Quando deixei ela ir…

Em 05.08.2016   Arquivado em Escrevendo

Quando deixei ela ir...

Existem duas raças de cachorro pelas quais sou completamente apaixonada, daquelas que me fazem morrer de amores com muita força, mesmo que no geral eu não dê a mínima pra isso. A grande favorita é basset hound, que eu terei um dia, e a segunda dachshund, também conhecido como “basset” ou mesmo “salsicha”. Esse amor todo nasceu por causa da Pankeka, nossa bassetzinha que foi o melhor cachorro do mundo por 11 anos da nossa vida, e desde que ela morreu eu queria uma nova, dessa vez pretinha ao invés de ruiva, pra poder se tornar minha melhor amiga de todos os tempos. E foi em 2009 que eu ganhei a Peggy, seguindo a tradição da família (que já não existe mais) de cachorros com nomes começados com P, era a “coisa” certa que devia acontecer na minha vida, mas infelizmente veio na hora errada.

Os primeiros dias foram incríveis. Ela era quietinha e amorosa, tão diferente do que eu esperava de uma raça tipicamente caçadora, fez amizade com a Pakita logo de cara, as duas se davam super bem, eu não podia estar mais feliz. Até que descobrimos que toda aquela manha era porque ela estava doente, então com a maior dor do mundo no coração internamos minha bebê. Assim que ela voltou eu percebi que já sabia que eu era a “mamãe” dela, veio correndo pra mim toda feliz e bagunceira, e foi assim que ela continuou nos dias seguintes, causando todos os problemas que nem sei se estavam ali de verdade. A versão curada da Peggy era o demônio, mas só quando eu estava perto. Fim de semestre, eu passava o dia inteiro na faculdade e no estágio, cheia de coisa pra fazer, enquanto ela ficava quietinho dentro de casa, só esperando. E assim que eu chegava o amor gigantesco que minha cachorrinha tinha por mim virava meu inferno pessoal: ela corria sem parar, queria brincar, mastigava tudo o que via pela frente pra chamar minha atenção, destruía meus cadarços, passava a noite uivando na minha cabeça, pulava na minha mão pra dar as piores mordidas de carinho do mundo, agarrava sem dó ia puxando, não soltava até perder o fôlego. Tudo isso combinado com o fato de que a gente tinha acabado de sair de uma casa grande com quintal e tivemos que enfrentar a realidade de dois cachorros em um “apertamento”, eu acordava de manhã exausta só de pensar no novo dia sempre com uma bagunça dela pra arrumar. Eu tinha que fazer meus trabalhos, estudar pras minhas provas e só o que conseguia sentir era que ela me odiava profundamente por não me deixar fazer nada daquilo, quando na verdade era o oposto, ela estava só sendo um cachorrinho feliz em me ter ao seu lado. E aí não deu mais, pra nenhuma de nós. No meio do meu desespero e crises de choro sem sentido, sem perceber o que estava fazendo, conversei com uns colegas do trabalho e um deles (e eu poderia dizer até “o melhor deles”) aceitou com a maior alegria do mundo ficar com ela. E foi quando eu deixei ela ir.

O último momento como “mãe e filha” foi terrível. Assim que ela viu que tava indo embora olhou pra mim com a cara mais triste que já vi na vida e eu usei todas as minhas forças pra esperar eles estarem longe e começar a chorar. Mas então eu consegui terminar meu semestre em paz e foi possível sobreviver no nosso novo lar só com nossa Pakitinha e suas bagunças inofensivas. A Peggy cresceu bem maluca, como esperado, mas LINDA, saudável e completamente apaixonada pelo papai dela, e o sentimento foi recíproco desde o começo. Desde sempre eu fui e sempre serei contra fazer o que eu fiz, mas na primeira vez que vi os dois juntos numa foto soube que foi melhor assim. No final tudo deu certo e eu juro, juradinho mesmo, que é algo que não vai acontecer mais, cachorros serão pra mim o que merecem ser: uma decisão fácil, maravilhosa, não o contrário… Porque essa definitivamente foi a mais difícil que já tive que encarar, de todas.

Antes de mais nada preciso dizer o quanto esse post me causa aperto no coração, pois nesse sábado, dia 30 de julho, nossa Pakita infelizmente morreu, e agora existe um vazio gigantesco aqui em casa e na nossa vida… A ideia de fazer essa “homenagem” à Peggy, porém, foi inspirado na proposta #25 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018 e dessa vez tive que falar sobre uma das decisões mais difíceis que já tive que tomar.

BEDA2016

5 fatos sobre a Pakita!

