Wishlist 3×3: Armações de óculos!

Em 07.03.2020   Arquivado em Publicidade

Fui fazer as contas para começar esse post e caí na real de que uso óculos há 23 anos, desde a primeira série (hoje segundo ano) do Ensino Fundamental. Já tinha tempos que reclamava de dor de cabeça quando meus pais finalmente me levaram ao oftalmologista e realizaram esse meu, pasmem, SONHO de consumo! Dá pra acreditar na criança que sempre quis uma coisa dessas? Pois é, eu mesma, e tinha os cabelos curtinhos, ainda por cima, fiquei me sentindo a própria Velma, do Scooby Doo, hahahahaha! Aí o tempo passou e na adolescência adquiri verdadeiro pavor, usava modelos daqueles bem pouco notáveis e chorava de tristeza a cada novo exame em que meu grau subia, esperando pelo dia em que faria cirurgia…

Como crescer faz bem, né? À medida que me tornei adulta o desejo de operar se perdeu completamente, já aceitei, preciso de óculos pra enxergar, tá tudo bem. Até pensei em usar lentes, mas não me adaptei e o jeito em ocasiões formais é, confesso, ficar ceguetinha mesmo até a festa acabar (sempre falo isso nos posts de look), no geral não só não me incomoda como aprendi a gostar. Depois de mais de duas décadas estou caminhando rumo minha 9ª armação, porque a atual com a qual passei os últimos 4 anos já tá beeem desgastada… Quando comprei era vermelhona, oxidou tanto que hoje é vinho, bem escura. E haja queda, eu dormindo com ela na cara, gata jogando pra fora da mesa de cabeceira quando quer me chamar atenção… É, já deu, hora de procurar uma nova!

Meu rosto é bem redondo, então busco modelos que puxam pro retangular pra tentar equilibrar o cenário. Passei um tempão querendo ser discreta, com lentes pequenas e aros finos, quase que não dá pra ver, mas a idade vai chegando, conforto e durabilidade falam mais alto, né? Agora procuro aros grossos, pra não quebrar fácil, e com lentes maiores, pra cobrir ao máximo minha visão periférica. Fiz uma seleção de favoritos na Mil Ótica e provavelmente é o que levarei de referência quando tomar vergonha na cara e ir em busca das minhas aqui na “vida real” também!

Wishlist 3x3: armações de óculos!

Imagens via Instagram

1. Rosinha e aro de tartaruga, grandões; 2. Preto e rosa, degradê; 3. Rosinha e transparentinho, bem chiques; 4. Pretinhos básicos, necessários, 5. Pretão, um pouco menos básico; 6. “Cristalizados”, será? 7. Muitas cores retangulares, pra variar; 8. Com detalhes, pra dar um charme; 9. Dourado, bem chique!

Minha vibe atual tá oscilando MUITO entre uma preta, bem básica mesmo, pra quebrar o colorido desses últimos tempos, aro tartaruga que nunca tive e sempre quis (apesar de achar mais bonito em óculos de Sol, que também tô precisada) e um ROSA! Minha primeira armação logicamente foi dessa cor, minha favorita desde sempre, mas desde então nunca mais tive uma… Apesar de no geral preferir rosão, bem “Barbie”, só usaria tons assim se fosse junto com o preto pra dar uma quebrada, tô bem mais inclinada pro “rosinha”. Inclusive queria ambos os modelos da primeira foto na minha vida, agora, são lindos!

Também gosto do estilo gatinho, puxadinho, mas sinto que eu ia enjoar logo… Teria que ser numa dessas situações onde a pessoa tem várias opções, sabe? Infelizmente nunca tive muita grana pra isso, mas esse dia há de chegar, aí sim não será precisa indecisão e seleção acirrada… Vocês que usam óculos, preferem algum modelo específico? Usariam algum dessa minha listinha? Vamos trocar figurinhas oftalmológicas!

Psiu! Prest’enção! Esse post é uma publicidade das Mil Ótica Santo André. Você pode conhecer os serviços das óticas pessoalmente, na unidade física da loja (Rua Senador Fláquer, 15, Centro, Santo André/SP) e em redes sociais como Facebook e Instagram.

5 dicas que me ajudaram a fazer contorno facial sozinha!

Em 03.03.2020   Arquivado em Beleza, Publicidade

Ok, vou confessar: eu torci o nariz pro contorno facial por muito tempo. Na minha cabeça era uma técnica que alterava o formato do meu rosto e deixava a maquiagem mais pesada, duas coisas com as quais eu não queria viver, obrigada. Ainda assim, não importa o quão leve fosse minha base, eu sentia que ficava alguma coisa estranha no ar sempre que me maquiava. Era como se ficasse chapada, sabe? Uma coisa que absolutamente amo, que é brincar de “me pintar”, nunca era satisfatória. E foi aí que uma luz se acendeu na minha mente: se eu perdia minha feição ao uniformizar toda a cobertura do rosto, a ideia de sombrear e iluminar não ia mudar minhas linhas, e sim devolvê-las pra mim! O contorno, no fim das contas, pode ajudar a deixar a maquiagem mais natural!

Tá, EU SEI que muita gente, de fato, usa com o intuito de disfarçar imperfeições, ou até mesmo mudar o formato de uma coisinhas aqui e outra ali, na maioria dos casos focado num padrão de beleza bem eurocentrista. Mas, tirando esse último triste detalhe, maquiagem não é algo que vem pra melhorar nossa auto confiança? Se fizer bem, física e (principalmente) mentalmente, é válido também! Vindo pra te tornar diferente ou simplesmente “mais igual”, ele pode ser um grande aliado. E é como uma apaixonada pelo assunto, mas totalmente amadora que praticou muito, que vim contar pra vocês 5 coisas que estão sendo tudo pra mim nesse processo sem fim de aprender a fazer contorno facial ao me maquiar.

5 dicas para fazer contorno facial sozinha!

Imagem por iMakeBox

1. Descubra os pontos do seu rosto a serem destacados (ou não!)

Dentro os variados aspectos sem regra da maquiagem (que são basicamente todos, ou deveriam ser), o contorno é o principal deles porque é MUITO pessoal! Cada rosto é único, assim como gostos, e seguir a norma de alguém que não tem o mesmo formato de o seu pode acabar em resultados catastróficos. Não é porque sua blogueira favorita faz de um jeito que você precisa fazer também! Suas curvinhas é que vão pedir luz ou sombra, não as dela. Por isso conheça seu rosto, veja o que ele tem de mais legal, onde naturalmente aparenta ter um tom diferente quando diante de uma iluminação direta. É o que vai determinar onde contornar.

Dito isso, é claro que existem certos pontos básicos para ajudar a te guiar. Normalmente o tom escuro é aplicado abaixo da linha da bochecha, topo da testa, laterais do nariz e parte inferior do maxilar; e o claro no centro da testa e nariz, queixo e abaixo dos olhos. Aos poucos e com muito cuidado você descobre o que realmente te interessa maquiar ou não.

2. Encontre produtos e texturas com os quais tem mais afinidade

Na hora de escolher os produtos com os quais trabalhar vários fatores devem ser levados em conta. O primeiro e principal, claro, é o tom e o subtom da sua pele, mas leve em consideração também a textura com a qual tem mais facilidade e que casa melhor com os outros materiais que vai usar. Pra contorno então as opções são gigantes: líquido, em pó, stick, mousse, cuchion, a variedade não para de crescer. Escolha o que se adéqua à sua textura, contexto e preferência. Tem muita gente que gosta de, inclusive, misturar para ter resultados mais profissionais, o que é mega válido! Só não esquece que o pó vem por último, ou você corre o risco de estragar todo o trabalho.

Para clarear acho mais fácil porque é possível fazer até com corretivo um tom mais claro, mas demorei bastante pra amar um pras regiões de sombra. Principalmente porque sou muito branca e tenho a pele levemente amarelada… Selecionei os meus favoritos pra quem tiver procurando algo parecido, em texturas diferentes – apesar de me dar bem melhor com o pó e quase nunca variar nisso.

5 dicas para fazer contorno facial sozinha!

Hoola da Benefit, R$97,00 (mini) | Taupe Chic da Linha Bruna Tavares, R$ 40,00 | Duo Pele Clara, da Quem Disse, Berenice?, R$80,00 | Stick 03 da Vult, R$21,90 | Valores aproximados pesquisados em 03/03/20.

3. Comece a praticar em áreas menos arriscadas

Vou confessar aqui e agora, então: muito antes de fazer contorno do rosto, na época que eu ainda virava o nariz pra prática, eu já fazia no peito. Era colocar um decote que pronto, já vinha com uma sombra marrom em volta deles pra dar aquela impressão de maior volume. Depois, quando descobri o iluminador, comecei a usá-lo pra nesse processo também até enfim substituir a sombra por um produto específico pra isso de verdade. Mais tarde aprendi a disfarçar meu odiado “papinho” (ainda tô aprimorando) até realmente sair esfumando o rosto inteiro e gostando do resultado… Se bateu aquele medo de sair com o rosto todo manchado pela rua, que tal começar por partes mais tranquilas assim? Você descobre o que funciona ou não pro seu gosto e habilidade pessoal e de quebra vai aprimorando a técnica devagar. E dica pessoal: deixe o nariz por último! Nele é, geralmente, onde a gente mais precisa tomar cuidado…

4. Use um pincel próprio para contorno

Um bom pincel faz HORRORES de diferença em uma maquiagem, não tem jeito! E, oh, foi-se o tempo em que a gente tinha que desembolsar rios de dinheiro para ter acesso a eles, e ainda bem. Hoje em dia é fácil encontrar pincel para contorno e iluminador profissionais por preços acessíveis em lojas nacionais como a Maquiadoro. Uma coisa legal do site é que ele sinaliza produtos que não são testados em animais, pra quem é adepto ao consumo livre de crueldade! Depois de muitos testar eu descobri que gosto de chanfrado grandão pro contorno,esponja molhada pro corretivo e um menorzinho bem cheio pro iluminador mas, assim como tudo que diz respeito ao assunto, isso é super pessoal.

5. Capricha nesse esfumado!

A preparação de pele é a parte da maquiagem que deve fazer diferença, mas nunca ser notada! Assim como a evitar base de tom diferente ou muito marcada na pele, a naturalidade do contorno é primordial para que não deixe tão claro que algo foi feito ali. Uns preferem discreto, outro beeem marcado, mas o truque em qualquer caso é CAPRICHAR no esfumado! Acha que não tá suficiente? Continua mais um pouco. Com paciência e dedicação uma hora fica do jeitinho que você queria, dando o ar de “ela tá diferente, ela tá mais bonita, mas não sei o que é”, sabe? Pra finalizar e “unir” os locais de transição, aposte no seu blush preferido nas maçãs, nariz, queixo e onde mais quiser. Nesse aí então as regras estão cada vez mais caindo por terra, né? Cada uma usa a cor que quer, do jeito que quer e fica mais linda ao seu modo, que é o melhor jeito de se embelezar!

Psiu! Prest’enção! Esse post é uma publicidade dos produtos da Maquiadoro. Você pode conhecer esses e outros produtos de beleza na loja virtuale demais redes sociais como Facebook, Instagram, Twitter, Youtube e Pinterest.

Por Lugares Incríveis

Em 28.02.2020   Arquivado em Filmes

Por Lugares Incríveis (All The Bright Places) *****
Por Lugares Incríveis Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandra Shipp, Felix Mallard, Keegan-Michael Key, Luke Wilson, Virginia Gardner, Alex Haydon, Kelli O’Hara, Lamar Johnson, Nicole Forester DemiP, Sara Katrenich, Sofia Hasmik
Direção: Brett Haley
Gênero: Romance, Drama
Duração: 108 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Quando Theodore Finch conhece Violet Markey em circunstâncias nada usuais, uma amizade única surge entre os dois. Cada um com seus próprios traumas e sofrimentos, eles se juntam para fazer um trabalho de geografia e acabam descobrindo muito mais do que os lugares incríveis no estado onde moram: a vontade de salvar um ao outro e continuar vivendo.” Fonte: Filmow.

Comentários: Violet Markey se sente à beira de um abismo. No aniversário de 19 anos de sua irmã, o primeiro depois do acidente que resultou na sua morte, ela se vê parada mesma ponte onde a tragédia aconteceu. Se teria pulado ou não, ela não teria como saber, porque foi interrompida por Theodore “Aberração” Finch, um colega de escola do qual seus amigos fazem questão de manter distância. Claramente interessado no que pode tê-la levado a esse ponto extremo, o garoto se oferece como parceiro num trabalho de geografia onde eles precisam andar pelo estado de Indiana e descobrir maravilhas escondidas por lá. Ela exita, mas acaba tendo que ceder, e desse projeto acaba nascendo uma amizade (e, mais tarde, romance) completamente inusitada. Finch então tenta mostrar a Violet que ela precisa voltar pro mundo, enquanto ele próprio lida com as próprias crises.

