A Princesa salva a si mesma neste livro

Em 18.03.2020   Arquivado em Leitura

A Princesa salva a si mesma neste livro As mulheres têm uma espécie de magia # 1 (The Princess saves herself in this one) *****
A Princesa salva a si mesma neste livro Autora: Amanda Lovelace
Gênero: Poesia
Ano: 2017
Número de páginas: 208p.
Editora: LeYa Brasil
ISBN: 978.854.410.659-4
Sinopse: Amor e empoderamento em versos que levam os contos de fada à realidade feminina do século XXI ‘A princesa salva a si mesma neste livro’, de Amanda Lovelace, é comparado ao fenômeno editorial ‘Outros jeitos de usar a boca’, de Rupi Kaur, com o qual compartilha a linguagem direta, em forma de poesia, e a temática contemporânea. É um livro sobre resiliência e, sobretudo, sobre a possibilidade de escrevermos nossos próprios finais felizes. Não à toa ‘A princesa salva a si mesma neste livro’ ganhou o prêmio Goodreads Choice Award, de melhor leitura do ano, escolha do público. Esta é uma obra sobre amor, perda, sofrimento, redenção, empoderamento e inspiração. Dividido em quatro partes (“A princesa”, “A donzela”, “A rainha” e “Você”), o livro combina o imaginário dos contos de fada à realidade feminina do século XXI com delicadeza, emoção e contundência. Amanda, aclamada como uma das principais vozes de sua geração, constrói uma narrativa poética de tons íntimos e cotidianos que acolhe o leitor a cada verso, tornando-o cúmplice e participante do que está sendo dito.” (fonte)

Comentários: Eu não sou a maior fã do mundo de poesias, confesso. Tenho meus sonetos favoritos, todos muito antigos, mas de um modo geral é um estilo que não amo ler, e escrever menos ainda, sou péssima nele! Ainda assim o título de A Princesa salva a si mesma neste livro sempre me deixou tão curiosa que resolvi que ele merecia uma chance. Na verdade, e no fundo, todo mundo merece, não é mesmo? Parecia o tipo de coisa pela qual eu morro de amores com sua proposta de falar sobre ser mulher, sobre empoderar-se, sobre uma princesa contemporânea que é sua própria heroína. Pois bem, li, terminei e ainda não sei muito bem como avalia-lo. Acho que a grande questão de coletâneas é que elas nunca são uma coisa só, né? Então dá pra adorar algumas coisas e até odiar outras. Não cheguei nesse ponto extremo negativo, felizmente, mas em alguns momentos senti que estava só olhando para um monte de palavras jogadas de linha em linha, sabe? Em outros, porém, o impacto veio, menina, bem do jeito que tinha que vir!

A Princesa salva a si mesma neste livro

O livro é dividido em quatro partes que, ao seu modo, narram a vida da autora desde criança até a vida adulta e contemporânea. O início, “A Princesa” foi, pra mim, o mais sofrido de todos, por sentir uma coletividade imensa nas situações tristes que ela relatava. Ali estava sua infância e pré-adolescência, a primeira menstruação que ela não queria ver chegar, relatos de uma vida ao lado da irmã mais velha querida e da mãe, não tão querida assim. Fala de bullying, gordofobia e relacionamento abusivo não-romântico, que pode acontecer (e acontece todos os dias) dentro de casa, de quem você devia te fazer sentir mais segura. Algumas coisas já vivi, outras felizmente não, mas é o resultado das incertezas da imaturidade e de como nelas as coisa têm um peso muito maior.

Logo em seguida começa “A Donzela”, trecho mais pesado com a adolescência e início da vida adulta marcados por romances falhos (os “dragões”) e perdas familiares, uma vez que Amanda a irmã e mãe morrendo em sequência. Foi quando vi um número maior de falas simples, típicas do que vemos em Tumblrs da vida, organizadas de uma forma que soem como versos. Uma coisa MUITO bacana da escrita dela é que o título vem ao final dos textos, não no início, então sua interpretação não é muito direcionada: primeiro vem a leitura, depois o real significado dela. Nem todas as poesias têm isso, mas a maioria sim e é um fator estilístico diferente, bastante positivo.

A Princesa salva a si mesma neste livro

O momento de alento do livro fica na terceira parte, “A Rainha”. Aqui ela enfim parece se aceitar, ver o lado positivo em si mesma e na vida, principalmente no que diz respeito ao amor. Os textos românticos me causaram muita identificação, aquela sensação de “finalmente ela é feliz”, sabe? Foi onde tudo ficou mais poético, também, e talvez menos clichê porque o amor é sempre clichê, então tá permitido. Minha parte favorita, sem sombra de dúvidas, que deixou até um desejo de “quero mais” no ar quando acabou.

“(…)
preciso dos seus
momentos tarde da noite
confortavelmente calmos

preciso
de tudo
isso

– você é um poema de verdade, querido

A Princesa salva a si mesma neste livro

Por fim “Você” não se refere a uma pessoa específica, mas sim à leitora do livro. Ela retoma todas as temáticas anteriores e perdas, danos, dragões e neuras e joga junto com questões sociais, como a cultura do estupro e LGBTQfobia. Deixa de ser princesa indefesa, donzela em sofrimento e até mesmo rainha dona de si, que era seu papel nos outros momentos: sua metamorfose é tal que vira SEREIA ao falar de si mesma. É um momento que mistura auto-ajuda tanto para quem consome quanto para quem produz. Talvez seja exatamente o que alguém precisa ler, talvez seja o que esse alguém já leu mil vezes por aí…

A série “As mulheres têm uma espécie de magia”, da mesma autora, tem outros dois livros de poesia publicados no Brasil pela LeYa: “A Bruxa não vai para a fogueira neste livro” e “A voz da sereia volta neste livro”, disponível como ebook e também livro físico. Para acompanhar mais trabalhos de Amanda Lovelace é só segui-la pelo @ladybookmad no Twitter, Instagram e Tumblr. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Março no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é poesia. Leia também a resenha do título de Fevereiro (não-ficção), Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher!

Mulheres Incríveis

Em 06.12.2019   Arquivado em Feminismo, Leitura

Mulheres Incríveis (Rad Women Worldwide) *****
Mulheres Incríveis Autoria: Kate Schatz | Perfis brasileiros por Jules de Faria, ilustrações de Miriam Klein Stahl e tradução Regiane Winarki
Gênero: Biografia
Ano: 2017
Número de páginas: 138p.
Editora: Astral Cultural
ISBN: 978.858.246.548-6
Sinopse: Feche seus olhos e pense numa pirata. Agora imagine uma espiã. Ou uma presidenta. Pense numa guerreira em ação. Uma grande pintora ou na maior jogadora de futebol de sua época. Estas são apenas algumas das mulheres incríveis que você encontrará neste livro. São 44 perfis de mulheres extraordinárias, numa coleção de histórias que começa em 430 antes de Cristo e alcança os dias de hoje. Da Mesopotâmia até a Antarctica, “Mulheres Incríveis” conta a história de vida de jovens e adultas transgressoras, que subverteram leis, lutaram por menos desigualdade entre gêneros e ajudaram a construir um futuro melhor para todos nós.” (fonte – capa e sinopse)

“Escolher escrever é rejeitar o silêncio.” – Chimamanda Ngozi Adichie

Comentários: Já faz dois anos que ganhei esse livro do meu querido Gil, num amigo oculto de natal que participamos juntos, e só agora parei pra recomendá-lo aqui, mas é uma recomendação “daquelas”! “Mulheres Incríveis” é um livro que se vocês puder ler e ter, leia e tenha! São 40 mulheres (44 na versão brasileira) de 30 países diferentes, listadas por se destacarem seja qual for sua área de atuação, ativismo e luta antes mesmo da existência da expressão “feminista”. Atletas, cientistas, artistas, realeza, pesquisadoras, mães com esperança de um dia encontrarem seus filhos perdidos… Todas ganham um pouquinho de notoriedade nessas páginas encabeçadas por um citação provenientes das mesmas e diagramadas de forma LINDA, colorida e especial, com direito a capa dura e falso cabeceado, tudo pensado para te impressionar e, claro, emocionar demais! Eu, manteiga derretida como sou, cheguei ao final de absolutamente TODAS as histórias cheia de lágrimas no rosto, mesmo naquelas (poucas, confesso) que já conhecia.

Mulheres Incríveis

Foto feita dois anos atrás, para um look de natal!

Como educadora, os livros da Kate focam bastante no empoderamento de meninas, para que as próximas gerações de mulheres tenham em quem se inspirar para chegar onde quiserem. Por esse motivo a leitura é muito fácil, fluída e até didática, o que a torna bastante inclusiva. A pesquisa é acadêmica, mas o público alvo vai desde crianças e sem limite de idade, porque ser simples não a torna medíocre de forma alguma! Os dados e informações estão presentes, só não são expostos de maneira rebuscada, sabe? Pro público adulto isso é bem legal também, porque o número de culturas apresentadas é bem variado e você é apresentada a elas a todo momento, absorvendo conhecimento sem sentir o “peso” dele (como muitas vezes acontece em artigos acadêmicos, por exemplo).

O livro é também COMPLETAMENTE ilustrado: todas as personalidades têm uma caricatura minimalista formada de luz e sombra, feitas pela artista Miriam Klein Stahl que, assim como a autora, é educadora e ativista feminista. É muito legal porque mesmo com poucos traços, nada delicados, é fácil visualizar direitinho a aparência da pessoa retratada e, em alguns casos, até o ambiente onde ela estava inserida. Uma parceira bacana demais, já que ela também ilustrou outros livros da autora que seguem a mesma temática… Aquela história de incentivo da parceria entre mulheres colocado na prática, além de discursos, bonito e necessário.

Mulheres Incríveis

Leia Também: Tina: Respeito, resenha da HQ da Fefe Torquato para o selo Grapihc MSP que tem como tema principal assédio no trabalho.

Pra mim, pessoalmente, foi uma boa fonte de nomes de artistas para o Vênus em Arte, meu canal sobre visibilidade feminina na história das artes plásticas. Ele tá parado? Tá. Mas uma hora vai ter que voltar? Vai! Descobri mais sobre as Guerrilla Girls dos Estados Unidos, grupo contemporâneo que busca igualdade de gênero nos museus americanos, conheci a Bastardilla, uma pintora de rua colombiana anônima e, claro, revi a história de Frida Kahlo que já sei de cor… Frida é, inclusive, quem está em maior destaque na capa. Apesar de eu problematizar essa atual super exposição dela (isso rendeu um vídeo, gente), pra mim é o tipo de lugar onde faz total sentido vê-la estampando.

“Eu acho que a mulher do fim do mundo é aquela que busca, é aquela que grita, que reivindica, que sempre fica de pé. No fim, eu sou essa mulher.” – Elza Soares
Mulheres Incríveis

Chimamanda Nogozi Adichie (Nigéria), páginas 42 e 43

A edição “original” norte americana de Mulheres Incríveis já conta com uma brasileira, a artilheira Marta, mas nossa tradução tem outros quatro perfis adicionais escritos por Jules de Faria, fundadora da ONG Think Olga. A escrita dela é um pouco diferente do da autora, um pouco menos didática e mais jornalística, mas de forma alguma isso é um ponto negativo. Mesmo com a diferença ficou tudo bem integrado, como um conjunto: Elza Soares (cantora), Débora Diniz (antropóloga, professora e pesquisadora), Maria da Penha (farmacêutica) e Sônia Guajajara (líder indígena), todas com o nome de Jules sinalizado e um asterisco em baixo, informando onde o texto foi publicado originalmente.

No final do livro, após os artigos, tem uma listagem com outros 250 nomes, 4 deles também do Brasil, de mais mulheres que merecem ser conhecidas ao redor do mundo, também variadas no que diz respeito à época e ocupação. Entre elas estão, por exemplo, Winnie Mandela, Princesa Isabel e Lili Elbe, organizadas em ordem alfabética primeiro por país e depois pelo primeiro nome. Como existe uma breve descrição em baixo, apenas pontuando as atividades de cada, é também uma fonte interessante de referências para quem tem foco ou vontade de estudar trabalhos femininos em áreas específicas.

Mulheres Incríveis

Maria da Penha (Brasil), por Jules de Faria, páginas 56 e 57

Conheça mais da Kate Schatz, ativista feminista americana e educadora, no site da autora, Twitter e Facebook. Ela tem também um site para o projeto Rad Women, que além desse, com mulheres do mundo todo, tem livros específicos sobre americanas, meninas mais novas e afins, nele constam informações não só das publicações mas também visitas em escolas e outros eventos.

Tina: Respeito | Graphic MSP 24

Em 09.10.2019   Arquivado em Leitura

Tina: Respeito (Graphic MSP #24) *****
Tina: Respeito Autora/Ilustradora: Fefê Torquato
Gênero: História em Quadrinhos, Jovem Adulto
Ano: 2019
Número de páginas: 98p.
Editora: Panini
ISBN: 978.854.262.326-0
Sinopse: Jornalista recém-formada, Tina finalmente realiza o sonho de trabalhar em uma redação. Ela só não esperava que seu maior desafio fosse ser pessoal, e não profissional. Em ‘Respeito’, Fefê Torquato usa a clássica personagem de Mauricio de Sousa para expor um problema que mulheres enfrentam dia a dia, e precisa acabar: o assédio.” (fonte – capa e sinopse)

“Mas meu sonho sempre foi trabalhar no centro nervoso da informação, numa redação de verdade, não no meu sofá usando pijama…”

Comentários: A 24ª graphic novel lançada pelo selo Grapich MSP da Maurício de Sousa Produções, que faz releituras autorais sempre muito sensíveis das mais diversas personagens da Turma da Mônica, foi lançada oficialmente na última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, entre o fim de agosto e início de setembro desse ano, e já gerou burburinhos desde início por causa da sua temática principal: assédio no trabalho! Enquanto parte das pessoas considera esse tipo de problema “mimimi” ou acha que falar disso é prova de que “o mundo tá chato”, muito vêem a importância absurda de um assunto desses sendo retratado em uma mídia de visibilidade tão grande como essa, já que as história da Maurício de Sousa fazem parte da cultura brasileira há muitas décadas. Eu, logicamente, faço parte do segundo grupo e fiquei muito feliz em ver minha personagem favorita desse universo encarregada dessa missão.

Autora de uma newsletter com quase 100 mil assinantes e recém formada em Jornalismo, “Cristina Lima e Sousa”, mais conhecida como Tina, está começando seu primeiro emprego de verdade em uma redação no Jornal Mundo Hoje como repórter. Aos 22 anos, ela enfrenta os desafios de ser uma jovem adulta tendo que se manter sozinha após sair da casa dos pais, seja pra pagar as contas em dia ou superar os medos diários com os quais convivemos ao ser mulher. Ela tenta de todo modo se sair bem nessa nova oportunidade de trabalho e se enturmar com os colegas, tudo parece estar indo bem até que uma reunião privada a leva direto para as estatísticas de mulheres que sofrem assédio em ambiente de trabalho…

A leveza ímpar da aquarela contrastou brusca e lindamente com todos os temas pesados abordados nessa história roteirizada e ilustrada por Fefê Torquato. Assédio é só a base de uma pirâmide de tristes realidades onde a vida imita diariamente essa arte: machismo, racismo, homofobia, gordofobia, todos apresentados de forma tão natural quanto, infelizmente, acontecem na real. Como uma pessoa que cresceu lendo as revistinhas que originaram esse livro é bom demais ver esse mundo lidando com questões importantes, se atualizando de verdade, mesmo que lentamente, pro mundo contemporâneo. O famoso “tapa de luva de pelica” nos que dizem que tradições não podem ser mudadas, que algo é velho demais para se modernizar… Taí a prova de que sempre dá pra melhorar!

Detalhes: Páginas 24 e 25

“Cara, medo cê não perde nunca, só se acostuma com ele, fazer o quê? Ser mulher é querer estudar, trabalhar, pô, viver a vida! É ser obrigada a encarar esse medo.”

Tina como personagem está mais forte do que nunca, e ainda assim não destoa da boa e velha menina da nossa infância. Afinal ela SEMPRE foi uma garota de atitude, né? Se vestia da maneira que gostava, saía com os caras que a atraíam, mantinha uma amizade com nenhum interesse a mais com Rolo, que nessa apareceu já como professor, dando aulas para adolescentes e fazendo “bicos” de fotografia. Além dele temos a melhor amiga e “fiel escudeira” Pipa, agora dona de sua própria loja virtual de moda plus size! Sabe aquele fan service BEM FEITO, adequado, condizente, apaixonante? “Respeito” ganha nota máxima nisso também!

Leia Também: Turma da Mônica: Laços, resenha do live action adaptado na 2ª e mais famosa edição do selo Graphic MSP, de mesmo título.

Tina: Respeito

Detalhes: Processo de produção

Além da história, o livro conta também com detalhes do processo de produção, desde uma planta do apartamento da protagonista até fotos da mesa de trabalho da autora, além de uma descrição de como foi todo esse trajeto. Depois, a sessão “A Tina de Maurício de Sousa” mostra como a personagem nasceu na década de 70 e mudou bruscamente de lá pra cá, sempre mantendo uma essência aqui e outra ali. Existe, inclusive, uma homenagem à sua primeira versão hippie em um dos quadrinhos, em que ela aparece como um retrato de sua mãe quando jovem. Essas informações são tão ricas e gostosas de ler quanto a história em si, principalmente se você já é fã da personagem como eu.

Um jeito lindo de falar de algo tão feio, discussões sobre o fato de que a culpa nunca é da vítima, exemplo de posicionamento e uma dica na folha de guarda traseira que nos faz ter esperança de uma continuação (eu quero!!!) tornam essa uma obra completa, belíssima no visual e extremamente pertinente no conteúdo. Tina: Respeito está disponível na versão brochura pros que precisam economizar e também em capa dura para quem não se importa em (ou pode) gastar um pouco mais e ter uma edição ainda mais bonita na estante. Seja qual a opção escolhida, não importa, vale a pena ter esse trabalho sobre e feito por mulheres incríveis, como muitas que temos por aí.

Tina: Respeito

Achei a Lulynha, minha Barbie “mini me”, a cara dessa publicação, então ficou de “participação especial” nas fotos!

Conheça mais da Fefê Torquato, que tem 35 anos e mora em Curitiba, no Instagram, Twitter e Youtube. Ela também é autora do quadrinho Gata Garota, publicado pela Editora Nemo, parte do Grupo Editorial Autêntica.

Wish You Were Here: um romance musical

Em 12.08.2019   Arquivado em Leitura

Dez anos atrás eu estava fazendo meu primeiro estágio no Arquivo Público Mineiro, trabalhando naquele tão cansativo banco de dados do Projeto Hélio Gravatá, quando numa tarde qualquer “Still Haven’t Found What I’m Looking For” do U2 começou a tocar em versão instrumental. De repente, em frente ao computador onde eu normalmente trabalhava, lá no fundo da sala (bem de baixo do ar condicionado), minha cabeça formou uma cena completa: dois jovens adultos, num bar de rock amplo e cheio, viviam um momento juntos ao som da mesmíssima música. Sempre fui de criar histórias, vira e mexe elas aparecem aqui nessa cabecinha que vive a 1000km/h, mas aqueles dois… Sei lá, eles me pareciam especiais! Eu PRECISAVA conhecê-los. Precisava que outras pessoas conhecessem também. Não sei se os criei, se eles se criaram sozinhos, mas sei que Marie e David se tornaram, ali, os protagonistas de um livro, Wish You Were Here: Um Romance Musical. Uma década se passou e nesse meio tempo a história amadureceu em certos pontos, permaneceu igual em outros, rodou em e-mails de amigos que eu queria que lessem logo e até de algumas editoras. E depois de muita espera pelo momento ideal que nunca vinha, resolvi que ele se resume em uma palavra: agora! Sim, eu estou publicando meu primeiro livro!

Wish You Were Here: um romance musical

Sinopse: “Mudar para outra cidade, sair da casa do pai, dividir um apartamento com a melhor amiga e, claro, começar a faculdade dos sonhos. Após seis meses de espera em férias intermináveis, Marie estava pronta para dar esses próximos passos, acreditando que juntos seriam o grande marco daquele ano que só parecia estar começando agora. Até que em meio a tagarelices na escada e sacolas de compra derrubadas ela conheceu David.

David era metódico, extrovertido e uma daquelas pessoas de ótima memória que guardava informações sobre todas as coisas na cabeça. Ele também parecia estar disposto a conquistá-la, o que o tornava o protagonista perfeito para a primeira história de amor real da sua vida, fazendo com que finalmente se abrisse para novos sentimentos ao som de suas velhas músicas favoritas. Mas ela não poderia saber que essa trilha sonora estava prestes a se transformar radicalmente…”

ISBN: 9781080222407| Ano: 2019 (31/julho) | Páginas: 227 (físico), 172 (ebook) | Gêneros: Romance, Drama, Jovem adulto, chick-lit | No Skoob | No Goodreads | + saiba mais

Página Oficial: facebook.com/wishyouwereherelivro

Se você sentar comigo pra saber REALMENTE como é o processo, sinceramente, eu não sei dizer ao certo. Só sei como foi MEU processo. Eu tinha um livro pronto, tinha opiniões positivas sobre ele, tinha MUITA vontade em vê-lo aqui na estante e nas mãos de leitores, então no meio de julho simplesmente decidi que era hora de fazer acontecer. E fiz. O primeiro passo foi buscar um subtítulo, já que o título em inglês podia prejudicá-lo de várias formas (além de não ser nada inclusivo). Eu até pensei várias vezes em algo pra substituir 100%, mas não achei. Ele se chama Wish You Were Here há tanto tempo, com tantos significados, tinha que ser assim. Adicionamos, então, “Um Romance Musical” na frente, que deixa claro a língua no qual foi escrito e, acima de tudo, descreve EXATAMENTE o que é a história. Tem amor, tem música e sem essas duas coisas sequer existiria.

Depois me joguei nessa ferramenta maravilhosa que me provou que o perfeito não é o que idealizei, e sim o que realizei: Amazon Kindle! Em questão de horas ele, o arquivo velho de Word, se transformou num livro em pré-venda! Fiz VÁRIAS revisões, tive a capa atualizada pela Mari, que a criou pra mim anos atrás, chamei quem eu já sabia que queria e, pronto, no dia 31 de julho de 2019 (10 anos depois de Marie e David se conhecerem na história!), meia noite em ponto, um número incrível de pessoas incríveis recebeu sua compra para finalmente poder ler. E lá ele continua! Então você aí, que gosta de ler drama jovem despretensioso feito por autora nacional, pode comprá-lo por R$5,00 na Amazon (e sai de graça pros assinantes Kindle Unlimited), acessível não só no leitor digital, mas também no app da marca disponível para celular e computador.

Wish You Were Here: um romance musical

Foto do Instagram. Desenho “Lisa e Marie” por Julia Cabral.

Mas esse foi só o começo…

Eu realmente acredito que o ebook é o futuro do mercado literário, sabe? Por mais que goste de folear as páginas num livro físico acho importante a gente ir além de preferências quando o assunto é consumo. Tô feliz de VERDADE de ter tido essa oportunidade para realizar meu maior sonho, mas com o tempo ele se tornou também sonho de MUITA gente. A gente queria, precisava, de uma edição física, uma tarde de autógrafos, choros coletivos e abraços emocionados. E, ora vejam só, a própria Amazon também me forneceu isso, me dando a opção de, como autora, imprimir cópias físicas dele. E eis a “fase 2” do projeto, que ainda está ativa por mais 2 semanas, com o objetivo de fazer essa impressão do maior número possível de exemplares: uma campanha no Catarse! Nela todo mundo pode comprar o livro físico e ainda tem opção de já fazer isso com frete incluso ou outros tipos de recompensa. O valor de cada uma que está estipulado é mínimo, de forma que o apoiador possa doar um dinheirinho a mais pro dono da campanha (no caso, eu), que nessa vai virar mais e mais livros!

Leia também: 5 músicas entituladas “Wish You Were Here” pra você se apaixonar ao ouvir!

A ideia é imprimir 100 exemplares, e eu tremo só de imaginar a caixa chegando cheia deles, o unboxing mais especial da minha vida. E o melhor é que tá BEM PERTO de acontecer! Se você gosta do gênero, dá uma chance e acesse catarse.me/wishyouwereherelivro para ler a proposta. Se não, bem, manda muitas energias gostosas pra gente porque o processo tá sendo incrível com ajuda de quem sempre soube que podia contar e quem nunca imaginei que daria tanta força. No fim de setembro eu volto aqui e tagarelando detalhes sobre o lançamento e o que me espera daqui pra frente… Até lá, é isso, bem vindos oficialmente ao universo das personagens literárias, Marie e David (meus queridos)! Vocês são os protagonistas do primeiro de – se tudo der certo – muitos outros que estão por vir. É até injusto que eu não possa celebrar juntinho deles, né? Esse é o momento em que olho pros seus nomes nas páginas e penso… Wish You Were Here!

Wish You Were Here: um romance musical

Arte da capa: Mariana Mahé

Psiu! Prestenção! Você tem um blog literário, aderiu aos ebooks e sentiu AQUELA afinidade pela sinopse da história? Entra em contato comigo pra falar sobre sua política de parceria! Como blogueira há tantos anos o que mais quero é vê-lo estampando resenhas gostosas pela blogosfera afora…

A Arte de Ser Normal

Em 18.02.2016   Arquivado em Leitura

A Arte de Ser Normal

A Arte de Ser Normal (The Art of Being Normal) *****
Autor: Lisa Williamson
Gênero: Drama
Ano: 2015
Número de páginas: 384p.
Editora: Rocco
Sinopse: “David Piper tem 14 anos e um desejo: ‘Quero ser uma menina’. Mas este é um segredo que ele compartilha apenas com Essie e Felix, seus únicos amigos, pelo menos até a chegada de Leo Danton à escola Parque Éden. Apesar de muito diferentes e cada um guardando um segredo próprio, David e Leo iniciam uma profunda amizade, que é a base do elogiado romance de estreia da atriz e escritora britânica Lisa Williamson. Com diálogos engraçados e relatando situações cotidianas na vida de adolescentes, a autora consegue abordar a delicada e muito atual questão da identidade de gênero de maneira leve e nada apelativa, numa narrativa que conquista o leitor da primeira à última linha.” (fonte)

Comentários: Falei um pouquinho sobre esse livro no meu vídeo de livros favoritos de 2015 e prometi que ainda faria resenha dos que ainda não tinha feito na época que gravei, então cá estou cumprindo promessas!
“A Arte de Ser Normal” tem como tema principal a questão de identidade de gênero em adolescentes, mais especificamente de um garoto chamado David. Ele, que se descreve como “uma garota heterossexual presa no corpo de um garoto”, tem 14 anos e sofre bullying na escola desde criança por ter respondido a pergunta “O que você quer ser quando crescer” com a simples frase “Quero ser uma garota”. Desde essa época, porém, David não divide esse sentimento com mais ninguém além de seus dois melhores amigos porque sabe que dificilmente será aceito não só por seus colegas, mas também pela família e toda a sociedade.
E é quando Leo muda para a escola dele. Leo é um pouco mais velho e é uma pessoa extremamente tensa que deixa que espalhem os boatos que foi expulso da antiga escola apenas para manter as pessoas afastadas. Porém ao presenciar uma cena de humilhação contra David no horário do almoço ele resolve intervir, e é quando os dois começam a se tornar amigos, passando a dividir um com o outro os dramas de suas vidas.
(Esses parênteses são só pra contar que os dois têm nomes que eu AMO de paixão, então isso é mais um plus para a história pra mim, inclusive um deles está no meu livro que eu juro que vai ser publicado, gente, ‘guenta a mão aí.)

É até difícil enumerar os pontos positivos porque a história é maravilhosa. A identidade de gênero é um assunto que vem sendo muito discuto, mas ainda não é compreendido pelas pessoas. A gente escuta muito que alguém “resolveu virar mulher” e expressões do tipo, mas na verdade não é que um home resolveu virar mulher ou a contrário: ele ou ela já nasceu daquele jeito e não aguenta mais ficar preso em seu “corpo errado”. É difícil assimilar isso quando você não vive, claro, mas acho que abrindo a mente um pouquinho fica tudo compreendido.
As narrações do David são altamente tocantes, para que a gente consiga entender mesmo o que se passa dentro da sua cabecinha. Existem cenas de PARTIR O CORAÇÃO, em que ele fala como se sente em relação a algumas partes de seu corpo, quando ele começa a se maquiar para no meio do caminho porque se sente mal e principalmente as cenas em que ele vai vendo sua irmã mais nova virando adolescente, comprando o primeiro sutiã e ficando menstruada. Nessas ele fica duplamente mal porque sabe que deveria estar feliz por ela, mas só o que consegue sentir é que nunca vai passar por aquelas experiências tão corriqueiras mas ainda assim marcantes na vida de uma garota. Dá vontade de entrar no livro e dar um abraço apertado nele, porque é uma fofura de pessoa!
E eu não posso deixar de falar do Leo, é claro, que é outro que precisa de muito colo na vida. Ele é o lado “misterioso” do livro, e mesmo que dê para perceber facilmente alguns de seus problemas nós vamos o conhecendo mais e mais a partir do momento em que ele começa a se abrir e, nossa, algumas revelações sobre a história de vida dele e de sua família são chocantes e bem mais pesadas.

O ponto negativo do livro é o fato de estar na primeira pessoa do presente porque eu ODEIO. Sei que é para dar a sensação de que você está ali no momento, na cabeça daqueles adolescentes, sem saber o que vem em seguida, mas não consigo me acostumar, fico irritada com aquilo porque sinto como se fosse uma jogada de marketing de jornal, que põe a manchete assim para atrair a curiosidade do leitor como se ele estivesse “lendo ao vivo”. Mas isso, claro, é implicância minha, tenho certeza que se foi usado é para ser a favor da história.
Eu vi algumas pessoas reclamando também do final meio “conto de fadas” que o livro tem em alguns aspectos porque isso raramente acontece, mas eu não vejo nada de errado, gosto do enredo realista mas prefiro muito mais quando ele tem um final feliz, ou pelo menos com a esperança de a felicidade vir em breve.

No início eu achava a capa bem clichê e até feia, mas depois que li comecei a me afeiçoar a ela por inteiro: as cores, os significados, passei a achar a simplicidade algo muito positivo! Sei lá, agora gosto bastante, eu peguei emprestado de um amigo mas é um que ficaria feliz em ter na minha estante.

Página 1 de 512345