Era Uma Vez em… Hollywood

Em 09.02.2020   Arquivado em Filmes

Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time in… Hollywood) *****
Era Uma Vez em... Hollywood Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Rafal Zawierucha, Damon Herriman, Austin Butler, Mikey Madison, Madisen Beaty, Dakota Fanning, Kurt Russell, Al Pacino, Lena Dunham, Dallas Jay Hunter, Brenda Vaccaro, Margaret Qualley, Lorenza Izzo, Zoë Bell, Bruce Dern, Costa Ronin, Craig Stark, Damian Lewis, Danielle Harris, Dreama Walker, Eddie Perez, Emile Hirsch Jay, Harley Quinn Smith, James Landry Hébert, James T. Schlegel, Julia Butters, Kansas Bowling, Keith Jefferson, Lew Temple Land, Luke Perry, Maurice Compte, Maya Hawke, Mike Moh, Nicholas Hammond, Rachel Ashley Redleaf Cass, Rebecca Gayheart, Rebecca Rittenhouse, Rumer Willis, Samantha Robinson, Scoot McNair,Spencer Garrett, Sydney Sweeney, Timothy Olyphant, Victoria Pedretti
Direção: Quentin Tarantino
Gênero: Drama, Policial, Ação
Duração: 165 min
Ano: 2019
Classificação: 16 anos
Sinopse: “”Era Uma Vez em… Hollywood” revisita a Los Angeles de 1969 onde tudo estava em transformação, através da história do astro de TV Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu dublê de longa data Cliff Booth (Brad Pitt) que traçam seu caminho em meio à uma indústria que eles nem mesmo reconhecem mais.” Fonte: Filmow.

Comentários: Era Uma Vez em… Hollywood é o 9º filme dirigido, roteirizado e produzido pelo cineasta Quentin Tarantino e concorre a DEZ CATEGORIAS do Oscar 2020, cuja premiação irá acontecer hoje à noite: Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leornardo Di Caprio), Melhor Ator Coadjuvante (Brad Pitt), Melhor Fotografia, Edição de Som, Figurino, Direção de Arte e Mixagem de Som (ufa!). Sediado na Hollywood dos anos 60, ele conta a história fictícia de Rick Dalton, astro de televisão, e seu amigo e dublê Cliff Booth, que em dado momento se cruza com acontecimentos baseados em fatos reais relacionados ao brutal assassinato da atriz e modelo Sharon Tate, interpretada por Margot Robbie, cometido pelo famoso grupo de criminosos à época conhecido como Família Manson.

Então antes de falar do filme em si, caso você não esteja familiarizado com o que aconteceu de verdade… Senta que lá vem história!

A “Família Manson” foi um grupo de seguidores do criminoso Charles Manson em Los Angeles na década de 60. Anteriormente músico, ele passou a reunir jovens homens e mulheres, muitos dos quais usuários de drogas saídos de lares ricos onde não se encaixavam, para morar em Spahn Movie Ranch, vivendo dos golpes cometidos e, ocasionalmente, busca por comida descartada em latas de lixo da cidade. Em agosto de 1969, um ano após se casar com o cineasta Roman Polanski e a 15 dias de dar a luz ao primeiro filho do casal, Sharon Tate e seus amigos foram assassinados a tiros, espancamento e facadas (tendo ela própria levado 16, algumas direto na barriga ainda grávida) por alguns dos seguidores de Manson, que naquela madrugada também assassinaram o casal LaBianca, deixando em ambas as casas mensagens escritas a sangue com referências a música dos Beatles, que seu líder idolatrava. O Caso Tate-LaBianca foi um dos fatores responsáveis pelo grupo ser identificado e condenado, e muitos deles ainda cumprem pena de prisão perpétua pelos crimes cometidos.

