Han Solo: Uma História Star Wars

Em 04.06.2018   Arquivado em Disney, Filmes

Han Solo: Uma História Star Wars

Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story) *****
Elenco: Alden Ehrenreich, Donald Glover, Emilia Clarke, Joonas Suotamo, Woody Harrelson, Phoebe Waller-Bridge, Thandie Newton, Anthony Daniels, Clint Howard, Jon Favreau, Jon Kasdan, Linda Hunt, Paul Bettany Dryden, Toby Hefferman, Warwick Davis
Direção: Ron Howard
Gênero: Ação, Ficção Científica
Duração: 135 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “As aventuras do emblemático mercenário Han Solo e seu fiel escudeiro Chewbacca antes dos eventos retratados em Star Wars: Uma Nova Esperança, inclusive encontrando com Lando Calrissian.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Han é um jovem que, tendo ficado órfão muito novo, vive como contrabandista no conturbado planeta Corellia, de onde tenta desesperadamente fugir junto com a namorada, Qí’ra, para realizar o sonho de comprar uma nave e se tornar piloto. Após derrotarem a Lady Proxima, que comanda o crime local, eles conseguem fugir, mas acabam sendo separados, então ele se alista ao exército na esperança de conseguir pilotar naves por lá. Três ano se passam e seus objetivos permanecem: a carreira dos sonhos e voltar à terra natal, onde pretende resgatar a Qi’ra de vez.

Acho que nunca cheguei a falar sobre filmes de Star Wars aqui no blog, apenas fiz uma resenha fajuta quando o Episódio 1 ganhou sua versão 3D no cinema, apesar de já ter assistido várias vezes na época. Tudo isso porque, apesar de AMAR a história, eu tenho um problema com a maior parte da fanbase: acho o grupo de fãs mais chato que já existiu! Óbvio que não podemos generalizar, etc etc, mas estou falando do grosso, da maioria, que não só não consegue aceitar que novas pessoas passem a gostar, como também acham um problema qualquer mini alteração que façam na sua obra intocável.

Por que então, vocês me perguntam, falar justamente sobre esse que está sendo tão detestado? Oras, porque alguém precisa vir defender! Eu simplesmente adorei Han Solo! Achei muito gostoso poder ver a juventude de uma personagem tão icônico e, de quebra, sua história prévia com algumas outras. O filme se passa aproximadamente 10 anos antes dos acontecimentos de “Uma Nova Esperança” e é muito bacana ver como Solo já tinha a essência que tem na trilogia original, mas também muitas coisas diferentes… Afinal, né, estamos sempre em constante mudança, e até pessoas fictícias passam por mutações.

No quesito “fan service” achei um prato cheio. Vemos como Han e Chewie se tornaram amigos, temos referências em algumas falas (“I hate you!” “I know!”), curtimos a velha trilha sonora adaptada a esse novo momento. Pela primeira vez na história da “Galáxia Muito Distante” o assunto principal não é política, que é o grande foco de todas as outras aventuras. Esses personagens são o lado “abandonado” do Império, tendo que se aliar a ele e traí-lo a todo momento porque, afinal, o que importa ali não é quem está no poder e sim sua sobrevivência. Eles também não usam ou demonstram possuir a Força, as batalhas são todas usando “força bruta” e, claro, tiros e explosões. Há também a presença INCRÍVEL de Lando, que ficou extremamente fiel ao original, e sua Millenium Falcon que, como todos sabemos, é a nave e xodó do personagem título – sim, você vai descobrir como foi o “jogo justo” que fez com ela passasse de um para o outro!

