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Tina: Respeito | Graphic MSP 24

Em 09.10.2019   Arquivado em Leitura

Tina: Respeito (Graphic MSP #24) *****
Tina: Respeito Autora/Ilustradora: Fefê Torquato
Gênero: História em Quadrinhos, Jovem Adulto
Ano: 2019
Número de páginas: 98p.
Editora: Panini
ISBN: 978.854.262.326-0
Sinopse: Jornalista recém-formada, Tina finalmente realiza o sonho de trabalhar em uma redação. Ela só não esperava que seu maior desafio fosse ser pessoal, e não profissional. Em ‘Respeito’, Fefê Torquato usa a clássica personagem de Mauricio de Sousa para expor um problema que mulheres enfrentam dia a dia, e precisa acabar: o assédio.” (fonte – capa e sinopse)

“Mas meu sonho sempre foi trabalhar no centro nervoso da informação, numa redação de verdade, não no meu sofá usando pijama…”

Comentários: A 24ª graphic novel lançada pelo selo Grapich MSP da Maurício de Sousa Produções, que faz releituras autorais sempre muito sensíveis das mais diversas personagens da Turma da Mônica, foi lançada oficialmente na última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, entre o fim de agosto e início de setembro desse ano, e já gerou burburinhos desde início por causa da sua temática principal: assédio no trabalho! Enquanto parte das pessoas considera esse tipo de problema “mimimi” ou acha que falar disso é prova de que “o mundo tá chato”, muito vêem a importância absurda de um assunto desses sendo retratado em uma mídia de visibilidade tão grande como essa, já que as história da Maurício de Sousa fazem parte da cultura brasileira há muitas décadas. Eu, logicamente, faço parte do segundo grupo e fiquei muito feliz em ver minha personagem favorita desse universo encarregada dessa missão.

Autora de uma newsletter com quase 100 mil assinantes e recém formada em Jornalismo, “Cristina Lima e Sousa”, mais conhecida como Tina, está começando seu primeiro emprego de verdade em uma redação no Jornal Mundo Hoje como repórter. Aos 22 anos, ela enfrenta os desafios de ser uma jovem adulta tendo que se manter sozinha após sair da casa dos pais, seja pra pagar as contas em dia ou superar os medos diários com os quais convivemos ao ser mulher. Ela tenta de todo modo se sair bem nessa nova oportunidade de trabalho e se enturmar com os colegas, tudo parece estar indo bem até que uma reunião privada a leva direto para as estatísticas de mulheres que sofrem assédio em ambiente de trabalho…

A leveza ímpar da aquarela contrastou brusca e lindamente com todos os temas pesados abordados nessa história roteirizada e ilustrada por Fefê Torquato. Assédio é só a base de uma pirâmide de tristes realidades onde a vida imita diariamente essa arte: machismo, racismo, homofobia, gordofobia, todos apresentados de forma tão natural quanto, infelizmente, acontecem na real. Como uma pessoa que cresceu lendo as revistinhas que originaram esse livro é bom demais ver esse mundo lidando com questões importantes, se atualizando de verdade, mesmo que lentamente, pro mundo contemporâneo. O famoso “tapa de luva de pelica” nos que dizem que tradições não podem ser mudadas, que algo é velho demais para se modernizar… Taí a prova de que sempre dá pra melhorar!

Detalhes: Páginas 24 e 25

“Cara, medo cê não perde nunca, só se acostuma com ele, fazer o quê? Ser mulher é querer estudar, trabalhar, pô, viver a vida! É ser obrigada a encarar esse medo.”

Tina como personagem está mais forte do que nunca, e ainda assim não destoa da boa e velha menina da nossa infância. Afinal ela SEMPRE foi uma garota de atitude, né? Se vestia da maneira que gostava, saía com os caras que a atraíam, mantinha uma amizade com nenhum interesse a mais com Rolo, que nessa apareceu já como professor, dando aulas para adolescentes e fazendo “bicos” de fotografia. Além dele temos a melhor amiga e “fiel escudeira” Pipa, agora dona de sua própria loja virtual de moda plus size! Sabe aquele fan service BEM FEITO, adequado, condizente, apaixonante? “Respeito” ganha nota máxima nisso também!

Leia Também: Turma da Mônica: Laços, resenha do live action adaptado na 2ª e mais famosa edição do selo Graphic MSP, de mesmo título.

