#TBTCultural: Dreamworks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela

Em 11.06.2020   Arquivado em Artes Visuais

Já pensou em poder visitar os bastidores da produção de filmes de uma das maiores empresas de cinema de animação do mundo? No Centro Cultural Banco do Brasil BH isso foi possível através da Dreamworks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela, mostra espetacular que ficou em cartaz entre maio e julho de 2019 e que estou finalmente trazendo pra vocês em mais um #TBTCultural do Sweet Luly. Eu aposto que, se você gosta desse gênero, tem um queridinho entre eles (me conta nos comentários qual)! Até abril de 2020 foram 38 longas lançados no cinema e 1 exclusivo para vídeo, além de outros 9 em desenvolvimento, 11 especiais para TV, 34 séries e 22 curta metragens, premiados com 3 Oscars e 1 Globo de Ouro na categoria Melhor Filme de Animação.

O conjunto de obras e informações era muito variado e riquíssimo, mas não registrei tanto quanto podia porque fui focada em descobrir as mulheres que o compunham para produzir um vídeo pro Vênus em Arte, meu canal sobre (in)visibilidade feminina na história da arte. Dessa forma pequei um pouco em captar tipos diferentes de mídias representando todas as franquias, mas até que o montante final do material deu para passar a mensagem direitinho… Por isso resolvi fazer esse post de forma um pouco diferente do que estou acostumada, separando em tópicos que passam (e ilustram) a maior parte possível da magia que era estar ali.

A entrada:

A divulgação da mostra destacou bastante as estátuas de gesso, algumas em “tamanho natural”, das personagens, principalmente de Madagascar, e eram elas que estavam bem ali, na primeira sala. A montagem desse ambiente era incrível, com as caixas de transporte dos animais endereçadas a Belo Horizonte, uma delas até com código de barra, e o girafa Melman com a cabeça para fora, pronto para te recepcionar. No chão pegadas de pinguins te guiam ao ambiente seguinte, cheio de vídeos de processo de produção de desenho, e à próxima, onde as obras enfim começam.

Esse início é cheio de maquetes de personagens, pequenas esculturas sem acabamento em pintura da anatomia deles, em vários filmes. É MUITO legal ver mas dificílimo de fotografar, então ficarei devendo… A iluminação das salas era bem leve, para não danificar os objetos expostos, e essas mini esculturas especificamente não têm muito contraste em imagem, o que dificulta ainda mais. Uma coisa lindíssima que aparece logo de cara, por outro lado, são máscaras das personagens de Madagascar, um dos grandes destaques da mostra ao lado de Como Treinar Seu Dragão, Kung Fu Panda e, em menor escala, Shrek, feitas pela artista Shannon Jeffries, penduradas bem no alto de uma parede. Fiquei apaixonada por elas.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Melman GIGANTE, de Madagascar, na entrada da exposição.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Pinguins de Madagascar.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Máscara da Glória, de Madagascar.

Artes conceituais enquadradas:

Além de telas com vídeos de animadores, diretores e outros profissionais envolvidos nas produções, as paredes eram tomadas por quadros de artes conceituais dos filmes. Algumas lisas, dando maior destaque para as obras, outras estampadas de forma a compor um visual temático, mas agradando fãs não só dos mais populares, mas também de menor destaque como O Caminho para El Dorado e A História de Uma Abelha. Nessa categoria senti muita falta de uma quantidade maior de arte de Formiguinhaz, “filho” primogênito da empresa que deu o pontapé para toda a tecnologia usada por eles desde a década de 90 até hoje… Mas acho que sou saudosista, mesmo!

Mais uma vez Madagascar DOMINOU a cena, com uma parede linda cheia de pôsteres de circo com os animais protagonistas, mas tinha, sim, pintura e desenho para fãs de TODAS as obras. Minha favoritas estavam em um mostruário diagonal, quase deitado, onde trabalhos da Priscilla Wong de Trolls estavam agrupados… Eles têm várias camadas, dando sensação de “filme 3D”, compostos de diversos materiais como algodão, pedrinhas e outros tipos de textura que combinam perfeitamente com a vibe do filme. Se você ainda não assistiu vale muito a pena, vi no cinema e fiz uma resenha dele aqui no blog, é maravilhoso e me espantei por ter pouquíssimo destaque, já que suas cores vibrantes e estreia recente têm potencial pra render mais conteúdo, além da trilha sonora impecável que é um dos pontos fortes da Dreamworks.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Artes de Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Artes de Fuga das Galinhas.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Arte com textura de Trolls.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Artes de Bee Movie – A História de uma Abelha.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Parede de posteres do circo, de Madagascar (foi onde tirei minha foto de look da exposição!)

Maquetes:

Voltando às maquetes, não só as personagens estavam presentes com sua “mini versões”, mas também cenários, ambientes e até mesmo cenas do filme, foi minha parte favorita pois eram MARAVILHOSOS! A franquia que mais gosto da produtora é Shrek, acompanho desde o primeiro, então ver a Casa do Pântano, Castelo e Vila de Tão, Tão Distante em milhões de detalhes bem na minha frente me deu vontade de poder trazer pra casa (a louca das miniaturas chegou). O nível de perfeição também envolve texturas e materiais diferentes, além de pintura primorosa, fiel de verdade ao que se vê na tela. Obras de arte em todos os sentidos da expressão!

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Maquete de Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Maquete da Casa no Pântano de Shrek.

Leia também: Shrek: Para Sempre, resenha (bem pobrinha e meia boca) do filme.

Animação:

Um dos objetivos de “Uma Jornada do Esboço à Tela” era a imersão de quem visitava aos bastidores do cinema de animação, o que inclui transformar todo mundo em “projetos” de animadores, também. Através de computadores espalhados pelas salas as pessoas podiam testar efeitos de água, expressões faciais em personagens e até decidir os tons e quantidade de alguns elementos em cenas selecionadas. No hall do CCBB, bem na primeira sala à esquerda, o “mergulho” era ainda maior com telas em branco para criar a sua desenhando e animando de verdade, usando recursos básicos. Os educadores ao redor auxiliavam quem tivesse dificuldade e controlavam o tempo de cada grupo, para não acumular gente na porta nos dias de maior público. Confesso que não entendi muito bem como funcionava, mas brinquei mesmo assim porque não ia deixar passar, né?

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Brincando de animadora: Daninha se divertindo com Soluço, de Como Treinar Seu Dragão.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Brincando de animadora: cena dos fogos de artifício de Os Croods.

Ambiente:

Paredes em cores vibrantes ou tomadas por estampas e artes, fones de ouvido com trilhas sonoras tocando, citações acompanhadas de informação em diversos tipos de impressão e até mesmo a projeção de uma grande mesa de trabalho da criação de storyboards quando você menos espera… Essa não era uma exposição “tradicional”, onde se vê apenas obra rotulada, e sim um presente para quem gosta de animação e até mesmo quer trabalhar na área! O local ficou lindíssimo e conseguiu dar a um prédio histórico visual contemporâneo desse tipo de arte ultra tecnológica.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Citação de Shrek (1) impressa na parede.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Simulação de mesa de trabalho dos animadores.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Diferença da quantidade de Storyboards de um filme pro outro, da esquerda pra direita: As Aventuras de Peabody & Sherman (2014), Os Sem-Floresta (2006), Como Treinar Seu Dragão (2010), Kung Fu Panda (2008) e Shrek (2001).

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Uma restauradora/educadora de artes exibindo orgulhosamente mais um guia de exposição pra sua coleção em frente a uma parede bonita com iluminação BEM duvidosa (inclusive joguei vários desses guias fora porque não dava, era muita porcaria acumulada).

Pátio do museu:

Por fim, pra quem ia ao Pátio do CCBB – e quem tá acostumado a frequentá-lo SEMPRE vai, porque as exposições continuam ali -, tinha mais lindezas esperando. Sobrevoando o ambiente estava o próprio Banguela, que era possível ser visto de dois ângulos: de frente/cima logo na entrada lateral, onde eram retirados os ingressos (gratuitos) e por baixo, sobre as cabeças de quem visitava. Se isso não fosse suficiente era possível também ficar EM CIMA DELE num simulador 180° de como é o vôo nas costas do Fúria da Noite, raça de dragão da qual esse queridinho faz parte. Essa atração era muito maravilhosa porque o vôo começava numa página em branco e ia evoluindo, desde os rascunhos até chegar no resultado final da animação. Difícil até saber pra que lado olhar.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Banguela sobrevoando o pátio: vista de cima

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Banguela sobrevoando o pátio: vista de baixo

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Alguns personagens de Madasgacar e Shrek, em qualidade bem inferior, recebendo a clientela na porta de um dos cafés do museu.

Dreamworks Animation - Uma Jornada do Esboço à Tela

Mais pinguins de Madagascar, dessa vez na entrada principal do CCBB BH

As mulheres da Dreamworks:

Como já dito, meu registro dessa exposição foi focado principalmente nas artistas mulheres que a compõe, inclusive com uma quantidade de vídeos gravados por lá bem significativa. Esse material virou conteúdo para o Vênus em Arte enquanto a mostra ainda estava em cartaz, não só falando um pouco da trajetória de cada artista e as relacionando com as obras que vi, mas também chamando as pessoas para visita-la. Se você ficou com mais vontade ainda de curtir isso tudo (e ainda não cansou do meu blá-blá-blá), o vídeo está aí em baixo, onde é possível ter uma breve visão do simulador de voo, já que fotos não eram suficiente para explica-lo:

DreamWorks Animation – Uma Jornada do Esboço à Tela foi recorde de público do Centro Cultural Banco do Brasil em Belo Horizonte: meio milhão de visitas em dois meses de duração! Nos primeiros fins de semana a fila para retirar ingresso dava volta no quarteirão onde o prédio se encontra, parte do Circuito Cultural Praça da Liberdade, e recebia tanto grupos com crianças quanto apenas adultos apaixonados pelos filmes (oi!). A curadoria foi feita pelo Australian Centre for the Moving Image em colaboração com a própria empresa, e já passou também pelos CCBBs de outras capitais brasileiras. Uma daquelas mostras que você se orgulha muito de ter ido porque foi, de fato, imperdível.

#TBTCultural: Mostra “Raiz”, de Ai Weiwei

Em 21.05.2020   Arquivado em Artes Visuais

A “coisa” que mais me faz falta nesse momento de isolamento é poder visitar museus. Essa saudade me fez pensar, primeiramente, no quanto preciso fazer isso com ainda mais frequência e principalmente no material que tenho aqui guardado de exposições que visitei e acabei não compartilhando no blog por achar que, com o passar do tempo ao sair de cartaz, aquilo acabou se tornando “inútil” de ser postado. E foi nesse ponto em que me enganei. Diante da ausência de novas manifestações culturais presenciais VÁRIAS instituições estão usando suas redes sociais para relembrar a arte que já passou por elas e foi vendo isso que, alguns dias atrás, fiz o mesmo ao adicionar fotos de obras do Basquiat ao meu post sobre a Barbie lançada inspirada no artista. Mas por que parar por aí? Por que não lançar um #TBTCultural das que passaram por mim também? Não tem motivo, tem NECESSIDADE! E PRECISO começar, sem sombra de dúvidas, pela Mostra que mais amei ver no Centro Cultural Banco do Brasil BH até hoje: “Raiz”, do artista chinês Ai Weiwei.

Psiu! Prest’enção! #TBT é uma hashtag usada nas redes sociais como uma abreviação de “throwback thursday”, em tradução livre “retrospectiva de quinta-feira”, destinando esse dia da semana para a postagem de fotos e fatos já passados, seja esse passado referente a anos ou mesmo, se a pessoa enxergar assim, apenas alguns dias.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

“Tudo é arte. Tudo é política.” – Ai Weiwei

Nascido em Pequim em 1957, Ai Weiwei é um artistas plástico e ativista chinês que aborda na sua produção artística questões políticas-sociais e sua luta por direitos humanos já lhe causou prisão domiciliar seguida da destruição de seu estúdio na China há 10 anos atrás. Uma das temáticas mais abordadas por ele é a de pessoas refugiadas e ilegais nos países onde vivem, situações que julga como reflexos de barreiras imaginárias não só territoriais, mas à nossa inteligência. Também é possível ver uma crítica forte ao consumo em massa no seu trabalho, ou seja, basicamente uma pessoa que eu poderia passar horas aplaudindo sem sequer sentir as mãos doer. Como não posso, vou enaltecer um pouquinho das obras que tive o privilégio de ver.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Obras de Juazeiro do Norte (2018)

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Obras de Juazeiro do Norte (2018)

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Duas Figuras (2018)

Nos últimos anos ele realizou um trabalho grande também na América Latina, incluindo o Brasil, em meio às suas discussões sobre refugiados chineses nesses países. O período resultou em algumas das peças presentes na exposição, como o conjunto “Obras de Juazeiro do Norte”, esculturas de madeira realizadas em parceria com artesãos dessa cidade do estado do Ceará, todas bem condizente com sua temática no geral. Ele produziu também uma instalação que expressa sentimentos que teve em terras tupiniquins causados pelo calor do povo brasileiro, em todos os sentidos: cores, cordialidade e sensualidade, “Duas Figuras”. Para quem entrava no CCBB BH pelas portas da frente era uma das primeiras a ser vista, numa sala lateral do hall.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Cofre de Lua (2008)

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

“A linguagem da comunicação sempre precisará ser renovada.” – Ai Weiwei

A gama de materiais e técnicas utilizadas no trabalho é grande. Desde os mais “tradicionais”, como madeira e desenhos, até sementes, fotografias, áudio e vídeo. Um dos destaques da Mostra eram as frases do artistas impressas nas paredes brancas, todas de cunho político-social. O dia que fui à mostra, em especial, foi MUITO impactante e melancólico porque, dentro do Uber ao sair de lá, recebi a notícia do incêndio ocorrido na Catedral de Notre-Dame, cenário do meu filme favorito e um sonho turístico de infância ainda não realizado (que agora não sei quando poderei fazer isso). Parece que toda a tocante discussão mental (e verbal também, com minha irmã que estava comigo) sobre arte e história causada pelas citações ficou ainda mais pesada, intensa e significativa.

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

O Animal Que Parece A Lhama Mas Na Verdade É Alpaca (e eu!)

Outra coisa belíssima são os papéis de parede dele, que decoravam algumas salas, todos com o mesmo tom ativista do resto de seu trabalho. Frases como “Ninguém é ilegal” acompanham desenhos de refugiados no preto e branco de um enquanto o outro, mais alegre e dourado (com toques de discussão sobre a super comunicação virtual), acabou se tornando cenário do post do look do dia que veio aqui pro blog na época. Não tinha NADA A VER o visual de um em relação ao outro, a iluminação do museu não contribui em nada, mas ficou belíssimo mesmo assim. Não é todo dia que temos Ai Weiwei ilustrando nossas produções, né?

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

He Xie (2011)

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

“Eu não diria que eu me tornei mais radical. Eu Nasci radical.” / “Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos.” – Ai Weiwei

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Barca: A Lei da Jornada (2017)

Mostra Raiz, de Ai Weiwei

Bicicletas Forever (2015)

As obras mais impactantes eram também as maiores. “Barca” estava localizada no pátio interno do CCBB, uma instalação gigantesca representando refugiados dentro de um bote bem ali, do lado de quem usufruía dos caríssimos cafés do lugar. Já a fachada contava com a interativa “Bicicletas Forever” com mais de mil bicicletas da marca Forever, a mais popular na China, como uma crítica à sociedade de consumo em massa. Por estar localizada no exterior, cada dia em uma entrada do local, foi provavelmente a obra mais vista pelas pessoas, TODO MUNDO QUE SIGO e mora em Belo Horizonte posou ali do lado em algum momento no feed do meu Instagram – e ainda bem!

“Raiz” recebeu 235 mil visitantes em 57 dias (fonte) e foi, até então, a segunda mostra mais visitada do Centro Cultural Banco do Brasil BH, se tornando a terceira logo em seguida com o sucesso de público “Dreamworks: Uma Jornada do Esboço à Tela” que, se vocês aprovarem essa nova ideia aí nos comentários, vai ser nosso próximo #TBTCultural. Para ver mais do trabalho de Ai Weiwei vocês pode segui-lo no @aiww tanto via Instagram quanto Twitter.

Barbie Jean-Michel Basquiat

Em 12.05.2020   Arquivado em Artes Visuais, Dolls

Corpo articulado, cabelo trançado dividido em quatro rabos de cavalo, roupa com corte de alfaiataria completamente tomada por pinturas principalmente em tons primários, mas sem qualquer limitação de cor, sombra azul vibrante e, claro, uma coroa na cabeça. A união entre dois gigantes da cultura estadunidense resultou em uma das bonecas mais maravilhosas já lançadas pela Mattel, a Barbie Jean-Michel Basquiat, em tributo ao grafiteiro neo-expressionista cujo trabalho tomou Nova York na década de 80 com seus múltiplos tipos de arte urbana e expressão de poesia gráfica. Ela é absolutamente linda, digníssima com traços afroamericanos e coberta da cabeça aos pés com várias obras do artistas no terno, calça, camisa e até na gravata, fechando o look com botas vermelhas e cinto longo contendo dizeres do próprio.

Apesar de seguir as redes sociais da Barbie, acabei deixando essa boneca passar batida no meu feed quando lançada por volta de um mês atrás, a ponto de já estar esgotada em diversas lojas. Ainda assim achei que seria pertinente mostrá-la quando finalmente a vi no Instagram da My Froggy Stuff, que tem um canal no YouTube INCRÍVEL sobre bonecas onde posta unboxing, tutoriais de Faça Você Mesmo e afins. Ela tem uma vasta coleção de bonecas negras e fez um vídeo MARAVILHOSO mostrando todos os detalhes dessa que recebeu da própria Mattel, comparando outras bonecas que cabem nas roupas e ensinando a fazer uma mini galeria de arte. Foi aí que percebi o quanto ela é perfeita, as fotos mostram o melhor mas é tanta informação, como o próprio artista pede, que é preciso uma vida pra analisar tudo.

Barbie Jean-Michel Basquiat

Imagens retiradas da loja oficial da Mattel

Jean-Michel Basquiat nasceu em dezembro de 1960 e começou a grafitar aos 17 anos, apesar de já apresentar afinidade com arte antes mesmo disso. Seu primeiro projeto ficou conhecido como SAMO (de “same old shit“, ou “sempre a mesma merda”). Após largar os estudos às vésperas de se formar e ganhar mais notoriedade no Times Square Show de 1980, sua trabalho carregado de crítica social e traços propositalmente primitivos foi migrando das ruas pras galerias, a ponto de ser um grande amigo e colaborador do ícone da popart Andy Warhol no final de sua muito curta vida. Morreu aos 27 anos, já tendo começado a fazer exposições internacionais, de overdose causada por um coquetel de drogas conhecido como “speedball” (combinação de cocaína e heroína). A homenagem é belíssima e também completamente merecida, tendo obras dele decorando a caixa da boneca, que vem com Certificado de Autenticidade e pertence à linha Gold Label e é destinada a colecionadores adultos.

Barbie Jean-Michel Basquiat

Barbie Jean-Michel Basquiat

Em setembro de 2018 eu tive o prazer de visitar uma exposição com as obras do Basquiat pertencentes à Coleção Mugrabi, do colecionador de arte de mesmo nome, que estava em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil BH. Elas ficaram lá por pouco mais de dois meses junto com ambientação temática e, claro, dados sobre a vida do artista, além de possibilidade de interação digital com algumas delas. Com certeza essa está no Top 5 Favoritas entre as mostras que vi por lá e, apesar de na época não ter planejado produzir conteúdo sobre (estava atarefadíssima com o Baile de Inverno do Potter Club BH) cheguei a tirar algumas fotos e, por que não(?), acho pertinente compartilhar agora pra vocês terem um gostinho de como foi e identificar o estilo expresso pela Mattel:

Jean-Michel Basquiat no CCBB BH

“Acredite ou não, eu realmente sei desenhar. Mas eu tento lutar contra isso usualmente.”

Jean-Michel Basquiat no CCBB BH

Jean-Michel Basquiat no CCBB BH

Jean-Michel Basquiat no CCBB BH

Como foi um dos raros momentos em que não cogitei trazer o que vi pro blog, tirei só umas fotos para guardar minhas favoritas e sequer anotei títulos. Normalmente minha cabeça “escreve” posts mentalmente enquanto estou assistindo, ouvindo ou vivendo algo de modo geral e nesse dia, talvez por já estar cheia de coisas dentro dela, não aconteceu, mas ainda assim acho que deu pra sentir um pouquinho da emoção de estar cara a cara com a obra de um nome desse porte. É muito diferente do que muita gente espera encontrar em museus e bem característico, mesmo quem não conhece entende um pouco sobre a história de vida dele. É aparentemente simples, mas consegue passar a mensagem, que é o mais importante. (Nossa, gente, saudades de pisar num museu que vocês não fazem ideia, hahaha!)

Apesar de estar praticamente esgotada em diversos lugares a loja oficial da Mattel sugere um valor de U$50,00, o que com a famosa lei da oferta e da procura não favorece quem quer comprar as unidades que ainda estão no mercado, porque está sendo vendida por mais do que o dobro disso… Com frete, taxa de importação, IOF e cotação do dólar achei melhor nem calcular quanto ficaria em reais, vai ficar aqui no desejo guardada no coração e na minha wishlist do site.

Lookbook: Move it, move it!

Em 22.05.2019   Arquivado em Moda

Eu pretendia falar sobre a mostra LINDA da Dreamworks Animation que tá no CCBB BH e só depois mostrar a roupitcha do dia no lookbook, mas infelizmente não consegui terminar de editar o vídeo que gravei por lá a tempo, então farei na ordem “tradicional” que sempre fazemos por aqui, mesmo. E aí, como na última vez em que fui à exposição do Ai WeiWei, a luz não é lá grandes coisas, o rosto fica cheio de sombra e nem dá pra ver a estampa das roupas direito, porém é um “cenário” lindíssimo que eu me recuso a deixar de aproveitar, então vamos lá!

(Porém dessa vez, ao contrário da última, eu DE FATO farei um post falando sobre a mostra, com fatos e fotos bem lindos e detalhados, aquela promessa não foi cumprida mas essa será, aguardem…)

O fundo escolhido foi esse com vários posteres de circo do filme Madagascar, que é um dos com maior número de obras expostas e, na minha opinião, destaque da exposição. A escolha, porém, não foi por causa do filme em si, uma vez que tem vários outros do estúdio que gosto mais, mas por causa da 01) iluminação, que era “menos pior” pra esse tipo de coisa e 02) os cartazes de elefante assim, bem à altura para aparecer perto de mim. Eu AMO elefantes, muito! Achei apropriado – e o tom de cinza da parede também era lindão.

Lookbook: Moveit, move it!

Blusa: Riachuelo | Calça: n/s | Coturnos: n/s | Bolsa: Kipling | Óculos: Ray-ban | Colar: C&A | Fotos: Daninha, aka minha irmã!

Sobre o look em si eu não tô nem sabendo direito o que dizer porque é um estilo tão recorrente por aqui que se alguém me visse na rua de longe saberia que era eu sem precisar olhar o rosto! Camiseta preta estampada (essa diz “I don’t know where I’m going”, mais pertinente impossível) + disco pants + coturno + bolsa lateral + colarzinho. Aquela combinação que se eu fosse famosa já teria sido popularizada como “estilo Luly” em 2017/2018, hahahaha. Fazer o que, né, é confortável e bonito. E por algum motivo eu ADORO usar essa blusa com coque, acho que combina super, gente, então ela muitas vezes é a escolhida quando vou sair e os cabelos tão meio estranhos, porque aí é só prender desse jeito que já sei que deu certo…

Lookbook: Moveit, move it!

Pra galera de BH, já fica a dica e visitem DreamWorks Animation: Uma Jornada do Esboço à Tela, vai ficar um tempão por aqui, até 29 de julho! Eu com certeza vou voltar pra rever, porque vale a pena… E aguardem que esse fim de semana mesmo, sem falta, conto sobre ela com todo meu amor – e um conteúdo especial do Vênus em Arte, meu canal sobre mulheres artistas!

Exposição “ComCiência”, da Patricia Piccinini

Em 04.01.2017   Arquivado em Artes Visuais

“Antes tarde do que nunca” define o tema desse post, já que as obras do ComCiência, da Patricia Piccinini, estão no CCBB BH há quase três meses e eu só fui vê-las agora, na última semana. Mas o importante é ir e impossível deixar passar porque é, até hoje, a exposição mais vista da história do museu e recebeu mais de um milhão de visitantes em sua passagem por outras cidades do país.

Para trazer a questão das mutações genéticas para o território da arte, a artista australiana Patricia Piccinini se utiliza do realismo como linguagem, apresentando ao espectador um universo de criaturas desconhecidas, porém palpáveis e surpreendentemente afetuosas. ComCiência, um neologismo que carrega sentido duplo, conectando consciente e ciência, propõe ao público um percurso narrativo entre esculturas, desenhos, fotografias e vídeos. (fonte)

Depois de um medo gigantesco do assunto quando era criança, eu cresci sempre procurando lidar com qualquer tipo de mutação genética ou característica peculiar de forma mais natural possível, principalmente porque meu filme e meu livro favoritos tratam sobre o assunto, então quando vi as primeiras imagens das obras, principalmente as esculturas que são as grandes estrelas da “festa”, fiquei absolutamente encantada. A ideia da artista é que o expectador passe da repulsa ao fascínio, mas pra mim esse processo não aconteceu, foi um impacto positivo de cara, mas eu não imaginava é que ao vivo a coisa ia ser ainda mais forte porque, sério, elas são absolutamente LINDAS! As figuras humanas são extremamente convincentes, o que torna a admiração ainda maior, e mesmo que pareça que a gente está diante de uma pessoa de verdade elas têm o lado esquisito que causa incômodo: pelos demais, pequenos traços de animais, órgãos deformados, a presença das criaturas que muitos enxergam como monstros, mas na verdade passam um ar super simpático pra quem observa. As pessoas que interagem com elas, é claro, são sempre crianças (de All Starzinhos!), já que eles estão mais abertos ao incomum que os adultos, e a ideia daquela “amizade” que surge no momento congelado pela artista me deu vontade de ver um filme com a história deles sendo contada.

Existem outras “categorias” de obras, além dessa das crianças e seus amigos incomuns, que retratam sempre a humanização de seres supostamente não animados, como plantas e até mesmo meios de transporte. Meu lado restauradora ficou enlouquecido imaginando como deve ser interessante montar a exposição no ambiente disponível e depois embalar para o transporte, porque deve ser uma quantidade de detalhes ainda maior do que a gente observa como visitante… Claro que é impossível amar tudo porque é um conjunto enorme e extremamente variado, que conta com esculturas, quadros, sons, vídeos e até jogos de luz, mas é legal ver também o que te causa mais estranhamento e o que depois de ver tantas vezes acaba ficando até comum, que não é muito diferente da “vida real”, se parar pra pensar!

ComCiencia, Patricia Piccinini
“O Observador”

ComCiencia, Patricia Piccinini
“Grande Mãe” (percebam a melancolia absurda desse olhar)

ComCiencia, Patricia Piccinini
“O Golpe”

ComCiencia, Patricia Piccinini
“O Tão Esperado”

ComCiencia, Patricia Piccinini
“A Confortadora”

ComCiencia, Patricia Piccinini
“O Substituto” – fofíssimo de frente, super incômodo pelas costas

ComCiencia, Patricia Piccinini
“Indiviso”

ComCiencia, Patricia Piccinini
“O Visitante”

ComCiencia, Patricia Piccinini
“De Bruços” – o que mais gostei de TODOS!

ComCiencia, Patricia Piccinini
“Cycle Pups”

ComCiencia, Patricia Piccinini
“Os Amantes” – foi uma das favoritas, também!

ComCiencia, Patricia Piccinini
“Arcádia”

ComCiencia, Patricia Piccinini

ComCiencia, Patricia Piccinini

ComCiência, de Patricia Piccinini. De 12/10 a 09/01 no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte.
Praça da Liberdade, 450, Funcionários. Contato: http://culturabancodobrasil.com.br/ | (31) 3431-9400 | ccbbbh@bb.com.br | Funcionamento de quarta a segunda das 9h às 21 horas. Entrada Franca.

Minhas fotos ficaram muito ruins, então a Lili me deixou usar as delas aqui no post, apenas quatro dessas quatorze foram tiradas por mim. Obrigada, Lili! Além disso não consegui achar o nome de todas as obras, então se alguém souber o da última que falta e puder me avisar agradeço imensamente.