Desnorteada

Em 22.07.2016   Arquivado em Escrevendo

De acordo com o Dicionário inFormal, a palavra “desnorteada” significa que se desnorteou, que está perdida, desequilibrada, confusa ou até mesmo insegura. Estar “sem norte” é o mesmo que estar sem direção ou rumo, sem saber para onde ir e até mesmo o que fazer em seguida. E foi assim que eu me senti nas duas semanas que meu site e, consequentemente, o blog ficaram fora do ar.

Eu já disse várias vezes, em posts ou ao vivo, que escrever aqui é uma coisa que eu não sei ficar sem saber, que não existe para mim mais isso de desvincular a “vida real” do que eu vou produzir pra cá depois, “blogar” é tão natural que às vezes eu nem percebo que estou fazendo isso, mas só fui entender pra valer o quanto esse sentimento é forte agora. Já passei por várias fases em que me faltou tempo, inspiração e até mesmo vontade de postar, mas a IMPOSSIBILIDADE fez com que tudo saísse do lugar na minha vida. Nos últimos dias eu tentei abrir o Word em diversos momentos pensando em já ir adiantando as coisas (o BEDA tá chegando!) e mesmo que soubesse exatamente o que precisava digitar, eu não o fazia. E olha que nas vezes em que fiquei sem internet era assim que as coisas funcionavam por aqui, mas agora não sei explicar, simplesmente não deu, nem visitar o blog de outras pessoas ou fazer “textão” no Facebook eu conseguia. Saber que ele não estava aqui e nem em lugar nenhum tirou meu chão e nada disso não faz nenhum sentido na minha cabeça, mas foi o que aconteceu. E aí eu percebi que existe uma grande possibilidade de eu continuar escrevendo aqui para sempre, sem medo da força absurda que essa expressão têm. A menos que eu me torne uma pessoa completamente diferente da que sou hoje, praticamente o oposto, o Sweet Luly vai estar comigo sendo meu blog de um modo ou de outro, seja o que for que a palavra “blog” signifique daqui a 5 ou mesmo 50 anos. O mais importante no momento é que estou de volta e doida pra ficar o fim de semana inteiro com os dedos correndo que nem loucos em cima desse teclado tirando todos os atrasos possíveis que tive nessa fase de abstinência!

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O resultado do sorteio de aniversário saiu dia 19 lá na fanpage do Facebook. Obrigada a todos os que participaram, foi uma DELÍCIA poder dividir esse momento com vocês e já tô querendo fazer mais um com algum outro caderninho de temática diferente, só não sei qual ainda, cês topam ou nem?

Sinopse

Em 04.07.2016   Arquivado em Escrevendo

Sinopse

Luly sempre criticava histórias onde tudo de bom ou ruim acontecia aos personagens ao mesmo tempo sem parar, dizia que é forçado e irreal. O que ela não imaginava é que “a vida imita a arte” e, de repente, viu seu mundo e o das pessoas que ama exatamente assim: acontecendo como uma novela! Agora ela deve aprender a viver cada um desses desafios enquanto concilia as duas versões dela mesma: a que mostra para os outros e gostaria de ser em tempo integral, e a garota que vive ali dentro de si da qual está a anos tentando se livrar…

Esse post foi inspirado na proposta #24 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018 e dessa vez tive que mostrar o que viria escrito na parte de trás do livro sobre a minha vida usando apenas 100 palavras.

Participe do sorteio de 12 anos do blog!

5 lições para aprender com meu filme favorito

Em 23.06.2016   Arquivado em Disney, Escrevendo

Essa semana O Corcunda de Notre Dame da Disney completou 20 anos desde o seu lançamento nos Estados Unidos, a mesma idade do protagonista da história, Quasímodo. Meu pai me deu o VHS do filme no ano seguinte de presente de aniversário porque na época eu estava começando a gostar de brincar no computador e ele achou um “combo” que vinha junto com um CD com cinco joguinhos sendo vendido perto do trabalho, não estava nem interessado na história e nem nada, então ninguém jamais ia imaginar que assim que eu assistisse aqueles 90 minutos até o final pela primeira vez me APAIXONARIA completamente, que foi o que aconteceu. Até o fim de 1997 eu assisti aquela fita praticamente todos os dias, desde então ele é oficialmente meu filme favorito e acho que sempre vai ser, não consigo me imaginar encontrando algo para “substituir”. Sendo assim é ÓBVIO que eu comemorei muito essa data especial revendo o longa pela milésima vez, postando pedacinhos no SnapChat e tudo mais e, depois que acabou, refletindo quantas coisas maravilhosas aprendi com ele. Decidi então continuar as celebrações e contar para vocês as 5 coisas mais importantes que podemos aprender com ele, dentre tantas outras, na minha humildade opinião de fã apaixonada…

