The Get Down

Em 25.04.2017   Arquivado em Séries e Desenhos

The Get Down

Sempre que sai uma nova série na Netflix é a mesma coisa: em TODAS as redes sociais aparecem umas trocentas pessoas assistindo ao mesmo tempo nos primeiros dias, só se fala disso, surgem as páginas “Série X da Depressão” e “Personagem Y Irônico” e, claro, são tantas imagens de tantos trechos jogadas na nossa frente que quem demora alguns dias pra ver já sabe exatamente tudo o que vai acontecer. Não foi assim, porém, justo com a MELHOR de todas as que já acompanhei por lá e lançou ano passado: The Get Down! Quando vi o anúncio achei os cartazes bonitos e adicionei na minha lista, mas estava esperando algum amigo comentar o que achou até que… NADA ACONTECEU! Fui ficando muito curiosa, começou a aparecer muita propaganda no SnapChat, então decidi eu mesma ir descobrir qual é a dela. O resultado, como acho que já deu pra perceber, foi amor do início ao fim!

Criada por Baz Luhrmann, de “Moulin Rouge” e “O Grande Gatsby”, a série é um drama musical passado na década de 70 no sul do Bronx, distrito da cidade de Nova York onde nasceu o movimento hip hop, que é justamente a temática retratada. Nela Ezekiel “Zeke”, também conhecido como “Books”, é um adolescente com alma de poeta cujo caminho cruza o do traficante Shaolin Fantastic, que tenta sobreviver em meio à violência que é o mundo das drogas e, ao mesmo tempo, seguir sua jornada como DJ numa época em que o disco predomina as boates da cidade. O talento dos dois, então, se une na forma do Get Down, e junto com os amigos do garoto (entre eles o grafiteiro Dizzee que é interpretado por Jaden Smith!) eles formam um grupo que vem para peitar os donos do bairro mostrando o valor de uma arte com a qual eles não estão e nem querem estar acostumados. Ao mesmo tempo Mylene Cruz, amor da vida de Zeke, tenta se desvencilhar das garras de seu pai pastor opressor e do romance que quer viver com o rapaz para conquistar seu sonho de ser uma estrela da Disco Music e deixar o Bronx, ainda que tenha sido criada para usar sua voz apenas para fins religiosos. Para isso ela ai contar com a ajuda de seus amigas (e backing vocals) e de seu tio, um político local que faz de tudo para ver a região crescer da forma que merece. À medida que esses jovens lutam por sua ascensão social e cultural, vão criando aliados e inimigos, já que isso significaria liberdade para uns e o fim da “soberania” de outros.

A história é contada por Zeke já nos anos 90, que começa cada episódio dando um resumo do que passou (e do que está por vir) através de um rap, e por mais que soe como um “spoiler” de que vai dar tudo certo a verdade é que não passa nem perto disso. Entre cenas reais e fictícias, primeira parte teve 6 episódios lançados na plataforma dia 12 de agosto, cada um com aproximadamente uma hora e meia de duração, e a segunda veio agora, dia 7 de abril, com 5 episódios de menos de uma hora cada. Em todos eles nós vemos a predominância absoluta de atores negros e latinos, que condiz com a população sulista do Bronx à época, e uma SÉRIE de assuntos mais pesados sendo abordados como pano de fundo de um romance… Drogas, intolerância religiosa, arte de rua, briga de gangues, a descoberta da sexualidade, tramas política e, claro, a busca de igualdade por parte uma população naturalmente marginalizada são a base de The Get Down, assim como foi no surgimento do hip hop e ainda é, hoje, na vida de tantos jovens que vão se enxergar nos personagens, independente de estarem ligados à música ou não. Você vai se apaixonar por alguns, odiar outros e nunca passar neutro por qualquer um deles, já cada todos têm seu próprio drama ou causam isso na vida de alguém. Além do mais é muito gostoso “descobrir” o surgimento de um movimento que abrange tantas formas de arte e que poucos consideram pesquisar sobre justamente por sua origem e por sair da zona de conforto, abrir o pensamento em relação como é a vida de pessoas completamente diferentes da gente e tudo mais… Dá muita vontade de pesquisar sobre o que rolou de verdade enquanto canta mentalmente “Shaolin’s the DJ that we call conductor, ’cause Shaolin Fantastic’s a bad motherf–“, porque no final de ambos os clímax você vai sair com a música grudada na cabeça com certeza, e isso é ótimo!

The Get Down
“The Get Down” via Variety

Infelizmente a “Parte 2” foi mesmo o fechamento, mas deixou tantas coisas boas e ruins no ar nas cenas finais que eu tô de coração partido até agora só de saber que acabou. Não sei se foi planejado assim ou se eles fariam mais episódios se tivesse feito mais sucesso, mas eu particularmente queria era mais, tô doida pra tirar um fim de semana inteiro a toa pra rever porque ela merece!

She’s Beautiful When She’s Angry

Em 27.12.2016   Arquivado em Feminismo, Filmes

She's Beautiful When She's Angry, via Filmow

She’s Beautiful When She’s Angry *****
Direção: Mary Dore
Gênero: Documentário
Duração: 92 min
Ano: 2014
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Conta a história das mulheres que criaram o movimento feminista nos anos 1960, fazendo uma revolução em todos os âmbitos sociais.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: A primeira vez que ouvi falar sobre o movimento feminista onde o assunto realmente me chamou atenção foi através da minha mãe enquanto a gente assistia “The Wonders” pela milésima vez. Eu tinha uns 16 anos e falei que achava feio as dançarinas com os mamilos “marcando” na roupa, ela veio e me explicou o contexto, que houve a queima em massa de sutiãs em busca de direitos iguais, e apesar de continuar achando não achando bonito a presença daquelas meninas ali mudou de sentido na minha cabeça COMPLETAMENTE e eu passei a adorar a dancinha delas. Mas a história estava só começando… Sete ou oito anos precisaram se passar para eu começar a realmente entender do que aquilo tudo se tratava e o principal: perceber e admitir que eu fazia parte. Foi devagar, primeiro uns compartilhamentos no Facebook, depois uns posts por lá e por aqui, a perda total do medo de usar as palavras que marcam o movimento e, claro, a necessidade de ler e assistir mais sobre o assunto. E é aí que entra “She’s Beautiful When She’s Angry”, que está disponível na Netflix e conta um pouquinho sobre como a coisa se intensificou nos Estados Unidos justamente no período do qual minha mãe tinha me contado um pouquinho.

Sabe quando você tá lendo alguma postagem sobre feminismo e SEMPRE tem aquele(s) comentário(s) que diz(em) “Antes eu até entendo, as mulheres queriam seus direitos, mas as feminazis hoje em dia só querem privilégios e aparecer”? Pois é, as pessoas já diziam isso na época. Sabe quando as próprias mulheres reproduzem o machismo dizendo que se sentem bem com o que já têm e não entendem por que as outras querem mais? Sim, desde então muitas já davam esse tipo de entrevista. Sabe quando algum jornalista é MUITO babaca e fala merda na televisão pra todo mundo ver e ainda assim mantém seu emprego, não importa o quão misógino ele foi? Bom, nem preciso dizer que isso também sempre esteve presente, né! Esse documentários é FUNDAMENTAL pra entender do que se trata e ver que não importa o quanto as coisas melhorem pra gente, ainda temos um longo caminho pela frente até atingir a equidade de gêneros. É um mix de sentimentos, ao mesmo tempo que você quer gritar um “MUITO OBRIGADA” para cada uma delas pela vida melhor que temos hoje, é triste ver que muita coisa não mudou e ainda vai demorar pra mudar, e é por isso que a gente não deve NUNCA se calar diante do machismo nosso de cada dia!

Nele nós vemos relatos vindo direto das ativistas da época que ressaltam as dificuldades, prazeres, conquistas e até mesmo erros de cada etapa e organização que ia surgindo, a necessidade inacabável da representatividade e lugar de fala, chegando a causar até “brigas pelo protagonismo”: elas foram caladas por tanto tempo que não conseguiam ser ouvidas quando falavam em tom de voz normal ou mesmo gritando, e aí era preciso BERRAR, caminhar, reunir, queimar… O que eu mais gostei nele, porém, foi que alguns relatos me deram mais oportunidade de sair da minha “zona de conforto” feminista classe-média-branca-cis-hétero-com-curso-superior e ver que ali já começavam a nascer também algumas “diretrizes” que até hoje não têm muito espaço, como o feminismo negro e lésbico… Sempre que leio algum texto sobre esses assuntos tem alguém que está do “lado privilegiado” comentando que se sentiu ofendida, e confesso que já me senti muito também, mas é só abrir um pouquinho a mente que a gente vê que esse “ofensa” é a mesma que muitos homens sentem quando vêem que nós mulheres queremos ser tratadas como pessoas que somos, e não como seres inferiores, então é sempre bom entender que cada um tem lado oprimido, mas também seu lado “opressor” e ajudar a dar a voz pra quem tem mais “sacos de batata de opressão” nas costas poder colocar esse peso pra fora…

Eles têm também um site super legal que conta com informações sobre a tragetória de cada uma das entrevistadas, o trabalho da diretora, fontes de informação, uma lojinha virtual, links das redes sociais e, claro, divulgação de onde o filme pode ser assistido, acessem lá para poder se maravilhar com ele tanto quanto eu: shesbeautifulwhenshesangry.com!

Trailer:

Stranger Things

Em 25.07.2016   Arquivado em Séries e Desenhos

Stranger Things

No fim de semana passado a internet EXPLODIU com o lançamento da nova série da Netflix, Stranger Things, que aconteceu dia 15. Eu nunca vi coisa igual na minha vida, de repente todas as minhas timelines de todas as redes sociais estavam tomadas pelas fotos de cinco crianças que eu nunca tinha visto na vida, luzinhas de natal que piscavam formando palavras e uma Winona Ryder ao telefone com cara de desespero, então comecei a ficar muito curiosa com o que tinha causado esse alvoroço todo. E aí à medida que foram surgindo posts e pude ver do que se tratava minha curiosidade cresceu cada vez mais e não resisti, tive que ver também (tudo em um dia, diga-se de passagem).

A série se passa numa cidade no interior de Indiana, na década de 80, e começa quando Will Byers, após sair do costumeiro jogo de RPG com seus melhores amigos Mike, Dustin e Lucas, desaparece misteriosamente, deixando a mãe (interpretada pela Winona) e o irmão em completo desespero. Como a cidade é pequena no início ninguém leva isso muito a sério, acham que ele simplesmente fugiu de casa, mas uma série de acontecimentos bizarros começa a mudar essa ideia na cabeça do chefe de polícia, que está responsável pelo caso, e ele vê que tem muito mais “caroço nesse angu”, envolvendo inclusive experiências secretas conduzidas pelo governo. Enquanto isso os amigos de Will resolvem agir por si só, mas ao invés de achá-lo eles acabam encontrando a Onze/Eleven, uma menininha MUITO sinistra que, ao longo do tempo, mostra que sua “esquisitice” é justamente o que eles precisam pra resolver esse mistério todo.

Quando eu comecei a pesquisar pensei que não ia assistir de jeito nenhum porque sou MUITO medrosa com histórias de suspense, mas uma semana vivendo com a empolgação alheia foi o suficiente para mudar minha cabeça completamente, não deu pra segurar. E vou falar na pele de uma pessoa que fica sem dormir com as coisas mais bobas do universo: a série realmente NÃO dá medo! Tem umas cenas bem nojentas e tudo mais, mas eu desviava o olhar e comecei a assistir durante o dia, fiquei mega de boa! A atmosfera de ficção científica dos anos 80 é MUITO MARAVILHOSA, faz muito jus aos programas desse gênero da época, só que qualidade ainda melhor quando se diz respeito a efeitos e até mesmo filmagem. Fora isso o elenco também é incrível, ao invés de pegar um bando de ator bonitinho eles escolheram uma galera meio “vida real” que combina mesmo com as personagens, as crianças são um show à parte, todos mega carismáticos num nível que você não escolhe o favorito porque não dá, hahahaha! Além disso a temporada é bem rapidinha, apenas 8 episódios que duram cerca de 50 minutos, mas é tão viciante que você termina em um dia e nem percebe que o tempo passou no meio de sustinhos, risadas, lágrimas e plus: uma trilha sonora maravilhosa!

Stranger Things
“Stranger Things” via Adoro Cinema

A segunda temporada já foi confirmada pela Netflix e eu (e todo mundo do planeta) num tô ME SEGURANDO de ansiedade já porque o último episódio deixou várias brechas bacanas, acho que tem muito potencial pra ser tão incrível quanto a primeira. Eles ainda não têm previsão pra esse lançamento, mas assim que tiverem devem liberar porque tem uma legião de fãs aguardando, o amor pela série começou a apenas alguns dias, mas é tão boa que parece que já são anos!