Sobre um beijo e muito mimimi…

Em 19.03.2015   Arquivado em Escrevendo

Hoje mais cedo postei no Facebook essa publicação aqui sobre o nem tão polêmico beijo ocorrido na novela das nove entre as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, mas que gerou mais alguns discursos de ódio e bastante “mimimi” entre algumas pessoas que vêem o romance homossexual das duas na ficção como algo errado. A resposta que tive foi super positiva, algumas pessoas curtiram, comentaram e até compartilharam, então resolvi “plagiar” a Paula e transformá-lo em um post, como ela fez ainda essa semana com uma publicação dela. Confesso que eu nem ao menos estou assistindo a novela, portanto não vi quando a cena foi ao ar, mas me sinto no direito de falar sobre mesmo assim.

babilonia
Imagem retirada do site da Revista Veja.

Logo antes da estreia eu ouvi (ao vivo e a cores) uma pessoa que conheço dizendo que duas atrizes desse porte casadas na novela é fazer apologia ao homossexualismo e que incentivaria as pessoas a “virar gays”. E ouvi de gente inteligente mesmo, que vive plenamente bem no século XXI.
Se alguém que esta lendo esse texto pensa assim irei tentar explicar algo para vocês: homossexuais já existem e eles também assistem televisão, certo? Certo! Aí vez ou outra aparece um casal hétero na programação se beijando, dando uns amassos, fazendo sexo ou o que quer que seja e nem por esse motivo eles “viram” hétero. Sendo assim (olha que legal) é bem difícil o contrário acontecer também. Ser homossexual não é uma doença, não pega e nem é contagioso, é só ser assim, pronto.

Pensem nas últimas novelas que vimos e que tinham algum casal gay forte com a história bem estruturada e e digam uma, UMA vez onde o fato de serem um casal não foi um problema para eles. UMA. Pois é, não existe. Porque na vida real também é assim, e é por isso que eles continuam lutando, fazendo manifestações, Paradas e coisas do tipo em prol do Orgulho Gay. Eles continuam fazendo isso, por exemplo, para que chegue o dia em que um adolescente que está descobrindo sua orientação sexual possa acordar sem precisar pensar como vai fazer para enfrentar o mundo inteiro em nome de alguém que ele gosta, só por esse alguém não ser do sexo oposto, independente do quão bem essa pessoa o faz. Para que a mãe de um garotinho ou garotinha que se descobriu assim ainda na infância não precise ficar explicando os motivos pelo qual ela sabe que seu filho não tem um problema, que não é jovem demais para conhecer a si mesmo. Quando você é hétero não tem esse tipo de problema, então você não precisa manifestar “orgulho”. Orgulho por que, por ser o que os outros chamam de normal? Por não ser julgado, violentado e oprimido por ninguém? Isso não é algo a ser orgulhar, é algo que devemos almejar para todos nós.

Vez ou outra, mas bem raramente, me perguntaram em algumas redes sociais se eu sou lésbica e eu sempre respondo sinceramente e sem rodeios: não. Respondo isso porque é verdade, porque não sou. E algumas pessoas rebatem mais ou menos com “É que não parece mesmo, mas você posta tanta coisa a favor dos gays que achei, sabe… Desculpa!” Elas me pedem desculpas, se justificam e tudo mais porque acham que fico ofendida. Mas pior que isso ainda é pensarem que eu SÓ posto essas coias para ME defender, acham difícil eu “abraçar uma causa” que não me afeta, única e exclusivamente pelos outros.
Sim, eu posto. Mas não faço isso por mim, faço isso para abrir a cabeça das pessoas para o fato de que vários e vários dos meus amigos, conhecidos e desconhecidos não precisam da sua aprovação, mas precisam do seu RESPEITO. E é isso que um beijo entre duas ótimas atrizes numa novela na maior rede de televisão do país quer mostrar a você. Não é para te “converter”, querido. Nem pra te fazer aceitar – tem gente que não vai aceitar NUNCA. É para te mostrar que assim como VOCÊ aquelas pessoas são seres humanos e merecem, precisam, DEVEM ser tratadas como tal. Independente de quem ou o que elas amam.

Foi um post clichê? Foi. Mas infelizmente nosso mundo ainda tem espaço para textos clichês como esse meu. Já vi outros milhões iguais a esse aqui, mas que sejam escrito bilhões a mais até que a sociedade entenda isso como um todo. Quem sabe um dia isso não acabe… (*Sonho*)