Eu Te Darei o Sol

Em 28.08.2019   Arquivado em Leitura

Eu Te Darei o Sol: O amor é apenas a metade da história (I’ll Give You the Sun) *****
Eu Te Darei o Sol Autor: Jandy Nelson
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto, Romance
Ano: 2015
Número de páginas: 384p.
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-858-16-3646-7
Sinopse: “Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.
Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.”
(fonte – capa e sinopse)

“Lixo espacial. (…) O céu está sempre despencando. Sempre. Você vai ver. As pessoas não têm ideia.”

Comentários: Fazia muito tempo que eu não sentava e lia um livro de ficção novo, talvez o último tenha sido mais ou menos dois anos atrás. Mais tempo ainda tinha que lia um livro que me deixava completamente apaixonada. Sabe quando você não quer se desgrudar da história nos trechos de alegria, tem vontade de jogar tudo longe nos de raiva e sente um alívio GIGANTESCO quando aquele momento tão esperado enfim acontece, como se fosse com você? Sabe quando suas próprias lembranças são despertadas nos pontos mais cruciais da história? Foi isso que senti lendo Eu Te Darei o Sol. Um presente de aniversário que ganhei de uma amiga em 2017, mas que felizmente não li na época. Porque aquele foi o ano em que eu “morri”, simplesmente não vivi, e não conseguiria aproveitar a grandeza dele como aproveitei agora – nesse agora específico, então, mais que nunca!

Eu Te Darei o Sol

O livro trata do ponto de vista de um casal de irmãos gêmeos em momentos distintos da vida dos dois, antes e depois de uma tragédia que mudou tudo na vida deles. Noah é apresentado aos 13/14 anos, descobrindo sua sexualidade, explorando uma sonhada carreira de pintor que pode começar de vez na escola de artes onde tanto anseia estudar. Já Jude narra sua vida aos 16, quando ela e o irmão já não têm a conexão que tiveram durante toda sua vida após competir por uma vaga nessa mesma escola, onde ela pretende estudar escultura, e pela atenção das pessoas mais importantes de suas vidas: seus pais e alguns garotos deveras interessante. Mentiras, boicotes e muita dor passam a ser parte da vida deles, tornando a distância inevitável e a reaproximação um sonho quase distante…

“Encontrar sua alma gêmea é como entrar numa casa onde você já esteve – você vai reconhecer a mobília, os quadros na parede, os livros nas prateleiras, as coisas nas gavetas: você é capaz de se localizar no escuro, se precisar.”

O fato de a história tratar de dois artistas é uma peculiaridade a mais que deixa esse conjunto ainda mais interessante. Para quem entende de arte é maravilhoso pegar as referências e saber exatamente do que eles estão falando naquele momento, e quem não entende provavelmente vai correr pro Google e, enfim, entender. Um pinta, a outra esculpe, então é arte variada para se explorar e aprender. Tudo isso misturado com questões ainda mais profundas: homossexualidade, espiritualidade, traição, até mesmo hipocondria. O que mais gostei foi o modo como, ao se afastar, os dois protagonistas simplesmente trocam de personalidade, de modo que você vê um no outro tão claramente que isso só pode significar que estão compensando essa ausência. Por mais que seus estímulos venham do amor romântico, uma coisa é clara: o Sol que ilumina a história, que é dado e compartilhado, é o amor de irmãos!

Eu Te Darei o Sol

Jandy Nelson tem uma escrita de tirar o chapéu e se curvar em seguida. Ela cria uma extensa poesia de quase 400 páginas disfarçada de romance jovem adulto que, apesar de ser protagonizado por adolescentes, é tão denso que mexe com a cabeça de qualquer um. A princípio pensei que a narrativa de Jude ia atrapalhar a de Noah, por dar alguns “spoilers” do que aconteceu três ou dois anos depois do que ele está contando, mas isso não acontece. Os dois se complementam. Quando o capítulo de um acaba você lamenta, pensando que é impossível que o que vem a seguir desperte tanto sua curiosidade quanto, mas essa sensação vai se repetindo sucessivamente até o livro acabar. Senti tanto ÓDIO da Jude, de o sangue talhar, que achei que jamais poderia perdoá-la, não importa o que viesse a acontecer, para em seguida ter vontade de abraça-la e tirar todo o peso do mundo de suas costas. Noah me fez rir, recordar, chorar, sentir medo e alívio, cada hora uma coisa e tudo ao mesmo tempo. Duas personagens complexas, humanas, controversas, maravilhosas! Seus pares românticos também são incríveis e têm suas vidas cruzadas às deles de forma inacreditável e, ao mesmo tempo, crível, seja lá como isso é possível.

“Vamos lá, o que é ruim para o coração é bom para a arte. A horrível ironia da nossa vida como artistas.”

Foi muito gostoso para mim, como autora recém publicada, ser apresentada a essa escrita justamente nesse momento. Me inspirou a seguir em frente, a produzir mais, a ousar sem medo de me expor ao máximo, em colocar no papel o que na verdade é simples, mas parece rebuscado. Porque esse livro é assim. Eu Te Darei O Sol é uma obra que faço questão de emprestar a quem quiser ler, que agradeço por ter sido presenteado com, que encheu meu coração de esperança ao descobrir que tem uma chance de ser adaptado para filme pela Warner (fonte). Me fez cantar mentalmente ‘Dia Branco”, de Geraldo Azevedo, o tempo todo, quase como se fosse sua trilha sonora oficial. Me deixou morrendo de vontade de ler “O Céu Está Em Todo Lugar”, da mesma autora e também publicado no Brasil pela Novo Conceito com uma capa bem semelhante, o que faz deles quase um “time”.

  • Anne Ferreira

    Em 28.08.2019 | Comentou 4 vezes. | [Citar]

    Que sinopse mais emocionante!
    Amei demais! Já quero esse livro pra minha vida!!! Amei essa parte
    “Encontrar sua alma gêmea é como entrar numa casa onde você já esteve – você vai reconhecer a mobília, os quadros na parede, os livros nas prateleiras, as coisas nas gavetas: você é capaz de se localizar no escuro, se precisar.”

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  • Cintia

    Em 28.08.2019 | Comentou 5 vezes. | [Citar]

    Olá!
    Adorei conhecer este livro, parece ser uma ótima leitura, vem do jeito que eu gosto.
    Parabéns pela resenha.
    Abraços

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  • Joana Darc

    Em 28.08.2019 | Comentou 5 vezes. | [Citar]

    oi!
    Que dica otima 😀 eu adorei a sinopse do livro a historia é bem interessante, já quero ler 😉

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  • Igor Medeiroz

    Em 28.08.2019 | Comentou 2 vezes. | [Citar]

    eu tenho esse livro faz alguns anos, acho que vou tirar ele da estante para dar a mesma oportunidade e amar como você amou.

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  • Luana Souza

    Em 28.08.2019 | Uau!! Deixou 40 comentarios, VIP!! | [Citar]

    Que resenha linda, Luly. Faz empo que não leio uma feita por você.
    Vejo esse livro direto pelo instagram e, embora sempre tenha achado o título poético, nunca fui a fundo para descobrir do que exatamente se tratava. Não sei se é o tipo de livro que eu iria AMAR ler, mas, pela premissa, parece ser tão profundo *-* (ou pode ser a forma como você o descreve também).
    beijos :*

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  • Jéssica

    Em 28.08.2019 | Comentou 9 vezes. | [Citar]

    Acho que já vi a capa desse livro no insta e me apaixonei, é a coisa mais linda da vida! Não tinha lido a sinopse até então, mas amei a resenha e talvez mais pra frente eu compre o livro. <3

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  • Denise Amaro

    Em 28.08.2019 | Comentou 6 vezes. | [Citar]

    Oii, como assim você “morreu”?
    Livro interessante pra ler, amei real essa capa e sua resenha me deixou com gostinho de queroo mais *-*
    já adcionei ele a minha lista de leitura rs.

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  • Erika Monteiro

    Em 28.08.2019 | Comentou 16 vezes. | [Citar]

    Oi Luly, tudo bem? Quanto tempo não vejo indicações de livros por aqui, preciso visitar seu cantinho com mais frequência. Com relação a história é sempre difícil histórias que abordem relacionamentos de irmãos, ainda mais quando ambos cresceram e veem a vida de forma diferente. Quando somos crianças parece que sempre seremos unidos, que sempre teremos aquele universo, mas aí crescemos, vamos para o mundo e de repente nos tornamos outras pessoas. Não conhecia o livro mas gostei da abordagem dele. Um abraço, Érika =^.^=

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    Luly Lage Reply:

    Oi, Érika!
    Menina, na verdade eu que não postava sobre livro há muito tempo – deve ter uns 2 anos! Tô enferrujada, mas que bom Que foi suficiente pra você se interessar pela história =D

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  • Lunna

    Em 28.08.2019 | Comentou 4 vezes. | [Citar]

    Não conhecia nem o autor, nem o livro… a trama não me chamou a atenção, para ser sincera, fiquei mais curiosa nas sensações que mencionou por ler após ser publicada. Fui ler sobre seu romance, no link, e fiquei curiosa ao saber mais sobre o seu processo de escrita.

    bacio

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