O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

Em 22.11.2018   Arquivado em Filmes

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos (The Nutcracker and the Four Realms) *****
O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos Elenco: Mackenzie Foy, Keira Knightley, Helen Mirren, Morgan Freeman, Matthew Macfadyen, Eugenio Derbez, Richard E. Grant, Jayden Fowora-Knight, Misty Copeland, Ellie Bamber, Miranda Hart, Nick Mohammed, Omid Djalili
Direção: Joe Johnston, Lasse Hallström
Gênero: Fantasia
Duração: 99 min
Ano: 2018
Classificação: Livre
Sinopse: “Clara (Mackenzie Foy), jovem esperta e independente, perde a única chave mágica capaz de abrir um presente de valor incalculável dado por seu padrinho (Morgan Freeman). Safa na solução de problemas, ela decide então iniciar uma jornada de resgate que a leva pelo Reino dos Doces, o Reino das Neves, o Reino das Flores e o sinistro Quarto Reino.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Na véspera de natal, Clara, seu pai e irmãos vão celebrar a data pela primeira vez sem a mãe, recentemente falecida. Antes de se dirigir à tradicional comemoração de seu padrinho, os três jovens recebem presentes póstumos deixados por ela, causando grande frustração na garota, pois no seu caso é uma caixa que não consegue abrir. Já na festa, ao seguir o caminho indicado para onde se encontra outro presente, ela se vê num mundo completamente novo, onde encontra não só a chave perdida mas também o guardião quebra-nozes, que lhe apresenta quatro reinos em guerra há muitos anos: o Reino dos Doces, das Neves e das Flores são ameaçados pelo Quarto Reino e sua cruel governante, a Mãe Ginger.

Numa tentativa de agregar o tradicional Balé Quebra-Nozes à sua lista de adaptações em live action, a Disney trouxe um filme visualmente lindo, mas que passa muito longe de ganhar o título de destaque da temporada. Sendo colocado com mais de um mês de antecedência do natal (quando se passa a história), provavelmente para não ofuscar os brilho do Retorno de Mary Poppins que vem aí, ele de fato não tem toda a estrutura necessária para carregar o peso que é ser o lançamento de fim de ano da empresa… Por outro lado, não é de todo ruim e vale a pena ser visto como passatempo rápido, já que não chega a ter 2 horas de duração, e tem lá seus pontos positivos.

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos: imagem via Variety

A trilha sonora de fundo composta por Tchaikovsky, cenas de balé pontuais belíssimas e reinvenção de personagens clássicos são responsáveis pela magia de ver uma história tão querida em novo ponto de vista. Clara permanece corajosa e curiosa, disposta a salvar um mundo do qual sequer sabe que faz parte. Ela está cercada de personalidades propositalmente forçadas, com destaque para a Fada Açucarada de Keira Knightley, que traz uma explosão de doce cor-de-rosa em meio a sua euforia que para nós, pessoas comuns, pode soar irritante, mas dentro de seu universo é plausível. Outra personagem forte e incrível é Mãe Ginger, interpretada por Misty Copeland, a misteriosa rainha-boneca do Quarto Reino (antigo Reino da Diversão), um contraste enorme com a “rival” visualmente, mas tem tanto carisma quanto. As três são o ponto alto do longa, deixando os outros personagens completamente ofuscados, incluindo Phillip, o próprio Quebra-Nozes! Apesar de Clara ser a protagonista, e disso todos sabemos, ele é o personagem título, e o por mais que tenha certa relevância no decorrer da história, não é suficiente para mostrar sua real importância.

O roteiro também podia ser envolvente, mas não consegue. O começo da história é lento e quase irritante, você demora bastante pra se afeiçoar às personagens. Depois, no clímax, a reviravolta impactante e seu desfecho são tão completamente previsíveis que perde toda a emoção da história. Não tem espaço para surpresa alguma, sua cabeça já adivinha o que vem pela frente muito antes de acontecer. Claro, tudo isso com fotografia, cenário, figurino, efeitos e ELENCO impecáveis, mas não o suficiente para compensar o enredo em si. É uma pena, muito alvoroço pra pouco resultado. Tem tudo para se tornar um daqueles “filmes médios de Sessão da Tarde”, pelo qual as pessoas sequer se esforçam pra lembrar de ligar a televisão, mas quando assistem dão umas risadas e comentam que “é bonitinho”. Provavelmente vai cair no esquecimento com o passar dos tempos, infelizmente, com um pouquinho mais de planejamento se tornaria sensacional…

Leia também: Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível, live action da Disney que traz de volta de maneira lúdica e emocionante o Ursinho Pooh e toda a turma do Bosque dos Cem Acres!

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A Garota na Teia de Aranha: 8 de novembro nos cinemas

Animais Fantásticos e os Perigos dos Discursos Autoritários

Em 13.11.2018   Arquivado em Filmes, Harry Potter

Quando foi anunciado o título do segundo filme da nova série do mundo mágico de J.K. Rowling, Animais Fantásticos: os Crimes de Grindewald, que estreia essa quinta feira 15, decidi que não o assistiria no cinema ou pagaria por ele em qualquer lugar. Ver um ator com (mais de um!) histórico de agressão interpretando o papel título já era difícil, mas nem de longe o pior: o posicionamento de toda a equipe em relação a isso, inclusive da própria JK que sofreu agressão doméstica, me fez bater esse martelo. Eu não queria, de modo algum, compactuar com aquilo, mas semana passada recebi via e-mail um ingresso para que o Sweet Luly estivesse na pré-estreia de convidados dia 12, e me vi obrigada a repensar o assunto. Eu não podia recusar isso ao meu blog, poderia excluí-lo de futuras oportunidades. Pensei, é claro, em passar o ingresso adiante, mas minha cabeça deu um estalo ao lembrar de uma cena que já havia sido divulgada, e vi que eu poderia SIM assistir a esse filme, trazendo algo de positivo para ele ao produzir conteúdo sobre. Não e jamais uma resenha: o boicote permanece, nesse aspecto. É falando sobre política e como o contexto do mundo mágico na década de 20 se repete hoje no NOSSO mundo incluindo, é claro, aqui, nas terras tupiniquins.

Pode parecer coincidência, ou que estamos “vendo o que não existe”, mas qualquer um que conheça Joanne Rowling sabe que é mentira. Pondo todas as ressalvas que tenho à minha “ex maior ídola” à parte, não podemos negar, essa mulher respira ativismo, incluindo político! Seu perfil no Twitter contém mais críticas a Donald Trump do que material sobre Harry Potter, e com razão… Política, ao contrário do que somos ensinados a acreditar, não é somente o que nos leva a uma zona eleitoral a cada dois anos, ela REGE NOSSA VIDA! Tudo o que somos, fazemos e pensamos é político. O que acontece fora do país nesse aspecto nos atinge. O que acontece dentro? Mais ainda! E sabendo disso não há como negar que Gellert Grindelwald, esse velho novo vilão, não poderia ser nada mais que uma metáfora à onda neo fascista que está crescendo para todo lado.

Animais Fantásticos: o perigo de discursos autoritários!

Imagem via Pipoca Combo

Quando se trata de bruxo das trevas, estamos acostumados com a soberania mimada de Lord Voldemort e sua necessidade de atingir objetivos megalomaníacos “na marra”. Tom Servolo Riddle é um reflexo dos dois homens que seu nome homenageia: preconceituoso, arrogante, carregando aquele ar superior mesmo que não tenha nada e o esfregando na cara dos outros. Um mestiço com ideias puro-sangue, homem genial que comete erro atrás de erro em nome de sua obsessão com uma simples criança. Aquele que tem seus seguidores fanáticos por causa do discurso excludente, sim, mas que também se esforça para consegui-los à força: tortura, domina mente, mata, chantageia. A verdade é que por mais estrategista que ele seja, lhe faltam as famosas “papas na língua”.

Mas não em Grindewald: esse é seu maior poder. Ele é extremamente inteligente, sim, mas sequer precisaria disso, pois consegue conquistar seus “minions” de forma ainda mais perigosa, transformando falácias exatamente no que as pessoas precisam ouvir. Sabe quando você diz que é contra pena de morte e alguém automaticamente assume que está defendendo bandidos no lugar das vítimas? O papel de Grindewald é esse, inverter a visão de bem e mal em nome “do bem maior”, seu lema que já nos era conhecido nos livro de Harry Potter. Ouvi-lo dizer que não odeia aqueles que claramente julga inferiores nos faz quase esperar que essa frase seja finalizada com “tenho até amigos que são!”, como tanto ouvimos aqui e ali. Ele trata os que estão ao seu lado como “irmãos e irmãs”, ora, estamos todos em busca do mesmo objetivo, mas lá no fundo, todos sabemos, não espera de forma alguma ser visto como igual por eles, e sim como quem os lidera.

Grindewald não suja as mãos. Não em público! Ele permite que a violência exista e a pratica, claro, mas sempre com algum propósito, seja ele superar “inimigos” ou incitar ainda mais violência que vai fazê-lo parecer o verdadeiro inocente, no fim das contas. É desonesto, mas acredita tão fortemente que tem direito a essa desonestidade que todos os que são seduzidos por ele passam a acreditar também. Fala meias verdades e as mais velhas mentiras, e é aplaudido por aqueles que as compram, porque sabe como, onde e com quem falá-las. Sua asserção se assemelha tanto a de tantos outros antes e depois dele na história “trouxa” que é assustador ver como a vida imita a arte, inclusive no momento em que o nazismo foi protagonista da Segunda Guerra Mundial, que coincidentemente ou não (só descobriremos ao final dos cinco filmes) teve seu fim exatamente no mesmo ano em que, já sabemos, ele foi derrotado por Alvo Dumbledore… Ele, que é o “outro lado da moeda”, tão persuasivo quanto, mas que sabe decidir entre o que é certo e o que é fácil.

Leia também: Animais Fantásticos e Onde Habitam, resenha do primeiro filme da série pelo qual, por sinal, sou apaixonada!

A verdade é que a presença de Johnny Depp foi uma das coisas que menos me incomodou em cena, apesar de incomodar “a alma”, foi um dos raríssimos momentos em que olhei para uma atuação dele feita nos últimos 20 anos e achei aceitável. O segundo “Animais Fantásticos” é, porém, desserviço a uma história sensacional ao tentar enfiar o fan service na nossa “goela abaixo”. O que sobra em bons efeitos e atuações, falta em direção e roteiro a ponto de ser difícil de ser visto por causa do primeiro e cansativo (no sentido de forçar algo sem necessidade) pelo segundo. Mas, nesse momento, é o que menos importa. O discurso que é feito nas cenas finais do longa, e todas as atitudes tomadas antes (e depois, nos próximos três filmes que virão) por quem o faz são um alerta extremamente pertinente para os perigos que o autoritarismo nos traz e como ele pode ser sedutor onde menos se espera. Faz quem já está ciente disso se revoltar com a realidade da situação tão absurda, e quem não está ciente, quem sabe, abrir os olhos, antes que seja ainda mais tarde demais.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindewald 15 de novembro, nos cinemas

Um Pequeno Favor

Em 13.10.2018   Arquivado em Filmes

Um Pequeno Favor Um Pequeno Favor (A Simple Favor) *****
Elenco: Anna Kendrick, Blake Lively, Rupert Friend, Henry Golding, Ian Ho, Miles Ward, Linda Cardellini, Zach Smadu, Andrew Rannells, Aparna Nancherla
Direção: Paul Feig
Gênero: Thriller, Comédia
Duração: 117 min
Ano: 2018
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Stephanie é uma jovem mãe que divide o tempo entre a criação do filho e o trabalho como vlogueira. Quando sua melhor amiga Emily desaparece, ela parte em uma jornada para descobrir a verdade por trás do ocorrido.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Desde o acidente que matou os principais homens de sua vida, seu irmão e o marido, Stephanie cria o filho sozinha, se dividindo entre isso e um vlog focado em “conteúdo para mães”, como culinária e artesanato. Quando o garoto se aproxima do filho de Emily, com quem estuda, ela acaba vendo nessa mulher misteriosa a possibilidade de ter a melhor amiga que tanto queria. Aos poucos as duas vão se aproximando e revelando à outra seus segredos mais sombrios… Ou pelo menos é o que parece, até o dia em que Emily pede a ela um pequeno favor, que já havia pedido várias vezes: que busque o filho na escola naquela tarde já que, assim como o marido, está viajando. Os dias vão passando e ela percebe então que sua amiga não vai voltar, então resolve convocar suas expectadoras para ajudar na busca e, por conta própria, investigar o que pode ter acontecido, já que percebe que nada naquela história é o que parece…

“Um Pequeno Favor”, baseado no livro homônimo da autora americana Darcey Bell, é um thriller com pitadas de humor que conta a história de duas mulheres MUITO distintas de verdade, sem aquele clichê de “acabam descobrindo o quanto têm em comum”. Enquanto Stephanie (Anna Kendrick) se esforça ao máximo para ser uma boa mãe e se sente culpada dos erros que já cometeu, Emily (Blake Lively) está sempre adicionando novos problemas na sua lista e simplesmente não consegue se afeiçoar às pessoas por causa disso. A maneira como elas se relacionam é sempre assimétrica, com uma sugando e a outra cedendo. Mas o desaparecimento repentino de Emily tem TUDO pra virar esse jogo, através de personagens super complexos e imperfeitos, um enredo envolvente que te deixa com muita vontade de descobrir o final e atores que dão conta do recado perfeitamente… Mas o filme peca tão violentamente no desfecho que tudo o que veio antes se perde e fica difícil acreditar que foi tão ruim assim.

Um Pequeno Favor

Um Pequeno Favor, imagem via Time

À medida que o mistério foi se desenvolvendo eu achei que seria um novo “A Garota do Trem”, que é maravilhoso. Nele mulheres supostamente fracas se descobrem fortes, dando uma aula das consequências do relacionamento abusivo e gaslighting em suas vidas e as unindo por causa disso. Mas esse foi o contrário: todas as personagens femininas foram, aos poucos, se tornando inimigas, sabe? Ele tem várias falhas graves nesse aspecto, como acusações falsas de agressão, por exemplo, que reforça bastante a falta de credibilidade com que nossa sociedade lida com o abuso no cotidiano. No fim das contas a Stephanie se torna a única pessoa suportável na tela, porque todo o resto deixava quem estava na sala de cinema com vontade de largar a sessão e ir embora (pra vocês terem ideia, as pessoas realmente estavam discutindo o filme entre si, detestando mesmo). Fora quem simplesmente some e sua importância nunca é mostrada, com o chefe de Emily, que parece super relevante e depois você se pega pensando qual foi a finalidade de ter colocado aquela figura ali…

Ainda assim seria possível admirá-lo deixando esse ativismo de lado pela trama em si, cheia de reviravoltas e minúcias… Mas os últimos minutos, numa tentativa de continuar dando pitadas de humor que até então funcionavam super bem na atmosfera da história, fica escrachado em um nível que você se sente assistindo uma daquelas sátiras de besteirol americano, meio “Todo Mundo em Pânico”. A tensão se perde completamente, não te diverte como forma de compensar e simplesmente estraga o longa. É mais um daqueles casos onde a gente se pergunta se a adaptação não deu conta do que estava no livro, e uma pena porque tinha potencial para me deixar sem dormir por pelo menos uma noite, pensativa… Fica aí o questionamento se vale a pena ler, ou se é melhor deixar pra lá e partir pro próximo!

Trailer:

Um Pequeno Favor - Em exibição nos cinemas

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível

Em 22.08.2018   Arquivado em Disney, Filmes

Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin) *****
Elenco: Ewan McGregor, Hayley Atwell, Bronte Carmichael, Mark Gatiss, Jim Cummings, Nick Mohammed, Brad Garrett, Peter Capaldi, Sophie Okonedo, Toby Jones
Direção: Marc Forster
Gênero: Fantasia
Duração: 103 min
Ano: 2018
Classificação: Livre
Sinopse: “Christopher Robin já não é mais aquele jovem garoto que adorava embarcar em aventuras ao lado de Ursinho Pooh e outros adoráveis animais no Bosque dos 100 Acres. Agora um homem de negócios, ele cresceu e perdeu o rumo de sua vida, mas seus amigos de infância decidem embarcar no mundo real para ajudá-lo a se lembrar que aquele amável e divertido menino ainda existe em algum lugar.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Durante sua infância, Christopher Robin passou vários momentos divertidos ao lado dos seus amigos no Bosque dos Cem Acres, mas com sua partida para o colégio interno teve que se despedir dessas tardes de aventuras. Os anos se passam e, já adulto, ele segue com o tradicional ciclo da vida com o qual todos estavam acostumados: casamento, alguns anos servindo na guerra e a prerrogativa de passar o resto dos seus dias dentro de um escritório se dedicando ao trabalho. E quando sua família vai passar um fim de semana na casa de campo, enquanto ele fica preso em Londres trabalhando, acaba recebendo a visita inesperada de um velho amigo no qual sequer acreditava mais: o Ursinho Pooh.

Pooh saiu em busca de ajuda para encontrar todos os seus amigos, que sumiram misteriosamente num suposto ataque de Efalante. Depois de enfim reunir Tigrão, Leitão, Ió, Coelho, Corujão, Can e Guru e sentir uma dose do que era a magia de estar ao lado deles, Christopher precisa voltar ao “mundo real” e apresentar as propostas de trabalho requisitadas por seu chefe, mesmo que para isso tenha que decepcionar novamente as pessoas com quem mais se importa. É hora, então, dos animais do Bosque partirem em sua própria “expodição” para salvá-lo de vez.

Leia também: Cinderela, resenha do live action baseado em um dos maiores clássicos Disney.

Num filme lúdico de enredo extremamente simples, a Disney resgatou um grupo de personagens já aclamado por várias gerações para protagonizar essa história inédita, e não economizou na emoção ao fazer isso! Ewan McGregor, após estar BRILHANTE no papel de Lumiere na versão live action de A Bela e a Fera, é Christopher Robin adulto, um homem que segue sua vida de forma tão cinza quanto a Londres pós 1ª Guerra onde vive com a esposa, Evelyn, e Madaline, filha do casal. Em meio à crise familiar e profissional, a chegada de Pooh o faz lembrar de como as coisas podem ser coloridas mesmo sem deixar as responsabilidades de lado, já que ele tem como tarefa cortar gastos do departamento onde trabalha sem precisar demitir os colegas.

Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível

Imagem via Flickering Myth

A versão “bicho de pelúcia” dos personagens do Bosque ficou MUITO BONITINHA! Eles têm aspecto surrado, até um pouco arcaico, e ainda assim são reconhecíveis se comparados aos originais animados, bem como as personalidades características, principalmente o “quarteto” principal formado por Pooh, Tigrão, Leitão e Ió. É muito louco porque depois do estudo realizado pela CMJA, que relacionada cada um deles a um transtorno mental, fica impossível dissociá-los disso e perceber o quanto faz sentido (me identifico cada vez mais com meu eterno favorito, Leitão, e sua ansiedade)… Um pouco triste, claro, mas ao mesmo tempo divertido, causando cenas de humor melancólico e MUITA REFLEXÃO quando as “frases de efeito” tão presentes no livro de A. A. Milne surgem justamente nesses momentos, de forma despretensiosa e sempre impactante.

Pooh: “Que dia é hoje?”
Christopher Robin: “Hoje!”
Pooh: “Meu dia favorito!”

O começo do filme, confesso, é um pouco lento, mas à medida que trama se desenvolve você se acostuma com esse ritmo e percebe que faz parte da atmosfera da história. A fotografia, por sua vez, é maravilhosa, são tons soturnos sem deixar nenhum aspecto sombrio ou mesmo muito deprimente. É divertido para crianças, tocante para adultos e vice e versa, entretenimento para todas as idades. A mensagem principal, de não levar as coisas tão a sério e curtir a vida, é passada com delicadeza, pois até o final soluciona os problemas sem atitudes extremas – e dá um tapa na cara do momento atual de crises trabalhistas vividas aqui nas terras tupiniquins. Vale pena inclusive assistir os créditos finais, que contém uma das músicas dos desenhos animados tematizando “cenas extras” dos personagens secundários. Lindo, lindo, lindo de fazer o cinema todo literalmente aplaudir no final (sério!), Disney acertou em cheio nessa!

Trailer:

Mentes Sombrias: 16 de agosto nos cinemas!

