Todo Dia

Em 12.08.2018   Arquivado em Filmes

Todo Dia Todo Dia (Every Day) *****
Elenco: Angourie Rice, Justice Smith, Amanda Arcuri, Colin Ford, Debby Ryan, Ian Alexander, Jacob Batalon, Jake Sim, Katie Douglas, Lucas Jade Zumann, Maria Bello, Michael Cram, Owen Teague
Direção: Michael Sucsy
Gênero: Romance
Duração: 95 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “A acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A foi percebendo, ao longo dos anos, que os amanhãs nunca chegavam em sua vida como para as outras pessoas. Todo dia sua família, seu cotidiano e seu rosto mudavam, porque todo dia A estava em um corpo diferente: mesma idade, relativamente perto do anterior, mas independente de gênero, etnia, personalidade. Alguns têm memórias mais acessíveis, outros são mais difíceis de entender, e numa manhã, ao encarnar na vida de Justin, A se torna o namorado que o rapaz não consegue ser para Rhiannon: atencioso e cheio de conexões. Essa tarde juntos causa a quebra de uma de suas regras principais e acaba se apaixonando pela garota…

“Todo Dia” é baseado no best seller de David Levithan (autor de Garoto Encontra Garoto), mas como não li o livro não dá para fazer um paralelo entre os dois, teremos que focar só no filme mesmo… E sobre ele posso dizer que tem uma história muito interessante, mas tão ampla que o tempo de duração não consegue mostrar todo seu potencial. Ainda assim cumpre seu objetivo principal, que é contar uma história de amor entre adolescente que vivem juntos MUITO MAIS que as primeiras descobertas e sensações dessa fase, mas também a dificuldade de que um dos lados simplesmente NÃO TEM UM CORPO FIXO!

A cada nova mudança, a prioridade agora é achar meios de ficar ao lado da pessoa pela qual se apaixonou. Primeiro se aproximando como amiga através de algumas meninas e depois abrindo o jogo pra mostrar que, se tentassem, aquele romance pode acontecer. Após isso o filme mostra as alegrias que acabam surgindo nessa experiência única e, claro, suas dificuldades, pois a ideia de não intervir na vida do dono do corpo vai por água abaixo… A impede um jovem de viajar com a família, tenta ficar um dia a mais na mente de uma garota que parece estar sem saídas para viver e, claro, acaba influenciando também na vida da namorada, que nesse processo tem que deixar de lado quase todo o resto para conseguir fazer aquilo dar certo…

Todo Dia

Imagem via AlloCiné

O interessante é que quanto mais entramos na vida de Rhiannon, mais vemos o quanto ela é uma personagem que poderia ser explorada justamente além do relacionamento em que a trama foca. Ela tem amigos e familiares complexos que, como qualquer pessoa, trazem um mundo de novas informações diferentes, PRINCIPALMENTE seu pai, um recém desempregado que não consegue lidar muito bem com isso. Eu criei bem rápido minhas teorias sobre ele que, mais tarde, coincidiram com as ideias que uma amiga minha também tinha, assim como UM MONTE de outras pessoas que comentaram o filme na internet. De um modo geral, essas outras relações dela são uma parte da história que eu queria que tivesse sido mostrada com mais profundidade, mas que não são o foco, aí fica aquele ar de que tem muito mais a ser visto, e nunca veremos…

No final das contas o PRINCIPAL que fica é: somos MUITO MAIS do que um corpo! É claro, é hipocrisia dizer que não existem gostos nesse aspecto, que a gente não acaba procurando o que nos atrai… A sexualidade é algo que parte de cada um! Mas a ideia de amar independente de gênero, cor ou costume faz completo sentido. O filme é leve, bem típico de “Sessão da Tarde”, mas consegue trazer essa e outras mensagens, como o fato de que devemos lutar sim pelas coisas que nos trazem significado, mas que nem sempre o saudável é sacrificar todo o resto por elas. Ainda assim, vale a pena enquanto durar, mesmo que não seja pra sempre, e o vem depois pode ser um caminho surpreendentemente belo!

Trailer:

Mentes Sombrias: 16 de agosto nos cinemas!

Garoto Encontra Garoto

Em 09.08.2016   Arquivado em Leitura

Garoto Encontra Garoto

Garoto Encontra Garoto (Boy Meets Boy) *****
Autor: David Levithan
Gênero: Jovem Adulto, LGBT
Ano: 2014
Número de páginas: 240p.
Editora: Galera Record
Sinopse: “Nesta mais que uma comédia romântica, Paul estuda em uma escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola… E, enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar Noah!” (fonte)

Comentários: Vamos parar agora e imaginar a cidade dos sonhos, onde muitas vezes nem é preciso “sair do armário” para a família, pois eles já sabem quem você é e aceitam isso. Onde a quarterback do time da escola é uma trans diva que consegue jogar sem quebrar as unhas e ainda ser rainha do baile no fim do ano. Onde quem é condenada é a família religiosa que não aceita o fato de que seu filho é gay, e não o contrário. Pois bem, é nessa cidade que nosso protagonista, Paul, vive ao lado de seus pais, irmão e, claro, o ex namorado Kyle, que apesar de não ter decidido sobre sua sexualidade ainda persegue o garoto pela escola. E numa noite saindo com seus melhores amigos, Tony e Joni, é que Paul conhece Noah, por quem se apaixonada imediatamente. As coisas estavam indo muito bem e muito lindas até que ele consegue estragar completamente esse novo relacionamento e tem que dar um jeito de reverter essa mancada ao mesmo tempo em que lida com a falta de aceitação que Tony tem dentro de casa, o novo namorado (muito) babaca de Joni e suas responsabilidades dentro desse colégio tão diferente.

Toda essa história soou um pouco clichê ao ouvido de vocês agora? Sim, eu sei que sim, mas a grande sacada desse livro é que nele David Levithan conseguiu criar uma comédia romântica com os mesmo elementos de todas as outras, porém completamente diferente. As personagens estão inseridas nesse mundo ideal batalhando para torná-lo cada vez melhor, mas ainda assim existe um peso enorme nas costas deles por estar se descobrindo e se abrindo pro mundo. Nosso protagonista vive seu dilema amoroso e precisa correr atrás do rapaz que provocou nele uma paixão tão avassaladora, o que gera o clímax do livro, mas nem de longe esse é o ponto mais importante da sua vida naquele momento porque, assim como todos nós, existem várias coisas para superar ao mesmo tempo e tantas outras com as quais ele não pode lutar contra, apenas tentar torná-las, no mínimo, aceitável. É aquela leitura que aborda temas da vida real de forma leve, você termina tudo rapidinho, e mesmo que o objetivo seja causar risadas o autor trás isso de forma EXTREMAMENTE sensível, quase poética, fica impossível não chorar de emoção em certos momentos. Não achei uma obra de arte para mudar a minha vida, mas cumpre maravilhosamente sua função como entretenimento e, ao mesmo tempo, nos trás algo a se pensar, seja durante o enredo ou depois de terminar.

E eu não posso deixar de falar do conto de dia dos namorados que temos ao final do livro onde Infinite Darlene, a jogadora de futebol americano transsexual da história, tem seu momento de protagonismo. Engraçado porque o livro acaba meio de repente e aí vem esse “curta” maravilhoso depois, onde a personagem está em um encontro que quebra vários tabus e mostra que o que importa, o que vale a pena sentir, é o que nos somos lá no fundo. Se você ainda não havia se emocionado com Paul e sua turma esse é o momento, porque Darlene faz a gente sonhar mais ainda com um mundo inteiro baseado nessa cidade maravilhosa, onde orientação sexual e identidade tgênero são o que menos importa perto do universo particular que existe dentro de cada um de nós.

Garoto Encontra Garoto

BEDA2016