cidade têm que lidar com uma nevasca que entra no meio de seus mais variados planos para o fim de ano, de forma que suas vidas já cruzadas se tornam quase “uma só” até o fim desse dia… Um modelo clássico da época, dessa vez focado no público jovem e cheio de rostos conhecidos.

Confesso que não li o livro e resolvi ver o filme sem qualquer expectativa, na verdade julgando de antemão que ia achar fraco, e isso talvez tenha causado minha boa impressão do mesmo. Achei alguns romances fofos, outros completamente sem sal, simpatizei por certas personagens e por outras nem tanto… Não tenho um ponto REALMENTE negativo para destacar sobre porque, pra mim, cumpre a proposta de comédia despretensiosa pra sentir o climinha “Jingle Bells”… Mas para aqueles que estão esperando uma boa adaptação descobri que ele está REPROVADÍSSIMO! Saiu um post sobre o filme no Literalmente, UAI e nele foram pontuadas todas as poucas semelhanças e grandes diferenças, é bom ler se já quiser se preparar ou surpreender.

Deixe a Neve Cair

Odeya Rush (Addie) e Liv Hewson (Dorrie) em Deixe a Neve Cair | Imagem via Observatório do Cinema

A Netflix selecionou a dedo seu elenco, escolhendo um time de atores já conhecidos de filmes e séries adolescentes em alta no momento, dentro e fora do streaming, como “O Mundo Sombrio de Sabrina”, “Dumplin'”, “Homem Aranha”, “Santa Clarita Diet”, “Descendentes” e por aí vai… Até eu que não sou o público alvo, apesar de gostar do estilo, reconheci vários rostinhos aqui e ali. Meus plots favoritos foram o de Julie e Stuart, “garota cheia de problemas encontra cara famoso pro qual não tá muito aí”, que me fizeram chorar muito e o das amigas Addie e Dorrie, que falam de relacionamento abusivo e homossexualidade individualmente e têm essa conexão bacana não-romântica também. Foi o final mais gostoso de todos.

Por outro lado achei completamente sem graça uma das minhas máximas favoritas de “melhores amigos que podem ou não descobrir que se gostam não somente como amigos” vivida por Duke e Tobin. Torcia o tempo todo pras cenas dos dois acabarem logo. Sabe aquele pedacinho da história em que você nem se importa com o desfecho, de tão morno? Foram os momentos os dois. Além disso a Kiernan Shipka ainda está com o “cabelo da Sabrina” na nova série da bruxinha da qual é protagonista, então ficou difícil enxergar outra pessoa tão completamente diferente ali… Enfim, se você estiver com vontade de sentir o clima de maneira leve, sem grandes comparações, “Deixe a Neve Cair” não é muito comprido e satisfaz esse aspecto, com altos e baixos como tudo na vida, até mesmo o natal!

Trailer:

As Panteras (2019)

Em 01.12.2019   Arquivado em Filmes

As Panteras (Charlie’s Angels) *****
As Panteras Elenco: Elizabeth Banks, Ella Balinska, Kristen Stewart, Naomi Scott, Patrick Stewart, Noah Centineo, Chris Pang, Djimon Hounsou, Luis Gerardo Méndez, Nat Faxon, Robert Clotworthy, Sam Claflin
Direção: Elizabeth Banks
Gênero: Ação, Comédia
Duração: 119 min
Ano: 2019
Classificação: 14 anos
Sinopse: “As Panteras sempre estiveram a disposição para prover segurança e truques investigativos para clientes exclusivos e agora a Agência Townsend se expandiu a nível internacional, com as mais espertas, mais destemidas e mais treinadas mulheres do planeta. Mas quando um jovem engenheiro de sistemas vaza informações sobre uma perigosa tecnologia, cabe a um trio de Panteras (Kristen Stewart, Naomi Scott e Ella Balinska) entrar em ação, colocando suas vidas em risco para proteger a nós todos.” Fonte: Filmow.

Comentários: Esqueça os macacões colados, saias curtas, poses sensuais e flertes como método de trabalho! O novo “As Panteras” mostra um trio de espiãs mais forte do que nunca, com respeito absurdo aos filmes e série anteriores da franquia mas sob nova abordagem, com o “poder feminino” além da imagem, sem necessidade de sexualização e também em cargos de chefia. Para quem está cansado de reboots, já fica o aviso: não é disso que se trata o longa! A história soa como uma continuação dos anteriores, mostrando a nova versão globalizada agência Townsend, mas com personagens novas, de forma que funciona também de forma independente.

