Novos Rumos

Em 28.08.2018   Arquivado em Escrevendo

Novos Rumos

Olhei enquanto a gaveta do armário de arquivos abria e fechava lentamente, agora contando mais um papel com meu nome assinado em baixo. Ele tirou minha via de baixo do perfurador, que usava de peso para que o ventilador não fizesse todas as folhas voarem, e estendeu a mão para apertar a minha. Foi o que fiz, com um meio sorriso no rosto, demonstrando minha mistura interna de desespero e alívio. Quando fechei a porta ao sair, o vi jogando o papel carbono que usamos no lixo, sacudindo a cabeça como se não concordasse com o que havia acabado de acontecer.

Na portaria, o escriturário da sala ao lado fumava conversando displicente com o zelador do prédio. “Até segunda!”, eles gritaram, ao que respondi com um “Até!”, não queria explicar que não voltaria ali na próxima semana, e de preferência nunca mais.

A lâmpada principal da kit net estava queimada, o escuro parecia ser a calmaria que precisava pra fechar esse dia memorável.

Ondas de pânico me invadiram novamente. Talvez eu ficasse permanentemente sem luz se não tivesse dinheiro ara pagar as contas… Acendi o abajur e a máquina de escrever que ficava ao seu lado se iluminou imediatamente. Coloquei minha via do documento ali encaixada nele, como se tivesse acabado de redigi-la. Metaforicamente era o que eu havia feito: escrito a primeira das portas a serem abertas nesse processo insano de ir atrás do que queria de verdade. Pensei em correr pro computador e começar a colocar todos os meus planos em prática naquele momento mesmo (seria o mais prudente a se fazer) mas, por enquanto, pareceu muito melhor saborear essa mistura de sensações que o futuro sempre incerto trazia. Então me joguei na cama e perdida em pensamentos permaneci, até (algumas horas depois) o cansaço me fazer adormecer.

Esse post foi inspirado na proposta #11 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 22º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

Aula de Biologia

Em 12.06.2018   Arquivado em Escrevendo

Aula de Biologia

Os ponteiros do relógio que ficava pregado na parede sobre o quadro negro pareciam se mover com mais lentidão do que nunca. Sempre amei aulas de biologia, mas hoje a espera a tornava insuportável. Eu estava tão distraída com meu turbilhão de problemas que até me assustei quando o porteiro do colégio bateu na porta, devolvendo uma pilha de cartões de estudantes para que a gente pudesse passar adiante e, claro, apresentar novamente no dia seguinte. Peguei da mão dele, achei o meu e passei pra trás, no modo automático.

Ainda era possível ver a marca da picada causada pela amostra de sangue que eu havia tirado na véspera, e meu desespero quanto ao resultado do exame só aumentada cada vez que olhava para ela. Já tinha sido difícil achar um laboratório que aceitasse fazê-lo sem prescrição médica, que dirá que conseguisse entregar no mesmo dia. Não, eu estava fadada a viver aquelas 24 horas de angústia, tudo isso para não encarar o olhar de reprovação que a vendedora da farmácia sequer daria. Bem feito pra mim!

Nesse meio tempo, apenas um novo minuto ainda havia se passado…

Olhei para o pedacinho de folha de papel dobrado, ao lado do meu estojo. Seu bilhete dizia somente “Você está bem?”, mas eu não consegui responder. Não tinha como fazer isso de forma sincera, então melhor ignorar. Na minha cabeça já estava rodando novamente todo o meu texto ensaiado, as desculpas por não ter resistido ao novo estudante estrangeiro da sala, e que eu provavelmente teria que recitar, chorando, aos meus pais. Estava repassando pela terceira vez seguida quando ouvi alguém chamar meu nome, usando um tom de voz irritado.

E pensar que foi essa mesma professora de biologia que nos ensinou que a camisinha era indispensável… É, eu devia ter escutado!

Esse post foi inspirado na proposta #11 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 21º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

Do Jeito Que Elas Querem: 14 de Junho nos cinemas!

Pequenos prazeres da vida, de novo!

Em 15.01.2018   Arquivado em Escrevendo

Coca Cola é uma coisa que vem sempre trazendo prazeres na minha vida a cada golinho. E minha Coca Cola favorita é aquela que vem na garrafa de vidro individual, a famosa KS! Não sei se o modo de armazenar torna seu gosto diferente, se é porque o gás fica mais concentradinho ali ou porque elas estão sempre geladas na medida certa, mas é a melhor, ponto final! Uma pena que venha tão pouquinho, queria uns 2 litros pra alegria durar mais… Se eu bebesse o néctar dos deuses e ele tivesse o gosto que mais gosto com certeza seria esse!

Ronronados, a qualquer hora do dia ou da noite. Procurando por um cafuné, agradecendo comida, a alegria de voltar pra casa após a vacina ou de me ver chegando depois de algumas horas fora. Ronronados distantes, que querem ficar por ali, por perto, sem encostar. Alguns no meio da madrugada, só pra chamar atenção (e dá até uma mini raiva em ser acordada sem motivo nenhum). Aqueles que querem confortar quando estou chorando mesmo sem entender o motivo, ou tentando participar da alegria quando damos muita risada. Os que pedem carinho ou que acontecem porque o carinho veio antes. O barulhinho que sai da Arwen quando ela está feliz é uma música pros meus ouvidos!

Aquela notificação favorita nas redes sociais… Você sabe de qual estou falando! Que vem de uma pessoa específica, seja um “Amei” na foto que você ficou bonita ou mesmo um comentário meio piadista. A janelinha que desce no alto da tela de celular avisando que chegou uma mensagem nova dessa pessoa, seja ela inesperada ou uma resposta pro assunto que você mesma foi lá e puxou. Até mesmo uma nova publicação que aparece em primeiro lugar na sua linha do tempo, pra causar o risinho lateral que só as saudades boas sabem trazer…

“Objeto saiu para entrega ao destinatário.” – a vontade é colocar uma cadeira na port de casa, até o entregador passar!

Inclusive, já que mencionei entregas e encomendas, não dá pra deixar de falar do maior dos hobbies: bonecas! Pegar as caixas de pequenas coisinhas pra arrumar minhas Fashion Dolls, cada uma com sua personalidade e muito jeitinho, pra depois fotografá-las, é quase terapêutico! Aí vem a hora de editar as fotos, selecionar mentalmente quais, quem sabe, podem ser usadas em um texto algum dia… Compartilhar com quem também ama! E mais gostoso ainda do que as bonecas em si são as miniaturas que compõe o “universo” delas… Acho que se eu fosse pro Japão um dia ia dar pra montar uma mini cidade na minha mala, de tanta que eu ia trazer… Ai, ai, “sonhar um sonho impossível”, por enquanto!

Mas nem só de diversão se fazem os momentos de alegria… Porque terminar um trabalho, entregar tudo muito bem feito pro cliente, ah, é MARAVILHOSO! O fim do job é o momento de maior alívio desesperador pra quem é “freelancer”. Alívio porque é hora de receber, yey! Desespero porque, bem, depois daquele nem sempre tem outro e você fica sem saber quando vai receber de novo. Mas foco no que é bem, no que é bom, e dinheiro para “patrocinar” outros prazeres é bem bom!

O dia de ir à psicóloga! Nossa, esse é um dia de alegria! Ficar repensando tudo o que aconteceu desde a última visita pra não esquecer de falar o que é importante até chegar lá e, claro, a conversa tomar todos os rumos inesperados que precisava. O andar carregado e apressado da chegada se transformar em passos leves, aliviados e descompromissados na saída! Essa conversa com uma quase estranha (ou não) que no fim das contas não passa de um bate papo profundo com a gente mesmo. O que, se parar pra pensar, é papear com a pessoa mais importante da nossa vida!

Achar 31 pequenos prazeres e escrever sobre cada um deles por, no máximo, 5 minutos, um por dia ao longo de um mês para, depois, publicá-los. Dá vontade de continuar, de ignorar o número sugerido pela proposta e ir compartilhando mais ao longo dos anos, sem parar!

Pequenos prazeres da vida, de novo
“Prazerzinho” 29/31: As mini coisinhas!

Esse post foi inspirado na proposta #95 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 20º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018. Essa proposta específica foi dividia em quatro partes, sendo essa a última delas.

Outros pequenos prazeres da vida

Em 09.01.2018   Arquivado em Escrevendo

Faz exatamente um mês que comprei uma nova coleira para a Arwen, e ela ainda está quase intacta, sem uma mordida sequer na parte de tecido. Eu acharia que ela nem percebeu que voltou a ter uma coisa estranha em volta do pescoço, se não tivesse visto uma “briga” que travou contra ela outro dia. Embora não seja tão linda quanto a antiga, que foi destroçada graças à coceira gengival da troca de dentes, acho que é uma substituta à altura. E se não ver seu dinheirinho suado jogado fora não for um dos prazeres da vida, não sei o que é!

Falando na coleira, ela foi comprada em um dos meus lugares favoritos, o Mercado Central de Belo Horizonte. Ele foi eleito agora, no aniversário de 120 anos da cidade, como o local que é “a cara” daqui, e acho impossível discordar. Eu tô sempre lá, comprando ração, areia, queijo e um monte de outras coisas, mas pra minha visita ser completa mesmo, pra eu sair daquele labirintinho saltitando de empolgação, preciso trazer pra casa um pacote de doce de leite na palha. Tenho até uma marca favorita, o primeiro que vejo pendurado já puxo e aviso ao vendedor que vou levar comigo! Sem isso o “passeio” parece que nem existiu.

Já algumas alegrias não fazem a gente saltitar e sim sentir uma dorzinha no coração… É como eu fico quando alguém me conta que também vai boicotar os filmes de “Animais Fantásticos” daqui pra frente: orgulhosa, mas decepcionada com o fato de que chegamos a esse ponto. E eu sei que a pessoa também está se sentindo assim. Mas aí conto pra ela a ideia de doar o dinheiro do ingresso pra alguma ONG que cuida de mulheres que sofreram agressão e essa triste realidade vira até empolgação!

Agora voltando pras felicidades realmente felizes, vai essa breguinha: assistir “O Vestido Ideal” nas temporadas da Kleinfeld de Manhattan! As outras são legais, mas ninguém consegue superar a presença de Randy Fenoli na hora de ajudar uma noiva a escolher seu vestido. Ele tá lá pra fazer baixa auto estima desaparecer, pra salvar consultoras perdidas, pra mostrar pra família que a felicidade de quem vai subir no altar é o mais importante ali. Choro em absolutamente todos os episódios e, oh, não sei se vou me casar um dia, não… Mas se isso acontecer vai ter que rolar um vestido de noiva sem dúvidas, tenho dito!

Fazer (ou descobrir que tem) brócolis na hora do almoço. Ou qualquer outra refeição! É um dos prazeres culinários que, independente do nível da fome, me faz repetir o prato…

Uma realização pessoal: postar algo no meu canal do Youtube, bem editado sem nenhum defeitinho ou falha. Edição de vídeo é uma coisa na qual pretendo me aprimorar e ainda quero estudar muito mais sobre, então dar conta do recado sem ter “chegado lá” ainda é muito gratificante! O mesmo vale pra vídeos feitos para terceiros, que é um dinheirinho extra que queria ganhar mais vezes porque, de verdade, eu gosto do trabalho.

Todo ano um grupo de amigos organiza o que eu chamo de “migoculto do amô”, que é bem isso mesmo: um amigo oculto de natal cheio de amorzinho! Se a gente tá sem grana, fazemos a coisa de forma mais leve… Nunca foi preciso determinar preço mínimo ou máximo, nós simplesmente amamos tudo que um tem a dar pro outro. O último mal passou e já deixou no ar a contagem regressiva pro próximo, de tão bom que é!

E como deixar de mencionar a emoção de ter um batom vermelho novo, ainda intocado, pronto pra ser usado direto, quase todo dia, até acabar? É de fazer essa dupla de olhinhos brilhar sem parar!

Outros pequenos prazeres da vida
“Prazerzinho” 17/31: O doce de leite!

