Nasce Uma Estrela

Em 24.10.2018   Arquivado em Filmes, Música

Nasce Uma Estrela Nasce Uma Estrela (A Star Is Born) *****
Elenco: Bradley Cooper, Lady Gaga, Dave Chappelle, Sam Elliott, Alec Baldwin, Anthony Ramos, Andrew Dice Clay, DJ Pierce, Michael D. Roberts, Michael Harney, Rafi Gavron
Direção: Bradley Cooper
Gênero: Musical, Romance
Duração: 135 min
Ano: 2018
Classificação: 16 anos
Sinopse: “O experiente músico Jackson Maine descobre a jovem artista desconhecida Ally, por quem acaba se apaixonando. Ela está prestes a desistir de seu sonho de se tornar uma cantora de sucesso, até que Jack a convence a mudar de ideia. Porém, apesar de a carreira de Ally decolar, o relacionamento pessoal entre os dois começa a desandar, à medida que Jack luta contra seus próprios demônios e problemas com álcool.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A terceira refilmagem de Nasce Uma Estrela, de 1937, e seguindo a linha de “musical de rock” da versão de 76, conta com Lady Gaga e Bradley Cooper (que também dirigiu o filme) nos papéis principais e mostra uma visão contemporânea dessa velha história há muito já conhecida. Jackson Maine, astro da música, vive seus dias de fama regados a álcool e drogas, como forma de conseguir lidar com todas as pressões que esse cotidiano traz e com uma perda de audição gradual, cada vez mais acentuada. Ainda assim ele mantém aspectos de uma “vida normal”, tendo amigos fora do ramo e frequentando bares “normais” com pessoas “normais”. E é assim que, após um de seus shows, ele vai parar num bar de drag queens onde se encanta pela voz da única mulher que as outras drags permitem performar ali: Ally. Apesar do vozeirão e de ótimas músicas autorais, ela nunca conseguiu levar a carreira adiante por, até então, não ter sido considerada atrativa para a indústria.

Ela já o conhece e admira, mas em momento algum se sente deslumbrada em saber com quem está lidando. Um pouco surpresa e tímida, claro, e extremamente atraída, mas pela pessoa, pela voz, não pela fama. Ele se apaixona de cara, por tudo nela. Após uma noite inteira de conversas jogadas fora e músicas autorais compartilhadas, Jack convida Ally para o show do dia seguinte, colocando seu motorista particular à disposição dela. Ela reluta, mas vai, e chegando lá, em cima do palco, é “puxada” para que eles cantem juntos sua composição “Shallow”, numa cena EXTREMAMENTE impactante visual, musical e sentimentalmente. O público vibra, os dois se relacionam e ela passa a fazer parte da turnê, como “segunda voz”, chegando a atrair a atenção de um produtor musical, iniciando sua própria carreira e a vivendo lado a lado com esse romance inesperado.

Nasce Uma Estrela

Nasce Uma Estrela: imagem via Kingman, AZ

Faltam palavras e sobram elogios para falar desse musical maravilhoso, por inúmeros motivos. A voz e Lady Gaga já conhecemos e amamos, inevitavelmente. Ela causa arrepios quando está diante do microfone e, para minha surpresa, também conseguiu atuar muito bem. Bladley Cooper foi outro susto: tinha um baita músico escondido ali! Foi difícil perceber que a história se passava agora, nos anos 2010, ele cantou de forma que lembrou tanto velhos nomes do rock que só “caiu a ficha” quando o primeiro smartphone foi usado. De um modo geral eu já esperava ficar encantada ouvindo uma, mas no fim fiquei pelos dois. Funcionam lindamente tanto como dupla, quanto individualmente. Pra quem não gosta de musicais onde as personagens “cantam ao invés de falar”, aí vai um ponto muito positivo: por mais que a música esteja presente em praticamente todos os momentos, os diálogos são falados, e elas aparecem apenas quando as personagens REALMENTE estão cantando na história, dentro ou fora dos palcos. Já quem adora, como eu, bem, essa continua sendo uma vantagem de qualquer forma!

A trilha sonora, claro, é IMPECÁVEL! Não só pelos vocais, mas também ritmos, letras e pelo fato de que as cenas foram gravadas com música ao vivo (exigência da própria atriz), passando veracidade pra quem está assistindo. A maioria das canções foi escrita pela Lady Gaga, que contou com a parceria do DJ White Shadow, seu antigo colaborador, e do grande amigo – e meu maior ídolo – Elton John. “Shalow”, como eu já disse, é de encher os olhos, tanto metaforicamente quanto também de lágrimas. Definitivamente a melhor parte do longa todo! Depois dela minha favorita foi “Always Remember Us This Way”, que tem um instrumental de piano no fundo belíssimo e uma letra romântica que deixa o coração super quentinho e a cabeça cheia de lembranças.

Porém nem só de música vive uma história, e o enredo dessa também é um ponto positivo. Ele flui bem, não acelera ou reduz demais em momento algum, as personagens aparecem na hora certa sem causar estranhamento, você entende quem é todo mundo e qual a função de cada um. E, claro, aborda questões que PRECISAM ser abordadas: álcool, drogas e transtornos mentais, a depressão em meio ao que parece ser a vida perfeita. Acontecem coisas inesperadas pra te surpreender, discursos inadequados pra te lembrar de tomar cuidado com o que vai dizer e os desentendimentos são resolvidos, tem conversa, acordo, fala. Em meio a histórias clichês onde o crescimento de um dos lados faz mal ao outro, Ally e Jack tentam ao máximo se apoiar, mesmo quando parece ser impossível um segurar o outro, mas sem viver um “conto de fadas”, eles são humanos, sempre sujeitos ao lado podre dessa humanidade. O final não é muito surpreendente, mas chega com impacto digno de todo o resto. Daqueles que vale a pena ver, ouvir, digerir e depois, se possível, re assistir!

Trailer:

Um Pequeno Favor - Em exibição nos cinemas

Um Pequeno Favor

Em 13.10.2018   Arquivado em Filmes

Um Pequeno Favor Um Pequeno Favor (A Simple Favor) *****
Elenco: Anna Kendrick, Blake Lively, Rupert Friend, Henry Golding, Ian Ho, Miles Ward, Linda Cardellini, Zach Smadu, Andrew Rannells, Aparna Nancherla
Direção: Paul Feig
Gênero: Thriller, Comédia
Duração: 117 min
Ano: 2018
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Stephanie é uma jovem mãe que divide o tempo entre a criação do filho e o trabalho como vlogueira. Quando sua melhor amiga Emily desaparece, ela parte em uma jornada para descobrir a verdade por trás do ocorrido.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Desde o acidente que matou os principais homens de sua vida, seu irmão e o marido, Stephanie cria o filho sozinha, se dividindo entre isso e um vlog focado em “conteúdo para mães”, como culinária e artesanato. Quando o garoto se aproxima do filho de Emily, com quem estuda, ela acaba vendo nessa mulher misteriosa a possibilidade de ter a melhor amiga que tanto queria. Aos poucos as duas vão se aproximando e revelando à outra seus segredos mais sombrios… Ou pelo menos é o que parece, até o dia em que Emily pede a ela um pequeno favor, que já havia pedido várias vezes: que busque o filho na escola naquela tarde já que, assim como o marido, está viajando. Os dias vão passando e ela percebe então que sua amiga não vai voltar, então resolve convocar suas expectadoras para ajudar na busca e, por conta própria, investigar o que pode ter acontecido, já que percebe que nada naquela história é o que parece…

“Um Pequeno Favor”, baseado no livro homônimo da autora americana Darcey Bell, é um thriller com pitadas de humor que conta a história de duas mulheres MUITO distintas de verdade, sem aquele clichê de “acabam descobrindo o quanto têm em comum”. Enquanto Stephanie (Anna Kendrick) se esforça ao máximo para ser uma boa mãe e se sente culpada dos erros que já cometeu, Emily (Blake Lively) está sempre adicionando novos problemas na sua lista e simplesmente não consegue se afeiçoar às pessoas por causa disso. A maneira como elas se relacionam é sempre assimétrica, com uma sugando e a outra cedendo. Mas o desaparecimento repentino de Emily tem TUDO pra virar esse jogo, através de personagens super complexos e imperfeitos, um enredo envolvente que te deixa com muita vontade de descobrir o final e atores que dão conta do recado perfeitamente… Mas o filme peca tão violentamente no desfecho que tudo o que veio antes se perde e fica difícil acreditar que foi tão ruim assim.