01) Comportamento de massa muitas vezes traz péssimos resultados

Quasímodo é nomeado o “Rei dos Tolos” por ser “o rosto mais feio de Paris”, certo? Certo! O título pode parecer meio ofensivo, mas ele está feliz por (finalmente) estar convivendo com pessoas e estão todos o tratando com carinho, mandando flores e gritando seu nome com alegria, o coitadinho até chora emocionado ao ver tanta animação. E é aí que um BABACA no meio da multidão resolve ser ofensivo e joga um tomate na cara dele. O babaca número 2 então acompanha essa atitude, aí vem o número 3 e de repente os “súditos fiéis” do novo rei estão TODOS lá, o agredindo em público física e moralmente, uma violência abusiva que só acaba quando a cigana Esmeralda resolve intervir em tamanha atrocidade porque não aguentava mais presenciar aquilo. Essa pessoa, meus amigos, sejam SEMPRE essa pessoa, não o babaca número 4, 5 ou mil!

O Corcunda de Notre Dame

02) Não devemos culpabilizar a vítima

Pois bem, aí temos a cena deplorável acima e todos nós concordamos que Quasímodo foi uma vítima do ódio e do preconceito (e se você não concorda, por favor, retire-se desse ambiente de amor). Ok, ele então entra na Catedral de Notre Dame humilhadíssimo e fica lá curtindo a maior bad de todos os tempos quando escuta a voz da Esmeralda cantando lá em baixo maravilhosa como sempre. A moça é linda e gentil, ele resolve dar uma espiada porque tá todo apaixonadinho e acaba derrubando algumas velas em meio a sua distração. As pessoas se assustam, vêem que é ele e ao invés de dar seu apoio, pedir desculpas ou qualquer outra coisa boa para a sociedade fazem o que? XINGAM O RAPAZ POR NÃO ESTAR NA SUA TORRE E O ACUSAM DE TER CAUSADO TUMULTO NA RUA! E dentro da igreja, onde supostamente aprendem que se deve sempre “amor ao próximo como a ti mesmo”… Pois é, a mania de culpar a vítima não é uma exclusividade do século XXI, tá aí desde sempre.

03) Muitos assediadores estão por aí disfarçados de “cidadãos de bem”

E então temos o vilão da história, Claude Frollo. Eu não vou nem levar em consideração o fato de que no livro do Victor Hugo ele é um padre para não entrar em questões mais profundas (mesmo porque aquele lá rende uns cinco mil posts desse, eita história triste, socorro, esse filme já é de chorar mas não chega nem aos pés do original), vamos chamá-lo apenas de “Juiz Eclesiástico”. Enfim, lá está ele, um homem que deveria ser um símbolo de justiça divina, mas que todos sabemos que é um tremendo de safado mal acabado que não tem um pingo de empatia e bondade em seu ser. E além de maltratar o Quasímodo, perseguir os pobres e tudo quanto é crueldade que se pode imaginar o cara fica OBCECADO pela Esmeralda. Ela, uma mulher que entende das coisas da vida, não quer ficar com ele de jeito nenhum, e o que homens obcecados fazem com mulheres que não querem ficar com eles de jeito nenhum? EXATAMENTE, queima a cidade inteira atrás dela, agride qualquer um que tenta se colocar entre os dois, tenta matar o único subordinado que vai contra essa loucura toda, prende a coitada e manda ela escolher entre ele e a morte. Eu sei que tô dando spoiler, mas fala sério: acho que já dá pra imaginar qual dos dois ela escolhe, e temos que concordar que morrer não é lá uma coisa legal também! E pensar que muitas vezes essas são as únicas escolhas que mulheres que sofrem agressão têm e ninguém se dispõe a ajudar…

O Corcunda de Notre Dame

04) Você aguenta superar os altos e baixos da vida

Eu quero que vocês parem tudo o que estão fazendo e prestem atenção bem direitinho na citação que vou mostrar agora que, por sinal, é minha favorita! Ela acontece no momento que antecede o clímax do filme e é praticamente a causa dele… Quasímodo está lá, preso e acabado e sem forças e desiludido enquanto as gárgulas querem que ele se mecha para salvar seus amigos. É quando ele, muito derrotado, diz que não vai dar e pede para que o deixem quieto, e aí recebe a seguinte patada, digo, resposta:

Hugo: “Tá bem, Quasi, pode ficar quieto.”
Victor: “Afinal, somos feitos de pedra…”
Laverna: “… Achamos que você talvez fosse feito de coisa mais forte!”

Vocês percebem a genialidade da coisa toda? O herói é um ser humano de coração enorme que finalmente viu uma possibilidade de felicidade na sua vida ao lado de pessoas que gostam dele, mas teve isso arrancado por um tremendo filho-da-mãe que se dizia seu amigo, então resolveu chutar o balde e se deixar acabar, mesmo sabendo que aquelas pessoas dependem de sua ajuda. E aí três criaturas quase imaginárias (pra gente, né, porque em filme da Disney pode tudo) mostram que ser de carne e osso nos torna MUITO mais resistentes do que esculturas que são meramente decorativas porque nós podemos SEMPRE transformar as coisas. Não importa as pancadas que a vida dá nas nossas costas, devagarzinho podemos encontrar força para levantar e superar, seja por nós mesmos ou em nome de quem mais precisa.

05) NUNCA julgue alguém pela aparência (ou pelas escolhas pessoais)!

“Responda ao enigma assim que puder ao soar de Notre Dame: quem é o monstro e o homem quem é?”

Essa para mim é uma das frases mais INCRÍVEIS da Disney! Eu nem preciso explicar, preciso? Frollo passa vinte anos falando “Vão tratá-lo como um monstro!” para dissuadir Quasímodo a descer da catedral, mas na verdade o monstro era ele mesmo, que destruiu a vida daquele jovem, que é maravilhoso independente da aparência física e vida sofrida! Sério, se esse pequeno trechinho de música ainda não te convenceu a assistir ao filme eu tô oficialmente CONVIDANDO pra vir ver comigo aqui em casa, prometo que faço uma pipoca, compro uma Coca Cola e a gente curte essa obra de arte juntos para eu chorar no final, mais uma vez!

O Corcunda de Notre Dame

As imagens desse post foram tiradas daqui, daqui e daqui, respectivamente!

O “Dia do Amor” – pra quem mesmo?

Em 12.06.2016   Arquivado em Escrevendo

Longe de mim criticar uma data comemorativa tão linda quanto o “Dia dos Namorados”. Não, eu não sou contra esse dia. Sei que é puramente comercial, sei que foi criado para as pessoas terem (mais um) presente pra comprar, sei que quem tá solteiro muitas vezes detesta ter que lidar com os corações pendurados na parede quando sai pra qualquer lugar pra tomar um drink. Sei disso tudo, sei de muito mais e ainda assim acho legal que exista uma data especial para celebrar em voz alta com alguém que se ama de verdade, um “Dia do Amor”. Mas ainda assim não dá pra não pensar: amor pra quem? Amor AONDE? Quanta gente, que namora ou não, pode dizer, pros outros ou pra si mesmo, que não teve um FELIZ dia dos namorados?

Quantas pessoas têm sua foto de casal postada na página do Facebook do companheiro com uma legenda que indica respeito, carinho e admiração, mas sofre em todos os outros 364 dias do ano tendo que viver nesse relacionamento que lá no fundo é abusivo? Por trás daquele sorriso, do buquê de flores e do “Te amo” que nos faz curtir a foto com os olhos brilhando muitas vezes tem agressões (não só físicas, gente, agressão pode ser verbal também!), alfinetadas, descaso e desgaste. As pessoas que praticam esse tipo de coisa nunca vêm com uma placa na testa indicando suas ações e as que sofrem muito menos, na maioria das vezes é justamente aquele casal que você menos imagina que tem esse tipo de problema. E nem vem dizer que só passa por isso quem quer, hein! A gente nunca sabe o que leva o outro a continuar ali, não dá pra julgar…

E quantos outros sequer podem expressar seu amor, mesmo aquele saudável, por causa do preconceito, da intolerância. A cada ano uma nova empresa lança sua propaganda cheia de representatividade e casais homossexuais, e pra cada uma delas uma legião de ódio que vai contra uma coisa tão linda e tão simples que é gostar de alguém. Que mundo é esse onde estar de mãos dadas e beijos apaixonados podem terminar em violência, em dor, em lágrimas que passam longe de ser de alegria? Como pode ao mesmo tempo que uns são aplaudidos por tornar seu sentimento público, outros tantos são recriminados por isso? Cinquenta jovens em uma boate numa noite, outros milhares todos os dias, atos hediondos que conseguem ficar ainda pior (sim, é possível) ao receber o APOIO de quem não tem um pingo de empatia e bondade no coração.

Gente que seca, gente que despreza, gente que ofende, gente que odeia. Odeia o que não é igual a ele, odeia o que sua mente limitada não é capaz de aceitar, odeia sem saber o motivo real por trás desse ódio que não faz sentido nenhum. É essa gente que, no fundo, não pode ter um feliz dia dos namorados ou mesmo um feliz dia qualquer… Só não percebeu ainda. A você que não pode celebrar o amor hoje: eu sinto muito, mas não desanima, não! Estamos aqui de braços estendidos e coração aberto para tentar tornar esse mundo cada vez melhor pra todos nós. E a você que felizmente pode: transmita essa alegria também tendo compaixão, tendo amor não só a quem te ama de volta, mas também ao próximo! É mais fácil do que você imagina, juro juradinho, e faz um bem que não tem como descrever o tamanho!

diadosnamorados Foto: Sciene For All

Esse desabafo não estava planejado e sequer ficou da maneira que eu desejava, mas foi impossível não ter que tirar pra fora a tristeza profunda que estou sentindo ao ler as notícias hoje, um dia que deveria ser tão bonito mas que amanheceu sangrento, como o mundo vem sendo não só nos últimos tempos, mas desde sempre.

Problematizando minha problematização (ou não!)

Em 19.05.2016   Arquivado em Escrevendo

Já faz algum tempo que eu me tornei um ser problematizador. É só entrar em qualquer uma das minhas redes sociais “grandes” que dá pra ver, tô sempre compartilhando postagens de páginas de desconstrução de preconceitos e empoderamento de “minorias” e passo uma pequena parte do tempo escrevendo sobre isso também. A maioria desses textos não sai do rascunho: eu digito tudo, confiro direitinho e aí, por fim, apago. Alguns que gosto mais, por sua vez, acabam sendo publicados e é sempre uma alegria ver a reação das pessoas próximas a mim quando isso acontece, dá vontade de abraçar todo mundo. E agora a coisa se intensificou ainda mais porque já faz mais de um mês que minha cabeça começou a fazer isso em tempo integral, quando eu menos espero tô tão imersa nos meus próprio pensamentos que tenho que dar uma parada pra voltar à órbita!

Problematizando minha problematização

A questão é que, ao contrário do que o título desse post pode sugerir para alguns, eu não vejo isso de forma alguma como algo negativo, MUITO pelo contrário, tem horas que fico até orgulhosa do meu senso crítico e tudo mais. Até vejo umas pessoas meio de saco cheio ao meu redor, mas a prática me faz tão bem que aprendi a não ligar a mínima pra isso. Acho que quando alguém de cabeça na luta e no ativismo pelo que acredita passa por vários estágios. O primeiro dele é o pior porque acabamos nos tornando uma versão extremo aposta daquilo que acreditamos, agindo exatamente igual a quem tá do “lado inimigo”. Mas assim que acaba essa fase (pela qual eu acho que nunca passei) é maravilhoso ver o quanto uma mente aberta pode ajudar não só quem está precisando MUITO disso no momento, mas também a abrir um cadinho as que insistem terminantemente a permanecer fechadas. Claro que num dá pra ir quebrando todos os tabus de uma vez e loucamente, mas indo devagarinho os resultados podem ser tão maravilhosos que vale a pena ter (muita) paciência pra isso.

A única coisa que eu comecei a ver acontecer como reflexo dessa fase “extrema” – no sentido de “força”, não de “extremismo” – e que me incomodou um pouquinho é que o que está “fora” da vida real começou a perder um pouco interesse pra mim. Era pra hoje eu estar mostrando pra vocês um belo post cheio de choros e fotos contando como foi o Disney On Ice, mas não consegui (apesar de ter sido LINDO, daqui a uns dias sai). Tô com a leitura de três livros parada porque mesmo quando a história me agrada eu ando preferindo ler textão no Facebook alheio. Filmes eu até consigo porque é tudo muito rapidinho, mas termino pensando em tantas questões sobre a história que acabo extrapolando o sentido das coisas. E a parte ruim é: não tô tendo nem TEMPO de usar isso positivamente e aplicar criando conteúdo, já que poder sentar na frente do computador e escrever virou uma dádiva meio rara nessa vida de correria. Algumas vezes (tipo agora) até sai. Em outras fico devendo…

E aí vocês me perguntam: qual é a conclusão que tiramos disso tudo? Pois é, acho que nenhuma! Esse é mais um daqueles textos sem sentido que a gente faz quando precisa colocar o que tá sentindo e vivendo pra fora. Sei que esse momento de fata de interação com a ficção e a imaginação é meramente temporário e loguinho acaba, mas acho que o bichinho da problematização me picou permanentemente, então mesmo quando eu tiver em equilíbrio vou continuar fazendo isso de todas as formas que puder. O resultado atualmente é que que vocês tão lendo cada vez mais coisinhas na categoria “Escrevendo” que tenho aqui para arquivar o que não tinha onde ser arquivado, e pelo visto vai continuar sendo assim. Eu acho é muito bom. Espero que todo mundo ache também!

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