Em 29.02.2016   Arquivado em Escrevendo

O dia 29 de fevereiro acontece apenas de quatro em quatro anos, o que pra gente não é lá grande coisa, mas na vida de um cachorrinho significa vivê-lo poucas vezes. E se esse for o ANIVERSÁRIO do cachorro em questão então temos que comemorá-lo com mais entusiasmo ainda!

pakita

Essa é a Pakita, que nasceu dia 29 de fevereiro de 2004 e logo percebemos que ser “diferentona” é parte da personalidade dela, Sempre esperamos por esse dia com mais empolgação e QUASE que não chegou dessa vez. No final do ano passado todos nós achamos que a Pakita ia morrer: ela parou de comer, o veterinário disse que era terminal e não tinha jeito, a coisa ficou tão feia que ela começou a ter mini ataques direto. E foi num dia em que eles não paravam de acontecer que levamos ela em outra clínica, por indicação de uma colega da minha irmã (que estuda veterinária) e essa nova médica disse que não era TÃO grave assim. Cirurgia, remédios, muita angústia e cinco dias de internação até que tivemos nossa Pakitinha de volta. Nem preciso dizer então a alegria que é estar comemorando o 12º aniversário dela no dia certo, né? Sendo assim eu não podia deixar passar em branco e resolvi contar 5 fatos sobre a Pakita!

01) “Poodle” só na certidão de nascimento: Sabe a cirurgia que ela teve que fazer, como contei acima? Pois bem, foi para retirar um bolo de cabelo e pedaços de sacolas plásticas que ela tinha no estômago! Alguém, em algum momento, chamou a Pakita de “Vira Lata” e ela acreditou… Destrói lixo, pisa no jornal (sujo), invade o banheiro quando estamos tomando banho, termina de comer e usa de “guardanapo” o primeiro pedaço de pano que vê pela frente – ultimamente o favorito dela tem sido MINHA CAMA, para meu horror. Ela faz coisas tão nojentas que algumas eu acho melhor nem contar porque esse é um blog fino e elegante, vocês não merecem. Nós fomos meio que enganadas quando ela veio pra casa, a moça disse que era marrom, mas com o tempo foi ficando branca com apenas ALGUNS PONTOS marrons no corpo, como o rosto e as patas, o que faz com que pareça que ela está suja mesmo quando acabou de sair do banho!

02) Fofenha: Isso é uma brincadeira entre nós duas, ela geralmente não aceita fazer com outra pessoa (nem minha irmã, que é a “mestre número um”). Na edição 70 da revistinha Turma da Mônica Jovem, a Mônica e o Do Contra adotam um bichinho chamado Fofenho e, em uma cena super lindinha, ele lambe no nariz dela. Eu ensinei a Pakita a fazer o mesmo sempre que falo “Fofenha!”, mesmo quando ela não tá pertinho fica doida pra conseguir chegar no meu nariz logo e se eu tô fora de alcance fica lambendo o ar pra compensar, hahahaha! A Pakita não late e normalmente não morde, mas lambe MUITO. Sei que muita gente tem nojo, mas a gente nunca teve.

03) Feito cão e rato: Além de mudinha e porquinha ela também é uma covardona, não pode ver formiga pela frente que já tem medo. O mesmo vale para roedores: uma vez entrou um casal de ratos na nossa casa e enquanto tentávamos pegá-los ela já estava do outro lado tremendo. Ainda assim o sonho da Pakita é ter um roedor de estimação! Quando a porquinha da Índia da ex namorada do meu pai morou com a gente por um tempo ela ficava ENLOUQUECIDA querendo brincar e até chorava, tadinha, enquanto a porquinha se escondia fugindo dela. Hoje minha irmã tem um Esquilo da Mongólia e quando compramos a gaiola, nossa, só faltou ABRAÇAR, ficava arrastando pela casa numa alegria sem tamanho. Aí ele chegou para habitar a gaiola em questão e quando fomos apresentá-los foi difícil saber qual dos dois correu mais rápido de pavor!

04) Momento humilhação: Isso não é bem um fato, mas uma história engraçada que rolou a um tempo atrás. Eu e minha irmã dividimos uma bicama por um tempo até ano passado, então como era baixinha ela subia pra dormir com a gente (em camas normais ela não sobe nem desce porque MORRE DE MEDO DE ALTURA). Houve uma época, quando ela tava começando a ficar doente, em que ela soltava vários puns bem fedorentinhos, e foi numa noite em que estávamos conversando antes de dormir e ela já estava capotada entre nós duas que nós ouvimos (e sentimos) um especialmente ruim. Começamos a rir e nossa risada acordou ela, que sentiu o cheiro, olhou pra gente muito brava e saiu do quarto, como se nós duas tivéssemos feito aquilo, indignadíssima!

