Dia Chuvoso

Em 19.08.2016   Arquivado em Escrevendo

Dia Chuvoso

Apoiada na janela, sem saber se é uma boa posição, sentada com o olhar vago. Não há ninguém para se olhar, observar, analisar, estudar ou qualquer outro verbo que poderia se encaixar nesse momento. Ninguém e nada, apenas as partículas que caem do céu.

Ela começam devagar, a gente só percebe que estão vindo pelo cheiro característico que fica no ar, pelo vento forte que sacode tudo que existe ao seu redor, até que começa a engrossar, o chuvisco se torna tempestade e assim permanece até conseguir se conter e virar um chuvisco de novo. E enquanto ela cai não há nada melhor do que permanecer ali, apenar vendo aquilo acontecer. Os pingos batem no vidro e por ali escorregam, deixando seu rastro, encontrando um no outro para acelerar o caminho até, enfim, chegar no final e sumir. Gotas viram uma poça e a poça depois evapora para, alguns dias depois, virar uma gota de novo. E quando isso acontecer é só voltar para a janela para admirar esse processo mais uma vez, todas as vezes. incansavelmente!

Esse post foi inspirado na proposta #82 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018 e tive apenas 5 minutos para escrevê-lo, um baita desafio!

BEDA2016

Quando deixei ela ir…

Em 05.08.2016   Arquivado em Escrevendo

Quando deixei ela ir...

Existem duas raças de cachorro pelas quais sou completamente apaixonada, daquelas que me fazem morrer de amores com muita força, mesmo que no geral eu não dê a mínima pra isso. A grande favorita é basset hound, que eu terei um dia, e a segunda dachshund, também conhecido como “basset” ou mesmo “salsicha”. Esse amor todo nasceu por causa da Pankeka, nossa bassetzinha que foi o melhor cachorro do mundo por 11 anos da nossa vida, e desde que ela morreu eu queria uma nova, dessa vez pretinha ao invés de ruiva, pra poder se tornar minha melhor amiga de todos os tempos. E foi em 2009 que eu ganhei a Peggy, seguindo a tradição da família (que já não existe mais) de cachorros com nomes começados com P, era a “coisa” certa que devia acontecer na minha vida, mas infelizmente veio na hora errada.

Os primeiros dias foram incríveis. Ela era quietinha e amorosa, tão diferente do que eu esperava de uma raça tipicamente caçadora, fez amizade com a Pakita logo de cara, as duas se davam super bem, eu não podia estar mais feliz. Até que descobrimos que toda aquela manha era porque ela estava doente, então com a maior dor do mundo no coração internamos minha bebê. Assim que ela voltou eu percebi que já sabia que eu era a “mamãe” dela, veio correndo pra mim toda feliz e bagunceira, e foi assim que ela continuou nos dias seguintes, causando todos os problemas que nem sei se estavam ali de verdade. A versão curada da Peggy era o demônio, mas só quando eu estava perto. Fim de semestre, eu passava o dia inteiro na faculdade e no estágio, cheia de coisa pra fazer, enquanto ela ficava quietinho dentro de casa, só esperando. E assim que eu chegava o amor gigantesco que minha cachorrinha tinha por mim virava meu inferno pessoal: ela corria sem parar, queria brincar, mastigava tudo o que via pela frente pra chamar minha atenção, destruía meus cadarços, passava a noite uivando na minha cabeça, pulava na minha mão pra dar as piores mordidas de carinho do mundo, agarrava sem dó ia puxando, não soltava até perder o fôlego. Tudo isso combinado com o fato de que a gente tinha acabado de sair de uma casa grande com quintal e tivemos que enfrentar a realidade de dois cachorros em um “apertamento”, eu acordava de manhã exausta só de pensar no novo dia sempre com uma bagunça dela pra arrumar. Eu tinha que fazer meus trabalhos, estudar pras minhas provas e só o que conseguia sentir era que ela me odiava profundamente por não me deixar fazer nada daquilo, quando na verdade era o oposto, ela estava só sendo um cachorrinho feliz em me ter ao seu lado. E aí não deu mais, pra nenhuma de nós. No meio do meu desespero e crises de choro sem sentido, sem perceber o que estava fazendo, conversei com uns colegas do trabalho e um deles (e eu poderia dizer até “o melhor deles”) aceitou com a maior alegria do mundo ficar com ela. E foi quando eu deixei ela ir.

O último momento como “mãe e filha” foi terrível. Assim que ela viu que tava indo embora olhou pra mim com a cara mais triste que já vi na vida e eu usei todas as minhas forças pra esperar eles estarem longe e começar a chorar. Mas então eu consegui terminar meu semestre em paz e foi possível sobreviver no nosso novo lar só com nossa Pakitinha e suas bagunças inofensivas. A Peggy cresceu bem maluca, como esperado, mas LINDA, saudável e completamente apaixonada pelo papai dela, e o sentimento foi recíproco desde o começo. Desde sempre eu fui e sempre serei contra fazer o que eu fiz, mas na primeira vez que vi os dois juntos numa foto soube que foi melhor assim. No final tudo deu certo e eu juro, juradinho mesmo, que é algo que não vai acontecer mais, cachorros serão pra mim o que merecem ser: uma decisão fácil, maravilhosa, não o contrário… Porque essa definitivamente foi a mais difícil que já tive que encarar, de todas.

Antes de mais nada preciso dizer o quanto esse post me causa aperto no coração, pois nesse sábado, dia 30 de julho, nossa Pakita infelizmente morreu, e agora existe um vazio gigantesco aqui em casa e na nossa vida… A ideia de fazer essa “homenagem” à Peggy, porém, foi inspirado na proposta #25 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018 e dessa vez tive que falar sobre uma das decisões mais difíceis que já tive que tomar.

BEDA2016

Desnorteada

Em 22.07.2016   Arquivado em Escrevendo

De acordo com o Dicionário inFormal, a palavra “desnorteada” significa que se desnorteou, que está perdida, desequilibrada, confusa ou até mesmo insegura. Estar “sem norte” é o mesmo que estar sem direção ou rumo, sem saber para onde ir e até mesmo o que fazer em seguida. E foi assim que eu me senti nas duas semanas que meu site e, consequentemente, o blog ficaram fora do ar.

Eu já disse várias vezes, em posts ou ao vivo, que escrever aqui é uma coisa que eu não sei ficar sem saber, que não existe para mim mais isso de desvincular a “vida real” do que eu vou produzir pra cá depois, “blogar” é tão natural que às vezes eu nem percebo que estou fazendo isso, mas só fui entender pra valer o quanto esse sentimento é forte agora. Já passei por várias fases em que me faltou tempo, inspiração e até mesmo vontade de postar, mas a IMPOSSIBILIDADE fez com que tudo saísse do lugar na minha vida. Nos últimos dias eu tentei abrir o Word em diversos momentos pensando em já ir adiantando as coisas (o BEDA tá chegando!) e mesmo que soubesse exatamente o que precisava digitar, eu não o fazia. E olha que nas vezes em que fiquei sem internet era assim que as coisas funcionavam por aqui, mas agora não sei explicar, simplesmente não deu, nem visitar o blog de outras pessoas ou fazer “textão” no Facebook eu conseguia. Saber que ele não estava aqui e nem em lugar nenhum tirou meu chão e nada disso não faz nenhum sentido na minha cabeça, mas foi o que aconteceu. E aí eu percebi que existe uma grande possibilidade de eu continuar escrevendo aqui para sempre, sem medo da força absurda que essa expressão têm. A menos que eu me torne uma pessoa completamente diferente da que sou hoje, praticamente o oposto, o Sweet Luly vai estar comigo sendo meu blog de um modo ou de outro, seja o que for que a palavra “blog” signifique daqui a 5 ou mesmo 50 anos. O mais importante no momento é que estou de volta e doida pra ficar o fim de semana inteiro com os dedos correndo que nem loucos em cima desse teclado tirando todos os atrasos possíveis que tive nessa fase de abstinência!

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O resultado do sorteio de aniversário saiu dia 19 lá na fanpage do Facebook. Obrigada a todos os que participaram, foi uma DELÍCIA poder dividir esse momento com vocês e já tô querendo fazer mais um com algum outro caderninho de temática diferente, só não sei qual ainda, cês topam ou nem?

Sinopse

Em 04.07.2016   Arquivado em Escrevendo

Sinopse

Luly sempre criticava histórias onde tudo de bom ou ruim acontecia aos personagens ao mesmo tempo sem parar, dizia que é forçado e irreal. O que ela não imaginava é que “a vida imita a arte” e, de repente, viu seu mundo e o das pessoas que ama exatamente assim: acontecendo como uma novela! Agora ela deve aprender a viver cada um desses desafios enquanto concilia as duas versões dela mesma: a que mostra para os outros e gostaria de ser em tempo integral, e a garota que vive ali dentro de si da qual está a anos tentando se livrar…

Esse post foi inspirado na proposta #24 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018 e dessa vez tive que mostrar o que viria escrito na parte de trás do livro sobre a minha vida usando apenas 100 palavras.

Participe do sorteio de 12 anos do blog!

5 lições para aprender com meu filme favorito

Em 23.06.2016   Arquivado em Disney, Escrevendo

Essa semana O Corcunda de Notre Dame da Disney completou 20 anos desde o seu lançamento nos Estados Unidos, a mesma idade do protagonista da história, Quasímodo. Meu pai me deu o VHS do filme no ano seguinte de presente de aniversário porque na época eu estava começando a gostar de brincar no computador e ele achou um “combo” que vinha junto com um CD com cinco joguinhos sendo vendido perto do trabalho, não estava nem interessado na história e nem nada, então ninguém jamais ia imaginar que assim que eu assistisse aqueles 90 minutos até o final pela primeira vez me APAIXONARIA completamente, que foi o que aconteceu. Até o fim de 1997 eu assisti aquela fita praticamente todos os dias, desde então ele é oficialmente meu filme favorito e acho que sempre vai ser, não consigo me imaginar encontrando algo para “substituir”. Sendo assim é ÓBVIO que eu comemorei muito essa data especial revendo o longa pela milésima vez, postando pedacinhos no SnapChat e tudo mais e, depois que acabou, refletindo quantas coisas maravilhosas aprendi com ele. Decidi então continuar as celebrações e contar para vocês as 5 coisas mais importantes que podemos aprender com ele, dentre tantas outras, na minha humildade opinião de fã apaixonada…

01) Comportamento de massa muitas vezes traz péssimos resultados

Quasímodo é nomeado o “Rei dos Tolos” por ser “o rosto mais feio de Paris”, certo? Certo! O título pode parecer meio ofensivo, mas ele está feliz por (finalmente) estar convivendo com pessoas e estão todos o tratando com carinho, mandando flores e gritando seu nome com alegria, o coitadinho até chora emocionado ao ver tanta animação. E é aí que um BABACA no meio da multidão resolve ser ofensivo e joga um tomate na cara dele. O babaca número 2 então acompanha essa atitude, aí vem o número 3 e de repente os “súditos fiéis” do novo rei estão TODOS lá, o agredindo em público física e moralmente, uma violência abusiva que só acaba quando a cigana Esmeralda resolve intervir em tamanha atrocidade porque não aguentava mais presenciar aquilo. Essa pessoa, meus amigos, sejam SEMPRE essa pessoa, não o babaca número 4, 5 ou mil!

O Corcunda de Notre Dame

02) Não devemos culpabilizar a vítima

Pois bem, aí temos a cena deplorável acima e todos nós concordamos que Quasímodo foi uma vítima do ódio e do preconceito (e se você não concorda, por favor, retire-se desse ambiente de amor). Ok, ele então entra na Catedral de Notre Dame humilhadíssimo e fica lá curtindo a maior bad de todos os tempos quando escuta a voz da Esmeralda cantando lá em baixo maravilhosa como sempre. A moça é linda e gentil, ele resolve dar uma espiada porque tá todo apaixonadinho e acaba derrubando algumas velas em meio a sua distração. As pessoas se assustam, vêem que é ele e ao invés de dar seu apoio, pedir desculpas ou qualquer outra coisa boa para a sociedade fazem o que? XINGAM O RAPAZ POR NÃO ESTAR NA SUA TORRE E O ACUSAM DE TER CAUSADO TUMULTO NA RUA! E dentro da igreja, onde supostamente aprendem que se deve sempre “amor ao próximo como a ti mesmo”… Pois é, a mania de culpar a vítima não é uma exclusividade do século XXI, tá aí desde sempre.

03) Muitos assediadores estão por aí disfarçados de “cidadãos de bem”

E então temos o vilão da história, Claude Frollo. Eu não vou nem levar em consideração o fato de que no livro do Victor Hugo ele é um padre para não entrar em questões mais profundas (mesmo porque aquele lá rende uns cinco mil posts desse, eita história triste, socorro, esse filme já é de chorar mas não chega nem aos pés do original), vamos chamá-lo apenas de “Juiz Eclesiástico”. Enfim, lá está ele, um homem que deveria ser um símbolo de justiça divina, mas que todos sabemos que é um tremendo de safado mal acabado que não tem um pingo de empatia e bondade em seu ser. E além de maltratar o Quasímodo, perseguir os pobres e tudo quanto é crueldade que se pode imaginar o cara fica OBCECADO pela Esmeralda. Ela, uma mulher que entende das coisas da vida, não quer ficar com ele de jeito nenhum, e o que homens obcecados fazem com mulheres que não querem ficar com eles de jeito nenhum? EXATAMENTE, queima a cidade inteira atrás dela, agride qualquer um que tenta se colocar entre os dois, tenta matar o único subordinado que vai contra essa loucura toda, prende a coitada e manda ela escolher entre ele e a morte. Eu sei que tô dando spoiler, mas fala sério: acho que já dá pra imaginar qual dos dois ela escolhe, e temos que concordar que morrer não é lá uma coisa legal também! E pensar que muitas vezes essas são as únicas escolhas que mulheres que sofrem agressão têm e ninguém se dispõe a ajudar…

O Corcunda de Notre Dame

04) Você aguenta superar os altos e baixos da vida

Eu quero que vocês parem tudo o que estão fazendo e prestem atenção bem direitinho na citação que vou mostrar agora que, por sinal, é minha favorita! Ela acontece no momento que antecede o clímax do filme e é praticamente a causa dele… Quasímodo está lá, preso e acabado e sem forças e desiludido enquanto as gárgulas querem que ele se mecha para salvar seus amigos. É quando ele, muito derrotado, diz que não vai dar e pede para que o deixem quieto, e aí recebe a seguinte patada, digo, resposta:

Hugo: “Tá bem, Quasi, pode ficar quieto.”
Victor: “Afinal, somos feitos de pedra…”
Laverna: “… Achamos que você talvez fosse feito de coisa mais forte!”

Vocês percebem a genialidade da coisa toda? O herói é um ser humano de coração enorme que finalmente viu uma possibilidade de felicidade na sua vida ao lado de pessoas que gostam dele, mas teve isso arrancado por um tremendo filho-da-mãe que se dizia seu amigo, então resolveu chutar o balde e se deixar acabar, mesmo sabendo que aquelas pessoas dependem de sua ajuda. E aí três criaturas quase imaginárias (pra gente, né, porque em filme da Disney pode tudo) mostram que ser de carne e osso nos torna MUITO mais resistentes do que esculturas que são meramente decorativas porque nós podemos SEMPRE transformar as coisas. Não importa as pancadas que a vida dá nas nossas costas, devagarzinho podemos encontrar força para levantar e superar, seja por nós mesmos ou em nome de quem mais precisa.

05) NUNCA julgue alguém pela aparência (ou pelas escolhas pessoais)!

“Responda ao enigma assim que puder ao soar de Notre Dame: quem é o monstro e o homem quem é?”

Essa para mim é uma das frases mais INCRÍVEIS da Disney! Eu nem preciso explicar, preciso? Frollo passa vinte anos falando “Vão tratá-lo como um monstro!” para dissuadir Quasímodo a descer da catedral, mas na verdade o monstro era ele mesmo, que destruiu a vida daquele jovem, que é maravilhoso independente da aparência física e vida sofrida! Sério, se esse pequeno trechinho de música ainda não te convenceu a assistir ao filme eu tô oficialmente CONVIDANDO pra vir ver comigo aqui em casa, prometo que faço uma pipoca, compro uma Coca Cola e a gente curte essa obra de arte juntos para eu chorar no final, mais uma vez!

O Corcunda de Notre Dame

As imagens desse post foram tiradas daqui, daqui e daqui, respectivamente!

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