Wishlist 3×3: Livros

Em 21.12.2016   Arquivado em Leitura

Nos últimos meses tô numa fase muito pouco consumista da minha vida, o que é realmente ótimo se parar pra pensar, mas às vezes me dá saudades de ficar adicionando coisas à minha WishList, fazer planos das loucuras que faria se ficasse milionária e etc. Outro dia eu ganhei um vale compras no sorteio de aniversário do Poly Pop e não fazia IDEIA do que fazer com ele, sabe quando você não consegue pensar em nada que te “apetece” naquele momento? Pois é, cheguei nesse ponto! Aí eu e minha irmã fuçamos um pouco, conseguimos fazer ótimas compras com ele, e foi quando eu decidi que ia começar a fazer umas listas de coisas que quero, divididas por categorias e com nove itens cada, só por diversão pra me dar uma animada. São “desejos saudáveis”, coisas que não fico triste por não ter, mas que me fariam ficar alegre se tivesse! Vou começar com livros porque li MUITO POUCO esse ano e quero mudar isso ano que vem… Depois me contem se vocês têm/já leram algum deles pra eu saber as opiniões de geral!

wishlist3x3_01

01) Sejamos Todos Feministas, Chimamanda Ngozi Adichie: Eu já falei umas TROCENTAS vezes desse discurso da Chimamanda, do quanto acho maravilhoso, do quanto concordo com cada uma das palavras dela, tô sempre assistindo e reassistindo a palestra dela no YouTube… Sendo assim quero demais a versão escrita dele! É um que me dá vontade de comprar vários e sair distribuindo pras amigas, pra vocês, pra todo mundo! (Imagem do “De Livro em Livro”)

02) Vocação Para o Mal, Robert Galbraith: Eu AMO a obra desse pseudônimo da J.K. Rowling, é uma das melhores séries de romance policial que já li, mas como não estou muito na vibe acabei não lendo o terceiro romance que foi publicado esse ano… Mas quero muito, e quero a edição de capa dura pra formar o trio junto com os “irmãos” dele que já tenho (e quero o quarto publicado logo, ehr). (Imagem do “Blog Resenhando”)

03) Kenobi, John Jackson Miller: Eu adoro Star Wars, mas confesso que não fico tão apetecida com os livros do Universo Expandido quanto a maioria dos fãs, sei lá o motivo. Esse, porém, é diferente, Obi-Wan é meu personagem favorito desde que assisti pela primeira vez e sempre será, queria demais ler essa história dele entre os episódios 3 e 4. (Imagem do “Cantinho de Leitura”)

04) Juntando os Pedaços, Jennifer Niven: Conheci o trabalho da Jennifer quando li “Por Lugares Incríveis” ano passado (resenha aqui!) e me apaixonei, além de ser exatamente o tipo de coisa que gosto de ler ela é uma FOFA, queria muito ter ido conhecê-la na Bienal de São Paulo, mas não rolou… Enfim, o que importa é que tô doida pra ler o novo livro dela agora, tenho certeza que é lindo também! (Imagem do “Sobre os Olhos da Alma”)

05) Contos Inacabados de Númenor e da Terra Média, J.R.R. Tolkien: Eu tenho uma relação FORTÍSSIMA de amor e ódio com o Tolkien. Amor porque acho o homem genial, brilhante, precursor, rei-da-porra-toda e tudo mais, acho as histórias dele indescritivelmente FANTÁSTICAS, mas tenho ódio porque na maior parte do tempo é um saco de ler, gente, foi mal! Ainda tô lutando contra isso com “O Retorno do Rei” e pretendo acabar antes de, sei lá, 2020 pra ler “O Silmarillon”, e aí quem sabe um dia chego nos contos que me deixam super curiosas de tanto spoiler que já me deram sobre eles! (Imagem do “Pipoca Musical”)

06) Contos de Fadas, da Editora Zahar: Eu meio que “coleciono” esses livrinhos de capa dura da Zahar porque 01) acho eles lindos por inteiro, cada detalhe, e 02) adoro ter livros infantis e poder ler a versão original de histórias que já gosto! Esse eu quero muito porque adoro a cor da capa (é, pois é) e é uma coletânea, né, então são vários contos juntos de uma vez! (Imagem do “Colorindo Nuvens”)

