Os pequenos prazeres da vida

Em 10.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Eu gosto de ouvir as primeiras gotas de chuva caindo do céu, quando o vento até canta indo de um lado pro outro. Logo ali eu sei que, seja por horas ou só minutos, meu nariz vai funcionar maravilhosamente por causa da umidade. Ah, o cheirinho que fica no ar nesse antes, no durante e ainda depois… Se estou em casa, meio sem nada pra fazer (ou até com coisa pra fazer, mas que não são urgentes), vou correndo pra janela assistir esse momento acontecer. Aliás, mesmo quando eu trabalhava fora, era só ter uns segundos de intervalo que ia lá, olhar o pinga-pinga de alegria. Esse é um dos meus pequenos prazeres da vida.

Adoro quando compro alguma coisa pela internet e o rastreamento dos Correios chega no meu e-mail. O objeto acabou de ser postado, nada aconteceu, mas eu já dou uma olhadinha no site pra ver funcionando. E quando são vários então? É um ritual acompanhar um por um, acho esse momento da espera ainda mais gostoso do que a entrega.

Quando termino um caderno que estou fazendo chega a hora de colar o adesivo do Expresso Rosa na terceira capa. É a última etapa da produção, ou pelo menos da minha produção. É também a minha favorita, porque vem essa coisa de “dever cumprido”, tenho que resistir ao impulso de gravar isso pra jogar na internet toda vez.

Em 90% do tempo que escuto meu iPod, ele fica na opção “Shuffle”. Às vezes fico pulando várias de uma vez até ficar satisfeita, mas deixo no aleatório mesmo assim. E pra arrancar um sorriso certeiro, seja no ônibus lotado ou subindo uma ladeira cansada, é só tocar a “música do momento” no meio dessas que, mesmo fazendo parte de uma seleção de favoritas, não estavam agradando por algum motivo.

Praticamente sinto que venci na vida quando acordo no meio da noite, ou mesmo de manhã, e descubro a Arwen dormindo no meio das minhas pernas. Ter que ficar parada na mesma posição desconfortável por quanto tempo for preciso se tornou o maior de todos os prazeres!

Sabe o que mais me deixa animada pra valer? Ter uma ideia brilhante de algo pra executar no meu “Destrua Este Diário”. Que nem no dia que eu pensei que podia formar a palavra “ABBA” naquela página de criar imagens fechando o livro e “espelhando” uma na outra. Fiquei tão empolgada que peguei minha tinta dourada caríssima na mesma hora, sem me importar de gastá-la “a toa”. E acabou que ficou legal pra caramba, valeu a pena…

Eu simplesmente amo quando um post no blog está perfeitamente formatado, revisado, com a imagem já postada. Quando o SEO está “verdinho”, indicando que deixei tudo bom o suficiente. E aí posso agendá-lo, pro dia e horário que planejei, e já riscar como “feito” na agenda onde anoto essas coisas. Faço até minha dancinha de da alegria, rindo bem boba por minutos, sem parar!

Os pequenos prazeres da vida
“Prazerzinho” 03/31: O adesivo!

Esse post foi inspirado na proposta #95 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 17º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018. Essa proposta específica será dividia em quatro partes, sendo essa a primeira delas.

Blogmas 2017

Escrevendo aqui, pela milésima vez

Em 05.12.2017   Arquivado em Escrevendo

De acordo com o painel de controle, e esse danado não falha, esse é milésimo post que estou escrevendo no Sweet Luly. De cara a gente se surpreende e acha muito, mas por outro lado, cá entre nós… Em treze anos (e meio) eu poderia ter feito melhor, né? Isso dá o que, menos de sete por mês? Não vou nem fazer as contas exatas, que é pra não me decepcionar comigo mesma… O que tenho feito muito ultimamente, sem motivo nenhum.

Porque se parar pra pesar o jogo todo dá pra ver que, no fim das contas, mil publicações é mesmo sair ganhando. Quando isso aqui começou eu tinha internet discada em casa, bastava o plano de minutos do mês estourar e nosso telefone desligava, me impedindo de blogar o tanto que queria. Depois teve a pausa do vestibular e as várias da faculdades, principalmente quando o final do semestre começava a apertar. E TCC então? Gosto nem de lembrar! Mas aí passou, e depois que passou ainda assim não deu pra manter o ritmo que o planejamento da agenda previa. Se a crise de ansiedade bate, a página em branco se torna um tormento mesmo que as ideias estejam fervendo aqui dentro. TUDO é feito de altos e baixos, e a “arte” de escrever obedece essa regra também.

Diante desse momento “comemorativo”, outro dia eu estava dando uma revisada e formatando as postagens do início, nos anos de 2004 e 2005. Elas eram cheias de “plakinhas” e gifs que, enquanto eu tentava resgatar (alguns até consegui), me fizeram descobrir que a coisa que a Luly adolescente mais amava NA VIDA eram blogs. Minha maior diversão se resumia em “trabalhar” no Expresso Rosa, que hoje é loja de cadernos mas na época era template shop. Eu levava aquilo MUITO a sério, mesmo que praticamente ninguém usasse o que eu fazia. Me esforçava ainda que não tivesse nada vindo em troca. E fico pensando em algumas coisas que ainda faço por amar, e têm esse mesmo objetivo de ser apenas um prazerzinho… Só que lá era PRAZERZÃO, e desde que fiz essa pequena volta no tempo deu uma vontade danada de resgatar a vontade em crescer mesmo que seja só por mim mesma.

Em algum momento irei revisar a partir de 2006 também. Vou ver esse hobby perder força à medida que a faculdade for se aproximando. Vou ver os textos “querido diário” se transformando em artigos. Vou me ver ficando loira e depois morena de novo, querendo ser patricinha e depois metida a rockeira. Vou ler sobre amores que não existem mais, amizades que vieram e se foram, trocas de armação de óculos que amei comprar e mais ainda me livrar delas. Vou formar no colégio e depois na faculdade, contar histórias que acho que conheço mas que com esse novo velho ponto de vista vou conhecer ainda mais. Fico sempre falando a quatro ventos que tenho uma ótima memória, e vai ser um tapa na cara descobrir que na verdade não lembro de um monte de coisas e aí, consequentemente, passarei a lembrar.

Acho de verdade que vou entrar tão a fundo nessa cabecinha que vai parecer uma longa sessão no sofá da minha psicóloga. Tenho certeza que vou me estranhar e reconhecer tantas vezes que vai parecer uma gangorra mental. Às vezes por cima, outras por baixo e em mais algumas parada no meio termo, sem saber pra que lado a coisa vai tender. Vou revisitar mil Lulys diferentes, literalmente, que evoluíram e regrediram ao mesmo tempo enquanto iam escrevendo palavras que nem com muita paciência teria como contar!

Vou sentir saudades de cada uma delas e de seu blog querido, torcendo para que novas Lulys um dia sintam saudades de mim também.

É que por mais que eu seja a mesma e esse endereço seja o mesmo, nada em nenhum de nós dois é imutável. Aliás, muito pelo contrário! O objetivo é esse mesmo, evoluir, expandir, se adequar. “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”¹, sabe? Uma pessoa que há alguns anos atrás dizia detestar política e agora vai pra rua gritar e pras páginas que acha confiável se informar. Um mulher que antes julgava as outras e agora quer ao máximo apoiá-las. E ao mesmo tempo mantendo coisinhas como a cor e o filme favoritos desde de 1990 e poucos. Imagina só, ter boa parte das grandes diferenças e pequenas semelhanças registradas num mesmo endereço pra poder embarcar nelas sempre que quiser? Fico feliz em saber que pra mim isso é possível.

Eu tenho vários lugares favoritos. Lugares físicos, mesmo. Se você perguntar o número um entre todos eles direi a Praça da Liberdade, aqui em Belo Horizonte, sem precisar pensar ou hesitar por um segundo. Depois posso listar mais um monte, desde o prédio da faculdade onde estudei até algo bem mais longe, onde rolou alguma viagem inesquecível. Vou falar de espaços abertos, cheios de desconhecidos cujas vozes compunham a “trilha sonora” local, ou de um móvel específico dentro de um quarto fechado, onde uma pessoa só era presença suficiente e respirações ofegantes o som ambiente ideal. Mas se tiver que refletir sobre um “refúgio”, sobre pra onde vou correr quando precisar me escancarar e esconder, não vai ser possível marcar essa localização no Google Maps. Esse “lugar” vai ser o www (ponto) Sweet Luly (ponto) Expresso Rosa (ponto) com.

Escrevendo aqui, pela milésima vez
Luly 2004: um dia após meu aniversário de 14 anos, escrevendo pra contar como tinha sido a festinha, e alguns elementos que marcaram esses 13 anos e mil posts em volta “dela”!

Esse post foi inspirado na proposta #16 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 16º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

¹ Raul Seixas. Metamorfose Ambulante. Krig-ha, Bandolo!, Brasil: Philips Records, 1973. Lado A, Faixa 3.

Blogmas 2017

Garota do laço cor-de-rosa

Em 03.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Garota do laço cor-de-rosa

Ela chegava e tudo nela era cor-de-rosa. A lancheira em suas mãos, as meias cheia de corações, as bochechas eufóricas e o laço enorme que prendia seus cabelos. O sorriso tímido respondia o “Bom dia!” dado pela diretora na porta da escola, e logo em seguida ia em direção ao corredor arco-íris que levava direto pro bê-a-bá. Chegando na sala as novidades se colocavam em dia. “Você respondeu a 3? Eu não sabia o que colocar…”

Era perceptível o carinho com a caixinha em forma de maçã onde seus clipes de papel coloridos ficavam guardados com jeitinho. Aos olhos dos outros seus movimentos soavam lentos, quase irritantes, mas no fundo era só um cuidado, mesmo. Pegava o estojo, abria, tirava um lápis, fechava e guardava de novo, diversas vezes. Por aí vai. Quase não dava tempo de brincar de balanço no recreio, porque sempre tinha alguma coisa na qual ela se atrasava na hora de copiar do quadro negro. Engraçado, agora isso vira risada ao lembrar.

Hoje quase dá pra esquecer quem ela foi, onde esteve, é muita evolução com a qual temos que lidar. Mochilas de bichinhos se tornando bolsas pesadas de um material sintético qualquer. O telefonema pra vovó que agora não pode mais ser feito, partindo em mil pedaços seu coração. A prática de pegar uma flor caída na calçada e colocar nos cabelos deixa de ser divertida e passa a ser mal vista. Tá tudo bem, é o ciclo da vida, e também é normal que alguma essência fique lá. Na professora da escolinha que te adiciona no Facebook, ou num jeito de falar que cisma em não “amadurecer”. No caderno ainda cor-de-rosa ou num adereço de cabelo quase infantil e completamente nostálgico.

Garota do laço cor-de-rosa, que gostoso é ainda te ver em mim!

Esse post foi inspirado na proposta #11 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 15º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

Blogmas 2017

A Ansiedade Queima

Em 10.06.2017   Arquivado em Escrevendo

A Ansiedade Queima

Desde muito pequena meu maior medo de todos é o fogo, e o fato de ser ansiosa tornou minha relação com ele difícil pra valer. Teve uma vez que minha tia tava queimando não-sei-o-que na entrada da casa da minha avó e eu dei meia volta para sair pela outra porta que ninguém usava, só pra não passar por ali. Antes disso rolou também uma reunião num Centro Espírita que fui com minha mãe e o moço que “liderava” esse grupo (não entendo tanto desse assunto para saber nomes, me desculpem) disse que a gente ia liberar ali nossos maiores medos… Eu nem sabia direito o que estava acontecendo, nem prestei atenção, mas comecei a reclamar que tinha alguma coisa queimando quase instantaneamente, mesmo que não tivesse.

Rolou também uma vez que fui acender o pisca-pisca da árvore de natal da minha casa, ele explodiu na minha mão e fiquei sem ter coragem de ligar tomadas por anos. Demora em adquirir habilidade para acender isqueiros e fósforos, pavor da hora do “parabéns pra você”, por aí vai… São várias histórias envolvendo essa mesma coisa, então quando falam sobre relacionar sensações com cheiros, eu relaciono a ansiedade com cheiro de queimado. Ela também é um medo constante que enfrento nessa vida, tão forte quanto assistir qualquer coisa em combustão, porque a ansiedade queima.

É meio louco que algo que faz parte de mim e não posso controlar seja associado ao “aroma” que mais me causa temor, mas é verdade.

A sensação que tenho quando a coisa “ataca” é que nem a de uma chama mesmo, mas não a chama confortável que fica nas lareiras e fogueiras que usamos pra nos manter aquecidos no frio, ou a que fica protegida pelas grades do fogão e logo vai trazer algo com pra comer. Não, não se parece nada com isso! É como se você entrasse direto num incêndio sem perceber, sem que alguém tenha te alertado do que tinha ali e, de repente, não conseguisse sair. Sua pele e/ou entranhas gritam com a ardência que você não pode combater, falta ar para conseguir proferir gritos de socorro pedindo ajuda, vai te consumindo até que você vire um mero montinho de cinzas que qualquer ventinho pode desmembrar e levar pra longe. Dói. Incomoda. Flameja. Às vezes destrói.

A sorte é que, vez ou outra, aparecem “pessoas porta fogo” com o extintor certo que a gente precisa pra colocar em ordem esse abrasamento descontrolado!

Esse post foi inspirado nas propostas #9 e #33 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 14º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

No meio do caminho tinha uma árvore…

Em 30.05.2017   Arquivado em Escrevendo

No Meio do Caminho Tinha Uma Árvore...

Minhas sessões de terapia acontecem uma vez por semana, toda sexta feira, desde março. Eu devia ter corrido atrás disso faz tempo? Já! Mas fugi uma época, arrisquei fazer de mal jeito em outra, até que tudo explodiu e precisei começar pra valer. E aí que pra chegar até lá tenho que percorrer um caminho que apesar de breve, é um pouco cansativo, e não me refiro ao caminho psicológico de melhorar minha ansiedade porque esse é longo, mas o caminho físico mesmo, os sete quarteirões que eu ando daqui até lá, subindo um belo de um morrinho e sempre tendo uma pausa bem no meio dele.

Porque no meio do caminho tem uma árvore!

Não é uma árvore suntuosa mais alta que os prédios, nem frutífera que me faz “roubar” coisas gostosas quando está carregada, ou sequer um Ipê rosa ou amarelo que sempre paro pra admirar. Não, é só uma árvore. Pra falar verdade eu nem sei como ela é porque nunca parei pra olhar de verdade, meu foco é sempre nas raízes que já cresceram a nível de destruir a calçada. Não uma destruição em massa nem nada, é aquela elevação típica cheia de pedrinhas que sempre vemos, mas por algum motivo eu me desequilibro nela todas as vezes que subo a rua.

Todas – as – vezes!

Isso antes mesmo da terapia em si… Durante seis anos morei perto de onde hoje são minhas consultas, enquanto minha querida vovó morava ao lado da minha casa atual, e se eu voltava da casa dela à pé era certeza que ia rolar uma deslizada ali. É aquela coisa meio “bêbado andando”, piso na região da árvore e pronto, rola pés fora do lugar e braços sacudindo pra tentar fazer tudo voltar no eixos, estando sozinha ou acompanhada. Quando vou descer nada acontece, fica tudo de boa, mas na ida é tiro e queda (ou, no caso, quase uma queda), aquele lugarzinho acaba me fazendo olhar pros lados pra ver se alguém presenciou essa breve pisada em falso, aí quando volto e passo pela árvore de novo só consigo pensar “Ahá, dessa vez você não me pega!” e ela não pega mesmo. Não sei quando foi que eu reparei isso. Não sei quando foi que decidi escrever sobre o fato de ter reparado isso. Não sei quando foi que apelei de vez e resolvi tirar uma foto desse exato momento para me incentivar a escrever sobre o fato de eu ter reparado isso. Só sei que aconteceu, e aí eu passei a prestar mais atenção me desafiando a não dar mais uma “trupicada”, o que nem sempre consigo. Tudo podia ser evitado pegando um ônibus, como minha mãe já disse que eu devia fazer várias vezes (e acha que eu faço, vejam bem), mas me foi recomendado ir andando então eu vou. Mesmo porque é até mais rápido! Aí o resultado é esse aí, lidar com a muito desnecessária mini vergonha temporária e eventuais sapatilhas que saem do pé. Se parar pra pensar é até bom porque posso usar de desculpa, sabe, se ouvir algum dia um “Ei, você atrasou, o que aconteceu?” é só fazer um ar poético e dizer, meio que de brincadeira e meio que de verdade:

“Tinha uma árvore no meio do caminho!”

Esse post foi MAIS OU MENOS inspirado na proposta #40 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 13º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

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