Um Amor, Mil Casamentos

Em 26.04.2020   Arquivado em Filmes

Um Amor, Mil Casamentos (Love, Wedding, Repeat) *****
Um Amor, Mil Casamentos Elenco: Sam Claflin, Olivia Munn,, Eleanor Tomlinson, Freida Pinto, Joel Fry, Aisling Bea, Allan Mustafa, Jack Farthing, Tim Key
Direção: Dean Craig
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 100 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Jack, um homem que ajuda sua irmã no casamento dos sonhos. Ao mesmo tempo, ele inesperadamente se reúne com Dina (Olivia Munn), a mulher por quem se apaixonou e perdeu há dois anos atrás, iniciando uma série de eventos desastrosos e hilários.” Fonte: Filmow.

Jack conheceu Dina por intermédio de sua irmã, com quem fez faculdade. Depois de dias muito agradáveis juntos em Roma, perto da hora de se despedir, ele é interrompido no momento em que pretende se declarar para a moça, jornalista de guerra prestes a embarcar para um trabalho. Dois anos se passam e eles se reencontram na Itália para o casamento da mesma irmã/amiga que os apresentou, o que parece ser a oportunidade perfeita para compensar esse tempo perdido e, enfim, tentar engatar um romance que nunca teve a oportunidade de começar. Porém, a presença de um penetra que pretende estragar a cerimônia e as atitudes travessas de crianças que brincam de trocar os lugares nas mesas podem levar tudo a perder…

Um remake do francês “Plan de Table”, de 2012, Um Amor, Mil Casamentos é uma produção Netflix lançada na Sexta Feira da Paixão como promessa de entretenimento para o feriado de Páscoa. Apostando em um dos queridinhos do momento no gênero, Sam Claflin (eternizado como o Finnick da série Jogos Vorazes), o filme é um longa metragem divididos em dois atos, ambos em torno dos mesmos eventos: o desejo dele em conquistar Dina e o plano do casal de irmãos de dopar um ex colega da noiva que pretende arruinar seu grande dia por estar apaixonado por ela. E é lógico, como mostrado no próprio trailer, que essa ideia dá errado, ocasionando nas confusões que prometem causar risadas e emoção em quem assiste, como uma boa comédia romântica deve fazer.

Um Amor, Mil Casamentos

Um Amor, Mil Casamentos: Imagem via Cinema Blend.

Ironicamente o filme não cumpre nenhum desses requisitos. Como comédia é extremamente fraco, com piadas sem graça, acontecimentos previsíveis e atuações bastante forçadas. A quebra dos atos corta completamente o clímax quando ele finalmente promete se desenrolar, e a chegada da segunda metade da história é ainda mais massante e decepcionante que a primeira. Pessoalmente eu confesso que só terminei de assisti-lo porque REALMENTE estava precisando de uma pauta para o blog e foi uma grande decepção, uma vez que divulgação da Netflix foi fortíssima a ponto de eu adicionar à Minha Lista antes mesmo do lançamento.

A emoção, normalmente vinculada à parte romântica do gênero, também não acontece. A trama tem vários casais, alguns que já estão juntos, outros que já estiveram e, claro, os que pretendem ser formados. NENHUM DELES, em nenhum momento, cativa o expectador. Não fica aquela tensão no ar, onde a gente espera pelos eventos torcendo por eles, nem mesmo os noivos ou os protagonistas da história causam isso. A verdade é que as personagens são mal apresentadas e ainda mais mal desenvolvidas, não permitindo a afeição por elas individualmente, quiçá em conjunto. Sendo bem sincera estou até surpresa em saber que sua duração é de pouco mais de uma hora e meia porque, pra mim, pareciam várias horas. A parte positiva da minha avaliação foi por causa do elenco bacana, cenário LINDÍSSIMO e os cinco minutos finais que, ainda que clichê, conseguiram ser bonitinhos. Fora isso, uma perda de tempo…

Trailer:

Yesterday

Em 22.09.2019   Arquivado em Filmes

Yesterday *****
Yesterday Elenco: Himesh Patel, Lily James, Alexander, Ana de Armas, Ed Sheeran, Joel Fry, Robert Carlyle, Harry Michell, Kate McKinnon, Meera Syal, Sophia Di Martino, Vincent Franklin
Direção: Danny Boyle
Gênero: Comédia
Duração: 116 min
Ano: 2019
Classificação: 12 anos
Sinopse: “E se você fosse a única pessoa que se lembra dos Beatles? Em ‘Yesterday’, o músico Jack (Himesh Patel) percebe que existe um estranhamento por partes de seus colegas de faculdade quando ele menciona nomes como Paul McCartney ou John Lennon. Além disso, uma simples procura na internet por ‘Beatles’ sem o resultado esperado também o impressiona.” Fonte: Filmow.

Comentários: Já imaginou acordar num mundo onde os Beatles não existiram? Onde ninguém conhece suas músicas, seus nomes ou referências? É o que acontece com Jack Malik, um músico frustrado prestes a desistir de sua carreira por não conseguir mais carregar decepções, após se recuperar de um acidente de bicicleta, o único veículo que sabe conduzir. Seus amigos, para animá-lo em relação aos machucados – e perda de dois dentes frontais – o presenteiam com um violão incrível, e para estreá-lo ele decide tocar uma composição igualmente incrível: Yesterday. Nesse momento, ao ver todos impressionados pela sua nova obra, ele descobre que, nesse novo e estranho mundo, seus ídolos simplesmente sumiram da mente de tudo e de todos! É a oportunidade que Jack sequer sabia que esperava para atingir o estrelato através de canções que sequer são dele…

Por mais que o plot do filme de um modo geral seja interessante, ele vai muito além dessa possibilidade de manter Paul, John, George e Ringo no anonimato e levanta duas discussões quase opostas e igualmente relevantes: a importância da banda não só na música, mas também em toda a cultura popular ocidental, e como – apesar disso – não temos espaço ou necessidade de “novos Beatles” na contemporaneidade. Nesse universo não são apenas eles que somem, mas Oasis, por exemplo, outra queridinha do protagonista, também nunca existiu, assim como Coca-Cola não é um refrigerante muito servido, “Strawberry Fields” não passa de um antigo orfanato demolido e a série Harry Potter jamais foi publicada… Porque, por mais que a gente não perceba, todos eles estão ligados direta ou indiretamente com o quarteto de Liverpool, que sequer é uma cidade referência para o cenário do rock.

Yesterday

Yesterday | Imagem via O Globo

É claro e óbvio que esses então “meninos” foram importantes, né? Qualquer banda poderia ter feito o que eles fizeram? Sim. Mas ELES o fizeram e precisam de mérito por isso! Mas isso não significa que são os únicos a ter trabalhos espetaculares ou que tudo precisa ser sobre eles. A presença de Ed Sheeram como “descobridor” de Jack, que o ajuda a alcançar grande estrelato e permanece orientando até o final, é a prova disso. Ed também é relevante, e quem vier depois dele idem. Não maior ou menor: idem. Ao sugerir a mudança da letra de “Hey Jude” para “Hey, Dude”, simultâneo ao fato de que nenhum nome de álbum antigo parece agradar a gravadora, o longa nos prova que tempos mudam e cenários artísticos também. Sempre teremos espaço para enaltecer o “Fab 4”, mas não precisamos deles para prosseguir. A prova disso é a participação especial INCRÍVEL de Robert Carlyle antecedendo o clímax da história, que faz o coração de qualquer fã balançar (mesmo os que não idolatram tanto assim aquela imagem, como eu), quando percebemos que isso é válido até mesmo para os envolvidos…

As versões da música são bem gostosas, reflexões e referências idem, porém o enredo peca bastante em alguns pontos que deviam ser cruciais para a história. O humor das personagens secundárias, que têm como missão carregar esse aspecto da trama, é forçado e sem muito carisma, e o mesmo é válido para o romance, que tinha tudo para fazer a plateia torcer e vibrar, mas deixa uma sensação de “tanto faz”, você acaba não se importando muito com um de seus aspectos chave. O final, porém, me deixou surpresa, não muito revolucionário e, ainda assim, inesperado por fugir um pouco do que estamos acostumados em tramas focadas nesse tipo de “possibilidade paralela”. Valeu a pena ter assistido, mas é o tipo de filme que não pretendo rever, algo que costumo fazer com frequência com os que possuem essa exata temática, principalmente se tratando de uma banda que está entre minhas grandes favoritas…

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Trailer: