Categoria "Leitura"

Fake

Em 12.02.2016   Arquivado em Leitura

Fake

Fake *****
Autor: Felipe Barenco
Gênero: Jovem adulto
Ano: 2014
Número de páginas: 264p.
Editora: UMÔ
Sinopse: “‘Fake’ é um YA nacional com temática gay. Conta a história de Téo, que está prestes a completar vinte anos e acabou de passar para o curso de Direito. Não bastasse a euforia em começar a faculdade, ele se apaixona por Davi, um garoto que chegou ao Rio de Janeiro para ser ator.” (fonte)

Comentários: Durante a leitura desse livro eu estabeleci uma forte relação de amor e ódio com o autor em que muitas vezes o amor foi mais forte, mas em algumas outras, confesso, o ódio venceu. Ainda assim gostei MUITO e fiquei feliz que minha primeira leitura do ano tenha sido tão positiva.
Fake conta a história de Téo, um rapaz carioca que enfrenta vários dos dilemas que um jovem adulto se vê enfrentando normalmente: a nova vida universitária, os problemas familiares, questões financeiras, a vontade de estar em um relacionamento e seu maior questionamento de todos: quando, como e SE contar à família sobre o fato de ele ser gay.
E é nesse turbilhão de pensamentos e sentimentos que ele conhece Davi, que acabou de chegar ao Rio para tentar carreira de ator. Ele se encanta imediatamente e os dois começam o que parece se um super romance, marcado por beijos no banheiro do shopping e uma vontade incontrolável de correr atrás!

Acho que preciso começar a falar dos pontos positivos, porque encontrei vários. Vamos começar com o fato de que estou numa vibe muito forte de ler dramas e romances atuais, desses que eu posso até achar que está acontecendo ao mesmo tempo em que estou lendo, então quanto mais real for a história e as personagens melhor, e é o caso. Ultimamente não estou com paciência para “histórias dos sonhos” onde tudo magicamente dá certo sem que o protagonista nem ao menos tente: eu gosto do final feliz, mas quero que ele seja possível de se acreditar, que seja pé no chão, que possa ser comigo ou com um amigo meu, quem sabe! E isso o livro tem de sobra, é coerente quando se trata de datas, locais e experiências, coisa que já vi faltando em alguns autores nacionais e são mais detectáveis nesse caso porque é uma realidade próxima da nossa, fácil de checar se é real ou fantasiosa. Além disso a maneira como o autor escreve é ÓTIMA, ele é poético mesmo com um linguajar direto e informal, usa até emoticons que deixam algumas cenas ainda mais engraçadas, sem contar algumas citações que dá pra levar pra vida!
Outra coisa muito positiva é que você se apega facilmente às personagens certas e já antipatiza com as erradas mesmo que o protagonista, que está narrando a história, não faça o mesmo, porque ele mesmo admite quando está errado e até que persiste em seus erros. Sabe quando a gente sabe que está fazendo “papel de trouxa” e comenta com os amigos, mas continua nessa mesmo assim? Isso acontece várias vezes no livro, mas ele é um ser humano como qualquer um e não sabe ser unicamente racional ou emocional em todos os momentos, é um balanço dos dois, sempre. Dá muita vontade de ser amiga dele, de verdade… Mas minha personagem favorita na história foi a avó do Téo, ela é a coisa mais fofa e dá muita vontade de abraçar, além de causar as principais lágrimas da história!
Existe um outro fator que é umas das temáticas principais do livro, está presente o tempo todo e que eu NÃO POSSO FALAR QUAL porque é revelar muito sobre o enredo, mas que acho importante que existam livros atuais abordando. Quem leu obviamente sabe do que estou falar e quem quiser saber pode procurar o livro porque está praticamente em todas as páginas dele.

O que achei de negativo foram alguns discursos durante a história e que fazem parte desse “realismo” todo, porque já vi os mesmo argumentos sendo usados por alguns amigos e conhecidos, e me incomoda que sejam perpetuados assim. Acho que um livro como esse, que aborda a temática de um jovem gay tentando superar os desafios que a sociedade põe na sua sexualidade, não devia perpetuar outros preconceitos semelhantes. Sei que todo mundo tem preconceitos, eu também tenho, e sei também que aquele pode ser o pensamento da personagem e não do autor propriamente dito (apesar de que não é o que ficou parecendo), mas argumentos como “não existe bissexual” e alguns discursos machistas do tipo “eu era a menininha da relação” me incomodaram MUITO. Sério, não posso fingir que não me irritou, foi tanto que até mandei mensagens indignadas para os amigos que sabiam que eu estava lendo o livro.

A capa é LINDA e absolutamente significativa, é só uma das coisas que te fazem chegar ao final do livro com a certeza de que aquilo é um relato real! No geral gostei bastante, li todo em uma tarde só por ser super rápido e também porque estava doida para saber o final, muito bacana ver um livro brasileiro de temática jovem alcançando um público tão grande e melhor, saber que existe uma interação bacana entre o autor e os leitores. Para saber mais sobre ele ou entrar em contato é só entrar no site: http://livrofake.com.br/

Fake

Auggie & Eu

Em 18.01.2016   Arquivado em Leitura

Auggie & Eu – Três histórias Extraordinárias (Auggie & Me) *****
Autor: R. J. Palacio
Gênero: Infantojuvenil
Ano: 2015
Número de páginas: 326p.
Editora: Intrínseca
Sinopse: “A história de Auggie Pullman, o menino de aparência incomum que tem encantado milhares de leitores desde o lançamento do romance Extraordinário, em 2013, ganha agora novas perspectivas: Julian, Christopher e Charlotte, personagens da vida de Auggie, narram nos três contos reunidos no livro Auggie e eu seus encontros e desencontros com o amigo extraordinário.” (fonte)

Auggie & Eu

Comentários: Como contei no meu Top 5 de melhores livros de 2015, “Auggie & Eu” foi o último que li no ano, mas também o que mais gostei. Não tinha como ser diferente uma vez que “Extraordinário” é um dos meus livros favoritos (eu diria que é o número 01 se não fosse pela série “Harry Potter”) e eu estava morrendo de saudades dos personagens, apesar de concordar com a autora que não sabe fazer uma continuação para ele porque NÃO, não é isso que temos aqui, e sim três histórias paralelas que faltaram no livro onde August é apenas um coadjuvante. O objetivo, porém, é o mesmo: mostrar como ele afeta as pessoas ao seu redor, mesmo que indiretamente.

“O Capítulo do Julian” mostra o ponto de vista geral de quem as pessoas mais sentiam falta no livro original: o garoto que lidera as práticas de bullying contra o Auggie. Eu tinha muito, muito, muito medo de o Julian ser vitimizado nessa história porque eu acho que nada nessa vida justifica maltratar um colega de escola, ou incentivar esse mal trato, mas não é isso que acontece, felizmente. A história explica o medo de Julian em relação ao colega (com o qual me identifiquei um pouco, apesar de que eu jamais agiria como ele na vida), a influência da família diante dessa situação, os pensamentos não muito legais de um menino não muito legal e, por fim, uma história tristíssima contada pela avó que ensina o quanto seu comportamento foi errado. Gostei de como mostra que, apesar de ele não estar certo em suas atitudes, pode aprender a “escolher ser gentil”, que é o lema da história.

“Plutão” era o que eu mais queria ler porque senti falta de ver pelo menos um pouquinho do Christopher, melhor e mais antigo amigo do Auggie, em “Extraordinário”, já que ele nem aparece. Assim como o amigo, Chris está passando pela vida esquisita na pré-adolescência e tem que fazer suas escolhas em relação à família, já que ele e a mãe vivem discutindo, e os colegas de escola, onde ele tenta se encaixar da melhor maneira que pode diariamente (e quem não tenta?). É engraçado porque as atitudes e pensamentos dele são exatamente o que se espera em relação a tudo! A gente vê as dificuldades que ele teve por ser amigo de uma criança “deformada”, as consequências disso nas suas atuais amizades, a maneira como ele lida com a separação dos pais, e consegue entender, porque é exatamente isso que se passa na cabeça de uma criança aos 10, 11 anos de idade. Palacio é brilhante nesse aspecto, gente, é impressionante. Outra coisa legal é ver pequenos flashs da infância deles, com a presença da Via, que é minha personagem favorita, então fiquei super feliz.

“Shingaling” é a história da Charlotte, uma garota da sala do Auggie que, apesar de não ter se tornado amiga dele, sempre o tratou da melhor maneira possível, independente da aparência. E foi minha favorita do livro, porque além de ser uma personagem realmente boazinha e com uma história bonita, me identifiquei MUITO com ela, era só ler sobre as coisas pelas quais ela passava que eu lembrava como era estar na quinta série e ser forçada a crescer para manter as amizades, mas com aquela necessidade de ser aceita do jeito que você é. Acho que fica ainda mais natural por ela ser menina, como a autora, aí as experiências ficam mais realistas. Outra coisa legal é conhecer mais sobre a personalidade das meninas que são apenas citadas no primeiro livro e rever MUITO a Summer, que é indiscutivelmente a melhor personagem e o tipo de pessoa que qualquer um quer e devia ser.

Para quem leu “Extraordinário” está super recomendado. Para quem não leu já recomendo os dois de uma vez, é daqueles que mudam alguns pontos de vista da vida da gente (sério)!

Auggie & Eu

Top 5: Os melhores livros de 2015

Em 02.01.2016   Arquivado em Leitura, Vídeos

Hello, hello, pessoal, feliz ano novo! Para já começar no embalo vamos direto para o nosso primeiro vídeo do ano mostrando os meus 5 livros favoritos de 2015! Confesso que esse ano li bem menos do que gostaria e muitos deles não atenderam bem minhas expectativa de “boa leitura”, mas consegui separar essas indicações que têm um ponto crucial em comum: são todos livros pra chorar, que eu adoro!
Ali em baixo vou deixar os nomes e autores de todos direitinho, assim como o link dos que já fiz algum post sobre. Em breve farei sobre os que não fiz ainda, ‘guenta mão aí que tá nos planos, aí atualizo aqui!
Dessa vez a imagem ficou melhor mas o ÁUDIO tá bem ruim, acho que foi porque isolei demais o som e deu eco, já sei o que preciso mudar na próxima.
(Na verdade preciso mudar mesmo é minha câmera, né, mas a gente tem que resolver o que é possível primeiro, depois o que é necessário.)


Se inscrevam lá no canal para já começar o ano de olho em tudo!

Livros indicados:
01 – Auggie & Eu – R.J. Palacio (resenha aqui!)
02 – Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven (resenha aqui!)
03 – A Arte de Ser Normal – Lisa Williamson (resenha aqui!)
04 – O Segredo de Brokeback Mountain – Annie Proulx (resenha aqui!)
05 – Love Is The Cure – Elton John (resenha da versão em português aqui!)
Menção honrosa: A Pirâmide Vermelha – Rick Riordan

No meu planejamento (que pretendo seguir direitinho) esse é só o primeiro de quatro vídeo para esse mês aqui no blog. Tenho também um de um novo projeto que vou começar agora e dois da viagem do Potter Club que vai acontecer no meio do mês, então vocês vão me ver falando um bocado ainda nesse começo de ano!

top5livros2015

O Segredo de Brokeback Mountain

Em 19.08.2015   Arquivado em Leitura

Brokeback Mountain O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain) *****
Autor: Annie Proulx
Gênero: Romance, Drama
Ano: 2007
Número de páginas: 72p.
Editora: Intrínseca
Sinopse: “Annie Proulx escreveu um dos contos mais originais e inteligentes da literatura contemporânea, e, para muitos leitores e críticos, O Segredo de Brokeback Mountain é sua obra-prima. Ennis del Mar e Jack Twist, dois peões de fazenda, se encontram num verão quando estão trabalhando como ovelheiro e coordenador num pasto acima da alameda. A princípio, dividindo uma barraca isolada, a atração é natural, inevitável, mas algo mais profundo os arrebata naquele verão. Ambos dão duro, se casam e têm filhos, porque é isso que os vaqueiros fazem. Mas, ao longo de muitos anos e de frequentes separações, essa relação se torna a coisa mais importante de suas vidas, e eles fazem tudo que podem para preservá-la. Numa linguagem deslumbrante que nos fica na cabeça, Proulx conta a difícil e perigosa relação entre dois vaqueiros, que sobrevive a tudo, menos à intolerância violenta do mundo. “ (fonte)
Comentários: Acho que todas as pessoas existentes no planeta já ouviram falar de “Brokeback Mountain” por causa do filme, que conta com Heath Ledger (brilhante, como sempre) no papel de Ennis e Jake Gyllenhaal no papel de Jack. Eu, porém, não sabia nada sobre ele quando comprei o livro na Bienal do Rio de Janeiro em 2011, mas era aquela parte do estande da Editora Intrínseca que tem livros por preços ABUSIVOS DE BARATOS e era legal, com capa dura e tudo mais por meros QUATRO REAIS, então trouxe pra casa e fiquei com ele guardado até que, logo depois, assisti ao filme e achei ma-ra-vi-lho-so, mas quando fui ler o conto ele já tinha se perdido na minha bagunça e fui adiando. Agora com a mudança achei o bendito no alto do guarda-roupas e decidi ver se era tão bom quanto o que eu tinha assistido.
Obviamente dei 5 estrelas, a história é maravilhosa. Infelizmente a tradução é bem mais ou menos, mas dá pra superar isso porque é super curtinho, com letras e espaçamento grande, é desses que dá pra ler todo de uma vez só. Apesar de que, tenho que confessar, acho que prefiro o filme porque mostra vários pontos de vista e situações que o livro não pode, já que ele gira em torno do ponto de vista do Ennis, mas mesmo as coisas que o personagem não sabe mas que o leitor precisa saber são citadas, então isso não atrapalha realmente.
Mas a história, de um modo geral, é a mesma. Ennis del Mar e Jack Twist são dois vaqueiros que são contratados para trabalhar juntos na montanha Brokeback e, antes que eles mesmos possam perceber o que está acontecendo, acabam se relacionando um com o outro nesse verão. A princípio o que eles têm parece ser meramente sexual, já que eles negam terminantemente a homossexualidade, mas é só eles se separarem pela primeira vez que percebem que alguma coisa a mais acabou batendo ali e que o nasceu entre eles foi um sentimento de verdade. O tempo passa, os dois se casam e quando finalmente se reencontram não conseguem segurar o que existe entre eles, passando a ter um caso na surdina, uma vez que seria impossível assumir isso para as pessoas na época em que a história se passa, entre as décadas de 1960 e 80.
Acho INCRÍVEL a gente ler um livro desses hoje em dia onde as pessoas acham que “não existe homofobia mais”, mas que é óbvio que existe e está aí para destruir com a vida de pessoas diariamente, em vários sentidos. O preconceito no livro está presente nos próprios personagens, que alegam “não sou bicha” como se estivessem falando da pior maldição do mundo, e naqueles que os cercam e são absolutamente incapazes de entender aquilo, fazendo com que o amor entre eles se torne impossível de ser realmente vivido até, enfim, separar os dois. Em diversos sentidos. Agora aqui estamos, 30 ou 50 anos depois, e pessoas ainda sofrem, apanham e morrem por causa disso, por causa da falta de empatia de alguns que simplesmente não consegue entender o que deveria ser a coisa mais fácil de se entender na vida: o amor. Existem incontáveis “Jacks e Ennis”, tanto homens quanto mulheres, que são privados se ser feliz por causa da cabecinha fechada de algumas pessoas. Me desculpem o termo, mas “modernidade” my ass!
Então, sei que perdi o fio da meada aqui nessa “resenha”, mas é que acho importante ressaltar esse aspecto. Se você aí ainda não consegue entender como pode existir o sentimento entre dois homens (ou duas mulheres) e que isso vem de dentro e não de fora (“Quem diria, não é mesmo, dois cowboys gays?”) recomendo muito que faça essa leitura super rapidinha com o coração e a mente abertos para tentar aceitar e respeitar. Porque difícil de aceitar mesmo é o fato de que tantas pessoas que eu gosto e muitas outras mais que nem conheço estão fadados a passar por um pouco (ou tudo) do que se passa nesse livro por causa de uma coisa tão bonita, como é o amor! Prometo que a simples visão de dois homens juntos não vai sacudir todas as suas células e te “transformar em um deles”, tá? Assim como o contrário não acontece…

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