Han Solo: Uma História Star Wars

Imagem via ABC News

Sobre novas personagens, minha favorita foi a L3-37, companheira de Lando, uma droid problematizadora e ativista que luta contra a subordinação das máquinas. Ela é absolutamente encantadora e foi IMPOSSÍVEL pra mim não me identificar – BB-8 acaba de ganhar uma concorrente na minha lista de queridinhos! Também conhecemos o casal de contrabandistas Beckett, que praticamente introduzem o rapaz nessa nova vida de forma profissional. É Thobias Beckett que, no final, dá a brecha para que ele se transforme no adulto interpretado por Harrison Ford. E, claro, não podemos deixar de falar de Emilia Clarke como Qi’ra, provavelmente a pessoa mais misteriosa entre todas as apresentdas. Algo me diz que veremos mais da “ex” de Han em filmes da série.

Digo isso porque Alden Ehrenreich, intérprete de Han Solo, já tem um contrato de três filmes com a Lucasfilm e, no final, temos brecha para ver mais histórias antigas sendo mostradas, como por exemplo no longa já confirmado de Boba Fett. Inclusive os dois personagens fazem parte do mesmo núcleo, sendo caçadores de recompensa trabalhando para o Jabba ao mesmo tempo… Não sei se realmente haverá uma trilogia de Solo, ou se esse contrato é pra outros spin-offs assim, mas espero que sejam tão divertidos quanto esse, que tem humor, aventura, emoção e muita referência, do jeito que a gente gosta!

E, por fim, o meu apelo pessoal à Disney: CADÊ KENOBI NESSA LISTA DE LANÇAMENTOS AÍ, MINHA GENTE? CÊS NUM ME DECEPCIONEM NÃO PORQUE EU JÁ TÔ AQUI SE SABRE AZUL NA MÃO AGUARDANDO POR ESSE SONHO TÃO FÁCIL DE SER REALIZADO, HEIN! AI AI AI!

Trailer:

Com Amor, Simon: representatividade, identificação, emoção!

Em 10.04.2018   Arquivado em Filmes

Com Amor, Simon

Com Amor, Simon (Love, Simon) *****
Elenco: Nick Robinson, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Jorge Lendeborg Jr., Keiynan Lonsdale, Logan Mille, Jennifer Garner, Josh Duhamel, Alex Sgambati, Clark Moore, Colton Haynes, Mackenzie Lintz, Miles Heizer, Natasha Rothwell, Talitha Bateman, Tony Hale, Tyler Chase
Direção: Greg Berlanti
Gênero: Drama, Romance
Duração: 109 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Aos 17 anos, Simon Spier aparenta levar uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: não revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de classe, anônimo, na internet.” Fonte: Google (sinopse e pôster).

Comentários: Simon Spier é um adolescente com a vida bem comum. Ele sai com seus amigos, ajuda o pai a fazer um presente de aniversário de casamento para a mãe, vai à escola, coloca fotos de viagens e ícones dos filmes que gosta no mural que tem na parede do seu quarto. Porém ele tem um segredo, o maior de todos , que não quer mais precisar guardar, mas também não sabe como revelar a todos. Simon é gay. Nesse contexto ele descobre que um colega anônimo, Blue, vive a mesma coisa e resolve se comunicar com ele, também anonimamente, via e-mail, sob no nome de Jacques. Só que alguém acaba descobrindo o contato entre os dois e revelando a todos seus colegas o forçando a “sair do armário” antes que estivesse pronto pra isso.

Baseado no livro “Simon vs. a Agenda Homosapiens” de Becky Albertalli, o filme “Com Amor, Simon” é uma história adolescente que traz algo que ainda está a falta nas grandes produções de cinema norte americanas: um romance gay leve! É claro que ele tem questões com a sua sexualidade, e claro que elas são mais complexas do que seriam se fosse hétero, mas ainda assim não é o tipo de filme que te deixa cheio de agonia ou traz lágrimas de tristeza. As lágrimas sim, claro, o tempo inteiro, mas a grande maioria delas de emoção e alegria. Eu fui à pré-estreia há quase um mês, junto com alguns outros convidados, e desde então estou pensando em como expressar tudo o que queria dizer sobre ele… Sendo assim resolvi descrevê-lo em três palavras e desenvolver essa “resenha” a partir delas: representatividade, identificação e emoção!

