Com Amor, Simon: representatividade, identificação, emoção!

Em 10.04.2018   Arquivado em Filmes

Com Amor, Simon

Com Amor, Simon (Love, Simon) *****
Elenco: Nick Robinson, Katherine Langford, Alexandra Shipp, Jorge Lendeborg Jr., Keiynan Lonsdale, Logan Mille, Jennifer Garner, Josh Duhamel, Alex Sgambati, Clark Moore, Colton Haynes, Mackenzie Lintz, Miles Heizer, Natasha Rothwell, Talitha Bateman, Tony Hale, Tyler Chase
Direção: Greg Berlanti
Gênero: Drama, Romance
Duração: 109 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Aos 17 anos, Simon Spier aparenta levar uma vida comum, mas sofre por esconder um grande segredo: não revelou ser gay para sua família e amigos. E tudo fica mais complicado quando ele se apaixona por um dos colegas de classe, anônimo, na internet.” Fonte: Google (sinopse e pôster).

Comentários: Simon Spier é um adolescente com a vida bem comum. Ele sai com seus amigos, ajuda o pai a fazer um presente de aniversário de casamento para a mãe, vai à escola, coloca fotos de viagens e ícones dos filmes que gosta no mural que tem na parede do seu quarto. Porém ele tem um segredo, o maior de todos , que não quer mais precisar guardar, mas também não sabe como revelar a todos. Simon é gay. Nesse contexto ele descobre que um colega anônimo, Blue, vive a mesma coisa e resolve se comunicar com ele, também anonimamente, via e-mail, sob no nome de Jacques. Só que alguém acaba descobrindo o contato entre os dois e revelando a todos seus colegas o forçando a “sair do armário” antes que estivesse pronto pra isso.

Baseado no livro “Simon vs. a Agenda Homosapiens” de Becky Albertalli, o filme “Com Amor, Simon” é uma história adolescente que traz algo que ainda está a falta nas grandes produções de cinema norte americanas: um romance gay leve! É claro que ele tem questões com a sua sexualidade, e claro que elas são mais complexas do que seriam se fosse hétero, mas ainda assim não é o tipo de filme que te deixa cheio de agonia ou traz lágrimas de tristeza. As lágrimas sim, claro, o tempo inteiro, mas a grande maioria delas de emoção e alegria. Eu fui à pré-estreia há quase um mês, junto com alguns outros convidados, e desde então estou pensando em como expressar tudo o que queria dizer sobre ele… Sendo assim resolvi descrevê-lo em três palavras e desenvolver essa “resenha” a partir delas: representatividade, identificação e emoção!

Psiu! Prestenção! O conteúdo principal desse post está em forma de “fala” num vídeo postado no meu canal do YouTube. Se você estiver afim de ler, é só continuar aí em baixo! Mas se tiver mais interessado em ouvir corre lá pra conferir!

Representatividade

O tema principal por si só já é representativo, né? Afinal fala sobre as dificuldades de viver o amor de forma leve por parte da comunidade LGBT! Simon é um jovem imaginativo que expõe várias situações que mostram essas grandes diferenças, como por exemplo o fato de ele precisar contar à toda a população que é gay, enquanto seus amigos não precisam fazer o mesmo já que a heterossexualidade já é esperada e não causa nenhum tipo de reação forte ao ser manifestada. Também mostra as diferenças de personalidade que as pessoas podem apresentar e que isso é ok. Simon é “discreto”, ninguém desconfia da sua sexualidade, enquanto seu colega de sala Ethan, já assumido, é o esteriótipo no jeito de vestir, agir e falar… E TÁ TUDO BEM! Os dois merecem igual respeito e direito de ser quem são e quem querem ser! Quem não entende isso é que está infinitamente errado…

O filme também tem vários personagens negros, eles são maioria entre os amigos mais próximos do protagonista sem o clássico “garoto negro metido a engraçadão” e “menina negra exclusivamente gostosa”. Não, todos eles têm personalidades variadas como a de qualquer ser humano. Aliás, outro ponto legal, isso é bem presente no filme todo. Eles não são super populares e nem super excluídos, apenas… Adolescentes! Claro que tem o cara babaca meio ned e tudo mais, mas até ele tem mais de um lado, não é só uma coisa o tempo todo.

Com Amor, Simon

Foto do The Playlist

Identificação

É claro que o filme em como principal objetivo abraçar jovens gays para que se aceitem, mas acaba também trazendo o reconhecimento de si próprio pra quem não está nesse grupo. Eu sou mais de dez anos mais velha que Simon, estamos em momentos da vida muito diferentes, e ainda assim consegui me identificar com ele… Principalmente nas suas conversas com Blue, onde ele nunca sabia o que digitar e pirava com qual poderia ser a resposta para o que tinha escrito… Em um momento uma amiga que estava ao meu lado falou “Podia ser ‘Com amor, Luly’ né!” porque sou bem assim… Também consegui sentir bem no fundinho do peito o aperto que foi o diálogo dele com sua melhor amiga de infância quando ela questiona o porquê de ele não ter contado a ela, já que o mesmo aconteceu comigo e um dos meus amigos mais antigos. Desde que ele me contou que era gay eu sentia uma certa tristeza por ter demorado tanto, como se houvesse a possibilidade da minha reação ser negativa, mas a fala dos dois ali se encaixou tão bem na minha vida que me veio um grande alívio, além da maior quantidade de lágrimas da noite.

Foi muito bacana estar numa sessão “especial”, com bate papo e tudo mais, porque tinha MUITA gente ali que levou os pais, que logo em seguida deram seus depoimentos sobre o que tinham visto. Fiquei imaginando como eles se sentiram vendo os pais do Simon descobrindo o filho e sua reação… Principalmente a mãe, interpretada por Jennifer Garner que está inda como sempre! Tenho um amigo que resolveu se revelar para sua família quando saiu do cinema, confiram a resenha super emocionante que ele escreveu também! Pra mostrar a força que um enredo aparentemente tão simples traz em nossas vidas…

Leia também: Garoto Encontra Garoto, resenha de um romance gay por David Levithan

Emoção

“Todo mundo merece uma grande história de amor” é o lema escolhido pela Fox par a divulgação, e não podia ser mais certeiro. Com Amor, Simon fala não só do amor romântico, mesmo que esse seja seu foco, mas também de amor fraterno! De como ele pode ser imperfeito às vezes, mas ainda assim nos ajudar a vencer as diversas fases difíceis da vida e, claro, a própria falta de amor. É pra trazer emoção pra pessoas de todas as idades, todos os gêneros, porque consegue passar o sentimento de um garoto e levar direto para o espectador. É pra quem a tem a mente aberta curtir do começo ao fim e quem tá precisando abrir ter o “empurrãozinho” que faltava pra isso acontecer!

E você aí, é de BH e ficou querendo ver o filme? Estou com dois pares de ingressos para dar aos leitores do blog que quiserem conhecer a história de Simon também! Os dois primeiros que disserem “Eu quero, Luly!” aí nos comentários e puderem pegar diretamente comigo no Centro da cidade entre quinta feira e sábado, ou na Fnac do BH Shopping dia 22, levam! Não esqueça de deixar alguma forma de contato pra gente combinar, hein Eles são válidos para ser usados de segunda à quarta, enquanto estiver em cartaz.

Trailer:

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Todos, Nenhum: Simplesmente Humano

Em 03.10.2017   Arquivado em Leitura

Uma rápida olhada nas minhas leituras dos últimos dois anos deixa bem claro que eu tenho MUITO interesse em livros com personagens LGBT e com transtornos mentais. O primeiro porque eu PRECISO entender o que os outros passam para ter cada vez mais empatia por suas causas, ainda que de certa forma já tenha o bastante. O segundo, claro, para aceitar o que vivo dentro da minha cabeça mesmo. Quando a Lili me disse que estava terminando um livro sobre uma pessoa gênero fluído (que, por sinal, tem Transtorno de Ansiedade), então, de cara pedi emprestado para poder ler também. Principalmente porque a fluidez de gênero é algo sobre a qual nunca tinha pesquisado antes, que não vemos todos os dias. E foi assim que conheci o autor Jeff Garvin e seu “Todos, nenhum: simplesmente humano”.

Todos, nenhum: simplesmente humano

Todos, nenhum: simplesmente humano (Symptoms of Being Human) *****
Autor: Jeff Garvin
Gênero: Drama, LGBT
Ano: 2017
Número de páginas: 400p.
Editora: Plataforma21
ISBN: 978-859-27-8309-9
Sinopse: “Riley Cavanaugh é um ser humano com muitas características: perspicaz, valente, rebelde e… gênero fluido. Em alguns dias, se identifica mais como um menino, em outros, mais como uma menina. Em outros, ainda, como um pouco dos dois. Mas o fato é que quase ninguém sabe disso. Depois de sofrer bullying e viver experiências frustrantes em uma escola católica, Riley tem a oportunidade de recomeçar em um novo colégio. Assim, para evitar olhares curiosos na nova escola, Riley tenta se vestir da forma mais andrógina possível. Porém, logo de cara recebe o rótulo de aquilo. Quando está prestes a explodir de angústia, decide criar um blog. Dessa forma, Riley dá vazão a tudo que tem reprimido sob o pseudônimo Alix. Numa narrativa em que o isolamento é palpável a cada cena, Jeff Garvin traça um poderoso retrato da juventude contemporânea. Somos convidados a viver a trajetória de Riley e entender o quê, afinal, significa ser humano.” (fonte)

Todos, nenhum: simplesmente humano

Comentários: O livro conta a história de Riley Cavanaugh, que aos 16 anos ouve música em discos de vinil, só come comida vegana e acaba de sair do colégio católico onde estuda para tentar fugir do bullying em uma escola pública. Seu pai é deputado, o que torna a vida de sua família extremamente tumultuada e visada, principalmente durante uma fervorosa campanha de reeleição… Riley tenta lidar e esconder o fato de que é gênero fluido. Alguns dias a “bússola” acorda extremamente feminina a ponte de desejar usar um vestido bufante, em outros bem masculina e a vontade é andar pesado pelos corredores usando os jargões dos meninos. Para evitar esses extremos sua aparência é bastante “andrógena”, o que para os colegas chega a ser repulsivo… Entre salas de aula, humilhações constantes e os eventos do pai, sua saída é praticar os exercícios dados pela sua médica para controlar o Transtorno de Ansiedade que tudo isso causa… E contar com a ajuda de seus novos amigos: Solo, o gigantesco geek jogador de futebol, e Bec, uma garota bastante alternativa pela qual desenvolve uma paixonite instantânea…

No meio dessa tempestade, diante da proposta de aderir a alguma “causa”, Riley abre um blog anônimo para falar sobre fluidez de gênero sob o pseudônimo “Alix”. Suas expectativas são neutras, até que um pouquinho de visibilidade ao ter esse espaço virtual citado no site-referência do assunto, o “Aliança Queer”, torna sua conta no “Blogr” alvo de pedidos de ajuda e conselhos, além de (claro) muitas ofensas. Após o caso de uma de suas aconselhadas estourar na mídia o blog começa a fazer cada vez mais sucesso, aumentando seu orgulho e medo, já que um stalker que parece ser da sua escola o descobre, ameaçando seu segredo. Ao mesmo tempo Bec se transforma na ponte de ligação com um grupo de pessoas que também trabalha diariamente com a aceitação da própria identidade de gênero, o que faz com que o momento de revelar toda a verdade pareça estar cada vez mais perto…

“Todo mundo se sente perdido. Todo mundo está… à procura. À procura de um lugar para ficar. Alguém para estar do seu lado. (…) E, mesmo estando fora de tudo, talvez tenhamos sorte. Porque já temos isto.” – Riley

Todos, nenhum: simplesmente humano

A primeira pergunta que você faz ao começar a leitura, a questão mais inevitável de todas na nossa cabeça doutrinada é: biologicamente, Riley é menino ou menina? Você espera que o autor vá dar uma dica através da roupa que seus pais escolhem para usar em alguma festa, os comentários de colegas (seja maldoso ou não) e mesmo algum pronome que vai ter que ser usado. Mas não é. Não sei COMO Garvin conseguiu, mas NUNCA vemos o “ele” ou “ela” sendo usado nessa sua escrita. Acho que esse é o primeiro mérito do livro, porque pra mim está sendo extremamente difícil fazer isso aqui, nesse post, então imaginem em um romance de 400 páginas. E é maravilhoso porque com isso ele te ensina, aos poucos, que o gênero não importa. Riley é, literalmente, todos, nenhum: simplesmente HUMANO, como o título da versão brasileira brilhantemente sugere.

Eu não consigo achar críticas negativas para fazer à história. A pesquisa sobre o assunto está clara, minuciosa e natural, parece quase impossível que alguém não consiga aceitar a existência de gêneros não-binários nesse mundo… Porém o preconceito existe, muito! Esse é outro ponto maravilhoso… A LGBTfobia está presente de forma extremamente real. O garoto malvado da escola, que torna a vida de quem é tido como diferente um inferno, não é “gay enrustido”, não queria ser como eles… É um BABACA mesmo! O preconceito não é parte dolorosa da vida de quem o pratica, não é justificado, é mostrado como a atrocidade que realmente é. Inclusive eu não estava esperando o clímax tão impactante que a história teve, pra mim foi um choque e minha ansiedade foi nas alturas junto com a da personagem, pra depois se transformar em lágrimas constantes até a última página acabar.

“Minha mãe diz que chorar é só o jeito do corpo de expulsar coisas ruins. Tipo um espirro. Tipo um espirro da alma.” – Solo

Lágrimas não só pela ficção, mas também pela vida real. Lágrimas por saber que somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Por lembrar que bissexuais são invisibilizados mesmo dentro do movimento que deveria defendê-los. Pela realidade chocante de que, escondidos por aí, “estupros corretivos” são feitos para que uma garota deixe de ser lésbica ou uma trans “vire homem direito”. São lágrimas de tristeza e MUITA RAIVA de ouvir as pessoas maltratando e assassinando seres humanos por quem amam ou por quem são. E tudo isso em nome de alguém que nunca disse “Mata os viado!” e sim que devemos amar ao próximo como a nós mesmos… Então ao invés de “respeitar mesmo sem aceitar”, de dizer “nada contra, MAS…”, de pensar que eles estão “jogando isso na nossa cara” quando estão simplesmente vivendo, que tal abrir a mente por inteiro, tirar a viseira e praticar esse amor?

Garoto Encontra Garoto

Em 09.08.2016   Arquivado em Leitura

Garoto Encontra Garoto

Garoto Encontra Garoto (Boy Meets Boy) *****
Autor: David Levithan
Gênero: Jovem Adulto, LGBT
Ano: 2014
Número de páginas: 240p.
Editora: Galera Record
Sinopse: “Nesta mais que uma comédia romântica, Paul estuda em uma escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola… E, enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar Noah!” (fonte)

Comentários: Vamos parar agora e imaginar a cidade dos sonhos, onde muitas vezes nem é preciso “sair do armário” para a família, pois eles já sabem quem você é e aceitam isso. Onde a quarterback do time da escola é uma trans diva que consegue jogar sem quebrar as unhas e ainda ser rainha do baile no fim do ano. Onde quem é condenada é a família religiosa que não aceita o fato de que seu filho é gay, e não o contrário. Pois bem, é nessa cidade que nosso protagonista, Paul, vive ao lado de seus pais, irmão e, claro, o ex namorado Kyle, que apesar de não ter decidido sobre sua sexualidade ainda persegue o garoto pela escola. E numa noite saindo com seus melhores amigos, Tony e Joni, é que Paul conhece Noah, por quem se apaixonada imediatamente. As coisas estavam indo muito bem e muito lindas até que ele consegue estragar completamente esse novo relacionamento e tem que dar um jeito de reverter essa mancada ao mesmo tempo em que lida com a falta de aceitação que Tony tem dentro de casa, o novo namorado (muito) babaca de Joni e suas responsabilidades dentro desse colégio tão diferente.

Toda essa história soou um pouco clichê ao ouvido de vocês agora? Sim, eu sei que sim, mas a grande sacada desse livro é que nele David Levithan conseguiu criar uma comédia romântica com os mesmo elementos de todas as outras, porém completamente diferente. As personagens estão inseridas nesse mundo ideal batalhando para torná-lo cada vez melhor, mas ainda assim existe um peso enorme nas costas deles por estar se descobrindo e se abrindo pro mundo. Nosso protagonista vive seu dilema amoroso e precisa correr atrás do rapaz que provocou nele uma paixão tão avassaladora, o que gera o clímax do livro, mas nem de longe esse é o ponto mais importante da sua vida naquele momento porque, assim como todos nós, existem várias coisas para superar ao mesmo tempo e tantas outras com as quais ele não pode lutar contra, apenas tentar torná-las, no mínimo, aceitável. É aquela leitura que aborda temas da vida real de forma leve, você termina tudo rapidinho, e mesmo que o objetivo seja causar risadas o autor trás isso de forma EXTREMAMENTE sensível, quase poética, fica impossível não chorar de emoção em certos momentos. Não achei uma obra de arte para mudar a minha vida, mas cumpre maravilhosamente sua função como entretenimento e, ao mesmo tempo, nos trás algo a se pensar, seja durante o enredo ou depois de terminar.

E eu não posso deixar de falar do conto de dia dos namorados que temos ao final do livro onde Infinite Darlene, a jogadora de futebol americano transsexual da história, tem seu momento de protagonismo. Engraçado porque o livro acaba meio de repente e aí vem esse “curta” maravilhoso depois, onde a personagem está em um encontro que quebra vários tabus e mostra que o que importa, o que vale a pena sentir, é o que nos somos lá no fundo. Se você ainda não havia se emocionado com Paul e sua turma esse é o momento, porque Darlene faz a gente sonhar mais ainda com um mundo inteiro baseado nessa cidade maravilhosa, onde orientação sexual e identidade tgênero são o que menos importa perto do universo particular que existe dentro de cada um de nós.

Garoto Encontra Garoto

BEDA2016

A Arte de Ser Normal

Em 18.02.2016   Arquivado em Leitura

A Arte de Ser Normal

A Arte de Ser Normal (The Art of Being Normal) *****
Autor: Lisa Williamson
Gênero: Drama
Ano: 2015
Número de páginas: 384p.
Editora: Rocco
Sinopse: “David Piper tem 14 anos e um desejo: ‘Quero ser uma menina’. Mas este é um segredo que ele compartilha apenas com Essie e Felix, seus únicos amigos, pelo menos até a chegada de Leo Danton à escola Parque Éden. Apesar de muito diferentes e cada um guardando um segredo próprio, David e Leo iniciam uma profunda amizade, que é a base do elogiado romance de estreia da atriz e escritora britânica Lisa Williamson. Com diálogos engraçados e relatando situações cotidianas na vida de adolescentes, a autora consegue abordar a delicada e muito atual questão da identidade de gênero de maneira leve e nada apelativa, numa narrativa que conquista o leitor da primeira à última linha.” (fonte)

Comentários: Falei um pouquinho sobre esse livro no meu vídeo de livros favoritos de 2015 e prometi que ainda faria resenha dos que ainda não tinha feito na época que gravei, então cá estou cumprindo promessas!
“A Arte de Ser Normal” tem como tema principal a questão de identidade de gênero em adolescentes, mais especificamente de um garoto chamado David. Ele, que se descreve como “uma garota heterossexual presa no corpo de um garoto”, tem 14 anos e sofre bullying na escola desde criança por ter respondido a pergunta “O que você quer ser quando crescer” com a simples frase “Quero ser uma garota”. Desde essa época, porém, David não divide esse sentimento com mais ninguém além de seus dois melhores amigos porque sabe que dificilmente será aceito não só por seus colegas, mas também pela família e toda a sociedade.
E é quando Leo muda para a escola dele. Leo é um pouco mais velho e é uma pessoa extremamente tensa que deixa que espalhem os boatos que foi expulso da antiga escola apenas para manter as pessoas afastadas. Porém ao presenciar uma cena de humilhação contra David no horário do almoço ele resolve intervir, e é quando os dois começam a se tornar amigos, passando a dividir um com o outro os dramas de suas vidas.
(Esses parênteses são só pra contar que os dois têm nomes que eu AMO de paixão, então isso é mais um plus para a história pra mim, inclusive um deles está no meu livro que eu juro que vai ser publicado, gente, ‘guenta a mão aí.)

É até difícil enumerar os pontos positivos porque a história é maravilhosa. A identidade de gênero é um assunto que vem sendo muito discuto, mas ainda não é compreendido pelas pessoas. A gente escuta muito que alguém “resolveu virar mulher” e expressões do tipo, mas na verdade não é que um home resolveu virar mulher ou a contrário: ele ou ela já nasceu daquele jeito e não aguenta mais ficar preso em seu “corpo errado”. É difícil assimilar isso quando você não vive, claro, mas acho que abrindo a mente um pouquinho fica tudo compreendido.
As narrações do David são altamente tocantes, para que a gente consiga entender mesmo o que se passa dentro da sua cabecinha. Existem cenas de PARTIR O CORAÇÃO, em que ele fala como se sente em relação a algumas partes de seu corpo, quando ele começa a se maquiar para no meio do caminho porque se sente mal e principalmente as cenas em que ele vai vendo sua irmã mais nova virando adolescente, comprando o primeiro sutiã e ficando menstruada. Nessas ele fica duplamente mal porque sabe que deveria estar feliz por ela, mas só o que consegue sentir é que nunca vai passar por aquelas experiências tão corriqueiras mas ainda assim marcantes na vida de uma garota. Dá vontade de entrar no livro e dar um abraço apertado nele, porque é uma fofura de pessoa!
E eu não posso deixar de falar do Leo, é claro, que é outro que precisa de muito colo na vida. Ele é o lado “misterioso” do livro, e mesmo que dê para perceber facilmente alguns de seus problemas nós vamos o conhecendo mais e mais a partir do momento em que ele começa a se abrir e, nossa, algumas revelações sobre a história de vida dele e de sua família são chocantes e bem mais pesadas.

O ponto negativo do livro é o fato de estar na primeira pessoa do presente porque eu ODEIO. Sei que é para dar a sensação de que você está ali no momento, na cabeça daqueles adolescentes, sem saber o que vem em seguida, mas não consigo me acostumar, fico irritada com aquilo porque sinto como se fosse uma jogada de marketing de jornal, que põe a manchete assim para atrair a curiosidade do leitor como se ele estivesse “lendo ao vivo”. Mas isso, claro, é implicância minha, tenho certeza que se foi usado é para ser a favor da história.
Eu vi algumas pessoas reclamando também do final meio “conto de fadas” que o livro tem em alguns aspectos porque isso raramente acontece, mas eu não vejo nada de errado, gosto do enredo realista mas prefiro muito mais quando ele tem um final feliz, ou pelo menos com a esperança de a felicidade vir em breve.

No início eu achava a capa bem clichê e até feia, mas depois que li comecei a me afeiçoar a ela por inteiro: as cores, os significados, passei a achar a simplicidade algo muito positivo! Sei lá, agora gosto bastante, eu peguei emprestado de um amigo mas é um que ficaria feliz em ter na minha estante.

Fake

Em 12.02.2016   Arquivado em Leitura

Fake

Fake *****
Autor: Felipe Barenco
Gênero: Jovem adulto
Ano: 2014
Número de páginas: 264p.
Editora: UMÔ
Sinopse: “‘Fake’ é um YA nacional com temática gay. Conta a história de Téo, que está prestes a completar vinte anos e acabou de passar para o curso de Direito. Não bastasse a euforia em começar a faculdade, ele se apaixona por Davi, um garoto que chegou ao Rio de Janeiro para ser ator.” (fonte)

Comentários: Durante a leitura desse livro eu estabeleci uma forte relação de amor e ódio com o autor em que muitas vezes o amor foi mais forte, mas em algumas outras, confesso, o ódio venceu. Ainda assim gostei MUITO e fiquei feliz que minha primeira leitura do ano tenha sido tão positiva.
Fake conta a história de Téo, um rapaz carioca que enfrenta vários dos dilemas que um jovem adulto se vê enfrentando normalmente: a nova vida universitária, os problemas familiares, questões financeiras, a vontade de estar em um relacionamento e seu maior questionamento de todos: quando, como e SE contar à família sobre o fato de ele ser gay.
E é nesse turbilhão de pensamentos e sentimentos que ele conhece Davi, que acabou de chegar ao Rio para tentar carreira de ator. Ele se encanta imediatamente e os dois começam o que parece se um super romance, marcado por beijos no banheiro do shopping e uma vontade incontrolável de correr atrás!

Acho que preciso começar a falar dos pontos positivos, porque encontrei vários. Vamos começar com o fato de que estou numa vibe muito forte de ler dramas e romances atuais, desses que eu posso até achar que está acontecendo ao mesmo tempo em que estou lendo, então quanto mais real for a história e as personagens melhor, e é o caso. Ultimamente não estou com paciência para “histórias dos sonhos” onde tudo magicamente dá certo sem que o protagonista nem ao menos tente: eu gosto do final feliz, mas quero que ele seja possível de se acreditar, que seja pé no chão, que possa ser comigo ou com um amigo meu, quem sabe! E isso o livro tem de sobra, é coerente quando se trata de datas, locais e experiências, coisa que já vi faltando em alguns autores nacionais e são mais detectáveis nesse caso porque é uma realidade próxima da nossa, fácil de checar se é real ou fantasiosa. Além disso a maneira como o autor escreve é ÓTIMA, ele é poético mesmo com um linguajar direto e informal, usa até emoticons que deixam algumas cenas ainda mais engraçadas, sem contar algumas citações que dá pra levar pra vida!
Outra coisa muito positiva é que você se apega facilmente às personagens certas e já antipatiza com as erradas mesmo que o protagonista, que está narrando a história, não faça o mesmo, porque ele mesmo admite quando está errado e até que persiste em seus erros. Sabe quando a gente sabe que está fazendo “papel de trouxa” e comenta com os amigos, mas continua nessa mesmo assim? Isso acontece várias vezes no livro, mas ele é um ser humano como qualquer um e não sabe ser unicamente racional ou emocional em todos os momentos, é um balanço dos dois, sempre. Dá muita vontade de ser amiga dele, de verdade… Mas minha personagem favorita na história foi a avó do Téo, ela é a coisa mais fofa e dá muita vontade de abraçar, além de causar as principais lágrimas da história!
Existe um outro fator que é umas das temáticas principais do livro, está presente o tempo todo e que eu NÃO POSSO FALAR QUAL porque é revelar muito sobre o enredo, mas que acho importante que existam livros atuais abordando. Quem leu obviamente sabe do que estou falar e quem quiser saber pode procurar o livro porque está praticamente em todas as páginas dele.

O que achei de negativo foram alguns discursos durante a história e que fazem parte desse “realismo” todo, porque já vi os mesmo argumentos sendo usados por alguns amigos e conhecidos, e me incomoda que sejam perpetuados assim. Acho que um livro como esse, que aborda a temática de um jovem gay tentando superar os desafios que a sociedade põe na sua sexualidade, não devia perpetuar outros preconceitos semelhantes. Sei que todo mundo tem preconceitos, eu também tenho, e sei também que aquele pode ser o pensamento da personagem e não do autor propriamente dito (apesar de que não é o que ficou parecendo), mas argumentos como “não existe bissexual” e alguns discursos machistas do tipo “eu era a menininha da relação” me incomodaram MUITO. Sério, não posso fingir que não me irritou, foi tanto que até mandei mensagens indignadas para os amigos que sabiam que eu estava lendo o livro.

A capa é LINDA e absolutamente significativa, é só uma das coisas que te fazem chegar ao final do livro com a certeza de que aquilo é um relato real! No geral gostei bastante, li todo em uma tarde só por ser super rápido e também porque estava doida para saber o final, muito bacana ver um livro brasileiro de temática jovem alcançando um público tão grande e melhor, saber que existe uma interação bacana entre o autor e os leitores. Para saber mais sobre ele ou entrar em contato é só entrar no site: http://livrofake.com.br/

Fake

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