Dumbo

Em 31.03.2019   Arquivado em Disney, Filmes

Dumbo *****
Dumbo Elenco: Colin Farrell, Danny DeVito, Eva Green, Michael Keaton, Nico Parker, Alan Arkin J., Deobia Oparei, Douglas Reith Sotheby, Joseph Gatt, Lars Eidinger, Michael Buffer, Roshan Seth, Sandy Martin, Sharon Rooney
Direção: Tim Burton
Gênero: Fantasia
Duração: 135 min
Ano: 2019
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Holt Farrier (Colin Farrell) é uma ex-estrela de circo que retorna da guerra e encontra seu mundo virado de cabeça para baixo. O circo em que trabalhava está passando por grandes dificuldades, e ele fica encarregado de cuidar de um elefante recém-nascido, cujas orelhas gigantes fazem dele motivo de piada. No entanto, os filhos de Holt descobrem que o pequeno elefante é capaz de uma façanha enorme.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A história do bebê elefante com orelhas anormalmente grandes, lançada em forma de animação pela Disney em 1941, está de volta aos cinemas em live action! Quando foi anunciado que essa nova versão de Dumbo seria dirigida por Tim Burton eu fiquei MUITO desanimada… Sou apaixonada pelo personagem desde que comprei a Byul Dumbo, um dos xodós entre minhas bonecas, faço até coleção de objetos dele, mas o HORROR de Alice No País das Maravilhas do mesmo diretor (cuja continuação nem assisti) causou o sentimento que ele tava vindo aí pra estragar mais um clássico. Meses atrás, porém, quando saiu o primeiro trailer, percebi que ia pagar língua com muito orgulho e amor, porque só pela prévia os olhos brilhavam de encantamento e lágrimas… Bom, aqui estou, admitindo meu erro e dando os parabéns porque o longa ficou, de fato, lindo, e dessa vez não só visualmente.

O enredo começa quando Holt Farrier volta da guerra para o Circo dos Irmãos Medici, onde vive sua família e ele trabalhava antes de ser convocado. Com a decadência do circo, em decorrência da falta de interesse do público, sua atração com cavalos não existe mais e ele passa a ser responsável pelos elefantes, entre eles a Sra. Jumbo, recém comprada, que está prestes a ter um filhote. Após o nascimento de Dumbo as crianças Farrier percebem que sua anomalia o torna capaz de voar, tornando-o a principal atração do circo. O objetivo? Trazer de volta sua mãe, que foi levada dali após se enfurecer com o uso de seu bebê. Esse destaque, porém, consegue alcançar muito mais que os olhares do público, levantando o interesse do sr. Vandemere, um “mestre” da diversão…

Dumbo

Dumbo: imagem via CTV News

Enquanto a animação foca no desenvolvimento do personagem título, em busca do estrelato para que possa se reunir com a sra. Jumbo, o live action divide esse plot com a busca dos Farrier em retomar sua vida em família após a ida do pai à guerra e a morte da mãe. Vários dos humanos carregam papéis importantes, não só eles, e o Dumbo acabou ficando quase secundário, mas ainda assim sendo o ponto chave de todos os acontecimentos. Essas mudanças no roteiro são não só positivas, mas também necessárias. Um dos maiores problemas de A Bela e a Fera, por exemplo, foi a fidelidade extrema ao desenho, que deixou o ritmo lento por falta de ações para preencher a diferença significativa da duração de um pra outro. Dumbo não peca nesse quesito: diversas mensagens contra o abuso de animais no entretenimento, empoderamento feminino e, claro, importância da família (seja consanguíneo ou não), torna uma fantasia em algo quase crível, e consegue homenagear seu antecessor com louvor ainda assim.

Ícones como a cegonha, o trem Casey Jr e, o mais importante deles, o rato Timóteo, estão presentes de forma adaptada. Também temos a presença de cenas clássicas, como o número em que Dumbo se apresenta como o “bombeiro” no circo e a mais memorável de todas, as enormes “bolas de sabão” em forma de elefante que dançam para o personagem, que traumatizaram várias crianças ao longo dos anos e apareceram ali, quando a gente menos esperava, e fizeram justiça total ao original. E tá pra nascer crianção mais FOFA no ramo da computação gráfica do que esse elefantinho! Dá vontade de levar pra casa, dar carinho, proteger de todos os abusos do mundo! O olhar dele é encantador, e jeitinho idem. É uma criaturinha que contrasta com o tom sóbrio característico do Tim Burton, e ao mesmo texto o complementa, como se tudo ai fosse criado em torno dele mas também já funcionasse independente de sua existência.

A fotografia é MARAVILHOSA, junto à trilha sonora extremamente sentimental com destaque para o clássico “Baby Mine”, a canção de ninar que faz suspirar (e chorar!) até os corações mais durões. Os outros personagens também são fantásticos… Michael Keaton está de volta ao universo Burton de forma que, mesmo que o visual seja completamente diferente, me soou como uma sátira crítica ao próprio Walt Disney. Já a pequena Nico Parker, no papel de Millie Farrier, ainda não “chegou lá” no quesito atuação, mas ainda assim nos dá aquele exemplo clássico da importância da representatividade ao interpreta ruma garotinha que quer ser cientista. Existe um momento em que ela “interage” com uma de suas inspirações que é uma das cenas mais simples, e ainda assim importantes de todas. Tem a possibilidade de agradar os fãs que forem dispostos a ver uma adaptação, e não cópia, e também àqueles que estão entrando pro “fã clube” do personagem agora, e melhor: com um final ainda mais bonito que o anterior!

Trailer:

A Cinco Passos de Você

Em 28.03.2019   Arquivado em Filmes

A Cinco Passos de Você (Five Feet Apart) *****
A Cinco Passos de Você Elenco: Haley Lu Richardson, Cole Sprouse, Moises Arias, Kimberly Hebert Gregory, Parminder Nagra, Claire Forlani, Ariana Guerra, Cynthia Evans, Gary Weeks, Jim Gleason, Trina LaFargue Mya
Direção: Justin Baldoni
Gênero: Romance, Drama
Duração: 135 min
Ano: 2019
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Stella Grant (Haley Lu Richardson) tem quase dezessete anos de idade, vive conectada ao seu laptop e ama seus melhores amigos. Mas ao contrário da maioria das adolescentes, ela passa grande parte do seu tempo vivendo em um hospital como paciente com fibrose cística. Sua vida é cheia de rotinas, limites e autocontrole – tudo isso é testado quando ela encontra um paciente incrivelmente charmoso chamado Will Newman (Cole Sprouse).” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Stella é uma adolescente que passa boa parte de sua vida internada no hospital graças à fibrose cística com a qual lida desde que nasceu. Enquanto espera pela oportunidade de receber uma doação de pulmões, que pode estender sua estimativa de vida em até cinco anos, ela compartilha o que vive em um canal do YouTube e trabalha em aplicativos que ajudam outros pacientes a organizar o próprio tratamento, condizendo com sua personalidade organizadora compulsiva. Um dia ela conhece Will Newman, que insiste em não levar seu tratamento a sério por não ter esperanças de viver muito tempo, uma vez que possui um quadro que o retira a fila de transplantes. Ela resolve, então, que irão se tratar juntos, para que ele não seja mais negligente com a saúde… Mas só tem um problema: eles não podem ficar a menos que 6 passos um do outro, ou de qualquer outro paciente da mesma ala, tornando impossível que se toquem ou mesmo se aproximem, o que torna o interesse mútuo que sentem extremamente perigoso…

Mais um romance adolescente adaptado de livro de mesmo nome, “A Cinco Passos de Você” tem tudo que o gênero pede: a menina responsável cheia de vontade de viver, o cara com ar rebelde que no fundo é sensível, o amigo (gay) sempre disposto a ajudá-la a superar os problemas e correr atrás desse novo relacionamento, a enfermeira amiga que mantém os pés de todos no chão… Mas, ainda assim, eu não diria de forma algum que é previsível ou “bobo”… Existem dois acontecimentos grandes que formam o clímax, e tanto eles quanto o final seguiram de forma que foi um pouco inesperada pra mim, o que é bem legal e nem sempre presente. É um enredo muito sensível, não só por tratar de relações humanas, mas principalmente pela maneira como as trata e expõe. A “cena da piscina”, muito usada nas fotos de divulgação, é a melhor de todas, tamanha é sua delicadeza.

A Cinco Passos de Você

A Cinco Passos de Você: imagem via The Hollywood Reporter

A princípio o ritmo do longa é um pouco lento e o romance dos dois difícil de ser “comprado”, parece meio forçado de onde realmente saiu o interesse dela por ele, mas à medida que o relacionamento se desenvolve a gente consegue achar bonitinho e “torcer pra dar certo”… E aí vem a necessidade da distância física, que causa sentimentos conflitantes em quem está assistindo: ao mesmo tempo que quer ver os dois se tocando, até num simples abraço, sabe os perigos que isso teria e morre de medo de acontecer em algum momento, mesmo que sem querer. Era aquela “angústia” típica do drama o tempo todo, tanto nessa relação romântica como nas cenas em Stella interage com seu melhor amigo, Poe, que por si só é um personagem bastante carismático e um dos que mais arranca lágrimas, sorrisos e reflexões do expectador – e isso é ótimo!.

Falando da parte “técnica”, a fotografia é LINDA DEMAIS! Cenas belíssimas sem muito firula, afinal o “cenário” do filme é um hospital! Os quartos dos pacientes são cheios de detalhes, sem forçar, passa a personalidade de cada um com esse ar de que pode ou não ser temporário. As cenas de romance são bem bonitas nesse sentido, também, com atuações que condizem com o nível de qualidade. Eu tenho um pouco de “antipatia” do Cole Sprouse por vários motivos, mas esse sentimento não se estendeu para o personagem hora nenhuma, não atrapalhou em nada. Por fim, claro, as “frases de efeito” que são naturais, parte do diálogo, mas ainda assim te atingem bem no fundinho do coração do início ao fim. Fica o recado de que pior do que morrer é realmente não viver, mensagem bem frequente em histórias do gênero mas, ainda assim, sempre pertinente de relembrar…

Leia também: Cinderela Pop, resenha do filme baseado na reinvenção de um clássica conto de fadas pela Paula Pimenta.

Trailer:

Cinderela Pop – O Filme

Em 24.02.2019   Arquivado em Filmes

Cinderela Pop *****
Cinderela Pop Elenco: Maísa Silva, Filipe Bragança, Fernanda Paes Leme, Barbara Maia, Giovanna Grigio, Elisa Pinheiro, Isabel Fillardis, Letícia Pedro, Kiria Malheiros, Marcelo Valle, Miriam Freeland, Sergio Malheiros
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 95 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: “Cintia Dorella (Maisa Silva) é uma adolescente que descobre uma traição no casamento dos pais. Descrente no amor, ela vai morar na casa da tia e passa a trabalhar como DJ, se tornando a Cinderela Pop. Mas ela não esperava que um príncipe encantado pudesse fazê-la se apaixonar.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Originalmente um dos contos de fada recriados para “O Livro das Princesas”, “Princesa Pop” se tornou “Cinderela Pop”, o primeiro de uma série de romances em que Paula Pimenta, um dos maiores nomes da literatura juvenil nacional, conta sua própria versão contemporânea das nossas tão queridas princesas. Hoje a coleção conta também com “Princesa Adormecida” e “Princesa das Águas” (que também vão virar filmes!), mas é o primogênito deles que voltou a ficar em alta sendo o primeiro livro dela a ser adaptado para os cinemas. Nele, Maísa Silva é Cintia Dorella, a DJ Cinderela! Após ver seu “castelo” desmoronar graças a uma traição de seu pai e o pedido de divórcio, ela passa a rejeitar completamente o amor, focando 100% nos estudos, no sonho de estudar produção musical e no começo da sua carreira de DJ, sendo ajudada pelo namorado da sua tia, com quem mora após sua mãe retomar seu trabalho como arqueóloga.

Paralelo a isso, Freddy Prince, um cantor adolescente que tocou na festa onde o caso de Cézar Dorella com sua assessora Patrícia foi revelado, consegue alcançar o estrelato gradualmente após postar suas músicas na internet. Sempre acompanhado de sua amiga Belinha, uma YouTuber que vê o canal crescer junto com a carreira do amigo, ele começa a fazer shows e apresentações, tocando músicas de sua autoria. E é na festa de 15 anos das filhas de Patrícia, a madrasta de Cintia, que ele acaba se encantado pela DJ misteriosa que transforma seu som lento e romântico numa batida dançante enquanto espera pelo momento de ser a atração da noite. Ela não pode ser descoberta pelo pai, que é contra a filha trabalhar, e na correria a única dica que o rapaz tem de quem é a garota é um “sapatinho de cristal”, porém nada convencional, esquecido por ela enquanto troca de identidade.

Cinderela Pop

Cinderela Pop: imagem via Séries em Cena

“Cinderela Pop” como filme lembra bastante o clássico adolescente dos anos 2000 “A Nova Cinderela”, que tem Hilary Duff como protagonista, no que diz respeito ao ritmo da história tanto como romance quanto como comédia. É leve, bem pra família mesmo, com uma mistura bem interessante de artistas veteranos e novatos. Nem todas as atuações são boas de verdade, principalmente na ala adolescente, que é o foco da história, mas as outras valem a pena pra fazer o equilíbrio. Maísa Silva está LINDA em seu papel de DJ Cinderela, mas principalmente mostra o exato tipo de força que precisamos ver em papéis que irão influenciar essa geração de jovens mulheres que está pro vir. Ela é dedicada, foca na carreira mesmo quando abre espaço pro amor, se esforça ao máximo para não ser pisada e, apesar de odiar com todas as forças sua madrasta (que é a vilã clássica do conto de fadas), não isenta o pai da culpa de ter acabado com sua família. Ela torce pelas pessoas ao seu redor, sempre pensando em si mesma mas sem o egoísmo de não permitir quem gosta de voar. Sendo bem sincera, gostei mais da imagem dela, e de todas as personagens de uma modo geral, na adaptação do que no livro, que li logo na época que foi lançado.

Levar histórias do papel para o cinema nem sempre é uma tarefa fácil, pede cortes e ajustes, mas o desse foram bastante positivos, mostrando outros lados do enredo (que originalmente é narrado em primeira pessoa pela Cintia), e dando mais detalhes da “vida real” pra todos os envolvidos, uma vez que certas coisas são mais fáceis de ser mostradas do que descritas. Pra quem já gosta da história, acho difícil ter decepções! O grande destaque do longa é, logicamente, Fernanda Paes Leme. Patrícia é uma mulher nojenta, péssima como pessoa, mãe e madrasta, mas sua atuação faz toda diferença pro espectador amar odiá-la. Ela tem bordões que são usados sem forçar a barra, muito pertinentemente, e nos traz as principais risadas sem precisar escrachar nada. Os tios de Cintia também são bastante carismáticos, essenciais pra que adultos também consigam se identificar ao assistir. Claro, é preciso ter em mente que se trata de um filme teen, daqueles que serão exibidos à tarde da tv aberta, mas isso não significa que adultos não possam se divertir com ele. Ele cumpre completamente seu propósito, que é ser um passatempo leve despretensioso, permitido pra todas as idades e que não faz pensar muito, mas faz sorrir pelo humor e pelo amor.

Cinderela Pop

E como não dava pra deixar esse momento tão marcante pros fãs, que sempre quiseram ver os livros da Paula nas telonas, a Galera Record lançou uma versão com a capa do pôster oficial. Achei que o título assim, em letreiro, combinou bem mais com o estilo da Cintia, que é descolada e antenada, mas a anterior é liiinda demais, com essa ilustração super bonita e meio aquarelada da personagem! Acho legal porque assim, independente da capa escolhida, cada uma tem sua vantagem pra embelezar a estante. E fica o aviso, se você gosta de romances adolescentes, princesas em versões contemporâneas e do universo cor-de-rosa da Paula Pimenta (que faz duas aparições rápidas nele, como não podia ser diferente), já anota aí: Cinderela Pop estreia em todo o Brasil dia 28 de fevereiro, essa quinta feira!

Leia também: “Cinderela”, resenha sobre a belíssima versão live action da história da mais famosa e icônica das princesas Disney!

Trailer:

Sex Education: uma série necessária!

Em 06.02.2019   Arquivado em Séries e Desenhos

Sex Education *****
Sex Education Elenco: Asa Butterfield, Emma Mackey, Ncuti Gatwa, Gillian Anderson, Connor Swindells, Aimee Lou Wood, Patricia Allison, Kedar Williams-Stirling, Alistair Petrie, Chaneil Kular Anwar, Deobia Oparei, Hannah Waddingham, James Purefoy, Jim Howick, Sharon Duncan-Brewster, Simone Ashley, Tanya Reynolds, Toby Williams
Direção: Kate Herron, Ben Taylor
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 398 min | 8 episódios
Ano: 2018
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Otis Thompson é um virgem com ansiedade social que é filho de uma terapeuta sexual. Por ter crescido cercado por manuais, vídeos e conversas abertas sobre sexualidade, ele torna-se um expert no assunto – mesmo que contra sua vontade. Com a ajuda de Maeve, ele inicia uma clínica clandestina dentro da escola, ajudando os colegas com problemas sexuais em troca de dinheiro.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Em meio a tantas discussões sobre a presença ou não de aulas de educação sexual nas escolas, tantos casos de denúncias de abuso que essas aulas ajudaram a fazer acontecer e a volta do “boom” de infecções sexualmente transmissíveis ainda que supostamente a informação esteja disponível a todos, a Netflix nos apresenta uma série britânica que é exatamente o tipo de coisa que todos nós devemos assistir em algum momento da vida: Sex Education! Nela Otis, interpretado por Asa Butterfield, é um adolescente muito reprimido sexualmente, mesmo que sua mãe seja uma conhecida terapeuta sexual e seu melhor amigo, Eric, tente ao máximo ajudá-lo a superar isso. É quando Maeve, a “diferentona” do colégio, vê nesse parentesco do garoto um meio de ganhar uma muito bem vinda grana que vai ajudá-la a pagar suas contas e o convence a, juntos, abrir uma “clínica” de terapia sexual entre os colegas, que estão todos com hormônios à flor da pele…

Com diálogos inteligentes, personagens muito identificáveis e abordagens extremamente sensíveis, Sex Education faz rir de forma nada forçada nos momentos de humor e chorar com um aperto lá no fundo do coração nos momentos de drama. Ela tenta quebrar vários clichês e, ao mesmo tempo, não te faz pensar que esses clichês seriam um erro de qualquer forma. Otis é o “mocinho” virgem inexperiente, mas que não deixa as pessoas pisarem nele ou o tratarem mal por causa disso. Eric, seu “fiel escudeiro”, é gay e gosta de fazer maquiagens extravagantes e usar saltos altos de vez em quando. Maeve parece uma “bad girl” excluída, mas que mantém amizade com uma garota popular e às vezes cede aos próprios sentimentos. Até seu “peguete”, Jackson, foge ao padrão: o atleta super cobiçado é um rapaz negro, cuja família foge do convencional. Essas coisas, porém, não são faladas, simplesmente fazem parte da narrativa. Ela também trata corpo e nudez com MUITA naturalidade, como pele, mesmo, que é o que são. Inclusive as cenas mais explícitas foram gravadas com o apoio de uma “direção de intimidade”, para não rolar mais um dos tantos casos de assédio e abuso que vemos na história da TV e cinema. Muito legal, né?

Sex Education

Um ponto muito interessante da equipe técnica é que nela há a presença forte de mulheres em cargos importantes: criação, direção e, claro, roteiro! Isso é não só fora do padrão, uma vez que a indústria do entretenimento ainda é bastante sexista, como fez TODA diferença nos mais diversos momentos. Os melhores episódios, na minha opinião, são o 3º e o 5º (esse segundo com uma cena que não consegui ver, porque fui alertada do que acontecia, mas ainda assim maravilhoso) e neles é claro que se trata de uma abordagem feminina… São assuntos delicados e polêmicos, mas mostrados de forma belíssima, pertinente e emocionante. De causar alegria melancólica em quem já tem a mente aberta para eles e, quem sabe, ajudar a mudar a visão de quem ainda a mantém fechada. Por outro lado, o que considero o único ponto negativo, nossa principal garota da história, a própria Maeve, não foi o tipo de representação feminina mais legal de todas… Sim, ela é forte em vários aspectos, o que é ótimo, mas a maneira como ela trata as pessoas ao seu redor, PRINCIPALMENTE Otis e Jackson, me deixou bastante incomodada. Às vezes suas atitudes são carregadas de profundo descaso e crises de ego. Espero que ela melhore um pouco nisso, daqui pra frente! Principalmente porque a série dá a impressão de que os protagonistas serão um casal em algum momento, e do jeito que as coisas caminharam até agora isso não faz sentido algum.

No que se diz respeito à versão brasileira, que é um aspecto positivo de todas as séries originais Netflix que já assisti dubladas, essa não fica atrás. Seguindo a onda da equipe, tanto a tradução quanto a direção de dublagem, da Flávia Saddy, foram feitas por mulheres também, o que já é bem legal! As vozes são bastante condizentes com suas personalidades, das “gente como a gente” às mais caricatas. O Otis, obviamente grande destaque da série, foi dublado pelo João Cappelli, que conseguiu passar perfeitamente seu ar introspectivo sem cair no velho clichê do “bonzinho bobinho”. Já falei aqui antes que o João é uma das pessoas mais adoráveis que conheço, e isso refletiu perfeitamente na personagem, o encaixe é ideal. Além disso várias gírias e memes em alta estão presentes de forma pontual e, em um episódio onde um dos “pacientes” não consegue parar de perseguir uma colega, ele explica o assédio com a frase mais simples e perfeita que vemos nas ruas: “Não é não”. Coisas que parecem bobas, mas que têm o impacto perfeito que Sex Education veio acrescentar tanto em quem já sabe quanto em quem ainda precisa aprender!

Sex Education

A primeira temporada, com seus 8 episódios já disponíveis na plataforma desde 11 de janeiro, terminou bem, mas algumas tramas ainda ficaram em aberto, dando brecha para prosseguir com o sucesso. Depois que a criadora da série, Laurie Nunn, deixou bastante claro várias vezes que o assunto vinha sendo discutido, a Netfflix enfim confirmou a segunda temporada através de um vídeo sempre muito divertido, comentando alguns momentos da primeira, sem spoilers. Vamos torcer pra fazer jus ao que já tivemos até agora. Tenho até minhas esperanças de que, com o tempo, ela seja adotada como material didático para tirar, ou só reduzir, todo o tabu em volta de algo tão natural quando sexo…

Millennium: A Garota na Teia de Aranha

Em 03.12.2018   Arquivado em Filmes

Millennium: A Garota na Teia de Aranha (The Girl in the Spider’s Web) *****
O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos Elenco: Claire Foy, Sverrir Gudnason, Sylvia Hoeks, Andreja Peji, Cameron Britton, Lakeith Stanfield, Stephen Merchant, Synnøve Macody Lund, Vicky Krieps
Direção: Fede Alvarez
Gênero: Drama, Ação
Duração: 115 min
Ano: 2018
Classificação: 16 anos
Sinopse: “A jovem hacker Lisbeth Salander (Claire Foy) e o jornalista Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason) se veem em meio à uma teia de corrupção, espionagem e intriga internacional, juntando forças para combater uma nova e terrível e ameaça.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A Série Millennium do sueco Stieg Larsson é composta de três livros escritos pelo autor e outros dois por David Lagercrantz, que conseguiu os direitos autorais da obra após a morte de seu criador através de um convite da própria editora. Além de adaptações da trilogia original na Suécia, muito elogiadas, as versões hollywoodianas também chegaram aos cinemas nos últimos anos. O primeiro, “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” saiu em 2011 e narra o início da história, baseado no primeiro romance de Larsson. Agora, porém, Lisbeth está de volta aos cinemas em um novo longa, dessa vez inspirado no livro que deu a Lagercrantz a oportunidade de continuar contando suas aventuras: A Garota na Teia de Aranha.

Lisbeth Salander é uma hacker que tem como objetivo defender e vingar mulheres de seus abusadores, seja esse abuso físico, psicológico ou sexual. Nesse contexto, vivendo sua vida reclusa de anti heroína, ela é contactada por Frans Balder, criador de um programa de computador chamado Firefall que dá acesso a um imenso arsenal bélico e está sob poder do governo dos EUA. Balder percebe o risco que seu programa traz e mesmo sendo o único com total capacidade de acessá-lo, não quer de modo algum que seja utilizado. Ao mesmo tempo, precisa proteger a si mesmo e ao filho, que é autista. Lisbeth consegue realizar o trabalho, mas é roubada logo em seguida, dando a si mesma a nova missão de recuperar o que foi tirado dela e de seu cliente. Para isso, ela conta com a ajuda de Mikael Blomkvist, com quem já viveu histórias passadas. O que ela não esperava era ter que reencontrar os fantasmas de sua infância no processo…

A Garota na Teia de Aranha

A Garota na Teia de Aranha: imagem via The Seattle Times

A primeira coisa que reparamos nessa nova adaptação de “Millennium” para os cinemas é a presença de Claire Foy como a nova Lisbeth. Depois de ficar marcada pelo público como a Rainha Elizabeth nas duas primeiras temporadas da série “The Crown”, é difícil enxerga-la de outra forma, PRINCIPALMENTE uma personagem tão visualmente diferente. A impressão que dá é que temos o rosto dela “recortado” e colocado no corpo de outra pessoa! Mas isso não significa que a atriz não dê conta do recado. Com sotaque forte e sempre expressiva na medida certa, ela traz a imagem solitária e alternativa de forma coerente. Já no caso de Gudnason como Mikael Blomkvist ficou um pouco mais difícil fazer a “leitura” do jornalista por parte das pessoas que, como eu, não leram ou assistiram mais nada da série. Ainda assim isso não parece ser culpa do ator ou mesmo do roteiro, já que de acordo com uma amiga minha que gosta da história (e assistiu comigo), esse é um livro onde ele, de fato, não tem tanta relevância quanto os outros.

No que diz respeito à ação, tem tudo o que o público pode querer! Alguns erros de coerência aqui e ali, claro, mas no geral explosões, tiros, perseguição e corridas de carro pra lá e pra cá acontecem o tempo todo, cada uma em seu momento específico. O drama fica por conta do reencontro da protagonista com seu passado, onde ela se vê num momento de lidar com razão e emoção à flor da pele, e na figura do filho de Balder, com quem acaba criando um rápido laço ao protegê-lo daqueles que estão atrás do programa de seu pai. Como adaptação, pelos comentários que li, parece fiel ao “grosso” da história, sem dar muita margem para uma continuação que poderia estar por vir, mas logicamente com seus erros de percurso. Por aqui, sendo apresentada à saga pela primeira vez, devo dizer que cumpre o que propõe no trailer (que eu já tinha visto antes de saber do que se tratava e me deixou SUPER curiosa) e na divulgação de um modo geral. Fiquei com vontade de assistir ao filme que foi lançado anteriormente, onde a temática principal dos livros de luta contra o abuso de mulheres é mais retratado, já que esse acaba envolvendo um pouco mais a máfia e a vida pessoal de Lisbeth.

Por fim, um adendo muito interessante que vale a pena reparar: os suecos dão MUITO valor para marcas nacionais, na vida deles isso é prioridade MESMO! Por esse motivo a gente vê a presença forte da Sony nos gadgets que estão em cena, como computadores, câmeras e celulares. Os carros também são, em grande parte, da Volvo, e é algo que não muda em nada no enredo em si, mas fica como curiosidade sobre a cultura do país onde a série nasceu!

Leia também: A Garota do Trem, filme com Emily Blunt que é uma aula sobre relacionamentos abusivos e gaslighting!

Trailer:

A Garota na Teia de Aranha: 8 de novembro nos cinemas

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