Quem me ensinou a gostar de ler…

Em 16.08.2017   Arquivado em Escrevendo

Quando criança eu adorava ler gibis da Turma da Mônica e nada mais. Sério, eu podia passar horas afundada nas revistinhas, sempre ganhava o Almanaque de Férias quando chegava a hora, me divertia mais com os quadrinhos do que com as atividades, mas só isso. Na escola a gente tinha que ler um livro todo mês e fazer resenha/ilustração sobre ele, e eu escolhia o menor e mais simples entre as opções disponíveis, para simplificar o trabalho. Pegar um por conta própria, por diversão? Jamais! Era melhor usar meu tempo brincando de Barbie, obrigada! Escrever era outra coisa, amava e fazia bem feito, mas nem sempre uma coisa está ligada à outra e no mais caso não estava.

Meu pai, por outro lado, sempre leu de tudo. Nos fins de semana você sempre achava ele em casa ouvindo música, vendo futebol ou deitado com um livro nas mãos. Eu sabia que ele gostava de Saramago, que não precisava de nada pra enxergar bem ao contrário de todas nós, que iria levar a sério e até o final qualquer conjunto de páginas que caísse nas mãos dele. E não conseguia entender aquele fascínio mesmo assim…

Ele tinha uma edição de “Reinações de Narizinho”, do Monteiro Lobato, e me deu de presente. Eu tentava ler algumas páginas todas as noites, mas simplesmente não rendia… Acho que nunca me identifiquei tanto com o Sítio do Pica Pau Amarelo porque os valores da época já eram MUITO diferentes dos meus, mesmo tão novinha, mas insistia. Como incentivo ganhei o “Viagem ao Céu” novinho em folha para continuar a história quando acabasse o primeiro, e isso ficou na ideia porque nunca aconteceu. No desespero de me ver interessada pela coisa ele começou a comprar a Revista Recreio pra gente, que sempre vinha com uns fascículos da Varig que diziam que “Quem lê, aprende voando”, frase que eu já achava incrível, mesmo que não me identificasse. Foi numa dessas revistas que eu li sobre a série Harry Potter pela primeira vez, e enquanto fazia isso ele surgiu atrás de mim dizendo “Eu vou comprar esse livro pra você! Tá todo mundo falando dele, desse você vai gostar!”, a empolgação era evidente.

No fim daquele ano a irmã dele, minha madrinha, acabou fazendo isso. Me dar “A Pedra Filosofal” de presente, quero dizer. Meu pai terminou de ler antes de mim, que demorei 10 meses pra isso, e ameaçou que eu não poderia ver o filme com meus amigos até que terminasse. Às vezes acho que ele se arrepende um pouco de todo esse incentivo, tendo em vista que eu reli a história mais seis vezes antes de ganhar os outros. Tendo em vista que até hoje isso é uma paixão que não acaba… Ou então não, ou então se sentiu orgulhoso quando da adolescência, antes de ter que estudar pro vestibular, eu sempre estar com um livro debaixo do braço, varando as prateleiras da biblioteca atrás de algo legal que não tivesse pegado ainda e fazendo com que essa missão ficasse cada vez mais difícil. Já a missão dele foi cumprida… Meu pai, enfim, me ensinou a gostar de ler!

Quem me ensinou a gostar de ler... | Projeto 52 Perguntas em 52 Semanas
Foto tirado em meados de 1993, em Timóteo/MG, onde nós dois nascemos.

Projeto 52 Perguntas em 52 Semanas

Esse é o 3º texto do Projeto 52 Perguntas em 52 Semanas, traduzido para o português pela Bia Carunchio, que tem como objetivo “ajudar no processo de escrita da sua história de vida”. A pergunta da vez é “Quais lembranças você tem do seu pai? (nome, data e local de nascimento, quem eram os pais dele, etc.)” e foi isso que ela me inspirou a produzir!

O título desse post foi inspirado na dedicatória do meu primeiro livro, “Wish You Were Here”, que ainda não foi publicado. Vocês podem ler mais sobre na fanpage do Facebook e no evento que tem como objetivo achar uma editora para ele!

Há lugares que me lembro…

Em 03.08.2017   Arquivado em Escrevendo

Semana passada eu voltei na minha cidade natal, depois de 10 anos sem ir lá, coincidindo lindamente com o fato de que eu precisava escrever sobre ela graças ao projeto 52 Perguntas em 52 Semanas. Mas eu não fui pra buscar inspiração, não… Tampouco para visitar pessoas, viver uma experiência nostálgica e nem nada poético do tipo: fui para resolver problemas mesmo! Era aquela “coisa”, né, alguém tinha que ir, eu tava cheia de tempo livre, peguei o ônibus e fui. A estrada está ruim como sempre, ficamos parados em certos momentos por muito minutos admirando vários nadas sem sinal de celular, mas tinha Pink Floyd tocando no meu iPod e um chocolate que uma amiga tinha me dado de aniversário na bolsa, então tava tudo bem, tava tudo certo. Umas quatro ou cinco (ou seis?) horas se passaram e finalmente desci lá… Não sei exatamente se fiquei surpresa ou não em encontrar tudo no mesmo lugar que estava antes.

Bom, quase tudo. Claro que muda uma coisinha aqui e outra ali, né? A usina, por exemplo, fica toda fechadona agora, num muro inteiro e não mais “fragmentadinho”. Tem também uns prédios espalhados que não existiam antes. Mas no geral é bem mais do mesmo: o supermercado grandão no seu quarteirão (a porta mudou de lado, o que me confundiu um pouco), a Praça de Jogos onde vários velhinhos se reúnem todo santo dia ainda sempre cheia. A igrejinha católica do Centro, a lanchonete Tia Eliana onde a gente comia pastel, a mesma loja de tecidos da esquina que nem as bancadas eram novas. A loja de sapatos então, continuava com as prateleiras e poltronas na exata mesma disposição.

Em certo momento, enquanto eu esperava a amiga experimentar sapatos nessa loja, alguém me chamou pelo apelido de infância. Chamou não, se questionou se era eu ou minha irmã, só ouvi um “É a Lulu ou é a Dani?”, então já sabia que estavam falando de mim. Era uma das minhas duas professoras do maternal! Foi talvez um dos encontros mais legais que já tive na vida! Me chamou pra passar uns dias na casa dela, perguntou sobre minha vida e se eu ia casar (de onde as pessoas tiram essas coisas?), como estava o pessoal aqui de casa e o que eu estava fazendo. Disse pra eu não me desanimar com minha instabilidade atual, porque afinal de contas todo mundo estava mais ou menos assim mesmo, uma hora ia melhorar. A gente se despediu bem sorridente, e muito emocionada. Cês sabem, eu sou uma bela de uma manteiga derretida, segurar o choro ali foi quase como enfrentar um dos 12 Trabalhos de Hércules, mas assim como ele eu consegui!

Ainda nessas andanças vi de longe a escola onde estudei a primeira fase do Ensino Fundamental, o prédio onde ficava o consultório dos meus pais, a Maria Fumaça dos jardins da Fundação Acesita. E a Fundação em si, onde assisti peças e mais peças de teatro infantil, que aconteciam mensalmente e a gente simplesmente amava. Inclusive o outdoor onde ficava anunciada a programação permanece igual, o que me fez dar uma risadinha. Eu vi o carrinho da hambúrguer onde a gente adorava comer e que agora ele tem uma lanchonete gourmet do outro lado da rua. Achei chique. Precisei ir a um Bradesco e encontrei a agência no lugar exato onde já supus que iria encontrar. Descobri que era tudo muito menor e mais perto do que eu imaginava, e que eu não nasci pra essa coisa de cidade pequenas, de todo mundo conhecer todo mundo, de falar que pessoa X é filha do “Fulano” e todos os presentes já saberem tudo sobre a família toda. Não sinto muitas saudades, já faz 15 anos que Belo Horizonte é minha casa (e nada vai mudar isso), mas até que foi bom ter esse breve reencontro com a infância assim, no meio da turbulência da “adultisse”. Ao mesmo tempo que queria ir embora gostei de estar ali, mas não era o lugar que me fazia sorrir, sabe? Eram os momentos. Os que já tinha passado e até mesmo os que estavam acontecendo em consequência desse passado. “Na minha vida, eu os amo mais!”

Há  Lugares Que Me Lembro | Projeto 52 Perguntas em 52 Semanas
Escola Estadual Getúlio Vargas: minha 2ª casa por 4 anos, e o único lugar que lembrei de fotografar, mesmo de longe.

Esse é o 2º texto do projeto 52 perguntas em 52 semanas, traduzido para o português pela Bia Carunchio, que tem como objetivo “ajudar no processo de escrita da sua história de vida”. A pergunta da vez é “Quando e onde você nasceu? Descreva a casa, a vizinhança e a cidade onde você cresceu.” e foi isso que ela me inspirou a produzir!

O título e a última frase desse post são a tradução trechos da música “In My Life”, da banda inglesa The Beatles, na qual eles falam de sua cidade natal, Liverpool.

A paixão de junho

Em 12.06.2017   Arquivado em Escrevendo

A Paixão de Junho

Esse pode ser considerado o “mês dos namorados”, mas eu vou chamar de “mês dos apaixonados”, porque todas as vezes que me apaixonei na vida foi em junho. Ou, pelo menos, as vezes em que caí na real em relação a isso, já que esse tipo de sentimento não é da noite pro dia, é construído de passinho em passinho… A história começou bem no meio mesmo, pertinho do dia doze. Não acho que exista amizade preto-e-branco, qualquer relação tem várias tonalidades em seu redor, mas foi ali que se iniciou o processo de viver uma amizade colorida pra valer. Subindo a ladeira, descobrindo que “quem canta seus males espantas”. Uma jaqueta quentinha compartilhada e antes que eu percebesse estava sujeita a sentir, ainda pré-adolescente, o que praticamente todo mundo já sentiu na vida: fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente, contentamento descontente. O não querer mais que bem querer e o melhor é que não era solitário andar por entre a gente¹.

Um longo tempo se passou e não havia dúvidas de que eu tinha encontrado o “amor da minha vida”. E acho que tinha mesmo, só não da vida inteira! Não precisa ser imortal posto que é chama, mas sim infinito enquanto dura², é o que realmente importa. Veio, ficou, passou e antes que eu estivesse pronta para novas chances uma nova porta se abriu no final daquele mesmo mês que foi marcado por isso já tantos anos atrás. E quando digo que a porta abriu não é uma metáfora bonita pra uma nova oportunidade, não, foi um “Toc-toc-toc” mesmo, e quando virei a maçaneta deixei a mão cair porque não esperava alguém aparecendo assim, aleatoriamente num dia comum e gostosinho de trabalho. Literalmente à primeira vista, porém foi nela mesmo que ficou. Aquele dia ficaria marcado como o dia em que a pior melhor coisa da minha vida aconteceu, sem dúvidas, mas com o tempo até essas pequenas certezas se tornam mentiras.

Porque o junho seguinte tornou essa dorzinha exagerada em irrelevante. Não me fez esperar muitos dias e me trouxe o coração batendo acelerado logo de cara! Aliás, não só isso, né? Teve borboleta no estômago, cabeça no ombro, tensão no ar, mãos encostando e um cheiro tão característico que dá pra lembrar exatamente qual mesmo com o passar do tempo. Teve expectativa sem decepção, muito pelo contrário, foi melhor ainda que o esperado… De um jeito que dava vontade de escrever pro mundo saber que isso existe, mas ao mesmo tempo sem essa necessidade porque tem coisas que a gente prefere guardar a dois. Elevou toda essa historia de coincidências a um novo nível, transformou a vontade em realidade.

Inclusive, saudades…

¹ “Amor é um Fogo que Arde sem se Ver”, Luís Vaz de Camões. Lisboa, 1524-1580.
² “Soneto de Fidelidade”, Vinícius de Moraes. Rio de Janeiro, 1913-1980.

A Ansiedade Queima

Em 10.06.2017   Arquivado em Escrevendo

A Ansiedade Queima

Desde muito pequena meu maior medo de todos é o fogo, e o fato de ser ansiosa tornou minha relação com ele difícil pra valer. Teve uma vez que minha tia tava queimando não-sei-o-que na entrada da casa da minha avó e eu dei meia volta para sair pela outra porta que ninguém usava, só pra não passar por ali. Antes disso rolou também uma reunião num Centro Espírita que fui com minha mãe e o moço que “liderava” esse grupo (não entendo tanto desse assunto para saber nomes, me desculpem) disse que a gente ia liberar ali nossos maiores medos… Eu nem sabia direito o que estava acontecendo, nem prestei atenção, mas comecei a reclamar que tinha alguma coisa queimando quase instantaneamente, mesmo que não tivesse.

Rolou também uma vez que fui acender o pisca-pisca da árvore de natal da minha casa, ele explodiu na minha mão e fiquei sem ter coragem de ligar tomadas por anos. Demora em adquirir habilidade para acender isqueiros e fósforos, pavor da hora do “parabéns pra você”, por aí vai… São várias histórias envolvendo essa mesma coisa, então quando falam sobre relacionar sensações com cheiros, eu relaciono a ansiedade com cheiro de queimado. Ela também é um medo constante que enfrento nessa vida, tão forte quanto assistir qualquer coisa em combustão, porque a ansiedade queima.

É meio louco que algo que faz parte de mim e não posso controlar seja associado ao “aroma” que mais me causa temor, mas é verdade.

A sensação que tenho quando a coisa “ataca” é que nem a de uma chama mesmo, mas não a chama confortável que fica nas lareiras e fogueiras que usamos pra nos manter aquecidos no frio, ou a que fica protegida pelas grades do fogão e logo vai trazer algo com pra comer. Não, não se parece nada com isso! É como se você entrasse direto num incêndio sem perceber, sem que alguém tenha te alertado do que tinha ali e, de repente, não conseguisse sair. Sua pele e/ou entranhas gritam com a ardência que você não pode combater, falta ar para conseguir proferir gritos de socorro pedindo ajuda, vai te consumindo até que você vire um mero montinho de cinzas que qualquer ventinho pode desmembrar e levar pra longe. Dói. Incomoda. Flameja. Às vezes destrói.

A sorte é que, vez ou outra, aparecem “pessoas porta fogo” com o extintor certo que a gente precisa pra colocar em ordem esse abrasamento descontrolado!

Esse post foi inspirado nas propostas #9 e #33 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 14º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

Crise dos “vinte e poucos” (e por que ela nem devia existir)

Em 04.06.2017   Arquivado em Escrevendo

Crise dos vinte e poucos

Em 2017 minha turma de terceiro ano do Ensino Médio completa uma década desde a formatura, e eu passei esse tempo todo planejando aqui na minha cabecinha um super reencontro da galera em dezembro em alguns dos lugares que comemoramos esse marco na época, todo mundo contando como tá a vida aos “vinte e poucos anos”, rindo daquelas mesmas piadas e se surpreendendo como tudo e nada mudou ao mesmo tempo… Eis que alguns meses atrás, fuçando o Instagram afora, vi uma das meninas celebrando que seu casamento estava chegando já com um bebê a caminho. Minha primeira reação? Sorrir, claro, ela tava linda e sorridente! A segunda? Me preocupar fortemente com isso. Das cinco garotas da sala de onze alunos o saldo era 01) casada, 02) mãe, 03) noiva, 04) noiva E grávida e… 05) eu!

Sim, eu! Sem nenhuma perspectiva de ter a vida encaminhada desse jeito, sem sucesso profissional ou sequer estar fixa num emprego. Sem nenhum feito legal digno de ser anunciado assim, formada num curso que eu amei mas que não trouxe grandes frutos pra mim… Eu que escrevo coisas na esperança de alguém ler mas sem ter essa certeza, cheia de paranoias e problemas na cabeça, que não sabe se vai conseguir pagar tudo o que precisa quando o mês virar e que mora com a mãe por tempo indeterminado porque, infelizmente, é só assim que dá pra ficar. Eu mesma, com vinte e tantos anos nas costas (os “poucos” já viraram “tantos”!) tão diferente do que tinha imaginado que seria quando esse momento chegasse. E essa constatação, somada ao transtorno de ansiedade nosso de cada dia, de repente virou mais uma grande crise na minha mente já preocupada.

Quem tava comigo na hora era um casal de amigos daqueles que eu ajudo a enfrentar várias barras com um ombro pra chorar e alguns conselhos ignoráveis, e que fazem o mesmo por mim mesmo se eu não fizesse por eles. Essa então foi a pauta do dia: como eu não precisava pirar por nada daquilo, porque cada um vive a vida do seu jeito, no seu momento e não tem nada de fracasso em ser de forma diferente um do outro. Lá no fundo da minha loucurinha eu já sabia disso, mas tem vezes que a gente precisa ouvir de outra pessoa pra acreditar, e como nem assim eu conseguia absorver eles soltaram a seguinte pergunta:

“Luly, você queria estar casada, queria já ter filhos?”

Ao que respondi, soltando um suspirinho e com toda sinceridade do meu coração, com um sonoro “Não!”, porque pra mim existem milhares de coisas “na lista” que precisam vir antes, porque sequer acho que eu devia fazer essas coisas tão cedo e porque eu realmente acho que na MINHA vida ainda TÁ CEDO pra tudo isso. E aí isso resolveu a questão, ou pelo menos deveria, se não fossem as pressões da sociedade que, às vezes, nos tornam desesperados para conseguir o que a gente sequer deseja.

Se parar pra pensar, aos vinte e poucos anos você viveu, sei lá, pouco mais de um quarto da sua vida!

Muita água já passou por essa ponte, sim… Mas tem tantas outras ainda por vir que não dá pra ficar surtando com isso. Nesse processo muitas vezes seus maiores feitos não aparecem em fotos nas redes sociais ou conversas de telefone, ou até aparecem e são ofuscados pelos feitos dos outros, e isso não quer dizer que eles não estão ali, fazendo diferença. Às vezes ninguém fica sabendo daquela pessoa que você ajudou, daquela conta monstruosa que você pagou, daquela coisa que você lutou tanto pra comprar e conseguiu… É, nem todo mundo sabe do dia que você brilhou no trabalho, da manhã que você conseguiu sair de casa mesmo que tenha acordado com o pé esquerdo, de qualquer porcaria com defeito que você consertou mesmo sem entender do assunto.

Meus colegas de escola não sabem do concurso público que eu passei, dos eventos que ajudei a organizar, do livro que escrevi, das mensalidades da faculdade da minha irmã que paguei. Eles não sabem das coisas que eu aprendi a fazer sozinha, das lágrimas que derramei quando machucaram alguém importante pra mim, ou dos beijos incríveis que rolaram na minha vida umas semanas aí atrás… E sabe do que mais? Eu sei que os sorrisos das fotos são sinceros que eles devem se orgulhar de tudo isso que estão mostrando viver, mas sabe-se lá quantas coisas estão por trás disso tudo das quais também se orgulham. Como saber que eles também não tiveram suas crises pessoais e tudo ficou parecendo ruim, como rolou comigo nesse dia?

A gente nunca vai saber tudo sobre todos… E nem sobre a gente mesmo, se bobear!

Não é todo mundo começa a contribuir para o INSS com apenas duas décadas de vida nas costas ou tem o emprego ideal ao completar seu 1/4 de século. Nem sempre dá pra comprar uma casa dos sonhos aos 30, ter gêmeos na escola aos 35 ou pode pagar uma viagem pra toda família ir pra Disney junta aos 40. Algumas pessoas conseguem isso, sim, e isso não necessariamente é fracasso ou sucesso, é a vida, e na vida tudo é sempre muito relativo e o melhor: pode mudar a qualquer momento! Pode ser até pra pior, mas por pode ser também pra melhor e é nisso que temos que apostar para fazer acontecer. Não precisa ter crise dos vinte e poucos, nem dos 30, 50 ou mesmo 80 porque “Fulano” está assim ou porque “Deltrano” esperava de você assado. As coisas serão do seu jeito na hora que tiver de ser, e pra quem vive resta duas alternativas que podem caminhar juntas sempre: aceitar o que faz bem e correr atrás de mudar o que for preciso pra ficar melhor!

E se não der certo a gente chora um no ombro do outro, toma umas juntos, come uma caixa de chocolate que não devia ter comprado, vê um filme ruim na Netflix, procura uma terapia e curte a merda até que ela acabe… Pode ser que assim seja, também…

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