Nele Jane, Sabina e Elena, cada uma integrante de uma minoria política, ainda que isso não seja citado em momento algum (negra, não-hétero e asiática), são enviadas juntas em uma missão, lideradas pela Bosley Susan, o que por si só já é mudança em relação aos anteriores, onde cargos de poder eram todos ocupados por homens. As duas primeiras já trabalham como Panteras há anos, e Elena entra “de gaiato” após ser ameaçada por revelar os verdadeiras perigos de uma tecnologia inovadora que ajudou a desenvolver como engenheira. Essa união para impedir maiores catástrofes é apresentada com boas cenas de ação, pitadas de sentimentalismo e muito humor inteligente.

As Panteras

Imagem via Pop Sugar

As personagens principais têm personalidades definidas, mas sem uma apresentação escancarada ou assumindo um “título”. Não existe “a engraçada”, “a bonita” ou “a inteligente”, como acontece muitas vezes em filmes norte americanos, todas elas são mais de uma coisa, porque seres humanos nunca têm uma camada só, né? E mesmo dando para ler essas mulheres você fica curiosa pra vê-las a fundo, numa possível continuação que tem tudo pra acontecer. E o elenco… Ah, que elenco! Para quem está acostumada com Kristen Stewart apenas na Saga Crepúsculo, finalizada em 2012, vai se surpreender muito positivamente com a atuação dela como Sabina, está maravilhosa! Definitivamente é destaque no que diz respeito à atitude e carisma, mas sem ofuscar as outras, Jane de Ella Balinska é empoderadíssima e Elena de Naomi Scott adorável, se complementam como qualquer trio de amigas que vemos no nosso cotidiano por aí. E a cereja do bolo é Elizabeth Banks, que foi não só atriz como também diretora, provando que olhares femininos fazem total diferença em obras que têm mulheres como público alvo principal.

Outras presenças a serem destacadas, dessa vez no núcleo masculino da trama, é Noah Centineo (fora da Netflix!) e Sam Claflin, rostos muito conhecidos dessa vez em papéis coadjuvantes divertidos e pertinentes em dois “lados” distintos da história, causando mais risadas sem necessidade de exageros. Já como ponto negativo a cena inicial precisa ser mencionada, é demasiadamente acelerada com muitos cortes desnecessários, não faz justiça nenhuma ao resto, portanto não “julguem pela capa”, passa rapidinho e todo o resto é ótimo, principalmente o final que vem com, além de uma surpresinha delícia, a presença de várias das Panteras antigas, fan service presente e nem um pouco forçado. É pra ser sincera? Com todo respeito à série clássica dos anos 70/80 e à duologia do início da década 2000, mas esse é o melhor “Charlie’s Angels” de todos até hoje!

Trailer:

Tina: Respeito | Graphic MSP 24

Em 09.10.2019   Arquivado em Leitura

Tina: Respeito (Graphic MSP #24) *****
Tina: Respeito Autora/Ilustradora: Fefê Torquato
Gênero: História em Quadrinhos, Jovem Adulto
Ano: 2019
Número de páginas: 98p.
Editora: Panini
ISBN: 978.854.262.326-0
Sinopse: Jornalista recém-formada, Tina finalmente realiza o sonho de trabalhar em uma redação. Ela só não esperava que seu maior desafio fosse ser pessoal, e não profissional. Em ‘Respeito’, Fefê Torquato usa a clássica personagem de Mauricio de Sousa para expor um problema que mulheres enfrentam dia a dia, e precisa acabar: o assédio.” (fonte – capa e sinopse)

“Mas meu sonho sempre foi trabalhar no centro nervoso da informação, numa redação de verdade, não no meu sofá usando pijama…”

Comentários: A 24ª graphic novel lançada pelo selo Grapich MSP da Maurício de Sousa Produções, que faz releituras autorais sempre muito sensíveis das mais diversas personagens da Turma da Mônica, foi lançada oficialmente na última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, entre o fim de agosto e início de setembro desse ano, e já gerou burburinhos desde início por causa da sua temática principal: assédio no trabalho! Enquanto parte das pessoas considera esse tipo de problema “mimimi” ou acha que falar disso é prova de que “o mundo tá chato”, muito vêem a importância absurda de um assunto desses sendo retratado em uma mídia de visibilidade tão grande como essa, já que as história da Maurício de Sousa fazem parte da cultura brasileira há muitas décadas. Eu, logicamente, faço parte do segundo grupo e fiquei muito feliz em ver minha personagem favorita desse universo encarregada dessa missão.

