Sobre crescer nas redes sociais…

Em 20.04.2019   Arquivado em Blog

Eu não sei dizer ao certo qual foi a primeira das minhas redes sociais, mas imagino que tenha sido o extinto Orkut. Ou então vai do que cada um considera uma rede social, porque dependendo de como você usava, até o Fotolog podia ser denominado assim. Digo isso porque por anos a minha “rede” principal foi o Flickr, que na verdade é um site de armazenamento de fotos, veja bem. Mas é isto, a internet vai evoluindo, a forma de comunicar mudando e quando você menos espera nem percebeu que desativaram aquela que deixou pra trás. E o pedacinho da nossa essência deixado em cada uma delas vai junto…

Sobre crescer nas redes sociais

Veja bem, eu cresci nas redes sociais, e nesse blog, também. Quando comecei a usar o nome “Sweet Luly” era uma (pré) adolescente que sabia muito pouco da vida, e menos ainda do que estava por vir. Jamais iria imaginar que estaria aqui, beirando os 30 e ainda escrevendo sob esse username, que teria me apegado carinhosamente a ele mesmo que não me defina tanto assim. Se parar pra pensar, é até um pouco infantil, né? “Sweet Luly”. Meu nome-apelido já passa esse ar meio teen, acho que pelo “y” no final (não sei!), mas o “título” que vem antes dele, ixi, mais ainda. Eu não sou mais tão “sweet”, e nem devia. Depois que cresce, a menos que tudo dê muito certo demais (e não dá pra quase ninguém), a gente acaba carregando tanto peso que ser 100% meiguice beira o ser bobo. E eu não sou boba, não. Aliás, tento diariamente ser tudo, menos isso. Mas, ainda assim, pô, tem quase 15 anos de vida esse blog (!!!), não consigo apagar essa parte tão indispensável de mim. Quando nasci, Marte estava em Áries, mas o Sol continua sendo em Câncer, então o sentimentalismo é o centro de qualquer área bélica que existe dentro de mim.

Mas aí, ainda assim, entrei em crise com o “@sweetluly” das redes já tem algum tempo. Meu primeiro usuário no Instagram foi esse, em 2012, mas menos de um ano depois ele sumiu da face da Terra e o aplicativo não me deixou usá-lo mais. Eu então criei a segunda (e atual) conta, @sweetluly90, colocando o ano do meu nascimento no final pra ficar diferente, já que eles assim queriam. Como eu ODIAVA esse user! Quando alguém me perguntava “Qual seu Instagram?” eu dizia “Ah, deixa que eu digito pra você, é meio complicado…” só pra não ter que falar em voz alta. Com o passar do tempo foi liberado o uso de @s que haviam sido deletados e eu, desavisada, só descobri quando alguém, num país qualquer por aí muito distante, já tinha pegado o “meu nome” pra uso próprio. Isso só serviu pra me fazer antipatizar com o novo mais ainda, como se ele fosse o grande culpado de não haver uniformidade nos links das minhas redes sociais. Mas é porque, sejamos justos comigo, era mesmo.

A situação era pior ainda porque eu levo essa coisa de redes sociais bem a sério. Pô, eu produzo conteúdo, né? Há tanto tempo que nem sei mais como é viver sem isso… Se tô no cinema, por exemplo, mesmo filme que não é de parceria e posso me dar ao luxo de não resenhar, minha cabeça escreve um post automaticamente à medida que o enredo vai se desenvolvendo. Esses anos, agora já mais do que o dobro dos que tenho de vida, me tornaram alguém programada pra ser blogueira em tempo integral. E por mais que eu não acredite nessa de que “blogs estão ultrapassados” – afinal leio e escuto isso desde que comecei – não tem como fazer o que faço, e o que muitos de vocês que estão lendo isso agora fazem também, sem esse complemento da vida contemporânea. Ou talvez até tenha, mas a coisa acaba ficando menos viável, e quanto maior a viabilidade nessa rotina de muito esforço, melhor. Fora essa personalidade naturalmente nostálgica que tenho, de querer sempre guardar minha própria história. É, eu gosto de mantê-las do jeito que considero ideal, sim. E faz anos que não consigo, por causa de um 90tinha de nada.

Toda essa safa vem martelando na minha cabeça há tempos. O blog pode e deve continuar sendo “Sweet Luly”, mas eu como pessoa não quero mais. Às vezes sou “sweet” e todo dia Luly, mas não podia continuar me definindo com essa palavra e só. Então simplifiquei, resumi a mim mesma trocando o @ das minhas principais redes sociais do momento (Twitter, Instagram e Pinterest), sem criar novos perfis, e pesquisando devagar como fazer o mesmo com as outras que restaram. Algumas, infelizmente, vão ter que ficar como estão. Até deixei contas mais ou menos inativas com os antigos no ar, pra garantir que quem cair lá desavisado vá saber pra onde seguir. E entre todos os nomes que poderia ter escolhido, por que não aquele que resume exatamente o que elas retratam? Por que não @lulylage? Por que não eu?

É uma coisa boba pra quem tá de fora, mas até meio representativa aqui dentro. Já passei por vários momentos de amadurecimento relevantes ao longo da minha vida, mas o atual é provavelmente o mais significativo de todos. E minha vida online, que acaba sendo a mesmíssima coisa da vida offline, tá vivendo os reflexos disso, também. De toda essa fluidez louca que, não importa o quão grande seja, ainda preserva aquela boa e velha essência de ser. Como um cacto em constante metamorfose, cada dia desenvolvendo novos galhos e mudas, mas com raízes, firmes e fixas, não o deixando esquecer sua base, mas jamais se limitando a ela. Cresci, e elas cresceram junto comigo!