O “Dia do Amor” – pra quem mesmo?

Em 12.06.2016   Arquivado em Escrevendo

Longe de mim criticar uma data comemorativa tão linda quanto o “Dia dos Namorados”. Não, eu não sou contra esse dia. Sei que é puramente comercial, sei que foi criado para as pessoas terem (mais um) presente pra comprar, sei que quem tá solteiro muitas vezes detesta ter que lidar com os corações pendurados na parede quando sai pra qualquer lugar pra tomar um drink. Sei disso tudo, sei de muito mais e ainda assim acho legal que exista uma data especial para celebrar em voz alta com alguém que se ama de verdade, um “Dia do Amor”. Mas ainda assim não dá pra não pensar: amor pra quem? Amor AONDE? Quanta gente, que namora ou não, pode dizer, pros outros ou pra si mesmo, que não teve um FELIZ dia dos namorados?

Quantas pessoas têm sua foto de casal postada na página do Facebook do companheiro com uma legenda que indica respeito, carinho e admiração, mas sofre em todos os outros 364 dias do ano tendo que viver nesse relacionamento que lá no fundo é abusivo? Por trás daquele sorriso, do buquê de flores e do “Te amo” que nos faz curtir a foto com os olhos brilhando muitas vezes tem agressões (não só físicas, gente, agressão pode ser verbal também!), alfinetadas, descaso e desgaste. As pessoas que praticam esse tipo de coisa nunca vêm com uma placa na testa indicando suas ações e as que sofrem muito menos, na maioria das vezes é justamente aquele casal que você menos imagina que tem esse tipo de problema. E nem vem dizer que só passa por isso quem quer, hein! A gente nunca sabe o que leva o outro a continuar ali, não dá pra julgar…

E quantos outros sequer podem expressar seu amor, mesmo aquele saudável, por causa do preconceito, da intolerância. A cada ano uma nova empresa lança sua propaganda cheia de representatividade e casais homossexuais, e pra cada uma delas uma legião de ódio que vai contra uma coisa tão linda e tão simples que é gostar de alguém. Que mundo é esse onde estar de mãos dadas e beijos apaixonados podem terminar em violência, em dor, em lágrimas que passam longe de ser de alegria? Como pode ao mesmo tempo que uns são aplaudidos por tornar seu sentimento público, outros tantos são recriminados por isso? Cinquenta jovens em uma boate numa noite, outros milhares todos os dias, atos hediondos que conseguem ficar ainda pior (sim, é possível) ao receber o APOIO de quem não tem um pingo de empatia e bondade no coração.

Gente que seca, gente que despreza, gente que ofende, gente que odeia. Odeia o que não é igual a ele, odeia o que sua mente limitada não é capaz de aceitar, odeia sem saber o motivo real por trás desse ódio que não faz sentido nenhum. É essa gente que, no fundo, não pode ter um feliz dia dos namorados ou mesmo um feliz dia qualquer… Só não percebeu ainda. A você que não pode celebrar o amor hoje: eu sinto muito, mas não desanima, não! Estamos aqui de braços estendidos e coração aberto para tentar tornar esse mundo cada vez melhor pra todos nós. E a você que felizmente pode: transmita essa alegria também tendo compaixão, tendo amor não só a quem te ama de volta, mas também ao próximo! É mais fácil do que você imagina, juro juradinho, e faz um bem que não tem como descrever o tamanho!

diadosnamorados Foto: Sciene For All

Esse desabafo não estava planejado e sequer ficou da maneira que eu desejava, mas foi impossível não ter que tirar pra fora a tristeza profunda que estou sentindo ao ler as notícias hoje, um dia que deveria ser tão bonito mas que amanheceu sangrento, como o mundo vem sendo não só nos últimos tempos, mas desde sempre.

Problematizando minha problematização (ou não!)

Em 19.05.2016   Arquivado em Escrevendo

Já faz algum tempo que eu me tornei um ser problematizador. É só entrar em qualquer uma das minhas redes sociais “grandes” que dá pra ver, tô sempre compartilhando postagens de páginas de desconstrução de preconceitos e empoderamento de “minorias” e passo uma pequena parte do tempo escrevendo sobre isso também. A maioria desses textos não sai do rascunho: eu digito tudo, confiro direitinho e aí, por fim, apago. Alguns que gosto mais, por sua vez, acabam sendo publicados e é sempre uma alegria ver a reação das pessoas próximas a mim quando isso acontece, dá vontade de abraçar todo mundo. E agora a coisa se intensificou ainda mais porque já faz mais de um mês que minha cabeça começou a fazer isso em tempo integral, quando eu menos espero tô tão imersa nos meus próprio pensamentos que tenho que dar uma parada pra voltar à órbita!

Problematizando minha problematização

A questão é que, ao contrário do que o título desse post pode sugerir para alguns, eu não vejo isso de forma alguma como algo negativo, MUITO pelo contrário, tem horas que fico até orgulhosa do meu senso crítico e tudo mais. Até vejo umas pessoas meio de saco cheio ao meu redor, mas a prática me faz tão bem que aprendi a não ligar a mínima pra isso. Acho que quando alguém de cabeça na luta e no ativismo pelo que acredita passa por vários estágios. O primeiro dele é o pior porque acabamos nos tornando uma versão extremo aposta daquilo que acreditamos, agindo exatamente igual a quem tá do “lado inimigo”. Mas assim que acaba essa fase (pela qual eu acho que nunca passei) é maravilhoso ver o quanto uma mente aberta pode ajudar não só quem está precisando MUITO disso no momento, mas também a abrir um cadinho as que insistem terminantemente a permanecer fechadas. Claro que num dá pra ir quebrando todos os tabus de uma vez e loucamente, mas indo devagarinho os resultados podem ser tão maravilhosos que vale a pena ter (muita) paciência pra isso.

A única coisa que eu comecei a ver acontecer como reflexo dessa fase “extrema” – no sentido de “força”, não de “extremismo” – e que me incomodou um pouquinho é que o que está “fora” da vida real começou a perder um pouco interesse pra mim. Era pra hoje eu estar mostrando pra vocês um belo post cheio de choros e fotos contando como foi o Disney On Ice, mas não consegui (apesar de ter sido LINDO, daqui a uns dias sai). Tô com a leitura de três livros parada porque mesmo quando a história me agrada eu ando preferindo ler textão no Facebook alheio. Filmes eu até consigo porque é tudo muito rapidinho, mas termino pensando em tantas questões sobre a história que acabo extrapolando o sentido das coisas. E a parte ruim é: não tô tendo nem TEMPO de usar isso positivamente e aplicar criando conteúdo, já que poder sentar na frente do computador e escrever virou uma dádiva meio rara nessa vida de correria. Algumas vezes (tipo agora) até sai. Em outras fico devendo…

E aí vocês me perguntam: qual é a conclusão que tiramos disso tudo? Pois é, acho que nenhuma! Esse é mais um daqueles textos sem sentido que a gente faz quando precisa colocar o que tá sentindo e vivendo pra fora. Sei que esse momento de fata de interação com a ficção e a imaginação é meramente temporário e loguinho acaba, mas acho que o bichinho da problematização me picou permanentemente, então mesmo quando eu tiver em equilíbrio vou continuar fazendo isso de todas as formas que puder. O resultado atualmente é que que vocês tão lendo cada vez mais coisinhas na categoria “Escrevendo” que tenho aqui para arquivar o que não tinha onde ser arquivado, e pelo visto vai continuar sendo assim. Eu acho é muito bom. Espero que todo mundo ache também!

Uma cintura que mostrou várias coisas…

Em 12.05.2016   Arquivado em Escrevendo, Feminismo

Se a algumas semanas atrás eu tivesse dito para mim mesma que estaria escrevendo esse post, sério, eu JAMAIS acreditaria. E acho que isso é o mais maravilhoso dessa história toda: o fato de que algo muito forte negativamente na minha vida se transformou rapidinho numa coisa irrelevante e, logo em seguida, em algo ainda mais forte positivamente. Eu até pensei que não deveria escrever sobre isso porque “já passou” ou “já rendeu demais”, mas percebi que nada disso importa e com uma forcinha vindo de um lugar inesperado, pronto, cá estou eu me surpreendendo mais uma vez com a mesma coisa mesmo depois de quase um mês.

O início da história é: já tem algum tempo desde que eu pensava em tirar fotos minhas “seminua”. A palavra é bem forte pra esse caso porque as costas são algo que “todo mundo tem”. Mas nós sabemos que no corpo feminino qualquer sinal mínimo de nudez choca muito mais, ao mesmo tempo que rola fetiche ao redor disso existe também um baita tabu, então era certo que eu jamais faria tal coisa. Até que um belo dia eu fui lá e fiz. Não precisei que ninguém fizesse por mim, eu mesma peguei minha câmera, coloquei no timer e “posei” na frente dela. Assim que vi o resultado achei tudo muito ridículo e jurei que ninguém JAMAIS veria aquelas fotos. Duas horas depois, porém, uma delas estava linda e sépia no meu Instagram. No dia seguinte, por causa da história do “Bela, recatada e do lar”, pronto, foram mais duas que mandei enviar até pro Facebook (que vocês vão ver aí em baixo). Então refleti sobre como, quem sabe, algum dia alguma garota iria ver aquelas fotos e decidir fazer o mesmo. Quem sabe poderia incentivar alguém a se ver de outra forma. Pensei que se o mundo soubesse que eu tenho sardas altamente ODIADAS nas minhas costas e tava mostrando pra quem quisesse olhar, bem, algumas pessoas não precisariam mais esconder alguma coisa nelas mesmas.