Psiu! Prestenção! O conteúdo principal desse post está em forma de “fala” num vídeo postado no meu canal do YouTube. Se você estiver afim de ler, é só continuar aí em baixo! Mas se tiver mais interessado em ouvir corre lá pra conferir!

Representatividade

O tema principal por si só já é representativo, né? Afinal fala sobre as dificuldades de viver o amor de forma leve por parte da comunidade LGBT! Simon é um jovem imaginativo que expõe várias situações que mostram essas grandes diferenças, como por exemplo o fato de ele precisar contar à toda a população que é gay, enquanto seus amigos não precisam fazer o mesmo já que a heterossexualidade já é esperada e não causa nenhum tipo de reação forte ao ser manifestada. Também mostra as diferenças de personalidade que as pessoas podem apresentar e que isso é ok. Simon é “discreto”, ninguém desconfia da sua sexualidade, enquanto seu colega de sala Ethan, já assumido, é o esteriótipo no jeito de vestir, agir e falar… E TÁ TUDO BEM! Os dois merecem igual respeito e direito de ser quem são e quem querem ser! Quem não entende isso é que está infinitamente errado…

O filme também tem vários personagens negros, eles são maioria entre os amigos mais próximos do protagonista sem o clássico “garoto negro metido a engraçadão” e “menina negra exclusivamente gostosa”. Não, todos eles têm personalidades variadas como a de qualquer ser humano. Aliás, outro ponto legal, isso é bem presente no filme todo. Eles não são super populares e nem super excluídos, apenas… Adolescentes! Claro que tem o cara babaca meio ned e tudo mais, mas até ele tem mais de um lado, não é só uma coisa o tempo todo.

Com Amor, Simon

Foto do The Playlist

Identificação

É claro que o filme em como principal objetivo abraçar jovens gays para que se aceitem, mas acaba também trazendo o reconhecimento de si próprio pra quem não está nesse grupo. Eu sou mais de dez anos mais velha que Simon, estamos em momentos da vida muito diferentes, e ainda assim consegui me identificar com ele… Principalmente nas suas conversas com Blue, onde ele nunca sabia o que digitar e pirava com qual poderia ser a resposta para o que tinha escrito… Em um momento uma amiga que estava ao meu lado falou “Podia ser ‘Com amor, Luly’ né!” porque sou bem assim… Também consegui sentir bem no fundinho do peito o aperto que foi o diálogo dele com sua melhor amiga de infância quando ela questiona o porquê de ele não ter contado a ela, já que o mesmo aconteceu comigo e um dos meus amigos mais antigos. Desde que ele me contou que era gay eu sentia uma certa tristeza por ter demorado tanto, como se houvesse a possibilidade da minha reação ser negativa, mas a fala dos dois ali se encaixou tão bem na minha vida que me veio um grande alívio, além da maior quantidade de lágrimas da noite.

Foi muito bacana estar numa sessão “especial”, com bate papo e tudo mais, porque tinha MUITA gente ali que levou os pais, que logo em seguida deram seus depoimentos sobre o que tinham visto. Fiquei imaginando como eles se sentiram vendo os pais do Simon descobrindo o filho e sua reação… Principalmente a mãe, interpretada por Jennifer Garner que está inda como sempre! Tenho um amigo que resolveu se revelar para sua família quando saiu do cinema, confiram a resenha super emocionante que ele escreveu também! Pra mostrar a força que um enredo aparentemente tão simples traz em nossas vidas…

Leia também: Garoto Encontra Garoto, resenha de um romance gay por David Levithan

Emoção

“Todo mundo merece uma grande história de amor” é o lema escolhido pela Fox par a divulgação, e não podia ser mais certeiro. Com Amor, Simon fala não só do amor romântico, mesmo que esse seja seu foco, mas também de amor fraterno! De como ele pode ser imperfeito às vezes, mas ainda assim nos ajudar a vencer as diversas fases difíceis da vida e, claro, a própria falta de amor. É pra trazer emoção pra pessoas de todas as idades, todos os gêneros, porque consegue passar o sentimento de um garoto e levar direto para o espectador. É pra quem a tem a mente aberta curtir do começo ao fim e quem tá precisando abrir ter o “empurrãozinho” que faltava pra isso acontecer!

E você aí, é de BH e ficou querendo ver o filme? Estou com dois pares de ingressos para dar aos leitores do blog que quiserem conhecer a história de Simon também! Os dois primeiros que disserem “Eu quero, Luly!” aí nos comentários e puderem pegar diretamente comigo no Centro da cidade entre quinta feira e sábado, ou na Fnac do BH Shopping dia 22, levam! Não esqueça de deixar alguma forma de contato pra gente combinar, hein Eles são válidos para ser usados de segunda à quarta, enquanto estiver em cartaz.

Trailer:

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Extraordinário, o filme

Em 07.12.2017   Arquivado em Filmes

Extraordinário

Extraordinário (Wonder) *****
Elenco: Jacob Tremblay, Julia Roberts, Mandy Patinkin, Owen Wilson, Izabela Vidovic, Sônia Braga, Daveed Diggs,
Ali Liebert, Millie Davis, Noah Jupe
Direção: Stephen Chbosky
Gênero: Drama
Duração: 113 min
Ano: 2017
Classificação: 10 anos
Sinopse: “August Pullman é um garotinho que nasceu com uma desordem craniofacial congênita. Pela primeira vez, ele irá frequentar uma escola regular, como qualquer outra criança. No quinto ano, ele irá precisar se esforçar para conseguir se encaixar em sua nova realidade.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Antes de mais nada, seria desleal da minha parte começar a falar sobre o filme sem citar a importância que a história de Auggie já tem na minha vida. “Extraordinário”, de R.J. Palacio, é meu livro favorito! É IMPOSSÍVEL que eu seja imparcial assistindo a adaptação dele para o cinema. Não dá pra não levar em conta o peso que acho que ele tem socialmente, inclusive. Tendo isso dito, vamos lá: Auggie Pullman aos 10 anos já passou por dezenas de cirurgias ao longo da sua vida, mas nunca foi para a escola, tudo isso graças à deformação craniofacial com a qual nasceu. Sua mãe, Isabel, o ensina em casa, mas acha que suas “habilidades” não são mais suficiente agora que o filho está grandinho. Sendo assim ele é matriculado no primeiro ano do Ensino Fundamental II (ou seja: sexto ano aqui do Brasil) e tem que lidar com a reação que seu rosto tão incomum causa nas pessoas…

Levar qualquer livro para o cinema é uma tarefa difícil. A gente sabe que existe a possibilidade de nossa cena favorita ser cortada, o personagem do coração ser completamente diferente do que a imaginação mostrava, etc. Ao mesmo tempo mais importante que essas coisas é a mensagem que o filme precisa passar, e no caso de Extraordinário isso é CRUCIAL. Ele vem sendo usado nos EUA como material de combate ao bullying, através da sua mensagem de escolher a gentileza acima de tudo e enxergar além da aparência. Nesse aspecto, não tem como, merece 5 estrelas com certeza! Eles criaram um ambiente super lúdico para que o expectador “entre” na cabeça do Auggie o tempo todo, materializando a imaginação dele em algumas cenas, dando um toque divertido e inocente à temática super pesada que estava sendo retratada.