Autora de uma newsletter com quase 100 mil assinantes e recém formada em Jornalismo, “Cristina Lima e Sousa”, mais conhecida como Tina, está começando seu primeiro emprego de verdade em uma redação no Jornal Mundo Hoje como repórter. Aos 22 anos, ela enfrenta os desafios de ser uma jovem adulta tendo que se manter sozinha após sair da casa dos pais, seja pra pagar as contas em dia ou superar os medos diários com os quais convivemos ao ser mulher. Ela tenta de todo modo se sair bem nessa nova oportunidade de trabalho e se enturmar com os colegas, tudo parece estar indo bem até que uma reunião privada a leva direto para as estatísticas de mulheres que sofrem assédio em ambiente de trabalho…

A leveza ímpar da aquarela contrastou brusca e lindamente com todos os temas pesados abordados nessa história roteirizada e ilustrada por Fefê Torquato. Assédio é só a base de uma pirâmide de tristes realidades onde a vida imita diariamente essa arte: machismo, racismo, homofobia, gordofobia, todos apresentados de forma tão natural quanto, infelizmente, acontecem na real. Como uma pessoa que cresceu lendo as revistinhas que originaram esse livro é bom demais ver esse mundo lidando com questões importantes, se atualizando de verdade, mesmo que lentamente, pro mundo contemporâneo. O famoso “tapa de luva de pelica” nos que dizem que tradições não podem ser mudadas, que algo é velho demais para se modernizar… Taí a prova de que sempre dá pra melhorar!

Detalhes: Páginas 24 e 25

“Cara, medo cê não perde nunca, só se acostuma com ele, fazer o quê? Ser mulher é querer estudar, trabalhar, pô, viver a vida! É ser obrigada a encarar esse medo.”

Tina como personagem está mais forte do que nunca, e ainda assim não destoa da boa e velha menina da nossa infância. Afinal ela SEMPRE foi uma garota de atitude, né? Se vestia da maneira que gostava, saía com os caras que a atraíam, mantinha uma amizade com nenhum interesse a mais com Rolo, que nessa apareceu já como professor, dando aulas para adolescentes e fazendo “bicos” de fotografia. Além dele temos a melhor amiga e “fiel escudeira” Pipa, agora dona de sua própria loja virtual de moda plus size! Sabe aquele fan service BEM FEITO, adequado, condizente, apaixonante? “Respeito” ganha nota máxima nisso também!

Leia Também: Turma da Mônica: Laços, resenha do live action adaptado na 2ª e mais famosa edição do selo Graphic MSP, de mesmo título.

Tina: Respeito

Detalhes: Processo de produção

Além da história, o livro conta também com detalhes do processo de produção, desde uma planta do apartamento da protagonista até fotos da mesa de trabalho da autora, além de uma descrição de como foi todo esse trajeto. Depois, a sessão “A Tina de Maurício de Sousa” mostra como a personagem nasceu na década de 70 e mudou bruscamente de lá pra cá, sempre mantendo uma essência aqui e outra ali. Existe, inclusive, uma homenagem à sua primeira versão hippie em um dos quadrinhos, em que ela aparece como um retrato de sua mãe quando jovem. Essas informações são tão ricas e gostosas de ler quanto a história em si, principalmente se você já é fã da personagem como eu.

Um jeito lindo de falar de algo tão feio, discussões sobre o fato de que a culpa nunca é da vítima, exemplo de posicionamento e uma dica na folha de guarda traseira que nos faz ter esperança de uma continuação (eu quero!!!) tornam essa uma obra completa, belíssima no visual e extremamente pertinente no conteúdo. Tina: Respeito está disponível na versão brochura pros que precisam economizar e também em capa dura para quem não se importa em (ou pode) gastar um pouco mais e ter uma edição ainda mais bonita na estante. Seja qual a opção escolhida, não importa, vale a pena ter esse trabalho sobre e feito por mulheres incríveis, como muitas que temos por aí.

Tina: Respeito

Achei a Lulynha, minha Barbie “mini me”, a cara dessa publicação, então ficou de “participação especial” nas fotos!

Conheça mais da Fefê Torquato, que tem 35 anos e mora em Curitiba, no Instagram, Twitter e Youtube. Ela também é autora do quadrinho Gata Garota, publicado pela Editora Nemo, parte do Grupo Editorial Autêntica.

Yesterday

Em 22.09.2019   Arquivado em Filmes

Yesterday *****
Yesterday Elenco: Himesh Patel, Lily James, Alexander, Ana de Armas, Ed Sheeran, Joel Fry, Robert Carlyle, Harry Michell, Kate McKinnon, Meera Syal, Sophia Di Martino, Vincent Franklin
Direção: Danny Boyle
Gênero: Comédia
Duração: 116 min
Ano: 2019
Classificação: 12 anos
Sinopse: “E se você fosse a única pessoa que se lembra dos Beatles? Em ‘Yesterday’, o músico Jack (Himesh Patel) percebe que existe um estranhamento por partes de seus colegas de faculdade quando ele menciona nomes como Paul McCartney ou John Lennon. Além disso, uma simples procura na internet por ‘Beatles’ sem o resultado esperado também o impressiona.” Fonte: Filmow.

Comentários: Já imaginou acordar num mundo onde os Beatles não existiram? Onde ninguém conhece suas músicas, seus nomes ou referências? É o que acontece com Jack Malik, um músico frustrado prestes a desistir de sua carreira por não conseguir mais carregar decepções, após se recuperar de um acidente de bicicleta, o único veículo que sabe conduzir. Seus amigos, para animá-lo em relação aos machucados – e perda de dois dentes frontais – o presenteiam com um violão incrível, e para estreá-lo ele decide tocar uma composição igualmente incrível: Yesterday. Nesse momento, ao ver todos impressionados pela sua nova obra, ele descobre que, nesse novo e estranho mundo, seus ídolos simplesmente sumiram da mente de tudo e de todos! É a oportunidade que Jack sequer sabia que esperava para atingir o estrelato através de canções que sequer são dele…

Por mais que o plot do filme de um modo geral seja interessante, ele vai muito além dessa possibilidade de manter Paul, John, George e Ringo no anonimato e levanta duas discussões quase opostas e igualmente relevantes: a importância da banda não só na música, mas também em toda a cultura popular ocidental, e como – apesar disso – não temos espaço ou necessidade de “novos Beatles” na contemporaneidade. Nesse universo não são apenas eles que somem, mas Oasis, por exemplo, outra queridinha do protagonista, também nunca existiu, assim como Coca-Cola não é um refrigerante muito servido, “Strawberry Fields” não passa de um antigo orfanato demolido e a série Harry Potter jamais foi publicada… Porque, por mais que a gente não perceba, todos eles estão ligados direta ou indiretamente com o quarteto de Liverpool, que sequer é uma cidade referência para o cenário do rock.

Yesterday

Yesterday | Imagem via O Globo

É claro e óbvio que esses então “meninos” foram importantes, né? Qualquer banda poderia ter feito o que eles fizeram? Sim. Mas ELES o fizeram e precisam de mérito por isso! Mas isso não significa que são os únicos a ter trabalhos espetaculares ou que tudo precisa ser sobre eles. A presença de Ed Sheeram como “descobridor” de Jack, que o ajuda a alcançar grande estrelato e permanece orientando até o final, é a prova disso. Ed também é relevante, e quem vier depois dele idem. Não maior ou menor: idem. Ao sugerir a mudança da letra de “Hey Jude” para “Hey, Dude”, simultâneo ao fato de que nenhum nome de álbum antigo parece agradar a gravadora, o longa nos prova que tempos mudam e cenários artísticos também. Sempre teremos espaço para enaltecer o “Fab 4”, mas não precisamos deles para prosseguir. A prova disso é a participação especial INCRÍVEL de Robert Carlyle antecedendo o clímax da história, que faz o coração de qualquer fã balançar (mesmo os que não idolatram tanto assim aquela imagem, como eu), quando percebemos que isso é válido até mesmo para os envolvidos…

As versões da música são bem gostosas, reflexões e referências idem, porém o enredo peca bastante em alguns pontos que deviam ser cruciais para a história. O humor das personagens secundárias, que têm como missão carregar esse aspecto da trama, é forçado e sem muito carisma, e o mesmo é válido para o romance, que tinha tudo para fazer a plateia torcer e vibrar, mas deixa uma sensação de “tanto faz”, você acaba não se importando muito com um de seus aspectos chave. O final, porém, me deixou surpresa, não muito revolucionário e, ainda assim, inesperado por fugir um pouco do que estamos acostumados em tramas focadas nesse tipo de “possibilidade paralela”. Valeu a pena ter assistido, mas é o tipo de filme que não pretendo rever, algo que costumo fazer com frequência com os que possuem essa exata temática, principalmente se tratando de uma banda que está entre minhas grandes favoritas…

Leia também: Paul McCartney: One On One Tour em Belo Horizonte, muito mais que um show, um espetáculo sem definição!

