Paul McCartney – One On One Tour em Belo Horizonte

Em 24.10.2017   Arquivado em Música

Independente do seu gosto musical, uma coisa a gente não pode negar: os Beatles eram e continuam sendo o grupo musical mais bem sucedido da história da música popular. Cada um dos quatro tinha sua característica artística relevante, no meu ponto de vista a gente precisa destacar George e Ringo como excelentes no seu instrumento “principal” (guitarra e bateria, respectivamente) e John como excelente poeta. Mas como músico mesmo ninguém supera Paul McCartney! Hoje com 75 anos, ele ainda é um dos artistas mais influentes DO MUNDO, e sempre foi um sonho pra mim poder assisti-lo ao vivo, de preferência aqui em Belo Horizonte… E esse sonho foi realizado uma semana atrás, dia 17 de outubro no Mineirão, onde ele e sua banda se apresentaram como parte da “One On One Tour”.

Já tem meses que estamos esperando por esse momento: eu, Dani e Pati, minhas companheiras de sempre. A última vez que fomos a um show juntas foi em 2013, então tava mais do que na hora de matar essas saudades, né? Ainda mais em grande estilo assim, já que o Paul é o Beatle favorito das três. Nós assistimos Ringo Starr seis anos atrás e já foi mágico, dessa vez tinha tudo pra ser mais ainda. A Pati só poderia chegar à noite junto com o Ronaldo, amigo dela, mas eu e Dani fomos pra fila bem cedo para pegar um lugar legal. Quando entramos no Mineirão a Pista ainda estava bem vazia, então conseguimos ficar perto do isolamento da imprensa, onde não teria ninguém ao nosso lado pra nos tampar, e logo depois nosso querido amigo Ramon se juntou a nós. De trio passamos a ser um quinteto maravilhoso bem rapidinho!

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte
Eu andando pela pista ainda praticamente vazia. Já teve post do look que usei no dia, pra quem quiser ver melhor!

O “grupo” todo se reuniu quando começou a escurecer, mas o show mesmo só começaria mais tarde. Conversamos, tiramos fotos, trememos de emoção antecipada. Faltando mais ou menos meia hora pra começar rola um DJ fazendo remixes e uma animação nos telões laterais do palco mostrando a trajetória do Paul, desde seu nascimento até os dias de hoje. É MUITO BONITINHA! A gente fica vendo aquelas fotos antiguinhas e tem algumas que já enche os olhos de lágrimas, principalmente as da época dos Beatles. O show estava marcado para 21h30, mas atrasou um pouquinho (pontualidade não tão britânica assim, hein Paul!). E assim que ele entrou no palco a galera já foi à loucura ao som de “A Hard Day’s Night”, cantando bastante e, no nosso caso, chorando também!

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte
Nossa “thurminha”: Ramon, Ronaldo, eu, Pati e Dani bem amontoadinhos esperando começar!

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte
“A Hard Day’s Night”

A sensação de ver um Beatle ao vivo é SURREAL. Eu já tinha sentido isso antes, mas nesse caso é ainda maior porque quando se trata do Paul tudo é elevado à milésima potência. Ele já está com a voz bem ruinzinha por causa da idade, claro, mas ainda assim não perde nenhuma nota ou tom, quase não para nem pra beber água! Isso sem contar a quantidade de instrumentos que toca, né? Só nessa apresentação foram uns cinco diferentes, tem vez que ele troca até dentro da mesma música. A banda também é excelente, o baterista teve vários closes no telão porque é absolutamente maravilhoso.

E esse ar impecável não está só nas músicas em si, já que não é só disso que uma apresentação desse porte é composta. O visual do palco, todo de LED, um degrau que se eleva para que ele fique no “topo do mundo”, escolha de animações e fotos e até um momento em “My Valentine” que os telões ficam em preto e branco para combinar com o clipe, é tudo minuciosamente pensado pra te encantar. No quesito “efeitos especiais” quem ganhou foi “Live And Let Die”, com fogos de todos os tipos na hora do refrão, é aquele tipo de coisa pelo qual a gente não espera e quando vê fica sem palavras pra expressar o que tá acontecendo.