Tina: Respeito

Detalhes: Processo de produção

Além da história, o livro conta também com detalhes do processo de produção, desde uma planta do apartamento da protagonista até fotos da mesa de trabalho da autora, além de uma descrição de como foi todo esse trajeto. Depois, a sessão “A Tina de Maurício de Sousa” mostra como a personagem nasceu na década de 70 e mudou bruscamente de lá pra cá, sempre mantendo uma essência aqui e outra ali. Existe, inclusive, uma homenagem à sua primeira versão hippie em um dos quadrinhos, em que ela aparece como um retrato de sua mãe quando jovem. Essas informações são tão ricas e gostosas de ler quanto a história em si, principalmente se você já é fã da personagem como eu.

Um jeito lindo de falar de algo tão feio, discussões sobre o fato de que a culpa nunca é da vítima, exemplo de posicionamento e uma dica na folha de guarda traseira que nos faz ter esperança de uma continuação (eu quero!!!) tornam essa uma obra completa, belíssima no visual e extremamente pertinente no conteúdo. Tina: Respeito está disponível na versão brochura pros que precisam economizar e também em capa dura para quem não se importa em (ou pode) gastar um pouco mais e ter uma edição ainda mais bonita na estante. Seja qual a opção escolhida, não importa, vale a pena ter esse trabalho sobre e feito por mulheres incríveis, como muitas que temos por aí.

Tina: Respeito

Achei a Lulynha, minha Barbie “mini me”, a cara dessa publicação, então ficou de “participação especial” nas fotos!

Conheça mais da Fefê Torquato, que tem 35 anos e mora em Curitiba, no Instagram, Twitter e Youtube. Ela também é autora do quadrinho Gata Garota, publicado pela Editora Nemo, parte do Grupo Editorial Autêntica.

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Em 12.09.2019   Arquivado em Leitura

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania *****
fica por aqui: Uma história de Vento Ventania Autor: Augusto Alvarenga
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto
Ano: 2018
Número de páginas: 98p.
Editora: P.S.: Edições
ISBN: 978.658.077.703-7
Sinopse: “O fim do caminho às vezes é um recomeço. É assim que a vida surpreende Murilo. Prestes a abrir mão de si mesmo, ele se sente desamparado e lidando com problemas que parecem pesados demais para continuar carregando. No topo de uma ponte, ele está no ponto emocional mais baixo que poderia alcançar, quando a rotina de Leandro resolve desviar o rumo e colocar os dois no mesmo trilho. Percebendo a importância de ser presente, Leandro resolve mostrar caminhos alternativos para qualquer destino, tentando despertar em Murilo a esperança de dias melhores, possibilidades e a certeza de uma ajuda brilhante em qualquer céu nublado.” (fonte – capa e sinopse)

“Talvez eu me sinta quase sempre assim, cercado por coisas demais e sem conseguir chegar a um lugar onde eu me sinta bem.”

Comentários: Cinco anos atrás, na véspera do segunda turno das eleições presidenciais, Augusto Alvarenga lançou seu primeiro livro, “Um Amor, Um Café e Nova York”. Foi nesse dia que eu conquistei o coração da “mamãe Alvarenga” por ter chorado HORRORES da hora que vi a foto dele na orelha do livro até o abraço compartilhado após o autógrafo recebido (tem foto aqui!). No ano seguinte, lançamento da continuação, mais lágrimas. Mas, sabe, é difícil não chorar quando você tem o sonho de publicar um livro – agora enfim realizado – e vê um amigo com o mesmo sonho conseguindo isso, principalmente uma completa manteiga derretida como eu!

Um spin off do próximo lançamento do autor, previsto para o ano que vem, fica por aqui se passa na ilha fictícia de Vento Ventania, onde Murilo vive. Aluno da UFVV – Universidade Federal de Vento Ventania, o rapaz sofre de depressão há muitos anos e está prestes a desistir da própria vida quando Leandro, aluno de outro curso na mesma faculdade que sequer conhece, cruza seu caminho, o impedindo de fazer isso sem nem saber o quão certeiro foi o momento em que a vida os colocou no mesmo local, na mesma hora. Os dois iniciam então, meio sem perceber, uma breve jornada rumo ao entendimento da luta contra suicídio através da descoberta do Setembro Amarelo.

