Diálogo

Em 04.12.2018   Arquivado em Escrevendo

Diálogo

– Boa noite, tudo bom?

– Boa noite! Olha, você trabalha aqui?

– Aham…

– Ah, legal.

– …

– Nossa eu esqueci seu nome!

– Não tem problema…

– Mas e aí, e a faculdade? terminou?

– Não, troquei de curso. Termino agora em dezembro.

– Aquela sua amiga tá trabalhando lá na escola, lembra dela, a Ana?

– Claro que lembro, ela era minha amiga!

– …

– Eu vi que ela tá lá, no Facebook dela.

– Huuum… Valeu a pena aquele tanto de recuperação que dei nocês, né?

– Na verdade, não. Aqui, deu duzentos e vinte e cinco.

– Aqui, oh. Passa no débito mesmo…

– …

– Não conhecia essa boate, é nova?

– Não, já tem um ano e meio.

– Nossa, não conhecia. Você trabalha aqui tem muito tempo?

– Você quer sua via?

– Pode tirar, sim!

– Eu só trabalho aqui de vez em quando mesmo. Tá aqui, obrigada!

– ‘Brigado você, boa sorte aí!

– ‘Brigada!

– – – – –

– Quem era aquele cara?

– Professor de matemática…

– AQUELE que você sempre fala?

– AQUELE mesmo!!!

– Vixe!

Esse post foi inspirado nas propostas #12 e #136 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 24º entre os 30 que me propus a escrever até julho de 2020 e algumas das falas que estão nele são “baseadas em fatos reais”…

Quando a chuva vem

Em 06.11.2018   Arquivado em Escrevendo

Quando a chuva vem

Quando o vento começa a ter cheiro, a gente sabe: vem chuva aí! Se tem roupa no varal, hora de tirar. Se a gata tá lá fora, hora de buscar (ela morre de medo)! Saio correndo e volto com a bichinha no colo, tremendo. Depois, já dentro do quarto, se enrosca na cama e fica olhando pra janela, com aquela carinha de terror e vontade de ter coragem de voltar pro quintal e brincar. Mas não pode, então fica aqui, esperando a hora de acabar…

Se o clima continua assim ao longo da tarde, sei que a noite vai ser boa, porque o aumento da umidade relativa no ar faz maravilhas no funcionamento das minhas vias respiratórias. Se permanece de madrugada, melhor ainda, além disso vai ter aquele barulhinho bom pra dormir. Quando fica muito forte, pode saber: vai ter pelo menos uma piscadinha na energia! Fiação antiga, qualquer balanço forte e já temos que tirar as velas da gaveta…

Sobre o durante? Meu jeito favorito de encarar a chuva é observá-la cair, ver gotas batendo no vidro e escorregando, indo mais rápido quando esbarram em outra que tá em baixo. Contar as pessoas que passam correndo na rua, casaco sobre a cabeça, pra chegar logo em seu destino e levar o mínimo possível de água em si no trajeto. Admirar as luzes distantes de um raio aqui e outro ali, numerando os segundos entre eles e o barulho do trovão que, às vezes, dá pra ouvir logo em seguida!

Esse post foi inspirado na proposta #49 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 23º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018, o que significa que não consegui, mas vou continuar fazendo mesmo assim, até ultrapassar esse número!

A Garota na Teia de Aranha: 8 de novembro nos cinemas

Novos Rumos

Em 28.08.2018   Arquivado em Escrevendo

Novos Rumos

Olhei enquanto a gaveta do armário de arquivos abria e fechava lentamente, agora contando mais um papel com meu nome assinado em baixo. Ele tirou minha via de baixo do perfurador, que usava de peso para que o ventilador não fizesse todas as folhas voarem, e estendeu a mão para apertar a minha. Foi o que fiz, com um meio sorriso no rosto, demonstrando minha mistura interna de desespero e alívio. Quando fechei a porta ao sair, o vi jogando o papel carbono que usamos no lixo, sacudindo a cabeça como se não concordasse com o que havia acabado de acontecer.

Na portaria, o escriturário da sala ao lado fumava conversando displicente com o zelador do prédio. “Até segunda!”, eles gritaram, ao que respondi com um “Até!”, não queria explicar que não voltaria ali na próxima semana, e de preferência nunca mais.

A lâmpada principal da kit net estava queimada, o escuro parecia ser a calmaria que precisava pra fechar esse dia memorável.

Ondas de pânico me invadiram novamente. Talvez eu ficasse permanentemente sem luz se não tivesse dinheiro ara pagar as contas… Acendi o abajur e a máquina de escrever que ficava ao seu lado se iluminou imediatamente. Coloquei minha via do documento ali encaixada nele, como se tivesse acabado de redigi-la. Metaforicamente era o que eu havia feito: escrito a primeira das portas a serem abertas nesse processo insano de ir atrás do que queria de verdade. Pensei em correr pro computador e começar a colocar todos os meus planos em prática naquele momento mesmo (seria o mais prudente a se fazer) mas, por enquanto, pareceu muito melhor saborear essa mistura de sensações que o futuro sempre incerto trazia. Então me joguei na cama e perdida em pensamentos permaneci, até (algumas horas depois) o cansaço me fazer adormecer.

Esse post foi inspirado na proposta #11 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 22º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

Aula de Biologia

Em 12.06.2018   Arquivado em Escrevendo

Aula de Biologia

Os ponteiros do relógio que ficava pregado na parede sobre o quadro negro pareciam se mover com mais lentidão do que nunca. Sempre amei aulas de biologia, mas hoje a espera a tornava insuportável. Eu estava tão distraída com meu turbilhão de problemas que até me assustei quando o porteiro do colégio bateu na porta, devolvendo uma pilha de cartões de estudantes para que a gente pudesse passar adiante e, claro, apresentar novamente no dia seguinte. Peguei da mão dele, achei o meu e passei pra trás, no modo automático.

Ainda era possível ver a marca da picada causada pela amostra de sangue que eu havia tirado na véspera, e meu desespero quanto ao resultado do exame só aumentada cada vez que olhava para ela. Já tinha sido difícil achar um laboratório que aceitasse fazê-lo sem prescrição médica, que dirá que conseguisse entregar no mesmo dia. Não, eu estava fadada a viver aquelas 24 horas de angústia, tudo isso para não encarar o olhar de reprovação que a vendedora da farmácia sequer daria. Bem feito pra mim!

Nesse meio tempo, apenas um novo minuto ainda havia se passado…

Olhei para o pedacinho de folha de papel dobrado, ao lado do meu estojo. Seu bilhete dizia somente “Você está bem?”, mas eu não consegui responder. Não tinha como fazer isso de forma sincera, então melhor ignorar. Na minha cabeça já estava rodando novamente todo o meu texto ensaiado, as desculpas por não ter resistido ao novo estudante estrangeiro da sala, e que eu provavelmente teria que recitar, chorando, aos meus pais. Estava repassando pela terceira vez seguida quando ouvi alguém chamar meu nome, usando um tom de voz irritado.

E pensar que foi essa mesma professora de biologia que nos ensinou que a camisinha era indispensável… É, eu devia ter escutado!

Esse post foi inspirado na proposta #11 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 21º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

Do Jeito Que Elas Querem: 14 de Junho nos cinemas!

Pequenos prazeres da vida, de novo!

Em 15.01.2018   Arquivado em Escrevendo

Coca Cola é uma coisa que vem sempre trazendo prazeres na minha vida a cada golinho. E minha Coca Cola favorita é aquela que vem na garrafa de vidro individual, a famosa KS! Não sei se o modo de armazenar torna seu gosto diferente, se é porque o gás fica mais concentradinho ali ou porque elas estão sempre geladas na medida certa, mas é a melhor, ponto final! Uma pena que venha tão pouquinho, queria uns 2 litros pra alegria durar mais… Se eu bebesse o néctar dos deuses e ele tivesse o gosto que mais gosto com certeza seria esse!