Esse post foi inspirado na proposta #95 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 19º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018. Essa proposta específica será dividia em quatro partes, sendo essa a terceira delas.

Mais pequenos prazeres da vida

Em 17.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Foi uma “luta” pra mim descobrir como seguir a minha própria playlist de 100 músicas mais ouvidas no Spotify em 2017. Mas tentei, tentei e finalmente consegui. Encontrei ali vários prazeres musicais concentrados num lugar só e a certeza de que muitas dessas também serão as mais ouvidas de 2018. Principalmente porque acho que por aqui só vai tocar isso durante vários e vários dias…

Se vou postar algo no meu perfil do Lookbook, gosto que seja um trio de fotos em posições diferentes. É sempre muito difícil, no final da sessão, encontrar essas três fotos perfeitas que mostrem a roupa, eu esteja bonita e bem focada. Quando isso acontece é uma alegria sem tamanho! E se são mais de três e dá pra ficar na dúvida então? Nossa, nas raras vezes que aconteceu algo assim pareceu até que os humilhados foram finalmente exaltados, de tão bom!

Outro dia lançou a adaptação do meu livro favorito nos cinemas, “Extraordinário”. Eu fui conferir isso logo na estreia porque a espera tinha sido longa, não podia perder mais tempo! Foi maravilhoso, eu mal podia esperar pra assistir de novo, então ganhei ingressos de presente pra repetir a dose e fui, com amigos ainda que na primeira vez. A quantidade de lágrimas foi a mesma, tanto no meu rosto quanto no de todos eles… O encanto ao sair da sala escura, por sua vez, conseguiu ser ainda maior! Tem “figurinha repetida” que, ao contrário do que dizem por aí, ajuda sim a completar o álbum, né?

Sabe o que mais causa esse calorzinho no coração? Dar a faxina geral na caixa de areia da Arwen. Ela é limpa diariamente, mas a cada duas semanas eu jogo TODA a areia que sobrou fora e esfrego tudo pra valer, com escova e sabão. Ela não gosta muito, não, prefere que tenha algumas sujeirinhas, diferente de todo e qualquer gato que já conheci na vida. Mas eu amo! Me sinto uma super mamãe dando um ambiente limpinho pra minha filha e saber que não tem resto de nada escondido ali é bem bom. Não faz tanta diferença no cheiro, já que a areia que ela usa é BEM boa e nunca deixa realmente fedendo, mas trás um alívio imenso pra alma… Ou pelo menos nos primeiros minutos, até ela perceber que já terminei e ir lá “marcar o território” mais uma vez…

Estrear uma *brusinha* nova, principalmente quando fui eu mesma que comprei… Esse é o maior dos prazeres meio fúteis que existem no mundo, pra mim!

Quando se trata de entretenimento, uma das notícias mais bem vindas é saber que uma série querida acaba de ganhar novos episódios, ou mesmo uma temporada inteira, na Netflix. Nossa, melhor do que isso só mesmo ter um tempo livre pra curtir essas horas de maratona! E assistir assim, de forma legal, sem precisar ficar baixando, com opções dubladas e legendadas pra atender qualquer gosto e poder, de hora em hora, “riscar” mais um na listinha.

Uma alegria que adquiri mês passado foi aprender a colar cílios postiços! Nas outras vezes eles sempre descolavam um pedacinho antes da hora, mas agora não, volto do rolê com tudo tão pregadinho que dá até dó tirar. Sempre fica um pouquinho de cola aparecendo, ou um dos lados sai meio tortinho… Mas o importante é que gruda!

Mais prazeres recentes: fazer uma venda na lojinha do Expresso Rosa! As notificações chegam no e-mail e, mesmo sabendo que não tem nada, às vezes entro no painel de controle só pra garantir, sabe, se num tem nada que passou batido. Ter novos clientes cadastrados também é bom, porque significa que a pessoa tem a intenção de comprar, mas quando é real oficial fica ainda melhor!

Mais pequenos prazeres da vida
“Prazerzinho” 10/31: A adaptação do livro favorito

Esse post foi inspirado na proposta #95 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 18º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018. Essa proposta específica será dividia em quatro partes, sendo essa a segunda delas.

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