Inclusive, saudades (II)

Em 30.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Inclusive, saudades

Essa manhã acordei cheia de lembranças. Tem dias que são assim, elas me invadem de um jeito que dá pra sentir o tudo bem tátil na minha frente, a tensão tão carregada que nem um machado conseguiria quebrar. Às vezes o peito aperta tanto que dá vontade de chorar, como se o que quer que seja que está ali dentro pudesse transbordar pelos olhos. Hoje não, hoje as saudades foram gostosas de sentir, sabe? Aquelas que te faz ficar parada olhando pro nada meio boba até chega no ápice do recordar em que o coração acelera de excitação, como se estivesse correndo uma maratona… Causa arrepios, dos bons!

Lembrei que te conhecer foi como despertar de um pesadelo. Acho que todo mundo já passou por isso, o segundo exato em que a gente abre os olhos e percebe que nada daquele horror aconteceu ou vai acontecer… Um pesadelo longo, desses que ficam tempos nos atormentando mas chegam ao fim, é só questão de tempo até esquecer. Pois é, foi assim estar com você no primeiro instante. As borboletas da minha barriga se agitaram loucas como sempre, mas esse abrir de asas não embrulhou o estômago, mas fez abrir também sorrisos. O que se intensificava quando o SEU sorriso vinha, só de lembrar já sinto tanta falta. Ah, esse sorriso que causa mutações no olhar… Ele é fácil de amar!

Sentir você pela primeira vez, por outro lado, foi como entrar em um sonho. Quando os acontecimentos fogem do nosso controle e a gente vai deixando rolar apenas curtindo esse momento, seja lá como ele acontece. Isso vai contra tudo o que eu faço na vida! Estou sempre ensaiando, pensando mais do que devia. Mas do seu lado não funciona assim, funciona sem hesitar ou ter medo do que está por vir. E acaba sendo melhor do que foi criado nessa cabecinha preocupada, seja imaginando conscientemente ou na inconsciência do sono à noite. Eu, que já tinha colocado no papel todas as ideias de como tudo deveria ser, descobri que programar esse tipo de coisa está limitado ao que nós somos sozinhos. Mas na vida real as conexões só são ideais quando a gente faz junto…

Eu acordei do meu pesadelo de angústias, mas não precisei fazer o mesmo com o sonho saudoso. No fim das contas o ruim era só impressão e o bom é que rolou pra valer. Acho que por isso ainda estou “presa” nele, ainda que completamente livre para o que quer que venha a seguir, em qualquer aspecto. Existem mil coisas que eu gostaria de dizer, algumas jogadas em textos que julgo secretos e acabam não sendo, outras que acho que vou ter que guardar aqui no meu coração… Ou quem sabe soltar devagarzinho, naquelas horas que sua voz se transforma num ronronar no meu ouvido. Não importa! Sentir é mais importante que dizer, e não importa o que eu diga: já valeu, vale a pena (sempre!) poder te sentir e lembrar de você.

Inclusive, saudades!

O Conto de Natal

Em 24.12.2017   Arquivado em Escrevendo

O Conto de Natal

A campainha tocou pela terceira vez em menos de meia hora lá em baixo. Eu estava com o rosto quase grudado no espelho, segurando meus cílios postiços emplastados de cola, esperando ela secar, então só dei uma olhada pro lado, como se pudesse enxergar através das paredes, e voltei a atenção para meu reflexo quase imediatamente. Enquanto posicionava tudo no lugar ouvi risadas, seguidas de um grito que não soube identificar se era de raiva ou alegria. Só sabia que a voz que o produziu era de uma criança. Laurinha, com certeza. Fiquei feliz em saber que ela tinha chegado… Por ser a neta mais nova não importava se era natal ou outra data qualquer: vovó só sentia que a festa tinha começado quando aquele rostinho sorridente cruzava a porta de entrada.

Enquanto retocava o delineador do olho esquerdo, a porta do meu quarto abriu abruptamente e ela entrou, com a voz muito chorosa. Logo depois vinha Diego, com um sorriso de vitória no rosto que só podia significar que havia tirado a menina do sério. Ele tinha seis anos quando ela nasceu, “tirando” seu posto de caçula e gerando muitos ciúmes. Desde então um de seus objetivos de vida era causar nela o maior número de lágrimas possível.

– Lola… – ela dizia as palavras entre soluços forçados – Lola, diz pra ele que é o Papai Noel de verdade!

Guardei minha bolsa de maquiagem virando os olhos pra situação. Não era POSSÍVEL que um garoto que se gabava diariamente de ter entrado na adolescência e até já “perdido o BV” estava implicando com uma criança por causa de PAPAI NOEL! Olhei para ele colocando as mãos na cintura, o que o fez começar a pronunciar as desculpas esfarrapadas ensaiadas:

– Eu não falei que ele NÃO EXISTE, só disse que aquele lá não é o de verdade…

– É SIM! – Ela gritou se colocando de pé em cima da minha cama, então corri não só pra amenizar a briga como também para tirar aqueles pés calçados de cima do meu lençol recém trocado.

Nem era preciso explicações sobre a qual Papai Noel eles se referiam. Algum dos prédios vizinhos tinham pendurado um em tamanho natural na manhã anterior. Vovó e eu ficamos observando muito agoniadas com medo de o moço que estava fazendo isso cair de lá de cima, e ao mesmo tempo adoramos a notícia justamente porque sabíamos que nossa pequenina ia vibrar vê-lo ali. Dei uma última olhada no espelho e saí do quarto arrastando os dois junto, segurando o pulso de Diego com uma força que indicava “Pára com isso!” e tranquilizando nossa priminha, dizendo que ele estava apenas tentando irritá-la e que o “bom velhinho” já estava ali sim senhorita, esperando para presenteá-la com a Barbie Sereia que havia pedido.

Eu mudei para a casa dos meus avós cinco anos atrás, pra fazer faculdade. Meus pais moram em Ipatinga, a uns 200 km de Belo Horizonte, vim pra cá quando passei no vestibular. Minha ideia inicial (e muito iludida) era procurar um lugar só meu assim que me formasse, o que aconteceu no meio do ano, mas os três meses de desemprego e o salário baixo que recebia ao finalmente conseguir um trabalho não me permitiam sequer pensar nisso. Sem contar que meus avós estavam começando a ficar bem velhinhos, sempre precisando de alguém para levá-los ao médico, pegar algo no alto do armário e correr para comprar qualquer coisa no supermercado, então minha presença acabou sendo útil… Agora a intenção de ir embora é quase zero!

Por esse motivo eu acabo convivendo muito mais com o resto da família do que qualquer um deles entre si. Ao longo da semana meus tios e primos vêm aqui algumas vezes, para buscar correspondências, ver como estão as coisas ou mesmo “bater ponto” e não se arrepender de estar ausente daqui um tempo, quando os dois já não estiverem vivos. É bem fácil perceber quais se encaixam no último grupo. Enfim… Essa noite eu pretendia estar pronta antes de todo mundo chegar, mas fiquei no quintal com vovó batendo papo sobre nada, então já tinha muita gente quando desci as escadas, cada um colocando o que tinha levado na mesa. Meus pais e meu irmão tinham chegado na casa do meu padrinho bem cedo, mas eles esperaram para ir todos juntos. Estavam lá mais dois casais de tios, pais de Laurinha e Diego, além do irmão mais velho dela, Gabriel, que nasceu exatamente um mês antes de mim. Nós dois passamos a infância inteira esperando por férias e feriados para encontrar quando eu vinha pra cá, para poder brincar juntos. Somos meio que melhores amigos.

– Olha quem tá aqui! Feliz natal, Coisinha! – Meu irmão me tirou do chão ao me abraçar. Depois dele ouvir outras sete vozes repetindo “Feliz Natal, Lola” em menos de um minuto.

Quando Diego era bebê e não conseguia pronunciar “Aurora” direito, me chamava apenas de “Lóla”. Assim que me via cruzando a porta balançava seus bracinhos gorduchos gritando “Lóla! Lóla! Lóla!” com muita empolgação. Logo depois tia Clarinha, mãe dele, me presenteou com uma jaqueta onde havia a personagem Lola Bunny, dos Looney Tunes, estampada nas costas. Desde então a família inteira só me chama assim. Eu me irritava no início, sempre gostei de ter um nome que não dava muita brecha para apelidos, mas quando Laurinha nasceu foi uma das primeiras palavras que aprendeu a falar, logo depois de “mamã” e “cacágu” (que significava “água”), e passei a gostar, apesar de nunca deixar essa mania sair da família e passar para os meus amigos.

O resto do pessoal chegou na hora seguinte. Nos últimos dois natais tinha um sentimento de “Será que é o último?” no ar, todos temiam que um dos nossos avós fosse morrer a qualquer momento, então ninguém abria mão daquela noite. Bom, na verdade uma pessoa abriu dessa vez: tio Jojo. Ele tinha “saído do armário” (finalmente!) nove meses atrás ao apresentar o namorado pra todo mundo. Bastou uma única e longa conversa comigo para vovó aceitar, mas meu avô e dois dos tios ainda se recusavam a olhar na cara dele. Agora ele só vinha quando não tinha mais ninguém por lá (vovô se fechava na sala de televisão até ele ir embora) e sabe-se lá onde estava fazendo sua ceia… Eu sentia saudades e ódio de todo o resto só de pensar nisso!

Olhando ao redor da mesa, todo mundo sentado espremidinho em cadeiras e bancos improvisados, me vinha nos peito uma mistura de alegria e hipocrisia. Eu estava feliz em ter papai, mamãe e Augusto, meu irmão, ali comigo. Vovó também, já que ela é minha pessoa favorita no mundo, e eu até amava o vovô, mas o culpava de não ter meu tio mais querido ali. Gosto dos meus primos, uns mais que outros, e algumas tias. Mas todos os meus outros tios (e uma prima mais distante) eram nada além de parentes pra mim. Me dava raiva ouvir de longe os comentários machistas e preconceituosos que eram camuflados na conversa aqui e ali. Minha vontade era bater boca contra aquela babaquice toda, mas foquei na presença de Laura em meu colo, com seu prato encostadinho no meu me contando várias novidades infantis enquanto nossos braços lutavam para conseguir comer ao mesmo tempo.

Nós temos algumas tradiçõezinhas pra data, seguidas todos os anos. Todo mundo senta pra comer às 22h, em ponto, e quando faltam 15 minutos para meia noite rola uma oração e um “Parabéns pra você” para o “Menino Jesus”. Já faz anos que não sigo religiões, mas não me importo em continuar fazendo isso. Vovô então faz um discurso e assim que o relógio bate a meia noite corremos para a árvore para trocar presentes, independente se tiver terminado ou não… Na verdade o combinado é esse, mas ele sempre consegue dizer tudo a tempo, provavelmente de propósito. Dessa vez, porém, assim que a oração terminou, ele saiu alegando que precisava ir ao banheiro e pediu que a gente continuasse na sua ausência por causa das crianças. Na hora do discurso passamos a palavra para vovó, mas ela não sabia o que dizer e pediu ao meu pai que fizesse isso. Ele, por sua vez, jogou a bola pra minha mãe, que conseguiu até se emocionar com o que disse – e alfinetar cada um dos responsáveis por não sermos mais uma família completa. Alguns, eu entre eles, fizeram questão de aplaudir quando ela terminou exatamente quando devia terminar

Foi quando começamos a ouvir fogos de artifício sendo jogados ao céu do lado de fora. Laurinha largou minha mão, correndo desesperada, e abriu a cortina, com a boca aberta de excitação. Fomos assistir também e, quando parei ao seu lado, ela disse para mim, sorrindo:

– É o Papai Noel!

Passamos cinco minutos admirando o show pirotécnico que acontecia ali, até ouvir a porta dos fundos bater. Quando olhamos para trás a árvore de natal estava bem mais cheia do que antes. Fomos correndo conferir o que tinha sido deixado , gritando uns aos outros para que cada presente chegasse ao seu dono o mais rápido possível. Acho que ninguém além de mim reparou quando vovô entrou de mansinho com as chaves na mão e parou apoiado em meu ombro, para receber um pacote com seu nome que estava na minha mão. De fato, e apesar de tudo, um bom velhinho tinha trazido para cada um de nós um pouquinho mais da magia do natal.

E assim termina o Blogmas 2017: com um começo! Na série “Contos de Aurora” vou mostrar pra vocês a trajetória dessa nova personagem ao longo de algumas datas importante do ano. Em alguns momentos irei improvisar, em outros já sei exatamente o que fazer. O destino dela? Só o tempo dirá! Feliz natal!

Blogmas 2017

Lookbook: The Present is Female

Em 23.12.2017   Arquivado em Moda

Quando chegou o pacotinho de camisetas da MinKa aqui em casa, um momento de muita emoção que foi inclusive gravado, eu fiquei muito animada porque tinha blusas o suficiente para várias dessas festinhas que rolam no fim do ano. Duas delas já foram estreadas (e postadas no Lookbook) num mesmo fim de semana, no amigo oculto de um grupo de amigos e em um aniversário que fui no dia seguinte. Tem uma guardada pra virada do ano e essa noite, na comemoração de natal dos meus parentes, também não podia faltar!

Essa “The Present Is Female” é a minha favorita do site! Tanto que foi uma das duas que comprei (as outras vieram de presente, hihihi)! Desde o início já estava guardada pra essa ocasião porque, né, a gente já chega no lugares com *brusinha* feminista pra galera saber que não é pra fazer comentários babacas! E como a parte vinho era da cor CERTINHA de uma calça que eu tenho nem foi preciso pensar demais pra combinar. O topete foi uma decisão tomada já há algum tempo e que só pode ser concretizada graças a uma esponjinha que serve especificamente pra isso, porque aquela história de que dá pra fazer desfiando o cabelo com pente é furada, foi mal…

Lookbook: The Present Is Female

Descrição das peças no Lookbook!

Esse batom é o Mrs. Mia Wallace, da Urban Decay, que está sendo minha escolha padrão de fim de ano… Não só por ser lindo, o que ele é mesmo, mas também porque a data de validade tá se aproximando e CAPAZ que vou deixar um milímetro sequer dessa maravilhosidade ir pro lixo. O livro ganhei de amigo oculto do Gil semana passada, tava na minha wish list há tempo: “Mulheres Incríveis”, da Kate Schatz, que tem na versão brasileira algumas adições da Jules de Faria da “Think Olga”. Achei que tinha tudo a ver e inclui nas fotos… Vou terminar de ler e conto pra vocês o que achei!

Lookbook: The Present is Female

Lookbook: The Present is Female

Eu sempre quis fazer essas fotos “de cima” do look completo, gente, tô orgulhosa de ter tido tempo dessa vez, hahaha! Esse vai ser o último post de lookbook de 2017, mas mês que vem já começo mostrando o de ano novo. É também o penúltimo dia de Blogmas, mas como amanhã será publicado um conto, e não uma “conversinha” que nem agora, já vou aproveitar pra dizer desde já que tô MUITO feliz de ter conseguido participar esse ano… Mesmo que meu planejamento tenha saído muito do que eu queria no início, não importa. Já vão se preparando porque vai ter uma nova dose em 2018!

Blogmas 2017

Links da Semana #10

Em 22.12.2017   Arquivado em Blog

Depois de duas semanas de links mais ou menos improvisados, hoje estou trazendo coisas legaizonas que gostei muito de ler nos últimos dias. Tem sido difícil acompanhar o que a galera tá produzindo nessa onda de postar muito, trabalhar e ainda preparar as coisas pras festinhas de fim de ano, mas no final de tudo certo, né? Dêem uma olhadinha no que mais valeu a pena pra mim ter visto entre 16 e 22 de dezembro.

Links da Semana

Mamma Mia! Here We Go Again – Trailer, por Universal Pictures: MAS ANTES PARA TUDO PRA DANÇAR DE ALEGRIA COM UMA DAS MELHORES NOTÍCIAS DE TODOS OS TEMPOS! A Universal Finalmente lançou o trailer de “Mamma Mia! 2 – Here We Go Again”! O primeiro é muito importante pra mim, em níveis que não sei nem dizer… Sou bem fã de Abba e quando ele saiu, em 2008, eu não tinha o costume de ir ao cinema, mas fiz questão, e gostei tanto da experiência que a partir daí passei a valorizar isso de ver filmes nas “telonas”. Além disso foi quando começou minha história de amor eterno com meryl Streep! Tô muito empolgada, já quero que chegue! Leia também: Mamma Mia!, “resenha” do primeiro filme.

Google lança 18 especializações gratuitas com aulas em português, por Catraca Livre Gente, fala sério, que hino de aplicativo. São realmente aulas oferecidas gratuitamente pela Google que te dão o título de especialista em cada área! Meu primo me indicou e já selecionei VÁRIOS que serão essenciais pra mim, principalmente os relacionados com mídias digitais porque é a área que estou entrando devagarzinho. E é uma empresa que entende do assunto, né? Acho que a longo prazo farei todos.

Aceitação e a história do meu cabelo, por This Side of Paradise: Eu AMO histórias de transição capilar porque, mesmo nunca tendo feito nenhum método definitivo DE VERDADE para alisá-lo, eu demorei muito tempo pra lidar com meu cabelo natural e ainda faço chapinha com certa frequência. Simplesmente adorei a história da Luna, vale a pena ler!

DIY: Árvore de Natal de Parede, por Nega Vaidosa: Desde que adotei a Arwen, láááá no final de maio, começou a ser discutido aqui em casa o tópico “árvore de natal: montar ou não?”. Sinceramente eu não estava disposta a ficar de babá da decoração,mas como sou a “mamãe” dela teoricamente seria minha responsabilidade, então fui contra. No fim só enfeitamos com bolinhas nossa “cereijeira” de luzinhas, que nem rolou dois anos atrás, e ficou linda! Mas enfim, foco no post… A Paola fez um DIY ótimo pra quem também tem bichanos em casa, ou mesmo menos espaço, uma árvore de natal na parede! é ótimo porque você pode personalizar de milhões de forma diferentes, o lugarzinho fica ali disponível pro ano seguinte e dá pra fazer sem gastar muito! Já amei e tô aqui pensando se faço no ano que vem…

E agora um recado da Luly 2017 pra Luly 2018: TOMA VERGONHA NA CARA E CRIA UMA NOVA IMAGEM PROS LINKS DA SEMANA, MULHER! Dez posts seguidos com uma só, precisa dar uma renovada nisso aí…

Blogmas 2017

Sonhos perseguidos

Em 21.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Sonhos perseguidos

Toda noite era a mesma coisa: quando colocava a cabeça no travesseiro, de imediato a imagem dele me vinha à mente. Mesmo com esses pensamentos, eu conseguia dormir numa boa. O tempo passou e a minha imaginação continuou insistindo no mesmo cara. Confesso que não era fácil suportar tudo aquilo.

Meses se passaram e a situação piorou, já que a insônia começou a fazer parte dos meus dias. Era mais ou menos assim: deitava na cama, fechava os olhos e lá vinha a imagem do dito cujo. Ele era alto, poucos quilos acima do “aceitável” para o seu tamanho e tinha os cabelos lisos, que sempre usava bagunçando-os para o lado. Em todas as suas aparições mentais, aquele moço usava camisetas descoladas, com a palavra “Faith”. O motivo, claro, era desconhecido.

O problema é que aquele cara não era desconhecido. Na verdade, ele era um ex-crush chamado Jonas. Esse rolo foi rápido, não chegou nem a contabilizar um mês. Para ser mais exato, 13 dias. O meu número da sorte. Por que tive azar dessa vez? Hahaha! Não chamo de azar os livramentos da vida!

Conheci Jonas na internet. Isso mesmo, nos aplicativos de relacionamentos que tanta gente abomina. Diferente da maioria, acho até legal ficar “julgando” os perfis. É como se eu estivesse com um cardápio na minha mão, escolhendo o que comer. (Ooops, isso gerou duplo sentido!)

Mas é isso mesmo! Jonas só queria sexo, dinheiro e alguém para bancar os seus vícios em bebidas e drogas. Infelizmente, só percebi isso quando levei um bendito pé na bunda. E estava apaixonado. Loucamente apaixonado por um cara que esnobava os meus sentimentos, me fazia de trouxa e, caralho, me fazia perder horas de sono.

Fiquei semanas e semanas sem dormir, olhando para o teto do quarto à espera de uma luz do próximo passo. Suicídio ou seguir com a vida? Escolhi a pior opção: mandar mensagem.

Eram 02h da madrugada quando estava enviando mensagem para Jonas, confessando o quanto eu o amava e ele era o homem da minha vida. Clichê, eu sei. Fui surpreendido com uma rápida reposta. Em um áudio de apenas 10 segundos, fui mandado à merda, além de um “lindo” pedido para eu procurar alguma coisa para fazer da vida, ao invés de ficar correndo atrás de quem não dava a mínima por mim.

Sonhos perseguidos

Rolou um choque de realidade. Foi forte. Bem forte. Chorei tanto que às vezes me faltava lágrimas. Como podia eu ser tratado daquela forma? Como? Logo eu que sempre era prestativo, disposto a mover o mundo por Jonas…

Ainda baqueado, passei três dias chorando sem parar, vendo tudo sem graça e faltando no meu emprego. Sim, a mente continuava pensando em Jonas, em sua beleza e naquela bendita camiseta escrita a frase “Faith”. Naquela época, a fé que tinha era de que iríamos voltar, ter um relacionamento incrível, mas…

A fé que precisava era de que as coisas iriam melhorar para mim e eu iria sair daquela fossa. Daquela rotina diária de ficar pensando em que não se importava com a minha vida e os meus sentimentos. E foi assim que o fiz.

Após os três dias de “luto”, me olhei no espelho decidido a dar um basta. Comecei excluindo da agenda do celular o número de Jonas, depois o bloqueei nas redes sociais e postei uma das melhores fotos que tirei na época em que o conheci. A legenda era uma daquelas motivacionais, onde dizia que não vale à pena valorar o que não tem valor.

Tô melhor, tô de boa, tô feliz. A mente de fez em quando recorda de Jonas, mas com dó. Muita pena de quem prefere destruir o coração de uma diva poderosa como eu. Nasci pra brilhar, e não para ter sonhos perseguidos por monstros.

(Parênteses aqui para agradecer à Luly por poder postar no brógui dela. Aos desconhecidos, me chamo Adriel Christian e também sou blogueiro. Não sou bom com apresentações, então, é isso!)

[Edit em 22/12/17] Adriel, seu lindo! Eu AMEI ter tido você como meu “guest blogger” nesse Blogmas 2017! Em 13 anos de Sweet Luly eu NUNCA tive coragem de emprestar meu cantinho pra alguém, de criar um nome de usuário pra outra pessoa, de quase deixar que falassem por mim. Você foi o primeiro e foi uma escolha maravilhosa! Obrigada por ter colocado tantos sentidos por aqui. E pra quem não conhece, visitem o blog dele para mais textos assim: Não Me Venha Com Desculpas.

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