Um Pequeno Favor

Um Pequeno Favor, imagem via Time

À medida que o mistério foi se desenvolvendo eu achei que seria um novo “A Garota do Trem”, que é maravilhoso. Nele mulheres supostamente fracas se descobrem fortes, dando uma aula das consequências do relacionamento abusivo e gaslighting em suas vidas e as unindo por causa disso. Mas esse foi o contrário: todas as personagens femininas foram, aos poucos, se tornando inimigas, sabe? Ele tem várias falhas graves nesse aspecto, como acusações falsas de agressão, por exemplo, que reforça bastante a falta de credibilidade com que nossa sociedade lida com o abuso no cotidiano. No fim das contas a Stephanie se torna a única pessoa suportável na tela, porque todo o resto deixava quem estava na sala de cinema com vontade de largar a sessão e ir embora (pra vocês terem ideia, as pessoas realmente estavam discutindo o filme entre si, detestando mesmo). Fora quem simplesmente some e sua importância nunca é mostrada, com o chefe de Emily, que parece super relevante e depois você se pega pensando qual foi a finalidade de ter colocado aquela figura ali…

Ainda assim seria possível admirá-lo deixando esse ativismo de lado pela trama em si, cheia de reviravoltas e minúcias… Mas os últimos minutos, numa tentativa de continuar dando pitadas de humor que até então funcionavam super bem na atmosfera da história, fica escrachado em um nível que você se sente assistindo uma daquelas sátiras de besteirol americano, meio “Todo Mundo em Pânico”. A tensão se perde completamente, não te diverte como forma de compensar e simplesmente estraga o longa. É mais um daqueles casos onde a gente se pergunta se a adaptação não deu conta do que estava no livro, e uma pena porque tinha potencial para me deixar sem dormir por pelo menos uma noite, pensativa… Fica aí o questionamento se vale a pena ler, ou se é melhor deixar pra lá e partir pro próximo!

Trailer:

Um Pequeno Favor - Em exibição nos cinemas

Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível

Em 22.08.2018   Arquivado em Disney, Filmes

Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível (Christopher Robin) *****
Elenco: Ewan McGregor, Hayley Atwell, Bronte Carmichael, Mark Gatiss, Jim Cummings, Nick Mohammed, Brad Garrett, Peter Capaldi, Sophie Okonedo, Toby Jones
Direção: Marc Forster
Gênero: Fantasia
Duração: 103 min
Ano: 2018
Classificação: Livre
Sinopse: “Christopher Robin já não é mais aquele jovem garoto que adorava embarcar em aventuras ao lado de Ursinho Pooh e outros adoráveis animais no Bosque dos 100 Acres. Agora um homem de negócios, ele cresceu e perdeu o rumo de sua vida, mas seus amigos de infância decidem embarcar no mundo real para ajudá-lo a se lembrar que aquele amável e divertido menino ainda existe em algum lugar.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Durante sua infância, Christopher Robin passou vários momentos divertidos ao lado dos seus amigos no Bosque dos Cem Acres, mas com sua partida para o colégio interno teve que se despedir dessas tardes de aventuras. Os anos se passam e, já adulto, ele segue com o tradicional ciclo da vida com o qual todos estavam acostumados: casamento, alguns anos servindo na guerra e a prerrogativa de passar o resto dos seus dias dentro de um escritório se dedicando ao trabalho. E quando sua família vai passar um fim de semana na casa de campo, enquanto ele fica preso em Londres trabalhando, acaba recebendo a visita inesperada de um velho amigo no qual sequer acreditava mais: o Ursinho Pooh.

Pooh saiu em busca de ajuda para encontrar todos os seus amigos, que sumiram misteriosamente num suposto ataque de Efalante. Depois de enfim reunir Tigrão, Leitão, Ió, Coelho, Corujão, Can e Guru e sentir uma dose do que era a magia de estar ao lado deles, Christopher precisa voltar ao “mundo real” e apresentar as propostas de trabalho requisitadas por seu chefe, mesmo que para isso tenha que decepcionar novamente as pessoas com quem mais se importa. É hora, então, dos animais do Bosque partirem em sua própria “expodição” para salvá-lo de vez.

Leia também: Cinderela, resenha do live action baseado em um dos maiores clássicos Disney.

Num filme lúdico de enredo extremamente simples, a Disney resgatou um grupo de personagens já aclamado por várias gerações para protagonizar essa história inédita, e não economizou na emoção ao fazer isso! Ewan McGregor, após estar BRILHANTE no papel de Lumiere na versão live action de A Bela e a Fera, é Christopher Robin adulto, um homem que segue sua vida de forma tão cinza quanto a Londres pós 1ª Guerra onde vive com a esposa, Evelyn, e Madaline, filha do casal. Em meio à crise familiar e profissional, a chegada de Pooh o faz lembrar de como as coisas podem ser coloridas mesmo sem deixar as responsabilidades de lado, já que ele tem como tarefa cortar gastos do departamento onde trabalha sem precisar demitir os colegas.

Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível

Imagem via Flickering Myth

A versão “bicho de pelúcia” dos personagens do Bosque ficou MUITO BONITINHA! Eles têm aspecto surrado, até um pouco arcaico, e ainda assim são reconhecíveis se comparados aos originais animados, bem como as personalidades características, principalmente o “quarteto” principal formado por Pooh, Tigrão, Leitão e Ió. É muito louco porque depois do estudo realizado pela CMJA, que relacionada cada um deles a um transtorno mental, fica impossível dissociá-los disso e perceber o quanto faz sentido (me identifico cada vez mais com meu eterno favorito, Leitão, e sua ansiedade)… Um pouco triste, claro, mas ao mesmo tempo divertido, causando cenas de humor melancólico e MUITA REFLEXÃO quando as “frases de efeito” tão presentes no livro de A. A. Milne surgem justamente nesses momentos, de forma despretensiosa e sempre impactante.

Pooh: “Que dia é hoje?”
Christopher Robin: “Hoje!”
Pooh: “Meu dia favorito!”

O começo do filme, confesso, é um pouco lento, mas à medida que trama se desenvolve você se acostuma com esse ritmo e percebe que faz parte da atmosfera da história. A fotografia, por sua vez, é maravilhosa, são tons soturnos sem deixar nenhum aspecto sombrio ou mesmo muito deprimente. É divertido para crianças, tocante para adultos e vice e versa, entretenimento para todas as idades. A mensagem principal, de não levar as coisas tão a sério e curtir a vida, é passada com delicadeza, pois até o final soluciona os problemas sem atitudes extremas – e dá um tapa na cara do momento atual de crises trabalhistas vividas aqui nas terras tupiniquins. Vale pena inclusive assistir os créditos finais, que contém uma das músicas dos desenhos animados tematizando “cenas extras” dos personagens secundários. Lindo, lindo, lindo de fazer o cinema todo literalmente aplaudir no final (sério!), Disney acertou em cheio nessa!

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Mentes Sombrias: 16 de agosto nos cinemas!

Mentes Sombrias

Em 16.08.2018   Arquivado em Filmes

Mentes Sombrias Mentes Sombrias (The Darkest Minds) *****
Elenco: Amandla Stenberg, Gwendoline Christie, Harris Dickinson, Mandy Moore, Catherine Dyer, Lidya Jewett, Mark O’Brien, Patrick Gibson, Skylan Brooks, Wallace Langham
Direção: Jennifer Yuh Nelson
Gênero: Distopia
Duração: 115 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Em um mundo apocalíptico, uma pandemia mata a maioria das crianças e adolescentes da América. Alguns dos sobreviventes desenvolvem super poderes e eles são arrancados de suas famílias e enviados para campos de custódia por um governo temeroso. Um dos adolescentes escapa do acampamento e se junta a um grupo de adolescentes talentosos que seguem em uma operação especial.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: No dia após seu aniversário de 10 anos, Ruby foi tirada pelo governo de seus pais, que misteriosamente não se lembram dela mais, após enfim apresentar uma doença que está dizimando as crianças e adolescentes pelos EUA. Os sobreviventes, como ela, são levados para campos de tratamento, onde são separados de acordo com os poderes que essa “doença” traz, categorizados por cores: verde para inteligência elevada, azul para telecinéticos e dourado para os que controlam a eletricidade. Existem também os alaranjados, que controlam a mente, e vermelhos mas esses, por serem dentro da zona de perigo, acabam sendo executados. Ruby, mesmo muito jovem, usa seus poderes recém adquiridos de alaranjada para convencer seu avaliador que é uma verde e salvar a própria vida…

Seis anos se passam e a garota, por não apresentar a inteligência que supostamente devia ter, está prestes a ter seu segredo revelado, até ser resgatada Cate, que finge ser médica para tirá-la do campo. Ela faz parte da Liga das Crianças, que tem como objetivo libertar esses jovens, mas por desconfiar de seus motivos Ruby foge até cruzar o caminho de três outros “mutantes”: Liam, Bolota e Zu, também fugitivos em direção a um suposto acampamento onde os próprios adolescentes se governam, ajudando um ao outro a viver com as habilidades em liberdade.

“Mentes Sombrias” é uma distopia baseada no livro de mesmo nome de Alexandra Bracken, parte de uma série que já conta com cinco volumes, e estreia HOJE nos cinemas de todo país. Interpretada por Amandla Stenberg (a Rue de “Jogos Vorazes”), a protagonista Ruby segue a linha das heroínas do gênero: uma garota de 16 anos, muito poderosa, com total potencial para ser estopim de uma revolução ainda silenciosa e enfim levá-la a público. No que podemos chamar de “uma mistura de Divergente com X-Men”, ela forma com seus três novos amigos uma equipe muito carismática e divertida, cujos poderes se complementam para garantir a sobrevivência do grupo. Tem ação, romance, humor e um bom elenco, tudo que uma aventura adolescente precisa para dar certo, mas por algum motivo não funciona…

Mentes Sombrias

Imagem via Pure Break

A história em si é criativa e interessante, mas peca no desenvolvimento e diálogos fracos, de forma o espectador não se envolve completamente. Como não li o livro, não sei dizer se essa “falha” é da adaptação, o que faz sentido porque nem sempre é possível colocar na tela tudo o que está nas páginas, mas acabou ficando sem ritmo e, à medida que o clímax se aproxima, confuso. A parte em que eles vivem no acampamento passa e não dá para entender muito bem como os acontecimentos atingem os pontos em que chegam. A relação da protagonista com o líder do local, O Fugitivo, por exemplo, claramente devia ser algo muito grandioso, e acaba ficando tão sem sentido que você não consegue acreditar que aquilo acabou de acontecer, nem te dá tempo de digerir as coisas para absorver.

O final também é previsível e deixa a trama aberta para uma ou mais continuações, mas eu pessoalmente acho que seria uma maneira ousada e muito interessante de fechar a história, deixando o que aconteceu depois no ar e, ao mesmo tempo passando a mensagem de que nem sempre a situação que nos parece a salvação é, de fato, a melhor, podendo também ser um problema tão grande quanto o quadro atual. Às vezes a solução é abraçar outras causas em busca do bem coletivo de forma ampla… Claro, não precisa abandonar suas convicções, mas tem como mantê-las e ainda assim se adaptar a novos pensamentos ou soluções que podem ajudar todo mundo a “chegar lá”!

Trailer:

Mentes Sombrias: 16 de agosto nos cinemas!