07) A Deusa do Amor, P.C. Cast: Pra ser beeem sincera eu não sei ao certo se quero mesmo esse ou não, mas já faz um tempo que tá na minha lista e eu AMO Afrodite, quero até fazer uma tatuagem de pomba em homenagem a ela algum dia, então não é bem uma prioridade mas também é o tipo de coisa que eu gostaria de ter, no fim das contas! (Imagem do Skoob)

08) Aparador de livros Salsicha, da Trekos e Cacarekos: “Acessórios” também valem? Vai ter que valer! Eu nem tenho um lugar pra colocar esse aparador de dachshund, na verdade, mas ele é tão lindo que não dá pra resistir, a gente se vira e CRIA espaço pra encaixar! (Imagem da loja virtual da marca)

09) Wish You Were Here, Luly Lage: Sim, é meu livro. Não, ele ainda não foi publicado. Mas é por isso que entrou aqui, quer dizer que desejo ter ele de verdade, que exista pra todo mundo poder ler, simples assim! (Imagem da página do Facebook)

As fotos usadas nesse mosaico foram retiradas de vários sites diferentes no dia 21/12/16 e todos eles foram sinalizados ao longo do texto. Se você é o autor de qualquer uma delas e não gostaria de vê-la aqui, por favor, me avise para que eu possa retirá-la!

Árvore de Natal de Origami

Em 18.12.2016   Arquivado em Vídeos

Há uns quatro anos atrás uma amiga me deu de presente de natal uma árvore SUPER LINDINHA de origami que desde então está presente de forma fiel na “decoração de fim de ano” do meu quarto. Ela é super elaborada, com enfeite de bolinhas, estrelinhas coloridas e vem dentro de uma caixa parcialmente transparente de onde fica em exibição, sério, um mimo! E aí esse ano no tradicional amigo oculto que rola num grupo de amigos eu tava pensando em fazer uma lembrancinha pra cada um que fosse bonitinha sem gastar (porque né…) e lembrei disso. Dando uma pesquisada pelas internets afora achei uma versão que estava dentro da minha capacidade motora e resolvi tentar, achando que na primeira já estaria de saco cheio de tanto dobrar… No fim das contas empolguei tanto que acabei fazendo a versão mini-mini delas com os restos de papel que iam aparecendo, hahaha, é uma delícia!

Árvore de Natal de Origami

Olha só que coisinha mais bonitinha da vida que fica! Meus creative papers tão acabando, então improvisei e ao invés de tudo igual rolou verdinha, verdona e até essas brancas “congeladas”.

Árvore de Natal de Origami

O primeiro “feito” das pequenininhas (que fiz num papel de 8x8cm) foi “decorar” as fotos da minha encadernação de natal, que por sinal foi a pior que já fiz até hoje, ficou muito ruim, destetei a coitadinha! Porém levando em consideração que tudo nela deu errado do início ao fim acho que ela até merece um crédito no fim das contas…

Árvore de Natal de Origami

Não resisti e botei a “Elsa Noel” pra posar com a versão “Frozen” delas, já tô guardando essa foto pra postar dia 21 que é aniversário da personagem (e também solstício de inverno no hemisfério norte).

Árvore de Natal de Origami

E temos foto com bonecas? Temos fotos com bonecas! Como não, né? Minhas três Little Byuls muito satisfeitas com seus feitos artísticos… E aí pra quem quiser fazer também (sério, é RIDÍCULO de fácil), gravei esse tutorialzinho em vídeo ensinando. Foi difícil pra caramba conseguir bons ângulos sem um tripé mas no fim valeu a pena, aperta o play aí pra aprender!