Ele se esforça bastante para falar português e é engraçado porque sempre repete a mesma coisa duas vezes para ter certeza que a gente entendeu. Quando cita John Lennon é “Meu parceiro John… Parceiro John!” e por aí vai. Além da língua do país também tem o esforcinho pra usar alguma gíria local: aqui em BH era o agradecimento na sequência “Thank you! Obrigado! Valeu… Sô!”, a gente simplesmente PIRAVA e repetia pra ele. Rola muita gracinha também, mãos na cintura de “bravo” quando a plateia não para de gritar o nome sem deixar ele falar e uma reboladinha com direito a close no popô no telão. Ele parece muito ser uma mistura do “Tio do Pavê” com “vovô amigo”, fofo demais.

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte
Não lembro que música era essa, mas é da época dos Beatles…

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte
… essa também não lembro mas deve ser da era Wings!

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte
“Being for the Benefit of Mr. Kite!”

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte
“Band On The Run”

Eu tive vários “melhores momentos” em várias categorias. O fim de “Blackbird” quando várias pessoas (eu entre elas) gritaram “Fora Temer!” na platéia, “I Wanna Be Your Man” e o pedacinho de “Give Peace a Chance” que eu e as meninas já tínhamos ouvido no show do Ringo, ou seja, tivemos a oportunidade de ver metade dos Beatles cantando essas músicas, gente! Da fase “Wings” foi muito lindo ouvir “Maybe I’m Amazed”, acho que foi a hora que mais chorei! Ele também cantou a música mais antiga, quando os Beatles ainda eram The Quarrymen, “In Spite of All the Danger”, e a mais nova com Rihanna e Kanye West, “FourFiveSeconds”. Eu e Ramon fizemos um dueto inesperado em “You Won’t See Me” e me diverti até mesmo ouvindo “Being for the Benefit of Mr. Kite!” que até então era a música do Fav Four que eu mais odiava e até perdi essa antipatia toda… E “Let It Be” com as lanternas dos celulares todas acesas? Ele até agradeceu.

Mas NADA superou “Something”! Gente… O que foi aquilo? Acho que todas as outras versões dela vão perder a graça pra mim depois disso. Ele começa de boa, numa baladinha, e aí vem um solo de guitarra ABSURDO! A gente ficou com as mãos no peito sentindo o impacto sem conseguir nem cantar, de tão espetacular que foi. E aí no telão fotos deles juntos, desde umas bem novinhos até chegar na fase em que o George já estava com câncer, lindo e emocionante, musicalmente foi o ponto alto da noite. E no que se trata da “vibe da galera” a grande vencedora foi minha favorita: “Hey Jude”. Todo mundo com papéis pro alto escrito “Na Na Na Na”, dados pela Cielo na entrada, sem perder o ritmo… A emoção foi tanta que não consegui chorar, fiquei meio “agarrada”, acho que nunca vou sentir algo igual num show!

Depois ele e a banda se despedem e voltam para o bis carregando três bandeiras: a do Brasil, do Reino Unido e do Orgulho LGBT. Coisa mais linda da vida! O final também não deixa a desejar: tem o maior sucesso de todos dos Beatles, “Yesterday”, um mix da reprise de “Sgt. Peppers” e “Helter Skelter” onde todo mundo foi á loucura, “Birthday” em homenagem aos aniversariantes para fechar com o clássico “Golden Slumbers/Carry That Weight/The End”, que é provavelmente o jeito ideal de acabar com qualquer apresentação desse planeta. E então eles agradecem mais uma vez e tem uma explosão de fumaça e papeizinhos pra te deixar encantado do início ao fim, literalmente.

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte
“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”

E agora uma foto final com Dani e Pati porque sem elas eu não teria ido ao show! Quando começou a venda dos ingressos as duas compraram cada uma o seu e eu não tinha grana pra isso, então fiquei só ajudando e torcendo pra não sofrer muito quando o dia chegasse. Eis que, sem que eu sequer imaginasse, as duas se uniram para me dar isso de presente porque sem mim “não seria a mesma coisa”. Lindas demais! E a minha ainda é inteira, ou seja, custou o dobro! Meninas, vocês são incríveis, foi o melhor presente possível!

Paul McCartney: One on One Tour em Belo Horizonte

Em resumo, e parafraseando Ramon: precisamos arrumar um novo termo pra definir o que foi isso. Se for pra falar “show” tem que criar um meio de chamar todos os outros shows do planeta, porque o ESPETÁCULO que Paul McCartney dá aos seus fãs é de um nível que não existe igual. Não é a toa esses 60 anos de carreira, né gente? É claro que quando assisti Elton John no Mineirão teve um significado à parte pra mim, a emoção foi muito mais, mas no que se trata da qualidade esse está e sempre estará em primeiro lugar, em todos os aspectos. Só o que eu tenho a dizer é: Valeu, sô!

Eu cheguei a gravar algumas “cenas” para um vlog desse dia, mas infelizmente não foi o suficiente para o material ficar bacana, então não teremos vídeo dessa vez… E pra quem ficou curioso com essa setlist maravilhosa, que muda sutilmente de uma cidade pra outra, a de BH tá disponível no SetList.fm!

Elton John – 40th Anniversary of the Rocket Man em Belo Horizonte

Em 29.03.2013   Arquivado em Música, Vídeos

Quando eu fui ao show do Elton John na Praça da Aponteose, dia 19 de janeiro 2009, voltei dizendo que foi o melhor show da minha vida, que nunca haveria nenhum melhor, que estava pra chegar um dia mais especial que aquele pra mim… Em 9 de março de 2013, quatro anos depois, paguei língua! Foi o dia em que assisti a ele de novo, mas na MINHA Belo Horizonte, e agora sim eu posso dizer “I never knew me a better time and I guess I never will”!


Dêem um joinha, crianças!

No vídeo aí em cima tem uma pequena mostra de como foi esse dia incrível, mas agora eu vou contar tintim por tintim… Nós chegamos ao Mineirão (depois de rodar toda a Pampulha porque minha mãe não sabe andar lá depois das reformas) por volta das 14h30 e fomos direto pra onde o ingresso nos mandava ir. Chegamos lá e não tinha ninguém então, ótimo, formamos a fila, né? Mas eu tava achando tudo estranho, tinha um povo que não parecia que tava indo pro show, ninguém sabia informar nada… Aí fomos confundidas com o povo do “Posso Ajudar?” e foi quando finalmente consegui ser informada que estávamos na entrada de carros, que a gente podia ficar lá mas que seria melhor se fossemos para um portão que seria exclusivo para as Cadeiras Premium, então fomos e chegando lá… NÃO TINHA NEM UMA ALMA VIVA NO LUGAR. Sério. Nenhuma mesmo! A gente não sabia se ia atrás de mais informações, se formava fila… No final decidimos esperar a Pati chegar (fui com ela e a Dani na Cadeira Premium C, minha mãe e o Renato foram na Arquibancada) e acabamos sentando na grama debaixo da sombra, porque tava um Sol de lascar. Quando deu 17h30, mais ou menos, o povo começou a formar uma fila e aí fomos atrás. Foi meio burrice nossa porque poderíamos ter sido as primeiras, mas não pegar uma insolação acabou sendo melhor…

Já na fila fizemos uma amizades, tomamos Coca Cola e às 18h EM PONTO o primeiro portão abriu, para entrar para a esplanada, já que o estádio mesmo só deveria abrir às 19h, o que não aconteceu. Demorou 30 minutos depois do horário pra liberar pr’a gente entrar, teve uma confusãozinha por causa da fila prioritária, mas rapidinho estávamos correndo que nem LOUCAS pra conseguir um lugar legal, e ficamos na segunda fileira de cadeiras, do lado esquerdo que era o que a gente queria (porque é onde o piano fica), lugar super ótimo!

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Nós três na fila de fora.

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
A maior tietagem que já fiz na vida mereceu registro!!

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Nossas pulseirinhas, já lá dentro.

E foi só depois de sentar que eu senti o choque… Eu nunca fui ao Mineirão porque não gosto de futebol, mas olhando ao meu redor eu já estava certa de que ele não era daquele jeito antes da reforma, e depois me confirmaram porque ele tá lindo demais, fora das proporções. Meu padrinho (que eu encontrei lá dentro) me disse que parece outro estádio, gente, tudo organizadinho, as arquibancadas bonitinhas, os banheiros absolutamente limpos, a parte interna impecável com poltronas e tudo mais. E isso tudo somado ao fato de que estávamos nas cadeiras Premium, logo em cima do campo, então na nossa frente, onde tava o povo de cadeira marcada, tinha muito gente vestida como se tivesse indo pr’uma festa, salto alto e tudo mais. Fora que ainda rolou distribuição de Cappuccino Três Corações, nossa, foram 2 horas de puro glamour, hahahaha.

Faltando 10 minutos as luzes apagaram e eu senti meu coração acelerar. Ás 22h em ponto, britanicamente no horário, o palco se iluminou e ele entrou. Ai, gente, e eu fiquei sem conseguir mexer nenhum músculo voluntário do meu corpo, mas de repente eu tava pulando e gritando tão loucamente que uma senhora que estava lá disse “Uau, você é fã MESMO, hein?”. Eu estava alucinada, não tem outra palavra pra descrever. Ele abriu com “The Bitch is Back” e quando acabou e começou a segunda música eu caí na real e no choro junto. Nossa, foi uma sensação mil vezes melhor do que no Rio, parecia que era a primeira vez que eu o via ao vivo, mas eu sabia ao mesmo tempo que estava tendo a segunda oportunidade incrível de ter ele no mesmo lugar que eu. Não sei explicar, só sei que a moça da minha frente me entregou o binóculo dela e aí que eu chorei mesmo, nem conseguia enxergar. E aí o show foi indo, a gente sentava nas músicas mais calmas, levantava nas mais animadas. E foi quando aconteceu…

Assim que eu ouvi ele tocar o “pã-pã-pã-pã” inicial de “Goodbye Yellow Brick Road” eu saí do lugarzinho da minha cadeira e fui pra grade na frente, porque eu precisava ver aquilo o mais perto possível que minha pulseira me permitia. Só que foi só chegar lá (e tirar uma foto) que precisei voltar: eu estava aos prantos. Tenho certeza de que, até hoje, aquela música ali foi o melhor momento da minha vida. E quando voltei a Dani me abraçou e eu num tava nem aí de não conseguir assistir nada, eu só queria ouvir aquilo e continuar chorando loucamente do jeito que eu tava. O pessoal ao nosso redor achou a coisa mais fofa da vida meu desespero emocionado, hahahaha. E aí foi só a música acabar pra eu sentar e já ter que levantar chorando de novo, porque em seguida foi “Rocket Man”. Sério, duas músicas-ícone d’uma vez é sacanagem.

Tiveram vários momentos lindos. Todo mundo em pé cantando “The One”, quietinhos e sem errar… “Skyline Pidgeon” que a moça que ficou nossa amiga na fila apareceu no telão chorando (e o botton que dei pra ela apareceu junto)… “Tiny Dancer” que é uma das minhas favoritas e que foi dedicada a todas as mulheres, em especial uma lá na frente que tava fazendo aniversário. Tudo lindo! Quando eu vi que tava chegando acabando eu falei pras meninas pra irmos pra grade quando acabasse “Crocodile Rock”, que eu sabia que era no final, mas durante a música o povo foi levantando e indo devagarzinho, então nós três demos as mãos, passamos na frente de todo mundo e ficamos grudadinhas na grade até o fim. E aí quando ele saiu e voltou pro Bis desejou a todos “happiness” e “love” e fechou o show com “Your Song”. Ai. Só de lembrar eu arrepio, incrível!

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Tiny Dancer

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Philadeiphia Freedom

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Philadelphia Freedom

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Goodbye Yellow Brick Road

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Rocket Man

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Crocodile Rock

Elton John: 40th Anniversary of the Rocket Man
Biz… E fim!!

Saímos de lá e fomos pro estacionamento, e eu praticamente arrastada, porque não queria ir embora nunca mais. Foram 2 horas e meia de show, sem atrasos ou interrupções, e um SHOWZÃO, do nível que só alguém como Elton John consegue fazer. A gente riu, a gente chorou, a gente dançou, a gente lembrou de pessoas durante a música, a gente se abraçou. E eu fiz isso tudo em escala máxima! Demoramos uma hora pra conseguir sair do estacionamento e, quando chegamos em casa, fomos direto dormir… Eu tava tão rouca que não tinha nem como conversar. Tivemos que esperar o dia seguinte pra compartilhar fotos (a câmera da Pati é incrível, as dela ficaram ótimas) e, aí sim, lembrar de como foi o melhor show de todos os tempos. E só vai ter outro melhor se eu puder vê-lo de novo (dessa vez em algum lugar bem absurdo… Tipo Londres!).