O Conto de Carnaval

Em 06.03.2019   Arquivado em Escrevendo

O Conto Carnaval

Lá estava eu, encostada no muro que dava vista pra Praça da Estação logo em baixo, sem me mover um centímetro de lugar, porque isso poderia significar nunca mais ser encontrada pelo grupinho de amigas que me deixou ali pra ir ao banheiro. Copo na mão, já quase vazio, glitter em cada centímetro da grande quantidade pele exposta que havia no meu corpo e uma coroa de flores na cabeça. A multidão passava por mim seguindo a bateria, o trio, a música, o que tivesse som. Todo mundo bebendo e rindo, se divertindo, sempre pronto pra barrar um babaca dizendo “Não é não!” ou pra alertar o colega ao lado que ele devia conferir se o nome no cartão de crédito que ele recebeu de volta é o dele, mesmo. Belo Horizonte tem sua própria rua Sapucaí, e no carnaval ela faz jus ao nome.

Nesse aspecto, mais do que qualquer outro, é difícil acreditar que essa é a mesma cidade para qual me mudei há alguns anos. Quando vim estudar aqui ninguém ficava pro carnaval! Era possível, como dizia minha mãe, “andar pelado na rua”, de tão vazia que ficava… Ao longo dos meus anos de faculdade, porém, fui vendo o movimento crescer cada vez mais, a quantidade de bloquinhos que antes pipocavam aqui e ali se multiplicou violentamente, atendendo todos os tipos de público possível, e não havia mais um ponto onde não tivesse pessoas brilhando ao entoar marchinhas tradicionais e hits do momento. Agora lá estava ela, entre as capitais mais procuradas pra data, perdendo apenas pras grandes tradicionais.

E se BH mudou, eu mais ainda. A Lola adolescente se referia aos dias de folia com o neologismo “Carma-val”, porque odiava tudo e todos relacionados a ele. Não saía ou pulava ou dançava ou me divertia, o que eu amava era odiá-lo. Ficava cinco dias com o computador ligado conectado à internet fazendo ABSOLUTAMENTE NADA, e se alguém sugerisse o contrário recebia em resposta apenas um olhar de mau humorada. Bom, ainda bem que a gente muda. Sair de casa para ver toda a alegria que tinha na rua se tornou quase necessário ao longo do tempo, porque parada não tinha mais como manter a cabeça no lugar. Da antipatia para a tolerância, e dela pro mais completo deleite. Agora essa era eu, vestindo apenas um maiô, tênis e pochete na cintura, gritando letras que às vezes eu sequer sabia de verdade e curtindo cada dia do meu maior pagar língua de todos.

Os minutos de breve solidão me fizeram pensar tudo isso de uma vez só, então baixei os olhos pro copo pra que ninguém me visse rindo sozinha, supostamente sem motivo nenhum, mas antes que terminasse o movimento levantei a cabeça de novo. Um pequeno momento de respiro, um vazio de pessoas na minha frente, o suficiente para ver e ser vista imediatamente. Não sei dizer o tamanho do sorriso que de cara entrou no meu rosto, mas sei que foi tão aberto e impossível de disfarçar quanto o dele.

Fê e eu não nos falamos mais desde as mensagens de “Feliz Ano Novo”. Eu só sabia mais ou menos o que ele vinha fazendo na vida pelas suas poucas fotos nas redes sociais – e vice e versa. Agora lá estava, vindo em minha direção, sem me dar qualquer oportunidade de conferir se eu estava apresentável (ou sóbria) o suficiente para ser vista. Não me importava se já tinha me visto algumas vezes de manhã, acabando de acordar antes mesmo se escovar os dentes… Ele estava tão lindo que meu único pensamento era como eu queria que ele me enxergasse linda também.

No primeiro momento, ninguém disse nada. A gente só se abraçou por um tempo, sem saber como se comportar. No final, como sempre tentando quebrar o gelo, ele deu uma dançadinha ao som da música, me soltou e disse:

– Carma-val, Lola! Como eu posso te achar justamente aqui?

– Uai, é destino, sei lá!

Em minha defesa, era difícil falar qualquer coisa estando ainda sorridente. Ele encostou no muro também, ficando do meu lado tão próximo que eu só conseguia lembrar o quanto gostava daquela proximidade. Então veio gritar no meu ouvido para que eu conseguisse escutar.

– Cê tá sozinha? Sei lá, não é perigoso?