Mentes Sombrias

Em 16.08.2018   Arquivado em Filmes

Mentes Sombrias Mentes Sombrias (The Darkest Minds) *****
Elenco: Amandla Stenberg, Gwendoline Christie, Harris Dickinson, Mandy Moore, Catherine Dyer, Lidya Jewett, Mark O’Brien, Patrick Gibson, Skylan Brooks, Wallace Langham
Direção: Jennifer Yuh Nelson
Gênero: Distopia
Duração: 115 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Em um mundo apocalíptico, uma pandemia mata a maioria das crianças e adolescentes da América. Alguns dos sobreviventes desenvolvem super poderes e eles são arrancados de suas famílias e enviados para campos de custódia por um governo temeroso. Um dos adolescentes escapa do acampamento e se junta a um grupo de adolescentes talentosos que seguem em uma operação especial.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: No dia após seu aniversário de 10 anos, Ruby foi tirada pelo governo de seus pais, que misteriosamente não se lembram dela mais, após enfim apresentar uma doença que está dizimando as crianças e adolescentes pelos EUA. Os sobreviventes, como ela, são levados para campos de tratamento, onde são separados de acordo com os poderes que essa “doença” traz, categorizados por cores: verde para inteligência elevada, azul para telecinéticos e dourado para os que controlam a eletricidade. Existem também os alaranjados, que controlam a mente, e vermelhos mas esses, por serem dentro da zona de perigo, acabam sendo executados. Ruby, mesmo muito jovem, usa seus poderes recém adquiridos de alaranjada para convencer seu avaliador que é uma verde e salvar a própria vida…

Seis anos se passam e a garota, por não apresentar a inteligência que supostamente devia ter, está prestes a ter seu segredo revelado, até ser resgatada Cate, que finge ser médica para tirá-la do campo. Ela faz parte da Liga das Crianças, que tem como objetivo libertar esses jovens, mas por desconfiar de seus motivos Ruby foge até cruzar o caminho de três outros “mutantes”: Liam, Bolota e Zu, também fugitivos em direção a um suposto acampamento onde os próprios adolescentes se governam, ajudando um ao outro a viver com as habilidades em liberdade.

“Mentes Sombrias” é uma distopia baseada no livro de mesmo nome de Alexandra Bracken, parte de uma série que já conta com cinco volumes, e estreia HOJE nos cinemas de todo país. Interpretada por Amandla Stenberg (a Rue de “Jogos Vorazes”), a protagonista Ruby segue a linha das heroínas do gênero: uma garota de 16 anos, muito poderosa, com total potencial para ser estopim de uma revolução ainda silenciosa e enfim levá-la a público. No que podemos chamar de “uma mistura de Divergente com X-Men”, ela forma com seus três novos amigos uma equipe muito carismática e divertida, cujos poderes se complementam para garantir a sobrevivência do grupo. Tem ação, romance, humor e um bom elenco, tudo que uma aventura adolescente precisa para dar certo, mas por algum motivo não funciona…

Mentes Sombrias

Imagem via Pure Break

A história em si é criativa e interessante, mas peca no desenvolvimento e diálogos fracos, de forma o espectador não se envolve completamente. Como não li o livro, não sei dizer se essa “falha” é da adaptação, o que faz sentido porque nem sempre é possível colocar na tela tudo o que está nas páginas, mas acabou ficando sem ritmo e, à medida que o clímax se aproxima, confuso. A parte em que eles vivem no acampamento passa e não dá para entender muito bem como os acontecimentos atingem os pontos em que chegam. A relação da protagonista com o líder do local, O Fugitivo, por exemplo, claramente devia ser algo muito grandioso, e acaba ficando tão sem sentido que você não consegue acreditar que aquilo acabou de acontecer, nem te dá tempo de digerir as coisas para absorver.

O final também é previsível e deixa a trama aberta para uma ou mais continuações, mas eu pessoalmente acho que seria uma maneira ousada e muito interessante de fechar a história, deixando o que aconteceu depois no ar e, ao mesmo tempo passando a mensagem de que nem sempre a situação que nos parece a salvação é, de fato, a melhor, podendo também ser um problema tão grande quanto o quadro atual. Às vezes a solução é abraçar outras causas em busca do bem coletivo de forma ampla… Claro, não precisa abandonar suas convicções, mas tem como mantê-las e ainda assim se adaptar a novos pensamentos ou soluções que podem ajudar todo mundo a “chegar lá”!

Trailer:

Mentes Sombrias: 16 de agosto nos cinemas!

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