De acordo com o Guto, a ideia veio no final de agosto de 2018, quando uma notícia de suicídio ocorrido no Viaduto Santa Tereza, aqui em Belo Horizonte, parou a cidade, literalmente, uma vez que tanto o trânsito da região central quanto a linha de metrô foram comprometidos. Ele ficou pensando, então, sobre o assunto e, vendo o mês de prevenção contra a prática se aproximar, resolveu reescrever aquela história do seu jeito, com outras pessoas, mas dando a ela o final não trágico que merecia ter. O conto foi publicado como ebook na Amazon no mês seguinte, propositalmente, e agora ganhou sua versão física, levemente estendida, mais uma vez como parte desse alerta. O título não se refere apenas a Murilo, e sim a toda pessoa que, por causa de transtornos mentais, cogita ou já cogitou desistir.

Como alguém que o acompanha desde o começo, ou mesmo antes disso, é IMPOSSÍVEL deixar de destacar o quanto sua escrita amadureceu. É claro, meia década se passou desde o primeiro romance publicado, o amadurecimento é esperado, mas nesse caso foi positivamente gritante. A ´trama não é nada leve, mas flui de maneira gostosa, tem seus momentos que soam como poesia, mas sempre de fácil entendimento. É crível, pode estar acontecendo agora mesmo. Apesar da narrativa curta, em 90 páginas, as personagens têm personalidade e falam sobre seus gostos e costume casualmente, como em uma conversa qualquer que temos no nosso cotidiano, mesmo.

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Como aspecto “negativo”, se podemos dizer assim, tem fato de que o enredo é tão rápido que a gente sente falta de um desfecho mais elaborado. Ele termina causando MUITA curiosidade no que aconteceu dali pra frente, mas isso na verdade não importa, porque a mensagem principal é passada: você não está sozinho, você pode conseguir apoio. Ele não romantiza hora nenhuma a depressão, mas aponta, através dessa dupla fictícia, onde é possível ao leitor ter ajuda contra esse e outros transtornos mentais na vida real, seja para si próprio ou para alguém próximo que precisa.

“Eu não sei quando começou. É muito difícil saber… Ela vem devagar. Ela vai te anulando aos poucos.”

Um aspecto maravilhoso e maior diferencial de todos os livros do autor é, definitivamente, a diagramação. O livro é todo lindo, desde a arte da capa até páginas de troca de mensagem, informações nas bordas e um detalhe pequeno, mas que deixa ainda mais tocante: a diferenciação das duas narrações através de ícones de nuvem, nublado para Murilo e com o Sol saindo para Leandro. Faz todo sentido dentro do contexto! Ele também tem uma playlist no Spotify fácil de achar, só buscar pelo título, com todas as músicas que fazer parte do percurso, direta ou indiretamente. Os detalhes são todos em preto e amarelo, pra destacar bem o fato de ser uma publicação focada numa campanha que tem essa última como cor característica, apenas com um roxo aqui e outro ali criando contraste lindo típico da união de tons complementares…

fica por aqui: Uma história de Vento Ventania

Conheça mais do Augusto no Instagram @instaguto, Twitter @tuiteguto e perfil de autor Skoob. Você pode adquirir o “fica por aqui” como eBook na Amazon Kindle e na versão física direto com o autor. Ele também já publicou, além da trilogia “Um Amor, Um Café e Nova York”, os romances “1 + 1: A Matemática do Amor” junto com Vinicius Grossos, “As Luzes Mais Brilhantes”, e participou de duas antologias com outros escritores. Que venha o próximo!

Eu Te Darei o Sol

Em 28.08.2019   Arquivado em Leitura

Eu Te Darei o Sol: O amor é apenas a metade da história (I’ll Give You the Sun) *****
Eu Te Darei o Sol Autor: Jandy Nelson
Gênero: Drama, LGBT, Jovem Adulto, Romance
Ano: 2015
Número de páginas: 384p.
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-858-16-3646-7
Sinopse: “Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.
Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.”
(fonte – capa e sinopse)

“Lixo espacial. (…) O céu está sempre despencando. Sempre. Você vai ver. As pessoas não têm ideia.”