Adaptado do livro de mesmo nome de Jennifer Niven, publicado no Brasil pela Editora Seguinte, e roteirizado pela própria autora e Liz Hannah, Por Lugares Incríveis é uma produção Netflix que chegou ao serviço de streaming essa sexta feira, dia 28. Um alerta sobre transtornos mentais sustentado por um romance adolescente de pano de fundo, ele irresponsavelmente não contém aviso de gatilho, mas devia. A classificação indicativa se refere, exclusivamente, ao peso da narrativa, que consegue ser bonita sem apelar para a romantização dessas doenças. Apesar de rápido, um daqueles filmes onde muita coisa acontece em pouco tempo de tela, o expectador consegue ver o crescimento da relação entre as personagens, traços da sua personalidade e, claro, receber o impacto de vários momentos de drama, intensificados com uma trilha sonora que casa perfeitamente com cada uma das cenas.

Por Lugares Incríveis

Imagem via Daily Motion

O casal protagonista é, talvez e mais ainda do que o roteiro, o melhor de todos os aspectos. Elle Fanning passa os sentimentos de “Ultravioleta” de forma tão melancólica, tão triste e perdida, que você consegue perceber que aquela garota de rostinho tão delicado está, no momento, carregando mais peso do que consegue suportar após sua perda. É uma vontade quase pessoal vê-la superando a ausência de Eleonor, sua irmã, para voltar a ter o brilho que em algum momento esteve ali. Justice Smith, protagonista da série The Get Down também lançada pela plataforma, mais uma vez mostrou ao que veio ao transmitir a “montanha russa” de sentimentos de Finch o interpretando, hora sorridente e brincalhão e logo em seguida quase fora de si, como se fosse duas pessoas diferentes. O elenco de apoio é também formado de vários artistas maravilhosos, que junto com o visual rústico e intimista de Indiana conseguem captar o expectador para emocionar.

Leia também: Por Lugares Incríveis, resenha do romance no qual esse filme é adaptado.

É claro que, como grande fã do livro,não posso deixar de destacar minha satisfação em relação ao longa também como uma adaptação. As mudanças e cortes, sempre necessários para se adequar à mídia, foram bem pensados de forma que o foco é ver a mensagem da história sendo passada, mais do que agradar preciosistas. Mesclando alguns personagens, deixando outros de lado para destacar os que foram colocados, reorganizando a ordem das andanças pra que as mais significativas tivessem importância. E se o livro te dá vontade de conhecer tudo na vida real, nossa, o apelo visual contribui horrores pra isso. Fiquei até me imaginando nos lugares, agora que sei exatamente como são. Acho que deve ser interessante pra quem ler depois de assistir, porque as diferenças vão se destacar de maneira surpreendente, enquanto pra quem faz o contrário, como eu, esses elementos trazem sensação enorme de carinho. As principais frases de efeito também estão lá, e ainda bem porque a Jennifer escreve lindamente!

Porém, senti falta de ver aprofundamento ao expor o quadro mental do Finch, já que a bipolaridade e tendência suicida não ficam claras e deu a impressão de que ele tem “só” depressão e usa humor para combatê-lo, reforçada pelos problemas familiares. É um olhar com maior possibilidade de identificação por parte de quem assiste, então funcionou, mas uma perda ainda assim no que diz respeito à discussão levanta. Existe também um projeto pessoal da Violet, não relacionado diretamente ao relacionamento deles, que seria interessante ver mencionado, mas talvez eu me importe mais com isso porque é o ponto principal em que temos em comum, não afeta o enredo. Fora isso, pessoalmente, achei bastante satisfatório! Ao final, antes dos créditos, consta o link de um site com contato para canais de ajuda em todo o mundo, inclusive o Brasil, pra reforçar a ideia principal que realmente importa: existem lugares incríveis. Você não está sozinho. Tente buscar ajuda!

Trailer:

Hoje não é esse dia…

Em 18.02.2020   Arquivado em Escrevendo

Vai chegar o dia em que toda essa historia vai ser só uma lembrança gostosa, que é exatamente o que merece ser. Vai chegar a hora em que não vou temer quais serão as notícias que sempre quero receber de você. Que eu vou conseguir ler seu nome, onde quer que seja, e não sentir essa falta louca de quem, mesmo tentando esquecer, lembra, sente, deseja.

Eu acho, sim, que em algum dia vou me deitar sem pensar em você. Sem repassar pela minha cabeça sempre a mil por hora, repetidamente, como é fazer isso ao seu lado, com entrelaço e abraço, sentindo de perto seu cheiro. Acho que vou acabar esquecendo o som exato da sua risada, o movimento de todo o seu rosto quando ela é dada, e até todos os outros involuntários que saem daí nas mais variadas ocasiões. Ou vou lembrar disso tudo, mas de forma natural e fluida, nem alento, nem tormento, só um mero – porém delicioso – acontecimento.

“Delicioso” porque é assim que te defino em todos os aspectos. Corpo e mente, tudo aquilo que você cozinha, que diz, que você sente. Acho delicioso seu jeito de se aproximar nessa seriedade sorridente, que sabe exatamente o que dizer sem precisar forçar um “Jogo do Contente”, a cabeça encostada silenciosa pedindo carinho, como se fosse um cachorrinho carente, mas que sei que não chega perto, nem pertinho disso. Talvez seja mesmo leão, que ataca quando precisa e ronrona quando quer, convicto do que acredita e que, coincidentemente ou não, é o que acredito também, e a gente compartilha isso enquanto puder…

É, acho que um dia vou parar de experienciar, inclusive, saudades desse conjunto todo, ir perdendo amorzinho especial por cada pedacinho individual do seu ser até aprender a gozar do saber existência da sua companhia à distância, tá tudo ok, é isso mesmo que a gente pode ter. Porque é melhor mesmo existir do que imaginar, então se Valeu a Pena (ê-ê!)¹ que assim seja, que o sentimento adormeça e se torne a linda história que pude habitar pra nunca precisar escrever. Será o dia em que vou enfim parar de me questionar, mesmo sabendo que o primeiro deles é o melhor cenário, o que seria melhor: aprender a gostar desse seu jeito leve, alegre e equilibrado como gosta de mim, ou te ver sentir toda essa loucura intensa que eu sinto por você.

Mas hoje não é esse dia…

Hoje não é esse dia...

¹ O Rappa. Pescador de Ilusões. Rappa Mundi. Rio de Janeiro: Estúdio Nas Nuvens, 1996. Faixa 6.

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Em 15.02.2020   Arquivado em Leitura

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher (The Princess Diarist) *****
Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher Autora: Carrie Fisher
Gênero: Autobiografia
Ano: 2016
Número de páginas: 224p.
Editora: Best Seller
ISBN: 978.854.650.018-5
Sinopse: Um relato íntimo e revelador de Carrie Fisher, a Princesa Leia de Star Wars. Carrie Fisher era uma jovem atriz iniciante quando foi chamada por George Lucas para interpretar o papel que mudaria sua vida: a Princesa Leia, de Star Wars. Inexperiente, Carrie se viu imersa em um ambiente pouco acolhedor, e buscou refúgio em diários que mantinha ao longo das gravações dos filmes. Em “Memórias da princesa: Os diários de Carrie Fisher”, a atriz conta seus melhores e piores momentos ao longo das filmagens de Star Wars e a relação que mantinha com os colegas de trabalho, além de trazer detalhes inéditos sobre sua vida pessoal e sobre como o filme mudou completamente seu modo de viver.” (fonte)

Comentários: Se você nunca ouviu falar dela com certeza, e pelo menos, já ouviu falar de sua personagem. A relação de Carrie Fisher com a icônica Princesa Leia Organa é de muito carinho, apesar dos mais diversos pesares, o que é realmente uma coisa boa uma vez que a partir do momento que foi escalada para o papel uma não existia mais sem a outra. Em “Memórias da Princesa” ela conta sua visão muito pessoal sobre como se tornou Leia e o que veio logo depois, expondo acontecimentos da época da gravação de Star Wars (hoje considerado o Episódio IV – Uma Nova Esperança) através de lembranças resgatadas 40 anos depois de tudo após encontrar os diários que mantinha à época, e essa exposição inclui a transcrição de algumas páginas do próprio, que não a deixam mentir, ainda que ela não tivesse essa intenção./p>

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Carrie não era só atriz e nem só filha de artistas. Era também escritora, e isso é claro na maneira tão bem planejada com a qual escreve esse livro: ela sabe lidar com as palavras! Às vezes tão real que parece estar logo na nossa frente, outras com poéticas metafóricas que te fazem desejar ser sua a autoria da fase lida e relida até ficar tatuada no cérebro para todo o sempre. É gostoso, mas também melancólico, assistir a maneira carinhosa com a qual ela trata seu eu se 19 anos, inocente e insegura, e como tenta fazer o mesmo com a versão contemporânea, que aos seus olhos perdeu tanto se comparado à menina que foi um dia. Dá raiva, não dela é claro, mas da sociedade que faz com que a mulher odeie tanto o ato de envelhecer a ponto de achar que isso a fez perder parte do seu valor.

Em meio a esse antes, durante e depois, lá está ele: o diário em si. Poesias de uma moça abrindo os próprios sentimentos caminham nele lado a lado com a narrativa direta que os nega o tempo todo. É MUITO FÁCIL se identificar com ela, não só quando centra sua vida num romance que ela mesma nem considera assim (já-já falarei disso), mas principalmente no medo de não ser suficiente como pessoa, na crítica ao machismo talvez sem reparar que era isso que estava fazendo, nos pequenos desesperos de alguém muito privilegiada, mas que tinha seus diversos problemas com os quais lidar ainda assim. Uma menina virando mulher, exposta por causa dos pais a vida inteira, renovando um cenário de exposição, naquele momento em sua micro esfera, mas em breve para o mundo todo.

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

A maioria das pessoas, ou pelo menos as pessoas com as quais tive a chance de conversar sobre, resumem o livro ao assunto principal abordado nele: o caso que ela manteve com Harrison Ford, que depois se tornou ser par romântico na série, à época casado com sua primeira esposa, nos três meses finais daquelas gravações. A Carrie dos diários se culpa bastante, e tem uma visão de negação e desespero muito forte de quem está vivendo o momento ainda como adolescente, e é muito bom balancear suas angústias apaixonadas com a visão de uma adulta, já idosa na verdade, que olha os acontecidos com distância e maturidade. Fui alertada de que NUNCA MAIS ia conseguir OLHAR pra ele mas, apesar de questionar fortemente muitas de suas atitudes, não o considero um vilão. Mais errado do que eles poderiam julgar quarenta anos atrás, é claro, principalmente no início. O durante em si foi entre os dois, e só eles sabem o quanto fez bem ou mal. Ainda assim, pensando em o quão jovem ela era, dá vontade às vezes que pega-la no colo e fazer carinho, dizendo que tudo ia ficar bem e que ela não precisava se esconder… Dele, dos outros homens que a rodeavam e, acima de todos, dela mesma.

“Tenho certeza, no entanto, de que, se eu tivesse princípios, o que estou fazendo agora violaria quase todos eles”
Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Página 107

A sinceridade ácida da autora não esconde riquezas, regalias, facilidades que teve em toda sua vida. Ela não se coloca no papel da “pobre garota rica”, admite isso tudo sem enganar quem está lendo sua própria história. Mas nunca, desde a primeira página, pinta a fama como algo perfeito, a experiência mais incrível que uma pessoa pode ter na sua existência. Porque não é. De fotos odiosas que invadem privacidades a diálogos fofos que, em certos momentos, tendem a se tornar incômodos, ela ama e odeia saber que as pessoas sempre fariam filas para vê-la, não importa o quão exausta estivesse de se submeter a tudo novamente. Em dado momento compara a participação em eventos de fãs, como a Comic Con, com uma “dança erótica”, mas ao invés de colocarem dinheiro em sua calcinha os fãs o trocava por provas de que, por um minuto que fosse, estiveram ao seu lado. Isso lisonjeia, claro, mas também assusta, e só estando na pele de quem vive para saber o quanto.

No centro do livro existem páginas de fotos, em papel específico e a cores, da época da produção do primeiro filme (muitas delas ao lado de Harrison), do merchandising da personagem à época e até uma mais recente, dela ao lado do seu eu de cera no Madame Tussauds. Vê-la vestida de figurinos tão clássicos (principalmente pra mim, que sou fã do universo da galáxia muito, muito distante) e associa-la às palavras escritas enquanto as fotos eram tiradas é uma experiência muito louca, transformadora, fazendo com que o mito intocável da tela pareça de fato um ser humano. “Só Carrie Fisher”, como ela mesma diz nas palavras da página final.

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Duas das páginas de fotos centrais, todas coloridas

Carrie faleceu no dia 27 de dezembro de 2016, aos 60 anos, no intervalo de gravações entre os episódios VIII e IX de Star Wars. Sua mãe, Debbie Reynolds, morreu no dia seguinte, aos 84, mas o legado das duas foi deixado em diversos tipos de arte. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Fevereiro no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é uma não-ficção. Leia também a resenha do livro de Janeiro (HQ), Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos!

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