O Conto de Ano Novo

Em 06.01.2018   Arquivado em Escrevendo

O Conto de Ano Novo

Eu observava o resto do vinho na minha taça rodando e rodando enquanto brincava com ela, o vento sacudindo meus cabelos pra todos os lados. Eu raramente abria a janela do que quarto, mesmo que estivesse muito calor. Besteira de uma menina criada no interior, mesmo que um “interior grande”, sabe? Morava em BH há tantos anos e ainda rolava um medinho de alguém escalar o muro e entrar se não tivesse fechada, como se não houvesse uma cerca elétrica no meio do caminho. Mas no ano novo é impossível deixar passar, já eram mais de duas da manhã alguns fogos remanescentes continuavam brilhando lá fora de vez em quando.

Bebi o resto do conteúdo da taça de uma vez e saí rumo à cozinha para lavá-la. Ouvi vovó abrindo a porta do quarto dela e barulho de tosse la dentro, até que ela também me viu e veio em minha direção:

– Achei que você tinha ido dormir…

– É… – respondi – Eu ia mesmo, mas estou sem sono. O vovô tá bem?

Ela deu de ombros.

– Ah, tá, né… Tossindo e tudo mais, impossível dormir com ele do lado. Vou lá em baixo pegar água e um xarope pra ver se melhora…

– Pode deixar que eu vou! Tô indo lá deixar isso… – eu levantei a mão para mostrar a taça – Quer mais alguma coisa?

– Quero não… Vou te esperar aqui, então!

Ela sentou no sofá que ficava na pequena sala do andar superior, logo na frente do meu quarto. Acho que devia estar muito irritada mesmo com o barulho da tosse dele, porque normalmente ficaria do lado “tomando conta”. Seus olhos estavam cansados, o que não era tão comum, vovó e eu sempre fomos meio “corujas”, acostumadas à dormir de madrugada mesmo quando tinha que levantar cedo.

Lavei minha taça, resistindo á tentação de enchê-la novamente com o resto do vinho que eu sabia que ainda estava na geladeira, peguei a água e o remédio e subi as escadas devagar, como se pudesse acordar alguém, mesmo que nenhum deles estivesse dormindo. Vovó estava lixando as unhas enquanto me esperava. Na nossa casa sempre tem alguma lixa em qualquer lugar, nós duas compramos pacotes e mais pacotes e saímos largando pra todo lado. Assim, sempre temos uma à mão, quando é preciso.

Ela sorriu para mim, destacando sem querer todas as ruguinhas lindas do seu rosto, pegou o copo e o frasco, me deu um beijo no rosto e disse “Boa noite”! Quando estava quase chegando na porta, já levantando a mão em direção à maçaneta, eu perguntei:

– Você quer ajuda? Quer que eu durma com ele?

Ela bateu a mão no ar como se dissesse “Não precisa, boba”, e entrou, me deixando sozinha na sala escura. Fui para meu quarto e fechei a porta também.

Aquela não tinha sido uma virada de ano feliz para nenhuma das duas. Era a primeira vez que meu tio Jojo não tinha passado com a gente, já que ter se assumido gay fez com que tivesse sido praticamente expulso da família. Ele nos ligou à meia noite, direto de Salvador ao lado do seu namorado, mas só eu e vovó falamos com os dois. Vovô continuava fingindo que não tinha aquele filho. Depois disso nossa noite foi uma bela merda, não importa quantos telefonemas felizes ou fogos bonitos no céu aparecessem. Os dois foram cedo pro quarto, sem conversar um com o outro, e eu fiquei arrumando a cozinha e bebendo, enquanto remoía minha raiva. Quando terminei subi para o quarto com a intensão de ler minhas mensagens, mas nem tive saco de tocar no celular. Continuei lá, mal humorada, ouvindo a música que vinha de alguma casa vizinha cuja festa de Réveillon estava bem mais animada que a nossa.

Quando finalmente o sono começou a me pegar, resolvi fechar a janela e trocar de roupas. Peguei o celular com o objetivo de cancelar o despertador da manhã seguinte, bloqueei a tela novamente e então decidi que, quem sabe, poderia ter alguma mensagem ali pra me animar um pouquinho. Liguei a WiFi, que estava desativada desde antes do jantar, e vi o balãozinho de notificações subir freneticamente, o número crescendo a cada milésimo de segundo. Deixei ele lá, se atualizando, e fui ao banheiro fazer meu xixizinho da madrugada.

Havia 78 mensagens não lidas me esperando – sem contar os grupos silenciados da faculdade e do trabalho. A mais recente era do grupo da nossa família e continha uma foto de Laurinha dormindo no colo do meu tio, completamente apagada, enquanto ele sorria na beirada do mar. Eu ri. Ela tinha nos ligado pouco depois da virada para desejar que 2018 fosse tão lindo quanto a praia e disse que ia me trazer um presente. Respondi com um emoji de coração e continuei zapeando pelos nomes ainda não abertos quando o vi.

A foto séria ainda era mesma da última vez que nos falamos, há algumas semanas atrás. Isso não era, de forma alguma, incomum, mas reparei mesmo assim. Acho que era porque, por mais que tivesse evitando pensar nisso a noite toda, eu esperava vê-la ali quando resolvesse finalmente abrir o Whatsapp. Cliquei sobre o nome dele.

“Feliz ano novo, Lola! Sdds *coraçãozinho*”

Ninguém fora da minha família me chamava de “Lola”, e ele fora informado disso. Na verdade só sabia que esse apelido existia porque a gente contou sobre praticamente toda nossa vida ao longo do momentos que tivemos juntos. Mas nunca tinha usado. Eu quase conseguia enxergar o risinho de ironia que com certeza estava em seus lábios quando digitou aquilo, como se quisesse não só puxar papo mas dar uma debochadinha junto. E aí, ao pensar nisso, percebi que eu mesma estava sorrindo desde que vi que havia uma mensagem dele no meio de todas as outras.

Ignorando completamente o fato de que, lá no celular dele, o ícone de leitura tinha ficado azul, confirmando que eu recebi o recado, fui respondendo todas as outras pessoas que haviam se dado as trabalho de pensar em mim naquela noite – e ignorei algumas, quando elas vinham de grupos chatos dos quais minha boa educação vinha me impedindo de sair. Por fim, quando não tinha sobrado mais nenhuma e não dava mais pra evitar, finalmente escrevi:

“Feliz ano novo, Fê!”

Enviei e me arrependi na mesma hora da maneira seca como ela soou. Não era meu feitio fingir desinteresse quando, na verdade, eu ainda estava interessadíssima. Então completei:

“Muitas sdds! *carinha com olhos de coração*”

Desliguei a WiFi novamente, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa ou mais alguém resolvesse prolongar algum assunto. Eu estava me segurando um pouco para não rir mais, porque se pensar bem, sabe, a noite não tinha sido de todo mal…

Esse é o segundo conto da série “Contos de Aurora”, que vai mostrar dez datas comemorativas do ano de uma mulher como outra qualquer, que eu vou conhecer junto com vocês, enquanto traço a vida dela devagarzinho… Feliz ano novo!

O Conto de Natal

Em 24.12.2017   Arquivado em Escrevendo

O Conto de Natal

A campainha tocou pela terceira vez em menos de meia hora lá em baixo. Eu estava com o rosto quase grudado no espelho, segurando meus cílios postiços emplastados de cola, esperando ela secar, então só dei uma olhada pro lado, como se pudesse enxergar através das paredes, e voltei a atenção para meu reflexo quase imediatamente. Enquanto posicionava tudo no lugar ouvi risadas, seguidas de um grito que não soube identificar se era de raiva ou alegria. Só sabia que a voz que o produziu era de uma criança. Laurinha, com certeza. Fiquei feliz em saber que ela tinha chegado… Por ser a neta mais nova não importava se era natal ou outra data qualquer: vovó só sentia que a festa tinha começado quando aquele rostinho sorridente cruzava a porta de entrada.

Enquanto retocava o delineador do olho esquerdo, a porta do meu quarto abriu abruptamente e ela entrou, com a voz muito chorosa. Logo depois vinha Diego, com um sorriso de vitória no rosto que só podia significar que havia tirado a menina do sério. Ele tinha seis anos quando ela nasceu, “tirando” seu posto de caçula e gerando muitos ciúmes. Desde então um de seus objetivos de vida era causar nela o maior número de lágrimas possível.

– Lola… – ela dizia as palavras entre soluços forçados – Lola, diz pra ele que é o Papai Noel de verdade!

Guardei minha bolsa de maquiagem virando os olhos pra situação. Não era POSSÍVEL que um garoto que se gabava diariamente de ter entrado na adolescência e até já “perdido o BV” estava implicando com uma criança por causa de PAPAI NOEL! Olhei para ele colocando as mãos na cintura, o que o fez começar a pronunciar as desculpas esfarrapadas ensaiadas:

– Eu não falei que ele NÃO EXISTE, só disse que aquele lá não é o de verdade…

– É SIM! – Ela gritou se colocando de pé em cima da minha cama, então corri não só pra amenizar a briga como também para tirar aqueles pés calçados de cima do meu lençol recém trocado.

Nem era preciso explicações sobre a qual Papai Noel eles se referiam. Algum dos prédios vizinhos tinham pendurado um em tamanho natural na manhã anterior. Vovó e eu ficamos observando muito agoniadas com medo de o moço que estava fazendo isso cair de lá de cima, e ao mesmo tempo adoramos a notícia justamente porque sabíamos que nossa pequenina ia vibrar vê-lo ali. Dei uma última olhada no espelho e saí do quarto arrastando os dois junto, segurando o pulso de Diego com uma força que indicava “Pára com isso!” e tranquilizando nossa priminha, dizendo que ele estava apenas tentando irritá-la e que o “bom velhinho” já estava ali sim senhorita, esperando para presenteá-la com a Barbie Sereia que havia pedido.

Eu mudei para a casa dos meus avós cinco anos atrás, pra fazer faculdade. Meus pais moram em Ipatinga, a uns 200 km de Belo Horizonte, vim pra cá quando passei no vestibular. Minha ideia inicial (e muito iludida) era procurar um lugar só meu assim que me formasse, o que aconteceu no meio do ano, mas os três meses de desemprego e o salário baixo que recebia ao finalmente conseguir um trabalho não me permitiam sequer pensar nisso. Sem contar que meus avós estavam começando a ficar bem velhinhos, sempre precisando de alguém para levá-los ao médico, pegar algo no alto do armário e correr para comprar qualquer coisa no supermercado, então minha presença acabou sendo útil… Agora a intenção de ir embora é quase zero!

Por esse motivo eu acabo convivendo muito mais com o resto da família do que qualquer um deles entre si. Ao longo da semana meus tios e primos vêm aqui algumas vezes, para buscar correspondências, ver como estão as coisas ou mesmo “bater ponto” e não se arrepender de estar ausente daqui um tempo, quando os dois já não estiverem vivos. É bem fácil perceber quais se encaixam no último grupo. Enfim… Essa noite eu pretendia estar pronta antes de todo mundo chegar, mas fiquei no quintal com vovó batendo papo sobre nada, então já tinha muita gente quando desci as escadas, cada um colocando o que tinha levado na mesa. Meus pais e meu irmão tinham chegado na casa do meu padrinho bem cedo, mas eles esperaram para ir todos juntos. Estavam lá mais dois casais de tios, pais de Laurinha e Diego, além do irmão mais velho dela, Gabriel, que nasceu exatamente um mês antes de mim. Nós dois passamos a infância inteira esperando por férias e feriados para encontrar quando eu vinha pra cá, para poder brincar juntos. Somos meio que melhores amigos.

– Olha quem tá aqui! Feliz natal, Coisinha! – Meu irmão me tirou do chão ao me abraçar. Depois dele ouvir outras sete vozes repetindo “Feliz Natal, Lola” em menos de um minuto.

Quando Diego era bebê e não conseguia pronunciar “Aurora” direito, me chamava apenas de “Lóla”. Assim que me via cruzando a porta balançava seus bracinhos gorduchos gritando “Lóla! Lóla! Lóla!” com muita empolgação. Logo depois tia Clarinha, mãe dele, me presenteou com uma jaqueta onde havia a personagem Lola Bunny, dos Looney Tunes, estampada nas costas. Desde então a família inteira só me chama assim. Eu me irritava no início, sempre gostei de ter um nome que não dava muita brecha para apelidos, mas quando Laurinha nasceu foi uma das primeiras palavras que aprendeu a falar, logo depois de “mamã” e “cacágu” (que significava “água”), e passei a gostar, apesar de nunca deixar essa mania sair da família e passar para os meus amigos.

O resto do pessoal chegou na hora seguinte. Nos últimos dois natais tinha um sentimento de “Será que é o último?” no ar, todos temiam que um dos nossos avós fosse morrer a qualquer momento, então ninguém abria mão daquela noite. Bom, na verdade uma pessoa abriu dessa vez: tio Jojo. Ele tinha “saído do armário” (finalmente!) nove meses atrás ao apresentar o namorado pra todo mundo. Bastou uma única e longa conversa comigo para vovó aceitar, mas meu avô e dois dos tios ainda se recusavam a olhar na cara dele. Agora ele só vinha quando não tinha mais ninguém por lá (vovô se fechava na sala de televisão até ele ir embora) e sabe-se lá onde estava fazendo sua ceia… Eu sentia saudades e ódio de todo o resto só de pensar nisso!

Olhando ao redor da mesa, todo mundo sentado espremidinho em cadeiras e bancos improvisados, me vinha nos peito uma mistura de alegria e hipocrisia. Eu estava feliz em ter papai, mamãe e Augusto, meu irmão, ali comigo. Vovó também, já que ela é minha pessoa favorita no mundo, e eu até amava o vovô, mas o culpava de não ter meu tio mais querido ali. Gosto dos meus primos, uns mais que outros, e algumas tias. Mas todos os meus outros tios (e uma prima mais distante) eram nada além de parentes pra mim. Me dava raiva ouvir de longe os comentários machistas e preconceituosos que eram camuflados na conversa aqui e ali. Minha vontade era bater boca contra aquela babaquice toda, mas foquei na presença de Laura em meu colo, com seu prato encostadinho no meu me contando várias novidades infantis enquanto nossos braços lutavam para conseguir comer ao mesmo tempo.

Nós temos algumas tradiçõezinhas pra data, seguidas todos os anos. Todo mundo senta pra comer às 22h, em ponto, e quando faltam 15 minutos para meia noite rola uma oração e um “Parabéns pra você” para o “Menino Jesus”. Já faz anos que não sigo religiões, mas não me importo em continuar fazendo isso. Vovô então faz um discurso e assim que o relógio bate a meia noite corremos para a árvore para trocar presentes, independente se tiver terminado ou não… Na verdade o combinado é esse, mas ele sempre consegue dizer tudo a tempo, provavelmente de propósito. Dessa vez, porém, assim que a oração terminou, ele saiu alegando que precisava ir ao banheiro e pediu que a gente continuasse na sua ausência por causa das crianças. Na hora do discurso passamos a palavra para vovó, mas ela não sabia o que dizer e pediu ao meu pai que fizesse isso. Ele, por sua vez, jogou a bola pra minha mãe, que conseguiu até se emocionar com o que disse – e alfinetar cada um dos responsáveis por não sermos mais uma família completa. Alguns, eu entre eles, fizeram questão de aplaudir quando ela terminou exatamente quando devia terminar

Foi quando começamos a ouvir fogos de artifício sendo jogados ao céu do lado de fora. Laurinha largou minha mão, correndo desesperada, e abriu a cortina, com a boca aberta de excitação. Fomos assistir também e, quando parei ao seu lado, ela disse para mim, sorrindo:

– É o Papai Noel!

Passamos cinco minutos admirando o show pirotécnico que acontecia ali, até ouvir a porta dos fundos bater. Quando olhamos para trás a árvore de natal estava bem mais cheia do que antes. Fomos correndo conferir o que tinha sido deixado , gritando uns aos outros para que cada presente chegasse ao seu dono o mais rápido possível. Acho que ninguém além de mim reparou quando vovô entrou de mansinho com as chaves na mão e parou apoiado em meu ombro, para receber um pacote com seu nome que estava na minha mão. De fato, e apesar de tudo, um bom velhinho tinha trazido para cada um de nós um pouquinho mais da magia do natal.

E assim termina o Blogmas 2017: com um começo! Na série “Contos de Aurora” vou mostrar pra vocês a trajetória dessa nova personagem ao longo de algumas datas importante do ano. Em alguns momentos irei improvisar, em outros já sei exatamente o que fazer. O destino dela? Só o tempo dirá! Feliz natal!

Blogmas 2017

Sonhos perseguidos

Em 21.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Sonhos perseguidos

Toda noite era a mesma coisa: quando colocava a cabeça no travesseiro, de imediato a imagem dele me vinha à mente. Mesmo com esses pensamentos, eu conseguia dormir numa boa. O tempo passou e a minha imaginação continuou insistindo no mesmo cara. Confesso que não era fácil suportar tudo aquilo.

Meses se passaram e a situação piorou, já que a insônia começou a fazer parte dos meus dias. Era mais ou menos assim: deitava na cama, fechava os olhos e lá vinha a imagem do dito cujo. Ele era alto, poucos quilos acima do “aceitável” para o seu tamanho e tinha os cabelos lisos, que sempre usava bagunçando-os para o lado. Em todas as suas aparições mentais, aquele moço usava camisetas descoladas, com a palavra “Faith”. O motivo, claro, era desconhecido.

O problema é que aquele cara não era desconhecido. Na verdade, ele era um ex-crush chamado Jonas. Esse rolo foi rápido, não chegou nem a contabilizar um mês. Para ser mais exato, 13 dias. O meu número da sorte. Por que tive azar dessa vez? Hahaha! Não chamo de azar os livramentos da vida!

Conheci Jonas na internet. Isso mesmo, nos aplicativos de relacionamentos que tanta gente abomina. Diferente da maioria, acho até legal ficar “julgando” os perfis. É como se eu estivesse com um cardápio na minha mão, escolhendo o que comer. (Ooops, isso gerou duplo sentido!)

Mas é isso mesmo! Jonas só queria sexo, dinheiro e alguém para bancar os seus vícios em bebidas e drogas. Infelizmente, só percebi isso quando levei um bendito pé na bunda. E estava apaixonado. Loucamente apaixonado por um cara que esnobava os meus sentimentos, me fazia de trouxa e, caralho, me fazia perder horas de sono.

Fiquei semanas e semanas sem dormir, olhando para o teto do quarto à espera de uma luz do próximo passo. Suicídio ou seguir com a vida? Escolhi a pior opção: mandar mensagem.

Eram 02h da madrugada quando estava enviando mensagem para Jonas, confessando o quanto eu o amava e ele era o homem da minha vida. Clichê, eu sei. Fui surpreendido com uma rápida reposta. Em um áudio de apenas 10 segundos, fui mandado à merda, além de um “lindo” pedido para eu procurar alguma coisa para fazer da vida, ao invés de ficar correndo atrás de quem não dava a mínima por mim.

Sonhos perseguidos

Rolou um choque de realidade. Foi forte. Bem forte. Chorei tanto que às vezes me faltava lágrimas. Como podia eu ser tratado daquela forma? Como? Logo eu que sempre era prestativo, disposto a mover o mundo por Jonas…

Ainda baqueado, passei três dias chorando sem parar, vendo tudo sem graça e faltando no meu emprego. Sim, a mente continuava pensando em Jonas, em sua beleza e naquela bendita camiseta escrita a frase “Faith”. Naquela época, a fé que tinha era de que iríamos voltar, ter um relacionamento incrível, mas…

A fé que precisava era de que as coisas iriam melhorar para mim e eu iria sair daquela fossa. Daquela rotina diária de ficar pensando em que não se importava com a minha vida e os meus sentimentos. E foi assim que o fiz.

Após os três dias de “luto”, me olhei no espelho decidido a dar um basta. Comecei excluindo da agenda do celular o número de Jonas, depois o bloqueei nas redes sociais e postei uma das melhores fotos que tirei na época em que o conheci. A legenda era uma daquelas motivacionais, onde dizia que não vale à pena valorar o que não tem valor.

Tô melhor, tô de boa, tô feliz. A mente de fez em quando recorda de Jonas, mas com dó. Muita pena de quem prefere destruir o coração de uma diva poderosa como eu. Nasci pra brilhar, e não para ter sonhos perseguidos por monstros.

(Parênteses aqui para agradecer à Luly por poder postar no brógui dela. Aos desconhecidos, me chamo Adriel Christian e também sou blogueiro. Não sou bom com apresentações, então, é isso!)

[Edit em 22/12/17] Adriel, seu lindo! Eu AMEI ter tido você como meu “guest blogger” nesse Blogmas 2017! Em 13 anos de Sweet Luly eu NUNCA tive coragem de emprestar meu cantinho pra alguém, de criar um nome de usuário pra outra pessoa, de quase deixar que falassem por mim. Você foi o primeiro e foi uma escolha maravilhosa! Obrigada por ter colocado tantos sentidos por aqui. E pra quem não conhece, visitem o blog dele para mais textos assim: Não Me Venha Com Desculpas.

Blogmas 2017