Um Pequeno Favor

Em 13.10.2018   Arquivado em Filmes

Um Pequeno Favor Um Pequeno Favor (A Simple Favor) *****
Elenco: Anna Kendrick, Blake Lively, Rupert Friend, Henry Golding, Ian Ho, Miles Ward, Linda Cardellini, Zach Smadu, Andrew Rannells, Aparna Nancherla
Direção: Paul Feig
Gênero: Thriller, Comédia
Duração: 117 min
Ano: 2018
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Stephanie é uma jovem mãe que divide o tempo entre a criação do filho e o trabalho como vlogueira. Quando sua melhor amiga Emily desaparece, ela parte em uma jornada para descobrir a verdade por trás do ocorrido.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Desde o acidente que matou os principais homens de sua vida, seu irmão e o marido, Stephanie cria o filho sozinha, se dividindo entre isso e um vlog focado em “conteúdo para mães”, como culinária e artesanato. Quando o garoto se aproxima do filho de Emily, com quem estuda, ela acaba vendo nessa mulher misteriosa a possibilidade de ter a melhor amiga que tanto queria. Aos poucos as duas vão se aproximando e revelando à outra seus segredos mais sombrios… Ou pelo menos é o que parece, até o dia em que Emily pede a ela um pequeno favor, que já havia pedido várias vezes: que busque o filho na escola naquela tarde já que, assim como o marido, está viajando. Os dias vão passando e ela percebe então que sua amiga não vai voltar, então resolve convocar suas expectadoras para ajudar na busca e, por conta própria, investigar o que pode ter acontecido, já que percebe que nada naquela história é o que parece…

“Um Pequeno Favor”, baseado no livro homônimo da autora americana Darcey Bell, é um thriller com pitadas de humor que conta a história de duas mulheres MUITO distintas de verdade, sem aquele clichê de “acabam descobrindo o quanto têm em comum”. Enquanto Stephanie (Anna Kendrick) se esforça ao máximo para ser uma boa mãe e se sente culpada dos erros que já cometeu, Emily (Blake Lively) está sempre adicionando novos problemas na sua lista e simplesmente não consegue se afeiçoar às pessoas por causa disso. A maneira como elas se relacionam é sempre assimétrica, com uma sugando e a outra cedendo. Mas o desaparecimento repentino de Emily tem TUDO pra virar esse jogo, através de personagens super complexos e imperfeitos, um enredo envolvente que te deixa com muita vontade de descobrir o final e atores que dão conta do recado perfeitamente… Mas o filme peca tão violentamente no desfecho que tudo o que veio antes se perde e fica difícil acreditar que foi tão ruim assim.

Um Pequeno Favor

Um Pequeno Favor, imagem via Time

À medida que o mistério foi se desenvolvendo eu achei que seria um novo “A Garota do Trem”, que é maravilhoso. Nele mulheres supostamente fracas se descobrem fortes, dando uma aula das consequências do relacionamento abusivo e gaslighting em suas vidas e as unindo por causa disso. Mas esse foi o contrário: todas as personagens femininas foram, aos poucos, se tornando inimigas, sabe? Ele tem várias falhas graves nesse aspecto, como acusações falsas de agressão, por exemplo, que reforça bastante a falta de credibilidade com que nossa sociedade lida com o abuso no cotidiano. No fim das contas a Stephanie se torna a única pessoa suportável na tela, porque todo o resto deixava quem estava na sala de cinema com vontade de largar a sessão e ir embora (pra vocês terem ideia, as pessoas realmente estavam discutindo o filme entre si, detestando mesmo). Fora quem simplesmente some e sua importância nunca é mostrada, com o chefe de Emily, que parece super relevante e depois você se pega pensando qual foi a finalidade de ter colocado aquela figura ali…

Ainda assim seria possível admirá-lo deixando esse ativismo de lado pela trama em si, cheia de reviravoltas e minúcias… Mas os últimos minutos, numa tentativa de continuar dando pitadas de humor que até então funcionavam super bem na atmosfera da história, fica escrachado em um nível que você se sente assistindo uma daquelas sátiras de besteirol americano, meio “Todo Mundo em Pânico”. A tensão se perde completamente, não te diverte como forma de compensar e simplesmente estraga o longa. É mais um daqueles casos onde a gente se pergunta se a adaptação não deu conta do que estava no livro, e uma pena porque tinha potencial para me deixar sem dormir por pelo menos uma noite, pensativa… Fica aí o questionamento se vale a pena ler, ou se é melhor deixar pra lá e partir pro próximo!

Trailer:

Um Pequeno Favor - Em exibição nos cinemas

Todo Dia

Em 12.08.2018   Arquivado em Filmes

Todo Dia Todo Dia (Every Day) *****
Elenco: Angourie Rice, Justice Smith, Amanda Arcuri, Colin Ford, Debby Ryan, Ian Alexander, Jacob Batalon, Jake Sim, Katie Douglas, Lucas Jade Zumann, Maria Bello, Michael Cram, Owen Teague
Direção: Michael Sucsy
Gênero: Romance
Duração: 95 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “A acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A foi percebendo, ao longo dos anos, que os amanhãs nunca chegavam em sua vida como para as outras pessoas. Todo dia sua família, seu cotidiano e seu rosto mudavam, porque todo dia A estava em um corpo diferente: mesma idade, relativamente perto do anterior, mas independente de gênero, etnia, personalidade. Alguns têm memórias mais acessíveis, outros são mais difíceis de entender, e numa manhã, ao encarnar na vida de Justin, A se torna o namorado que o rapaz não consegue ser para Rhiannon: atencioso e cheio de conexões. Essa tarde juntos causa a quebra de uma de suas regras principais e acaba se apaixonando pela garota…

“Todo Dia” é baseado no best seller de David Levithan (autor de Garoto Encontra Garoto), mas como não li o livro não dá para fazer um paralelo entre os dois, teremos que focar só no filme mesmo… E sobre ele posso dizer que tem uma história muito interessante, mas tão ampla que o tempo de duração não consegue mostrar todo seu potencial. Ainda assim cumpre seu objetivo principal, que é contar uma história de amor entre adolescente que vivem juntos MUITO MAIS que as primeiras descobertas e sensações dessa fase, mas também a dificuldade de que um dos lados simplesmente NÃO TEM UM CORPO FIXO!

A cada nova mudança, a prioridade agora é achar meios de ficar ao lado da pessoa pela qual se apaixonou. Primeiro se aproximando como amiga através de algumas meninas e depois abrindo o jogo pra mostrar que, se tentassem, aquele romance pode acontecer. Após isso o filme mostra as alegrias que acabam surgindo nessa experiência única e, claro, suas dificuldades, pois a ideia de não intervir na vida do dono do corpo vai por água abaixo… A impede um jovem de viajar com a família, tenta ficar um dia a mais na mente de uma garota que parece estar sem saídas para viver e, claro, acaba influenciando também na vida da namorada, que nesse processo tem que deixar de lado quase todo o resto para conseguir fazer aquilo dar certo…

Todo Dia

Imagem via AlloCiné

O interessante é que quanto mais entramos na vida de Rhiannon, mais vemos o quanto ela é uma personagem que poderia ser explorada justamente além do relacionamento em que a trama foca. Ela tem amigos e familiares complexos que, como qualquer pessoa, trazem um mundo de novas informações diferentes, PRINCIPALMENTE seu pai, um recém desempregado que não consegue lidar muito bem com isso. Eu criei bem rápido minhas teorias sobre ele que, mais tarde, coincidiram com as ideias que uma amiga minha também tinha, assim como UM MONTE de outras pessoas que comentaram o filme na internet. De um modo geral, essas outras relações dela são uma parte da história que eu queria que tivesse sido mostrada com mais profundidade, mas que não são o foco, aí fica aquele ar de que tem muito mais a ser visto, e nunca veremos…

No final das contas o PRINCIPAL que fica é: somos MUITO MAIS do que um corpo! É claro, é hipocrisia dizer que não existem gostos nesse aspecto, que a gente não acaba procurando o que nos atrai… A sexualidade é algo que parte de cada um! Mas a ideia de amar independente de gênero, cor ou costume faz completo sentido. O filme é leve, bem típico de “Sessão da Tarde”, mas consegue trazer essa e outras mensagens, como o fato de que devemos lutar sim pelas coisas que nos trazem significado, mas que nem sempre o saudável é sacrificar todo o resto por elas. Ainda assim, vale a pena enquanto durar, mesmo que não seja pra sempre, e o vem depois pode ser um caminho surpreendentemente belo!

Trailer:

Mentes Sombrias: 16 de agosto nos cinemas!

Do Jeito Que Elas Querem

Em 20.06.2018   Arquivado em Filmes

Do Jeito Que Elas Querem

Do Jeito Que Elas Querem (Book Club) *****
Elenco: Candice Bergen, Diane Keaton, Jane Fonda, Mary Steenburgen, Richard Dreyfuss, Don Johnson, Craig T. Nelson, Andy Garcia, Alicia Silverstone
Direção: Bill Holderman
Gênero: Comédia
Duração: 104 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Diane ficou viúva após 40 anos de casamento. Vivian gosta de seus relacionamentos sem compromisso. Sharon ainda está trabalhando em um divórcio de décadas e o casamento de Carol está em baixa após 35 anos. No clube de leitura, o novo livro estimula romances e reavive velhas chamas. Juntas, as amigas incentivam uma a outra, para tornar o próximo capítulo de suas vidas o melhor de todos. E a mensagem é clara: ‘Nunca é tarde para apimentar a vida amorosa!’.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Solteira, casada, viúva e divorciada: essas quatro amigas, no auge dos seus 60 anos, mantém ao longo de décadas um clube do livro. Nada de muito diferente do que estamos acostumados: todo mês uma escolhe o que deve ser lido e as outras aceitam, para que na próxima reunião elas mantenham essa tradição de se reunir, beber um vinhozinho e discutir o que cada uma tirou daquilo. E é no meio desse esquema que Vivian, uma solteinora convicta cansada de ver as amigas com a vida sexual tão mais “sem graça” que a dela, distribui exemplares de “Cinquenta Tons de Cinza” como sua escolha da vez. A princípio as outras são contra, claro, mas acabam tendo que ceder e permitem que Christian Grey… “Penetre” em suas vida a mensagem de que nunca é tarde para apimentar as coisas.