Todo Dia

Em 12.08.2018   Arquivado em Filmes

Todo Dia Todo Dia (Every Day) *****
Elenco: Angourie Rice, Justice Smith, Amanda Arcuri, Colin Ford, Debby Ryan, Ian Alexander, Jacob Batalon, Jake Sim, Katie Douglas, Lucas Jade Zumann, Maria Bello, Michael Cram, Owen Teague
Direção: Michael Sucsy
Gênero: Romance
Duração: 95 min
Ano: 2018
Classificação: 12 anos
Sinopse: “A acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A foi percebendo, ao longo dos anos, que os amanhãs nunca chegavam em sua vida como para as outras pessoas. Todo dia sua família, seu cotidiano e seu rosto mudavam, porque todo dia A estava em um corpo diferente: mesma idade, relativamente perto do anterior, mas independente de gênero, etnia, personalidade. Alguns têm memórias mais acessíveis, outros são mais difíceis de entender, e numa manhã, ao encarnar na vida de Justin, A se torna o namorado que o rapaz não consegue ser para Rhiannon: atencioso e cheio de conexões. Essa tarde juntos causa a quebra de uma de suas regras principais e acaba se apaixonando pela garota…

“Todo Dia” é baseado no best seller de David Levithan (autor de Garoto Encontra Garoto), mas como não li o livro não dá para fazer um paralelo entre os dois, teremos que focar só no filme mesmo… E sobre ele posso dizer que tem uma história muito interessante, mas tão ampla que o tempo de duração não consegue mostrar todo seu potencial. Ainda assim cumpre seu objetivo principal, que é contar uma história de amor entre adolescente que vivem juntos MUITO MAIS que as primeiras descobertas e sensações dessa fase, mas também a dificuldade de que um dos lados simplesmente NÃO TEM UM CORPO FIXO!

A cada nova mudança, a prioridade agora é achar meios de ficar ao lado da pessoa pela qual se apaixonou. Primeiro se aproximando como amiga através de algumas meninas e depois abrindo o jogo pra mostrar que, se tentassem, aquele romance pode acontecer. Após isso o filme mostra as alegrias que acabam surgindo nessa experiência única e, claro, suas dificuldades, pois a ideia de não intervir na vida do dono do corpo vai por água abaixo… A impede um jovem de viajar com a família, tenta ficar um dia a mais na mente de uma garota que parece estar sem saídas para viver e, claro, acaba influenciando também na vida da namorada, que nesse processo tem que deixar de lado quase todo o resto para conseguir fazer aquilo dar certo…

Todo Dia

Imagem via AlloCiné

O interessante é que quanto mais entramos na vida de Rhiannon, mais vemos o quanto ela é uma personagem que poderia ser explorada justamente além do relacionamento em que a trama foca. Ela tem amigos e familiares complexos que, como qualquer pessoa, trazem um mundo de novas informações diferentes, PRINCIPALMENTE seu pai, um recém desempregado que não consegue lidar muito bem com isso. Eu criei bem rápido minhas teorias sobre ele que, mais tarde, coincidiram com as ideias que uma amiga minha também tinha, assim como UM MONTE de outras pessoas que comentaram o filme na internet. De um modo geral, essas outras relações dela são uma parte da história que eu queria que tivesse sido mostrada com mais profundidade, mas que não são o foco, aí fica aquele ar de que tem muito mais a ser visto, e nunca veremos…

No final das contas o PRINCIPAL que fica é: somos MUITO MAIS do que um corpo! É claro, é hipocrisia dizer que não existem gostos nesse aspecto, que a gente não acaba procurando o que nos atrai… A sexualidade é algo que parte de cada um! Mas a ideia de amar independente de gênero, cor ou costume faz completo sentido. O filme é leve, bem típico de “Sessão da Tarde”, mas consegue trazer essa e outras mensagens, como o fato de que devemos lutar sim pelas coisas que nos trazem significado, mas que nem sempre o saudável é sacrificar todo o resto por elas. Ainda assim, vale a pena enquanto durar, mesmo que não seja pra sempre, e o vem depois pode ser um caminho surpreendentemente belo!

Trailer:

Mentes Sombrias: 16 de agosto nos cinemas!

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