Trailer:

Corgi: Top Dog

Em 09.09.2019   Arquivado em Filmes

Corgi: Top Dog (The Queen’s Corgi )*****
Corgi: Top Dog Elenco: Jack Whitehall, Bridget Maasland, Iain McKee, Matt Lucas, Julie Walters, Colin McFarlane, Debra Stephenson, Jon Culshaw, Kulvinder, Nina Wadia, Ray Winstone, Sarah Hadland, Sheridan Smith, Tom Courtenay
Direção: Ben Stassen
Gênero: Animação, Aventura
Duração: 92 min
Ano: 2019
Classificação: 10 anos
Sinopse: “A Rainha Elizabeth é apaixonada por cães da raça Corgi e, dentre os que vivem no Palácio, Rex (João Guilherme) é o seu queridinho. Acostumado com as mordomias da realeza, tudo muda quando ele cai na armadilha de um outro cachorro que quer tomar o seu lugar. Preso no canil da cidade, ele agora vai precisar de toda a ajuda que conseguir para voltar ao Palácio e retomar seu lugar como o favorito da Rainha.” Fonte: Filmow.

Comentários: Numa mistura de ficção com a representação de elementos reais, chegou essa semana nos cinemas brasileiros uma animação belga distribuída aqui pela Imagem Filmes. Corgi: Top Dog conta a história de Rex, o favorito entre os vários cães dessa raça que pertencem à Rainha Elizabeth II. Após ser dado de presente a ela ainda filhote pelo seu marido, o Duque de Edimburgo, ele rapidamente assume o posto de “top dog”, sendo uma celebridade em todo o Reino Unido – com direito até a uma extensa linha de merchandising com seu rosto. Essa vida dos sonhos de qualquer cachorro acaba sendo prejudicada quando, em uma visita do presidente dos Estados Unidos, ele acaba não se comportando como um cão real. Sua dona então o repreende e, influenciado por alguém que pretende usurpar seu lugar, Rex acaba fugindo, sendo tido como morto e levado para um canil onde vários animais esperam pela sorte de ser adotado por uma família algum dia.

A história do filme é bastante clichê, daquelas que já foram contadas várias vezes em mídias voltadas para o público familiar: superação de problemas, reconhecimento raso de privilégios, luta pelo amor verdadeiro, entre outros, mas uma vez que está inserida num grupo de personagens original, o ambiente se torna mais interessante. Aos que não são tão ligados à realeza britânica é apresentada a afeição da Rainha Elizabeth à raça corgi e ao fato de que ela mantém, desde sua coroação realizada mais de 60 anos atrás, uma pequena matilha deles como parte da “família real”, cães que vivem de maneira extremamente luxuosa como é de esperar. As pessoas reais são mostradas com fácil identificação e trazem piadas de duplo sentido para entreter adultos – principalmente ao satirizar Trump de maneira genial -, quebrando os momentos de tédio que podem surgir ao consumir algo claramente voltado para o público infantil.

Corgi: Top Dog

Corgi: Top Dog | Imagem via YouTube

No que diz respeito ao entretenimento das crianças, o núcleo animal é fofinho e divertido, com traços da animação bem feitos e tudo muito colorido. É legal ver esse tipo de obra vinda de um estúdio mais independente, e não dos gigantes que praticamente dominam a indústria, apesar da diferença da qualidade ser gritante é através daí que vão surgindo os avanços, mesmo. Ao migrar do cenário do palácio para um canil, fica a mensagem subliminar de que existem vários animais abandonados também à procura de um lar, provando que amor e carinho vão além da raça, já que é ali que Rex encontra os reais companheiros que vão ajudá-lo a superar os problemas propostos na trama. Senti falta de enfatizar um pouco as características de cada raça mostrada, mas talvez esse seja um aspecto positivo para quebrar essa necessidade que temos em julgar os animais pelo físico, e não pela amizade que estão dispostos a dar.

Apesar de Rex ser um protagonista legal, carismático e levemente arrogante em alguns momentos, a dublagem brasileira dele ficou HORROROSA! Mais uma vez a escalação de um famoso sem formação e prática como dublador estragou completamente a experiência, porque destoa muito das outras personagens que são muito superiores nesse atributo. Foi, de fato, a escolha de João Guilherme no papel que fez a visibilidade do trailer aumentar bastante nas redes sociais, antecipando o lançamento do longa no Brasil, mas no quesito qualidade… Sinceramente, uma perda muito grande pro expectador. Lendo algumas opiniões por aí vi que a versão original também pecou bastante nesse aspecto, então fizemos jus ao negativo impossível de ser relevado.

Trailer:

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