Acho que o mais importante desse filme é o fato de que ele trata da sexualidade de mulheres de meia idade. A maioria esmagadora de comédias românticas que são lançadas mostra mulheres, mesmo que em diferentes fases da juventude, descobrindo aquele grande amor ou mesmo explorando o próprio corpo pela primeira vez. Aqui não é isso que acontece. Mesmo que suas vidas sexuais sejam tão diferentes, ainda assim são mulheres velhas que se relacionam com homens velhos, mas isso não significa que sejam frígidas ou mesmo que sabem tudo. Sua busca é por aquilo que as personagens novas também buscam: amor, carinho ou só sexo mesmo, por que não?

A escolha de todo o elenco é maravilhosa, mas as atrizes principais são realmente um grupo “all-stars” muito poderoso. Quatro grandes nomes de Hollywood, todas com Oscars nas estantes, estrelando uma… COMÉDIA! Porque afinal de contas o que há de errado em uma comédia? Por que não apreciar uma comédia? Ela pode ter seu valor tanto quanto qualquer filme cult, cada um na sua função. E Do Jeito Que Elas Querem cumpre bem a função: é engraçado, descontraído, faz suas piadas bobas sobre sexo porque fazemos o mesmo, todos nós. É claro que ele tem lá seus clichês, como a juíza durona que nunca se relacionou de novo após um divórcio e a senhora solteira plastificada, mas isso não atrapalhou em nada no andamento da história. Deixa até mais divertido!

Do Jeito Que Elas Querem

Diane, Sharon, Vivian e Carol. Imagem via Vox

Outra vantagem maravilhosa é que em momento NENHUM elas romantizam Christian Grey! Ele é citado várias vezes, claro, e usado como um incentivo para que elas mudem o aspecto afetivo nas suas vidas, mas não buscam por ele nos homens com os quais vão se relacionar (sejam eles o marido de anos ou alguém que conheceram agora). Inclusive uma das conclusões nas quais chegam é justamente se ATÉ ELE, como todos os seus problemas como pessoa, achou alguém que mudou sua vida, então por que elas não poderiam? Esse era um medo que eu tinha antes de entrar no cinema, o acho uma personagem muito problemática que acabou sendo sinônimo de “homão da porra” na época que estourou. Que bom que nem todo mundo pensa assim.

Mais um aspecto que foi leve, mas que me agradou, é a “garota jovem que namora um homem velho”, presente no plot de Sharon. É uma menina realmente muito nova, que poderia ser filha de seu ex marido, loira, alegre, cor-de-rosa e gostosona, mas que não rivaliza com ela ou é mostrada como a mocinha burra. Ela só está vivendo sua vida, apaixonada por um cara muito mais velho que, por mais que tente parecer mais jovem, não age também como um completo babaca. Gosto disso pessoalmente pois ainda tenho, confesso, uma certa dificuldade em lidar com diferenças de idade muito grandes em relacionamento, e nesse caso não me incomodou.

Como parte “negativa” pode ser citado o fato de que NINGUÉM tenta resolver seus problemas da forma mais simples de todas que existe de fazer isso: conversando. Diane perdeu o marido há um ano e lida com filhas super protetoras que insistem em tratá-la como se estivesse à beira da morte. Ao invés de dar um “chega pra lá” nelas, dizer que quer explorar novos aspectos de sua vida, o que ela faz? Inventa histórias que, quando descobertas, só pioram essa opinião. Carol é outra que, ao invés de tentar conversar com o marido para que eles retomem à vida sexual que tinham, resolve forçá-lo a isso lhe dando Viagra sem que ele saiba… Já imaginam o resultado disso, né?

Mas a verdade é: não somos realmente assim na vida real? Muitas vezes sentar e resolver não nos parece muito mais trabalhoso do que ter que criar métodos de contornar as dificuldades, ou mesmo lidar com elas? Se parar pra pensar essa parte “irritante” é mais um das vantagens que Do Jeito Que Elas Querem tem, retratando pessoas normais como realmente são, de forma divertida, é claro. A ideia de que “nunca é tarde para apimentar sua relação” é deixada de lado quando você percebe que, na verdade, nunca é tarde para melhorar uma relação, seja ela com quem for (incluindo consigo mesma)!

Trailer: