5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical

Em 22.03.2020   Arquivado em Leitura

No final desse mês, mais precisamente dia 31, vai fazer 9 meses que publiquei meu primeiro livro, Wish You Were Here: Um Romance Musical, como e-book. Depois teve o lançamento da versão física (sobre o qual ainda preciso falar aqui!) e desde então ele me trouxe MUITA COISA GOSTOSA nessa vida! Cada vez que alguém lê, gosta, avalia e comenta eu sinto como se tivesse realizando mais uma vez o mesmo sonho, de novo e de novo. Acho que nunca vou me acostumar com isso: vários dos meus blogs favoritos têm resenha do meu livro! Parecia que nunca ia acontecer até que simplesmente aconteceu. Resolvi, então, contar 5 curiosidades sobre ele, pra quem já leu entender alguns aspectos e quem não conhece ainda, quem sabe, se interessar em fazer isso agora.

1. A história, originalmente, se passaria na Inglaterra

Ah, a jovem Luly, no auge dos seus 19 anos e paixão por tudo o que é porcaria britânica que via na frente, acreditando que a Inglaterra era o centro de toda a boa cultura e civilidade da Terra. Eu sei, você riu aí dela, do outro lado da dela. Eu ri de cá, também. Eu comecei essa história há MUITOS anos, no início da faculdade, com um dos calcanhares ainda na adolescência, realmente acreditando que conseguiria fazer isso. Felizmente o tempo passou, amadureci e percebi que não só NÃO PODERIA fazer isso, já que nunca sequer pisei naquele país, como também não precisava. Boas vidas são vividas nesse lindo (e complicado) Brasil, e boas histórias podem se passar aqui também. Somos tão cultos e civilizados quanto, tem problema e lindeza daqui e de lá.

Trouxe o enredo pra Belo Horizonte, MINHA cidade, mas algumas coisas se mantiveram, é claro! O título, uma música do Pink Floyd, pedia por essa trilha sonora quase toda formada por ingleses (e minha playlist idem). A linha do tempo dele, com a Marie começando a faculdade em agosto (e não fevereiro/março) permaneceu, com a justificativa que ela tinha passado para o segundo semestre da UFMG. A capa, inclusive, tem no fundo um Sol em formato da bandeira do Reino Unido e suas cores, como uma homenagem da Mari (minha amiga, que fez ela pra mim) desse acontecimento que ficou pra trás. Os nomes das personagens foram todos abrasileirados, com exceção dos protagonistas, que foram justificados.

5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical

Wish You Were Here, o e-book

2. As personagens principais têm nomes de ícones da história do rock

E aqui está a justificativa! Eu não podia perder esse detalhe, gente, Marie e David se chamavam Marie e David, com pronúncia em francês e inglês, respectivamente, e se mudasse isso não ia sentir que eles eram os mesmos mais. Isso porque ambos os nomes foram tirados de pessoas que, direta ou indiretamente, participaram a história do rock. O de David não só é explícito como MENCIONADO na história, como o motivo pelo qual sua mãe o batizou assim: David Gilmour é um dos membros do Pink Floyd, autor da música-título da história (e favorita do personagem), “Wish You Were Here”. Olha a homenagem que seria perdida aí!

Mas e a Marie? O nome francês não é justificado pela sua ascendência? Bom, no texto, sim. Mas na verdade é muito mais do que isso. Ela vive a história ao lado não só de David, mas também de sua melhor amiga, Elisa, que todos chamam de Lisa. E se você pensou em Lisa Marie Presley, filha de Elvis, ex esposa de Michael Jackson e que também teve uma carreira musical, pensei certíssimo! É, não tinha como mudar isso. Minha solução foi uma nota de rodapé, explicando como são feitas as duas pronúncias, e mantendo essas justificativas que já faziam parte do original, de qualquer forma.

Na verdade TODOS os nomes têm significado, nenhum é de origem aleatória, sendo tirados de pessoas que conheço na vida real e personagens da minha série favorita, E.R., da qual também tirei informações pra segunda metade da história (mas, ei, é spoiler!). Só que se for explicar cada um individualmente vamos ficar aqui uma eternidade, então fica pra outra hora…

3. O subtítulo foi adicionado duas semanas antes do lançamento

Durante uma década o livro se chamou “Wish You Were Here”, apenas. E durante todo esse tempo busquei um outro título pra substituir, mas novamente não consegui. Apesar de as músicas não serem realmente cantadas eu queria que ele fosse mais ou menos um filme musical, mesmo, e eles nunca têm títulos traduzidos. Eu já sabia que era problemático, mas o problema se tornou ainda maior quando foi parar numa loja internacional, como a Amazon. Como deixar claro pros leitores brasileiros que era destinado a eles, e para os de língua inglesa que NÃO era pra eles? Muito bem, com um subtítulo em português! Coloquei mil ideias na mesa e meus amigos queridos, que me ajudaram em TUDO no processo, me guiaram a chegar em “Um Romance Musical”, o que não só resume como explica a essência da história. E é legal porque, mais uma vez, seguiu a linha dos filmes do estilo, porque muitos vêm pro Brasil nessa vibe também.

5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical

Wish You Were Here, livro físico

4. A capa é inspirada em uma foto minha

Em 2015, quando alguns amigos me convenceram que eu devia terminar essa história que eu tanto amava, mas tinha abandonado por não acreditar que seria lida um dia, aproveitei que tinha uma amiga de fora visitando BH e a levei ao zoológico em um dos dias de passeio (teve vlog aqui!). Um dos motivos era revisitar a área dos mamíferos africanos e relembrar EXATAMENTE como é a grade dos elefantes, cenário da minha cena favorita da história. Enquanto estava ali, parada, admirando esse animais que amo tanto (e a Marie mais ainda), outra amiga tirou uma foto minha com eles ao fundo. Meses se passaram, mais de um ano, e no meu aniversário de 2016 abri o presente da Mari e nele tinha, dentro de um porta retratos, um cartaz minimalista da história retratando essa cena, usando minha foto como base.

Ela foi contra, num primeiro momento, a usar esse presente como capa, porque não achava legal o suficiente para isso. Já eu simplesmente não conseguia enxergar de outro jeito mais! Usava até de wallpaper do celular, pra me lembrar todos os dias que um dia ainda ia conseguir publicar. E, de fato, publicamos, todos juntos! Ela refez o trabalho todo pra ficar mais bonito ainda quando estava pra sair, mas ainda existem registros da arte original no meu Instagram e da foto que a inspirou por lá também!

5. O livro foi publicado exatamente 10 anos após Marie e David se conhecerem

No final do Capítulo 1 – Julho, Marie e Lisa estão subindo as escadas do prédio para onde recém se mudaram e trombam com um par de vizinhos que, depois, se tornam seus namorados: David e Victor. É a última semana de férias delas, dia 31 de julho de 2009, uma sexta feira – sim, olhei o calendário para escreve-lo e os eventos belorizontinos descritos na obra de fato aconteceram. O que eu, Luly, estava fazendo esse dia? Não faço a mínima ideia, tem um post aqui no blog nessa data, então o escrevi em algum momento. Mas sei EXATAMENTE o que eu estava fazendo em 31 de julho de 2019, uma década depois: lançando oficialmente o e-book do meu primeiro livro! Lembro de receber o e-amil da Amazon avisando que ele estava disponível para ser lido no Kindle. Lembro de amigos me marcando em seus Stories pra comemorar que o receberam também. Lembro de saber que jamais esqueceria aquele dia em toda minha vida, e ainda sei jamais vou esquecer!

Outra curiosidade? O epílogo também se passa em um 31 de julho, só que esse de 2010. O que aconteceu nesse um ano na vida dela só vai saber quem ler! Wish You Were Here: Um Romance Musical está disponível como e-book na Amazon Kindle por R$5,99, de graça para assinantes Kindle Unlimited, e a edição física pode ser comprada na minha loja virtual por R$40,00 já com frete incluso pra qualquer lugar do Brasil. Vocês também têm a chance de ganha-lo num sorteio que tá acontecendo até dia 11/04 lá no Instagram @retipatia, onde a Re fez uma resenha incrível dele com as fotos mais maravilhosas do planeta, cuja leitura vale a pena!

Blogagem Coletiva Interative-se

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Em 15.02.2020   Arquivado em Leitura

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher (The Princess Diarist) *****
Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher Autora: Carrie Fisher
Gênero: Autobiografia
Ano: 2016
Número de páginas: 224p.
Editora: Best Seller
ISBN: 978.854.650.018-5
Sinopse: Um relato íntimo e revelador de Carrie Fisher, a Princesa Leia de Star Wars. Carrie Fisher era uma jovem atriz iniciante quando foi chamada por George Lucas para interpretar o papel que mudaria sua vida: a Princesa Leia, de Star Wars. Inexperiente, Carrie se viu imersa em um ambiente pouco acolhedor, e buscou refúgio em diários que mantinha ao longo das gravações dos filmes. Em “Memórias da princesa: Os diários de Carrie Fisher”, a atriz conta seus melhores e piores momentos ao longo das filmagens de Star Wars e a relação que mantinha com os colegas de trabalho, além de trazer detalhes inéditos sobre sua vida pessoal e sobre como o filme mudou completamente seu modo de viver.” (fonte)

Comentários: Se você nunca ouviu falar dela com certeza, e pelo menos, já ouviu falar de sua personagem. A relação de Carrie Fisher com a icônica Princesa Leia Organa é de muito carinho, apesar dos mais diversos pesares, o que é realmente uma coisa boa uma vez que a partir do momento que foi escalada para o papel uma não existia mais sem a outra. Em “Memórias da Princesa” ela conta sua visão muito pessoal sobre como se tornou Leia e o que veio logo depois, expondo acontecimentos da época da gravação de Star Wars (hoje considerado o Episódio IV – Uma Nova Esperança) através de lembranças resgatadas 40 anos depois de tudo após encontrar os diários que mantinha à época, e essa exposição inclui a transcrição de algumas páginas do próprio, que não a deixam mentir, ainda que ela não tivesse essa intenção./p>

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Carrie não era só atriz e nem só filha de artistas. Era também escritora, e isso é claro na maneira tão bem planejada com a qual escreve esse livro: ela sabe lidar com as palavras! Às vezes tão real que parece estar logo na nossa frente, outras com poéticas metafóricas que te fazem desejar ser sua a autoria da fase lida e relida até ficar tatuada no cérebro para todo o sempre. É gostoso, mas também melancólico, assistir a maneira carinhosa com a qual ela trata seu eu se 19 anos, inocente e insegura, e como tenta fazer o mesmo com a versão contemporânea, que aos seus olhos perdeu tanto se comparado à menina que foi um dia. Dá raiva, não dela é claro, mas da sociedade que faz com que a mulher odeie tanto o ato de envelhecer a ponto de achar que isso a fez perder parte do seu valor.

Em meio a esse antes, durante e depois, lá está ele: o diário em si. Poesias de uma moça abrindo os próprios sentimentos caminham nele lado a lado com a narrativa direta que os nega o tempo todo. É MUITO FÁCIL se identificar com ela, não só quando centra sua vida num romance que ela mesma nem considera assim (já-já falarei disso), mas principalmente no medo de não ser suficiente como pessoa, na crítica ao machismo talvez sem reparar que era isso que estava fazendo, nos pequenos desesperos de alguém muito privilegiada, mas que tinha seus diversos problemas com os quais lidar ainda assim. Uma menina virando mulher, exposta por causa dos pais a vida inteira, renovando um cenário de exposição, naquele momento em sua micro esfera, mas em breve para o mundo todo.

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

A maioria das pessoas, ou pelo menos as pessoas com as quais tive a chance de conversar sobre, resumem o livro ao assunto principal abordado nele: o caso que ela manteve com Harrison Ford, que depois se tornou ser par romântico na série, à época casado com sua primeira esposa, nos três meses finais daquelas gravações. A Carrie dos diários se culpa bastante, e tem uma visão de negação e desespero muito forte de quem está vivendo o momento ainda como adolescente, e é muito bom balancear suas angústias apaixonadas com a visão de uma adulta, já idosa na verdade, que olha os acontecidos com distância e maturidade. Fui alertada de que NUNCA MAIS ia conseguir OLHAR pra ele mas, apesar de questionar fortemente muitas de suas atitudes, não o considero um vilão. Mais errado do que eles poderiam julgar quarenta anos atrás, é claro, principalmente no início. O durante em si foi entre os dois, e só eles sabem o quanto fez bem ou mal. Ainda assim, pensando em o quão jovem ela era, dá vontade às vezes que pega-la no colo e fazer carinho, dizendo que tudo ia ficar bem e que ela não precisava se esconder… Dele, dos outros homens que a rodeavam e, acima de todos, dela mesma.

“Tenho certeza, no entanto, de que, se eu tivesse princípios, o que estou fazendo agora violaria quase todos eles”
Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Página 107

A sinceridade ácida da autora não esconde riquezas, regalias, facilidades que teve em toda sua vida. Ela não se coloca no papel da “pobre garota rica”, admite isso tudo sem enganar quem está lendo sua própria história. Mas nunca, desde a primeira página, pinta a fama como algo perfeito, a experiência mais incrível que uma pessoa pode ter na sua existência. Porque não é. De fotos odiosas que invadem privacidades a diálogos fofos que, em certos momentos, tendem a se tornar incômodos, ela ama e odeia saber que as pessoas sempre fariam filas para vê-la, não importa o quão exausta estivesse de se submeter a tudo novamente. Em dado momento compara a participação em eventos de fãs, como a Comic Con, com uma “dança erótica”, mas ao invés de colocarem dinheiro em sua calcinha os fãs o trocava por provas de que, por um minuto que fosse, estiveram ao seu lado. Isso lisonjeia, claro, mas também assusta, e só estando na pele de quem vive para saber o quanto.

No centro do livro existem páginas de fotos, em papel específico e a cores, da época da produção do primeiro filme (muitas delas ao lado de Harrison), do merchandising da personagem à época e até uma mais recente, dela ao lado do seu eu de cera no Madame Tussauds. Vê-la vestida de figurinos tão clássicos (principalmente pra mim, que sou fã do universo da galáxia muito, muito distante) e associa-la às palavras escritas enquanto as fotos eram tiradas é uma experiência muito louca, transformadora, fazendo com que o mito intocável da tela pareça de fato um ser humano. “Só Carrie Fisher”, como ela mesma diz nas palavras da página final.

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Duas das páginas de fotos centrais, todas coloridas

Carrie faleceu no dia 27 de dezembro de 2016, aos 60 anos, no intervalo de gravações entre os episódios VIII e IX de Star Wars. Sua mãe, Debbie Reynolds, morreu no dia seguinte, aos 84, mas o legado das duas foi deixado em diversos tipos de arte. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Fevereiro no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é uma não-ficção. Leia também a resenha do livro de Janeiro (HQ), Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos!

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Em 23.01.2020   Arquivado em Artes Visuais, Leitura

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos *****
Autoria: Carol Borges e Filipe Remedios
Gênero: História em Quadrinhos, Romance
Ano: 2019
Número de páginas: 144p.
Editora: Independente
ISBN: 978.659.019.290-5
Sinopse: “A Batatinha Fantasma é um projeto de histórias em quadrinhos criado pelo casal de cartunistas Carol Borges e Filipe Remedios que retratam através de tirinhas as aventuras cotidianas da vida a dois! O livro tem 144 páginas com TODAS AS TIRINHAS DO PRIMEIRO ANO + TIRINHAS EXTRAS feitas exclusivamente para o livro!” (fonte)

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

No dia 27 de maio de 2018, na cama da amiga-cupida Fernanda, Carol e Remedios começaram oficialmente a namorar… E em 9 de julho do mesmo ano (véspera do meu aniversário!) fizeram a primeira publicação no Instagram Batatinha Fantasma, projeto onde contam de forma divertida, fofinha e bem mente aberta sobre seu cotidiano como casal, que lá no fundo pode ter um pouquinho de qualquer casal legal por aí… São narrações em quatro quadrinhos cada, tendo os dois como personagens principais em formato bem semelhante a o de uma batata, mesmo, mas ainda assim preservando lindamente suas características físicas.

O público foi crescendo (hoje com quase 100 mil seguidores), o projeto até fez aniversário, e no segundo semestre de 2019 eles lançaram uma campanha de financiamento coletivo no Catarse para seu primeiro livro! Nele constam todas as tirinhas do primeiro ano juntos e algumas exclusivas da publicação, coloridas em altíssima qualidade. Sendo bem sincera, não sei como ou quando comecei a acompanha-los, mas a campanha caiu na mesma época em que estava rolando a minha para publicar Wish You Were Here: Um Romance Musical, então eu estava cheia de amor no coração causado pelas contribuições que estavam chegando… Não aguentei, participei da deles como forma de devolver o carinho que vinha recebendo, ao mesmo tempo em que apoiava artistas nacionais que adoro nesse momento tão triste de pouquíssimo incentivo político na área.

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Folha de rosto autografada

Como planejado e anunciado por eles, o pacotinho chegou agora, na segunda quinzena de janeiro. O livro é LINDO, quadrado tamanho 20x20cm, capa em tom de amarelo mega vibrante (afinal são batatinhas, né?) e o miolo em papel pólen bold 90g/m², tem o toque super gostoso ao folear. A leitura é super rápida, principalmente pra mim que já tinha lido praticamente todas, mas causa risadas e aquele “quentinho” no coração ao ver os dois vivendo juntos de forma absolutamente normal, porque a normalidade merece mesmo ser enaltecida. Aqui e ali rolam também alguns textos mais sérios, como na época do “Ditadura Nunca Mais” e na Carol apreensiva esperando a confirmação de uma amiga que ainda não chegou em casa (abaixo), e isso faz com que eu goste do conteúdo ainda mais.

A campanha no Catarse deu muito certo, e ainda bem! Eles arrecadaram 160% da meta proposta, o que permitiu adicionar “extras” para os compradores de algumas recompensas selecionadas. Eu tinha escolhido o plano Batata Frita, onde além do livro físico autografado ainda receberei a versão digital em PDF e um kit de figurinhas para Whatsapp, mas quando acabou já tinham juntado grana o suficiente para mandar também adesivo e um print de arte exclusiva. Veio tudo embaladinho, com o maior cuidado e carinho do mundo… O tipo de coisa que vale a pena ter na parte mais bonita da estante (e, no caso do print, na parede, porque é CLARO que vou emoldurar)!

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Página 25

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Página 101

A melhor parte de todas, porém, foi que o livro chegou aqui na hora certa. Eu tava super animada em participar do Desafio Leia Mulheres 2020, mas quando vi que logo pra janeiro a sugestão era uma HQ supus que não conseguiria desde o início… Acredita que HORA NENHUMA eu pensei nesse, que já estava comprado há meses, pronto pra chegar em casa e casando direitinho com a ocasião? Tô bem feliz com o início dessa “meta de ano novo” inesperada e tentarei fazer resenha de todos ao longo desses 12 meses. Vai ser ótimo principalmente porque nos últimos anos não li quase nada, então nesse pelo menos um por mês sei que vai rolar, e já abrindo com chave de ouro!

Para conhecer mais do trabalho dos dois vocês podem segui-los no Instagram não só no perfil @batatinhafantasma,que vai ganhar uma lojinha em breve onde todos poderão comprar o livro, mas também em @carolborgesart pra ver as ilustras da Carol, @caixadoremedios e @desenhosdoremedios onde o Remedios publica seus quadrinhos e desenhos, respectivamente.

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Batatinha no “andar” das artes da minha estante!

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Em 12.09.2019   Arquivado em Leitura

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania *****
fica por aqui: Uma história de Vento Ventania Autor: Augusto Alvarenga
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto
Ano: 2018
Número de páginas: 98p.
Editora: P.S.: Edições
ISBN: 978.658.077.703-7
Sinopse: “O fim do caminho às vezes é um recomeço. É assim que a vida surpreende Murilo. Prestes a abrir mão de si mesmo, ele se sente desamparado e lidando com problemas que parecem pesados demais para continuar carregando. No topo de uma ponte, ele está no ponto emocional mais baixo que poderia alcançar, quando a rotina de Leandro resolve desviar o rumo e colocar os dois no mesmo trilho. Percebendo a importância de ser presente, Leandro resolve mostrar caminhos alternativos para qualquer destino, tentando despertar em Murilo a esperança de dias melhores, possibilidades e a certeza de uma ajuda brilhante em qualquer céu nublado.” (fonte – capa e sinopse)

“Talvez eu me sinta quase sempre assim, cercado por coisas demais e sem conseguir chegar a um lugar onde eu me sinta bem.”

Comentários: Cinco anos atrás, na véspera do segunda turno das eleições presidenciais, Augusto Alvarenga lançou seu primeiro livro, “Um Amor, Um Café e Nova York”. Foi nesse dia que eu conquistei o coração da “mamãe Alvarenga” por ter chorado HORRORES da hora que vi a foto dele na orelha do livro até o abraço compartilhado após o autógrafo recebido (tem foto aqui!). No ano seguinte, lançamento da continuação, mais lágrimas. Mas, sabe, é difícil não chorar quando você tem o sonho de publicar um livro – agora enfim realizado – e vê um amigo com o mesmo sonho conseguindo isso, principalmente uma completa manteiga derretida como eu!

Um spin off do próximo lançamento do autor, previsto para o ano que vem, fica por aqui se passa na ilha fictícia de Vento Ventania, onde Murilo vive. Aluno da UFVV – Universidade Federal de Vento Ventania, o rapaz sofre de depressão há muitos anos e está prestes a desistir da própria vida quando Leandro, aluno de outro curso na mesma faculdade que sequer conhece, cruza seu caminho, o impedindo de fazer isso sem nem saber o quão certeiro foi o momento em que a vida os colocou no mesmo local, na mesma hora. Os dois iniciam então, meio sem perceber, uma breve jornada rumo ao entendimento da luta contra suicídio através da descoberta do Setembro Amarelo.

De acordo com o Guto, a ideia veio no final de agosto de 2018, quando uma notícia de suicídio ocorrido no Viaduto Santa Tereza, aqui em Belo Horizonte, parou a cidade, literalmente, uma vez que tanto o trânsito da região central quanto a linha de metrô foram comprometidos. Ele ficou pensando, então, sobre o assunto e, vendo o mês de prevenção contra a prática se aproximar, resolveu reescrever aquela história do seu jeito, com outras pessoas, mas dando a ela o final não trágico que merecia ter. O conto foi publicado como ebook na Amazon no mês seguinte, propositalmente, e agora ganhou sua versão física, levemente estendida, mais uma vez como parte desse alerta. O título não se refere apenas a Murilo, e sim a toda pessoa que, por causa de transtornos mentais, cogita ou já cogitou desistir.

Como alguém que o acompanha desde o começo, ou mesmo antes disso, é IMPOSSÍVEL deixar de destacar o quanto sua escrita amadureceu. É claro, meia década se passou desde o primeiro romance publicado, o amadurecimento é esperado, mas nesse caso foi positivamente gritante. A ´trama não é nada leve, mas flui de maneira gostosa, tem seus momentos que soam como poesia, mas sempre de fácil entendimento. É crível, pode estar acontecendo agora mesmo. Apesar da narrativa curta, em 90 páginas, as personagens têm personalidade e falam sobre seus gostos e costume casualmente, como em uma conversa qualquer que temos no nosso cotidiano, mesmo.

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Como aspecto “negativo”, se podemos dizer assim, tem fato de que o enredo é tão rápido que a gente sente falta de um desfecho mais elaborado. Ele termina causando MUITA curiosidade no que aconteceu dali pra frente, mas isso na verdade não importa, porque a mensagem principal é passada: você não está sozinho, você pode conseguir apoio. Ele não romantiza hora nenhuma a depressão, mas aponta, através dessa dupla fictícia, onde é possível ao leitor ter ajuda contra esse e outros transtornos mentais na vida real, seja para si próprio ou para alguém próximo que precisa.

“Eu não sei quando começou. É muito difícil saber… Ela vem devagar. Ela vai te anulando aos poucos.”

Um aspecto maravilhoso e maior diferencial de todos os livros do autor é, definitivamente, a diagramação. O livro é todo lindo, desde a arte da capa até páginas de troca de mensagem, informações nas bordas e um detalhe pequeno, mas que deixa ainda mais tocante: a diferenciação das duas narrações através de ícones de nuvem, nublado para Murilo e com o Sol saindo para Leandro. Faz todo sentido dentro do contexto! Ele também tem uma playlist no Spotify fácil de achar, só buscar pelo título, com todas as músicas que fazer parte do percurso, direta ou indiretamente. Os detalhes são todos em preto e amarelo, pra destacar bem o fato de ser uma publicação focada numa campanha que tem essa última como cor característica, apenas com um roxo aqui e outro ali criando contraste lindo típico da união de tons complementares…

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Conheça mais do Augusto no Instagram @instaguto, Twitter @tuiteguto e perfil de autor Skoob. Você pode adquirir o “fica por aqui” como eBook na Amazon Kindle e na versão física direto com o autor. Ele também já publicou, além da trilogia “Um Amor, Um Café e Nova York”, os romances “1 + 1: A Matemática do Amor” junto com Vinicius Grossos, “As Luzes Mais Brilhantes”, e participou de duas antologias com outros escritores. Que venha o próximo!

Eu Te Darei o Sol

Em 28.08.2019   Arquivado em Leitura

Eu Te Darei o Sol: O amor é apenas a metade da história (I’ll Give You the Sun) *****
Eu Te Darei o Sol Autor: Jandy Nelson
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto, Romance
Ano: 2015
Número de páginas: 384p.
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-858-16-3646-7
Sinopse: “Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.
Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.”
(fonte – capa e sinopse)

“Lixo espacial. (…) O céu está sempre despencando. Sempre. Você vai ver. As pessoas não têm ideia.”

Comentários: Fazia muito tempo que eu não sentava e lia um livro de ficção novo, talvez o último tenha sido mais ou menos dois anos atrás. Mais tempo ainda tinha que lia um livro que me deixava completamente apaixonada. Sabe quando você não quer se desgrudar da história nos trechos de alegria, tem vontade de jogar tudo longe nos de raiva e sente um alívio GIGANTESCO quando aquele momento tão esperado enfim acontece, como se fosse com você? Sabe quando suas próprias lembranças são despertadas nos pontos mais cruciais da história? Foi isso que senti lendo Eu Te Darei o Sol. Um presente de aniversário que ganhei de uma amiga em 2017, mas que felizmente não li na época. Porque aquele foi o ano em que eu “morri”, simplesmente não vivi, e não conseguiria aproveitar a grandeza dele como aproveitei agora – nesse agora específico, então, mais que nunca!

Eu Te Darei o Sol

O livro trata do ponto de vista de um casal de irmãos gêmeos em momentos distintos da vida dos dois, antes e depois de uma tragédia que mudou tudo na vida deles. Noah é apresentado aos 13/14 anos, descobrindo sua sexualidade, explorando uma sonhada carreira de pintor que pode começar de vez na escola de artes onde tanto anseia estudar. Já Jude narra sua vida aos 16, quando ela e o irmão já não têm a conexão que tiveram durante toda sua vida após competir por uma vaga nessa mesma escola, onde ela pretende estudar escultura, e pela atenção das pessoas mais importantes de suas vidas: seus pais e alguns garotos deveras interessante. Mentiras, boicotes e muita dor passam a ser parte da vida deles, tornando a distância inevitável e a reaproximação um sonho quase distante…

“Encontrar sua alma gêmea é como entrar numa casa onde você já esteve – você vai reconhecer a mobília, os quadros na parede, os livros nas prateleiras, as coisas nas gavetas: você é capaz de se localizar no escuro, se precisar.”

O fato de a história tratar de dois artistas é uma peculiaridade a mais que deixa esse conjunto ainda mais interessante. Para quem entende de arte é maravilhoso pegar as referências e saber exatamente do que eles estão falando naquele momento, e quem não entende provavelmente vai correr pro Google e, enfim, entender. Um pinta, a outra esculpe, então é arte variada para se explorar e aprender. Tudo isso misturado com questões ainda mais profundas: homossexualidade, espiritualidade, traição, até mesmo hipocondria. O que mais gostei foi o modo como, ao se afastar, os dois protagonistas simplesmente trocam de personalidade, de modo que você vê um no outro tão claramente que isso só pode significar que estão compensando essa ausência. Por mais que seus estímulos venham do amor romântico, uma coisa é clara: o Sol que ilumina a história, que é dado e compartilhado, é o amor de irmãos!

Eu Te Darei o Sol

Jandy Nelson tem uma escrita de tirar o chapéu e se curvar em seguida. Ela cria uma extensa poesia de quase 400 páginas disfarçada de romance jovem adulto que, apesar de ser protagonizado por adolescentes, é tão denso que mexe com a cabeça de qualquer um. A princípio pensei que a narrativa de Jude ia atrapalhar a de Noah, por dar alguns “spoilers” do que aconteceu três ou dois anos depois do que ele está contando, mas isso não acontece. Os dois se complementam. Quando o capítulo de um acaba você lamenta, pensando que é impossível que o que vem a seguir desperte tanto sua curiosidade quanto, mas essa sensação vai se repetindo sucessivamente até o livro acabar. Senti tanto ÓDIO da Jude, de o sangue talhar, que achei que jamais poderia perdoá-la, não importa o que viesse a acontecer, para em seguida ter vontade de abraça-la e tirar todo o peso do mundo de suas costas. Noah me fez rir, recordar, chorar, sentir medo e alívio, cada hora uma coisa e tudo ao mesmo tempo. Duas personagens complexas, humanas, controversas, maravilhosas! Seus pares românticos também são incríveis e têm suas vidas cruzadas às deles de forma inacreditável e, ao mesmo tempo, crível, seja lá como isso é possível.

“Vamos lá, o que é ruim para o coração é bom para a arte. A horrível ironia da nossa vida como artistas.”

Foi muito gostoso para mim, como autora recém publicada, ser apresentada a essa escrita justamente nesse momento. Me inspirou a seguir em frente, a produzir mais, a ousar sem medo de me expor ao máximo, em colocar no papel o que na verdade é simples, mas parece rebuscado. Porque esse livro é assim. Eu Te Darei O Sol é uma obra que faço questão de emprestar a quem quiser ler, que agradeço por ter sido presenteado com, que encheu meu coração de esperança ao descobrir que tem uma chance de ser adaptado para filme pela Warner (fonte). Me fez cantar mentalmente ‘Dia Branco”, de Geraldo Azevedo, o tempo todo, quase como se fosse sua trilha sonora oficial. Me deixou morrendo de vontade de ler “O Céu Está Em Todo Lugar”, da mesma autora e também publicado no Brasil pela Novo Conceito com uma capa bem semelhante, o que faz deles quase um “time”.

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