“A Garota no Trem”, relacionamentos abusivos e gaslighting

Em 09.12.2016   Arquivado em Feminismo, Filmes

A Garota no Trem, via Filmow

A Garota do Trem (The Girl In The Train) *****
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Justin Theroux, Luke Evans, Rebecca Ferguson, Allison Janney, Darren Goldstein, Edgar Ramirez, Gregory Morley, Laura Prepon, Lisa Kudrow, Ross Gibby
Direção: Tate Taylor
Gênero: Mistério
Duração: 112 min
Ano: 2016
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Antes de mais nada gostaria de dizer que nunca li o livro no qual o filme é adaptado e que quando fui ao cinema (graças a um ingresso que ganhei) não sabia 100% do que se tratava, só tinha lido a sinopse mesmo, então não posso dizer se é uma boa adaptação e sequer se a temática das duas mídias é igual, mas de certa forma assisti-lo foi uma surpresa MUITO positiva porque gerou reflexões maravilhosas e me deu exemplos claros de pautas que muita gente que conheço não consegue enxergar, mas estou me adiantando. Vamos falar sobre a experiência primeiro, depois falamos do que ela gerou.

A história gira em torno de três mulheres: Anna é casada com o ex marido de Rachel, com quem tem uma filha, e Megan é a babá da criança. Desde a separação, que aconteceu por causa de seu alcoolismo, Rachel viaja todos os dias num trem que passa por sua antiga vizinhança, e para evitar olhar para a casa onde vivia observa a vida aparentemente feliz de Megan, que envolve muito carinho (e sexo) com seu marido, até que um dia dá de cara com uma cena que a deixa chocada: a garota está com um homem diferente. Desconcertada com isso e muito bêbada, ela vai até o local, tem um apagão e mais tarde descobre que Megan desapareceu, e por estar sempre “perseguindo” seu ex ela se torna suspeita, já que a vítima trabalha pra ele. A partir daí ela tem que tentar se manter sóbria pra descobrir o que aconteceu, quem causou e até que ponto está envolvida nisso. É um filme de suspense que mexe MUITO com o psicológico e emocional e tem um elenco ótimo e mega convincente, protagonizado pela MARAVILHOSA da Emily Blunt. Você vai conhecendo mais da história de cada uma delas, entendendo seus dramas e dilemas e cada hora suspeita de uma coisa que vai ser desconstruída logo em seguida (ou não).

A partir daqui esse post tem revelações sobre o enredo e, apesar de eu não falar o desfecho do filme, acho que vai dar pra sacar se ler o que tenho a dizer. Se você abomina spoiler sobre todas as coisas, não recomendo a leitura (mas salva pra depois que ver que é legal!), mas se já assistiu ou quer já fazer isso com olhar crítico e não focado no mistério, vão ‘bora!

E aí temos essa relação de três mulheres aparentemente problemáticas com três homens “misteriosos”: Tom, ex marido de Rachel e atual de Anna, Scott e Kamal Abdic, marido e terapeuta de Megan, respectivamente, e é a presença deles que nos dá exemplos claros de dois assuntos que estão dando o que falar na internet, finalmente: relacionamentos abusivos e gaslighting. O primeiro está explícito desde o momento em que conhecemos Megan durante suas sessões de terapia, ela permanece com Scott mesmo sem vontade nenhuma, mesmo tendo sua vida completamente controlada, quase como forma de auto punição pelos seus erros do passado, e só consegue se abrir para Abdic, com quem tenta ter um caso loucamente. Ele é tão absurdo que após o desaparecimento esse comportamento agressivo acaba sendo “transportado” pra coitada da Rachel que entra em contato tentando ajudar, no final das contas a gente vê que não importa os erros da pessoa, ninguém merece ser tratado assim. Inclusive muito do que rola na vida da Megan (e que acaba causando seu fim trágico) poderia ter sido evitado desde o início da parte difícil da sua história se ela tivesse tido apoio pra melhorar e sentir menos culpa pelo que passou. E aí vamos pra parte 2, mas antes um “momentinho Wikipedia” básico:

Gaslighting ou gas-lighting é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Casos de gaslighting podem variar da simples negação por parte do agressor de que incidentes abusivos anteriores já ocorreram, até a realização de eventos bizarros pelo abusador com a intenção de desorientar a vítima. (fonte)