Só que a repercussão foi maior do que imaginei. A foto, mesmo fechada para amigos, começou a receber “Curti” e “Amei” durante aquele dia inteiro. Recebi comentários chamando de “Diva” e rolou até um “Uau” muito bem vindo naquele momento. A cada nova notificação eu olhava mais e mais pra elas e o que eu esperava logo antes aconteceu. E sabem o melhor? Aconteceu COMIGO. Olhei tanto que comecei a focar num ponto muito específico de mim mesma: a cintura. E, de repente, eu me vi pensando “Sério mesmo que essa aí sou eu? Sério que essa cintura é minha? Se ela é assim porque diabos eu fico escondendo?”, o que de cara foi uma descoberta meio boba, mas depois virou algo GIGANTE dentro da minha cabeça. Eu percebi que poderiam existir várias outras coisas sobre mim, físicas ou não, que poderiam ser boas e eu nem sabia. Descobri que isso poderia existir nas outras pessoas também, mas que eu ainda não tive a oportunidade de encontrar nelas. E então eu passei a amar minhas fotos loucamente: usei em capa de um vídeo, postei outra no Facebook para discutir parte desse mesmo assunto que estou discutindo aqui agora, cheguei a jogar uma sem efeito nenhum no Twitter pra apoiar a hashtag #MeSintoLindaComoSou, até como perfil do Whatsapp as danadas estão… Inclusive aceitei uma sugestão que recebi e vou IMPRIMIR três delas fazer quadros aqui pro meu quarto. E aí que eu caí em mim e vi que não eram só as fotos (ou minha cintura) que eu estava amando naquele momento. Era eu mesma. E isso foi incrível.

O que começou em mim não parou mais, foi um assunto que eu achei que sequer existiria, mas até hoje surgem pessoas inesperadas vindo falar comigo sobre. Teve gente vindo me chamar pra confessar que também morre de vontade de fazer isso, mas não tem a coragem que eu tenho, e é nesse momento que essas pessoas descobrem que eu sequer tinha essa coragem, ela teve que ir sendo construída sem que eu notasse. Agora acho que tô “encerrando” um ciclo chegando no ponto máximo que achei que não chegaria, que é isso vir parar aqui no blog. Quem ainda não viu pode ter duas reações agora que vai ver: se decepcionar completamente no estilo “todo esse alvoroço só pra isso?” OU entender o que essas costinhas aí representam, que ao meu ver significa ter absorvido realmente todo o resto que foi dito. E aí minha finalização é: fique atento às dicas que a vida te dá que te mostram a pessoa maravilhosa que você é. Elas podem aparecer a qualquer momento, de milhares de maneiras diferentes. Não é algo permanente, em certos momentos fica difícil acreditar nessa “maravilhosidade” toda, mas nos faz cair na real que valemos vale a pena em tantos níveis que a gente mesmo nem imagina…

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Esse post foi inspirado na proposta #08 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018! A outra foto publicada, que é minha favorita, pode ser vista aqui.

Deu branco!

Em 21.03.2016   Arquivado em Escrevendo

Sabe aquele dia em que você não consegue produzir absolutamente nada e que, geralmente, é justo um dia em que você tinha várias coisas pra produzir? Pois bem, hoje é um desses dias! Eu PRECISO revisar uns textos MEGA importantes que já deviam ter sido revisados, mas as palavras não faziam sentido nenhum e progredi 0%. Era pra eu escrever algo pro novo projeto da BlytheCon, mas mesmo depois de ler 10 poemas e músicas sobre o assunto não saiu nada. Fui responder os comentários dos posts anteriores, que é algo que eu amo fazer, e não absorvi uma palavra de nada do que estava lendo, impossível formular qualquer opinião sobre qualquer um deles. Nem mesmo nos meus planejamentos semanais eu consegui mexer.

Era também dia de postar aqui no blog, mas semana passada eu não consegui agendar os posts, então tinha que finalizar o que estava planejado para ir ao ar. Abri, olhei, não deu. Então fui pulando pros meus outros rascunhos, um por um, e cada um deles foi fechado sem ABSOLUTAMENTE NENHUMA ALTERAÇÃO. Nem mesmo o Creative Writing Prompts conseguiu me inspirar hoje. Então eu pensei em fazer um textão sobre isso na página do blog para justificar minha ausência e, adivinha? Neca!

Foi quando eu decidi então que a minha falta de post deveria virar um post e vim contar pra vocês que hoje DEU BRANCO! Passei o dia inteiro me dedicando a escrever textos que não foram escritos pelo simples fato de que não deu, não rolou, não foi. Nada do que faço normalmente para mudar isso funcionou, bloqueio criativo total. E aí isso foi gerando uma angústia, um desespero… Um mega desconforto! Não tô sabendo lidar com isso e espero que depois de uma noite de sono a situação volte ao normal, porque nem mesmo esse breve desabafo está saindo do jeito que eu queria. Mas vejam que coisa bonita que é essa vida em que até mesmo a falta de inspiração nos inspira!

deubranco

Me diga: o que você faz nessas situações: Deixa passar, come um biscoitinho, pula corda ou o que? Me conta, por obséquio, para que eu possa colocar em prática da próxima vez.

12 Coisas Para Fazer na Falta de Energia Elétrica

Em 18.03.2016   Arquivado em Escrevendo

12 Coisas Para Fazer na Falta de Energia Elétrica

01) Ler: Enquanto ainda existir luz natural sobre nossas cabeças para iluminar aquelas belas páginas contendo palavras organizadas em forma de texto, bem, por que não aproveitar? Pode ser um livro, uma coisinha que você anda precisando estudar, algum artigo interessante… Só não força demais a vista, hein? Se for ficando desconfortável à medida que o Sol for baixando é melhor suspender a operação!

02) Usar aquela vela que você morre de dó de acender: Saaabe quando seu primo faz um curso de velas, empolga e começa a presentear a família inteira com suas criações, inclusive você? E aí ele faz da cor que você quer com o cheirinho dos seus sonhos e você fica lá, protelando o dia em que vai usufruir de tal presente? Pois é, tempos de desespero pedem medidas desesperadas, a hora é essa!

03) Ligar para um amigo com quem não fala a muito tempo: Que é uma opção super válida, porém limitada, uma vez que só funciona até a hora em que o celular descarregar e te deixar incomunicável.

04) Jogar Uno: No meu caso CanCan, mas o nome não importa, e sim o momento em que seu irmão sacana vai jogar um 4+ e você vai ter um ataque de fúria tão grande a ponto de quase derrubar qualquer que seja o dispositivo que está usando para iluminar o ambiente.

05) Fazer bichinhos de sombra com as mãos: Quando eu era criança adorava quando faltava energia porque isso significava que em algum momento após as velas serem acendidas alguém ia começar a fazer bichinhos com as mãos pra eu adivinhar quais eram. Eu não via a hora de virar adulta pra saber fazer também, o que foi um #epicfail porque meu coelhinho sai estranho e até a borboleta é “mei” torta.

06) Aproveitar para dormir cedo: Todo dia a gente promete que vai ir dormir mais cedo e todo dia a internet não deixa… Mas sem internet não tem desculpa, então aproveita!

07) Escrever um diário narrando sua última semana: Eu sempre gostei de manter diários para ter registro das coisas que faço, vejo e penso. É ótimo, gente, ajuda demais a ter boa memória e exercer a escrita! Sei que nem todos têm ou querem ter esse costume, mas que tal aproveitar o ócio para tentar fazer um diarinho dos últimos dias? Ou ir arrumando seu próximo diário de viagem, quem sabe? Aposto que você vai gostar!

08) Observar a rua através da janela: Houve uma época em que eu morava num bairro onde QUALQUER VENTINHO era motivo pra energia cair, e nessas ocasiões minha atividade favorita era justamente essa, ficar na janela vendo a chuva, os carros e a esperança de a CEMIG aparecer para corrigir o problema.

09) Comprar um pote de sorvete e comê-lo inteiro: Afinal de contas você não tem geladeira para guardar depois, então é sua OBRIGAÇÃO não desperdiçar aquela delícia, não é mesmo?

10) Um “mexidão” com tudo o que você tem na geladeira: Novamente uma dica para evitar desperdícios. Ao invés de deixar aquela comida estragar é hora de usar a criatividade e todo esse talento MasterChef que a vida lhe deu! (Sem contar que mexidão é um trem bom demais, né minha gente, fala sério.)

11) Organizar gavetas, armários, etc: Sabe aquela bagunça que você nunca consegue colocar no final por “falta de tempo”, também conhecida como “união de preguiça com Netflix” e que deixa sua mãe LOUCA DA VIDA? Pois é, essa é a hora!

12) Tomar um banho frio: Por obrigação, né gente, não por vontade. E enquanto sofre debaixo d’água comece a cogitar trocar seu chuveiro elétrico por um a gás, é muito gostoso, seguro e permite que você tome banhos quentinhos sempre!

Esse post foi inspirado na ideia #07 proposta pelo Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018!

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