Bohemian Rhapsody: tributo digno da realeza!

Em 03.11.2018   Arquivado em Filmes, Música

Bohemian Rhapsody *****
Bohemian Rhapsody Elenco: Rami Malek, Gwilyn Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Lucy Boynton, Tom Hollander, Allen Leech, Aaron McCusker, Aidan Gillen, Mike Myers
Direção: Bryan Singer
Gênero: Drama, Música
Duração: 134 min
Ano: 2018
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Freddie Mercury e seus companheiros, Brian May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen durante a década de 1970. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Poderiam ser “trovões e relâmpagos me assustando muito”, mas eram aplausos vindo de dentro e fora da tela do cinema. Bohemian Rhapsody, provavelmente o maior dos sucessos do Queen que fez a carreira da banda estourar mundialmente, foi o título escolhido para o filme que conta a trajetória de seu vocalista, Freddie Mercury, nos anos em que o quarteto tocou junto. E, se tratando de Freddie, estamos falando de uma grande lenda do rock! O ator escolhido para interpretá-lo, Rami Malek, teve em mãos duas possibilidades extremas em sua carreira, ficaria marcado para sempre como um sucesso estrondoso ou dolorida derrota… Felizmente, foi a primeira opção: não só a caracterização está perfeita (principalmente quando colocava os óculos de Sol), mas também os trejeitos, modo de falar e de se comportar. Com uma mixagem de som que misturou áudio originais, a voz do ator e do canadense Marc Martel, a transição do falado para o cantado está tão perfeita e convincente que é impossível não se arrepiar!

Os outros membros da banda também estão perfeitos, com destaque total para Brian May que ficou absolutamente IDÊNTICO, de forma positivamente assustadora. A história começa um pouco antes da formação do Queen, mostrando como as quatro se juntaram, apostaram em criações experimentais, ousaram , definiram seu estilo, até atingir o estrelato. Paralelo a isso, como Freddie foi de um garoto um pouco tímido a “rainha histérica”, com visual extravagante, estilo de vida cheio de excessos até, em fim, a descoberta da AIDS que desencadeou na broncopneumonia que o matou. O filme, porém, foca muito mais na música em si, deixando a vida de álcool, drogas e sexo em segundo plano e tornando a doença como “algo a mais” que, por mais que tenha abalado a todos, nos conseguiu destruir aquela imagem que sempre pareceu indestrutível.

Os números musicais são incríveis, principalmente a criação de “Bohemian Rhapsody”, as primeiras execuções de “We Will Rock You” e, CLARO, a lendária apresentação no Live Aid, que dura ousadíssimos 20 minutos e ainda assim te faz querer mais. Não sou muito fã de ver filmes em IMAX 3D porque não enxergo muito bem e me dá dor de cabeça, mas tive a oportunidade de assisti-lo na pré estreia que foi nessa sala, porém em 2D. Valeu MUITO a pena! Os momentos em que a câmera foca na plateia te fazem quase acreditar que você está ali! O uso de áudios originais traz toda a vibe que a presença do público tinha e as interpretações foram todas impecáveis, realmente reproduzindo os movimentos dos integrantes da banda, contando inclusive com a produção musical de Brian May e Roger Taylor. Nesse aspecto não tem como achar um defeito sequer, você ri e chora sem parar, cheio de brilho no olhar.

Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody: imagem via Metro

Se fosse pra citar um problema, por mais que não considere assim, a linha do tempo é completamente diferente de como foram as coisas na verdade. Mas trata-se de um filme biográfico, não um documentário, com intuito de celebrar uma vida, esse tipo de adaptação se faz necessária. Colocando o Rock In Rio muito cedo e Live Aid um pouco “tarde”, é possível sentir o impacto que o Queen tinha na plateia desde que nasceu até o “fim”. Tem outros pequenos deslizes, é claro, mas que estão ali justamente para levar a história ao cinema de modo mais atrativo possível. Algumas coisas foram bem dramatizadas também, como a breve carreira solo do Freddie, é claro, mas ainda assim é mensagem de que eles eram como uma família, sempre dando suporte um ao outro, foi mantida, o que é fundamental para o entendimento do Queen.