Essa é a essência do filme, se você quer entender como isso funciona PRECISA assistir porque é assustador de tão claro. Rachel se tornou alcoólatra durante seu casamento e desde então tem lembranças horríveis de seu próprio comportamento, TODAS elas vindas de Tom, já que ela não lembra de nada. Após a separação ela claramente persegue a nova esposa de seu ex e a filha deles, tornando-se uma ameaça pra tranquilidade de Anna. As duas vêem uma inimiga na outra e a coisa é tão absurda que você, assistindo ao filme, também acredita que é isso que elas são! Meus comentários variavam de “louca” e “que burra” a “aposto que a culpa é dela”, até o momento extremamente esclarecedor em que você percebe que por trás disso tudo tem o gostosão babaca manipulando TUDO. Ele conseguiu convencer a primeira de que ela é mentalmente instável e culpada pelo fim do casamento, passou esse pensamento pra segunda e quando a coisa apertou mudou TUDO fazendo com que as duas se achassem malucas e neuróticas! A cena mais maravilhosa de todas que exemplifica isso: a confusão do desaparecimento de Megan leva Rachel à vizinhança (mesmo que a tenham alertado pra não fazer isso) e ela cruza com Anna na rua sem ter reações, só “olho no olho” e continua andando. Mais tarde Anna conta isso pro marido dizendo que rolou “comportamento agressivo” e ele manda largar pra lá e deixar a coitada em paz, o que faz a mulher ter SAUDADES da época que era amante dele. Nesse momento a gente pensa “Ai que mentirosa nojenta!”, mas tudo vai se encaixando quando ambas têm um “click” de sanidade (que sempre esteve lá) e percebem as ligações falsas, o ciclo vicioso de transformar a mulher em errada pra justificar a amante e o aproveitamento da fragilidade da pessoa para piorar tudo pra ela, outra característica super forte do abuso. Tudo isso, claro, intensificado por essa mania quase natural que nossa sociedade tem de SEMPRE colocar as mulheres umas contra as outras, enquanto na verdade a gente tinha era que estar dando as mãos e se ajudando para impedir que isso aconteça com qualquer uma de nós. Obrigada aos meninos d’A Estante dos Gêmeos pela chance de assistir esse thriller que pela sinopse não me interessaria tanto, mas no fim das contas era EXATAMENTE o tipo de coisa que eu busco ver e quero recomendar pra galera!

Trailer:

6 on 6 Dezembro: Criatividade (ou Inspiração?)

Em 06.12.2016   Arquivado em Fotos

Com dezembro temos o último post de 2016 do 6 on 6, que foi uma coisa LINDA que aconteceu comigo esse ano e pretendo ver continuar acontecendo nos próximos, mesmo eu tendo furado duas vezes, mas ok, a gente melhora isso daqui pra frente. E porque eu sou eu estava lá toda feliz em fazer esse post achando que o tema era “Inspiração”, tirei as fotos, editei, fiz upload e então por algum motivo fui checar por via das dúvidas e na verdade era “Criatividade”! Hahahaha, pra fechar com uma chavinha de ouro rose, né, tinha que ter minha mancada especial da vez… Ainda assim rola de adaptar as coisas porque eu tive que ser criativa ao mostrar o que me deixa inspirada, então é isso aí, desculpem a Lulice e não desistam de mim!

6 on 6 Dezembro
6 on 6 Dezembro
6 on 6 Dezembro
6 on 6 Dezembro
6 on 6 Dezembro
6 on 6 Dezembro

01. Eu tava doida pra desenterrar minha aquarela porque acho que não mexia nela desde que formei, e como não sou exatamente “a maior pintora que você respeita” resolvi colocar o título da “música da vez”: “Any Colour You Like”, do Pink Floyd, que ainda por cima combina com a ideia em si!
02. Em outubro eu tirei a foto mais – linda – da – minha – vida pra um post de Lookbook por aqui, amei tanto que tô usando de foto de perfil em todas as redes sociais da vida, então por que não fazer a versão bonequeira dela? Claro que não ficou igual, tive que dar uma adaptada, mas temos Kim de mini-Luly e é o que importa;
03. Xodó da minha vida porque escrever com ela torna tudo muito mais gostoso;
04. Resultado da minha Black Friday, não aguentei e adicionei mais um item à “coleção Elton John”, dono da trilha sonora da minha vida;
05. Eu ganhei esse livro no sorteio de aniversário do Being Hellz e gente… Me dá vontade de sair toda maquiadona todos os dias, o que não rola por falta de tempo, mas que lindeza, viu…
06. E mais bonecas porque nunca é demais! Se tem algo que me inspira/deixa criativa pra tirar foto nessa vida são elas e as miniaturas incríveis que trazem pra minha vida… Esse re-ment LINDO eu ganhei tem pouco tempo e não tinha tido a chance de “brincar” com ele ainda, olha que delícia esse ovo caindo, não tem como não amar!

Agora não deixem de conferir os posts dos outros participantes do projeto: Cris, Igor, Lucas, Maíra e Renatinha! Obrigada aos cinco por esses meses incríveis compartilhando cliques por aí!

Exposição (des) necessária para um momento de reflexão

Em 30.11.2016   Arquivado em Feminismo

Abra suas mãos agora e olhe para os seus dedinhos por um segundo. Se eu fizer o mesmo daqui de casa, agora aos meus 26 anos, consigo contar cada garoto que já beijei na minha vida sem nem preencher todos eles. Já rolaram várias brincadeiras entre meus amigos por eu ser seletiva e “difícil”, mas no fundo todo mundo sabe o motivo: eu só me envolvo com um cara se e quando REALMENTE quero, simplesmente nunca consegui (pelo menos até hoje) “ficar por ficar” com ninguém, em todos os casos teve o mínimo de sentimento e o máximo de vontade envolvida. Nem preciso dizer então que para eu dormir com alguém a “seleção” foi ainda mais “rígida”, só aconteceu quando eu soube que nunca ia me arrepender daquilo e que estava com a pessoa mais legal do planeta… Mas isso não vem ao caso porque sequer é o tema desse “textão” da vez, nosso momento de reflexão tá só começando.

Eu não bebo bebidas alcoólicas porque não gosto, as raras vezes que fiz isso foi para saber que gosto tinha (achei tudo ruim!) e para brindar a formatura de alguém, um golinho e já passei o copo adiante. Não fumo e não uso outros tipos de droga, nem experimentei. NUNCA cedi à pressão social de amigos ou colegas para fazer qualquer coisa, nem quando era adolescente, nem quando estava desesperada pra ter os amigos que eu não tinha, nem quando riam de mim porque eu era muito careta (ou qualquer expressão que usaram, porque só gente careta como eu usa a expressão “careta”). Festinhas e baladas? Dá pra contar nos dedos também, sem precisar apelar pros dedos dos pés. Em resumo, eu pareço ser o que os padrões esdrúxulos da nossa sociedade adora enquadrar no perfil de “boa moça”, não escondo e muito menos me orgulho disso. Antes que vocês pensem que tô contando isso tudo porque discordo de quem leva a vida diferente de mim já aviso que muito pelo contrário! Na minha opinião as pessoas devem fazer o que elas quiserem, na hora que quiserem e com quem quiserem, a menos, é claro, que não seja consensual ou que magoe terceiros. Pra mim eu não sou melhor e nem pior do que a menina do “eu escolhi esperar” e nem da que pega mais de uma pessoa por vez e de uma vez, não sou melhor e nem pior do que quem passa o fim de semana na igreja ou no bar. Nós somos todas iguais, no fim das contas, e merecemos igual respeito. Com o tempo eu parei de me arrepender das coisas que não fiz e menos ainda das que fiz, todos têm o direito de se sentir assim também. (Apesar de que arrependimento a gente não controla, às vezes rola, fazer o que?)

Escrevi toda essa exposição desnecessária sobre mim para provar que é possível ser a pessoa que eu sou por completo, para já desestruturar qualquer argumento ofensivo contra a minha pessoa, argumento esse que sequer deveria existir mesmo se eu fosse o oposto do que sou. Pra mostrar que sou feminista mesmo que não me enquadre nos perfis “dá pra qualquer um” e/ou “sofre com falta de rola” (aliás, machistinhas, me expliquem como é possível ser os dois ao mesmo tempo porque ainda não entendi). E acompanhando cada vez mais as pautas do movimento eu dou de cara com uma das mais “polêmicas”: a legalização do aborto. Por muito tempo eu fui contra, mas graças às maravilhas que a reflexão trazem na nossa vida hoje sou a favor. Desde novinha eu tenho muita vontade de ser mãe, apesar de que hoje em dia sei que isso só vai acontecer se eu tiver condições, financeiras mesmo, de fazer isso exatamente como eu quero fazer, então não sei se vai rolar. Por outro lado eu jamais abortaria uma criança se engravidasse em situações normais, mesmo que em um momento indesejado. NUNCA tive qualquer relação sexual sem estar tomando pílula e usando camisinha ao mesmo tempo, mas sei que isso não tornaria uma gravidez algo 100% impossível. Sei que se tivesse algo de errado com a pizza que comi em um certo dia eu poderia ter passado mal e, pronto, o remédio já podia nem estar mais no meu organismo, sei que o látex milagroso quase imperceptível do que preservativos são feitos não tem titânio em sua essência, não é completamente incorruptível. Sei que estou correndo um risco e que todos nós estamos, mesmo que a maioria de nós não conte com isso. Sei também que não faz sentido nenhum obrigar a sociedade a viver um voto de castidade geral a menos que seja para reprodução porque, como eu disse acima, a gente tem que fazer o que quer mesmo dessa vida, estar feliz sempre vale a pena. E eu sei que se alguma coisa der errado no meio do caminho terei que encarar as consequências.

Acima de tudo, porém, eu sei que nenhuma pessoa no mundo é igual a mim ou tem a vida exatamente igual à minha. Nem todo mundo tem os mesmos desejos e vontades que eu, as mesmas limitações e liberdades, as mesmas condições e o mesmo pensamento. Sei que ninguém acorda falando “Ai, que dia lindo, acho que vou ali dar uma engravidada pra fazer uma abortinho depois!”, mas que muita gente não tem outro pensamento que não “Puta que pariu, não posso MESMO ter um filho, e agora?”. E o “não posso” depende da pessoa, viu? Pode ser um poder financeiro, físico, mental, estrutural, sentimental, tantos tipos de não poder que nem sequer consigo citar todos. E quem sou eu para julgar isso? E quem é você para julgar isso? E quem somos nós para definir o que essa pessoa pode ou não fazer, no fim das contas? Para definir se ela está sendo egoísta? Para definir que ela deve ir contra o que os outros acreditam, e não ela mesma? O que nós sabemos da vida de cada um para definir o que é certo ou não para aquela pessoa?

Por outro lado existem várias coisas que nós sabemos! Sabemos que um terço dos brasileiros culpam a vítima por estupros sofridos, o que mata o argumento de que “aborto é permitido em caso de estupro”, já que muitos sequer acreditam que a mulher tá falando a verdade quando faz a denúncia (isso quando consegue ter coragem denunciar, porque encarar toda a sociedade depois não é fácil, não). Sabemos que as pessoas inclusive continuam achando que saias curtas, bebidas, estar solteira, andar na rua sozinha e ser “fácil” são possíveis causas do estupro, quando na verdade a ÚNICA E EXCLUSIVA CAUSA são os estupradores. Sabemos que, apesar de serem muito eficientes e do fato de que devemos SEMPRE usá-los, não existe método anticoncepcional 100% seguro. Sabemos que sendo legalizado ou não as pessoas abortam de qualquer forma, mas como a maioria não tem condições financeiras para fazer isso acontece um milhão de práticas irregulares por ano, deixando essas mulheres à mercê da morte e da justiça (inclusive: leiam esse artigo, por favor). E O MAIS IMPORTANTE DE TUDO: sabemos que a legalização não torna a prática uma obrigação, muito pelo contrário… Ela gera não só segurança, mas também reflexão e pode acabar aumentando a taxa de desistência a partir disso! Sabemos também que estar segura, protegida e livre de olhares tortos muitas vezes é só o que uma pessoa precisa num momento tão difícil, e eu não tenho como provar essa última, mas por experiência própria sei que se colocar no lugar do outro, ter empatia pelo próximo, pode aumentar horizontes e diminuir julgamentos. Eu não me enquadro no perfil que as pessoas imbecis tanto acham que os defensores da legalização têm e cá estou, mesmo porque felizmente o mundo não gira em torno de mim. E você, já tentou abrir sua mente e refletir sobre isso hoje?

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Foto do Sacred Feminism

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