Comentários: Fazia muito tempo que eu não sentava e lia um livro de ficção novo, talvez o último tenha sido mais ou menos dois anos atrás. Mais tempo ainda tinha que lia um livro que me deixava completamente apaixonada. Sabe quando você não quer se desgrudar da história nos trechos de alegria, tem vontade de jogar tudo longe nos de raiva e sente um alívio GIGANTESCO quando aquele momento tão esperado enfim acontece, como se fosse com você? Sabe quando suas próprias lembranças são despertadas nos pontos mais cruciais da história? Foi isso que senti lendo Eu Te Darei o Sol. Um presente de aniversário que ganhei de uma amiga em 2017, mas que felizmente não li na época. Porque aquele foi o ano em que eu “morri”, simplesmente não vivi, e não conseguiria aproveitar a grandeza dele como aproveitei agora – nesse agora específico, então, mais que nunca!

Eu Te Darei o Sol

O livro trata do ponto de vista de um casal de irmãos gêmeos em momentos distintos da vida dos dois, antes e depois de uma tragédia que mudou tudo na vida deles. Noah é apresentado aos 13/14 anos, descobrindo sua sexualidade, explorando uma sonhada carreira de pintor que pode começar de vez na escola de artes onde tanto anseia estudar. Já Jude narra sua vida aos 16, quando ela e o irmão já não têm a conexão que tiveram durante toda sua vida após competir por uma vaga nessa mesma escola, onde ela pretende estudar escultura, e pela atenção das pessoas mais importantes de suas vidas: seus pais e alguns garotos deveras interessante. Mentiras, boicotes e muita dor passam a ser parte da vida deles, tornando a distância inevitável e a reaproximação um sonho quase distante…

“Encontrar sua alma gêmea é como entrar numa casa onde você já esteve – você vai reconhecer a mobília, os quadros na parede, os livros nas prateleiras, as coisas nas gavetas: você é capaz de se localizar no escuro, se precisar.”

O fato de a história tratar de dois artistas é uma peculiaridade a mais que deixa esse conjunto ainda mais interessante. Para quem entende de arte é maravilhoso pegar as referências e saber exatamente do que eles estão falando naquele momento, e quem não entende provavelmente vai correr pro Google e, enfim, entender. Um pinta, a outra esculpe, então é arte variada para se explorar e aprender. Tudo isso misturado com questões ainda mais profundas: homossexualidade, espiritualidade, traição, até mesmo hipocondria. O que mais gostei foi o modo como, ao se afastar, os dois protagonistas simplesmente trocam de personalidade, de modo que você vê um no outro tão claramente que isso só pode significar que estão compensando essa ausência. Por mais que seus estímulos venham do amor romântico, uma coisa é clara: o Sol que ilumina a história, que é dado e compartilhado, é o amor de irmãos!

Eu Te Darei o Sol

Jandy Nelson tem uma escrita de tirar o chapéu e se curvar em seguida. Ela cria uma extensa poesia de quase 400 páginas disfarçada de romance jovem adulto que, apesar de ser protagonizado por adolescentes, é tão denso que mexe com a cabeça de qualquer um. A princípio pensei que a narrativa de Jude ia atrapalhar a de Noah, por dar alguns “spoilers” do que aconteceu três ou dois anos depois do que ele está contando, mas isso não acontece. Os dois se complementam. Quando o capítulo de um acaba você lamenta, pensando que é impossível que o que vem a seguir desperte tanto sua curiosidade quanto, mas essa sensação vai se repetindo sucessivamente até o livro acabar. Senti tanto ÓDIO da Jude, de o sangue talhar, que achei que jamais poderia perdoá-la, não importa o que viesse a acontecer, para em seguida ter vontade de abraça-la e tirar todo o peso do mundo de suas costas. Noah me fez rir, recordar, chorar, sentir medo e alívio, cada hora uma coisa e tudo ao mesmo tempo. Duas personagens complexas, humanas, controversas, maravilhosas! Seus pares românticos também são incríveis e têm suas vidas cruzadas às deles de forma inacreditável e, ao mesmo tempo, crível, seja lá como isso é possível.

“Vamos lá, o que é ruim para o coração é bom para a arte. A horrível ironia da nossa vida como artistas.”

Foi muito gostoso para mim, como autora recém publicada, ser apresentada a essa escrita justamente nesse momento. Me inspirou a seguir em frente, a produzir mais, a ousar sem medo de me expor ao máximo, em colocar no papel o que na verdade é simples, mas parece rebuscado. Porque esse livro é assim. Eu Te Darei O Sol é uma obra que faço questão de emprestar a quem quiser ler, que agradeço por ter sido presenteado com, que encheu meu coração de esperança ao descobrir que tem uma chance de ser adaptado para filme pela Warner (fonte). Me fez cantar mentalmente ‘Dia Branco”, de Geraldo Azevedo, o tempo todo, quase como se fosse sua trilha sonora oficial. Me deixou morrendo de vontade de ler “O Céu Está Em Todo Lugar”, da mesma autora e também publicado no Brasil pela Novo Conceito com uma capa bem semelhante, o que faz deles quase um “time”.

Wish You Were Here: um romance musical

Em 12.08.2019   Arquivado em Leitura

Dez anos atrás eu estava fazendo meu primeiro estágio no Arquivo Público Mineiro, trabalhando naquele tão cansativo banco de dados do Projeto Hélio Gravatá, quando numa tarde qualquer “Still Haven’t Found What I’m Looking For” do U2 começou a tocar em versão instrumental. De repente, em frente ao computador onde eu normalmente trabalhava, lá no fundo da sala (bem de baixo do ar condicionado), minha cabeça formou uma cena completa: dois jovens adultos, num bar de rock amplo e cheio, viviam um momento juntos ao som da mesmíssima música. Sempre fui de criar histórias, vira e mexe elas aparecem aqui nessa cabecinha que vive a 1000km/h, mas aqueles dois… Sei lá, eles me pareciam especiais! Eu PRECISAVA conhecê-los. Precisava que outras pessoas conhecessem também. Não sei se os criei, se eles se criaram sozinhos, mas sei que Marie e David se tornaram, ali, os protagonistas de um livro, Wish You Were Here: Um Romance Musical. Uma década se passou e nesse meio tempo a história amadureceu em certos pontos, permaneceu igual em outros, rodou em e-mails de amigos que eu queria que lessem logo e até de algumas editoras. E depois de muita espera pelo momento ideal que nunca vinha, resolvi que ele se resume em uma palavra: agora! Sim, eu estou publicando meu primeiro livro!

Wish You Were Here: um romance musical

Sinopse: “Mudar para outra cidade, sair da casa do pai, dividir um apartamento com a melhor amiga e, claro, começar a faculdade dos sonhos. Após seis meses de espera em férias intermináveis, Marie estava pronta para dar esses próximos passos, acreditando que juntos seriam o grande marco daquele ano que só parecia estar começando agora. Até que em meio a tagarelices na escada e sacolas de compra derrubadas ela conheceu David.

David era metódico, extrovertido e uma daquelas pessoas de ótima memória que guardava informações sobre todas as coisas na cabeça. Ele também parecia estar disposto a conquistá-la, o que o tornava o protagonista perfeito para a primeira história de amor real da sua vida, fazendo com que finalmente se abrisse para novos sentimentos ao som de suas velhas músicas favoritas. Mas ela não poderia saber que essa trilha sonora estava prestes a se transformar radicalmente…”

ISBN: 9781080222407| Ano: 2019 (31/julho) | Páginas: 227 (físico), 172 (ebook) | Gêneros: Romance, Drama, Jovem adulto, chick-lit | No Skoob | No Goodreads | + saiba mais

Página Oficial: facebook.com/wishyouwereherelivro

Se você sentar comigo pra saber REALMENTE como é o processo, sinceramente, eu não sei dizer ao certo. Só sei como foi MEU processo. Eu tinha um livro pronto, tinha opiniões positivas sobre ele, tinha MUITA vontade em vê-lo aqui na estante e nas mãos de leitores, então no meio de julho simplesmente decidi que era hora de fazer acontecer. E fiz. O primeiro passo foi buscar um subtítulo, já que o título em inglês podia prejudicá-lo de várias formas (além de não ser nada inclusivo). Eu até pensei várias vezes em algo pra substituir 100%, mas não achei. Ele se chama Wish You Were Here há tanto tempo, com tantos significados, tinha que ser assim. Adicionamos, então, “Um Romance Musical” na frente, que deixa claro a língua no qual foi escrito e, acima de tudo, descreve EXATAMENTE o que é a história. Tem amor, tem música e sem essas duas coisas sequer existiria.

