fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Em 12.09.2019   Arquivado em Leitura

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fica por aqui: Uma história de Vento Ventania Autor: Augusto Alvarenga
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto
Ano: 2018
Número de páginas: 98p.
Editora: P.S.: Edições
ISBN: 978.658.077.703-7
Sinopse: “O fim do caminho às vezes é um recomeço. É assim que a vida surpreende Murilo. Prestes a abrir mão de si mesmo, ele se sente desamparado e lidando com problemas que parecem pesados demais para continuar carregando. No topo de uma ponte, ele está no ponto emocional mais baixo que poderia alcançar, quando a rotina de Leandro resolve desviar o rumo e colocar os dois no mesmo trilho. Percebendo a importância de ser presente, Leandro resolve mostrar caminhos alternativos para qualquer destino, tentando despertar em Murilo a esperança de dias melhores, possibilidades e a certeza de uma ajuda brilhante em qualquer céu nublado.” (fonte – capa e sinopse)

“Talvez eu me sinta quase sempre assim, cercado por coisas demais e sem conseguir chegar a um lugar onde eu me sinta bem.”

Comentários: Cinco anos atrás, na véspera do segunda turno das eleições presidenciais, Augusto Alvarenga lançou seu primeiro livro, “Um Amor, Um Café e Nova York”. Foi nesse dia que eu conquistei o coração da “mamãe Alvarenga” por ter chorado HORRORES da hora que vi a foto dele na orelha do livro até o abraço compartilhado após o autógrafo recebido (tem foto aqui!). No ano seguinte, lançamento da continuação, mais lágrimas. Mas, sabe, é difícil não chorar quando você tem o sonho de publicar um livro – agora enfim realizado – e vê um amigo com o mesmo sonho conseguindo isso, principalmente uma completa manteiga derretida como eu!

Um spin off do próximo lançamento do autor, previsto para o ano que vem, fica por aqui se passa na ilha fictícia de Vento Ventania, onde Murilo vive. Aluno da UFVV – Universidade Federal de Vento Ventania, o rapaz sofre de depressão há muitos anos e está prestes a desistir da própria vida quando Leandro, aluno de outro curso na mesma faculdade que sequer conhece, cruza seu caminho, o impedindo de fazer isso sem nem saber o quão certeiro foi o momento em que a vida os colocou no mesmo local, na mesma hora. Os dois iniciam então, meio sem perceber, uma breve jornada rumo ao entendimento da luta contra suicídio através da descoberta do Setembro Amarelo.

De acordo com o Guto, a ideia veio no final de agosto de 2018, quando uma notícia de suicídio ocorrido no Viaduto Santa Tereza, aqui em Belo Horizonte, parou a cidade, literalmente, uma vez que tanto o trânsito da região central quanto a linha de metrô foram comprometidos. Ele ficou pensando, então, sobre o assunto e, vendo o mês de prevenção contra a prática se aproximar, resolveu reescrever aquela história do seu jeito, com outras pessoas, mas dando a ela o final não trágico que merecia ter. O conto foi publicado como ebook na Amazon no mês seguinte, propositalmente, e agora ganhou sua versão física, levemente estendida, mais uma vez como parte desse alerta. O título não se refere apenas a Murilo, e sim a toda pessoa que, por causa de transtornos mentais, cogita ou já cogitou desistir.

Como alguém que o acompanha desde o começo, ou mesmo antes disso, é IMPOSSÍVEL deixar de destacar o quanto sua escrita amadureceu. É claro, meia década se passou desde o primeiro romance publicado, o amadurecimento é esperado, mas nesse caso foi positivamente gritante. A ´trama não é nada leve, mas flui de maneira gostosa, tem seus momentos que soam como poesia, mas sempre de fácil entendimento. É crível, pode estar acontecendo agora mesmo. Apesar da narrativa curta, em 90 páginas, as personagens têm personalidade e falam sobre seus gostos e costume casualmente, como em uma conversa qualquer que temos no nosso cotidiano, mesmo.

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Como aspecto “negativo”, se podemos dizer assim, tem fato de que o enredo é tão rápido que a gente sente falta de um desfecho mais elaborado. Ele termina causando MUITA curiosidade no que aconteceu dali pra frente, mas isso na verdade não importa, porque a mensagem principal é passada: você não está sozinho, você pode conseguir apoio. Ele não romantiza hora nenhuma a depressão, mas aponta, através dessa dupla fictícia, onde é possível ao leitor ter ajuda contra esse e outros transtornos mentais na vida real, seja para si próprio ou para alguém próximo que precisa.

“Eu não sei quando começou. É muito difícil saber… Ela vem devagar. Ela vai te anulando aos poucos.”

Um aspecto maravilhoso e maior diferencial de todos os livros do autor é, definitivamente, a diagramação. O livro é todo lindo, desde a arte da capa até páginas de troca de mensagem, informações nas bordas e um detalhe pequeno, mas que deixa ainda mais tocante: a diferenciação das duas narrações através de ícones de nuvem, nublado para Murilo e com o Sol saindo para Leandro. Faz todo sentido dentro do contexto! Ele também tem uma playlist no Spotify fácil de achar, só buscar pelo título, com todas as músicas que fazer parte do percurso, direta ou indiretamente. Os detalhes são todos em preto e amarelo, pra destacar bem o fato de ser uma publicação focada numa campanha que tem essa última como cor característica, apenas com um roxo aqui e outro ali criando contraste lindo típico da união de tons complementares…

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Conheça mais do Augusto no Instagram @instaguto, Twitter @tuiteguto e perfil de autor Skoob. Você pode adquirir o “fica por aqui” como eBook na Amazon Kindle e na versão física direto com o autor. Ele também já publicou, além da trilogia “Um Amor, Um Café e Nova York”, os romances “1 + 1: A Matemática do Amor” junto com Vinicius Grossos, “As Luzes Mais Brilhantes”, e participou de duas antologias com outros escritores. Que venha o próximo!

Fake

Em 12.02.2016   Arquivado em Leitura

Fake

Fake *****
Autor: Felipe Barenco
Gênero: Jovem adulto
Ano: 2014
Número de páginas: 264p.
Editora: UMÔ
Sinopse: “‘Fake’ é um YA nacional com temática gay. Conta a história de Téo, que está prestes a completar vinte anos e acabou de passar para o curso de Direito. Não bastasse a euforia em começar a faculdade, ele se apaixona por Davi, um garoto que chegou ao Rio de Janeiro para ser ator.” (fonte)

Comentários: Durante a leitura desse livro eu estabeleci uma forte relação de amor e ódio com o autor em que muitas vezes o amor foi mais forte, mas em algumas outras, confesso, o ódio venceu. Ainda assim gostei MUITO e fiquei feliz que minha primeira leitura do ano tenha sido tão positiva.
Fake conta a história de Téo, um rapaz carioca que enfrenta vários dos dilemas que um jovem adulto se vê enfrentando normalmente: a nova vida universitária, os problemas familiares, questões financeiras, a vontade de estar em um relacionamento e seu maior questionamento de todos: quando, como e SE contar à família sobre o fato de ele ser gay.
E é nesse turbilhão de pensamentos e sentimentos que ele conhece Davi, que acabou de chegar ao Rio para tentar carreira de ator. Ele se encanta imediatamente e os dois começam o que parece se um super romance, marcado por beijos no banheiro do shopping e uma vontade incontrolável de correr atrás!

Acho que preciso começar a falar dos pontos positivos, porque encontrei vários. Vamos começar com o fato de que estou numa vibe muito forte de ler dramas e romances atuais, desses que eu posso até achar que está acontecendo ao mesmo tempo em que estou lendo, então quanto mais real for a história e as personagens melhor, e é o caso. Ultimamente não estou com paciência para “histórias dos sonhos” onde tudo magicamente dá certo sem que o protagonista nem ao menos tente: eu gosto do final feliz, mas quero que ele seja possível de se acreditar, que seja pé no chão, que possa ser comigo ou com um amigo meu, quem sabe! E isso o livro tem de sobra, é coerente quando se trata de datas, locais e experiências, coisa que já vi faltando em alguns autores nacionais e são mais detectáveis nesse caso porque é uma realidade próxima da nossa, fácil de checar se é real ou fantasiosa. Além disso a maneira como o autor escreve é ÓTIMA, ele é poético mesmo com um linguajar direto e informal, usa até emoticons que deixam algumas cenas ainda mais engraçadas, sem contar algumas citações que dá pra levar pra vida!
Outra coisa muito positiva é que você se apega facilmente às personagens certas e já antipatiza com as erradas mesmo que o protagonista, que está narrando a história, não faça o mesmo, porque ele mesmo admite quando está errado e até que persiste em seus erros. Sabe quando a gente sabe que está fazendo “papel de trouxa” e comenta com os amigos, mas continua nessa mesmo assim? Isso acontece várias vezes no livro, mas ele é um ser humano como qualquer um e não sabe ser unicamente racional ou emocional em todos os momentos, é um balanço dos dois, sempre. Dá muita vontade de ser amiga dele, de verdade… Mas minha personagem favorita na história foi a avó do Téo, ela é a coisa mais fofa e dá muita vontade de abraçar, além de causar as principais lágrimas da história!
Existe um outro fator que é umas das temáticas principais do livro, está presente o tempo todo e que eu NÃO POSSO FALAR QUAL porque é revelar muito sobre o enredo, mas que acho importante que existam livros atuais abordando. Quem leu obviamente sabe do que estou falar e quem quiser saber pode procurar o livro porque está praticamente em todas as páginas dele.

O que achei de negativo foram alguns discursos durante a história e que fazem parte desse “realismo” todo, porque já vi os mesmo argumentos sendo usados por alguns amigos e conhecidos, e me incomoda que sejam perpetuados assim. Acho que um livro como esse, que aborda a temática de um jovem gay tentando superar os desafios que a sociedade põe na sua sexualidade, não devia perpetuar outros preconceitos semelhantes. Sei que todo mundo tem preconceitos, eu também tenho, e sei também que aquele pode ser o pensamento da personagem e não do autor propriamente dito (apesar de que não é o que ficou parecendo), mas argumentos como “não existe bissexual” e alguns discursos machistas do tipo “eu era a menininha da relação” me incomodaram MUITO. Sério, não posso fingir que não me irritou, foi tanto que até mandei mensagens indignadas para os amigos que sabiam que eu estava lendo o livro.

A capa é LINDA e absolutamente significativa, é só uma das coisas que te fazem chegar ao final do livro com a certeza de que aquilo é um relato real! No geral gostei bastante, li todo em uma tarde só por ser super rápido e também porque estava doida para saber o final, muito bacana ver um livro brasileiro de temática jovem alcançando um público tão grande e melhor, saber que existe uma interação bacana entre o autor e os leitores. Para saber mais sobre ele ou entrar em contato é só entrar no site: http://livrofake.com.br/

Fake