05) Saudades, Pankeka! Momento emotivo… Quando a Pakita chegou nós já tínhamos a Pankeka, que estava muito doente com câncer e já velhinha. No início ela ficou com ciúmes, mas logo adotou a Pakita como aprendiz: deixava ela subir nas costas dela mesmo tendo problema de coluna, ensinava ela a maneira apropriada de deitar para aproveitar o calor do Sol, se não estivesse muito cansada elas até brincavam juntas. No dia que a Pankeka morreu eu cheguei da escola e encontrei a Pakita desesperada, não acalmou até que a gente fosse lá fora vê-la, já embrulhadinha pela minha mãe, antes de meu pai leva-la embora para enterrar. Até hoje, uma década depois, se nós chamarmos a Pankeka ela procura pela casa. E nem precisa ser só chamar não: se mencionar panqueca, a comida mesmo, num contexto que a palavra se destaca e ela “entende” acontece também, dá muita dó!

Feliz aniversário, Pakita!

Pessoal de Belo Horizonte que procura uma bom hospital veterinário recomendo MUITO o Life, onde a Pakita ficou internada. Todos os médicos foram ótimos com ela, pudemos visitá-la todos os dias, a estrutura é maravilhosa… Sério, aquelas pessoas salvaram a vida da nossa pestinha!

Adotar é tudo de bom!!

Em 21.08.2009   Arquivado em Cotidiano

http://www.youtube.com/watch?v=2DR6XqBKkSM

Para cada visualização desse vídeo no Youtube, a Pedigree irá doar uma refeição para um cão que ainda está a espera de um lar…

– Eu confesso que sempre choro nessas propagandas e vídeos da Pedigree… Até hoje todos os cachorros que tive foram comprados e/ou “recebidos” de amigos e parentes, portanto não sou contra venda de animais domésticos. Mas se eu pudesse adotava MIL, e se um dia eu tiver dinheiro juro que não vou investir em mansões nem nada, vou comprar uma chácara e fazer de canil. Afinal somos loucos por cachorro, eles são os melhores amigos do homem.
Quando ví esse vídeo pela primeira vez e chorei MUITO, ouvi: “Por que você chora com os cachorros?? Existem outros animais precisando de carinho!!”
Minhas resposta é que nenhum outro é capaz de amar e depender TANTO ASSIM de um ser humano (mesmo essa nossa raça maldita não merecendo), tanto quanto um ser humano pode ama-los!!
– Os comentários desse post estão FECHADOS, a maneira de se manifestar aqui é ir lá e assistir, pra ajudar esses lindinhos que precisam d’a gente!!

Manifesto Vida ou Morte

Em 27.04.2009   Arquivado em Cotidiano

Somente nessas horas que morar em Belo Horizonte é desvantagem… As coisas que “legais” são sempre em São Paulo, mesmo as que acontecem por causas tristes…
Angel me pediu ajuda no manifesto, e antes disso eu li o post dela e vi que deveria postar também!!

Manifesto

A PREFEITURA DE SÃO PAULO MATA 95% DOS ANIMAIS RECOLHIDOS NAS RUAS. PARTICIPE E FAÇA A DIFERENÇA!!

Aurélio Miguel – vereador: “É inadmissível que uma cidade do tamanho de São Paulo e com um Orçamento destinado a Saúde que corresponde a cerca de 15% do orçamento anual não tenha condições de implementar uma nova estratégia de atendimento animal que abranja efetivamente todas as regiões da capital paulistana.”

Roberto Tripoli – vereador: “Nos canis coletivos, minha assessora Regina chamou a atenção para uma cachorro muito debilitado, visivelmente com problemas. Não se achava nem veterinário para socorrê-lo. Infelizmente, quando ele finalmente foi retirado do canil, constatou-se que estava com o cérebro comido por bicheiras e o cão teve que ser sacrificado. Foi chocante. O pobre animal estava no Centro desde agosto; como ninguém viu a sua situação? O CCZ não é um abrigo de animais, não pode ser. Temos que estudar de que forma acabar com isso, de separar do controle de zoonoses a atividade de abrigar animais. Na verdade eles tem que ser reabilitados. Estou fazendo um projeto de lei nesse sentido.”

Eu AMO animais, principalmente cachorros, esses aí amo meeeeeesmo, não sei viver sem eles… Quando a Pankeka morreu pra mim foi O FIM e a Pakita é hoje uma das alegrias do meu dia. Então quem puder comparecer ou divulgar, já ajuda, MUITO!!