Eu realmente não sabia o que esperar desse filme, mas nada que passou pela minha cabeça antes de assisti-lo chegou perto do que foi de verdade. Tenho CERTEZA que vai levar a estatueta de Roteiro Original (podem me cobrar mais tarde vixi, errei, mas Parasita mereceu!) porque é até difícil descrever o quanto gostei sem revelar demais. QUALQUER COISA que eu disser revela demais. A linha do tempo é linear e ainda assim incomum, o narrador só aparece quando pertinente, mas não soa “solto” ali. Um filme sobre fazer filmes, suas personagens interpretam personagens, cenários são movidos para deixar claro que são cenários, e um elenco que, nossa, faltam palavras pra descrever. A única vez que gostei da atuação de Brad Pitt além dessa foi em “Bastardos Inglórios”, do mesmo diretor, e mais uma vez a combinação foi ideal. Leonardo diCaprio também está melhor do que nunca, melhor do que em “Django Livre”, melhor em um nível que dava vontade de continuar vendo o filme que Rick Dalton estava fazendo, até esqueci em um momento que aquele não era seu papel e sim o papel de seu papel. Margot Robbie também está melancolicamente linda e todo o resto, de coadjuvantes relevantes ao apoio, foi selecionado a dedo para impressionar.

Falando de estilo pessoal, foi bem surpreendente pra mim a ausência de algumas “tarantinices” ao longo da história, começando pelo fato de que ele, Samuel L. Jackson e Christoph Waltz não compõe o elenco. Um ou dois eu já esperava, mas faltar todos os três foi uma surpresa que não comprometeu em nada no enredo. Quase não teve “fumacinha de sangue”, aquele ar trash meio “galhofa” ficou meio de lado e, ainda assim e ainda bem, dá pra perceber de quem é o longa. Ele faz, é claro e como sempre, homenagens às suas obras anteriores ao citar a marca de cigarros Red Apple (presente em vários deles), mostrando personagens andando em frente ao mesmo painel do LAX por onde passou Jackie Brown em uma de suas cenas mais famosas, a breve repetição de “fogo nos nazistas” como referência a Bastardos Inglórios (um dos meus momentos favoritos da história do cinema) e vários easter eggs relativos a Kill Bill. Isso já lhe é comum, mas uma vez que é um filme que homenageia o cinema dessa vez, em especial, não podia faltar esse tipo de coisa tanto referente a seus filmes, como também vários outros de terceiros.

Era Uma Vez em... Hollywood

Imagem via Veja

É também o filme com menos “tempo em tela” de cenas de violência que já vi dele, mesmo se comparado a Jackie Brown que considero o mais leve. Na verdade existem apenas dois momentos sangrentos, um bem no meio e outro no clímax, e esse compensou toda a ausência anterior superando até mesmo Os Oito Odiados. Apesar de gostar de toda a filmografia do cara eu sou, e confesso, bem fresca pra essas coisas, então quando vi que os rumos estavam exagerados simplesmente peguei o celular e fiquei mexendo sem olhar pra tela, apenas ouvindo gritos e pancadaria enquanto minha visão periférica me dava uma ideia do que estava acontecendo. E eu sei que muita gente que o conhece pode pensar “Ah, violência e Tarantino, que surpresa!”, mas juro, é realmente indigesto, apesar de obviamente esperado.

De um modo geral você quase não entende o objetivo das duas primeiras horas de filme, o que pode ser bem cansativo se não puder fazer intervalos, até tudo enfim fazer sentido nos quarenta minutos finais, onde ela se desenrola de verdade. Eu não conseguia entender COMO a família da Sharon Tate tinha autorizado usar os acontecimentos que desencadearam na sua morte numa obra agora, só 50 anos depois, enquanto tudo estão tão recente, ainda mais se tratando de um crime tão brutal. Cheguei a ler que a irmã dela inicialmente negou e só aceitou depois que o próprio Tarantino deixou que lesse o roteiro, o que a fez não só permitir como também elogiar. E foi chegando ao final que entendi. Os últimos minutos me trouxeram lágrimas que eu já sabia que viriam, mas por motivos inesperados, e deixaram meus braços REALMENTE arrepiados. E por mais que eu seja contra o uso da violência “tarantinesca” em qualquer momento da vida, foi inevitável pensar em toda a parte não real da história e imaginar “E se…?”.

Trailer:

Os Oito Odiados

Em 23.08.2016   Arquivado em Filmes

Os Oito Odiados, via Filmow

Os Oito Odiados (The Hateful Eight) *****
Elenco: Bruce Dern, Demián Bichir, Jennifer Jason Leigh, Kurt Russell, Michael Madsen, Samuel L. Jackson, Tim Roth, Walton Goggins, Arnar Valur Halldórsson, Belinda Owino, Channing Tatum, Craig Stark, Dana Gourrier, Gene Jones, James Parks, Keith Jefferson, Lee Horsley, Quentin Tarantino, Zoë Bell
Direção: Quentin Tarantino
Gênero: Ação, Faroeste, Drama
Duração: 167 min
Ano: 2015
Classificação: 18 anos
Sinopse: “Durante uma nevasca, o carrasco John Ruth (Kurt Russell) está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro. No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está de olho em outro tesouro, e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), prestes a ser empossado em sua cidade. Como as condições climáticas pioram, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados. Aos poucos, os oito viajantes no local começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: A primeira coisa que SEMPRE precisamos dizer nesse caso é que não tem como você ir assistir a um filme do Tarantino sem saber que se trata de um filme do Tarantino. Alguns podem até achar que isso os torna ruins, mas a verdade é o contrário: acho que assim fica mais fácil perceber a genialidade e a crítica por trás dessa carga de imoralidade, violência e do famoso politicamente incorreto. E se “Cães de Aluguel” é considerado um ótimo filme de estreia por já dar exemplos de todas as “Tarantinices”, cada uma no seu momento, “Os Oito Odiados” poderia ter sido deixado por último porque é uma EXPLOSÃO de todas elas, de forma que até quem já tá acostumado com o cara conseguiu se surpreender. Lembro que quando o compositor da trilha sonora Ennio Morricone, que inclusive ganhou o Oscar por ela (e foi LINDO, chorei horrores), disse que se se chocou com a violência do filme eu achei estranho porque isso não é segredo nenhum, mas fui entender o motivo agora porque eu sou meio fresca e houve um momento em que tive que dar uma pausa para não vomitar…

A história é dividida em capítulos, quase todos em ordem cronológica (o que já é uma surpresa), e gira em torno de oito personagens que, por causa de uma nevasca, acabam presos em um conhecido armazém da região, o que não poderia ser mais inoportuno pois é um grupo formado de caçadores de recompensas, criminosos e até membros ativos da Guerra Civil americana. Todos eles desconfiam uns dos outros, todos eles guardam segredos sangrentos, todos carregam armas de fogo e todos pretendem sair dali vivos e cumprir quaisquer que sejam seus objetivos nessa viagem. E é aí que tá a sacada do negócio: um filme de mais de duas horas e meia, que se passa praticamente inteiro em um cenário só, onde fica concentrado um grupo de atores MUITO BONS, a maioria já “de casa” nas obras do Taranta, com destaque pra “musa inspiradora” dele que é o Samuel L. Jackson, uma trilha sonora fantástica e, à medida que os minutos vão passando, cada vez mais fumacinhas de sangue e corpos espalhados pelo chão. Os personagens são todos realmente odiosos, você não gosta de nenhum e nem deve gostar, chega num ponto que não dá pra mais saber quem vai sair dali vivo e começa a suspeita de que, no fim, não vai ser ninguém.

Os primeiros 90 minutos são relativamente lentos, mas apresentam as histórias dos personagens e trazem MUITA CRÍTICA à sociedade da época, principalmente se tratando do preconceito racial, mas também aborda assuntos como o significado de “justiça” e até onde a legítima defesa é realmente tão “legítima”. A partir daí ele muda bastante, é como se o diretor guardasse o “melhor” para o final: aparece um narrador que antes não existia, que mostra para o expectador o que precisa ser mostrado, algumas cenas têm destaque forçado através de uma câmera lenta daquelas bem mal feitas, a coisa fica indigesta pra valer. É um filme classe “B”, como todos os outros, mas o objetivo é esse mesmo, tudo que está ali era pra ser daquela maneira e feito de um jeito que só uma pessoa consegue fazer. Sou suspeita, sou fã e admito, mas quando termina não tem como não ficar bizarramente encantado com o que você acabou de ver. Entre os sete filmes dele que já assisti (falta só “À Prova de Morte” agora), “Os Oito Odiados” ficou no meu ranking pessoal em 5º lugar e eu só não veria de novo sozinha por causa das cenas muito asquerosas que temos nos capítulos 4 e 6 com as quais acho que nunca vou me acostumar, mas se conseguir ignorá-las toparia numa boa acompanhar algum amigo afim de passar pela experiência. E agora que faltam só 2 pro cara “aposentar”, já que ele disse que vai parar no 10º, fico imaginando o que está por vir porque na categoria “estilo pessoal” esse tá difícil de ser superado!

Trailer:

BEDA2016