Ronronados, a qualquer hora do dia ou da noite. Procurando por um cafuné, agradecendo comida, a alegria de voltar pra casa após a vacina ou de me ver chegando depois de algumas horas fora. Ronronados distantes, que querem ficar por ali, por perto, sem encostar. Alguns no meio da madrugada, só pra chamar atenção (e dá até uma mini raiva em ser acordada sem motivo nenhum). Aqueles que querem confortar quando estou chorando mesmo sem entender o motivo, ou tentando participar da alegria quando damos muita risada. Os que pedem carinho ou que acontecem porque o carinho veio antes. O barulhinho que sai da Arwen quando ela está feliz é uma música pros meus ouvidos!

Aquela notificação favorita nas redes sociais… Você sabe de qual estou falando! Que vem de uma pessoa específica, seja um “Amei” na foto que você ficou bonita ou mesmo um comentário meio piadista. A janelinha que desce no alto da tela de celular avisando que chegou uma mensagem nova dessa pessoa, seja ela inesperada ou uma resposta pro assunto que você mesma foi lá e puxou. Até mesmo uma nova publicação que aparece em primeiro lugar na sua linha do tempo, pra causar o risinho lateral que só as saudades boas sabem trazer…

“Objeto saiu para entrega ao destinatário.” – a vontade é colocar uma cadeira na port de casa, até o entregador passar!

Inclusive, já que mencionei entregas e encomendas, não dá pra deixar de falar do maior dos hobbies: bonecas! Pegar as caixas de pequenas coisinhas pra arrumar minhas Fashion Dolls, cada uma com sua personalidade e muito jeitinho, pra depois fotografá-las, é quase terapêutico! Aí vem a hora de editar as fotos, selecionar mentalmente quais, quem sabe, podem ser usadas em um texto algum dia… Compartilhar com quem também ama! E mais gostoso ainda do que as bonecas em si são as miniaturas que compõe o “universo” delas… Acho que se eu fosse pro Japão um dia ia dar pra montar uma mini cidade na minha mala, de tanta que eu ia trazer… Ai, ai, “sonhar um sonho impossível”, por enquanto!

Mas nem só de diversão se fazem os momentos de alegria… Porque terminar um trabalho, entregar tudo muito bem feito pro cliente, ah, é MARAVILHOSO! O fim do job é o momento de maior alívio desesperador pra quem é “freelancer”. Alívio porque é hora de receber, yey! Desespero porque, bem, depois daquele nem sempre tem outro e você fica sem saber quando vai receber de novo. Mas foco no que é bem, no que é bom, e dinheiro para “patrocinar” outros prazeres é bem bom!

O dia de ir à psicóloga! Nossa, esse é um dia de alegria! Ficar repensando tudo o que aconteceu desde a última visita pra não esquecer de falar o que é importante até chegar lá e, claro, a conversa tomar todos os rumos inesperados que precisava. O andar carregado e apressado da chegada se transformar em passos leves, aliviados e descompromissados na saída! Essa conversa com uma quase estranha (ou não) que no fim das contas não passa de um bate papo profundo com a gente mesmo. O que, se parar pra pensar, é papear com a pessoa mais importante da nossa vida!

Achar 31 pequenos prazeres e escrever sobre cada um deles por, no máximo, 5 minutos, um por dia ao longo de um mês para, depois, publicá-los. Dá vontade de continuar, de ignorar o número sugerido pela proposta e ir compartilhando mais ao longo dos anos, sem parar!

Pequenos prazeres da vida, de novo
“Prazerzinho” 29/31: As mini coisinhas!

Esse post foi inspirado na proposta #95 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 20º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018. Essa proposta específica foi dividia em quatro partes, sendo essa a última delas.

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