A gente não pode ignorar que, mesmo sendo merecidamente aclamado por adultos, se trata de um filme infantil. Os protagonistas são crianças porque é pra elas que a autora tentou passar sua mensagem. Ler sobre uma cena violenta de bulliyng pode ser difícil, mas o impacto visual é sempre MUITO MAIOR! Por isso vários aspectos foram suavizados, sem ser excluídos completamente da história. Vi muitas reclamações sobre a aparência do protagonista, que no livro ele é “mais feio”, mas achei bem fiel se comparado a crianças que possuem a mesma doença. Além disso o ator precisava de liberdade para se expressar e fazer o trabalho, e mais maquiagem podia atrapalhar nisso… Felizmente não foi o que aconteceu, porque Jacob Tremblay foi INCRÍVEL! Cada lágrima dele na tela resultava em várias e várias saindo dos olhos da plateia. Na verdade o elenco inteiro foi muito bem escolhido, com destaque para Julia Roberts que está maravilhosa no papel de mãe.

Extraordinário Foto do Amsterdam News

Uma “mudança” que achei muito positiva foi a adição de alguns aspectos da vida dos Pullman que não está no livro, mas que era necessária no filme. Eles deram para Isabel uma breve história profissional antes de ter que se dedicar integralmente ao filho e uma possibilidade de futuro diante do fato que agora não precisa mais ficar com ele 24 horas por dia. Nate, o pai, também foi muito bem trabalhado, sempre divertido soltando piadas simples e inteligentes como é sempre dito que ele faz. E por último, mas não menos importante, temos o último membro da família que foi minha única decepção… Olívia, a irmã do Auggie, é minha personagem favorita e eu sempre tive muito medo que ela fosse retratada de forma egoísta, o que senti que aconteceu em várias cenas. Não é o “egoísmo justificável arrependido” que vemos originalmente, ela realmente foi mal direcionada mesmo. Não acho que isso prejudica o andamento da história, mas Via é uma pessoinha muito incrível para ser impedida de mostrar isso a todo momento, então fiquei bem chateada.

Um outro aspecto que me incomodou no início, mas depois passou, foi como a Summer, melhor amiga do Auggie, foi levemente minimizada. Ela é uma criança fantástica, que estende a mão para ele desde o começo, mas que teve essa amizade jogada bem mais pra frente. Ainda assim, porém, conseguiram mostrar toda a gentileza que ela passa e sua importância em diversos momentos, então entendi o motivo dessa modificação. Também não gosto muito como a Miranda é vista sempre como “boazinha” porque tenho antipatia dela, mas no original já é assim, não foi realmente uma alteração, mais um ranço pessoal mesmo… E Justin, gente? O romance da Via ganhou uma visão muito bonitinha, tiraram as características ansiosas dele mas mantiveram a essência de artista apaixonado. Uma graça as cenas dos dois juntos! Daisy, a cachorrinha deles, era outra que fazia o coração inflar de amor. Teve sua representação apresentada de forma muito digna.

E agora… Um registro do momento maravilhoso em que eu conheci os Pullman pessoalmente não podia faltar, né? Faltou você, Via, ‘bora marcar uma sessão de “Dirty Dancing” aqui em casa pra botar o papo em dia! (Ou vocês acharam que eu ia ignorar um totem desse tamanho e deixar passar a oportunidade de tirar uma foto com ele?)

Extraordinário

Em resumo… É uma adaptação que passa a essência necessária para o expectador de forma sensível e muito respeitosa. Mesmo com essas acomodações que precisam ser feitas muita coisa ficou extremamente fiel e alguns diálogos são exatamente iguais, sem parecer forçado. Eu nunca cheguei a escrever uma resenha do livro, apenas um texto dedicado a ele, mas hoje estou fazendo essa do filme com meu coração cheio de carinho e o rosto ainda manchado por causa das lágrimas que não pararam de cair nem por um minuto. Usando a própria frase da divulgação oficial da Lionsgate só o que tenho a dizer pra fechar é: “Go see Wonder!”

Trailer:

Blogmas 2017

Todos, Nenhum: Simplesmente Humano

Em 03.10.2017   Arquivado em Leitura

Uma rápida olhada nas minhas leituras dos últimos dois anos deixa bem claro que eu tenho MUITO interesse em livros com personagens LGBT e com transtornos mentais. O primeiro porque eu PRECISO entender o que os outros passam para ter cada vez mais empatia por suas causas, ainda que de certa forma já tenha o bastante. O segundo, claro, para aceitar o que vivo dentro da minha cabeça mesmo. Quando a Lili me disse que estava terminando um livro sobre uma pessoa gênero fluído (que, por sinal, tem Transtorno de Ansiedade), então, de cara pedi emprestado para poder ler também. Principalmente porque a fluidez de gênero é algo sobre a qual nunca tinha pesquisado antes, que não vemos todos os dias. E foi assim que conheci o autor Jeff Garvin e seu “Todos, nenhum: simplesmente humano”.

Todos, nenhum: simplesmente humano

Todos, nenhum: simplesmente humano (Symptoms of Being Human) *****
Autor: Jeff Garvin
Gênero: Drama, LGBT
Ano: 2017
Número de páginas: 400p.
Editora: Plataforma21
ISBN: 978-859-27-8309-9
Sinopse: “Riley Cavanaugh é um ser humano com muitas características: perspicaz, valente, rebelde e… gênero fluido. Em alguns dias, se identifica mais como um menino, em outros, mais como uma menina. Em outros, ainda, como um pouco dos dois. Mas o fato é que quase ninguém sabe disso. Depois de sofrer bullying e viver experiências frustrantes em uma escola católica, Riley tem a oportunidade de recomeçar em um novo colégio. Assim, para evitar olhares curiosos na nova escola, Riley tenta se vestir da forma mais andrógina possível. Porém, logo de cara recebe o rótulo de aquilo. Quando está prestes a explodir de angústia, decide criar um blog. Dessa forma, Riley dá vazão a tudo que tem reprimido sob o pseudônimo Alix. Numa narrativa em que o isolamento é palpável a cada cena, Jeff Garvin traça um poderoso retrato da juventude contemporânea. Somos convidados a viver a trajetória de Riley e entender o quê, afinal, significa ser humano.” (fonte)

Todos, nenhum: simplesmente humano

Comentários: O livro conta a história de Riley Cavanaugh, que aos 16 anos ouve música em discos de vinil, só come comida vegana e acaba de sair do colégio católico onde estuda para tentar fugir do bullying em uma escola pública. Seu pai é deputado, o que torna a vida de sua família extremamente tumultuada e visada, principalmente durante uma fervorosa campanha de reeleição… Riley tenta lidar e esconder o fato de que é gênero fluido. Alguns dias a “bússola” acorda extremamente feminina a ponte de desejar usar um vestido bufante, em outros bem masculina e a vontade é andar pesado pelos corredores usando os jargões dos meninos. Para evitar esses extremos sua aparência é bastante “andrógena”, o que para os colegas chega a ser repulsivo… Entre salas de aula, humilhações constantes e os eventos do pai, sua saída é praticar os exercícios dados pela sua médica para controlar o Transtorno de Ansiedade que tudo isso causa… E contar com a ajuda de seus novos amigos: Solo, o gigantesco geek jogador de futebol, e Bec, uma garota bastante alternativa pela qual desenvolve uma paixonite instantânea…

No meio dessa tempestade, diante da proposta de aderir a alguma “causa”, Riley abre um blog anônimo para falar sobre fluidez de gênero sob o pseudônimo “Alix”. Suas expectativas são neutras, até que um pouquinho de visibilidade ao ter esse espaço virtual citado no site-referência do assunto, o “Aliança Queer”, torna sua conta no “Blogr” alvo de pedidos de ajuda e conselhos, além de (claro) muitas ofensas. Após o caso de uma de suas aconselhadas estourar na mídia o blog começa a fazer cada vez mais sucesso, aumentando seu orgulho e medo, já que um stalker que parece ser da sua escola o descobre, ameaçando seu segredo. Ao mesmo tempo Bec se transforma na ponte de ligação com um grupo de pessoas que também trabalha diariamente com a aceitação da própria identidade de gênero, o que faz com que o momento de revelar toda a verdade pareça estar cada vez mais perto…

“Todo mundo se sente perdido. Todo mundo está… à procura. À procura de um lugar para ficar. Alguém para estar do seu lado. (…) E, mesmo estando fora de tudo, talvez tenhamos sorte. Porque já temos isto.” – Riley

Todos, nenhum: simplesmente humano

A primeira pergunta que você faz ao começar a leitura, a questão mais inevitável de todas na nossa cabeça doutrinada é: biologicamente, Riley é menino ou menina? Você espera que o autor vá dar uma dica através da roupa que seus pais escolhem para usar em alguma festa, os comentários de colegas (seja maldoso ou não) e mesmo algum pronome que vai ter que ser usado. Mas não é. Não sei COMO Garvin conseguiu, mas NUNCA vemos o “ele” ou “ela” sendo usado nessa sua escrita. Acho que esse é o primeiro mérito do livro, porque pra mim está sendo extremamente difícil fazer isso aqui, nesse post, então imaginem em um romance de 400 páginas. E é maravilhoso porque com isso ele te ensina, aos poucos, que o gênero não importa. Riley é, literalmente, todos, nenhum: simplesmente HUMANO, como o título da versão brasileira brilhantemente sugere.

Eu não consigo achar críticas negativas para fazer à história. A pesquisa sobre o assunto está clara, minuciosa e natural, parece quase impossível que alguém não consiga aceitar a existência de gêneros não-binários nesse mundo… Porém o preconceito existe, muito! Esse é outro ponto maravilhoso… A LGBTfobia está presente de forma extremamente real. O garoto malvado da escola, que torna a vida de quem é tido como diferente um inferno, não é “gay enrustido”, não queria ser como eles… É um BABACA mesmo! O preconceito não é parte dolorosa da vida de quem o pratica, não é justificado, é mostrado como a atrocidade que realmente é. Inclusive eu não estava esperando o clímax tão impactante que a história teve, pra mim foi um choque e minha ansiedade foi nas alturas junto com a da personagem, pra depois se transformar em lágrimas constantes até a última página acabar.

“Minha mãe diz que chorar é só o jeito do corpo de expulsar coisas ruins. Tipo um espirro. Tipo um espirro da alma.” – Solo

Lágrimas não só pela ficção, mas também pela vida real. Lágrimas por saber que somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Por lembrar que bissexuais são invisibilizados mesmo dentro do movimento que deveria defendê-los. Pela realidade chocante de que, escondidos por aí, “estupros corretivos” são feitos para que uma garota deixe de ser lésbica ou uma trans “vire homem direito”. São lágrimas de tristeza e MUITA RAIVA de ouvir as pessoas maltratando e assassinando seres humanos por quem amam ou por quem são. E tudo isso em nome de alguém que nunca disse “Mata os viado!” e sim que devemos amar ao próximo como a nós mesmos… Então ao invés de “respeitar mesmo sem aceitar”, de dizer “nada contra, MAS…”, de pensar que eles estão “jogando isso na nossa cara” quando estão simplesmente vivendo, que tal abrir a mente por inteiro, tirar a viseira e praticar esse amor?

Alice no País das Maravilhas

Em 16.06.2017   Arquivado em Leitura

Em um vídeo do meu VEDA de 2016 eu contei sobre os livros infantis que guardo “no coração”, aqueles que li depois de adulta e me apaixonei mesmo que estivesse fora da faixa etária proposta. Alice no País das Maravilhas, do britânico Lewis Carrol, é um deles. Quando criança eu tive um VHS de uma animação adaptada na história que era extremamente fiel ao original, então ler o livro foi MUITO nostálgico, impossível não amar! Sendo assim, quando surgiu a oportunidade de participar da “Corte Vermelha” do Memoralices, que completou 3 anos no ar no último dia 12, eu me vi na chance de falar um pouquinho sobre esse clássico tão amado por várias gerações…

Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland) *****
Autor: Lewis Carroll
Gênero: Infantil, Aventura, Fantasia
Ano: 1865
Número de páginas: 172p.
Editora: L&PM Pocket
ISBN: 978-972-25-2117-8
Sinopse: “Obra-prima criada pelo escritor inglês Lewis Carroll, no século XIX, Alice no País das Maravilhas imortalizou-se na literatura mundial como uma fábula capaz de encantar adultos e crianças. Uma ficção sem igual que se tornou sucesso há mais de cem anos e ainda hoje é um clássico obrigatório para leitores de todas as idades. O livro conta a história de uma menina curiosa que decide seguir um coelho branco, quando de repente cai em sua toca e é levada a um reino onírico, onde convive com criaturas estranhas e se envolve nas mais inusitadas aventuras. Neste universo inesperado, não há limites entre sonho e realidade.” (fonte)

Alice no País das Maravilhas

Comentários: A história (quase) todo mundo conhece. Alice é uma garota sonhadora que não aguenta mais ter que ouvir a leitura de sua irmã mais velha, feita a partir de um livro “sem figuras nem diálogos”. Entediada, ela acaba seguindo um Coelho Branco que passa correndo de olho no relógio, o que por si só já é peculiar, e cai na toca junto com ele, sendo levada para um “país” onde tudo é “Muito esquisitíssimo”, nas palavras da própria garota. Lá comer determinado lado de um cogumelo pode fazê-la diminuir ou crescer, ela participa de uma festa onde os lugares em que os convidados sentam são constantemente trocados, conversa com criatura antropomórficas e quase recebe uma sentença injusta num reino onde os guardas são cartas de baralho…

De forma geral é muito perceptível como Lewis Carroll usou um romance infantil nonsense para fazer críticas à sociedade de sua época. O Coelho Branco sempre correndo contra o relógio, a rigidez dos modos do Chapeleiro e da Lebre, ou mesmo a Rainha tirana e o Rei “submisso” de Copas, fazendo alusão à Rainha Vitória (uma grande fã da obra!) e o príncipe Albert, apesar do autor negar isso à época, é claro. Além disso a protagonista passa por várias reflexões ao longo da história, incentivada pelos seres que conhece – principalmente o gato de Cheshire – sobre a loucura, sua própria existência e mesmo a clássica pergunta “Por que o corvo se parece com a escrivaninha?”, que foi respondida numa das primeiras reedições mas continua sempre levantando novas hipóteses dos leitores. É pra criança se jogar nesse universo quase mágico e os adultos pararem pra analisar certos aspectos de sua vida, que continuam sendo “amarras” para algumas pessoas até hoje, séculos depois.

“Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então.” – Alice

Alice no País das Maravilhas

Alice e sua turma já são parte relecante da cultura popular, presentes em uma quantidades absurda de adaptações e referências! A mais famosa delas, é claro, é a animação da Disney de 1951, que contém um pouco também da continuação da obra, “Alice Através do Espelho”. Na última década tivemos as versões cinematográficas do Tim Burton, com seu elenco tradicional e visual meio psicodélico padrão, também distribuídas pelos estúdios Disney, e uma série spin-off de “Once Upon a Time”, a “Once Upon a Time in Wonderland”, que tem apenas uma temporada ruinzinha (mas que eu gosto). Eu mesma já coloquei um pouquinho, bem pouquinho mesmo, da história em um dos livros que estou escrevendo e pretendo publicar um dia, mas a gente conversa sobre isso depois.

Agora não deixem de passar lá no Memoralices para celebrar essa data e participar do sorteio especial de aniversário. Parabéns, Luana! Que venham muitos, muitos, muuuitos anos pela frente!

Aproveitando esse clima festivo pra lembrar que no próximo dia 26 o Sweet Luly completa 13 anos no ar, e é CLARO que vai ter sorteio comemorativo por aqui também! Fiquem de olho porque já tá chegando, ai que emoção…

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