E por fim, outro ponto extremamente positivo, temos a visibilidade bi tomando conta das telonas! Não é estranho que um dos maiores ícones gays do mundo era, na verdade, bissexual? De Mary Austin, seu “Love of my life” e amiga a vida toda, mesmo após o fim do relacionamento dos dois (que o próprio Freddie definia como insubstituível) a Jim Hutton, que esteve ao seu lado até morrer, vemos o protagonista amando homens e mulheres com uma imprensa louca em cima disso, sempre tentando arrancar dali uma confissão sobre o assunto, em vão. Na época do lançamento dos trailers vi muita gente reclamando da presença de Mary neles, porque tornava tudo “muito heteronormativo”, mas a verdade é que ignorar a bissexualidade de um dos maiores nomes da música seria invisibilizar ainda mais essa parte já tão excluída do movimento LGBTQ+. E não foi o que aconteceu!

Entre tantos acertos você assiste a essas duas horas com a sensação de que está vendo muito mais, com tanta coisa acontecendo em tela, mas sem se cansar, pelo contrário! Definitivamente, um tributo digno dele que era, como o nome da banda e seu microfone simulando um cetro sugerem, a realeza do rock and roll. E, se você é fã como eu, fique na sala durante os créditos finais para não sentir falta de nada: uma das canções mais icônicas de todas, que marcou esse período final da vida do vocalista (ainda que não tenha sido escrita por ele), está ali, pra te fazer soltar as últimas lágrimas que ainda sobraram para chorar!

Leia também: Nasce Uma Estrela, resenha do musical estrelado por Lady Gaga e Bradley Cooper

Trailer:

Nasce Uma Estrela

Em 24.10.2018   Arquivado em Filmes, Música

Nasce Uma Estrela Nasce Uma Estrela (A Star Is Born) *****
Elenco: Bradley Cooper, Lady Gaga, Dave Chappelle, Sam Elliott, Alec Baldwin, Anthony Ramos, Andrew Dice Clay, DJ Pierce, Michael D. Roberts, Michael Harney, Rafi Gavron
Direção: Bradley Cooper
Gênero: Musical, Romance
Duração: 135 min
Ano: 2018
Classificação: 16 anos
Sinopse: “O experiente músico Jackson Maine descobre a jovem artista desconhecida Ally, por quem acaba se apaixonando. Ela está prestes a desistir de seu sonho de se tornar uma cantora de sucesso, até que Jack a convence a mudar de ideia. Porém, apesar de a carreira de Ally decolar, o relacionamento pessoal entre os dois começa a desandar, à medida que Jack luta contra seus próprios demônios e problemas com álcool.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A terceira refilmagem de Nasce Uma Estrela, de 1937, e seguindo a linha de “musical de rock” da versão de 76, conta com Lady Gaga e Bradley Cooper (que também dirigiu o filme) nos papéis principais e mostra uma visão contemporânea dessa velha história há muito já conhecida. Jackson Maine, astro da música, vive seus dias de fama regados a álcool e drogas, como forma de conseguir lidar com todas as pressões que esse cotidiano traz e com uma perda de audição gradual, cada vez mais acentuada. Ainda assim ele mantém aspectos de uma “vida normal”, tendo amigos fora do ramo e frequentando bares “normais” com pessoas “normais”. E é assim que, após um de seus shows, ele vai parar num bar de drag queens onde se encanta pela voz da única mulher que as outras drags permitem performar ali: Ally. Apesar do vozeirão e de ótimas músicas autorais, ela nunca conseguiu levar a carreira adiante por, até então, não ter sido considerada atrativa para a indústria.

Ela já o conhece e admira, mas em momento algum se sente deslumbrada em saber com quem está lidando. Um pouco surpresa e tímida, claro, e extremamente atraída, mas pela pessoa, pela voz, não pela fama. Ele se apaixona de cara, por tudo nela. Após uma noite inteira de conversas jogadas fora e músicas autorais compartilhadas, Jack convida Ally para o show do dia seguinte, colocando seu motorista particular à disposição dela. Ela reluta, mas vai, e chegando lá, em cima do palco, é “puxada” para que eles cantem juntos sua composição “Shallow”, numa cena EXTREMAMENTE impactante visual, musical e sentimentalmente. O público vibra, os dois se relacionam e ela passa a fazer parte da turnê, como “segunda voz”, chegando a atrair a atenção de um produtor musical, iniciando sua própria carreira e a vivendo lado a lado com esse romance inesperado.

Nasce Uma Estrela

Nasce Uma Estrela: imagem via Kingman, AZ

Faltam palavras e sobram elogios para falar desse musical maravilhoso, por inúmeros motivos. A voz e Lady Gaga já conhecemos e amamos, inevitavelmente. Ela causa arrepios quando está diante do microfone e, para minha surpresa, também conseguiu atuar muito bem. Bladley Cooper foi outro susto: tinha um baita músico escondido ali! Foi difícil perceber que a história se passava agora, nos anos 2010, ele cantou de forma que lembrou tanto velhos nomes do rock que só “caiu a ficha” quando o primeiro smartphone foi usado. De um modo geral eu já esperava ficar encantada ouvindo uma, mas no fim fiquei pelos dois. Funcionam lindamente tanto como dupla, quanto individualmente. Pra quem não gosta de musicais onde as personagens “cantam ao invés de falar”, aí vai um ponto muito positivo: por mais que a música esteja presente em praticamente todos os momentos, os diálogos são falados, e elas aparecem apenas quando as personagens REALMENTE estão cantando na história, dentro ou fora dos palcos. Já quem adora, como eu, bem, essa continua sendo uma vantagem de qualquer forma!

A trilha sonora, claro, é IMPECÁVEL! Não só pelos vocais, mas também ritmos, letras e pelo fato de que as cenas foram gravadas com música ao vivo (exigência da própria atriz), passando veracidade pra quem está assistindo. A maioria das canções foi escrita pela Lady Gaga, que contou com a parceria do DJ White Shadow, seu antigo colaborador, e do grande amigo – e meu maior ídolo – Elton John. “Shalow”, como eu já disse, é de encher os olhos, tanto metaforicamente quanto também de lágrimas. Definitivamente a melhor parte do longa todo! Depois dela minha favorita foi “Always Remember Us This Way”, que tem um instrumental de piano no fundo belíssimo e uma letra romântica que deixa o coração super quentinho e a cabeça cheia de lembranças.

Porém nem só de música vive uma história, e o enredo dessa também é um ponto positivo. Ele flui bem, não acelera ou reduz demais em momento algum, as personagens aparecem na hora certa sem causar estranhamento, você entende quem é todo mundo e qual a função de cada um. E, claro, aborda questões que PRECISAM ser abordadas: álcool, drogas e transtornos mentais, a depressão em meio ao que parece ser a vida perfeita. Acontecem coisas inesperadas pra te surpreender, discursos inadequados pra te lembrar de tomar cuidado com o que vai dizer e os desentendimentos são resolvidos, tem conversa, acordo, fala. Em meio a histórias clichês onde o crescimento de um dos lados faz mal ao outro, Ally e Jack tentam ao máximo se apoiar, mesmo quando parece ser impossível um segurar o outro, mas sem viver um “conto de fadas”, eles são humanos, sempre sujeitos ao lado podre dessa humanidade. O final não é muito surpreendente, mas chega com impacto digno de todo o resto. Daqueles que vale a pena ver, ouvir, digerir e depois, se possível, re assistir!

Trailer:

Um Pequeno Favor - Em exibição nos cinemas

Han Solo: Uma História Star Wars

Em 04.06.2018   Arquivado em Disney, Filmes

Han Solo: Uma História Star Wars

Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story) *****
Elenco: Alden Ehrenreich, Donald Glover, Emilia Clarke, Joonas Suotamo, Woody Harrelson, Phoebe Waller-Bridge, Thandie Newton, Anthony Daniels, Clint Howard, Jon Favreau, Jon Kasdan, Linda Hunt, Paul Bettany Dryden, Toby Hefferman, Warwick Davis
Direção: Ron Howard
Gênero: Ação, Ficção Científica
Duração: 135 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “As aventuras do emblemático mercenário Han Solo e seu fiel escudeiro Chewbacca antes dos eventos retratados em Star Wars: Uma Nova Esperança, inclusive encontrando com Lando Calrissian.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Han é um jovem que, tendo ficado órfão muito novo, vive como contrabandista no conturbado planeta Corellia, de onde tenta desesperadamente fugir junto com a namorada, Qí’ra, para realizar o sonho de comprar uma nave e se tornar piloto. Após derrotarem a Lady Proxima, que comanda o crime local, eles conseguem fugir, mas acabam sendo separados, então ele se alista ao exército na esperança de conseguir pilotar naves por lá. Três ano se passam e seus objetivos permanecem: a carreira dos sonhos e voltar à terra natal, onde pretende resgatar a Qi’ra de vez.

Acho que nunca cheguei a falar sobre filmes de Star Wars aqui no blog, apenas fiz uma resenha fajuta quando o Episódio 1 ganhou sua versão 3D no cinema, apesar de já ter assistido várias vezes na época. Tudo isso porque, apesar de AMAR a história, eu tenho um problema com a maior parte da fanbase: acho o grupo de fãs mais chato que já existiu! Óbvio que não podemos generalizar, etc etc, mas estou falando do grosso, da maioria, que não só não consegue aceitar que novas pessoas passem a gostar, como também acham um problema qualquer mini alteração que façam na sua obra intocável.

Por que então, vocês me perguntam, falar justamente sobre esse que está sendo tão detestado? Oras, porque alguém precisa vir defender! Eu simplesmente adorei Han Solo! Achei muito gostoso poder ver a juventude de uma personagem tão icônico e, de quebra, sua história prévia com algumas outras. O filme se passa aproximadamente 10 anos antes dos acontecimentos de “Uma Nova Esperança” e é muito bacana ver como Solo já tinha a essência que tem na trilogia original, mas também muitas coisas diferentes… Afinal, né, estamos sempre em constante mudança, e até pessoas fictícias passam por mutações.

No quesito “fan service” achei um prato cheio. Vemos como Han e Chewie se tornaram amigos, temos referências em algumas falas (“I hate you!” “I know!”), curtimos a velha trilha sonora adaptada a esse novo momento. Pela primeira vez na história da “Galáxia Muito Distante” o assunto principal não é política, que é o grande foco de todas as outras aventuras. Esses personagens são o lado “abandonado” do Império, tendo que se aliar a ele e traí-lo a todo momento porque, afinal, o que importa ali não é quem está no poder e sim sua sobrevivência. Eles também não usam ou demonstram possuir a Força, as batalhas são todas usando “força bruta” e, claro, tiros e explosões. Há também a presença INCRÍVEL de Lando, que ficou extremamente fiel ao original, e sua Millenium Falcon que, como todos sabemos, é a nave e xodó do personagem título – sim, você vai descobrir como foi o “jogo justo” que fez com ela passasse de um para o outro!

Han Solo: Uma História Star Wars

Imagem via ABC News

Sobre novas personagens, minha favorita foi a L3-37, companheira de Lando, uma droid problematizadora e ativista que luta contra a subordinação das máquinas. Ela é absolutamente encantadora e foi IMPOSSÍVEL pra mim não me identificar – BB-8 acaba de ganhar uma concorrente na minha lista de queridinhos! Também conhecemos o casal de contrabandistas Beckett, que praticamente introduzem o rapaz nessa nova vida de forma profissional. É Thobias Beckett que, no final, dá a brecha para que ele se transforme no adulto interpretado por Harrison Ford. E, claro, não podemos deixar de falar de Emilia Clarke como Qi’ra, provavelmente a pessoa mais misteriosa entre todas as apresentdas. Algo me diz que veremos mais da “ex” de Han em filmes da série.

Digo isso porque Alden Ehrenreich, intérprete de Han Solo, já tem um contrato de três filmes com a Lucasfilm e, no final, temos brecha para ver mais histórias antigas sendo mostradas, como por exemplo no longa já confirmado de Boba Fett. Inclusive os dois personagens fazem parte do mesmo núcleo, sendo caçadores de recompensa trabalhando para o Jabba ao mesmo tempo… Não sei se realmente haverá uma trilogia de Solo, ou se esse contrato é pra outros spin-offs assim, mas espero que sejam tão divertidos quanto esse, que tem humor, aventura, emoção e muita referência, do jeito que a gente gosta!

E, por fim, o meu apelo pessoal à Disney: CADÊ KENOBI NESSA LISTA DE LANÇAMENTOS AÍ, MINHA GENTE? CÊS NUM ME DECEPCIONEM NÃO PORQUE EU JÁ TÔ AQUI SE SABRE AZUL NA MÃO AGUARDANDO POR ESSE SONHO TÃO FÁCIL DE SER REALIZADO, HEIN! AI AI AI!

Trailer: