LOVE, a série mais real da Netflix!

Em 18.04.2018   Arquivado em Séries e Desenhos

Love

Ela me foi recomendada pela própria Netfix várias vezes. Aparecia no e-mail quando novos episódios saiam, em diversas listas de “afins” pela compatibilidade com outras coisas que eu já tinha visto. E ainda assim demorei um longo tempo para adicioná-la na minha lista, e mais ainda para apertar o play. Na minha cabeça seria um série clichê sobre o cara nerd bobão que se apaixonada pela menina desapegada drogadinha, mas foi só decidir finalmente assisti-la para descobrir que estava muito, muito enganada. Claro, o tema principal é o amor… O próprio título sugere isso! Mas se você está esperando um amor camoniano ideal, um Romeu + Julieta para sofrer até a morte ou mesmo a comédia exagerada do casal totalmente desajeitado… Não é aqui que vai encontrar. Porque LOVE é a série mais real que já assisti na vida, e é isso que a torna maravilhosa!

“LOVE” conta a história de Mickey e Gus, interpretados por Gillian Jacobs e Paul Rust, que por sua vez é um dos criadores da mesma. Ambos acabaram de terminar seus relacionamentos por causa do desgaste que muito comumente acaba com relacionamentos. Ambos não sabem direito como estão lidando com isso, que nem a gente nunca sabe como lida com essas coisas. E é num lugar comum, numa situação dessas que parecem impossíveis mas acontecem todos os dias… Eles se conhecem! Ele tá carente, acha a moça bonita, fica interessado. Ela tá perdida, não sabe o que quer da vida, mas acha que ele é um cara bacana. E aí um convite pra uma festa despretensioso, uma tentativa falha de juntar a pessoa com sua colega de quarto, a tensão sexual que não se explica mas está lá ainda assim… De repente, estão juntos!

Psiu! Prestenção! Se você gosta de ler, é só continuar aqui nesse texto lindinho e descobrir os motivos pelos quais precisa assistir. Ma-as se preferir ver e ouvir, postei também um vídeo sobre Love no meu canal, o conteúdo dos dois é muito parecido!

E aí está tudo resolvido, logo ali nos primeiros episódios? Claro que não! Porque não é assim que funciona de verdade, não é mesmo? Mickey trabalha numa rádio e tem todos os tipos de vício que se pode imaginar: álcool, drogas, cigarro, sexo. Ela precisa se livrar dos piores deles para poder ficar bem consigo mesma antes de conseguir ser feliz a dois. Gus por sua vez tem, por trás do ar de tutor de jovens atores, vários problemas para lidar com suas frustrações, falar a verdade e tomar boas decisões. Eles estão naquele momento em que você acaba de perceber que todas as suas certeza foram por água abaixo e não se sabe de mais nada, mas ao mesmo tempo tem que descobrir porque não tem como ficar a espera de um milagre mais, ou na verdade nunca teve.

No fim das contas, “LOVE” é sobre dois adultos que fazem várias merdas por causa do fato que estão extremamente fudidos da cabeça, e se parar pra pensar estamos todos nós na mesma situação, corrigindo merdas causadas por nossas cabeças fudidas.

Claro que, como todo programa de TV, ela tem lá seus defeitos. Pra mim a falta de representatividade é o principal: você não vê nenhuma figura LGBT influente e quase não tem negros também, apesar de a chefe do Gus dar conta desse aspecto, de certa forma. Por outro lado é legal porque ninguém tem aquela beleza ideal, sabe? São pessoas normais! A Mickey é linda, mas tem olheiras enormes e usa uma maquiagem “quase nada” não muito bem feita, já o Gus é quase uma caricatura! As pessoas têm dentes tortos, gordurinhas localizadas e coisas assim, e ao mesmo tempo NADA DISSO torna NENHUM DELES feio. Gente como a gente e pronto!

Pra compensar, feminismo é abordado o tempo todo! Uma das cenas que mais gostei foi um momento em ela solta do nada que queria uma coisa X na sua vida, bem clichê e supostamente nada empoderadora. Ele então pergunta se aquilo não seria um pouco “anti-feminista”, e ela já rebate com um “Sério que você vai me ensinar o que é feminismo?”, o que é absolutamente GENIAL porque, né… A gente vê isso todos os dias mesmo vindo de homens bacanas. E é com esses momentos de sinceridade e outros que nem tanto que eles constroem um relacionamento que, ao final do último episódio, me fez acreditar que em algum momento as coisas vão dar certo por aqui. Não necessariamente no aspecto romântico mas pelo menos ALGUM aspecto qualquer, pra variar…

LOVE

Foto do USA Today

Originalmente foram planejadas apenas duas temporadas, mas antes da segunda sair a série foi renovada e a terceira anunciada. Essa final foi lançada dia 9 de março pra fechar de forma linda um processo que foi lindo. E se você ainda não está convencida, aqui está minha tacada final: OS DOIS SÃO RATINHOS DISNEY! Michey Mouse, o camundongo mais famoso do mundo, e Gus-Gus de Cinderela são citados em um episódio pelo próprio Gus ressaltando a coincidência dos nomes… Dá pra ser mais bonitinho? Num dá, não!

Demolidor

Em 13.12.2017   Arquivado em Séries e Desenhos

Demolidor

Treze de dezembro é o “Dia do Cego”, e eu recebi um e-mail ontem com essa sugestão de pauta, só não sabia sobre o que falar. Minha ideia era fazer uma lista com filmes que abordam o assunto, mas infelizmente assisti poucos e não dava… Sendo assim resolvi comemorar que as gravações da terceira temporada de Demolidor (em inglês Daredevil), série original da Netflix em parceira com a Marvel, começaram por agora em Nova York para falar como foi a trajetória do Homem Sem Medo até agora por lá.

Primeiro dos quatro heróis de Os Defensores (que conta também com Jessica Jones, Luke Cage e o Punho de Ferro), o Demolidor é, durante o dia, Matt Murdock, um advogado cego e órfão. Ainda quando criança Matt sofreu um acidente onde conteúdo radioativo vindo de um caminhão comprometeu sua visão, sendo capaz de enxergar apenas vultos, mas tendo todos seus outros sentidos elevados a níveis muito além dos humanos. Após o assassinato de seu pai, que era pugilista, ele é treinado pelo sensei Stick, que lhe ensina não só a prática de artes marciais como também a controlar suas novas habilidades. A série começa quando ele, junto com seu grande amigo de faculdade “Foggy” Nelson, está abrindo o escritório de advocacia Nelson & Murdock. O caminho deles cruza o de Karen, mais tarde sua secretária, que descobre esquemas de corrupção em seu trabalho e conta com a ajuda da dupla em sua defesa. Diante das descobertas feitas nos dois lados da sua vida dupla Matt decide combater as ações mafiosas de Wilson Fisk, o “Rei do Crime”, e ao mesmo tempo manter sua identidade em segredo… Mesmo que sua presença venha passando cada vez menos despercebida e a mídia começar a divulgá-lo como o Demônio de Hell’s Kitchen, sem saber se veio para ajudar ou atrapalhar as ações falhas da polícia. Ela conta também, assim como todas as séries da Marvel produzidas pela Netflix, com a presença da enfermeira Claire temple, que engata um início de romance com o personagem título mas logo depois isso acaba (mas eu era a favor de continuar, foi mals).

A ideia original era lançar uma temporada para cada um dos Defensores antes da série onde os quatro se unem, que foi lançada em agosto desse ano, mas Demolidor furou a fila e ganhou uma segunda antes disso. Ela inclusive foi o gancho para começar a batalha em grupo com a presença de outra personagem dos quadrinhos e ex namorada de Matt, Elektra, também treinada por Stick. Apesar da primeira fluir de maneira INFINITAMENTE melhor, a segunda temporada também tem uma trama bem bacana, já com o “traje de herói” dele, que na outro é super improvisado, e focando na luta contra o Tentáculo, uma organização mafiosa oriental que é a “grande vilã” em Punho de Ferro e nos próprios Defensores. É nesse contexto também que aparece Frank Castle, que ganhou uma série spin off mês passado como “O Justiceiro”. É aquela mesma coisa de sempre, as histórias se unem o tempo todo e estão completamente interligadas, dando a impressão de que não tem como acabar. Pra quem é sensível fica o aviso: as cenas de luta são ótimas mas sempre violentas e muito sangrentas, bem menos suaves que o universo da empresa nos quadrinhos. O elenco é todo ótimo e para aqueles que preferem a versão “tupiniquim” das coisas pode ir fundo porque a dublagem é ÓTIMA!

Demolidor
“Demolidor” via Netflix

A terceira temporada foi confirmada para o segundo semestre de 2018, depois da 2ª de Jessica Jones, e os fãs apostam que será inspirada na história das HQs “A Queda de Murdock”, por causa da maneira como terminou o último episódio de “Os Defensores”. Já no que diz respeito à volta do grupo, ainda não há nada confirmado, mas eu queria muito vê-los juntos de novo porque amei a dinâmica que tiveram… Quem são os Vingadores na fila do pão comparados a esse timão, gente?

Blogmas 2017

To The Bone: O Mínimo Para Viver

Em 02.08.2017   Arquivado em Filmes

O Mínimo Para Viver

O Mínimo Para Viver (To The Bone) *****
Elenco: Lily Collins, Keanu Reeves, Liana Liberato, Alex Sharp, Kathryn Prescott, Ciara Bravo, Hana Hayes, Joanna Sanchez, Michael B. Silver, Rebekah Kennedy, Yindra Zayas.
Direção: Marti Noxon
Gênero: Drama
Duração: 107 min
Ano: 2017
Classificação: Livre
Sinopse: “Uma jovem (Lily Collins) está lidando com um problema que afeta muitos jovens no mundo: a anorexia. Sem perspectivas de se livrar da doença e ter uma vida feliz e saudável, a moça passa os dias sem esperança. Porém, quando ela encontra um médico (Keanu Reeves) não convencional que a desafia a enfrentar sua condição e abraçar a vida, tudo pode mudar.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Antes mesmo de ter sido lançado na Netflix mês passado, “O Mínimo Para Viver” (em inglês “To The Bone”) já estava dando o que falar. O longa protagonizado por Lily Collins trata da tão falada, e ainda assim mal discutida, questão dos distúrbios alimentares através de Ellen, uma garota de 20 anos que sofre de anorexia nervosa. Após várias tentativas de tratamento impostas pela sua tumultuada família, todas frustradas, sua madrasta consegue para ela uma vaga na disputadíssima clínica do dr. Beckham, interpretado por Keanu Reeves, que tem um método muito “diferente” de tratar os pacientes, sem apelar para remédios ou medidas drásticas.

Digo “tão falada, e ainda assim mal discutida” porque é um assunto MUITO abordado na mídia e na arte, mas sempre com um foco meio errôneo. Novelas como “Malhação” sempre trazem personagens com anorexia e bulimia, e a história é quase a mesma todas as vezes: uma menina sem qualquer problema aparente, porém vulnerável aos padrões de beleza, é incentivada à prática e fica doente, mas raramente sente as consequências reais disso. Elas têm familiares e amigos que sabem exatamente como lidar, sofrem alguns desmaios que solucionam todos os seus problemas e continuam visualmente lindas, saudáveis e magras “na medida certa”. Não existem outros problemas naquela garota para serem tratados antes, durante ou depois do que rola. Mas na vida real não é bem assim.

Na vida real existe uma ramificação enorme de sequelas que viver com uma doença assim pode trazer, e é o que é abordado. A própria Ellen se corrói de remorso com o que a mistura da anorexia e arte desencadeou em sua vida e na dos outros, e ainda assim não consegue se livrar dela. Vemos vagamente que os outros pacientes da clínica também sofrem com isso, mas não é algo tão aprofundado. Se parar pra pensar isso condiz com a realidade, mesmo que a gente compartilhe das dores e problemas de alguém raramente saberemos ao fundo as causa e consequências disso. A escolha dos atores foi muito sábia nesse aspecto, assim como as tomadas feitas pela câmera… Os ossos deles aparecendo sob a pele é amargo de se ver, traz desconforto e fica quase difícil entender como alguém pode chegar a esse ponto, e aí você lembra que que não é realmente compreensível, o que torna a luta ainda mais árdua.

Dois pontos, porém, foram extremamente fracos pra mim. Primeiro um breve romance que é enfiado na história, sem pé nem cabeça, que não faz sentido, não tem base para se firmar e não dá força a nenhum aspecto da narrativa. O impacto final que isso tem poderia ser o mesmo sem esse tipo de envolvimento e seria ainda mais bacana porque teria alguma lógica, já que a amizade convence e o casinho não. E o segundo é o final. O clímax do filme é maravilhoso com uma cena SUPER forte e emotiva envolvendo a mãe da personagem, e aí o que vem logo em seguida não combina muito bem com toda a realidade que estava sendo passada até segundos antes. Os últimos minutos se arrastaram e quebraram completamente um ritmo que eu estava gostando MUITO, até que acabou e fiquei olhando pra tela um pouco decepciona. Uma pena.

O Mínimo Para Viver Foto do Las Vegas Review-Journal

E agora um desabafo, porque acima de tudo seria impossível falar sobre esse filme sem isso. A maneira como me senti se sobressaiu a tudo, incluindo roteiro, atuações maravilhosas e fotografia belíssima. “O Mínimo Para Viver” enfiou o dedo numa ferida que eu sequer sabia que tinha, tão profundamente que chegou lá no osso, como o título sugere. Porque mesmo com mais de uma incidência com o passar dos anos eu continuava fingindo que nunca tinha tido um transtorno alimentar de verdade, mas a verdade é que tive, várias vezes.

Sendo uma pessoa que sofre de Transtorno de Ansiedade estou sempre suscetível a épocas de crises, muitas vezes causadas por “besteiras” que as ligações falhas do meu cérebro tornam algo grandioso. E um sintoma que NUNCA DEIXA DE APARECER é a falta de apetite. Já cheguei a emagrecer 5kg em duas semanas e esse ano a coisa chegou no seu ponto extremo em que havia dias onde eu fazia apenas duas refeições minúsculas, praticamente só pra fingir pras pessoas que estava normal. Um belo dia me olhei no espelho e vi que conseguia ver as costelas sem precisar forçar, algo que não acontecia nem quando eu era uma adolescente magrela. Minhas calças estão todas caindo e escolher o que vestir me leva ao profundo desespero, já que me sinto sempre horrorosa não cabendo em nada.

“Mas Luly, você não gosta de estar assim! Você nem se acha bonita estando tão magra! Não é a mesma coisa, né?” Não, não é a mesma coisa, mas não deve ser ignorado ainda assim. Durante todos os minutos de duração da história eu tentava me comparar visualmente com a Ellen com medo de estar iguala. É óbvio que a coisa fica ainda mais triste quando é imposta por uma sociedade que se preocupa mais com a magreza do que com a saúde, mas um distúrbio por compulsão ou isenção não deixa de ser um problema. Inclusive já falei sobre como me sinto em relação a isso largamente num vídeo que foi ao ar no meu canal do YouTube há pouco tempo…

Tem também o número absurdo que pessoas que já me disse ao longo da vida o quanto eu e a Lily somos parecidas fisicamente. Não sei se é realmente tão igual, mas entendo a comparação e fico feliz porque acho ela LINDA, e deixou tudo ainda pior! Só o que conseguia pensar era “Será que estou ficando assim? Será que já estou? Se ela ficou destruída dessa forma estando tão magra, vou ficar também? E se chegar nesse ponto?”… Ao mesmo tempo que não sei como mudar minha realidade… Desesperador.

O Mínimo Para Viver Foto do Las Vegas Review-Journal

Enfim… Em resumo, “O Mínimo Para Viver” não é um filme sobre superação, romantização ou finais felizes. É para incomodar e mostrar “na prática” que a doença pode chegar níveis extremos, acarretar outros problemas ainda maiores, se tornar mais importante que seus valores próprios. É pra te jogar na cara que vem pra matar! É pra exemplificar que afeta quem se acha gordo demais, magro demais, feio demais, infeliz demais, muito demais em algo que a pessoa pode nem ser e o pior: a torna alguém ruim ou feio mesmo se for!

Trailer:

The Get Down

Em 25.04.2017   Arquivado em Séries e Desenhos

The Get Down

Sempre que sai uma nova série na Netflix é a mesma coisa: em TODAS as redes sociais aparecem umas trocentas pessoas assistindo ao mesmo tempo nos primeiros dias, só se fala disso, surgem as páginas “Série X da Depressão” e “Personagem Y Irônico” e, claro, são tantas imagens de tantos trechos jogadas na nossa frente que quem demora alguns dias pra ver já sabe exatamente tudo o que vai acontecer. Não foi assim, porém, justo com a MELHOR de todas as que já acompanhei por lá e lançou ano passado: The Get Down! Quando vi o anúncio achei os cartazes bonitos e adicionei na minha lista, mas estava esperando algum amigo comentar o que achou até que… NADA ACONTECEU! Fui ficando muito curiosa, começou a aparecer muita propaganda no SnapChat, então decidi eu mesma ir descobrir qual é a dela. O resultado, como acho que já deu pra perceber, foi amor do início ao fim!

Criada por Baz Luhrmann, de “Moulin Rouge” e “O Grande Gatsby”, a série é um drama musical passado na década de 70 no sul do Bronx, distrito da cidade de Nova York onde nasceu o movimento hip hop, que é justamente a temática retratada. Nela Ezekiel “Zeke”, também conhecido como “Books”, é um adolescente com alma de poeta cujo caminho cruza o do traficante Shaolin Fantastic, que tenta sobreviver em meio à violência que é o mundo das drogas e, ao mesmo tempo, seguir sua jornada como DJ numa época em que o disco predomina as boates da cidade. O talento dos dois, então, se une na forma do Get Down, e junto com os amigos do garoto (entre eles o grafiteiro Dizzee que é interpretado por Jaden Smith!) eles formam um grupo que vem para peitar os donos do bairro mostrando o valor de uma arte com a qual eles não estão e nem querem estar acostumados. Ao mesmo tempo Mylene Cruz, amor da vida de Zeke, tenta se desvencilhar das garras de seu pai pastor opressor e do romance que quer viver com o rapaz para conquistar seu sonho de ser uma estrela da Disco Music e deixar o Bronx, ainda que tenha sido criada para usar sua voz apenas para fins religiosos. Para isso ela ai contar com a ajuda de seus amigas (e backing vocals) e de seu tio, um político local que faz de tudo para ver a região crescer da forma que merece. À medida que esses jovens lutam por sua ascensão social e cultural, vão criando aliados e inimigos, já que isso significaria liberdade para uns e o fim da “soberania” de outros.

A história é contada por Zeke já nos anos 90, que começa cada episódio dando um resumo do que passou (e do que está por vir) através de um rap, e por mais que soe como um “spoiler” de que vai dar tudo certo a verdade é que não passa nem perto disso. Entre cenas reais e fictícias, primeira parte teve 6 episódios lançados na plataforma dia 12 de agosto, cada um com aproximadamente uma hora e meia de duração, e a segunda veio agora, dia 7 de abril, com 5 episódios de menos de uma hora cada. Em todos eles nós vemos a predominância absoluta de atores negros e latinos, que condiz com a população sulista do Bronx à época, e uma SÉRIE de assuntos mais pesados sendo abordados como pano de fundo de um romance… Drogas, intolerância religiosa, arte de rua, briga de gangues, a descoberta da sexualidade, tramas política e, claro, a busca de igualdade por parte uma população naturalmente marginalizada são a base de The Get Down, assim como foi no surgimento do hip hop e ainda é, hoje, na vida de tantos jovens que vão se enxergar nos personagens, independente de estarem ligados à música ou não. Você vai se apaixonar por alguns, odiar outros e nunca passar neutro por qualquer um deles, já cada todos têm seu próprio drama ou causam isso na vida de alguém. Além do mais é muito gostoso “descobrir” o surgimento de um movimento que abrange tantas formas de arte e que poucos consideram pesquisar sobre justamente por sua origem e por sair da zona de conforto, abrir o pensamento em relação como é a vida de pessoas completamente diferentes da gente e tudo mais… Dá muita vontade de pesquisar sobre o que rolou de verdade enquanto canta mentalmente “Shaolin’s the DJ that we call conductor, ’cause Shaolin Fantastic’s a bad motherf–“, porque no final de ambos os clímax você vai sair com a música grudada na cabeça com certeza, e isso é ótimo!

The Get Down
“The Get Down” via Variety

Infelizmente a “Parte 2” foi mesmo o fechamento, mas deixou tantas coisas boas e ruins no ar nas cenas finais que eu tô de coração partido até agora só de saber que acabou. Não sei se foi planejado assim ou se eles fariam mais episódios se tivesse feito mais sucesso, mas eu particularmente queria era mais, tô doida pra tirar um fim de semana inteiro a toa pra rever porque ela merece!