– Não, é tô com umas amigas, foram ali usar o banheiro. Aqui ficou o ponto de encontro, não posso nem me mover.

– Eu vim com uns amigos também! – ele apontou pra um grupo nem na nossa frente – Ia te chamar pra ficar com a gente! Mas sem problema, eu te faço companhia até elas voltarem…

Tomei um gole porque não fazia ideia do que dizer. Continuar com papo de alfândega, fingindo que não tinha mais nada ali? Porque eu não estava bêbada o suficiente para falar o que realmente queria, pelo menos não ainda. Enquanto meu cérebro processava tudo isso, ele se aproximou um pouco mais de mim.

– Você sumiu…

– Você também! – Engasguei ao responder.

Ele abriu a boca pra retrucar, mas uma nova marchinha começou, o fazendo rir. Eu estava muito fora de mim para entender o motivo, mas antes que pudesse questionar minha visão periférica percebeu as meninas reduzindo o passo ao vir em minha direção, percebendo com quem eu estava falando. Ele também viu e desencostou o corpo, me abraçando para se despedir.

– A gente vai conversando, Lola… Eu te chamo!

Ele começou a se afastar, mas antes disso o puxei pra dizer:

– Chama mesmo.

O que era pra ser um “beijo de bochechas” que veio em seguida acabou virando um beijo de verdade. O vi indo embora, se juntando ao seu grupo que permanecia completamente alheio à minha presença, e eu me juntei ao meu, que parecia ter feito um acordo silencioso para não comentar o que tinha acabado de presenciar. Eu já estava com um sorriso estampado no rosto, um pouco amarelo mas prestes a se tornar brilhante de novo, com o copo abastecido pelas novas cervejas que foram trazidas, me afastando acompanhada do muro e de quem mais estava ali. Minha cabeça voltou a funcionar o suficiente para entender a risada anterior, quando a música finalmente ficou clara, e também fui forçada a rir enquanto cantavam juntas ao meu redor…

“Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora

Um lindo apartamento
Com porteiro e elevador
E ar refrigerado
Para os dias de calor
Madame antes do nome
Você teria agora
Ô ô ô ô Aurora

Esse é o terceiro conto da série “Contos de Aurora”, que vai mostrar dez datas comemorativas do ano de uma mulher como outra qualquer, que eu vou conhecer junto com vocês, enquanto traço a vida dela devagarzinho… Espero que tenham tido um bom carnaval!

6 on 6 Fevereiro: Em Comum + Desafio Relâmpago

Em 28.02.2019   Arquivado em Fotos

Tá autorizado postar 6 on 6 no ÚLTIMO DIA DO MÊS? Aparentemente tá, porque antes tarde do que nunca, meninas, antes tarde do que nunca. O tema desse mês era “Em Comum”, e ficando livre escolher o que cada foto teria em comum com a outra… A inicial do objeto, a temática, a cor, por aí vai. E aí que estava eu aqui, sem saber o que retratar (perceptível), quando apareceu o Desafio Relâmpago do United Blogs pra me salvar!

EM QUE CONSISTE O DESAFIO? “Escolha 5 objetos que você tem aí na sua casa e que você ama/gosta bastante. Agora você precisa fotografar esses objetos e criar um post que envolva todos eles. USEM A CRIATIVIDADE! Você pode fotografar todos os objetos juntos ou tirar uma foto de cada. Pode fazer uma playlist com base nos objetos. Pode criar um texto. Fazer até receita de bolo, desde que os objetos estejam envolvidos.”

… sóóó que no meu caso são 6 objetos, pois aqui é 6 on 6! Aí a ideia era juntar o útil ao agradável, fazer umas fotos bonitinhas clicando cada objeto escolhido, mas não SÓ o objeto escolhido porque composição é tudo, né? O que essas fotos têm em comum é isso, retratar coisas daquelas que viriam logo depois da minha gata (e HD externo) em suposições de “Que itens você salvaria se sua casa pegasse fogo” e loucurinhas do gênero…

6 on 6 Fevereiro: Em Comum

1. Kimberly foi minha primeira Pullip, primeira Fashion Doll, primeira boneca de coleção. É a que, na época onde eu sempre tinha uma na mochila, estava o tempo todo comigo, pra cima e pra baixo. Kimberly é a Pullip cujo “aniversário” ainda comemoro, que pros eventos eu ainda levo, que brinco de me vestir igual e tirar foto “tal mãe, tal filha”. Kimberly tem até seu próprio Instagram! Ela é mais que um objeto e, ainda assim, meu objeto favorito. É ela que eu escolho pra fotografar quando vejo uma versão mini da minha flor favorita, porque é minha mini Luly, afinal. Mesmo que o hobby não seja mais tão ativo na minha vida como já foi um dia, inativo ele JAMAIS vai ser, porque ela (e suas “irmãs”, mas principalmente ela) é parte quase física de mim.

6 on 6 Fevereiro: Em Comum

2. Ela já ganhou até um post só dela aqui nesse blog – e, cá entre nós, um dos melhores e mais elogiados que já escrevi. Uma não dita tradição passada de vô pra pai, de pai pra filha, uma paixão meio doida, e ainda assim pertinente por canetas tinteiro. Afinal, como são lindas! Não lembro como começou, mas sei que desde muito nova eu interrompia minhas tarefas de escola pra procurar nas gavetas as canetas do papai, e usá-las nem que fossem um pouquinho, ali dentro de casa. Dele me chamando para ir junto comprar tinta, só porque sabia que eu gostava, mesmo. Do natal em que eu havia passado no vestibular e ele resolveu me dar um “presente de adulto”, a caneta tinteiro para chamar de minha, mas que não fazia ideia de que acharia uma cor-de-rosa, e que isso tornaria ela mais minha impossível. É que eu sempre gostei de escrever, está entre as coisas que mais gosto na vida, e mesmo que hoje em dia faça isso muito mais digitalmente do que à mão, não sei, sinto que se eu fosse algo inanimado, seria uma caneta dessas, seria especificamente a minha Sheaffer!

6 on 6 Fevereiro: Em Comum

3. Eis que alguns anos atrás, mais especificamente no fim de 2013, a Elton John AIDS Foundation lançou um desafio para divulgar sua mensagem de luta contra a AIDS: postando uma foto sua no Instagram, usando óculos extravagantes, e com #VisionToEndsAIDS na descrição, essa foto ia pra um aplicativo deles no Facebook ser votada entre o público no geral. As 10 mais votadas ganhariam o livro “Love Is The Cure” autografado pelo Elton John. Meus amigos fizeram então uma campanha compartilhando em seus perfis, pedindo votos pra minha, e foi tão bonito que deu certo e ganhei! A emoção de saber que alguém que admiro tocou num objeto que hoje está na minha casa, e que ele tocou especificamente para que aquele objeto se tornasse meu, sei lá, é difícil assimilar e, ao mesmo tempo, gostoso demais! Num dô, num vendo, num empresto!

6 on 6 Fevereiro: Em Comum

4. Já que entramos no assunto “livros”, nele ficaremos. Como vocês podem ver na foto eu tenho 4 edições de “A Pedra Filosofal” e todas foram presente: a ilustrada e a britânica da Grifinória do Gil, a de capa dura da Editora Rocco e, por fim, a PRIMEIRA EDIÇÃO PUBLICADA NO BRASIL! Minha madrinha me deu de natal, quando eu ainda tinha 10 anos antes mesmo dos filmes lançarem, e foi com esse livro aí que eu aprendi a gostar de ler. Ele, cuja fonte nem era a oficial ainda, que tá todo gasto, descascado, manchado e surrado, o que pra mim é ótimo, porque significa que foi lido e relido e amado! O Universo de Harry Potter me trouxe pessoas maravilhosas, experiências indescritíveis e sensações melhores impossíveis, então é um carinho especial ter comigo as páginas que o apresentaram a mim.

6 on 6 Fevereiro: Em Comum

5. E sabe quando você sente que faltam os ossos do ofício sendo representados? Eu tava sentindo isso aqui, e comecei a zapear pelos vários materiais e ferramentas que uso nas minhas várias pequenas profissões… Até que cheguei na guilhotina. Quando comecei a fazer cadernos era uma tortura descoroar as folhas, e por isso fiquei com ela, que era do meu vô, pra me ajudar nisso. Essa lâmina já cortou de tudo um pouco! Raios-x que ele tirava, documentos que iam pro lixo, qualquer papelzinho que precisasse ficar retinho. Agora ela é minha companheira que facilita muito a vida, e faz lembrar de seu Carlos a levando escada abaixo e escada acima cada vez que precisava usar.

6 on 6 Fevereiro: Em Comum

6. Pra fechar a “foto bônus”, que não faz parte do Top 5 mas faz do 6 on 6. E o que poderia ser melhor do que um lugar onde eu colocar APENAS coisas (e pessoas) que me fazem bem? Comprei essa grade de metal numa loja que vende manequins e outros artigos para exposição em lojas, já com o intuito de pendurar fotos e afins que causam sorrisos… Desde o primeiro dia parecia que não ia caber outros, e sempre cabe! Os espaços vazios vão diminuindo, mas o amor segue crescendo: momentos, ingressos, desenhos, bottons, adesivos, figurinhas, postais, recortes, tem de tudo e mais um pouco e se bobear eu dou um jeito de caber mais!

Agora não deixem de conhecer os outros participantes do 6 on 6: Igor, Lucas, Maíra e Renatinha!

Cinderela Pop – O Filme

Em 24.02.2019   Arquivado em Filmes

Cinderela Pop *****
Cinderela Pop Elenco: Maísa Silva, Filipe Bragança, Fernanda Paes Leme, Barbara Maia, Giovanna Grigio, Elisa Pinheiro, Isabel Fillardis, Letícia Pedro, Kiria Malheiros, Marcelo Valle, Miriam Freeland, Sergio Malheiros
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 95 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: “Cintia Dorella (Maisa Silva) é uma adolescente que descobre uma traição no casamento dos pais. Descrente no amor, ela vai morar na casa da tia e passa a trabalhar como DJ, se tornando a Cinderela Pop. Mas ela não esperava que um príncipe encantado pudesse fazê-la se apaixonar.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Originalmente um dos contos de fada recriados para “O Livro das Princesas”, “Princesa Pop” se tornou “Cinderela Pop”, o primeiro de uma série de romances em que Paula Pimenta, um dos maiores nomes da literatura juvenil nacional, conta sua própria versão contemporânea das nossas tão queridas princesas. Hoje a coleção conta também com “Princesa Adormecida” e “Princesa das Águas” (que também vão virar filmes!), mas é o primogênito deles que voltou a ficar em alta sendo o primeiro livro dela a ser adaptado para os cinemas. Nele, Maísa Silva é Cintia Dorella, a DJ Cinderela! Após ver seu “castelo” desmoronar graças a uma traição de seu pai e o pedido de divórcio, ela passa a rejeitar completamente o amor, focando 100% nos estudos, no sonho de estudar produção musical e no começo da sua carreira de DJ, sendo ajudada pelo namorado da sua tia, com quem mora após sua mãe retomar seu trabalho como arqueóloga.

Paralelo a isso, Freddy Prince, um cantor adolescente que tocou na festa onde o caso de Cézar Dorella com sua assessora Patrícia foi revelado, consegue alcançar o estrelato gradualmente após postar suas músicas na internet. Sempre acompanhado de sua amiga Belinha, uma YouTuber que vê o canal crescer junto com a carreira do amigo, ele começa a fazer shows e apresentações, tocando músicas de sua autoria. E é na festa de 15 anos das filhas de Patrícia, a madrasta de Cintia, que ele acaba se encantado pela DJ misteriosa que transforma seu som lento e romântico numa batida dançante enquanto espera pelo momento de ser a atração da noite. Ela não pode ser descoberta pelo pai, que é contra a filha trabalhar, e na correria a única dica que o rapaz tem de quem é a garota é um “sapatinho de cristal”, porém nada convencional, esquecido por ela enquanto troca de identidade.

Cinderela Pop

Cinderela Pop: imagem via Séries em Cena

“Cinderela Pop” como filme lembra bastante o clássico adolescente dos anos 2000 “A Nova Cinderela”, que tem Hilary Duff como protagonista, no que diz respeito ao ritmo da história tanto como romance quanto como comédia. É leve, bem pra família mesmo, com uma mistura bem interessante de artistas veteranos e novatos. Nem todas as atuações são boas de verdade, principalmente na ala adolescente, que é o foco da história, mas as outras valem a pena pra fazer o equilíbrio. Maísa Silva está LINDA em seu papel de DJ Cinderela, mas principalmente mostra o exato tipo de força que precisamos ver em papéis que irão influenciar essa geração de jovens mulheres que está pro vir. Ela é dedicada, foca na carreira mesmo quando abre espaço pro amor, se esforça ao máximo para não ser pisada e, apesar de odiar com todas as forças sua madrasta (que é a vilã clássica do conto de fadas), não isenta o pai da culpa de ter acabado com sua família. Ela torce pelas pessoas ao seu redor, sempre pensando em si mesma mas sem o egoísmo de não permitir quem gosta de voar. Sendo bem sincera, gostei mais da imagem dela, e de todas as personagens de uma modo geral, na adaptação do que no livro, que li logo na época que foi lançado.

Levar histórias do papel para o cinema nem sempre é uma tarefa fácil, pede cortes e ajustes, mas o desse foram bastante positivos, mostrando outros lados do enredo (que originalmente é narrado em primeira pessoa pela Cintia), e dando mais detalhes da “vida real” pra todos os envolvidos, uma vez que certas coisas são mais fáceis de ser mostradas do que descritas. Pra quem já gosta da história, acho difícil ter decepções! O grande destaque do longa é, logicamente, Fernanda Paes Leme. Patrícia é uma mulher nojenta, péssima como pessoa, mãe e madrasta, mas sua atuação faz toda diferença pro espectador amar odiá-la. Ela tem bordões que são usados sem forçar a barra, muito pertinentemente, e nos traz as principais risadas sem precisar escrachar nada. Os tios de Cintia também são bastante carismáticos, essenciais pra que adultos também consigam se identificar ao assistir. Claro, é preciso ter em mente que se trata de um filme teen, daqueles que serão exibidos à tarde da tv aberta, mas isso não significa que adultos não possam se divertir com ele. Ele cumpre completamente seu propósito, que é ser um passatempo leve despretensioso, permitido pra todas as idades e que não faz pensar muito, mas faz sorrir pelo humor e pelo amor.

Cinderela Pop

E como não dava pra deixar esse momento tão marcante pros fãs, que sempre quiseram ver os livros da Paula nas telonas, a Galera Record lançou uma versão com a capa do pôster oficial. Achei que o título assim, em letreiro, combinou bem mais com o estilo da Cintia, que é descolada e antenada, mas a anterior é liiinda demais, com essa ilustração super bonita e meio aquarelada da personagem! Acho legal porque assim, independente da capa escolhida, cada uma tem sua vantagem pra embelezar a estante. E fica o aviso, se você gosta de romances adolescentes, princesas em versões contemporâneas e do universo cor-de-rosa da Paula Pimenta (que faz duas aparições rápidas nele, como não podia ser diferente), já anota aí: Cinderela Pop estreia em todo o Brasil dia 28 de fevereiro, essa quinta feira!

Leia também: “Cinderela”, resenha sobre a belíssima versão live action da história da mais famosa e icônica das princesas Disney!

Trailer:

Lookbook: Expecto Patronum

Em 09.02.2019   Arquivado em Harry Potter, Moda

Nos últimos oito anos, ou quase, eu me dediquei ao Potter Club BH como um trabalho paralelo, em tempo integral. Não sei em que momento me tornei vice presidente do fã clube, mas quando vi tava lá, sendo oficialmente promovida de desconhecida a uma das principais cabeças, sem que isso precisasse ser dito. Mesmo quando parecia que nada estava acontecendo, aqui nos bastidores tinha planejamento, ideia rolando, esforço sem fim. Nunca recebemos nada em troca, financeiramente falando, mas as pessoas que entraram na nossa vida, ah, essas foram impagáveis! Sessões de cinema, convenções anuais, pique-niques, lançamentos, até um Baile tão sonhado, entre outros: fomos muito além do que o imaginado, sempre realizando o que era sonhado. Mas quase uma década se passou, nossa vida mudou e chegou a hora de decretar um hiatus para nossas merecidas férias dessa que foi uma das melhores coisas que já vivi na minha vida.

Mas não e NUNCA sem antes comemorar esse “até logo” – “adeus”, jamais. No final de janeiro tivemos a Expecto Patronum, mais uma festa em boate promovida para os fãs de Harry Potter belorizontinos! Todo mundo dançando a noite toda, se divertindo à beça, a gente às vezes parando um pouquinho ao lembrar desse momento melancólico, mas tudo bem! E eu, que normalmente vou nas nossas festas com alguma camiseta temática e nada de mais decidi que, dessa vez, ia à altura do nível do evento, bem bonitinha, o suficiente pra postar no Lookbook depois! E é o que temos aqui, não é mesmo?

Lookbook: Expecto Patronum

Vestido: n/s | Meia arrastão: Trifil | Sapatilha: Max Model + no Lookbook.nu

Esse vestido LINDO, bege com padronagem cheia de elementos grandões, era de uma amiga minha, que quando foi fazer uma limpa no guarda roupas perguntou se eu queria, e é claro que quis! Só que por ela ser mais alta, sempre ficava um pouco grande em mim… Por isso na semana antes da festa levei numa costureira para ajustá-lo e ficou absolutamente perfeito. Sério, é impressionante o que 2cm de costura fazem na nossa vida… Toda hora alguém me parava pra falar sobre ele, hahahaha!

E aí, como não gosto tanto assim se roupa clara, complementei com uma meia arrastão e sapatilhas pretas bem basiquinhas… Confortável, não aumentava meu nível de calor, mas também dava aquele “tchan”… Bem o tipo de look que amo. Por fim, aproveitando essa minha fase cada vez mais apaixonada por maquiagem, fiz uma toda “Grifinória”: sombra vermelha e dourada, feita com batom e iluminador! Também usei um batonzão desse na boca, como sempre, e coloquei muito iluminador e brilhos no rosto… Boate, gente, se não for pra chegar reluzente eu nem chego… Até gravei a execução dela, tá lá num vídeo no meu canal, com lista de produtos e tudo mais. Sério, pensa numa pele que tava maravilhosa, queria ser assim sempre…

Lookbook: Expecto Patronum

Um momento Dancing Queen, já com spoiler de uma das minhas novas tatuagens, das quais ainda preciso falar por aqui…

As fotos do dia foram tiradas pelo migo queridíssimo Ramon, também parte da “presidência” do fã clube e que ARRASA demais me fotografando. Sempre saio bonita nelas, acho que é uma mistura de câmera boa com poder me ver pelos olhos dele… Sei lá, só sei que amei, obrigada, Ramis! Ai, gente, é aquele negócio, né? Dia felizes ao lado de pessoas queridas, se eu tivesse uma varinha na mão conseguiria conjurar o melhor patrono do mundo!

Sex Education: uma série necessária!

Em 06.02.2019   Arquivado em Séries e Desenhos

Sex Education *****
Sex Education Elenco: Asa Butterfield, Emma Mackey, Ncuti Gatwa, Gillian Anderson, Connor Swindells, Aimee Lou Wood, Patricia Allison, Kedar Williams-Stirling, Alistair Petrie, Chaneil Kular Anwar, Deobia Oparei, Hannah Waddingham, James Purefoy, Jim Howick, Sharon Duncan-Brewster, Simone Ashley, Tanya Reynolds, Toby Williams
Direção: Kate Herron, Ben Taylor
Gênero: Drama, Comédia
Duração: 398 min | 8 episódios
Ano: 2018
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Otis Thompson é um virgem com ansiedade social que é filho de uma terapeuta sexual. Por ter crescido cercado por manuais, vídeos e conversas abertas sobre sexualidade, ele torna-se um expert no assunto – mesmo que contra sua vontade. Com a ajuda de Maeve, ele inicia uma clínica clandestina dentro da escola, ajudando os colegas com problemas sexuais em troca de dinheiro.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Em meio a tantas discussões sobre a presença ou não de aulas de educação sexual nas escolas, tantos casos de denúncias de abuso que essas aulas ajudaram a fazer acontecer e a volta do “boom” de infecções sexualmente transmissíveis ainda que supostamente a informação esteja disponível a todos, a Netflix nos apresenta uma série britânica que é exatamente o tipo de coisa que todos nós devemos assistir em algum momento da vida: Sex Education! Nela Otis, interpretado por Asa Butterfield, é um adolescente muito reprimido sexualmente, mesmo que sua mãe seja uma conhecida terapeuta sexual e seu melhor amigo, Eric, tente ao máximo ajudá-lo a superar isso. É quando Maeve, a “diferentona” do colégio, vê nesse parentesco do garoto um meio de ganhar uma muito bem vinda grana que vai ajudá-la a pagar suas contas e o convence a, juntos, abrir uma “clínica” de terapia sexual entre os colegas, que estão todos com hormônios à flor da pele…

Com diálogos inteligentes, personagens muito identificáveis e abordagens extremamente sensíveis, Sex Education faz rir de forma nada forçada nos momentos de humor e chorar com um aperto lá no fundo do coração nos momentos de drama. Ela tenta quebrar vários clichês e, ao mesmo tempo, não te faz pensar que esses clichês seriam um erro de qualquer forma. Otis é o “mocinho” virgem inexperiente, mas que não deixa as pessoas pisarem nele ou o tratarem mal por causa disso. Eric, seu “fiel escudeiro”, é gay e gosta de fazer maquiagens extravagantes e usar saltos altos de vez em quando. Maeve parece uma “bad girl” excluída, mas que mantém amizade com uma garota popular e às vezes cede aos próprios sentimentos. Até seu “peguete”, Jackson, foge ao padrão: o atleta super cobiçado é um rapaz negro, cuja família foge do convencional. Essas coisas, porém, não são faladas, simplesmente fazem parte da narrativa. Ela também trata corpo e nudez com MUITA naturalidade, como pele, mesmo, que é o que são. Inclusive as cenas mais explícitas foram gravadas com o apoio de uma “direção de intimidade”, para não rolar mais um dos tantos casos de assédio e abuso que vemos na história da TV e cinema. Muito legal, né?

Sex Education

Um ponto muito interessante da equipe técnica é que nela há a presença forte de mulheres em cargos importantes: criação, direção e, claro, roteiro! Isso é não só fora do padrão, uma vez que a indústria do entretenimento ainda é bastante sexista, como fez TODA diferença nos mais diversos momentos. Os melhores episódios, na minha opinião, são o 3º e o 5º (esse segundo com uma cena que não consegui ver, porque fui alertada do que acontecia, mas ainda assim maravilhoso) e neles é claro que se trata de uma abordagem feminina… São assuntos delicados e polêmicos, mas mostrados de forma belíssima, pertinente e emocionante. De causar alegria melancólica em quem já tem a mente aberta para eles e, quem sabe, ajudar a mudar a visão de quem ainda a mantém fechada. Por outro lado, o que considero o único ponto negativo, nossa principal garota da história, a própria Maeve, não foi o tipo de representação feminina mais legal de todas… Sim, ela é forte em vários aspectos, o que é ótimo, mas a maneira como ela trata as pessoas ao seu redor, PRINCIPALMENTE Otis e Jackson, me deixou bastante incomodada. Às vezes suas atitudes são carregadas de profundo descaso e crises de ego. Espero que ela melhore um pouco nisso, daqui pra frente! Principalmente porque a série dá a impressão de que os protagonistas serão um casal em algum momento, e do jeito que as coisas caminharam até agora isso não faz sentido algum.

No que se diz respeito à versão brasileira, que é um aspecto positivo de todas as séries originais Netflix que já assisti dubladas, essa não fica atrás. Seguindo a onda da equipe, tanto a tradução quanto a direção de dublagem, da Flávia Saddy, foram feitas por mulheres também, o que já é bem legal! As vozes são bastante condizentes com suas personalidades, das “gente como a gente” às mais caricatas. O Otis, obviamente grande destaque da série, foi dublado pelo João Cappelli, que conseguiu passar perfeitamente seu ar introspectivo sem cair no velho clichê do “bonzinho bobinho”. Já falei aqui antes que o João é uma das pessoas mais adoráveis que conheço, e isso refletiu perfeitamente na personagem, o encaixe é ideal. Além disso várias gírias e memes em alta estão presentes de forma pontual e, em um episódio onde um dos “pacientes” não consegue parar de perseguir uma colega, ele explica o assédio com a frase mais simples e perfeita que vemos nas ruas: “Não é não”. Coisas que parecem bobas, mas que têm o impacto perfeito que Sex Education veio acrescentar tanto em quem já sabe quanto em quem ainda precisa aprender!

Sex Education

A primeira temporada, com seus 8 episódios já disponíveis na plataforma desde 11 de janeiro, terminou bem, mas algumas tramas ainda ficaram em aberto, dando brecha para prosseguir com o sucesso. Depois que a criadora da série, Laurie Nunn, deixou bastante claro várias vezes que o assunto vinha sendo discutido, a Netfflix enfim confirmou a segunda temporada através de um vídeo sempre muito divertido, comentando alguns momentos da primeira, sem spoilers. Vamos torcer pra fazer jus ao que já tivemos até agora. Tenho até minhas esperanças de que, com o tempo, ela seja adotada como material didático para tirar, ou só reduzir, todo o tabu em volta de algo tão natural quando sexo…

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