She’s Beautiful When She’s Angry

Em 27.12.2016   Arquivado em Feminismo, Filmes

She's Beautiful When She's Angry, via Filmow

She’s Beautiful When She’s Angry *****
Direção: Mary Dore
Gênero: Documentário
Duração: 92 min
Ano: 2014
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Conta a história das mulheres que criaram o movimento feminista nos anos 1960, fazendo uma revolução em todos os âmbitos sociais.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: A primeira vez que ouvi falar sobre o movimento feminista onde o assunto realmente me chamou atenção foi através da minha mãe enquanto a gente assistia “The Wonders” pela milésima vez. Eu tinha uns 16 anos e falei que achava feio as dançarinas com os mamilos “marcando” na roupa, ela veio e me explicou o contexto, que houve a queima em massa de sutiãs em busca de direitos iguais, e apesar de continuar achando não achando bonito a presença daquelas meninas ali mudou de sentido na minha cabeça COMPLETAMENTE e eu passei a adorar a dancinha delas. Mas a história estava só começando… Sete ou oito anos precisaram se passar para eu começar a realmente entender do que aquilo tudo se tratava e o principal: perceber e admitir que eu fazia parte. Foi devagar, primeiro uns compartilhamentos no Facebook, depois uns posts por lá e por aqui, a perda total do medo de usar as palavras que marcam o movimento e, claro, a necessidade de ler e assistir mais sobre o assunto. E é aí que entra “She’s Beautiful When She’s Angry”, que está disponível na Netflix e conta um pouquinho sobre como a coisa se intensificou nos Estados Unidos justamente no período do qual minha mãe tinha me contado um pouquinho.

Sabe quando você tá lendo alguma postagem sobre feminismo e SEMPRE tem aquele(s) comentário(s) que diz(em) “Antes eu até entendo, as mulheres queriam seus direitos, mas as feminazis hoje em dia só querem privilégios e aparecer”? Pois é, as pessoas já diziam isso na época. Sabe quando as próprias mulheres reproduzem o machismo dizendo que se sentem bem com o que já têm e não entendem por que as outras querem mais? Sim, desde então muitas já davam esse tipo de entrevista. Sabe quando algum jornalista é MUITO babaca e fala merda na televisão pra todo mundo ver e ainda assim mantém seu emprego, não importa o quão misógino ele foi? Bom, nem preciso dizer que isso também sempre esteve presente, né! Esse documentários é FUNDAMENTAL pra entender do que se trata e ver que não importa o quanto as coisas melhorem pra gente, ainda temos um longo caminho pela frente até atingir a equidade de gêneros. É um mix de sentimentos, ao mesmo tempo que você quer gritar um “MUITO OBRIGADA” para cada uma delas pela vida melhor que temos hoje, é triste ver que muita coisa não mudou e ainda vai demorar pra mudar, e é por isso que a gente não deve NUNCA se calar diante do machismo nosso de cada dia!

Nele nós vemos relatos vindo direto das ativistas da época que ressaltam as dificuldades, prazeres, conquistas e até mesmo erros de cada etapa e organização que ia surgindo, a necessidade inacabável da representatividade e lugar de fala, chegando a causar até “brigas pelo protagonismo”: elas foram caladas por tanto tempo que não conseguiam ser ouvidas quando falavam em tom de voz normal ou mesmo gritando, e aí era preciso BERRAR, caminhar, reunir, queimar… O que eu mais gostei nele, porém, foi que alguns relatos me deram mais oportunidade de sair da minha “zona de conforto” feminista classe-média-branca-cis-hétero-com-curso-superior e ver que ali já começavam a nascer também algumas “diretrizes” que até hoje não têm muito espaço, como o feminismo negro e lésbico… Sempre que leio algum texto sobre esses assuntos tem alguém que está do “lado privilegiado” comentando que se sentiu ofendida, e confesso que já me senti muito também, mas é só abrir um pouquinho a mente que a gente vê que esse “ofensa” é a mesma que muitos homens sentem quando vêem que nós mulheres queremos ser tratadas como pessoas que somos, e não como seres inferiores, então é sempre bom entender que cada um tem lado oprimido, mas também seu lado “opressor” e ajudar a dar a voz pra quem tem mais “sacos de batata de opressão” nas costas poder colocar esse peso pra fora…

Eles têm também um site super legal que conta com informações sobre a tragetória de cada uma das entrevistadas, o trabalho da diretora, fontes de informação, uma lojinha virtual, links das redes sociais e, claro, divulgação de onde o filme pode ser assistido, acessem lá para poder se maravilhar com ele tanto quanto eu: shesbeautifulwhenshesangry.com!

Trailer:

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