Depois me joguei nessa ferramenta maravilhosa que me provou que o perfeito não é o que idealizei, e sim o que realizei: Amazon Kindle! Em questão de horas ele, o arquivo velho de Word, se transformou num livro em pré-venda! Fiz VÁRIAS revisões, tive a capa atualizada pela Mari, que a criou pra mim anos atrás, chamei quem eu já sabia que queria e, pronto, no dia 31 de julho de 2019 (10 anos depois de Marie e David se conhecerem na história!), meia noite em ponto, um número incrível de pessoas incríveis recebeu sua compra para finalmente poder ler. E lá ele continua! Então você aí, que gosta de ler drama jovem despretensioso feito por autora nacional, pode comprá-lo por R$5,00 na Amazon (e sai de graça pros assinantes Kindle Unlimited), acessível não só no leitor digital, mas também no app da marca disponível para celular e computador.

Wish You Were Here: um romance musical

Foto do Instagram. Desenho “Lisa e Marie” por Julia Cabral.

Mas esse foi só o começo…

Eu realmente acredito que o ebook é o futuro do mercado literário, sabe? Por mais que goste de folear as páginas num livro físico acho importante a gente ir além de preferências quando o assunto é consumo. Tô feliz de VERDADE de ter tido essa oportunidade para realizar meu maior sonho, mas com o tempo ele se tornou também sonho de MUITA gente. A gente queria, precisava, de uma edição física, uma tarde de autógrafos, choros coletivos e abraços emocionados. E, ora vejam só, a própria Amazon também me forneceu isso, me dando a opção de, como autora, imprimir cópias físicas dele. E eis a “fase 2” do projeto, que ainda está ativa por mais 2 semanas, com o objetivo de fazer essa impressão do maior número possível de exemplares: uma campanha no Catarse! Nela todo mundo pode comprar o livro físico e ainda tem opção de já fazer isso com frete incluso ou outros tipos de recompensa. O valor de cada uma que está estipulado é mínimo, de forma que o apoiador possa doar um dinheirinho a mais pro dono da campanha (no caso, eu), que nessa vai virar mais e mais livros!

Leia também: 5 músicas entituladas “Wish You Were Here” pra você se apaixonar ao ouvir!

A ideia é imprimir 100 exemplares, e eu tremo só de imaginar a caixa chegando cheia deles, o unboxing mais especial da minha vida. E o melhor é que tá BEM PERTO de acontecer! Se você gosta do gênero, dá uma chance e acesse catarse.me/wishyouwereherelivro para ler a proposta. Se não, bem, manda muitas energias gostosas pra gente porque o processo tá sendo incrível com ajuda de quem sempre soube que podia contar e quem nunca imaginei que daria tanta força. No fim de setembro eu volto aqui e tagarelando detalhes sobre o lançamento e o que me espera daqui pra frente… Até lá, é isso, bem vindos oficialmente ao universo das personagens literárias, Marie e David (meus queridos)! Vocês são os protagonistas do primeiro de – se tudo der certo – muitos outros que estão por vir. É até injusto que eu não possa celebrar juntinho deles, né? Esse é o momento em que olho pros seus nomes nas páginas e penso… Wish You Were Here!

Wish You Were Here: um romance musical

Arte da capa: Mariana Mahé

Psiu! Prestenção! Você tem um blog literário, aderiu aos ebooks e sentiu AQUELA afinidade pela sinopse da história? Entra em contato comigo pra falar sobre sua política de parceria! Como blogueira há tantos anos o que mais quero é vê-lo estampando resenhas gostosas pela blogosfera afora…

Tag Literária: Deuses do Olimpo

Em 16.10.2017   Arquivado em Leitura, Memes e Tags

Aaaaah, que saudades de responder uma tag sobre livros por aqui! Esse ano estou lendo menos do que nunca, então está difícil falar do assunto, infelizmente. Mas hoje isso vai mudar: a Rubyane do Epílogo em Branco me indicou a tag literária Deuses do Olimpo há uns dias e foi gostosa de responder demais porque mitologia grega é um assunto que eu absolutamente AMO DE PAIXÃO! São 14 perguntas (meu numero favorito) criadas pelos blogueiros Davyd, do Encontro com Livros, e Magno do Diálogo Literário!

Regras:
01)Indicar no mínimo 5 blogs;
02) Dizer quem são os criadores da TAG.
03) Dizer quem te tagueou.

01. Zeus: Rei dos Deuses

Qual livro é o rei da sua estante? Essa pergunta pode ter muitos significados, né? Pode ser seu livro favorito, o mais caro, o que teve mais impacto na vida, etc… Eu resolvi falar do meu livro mais “imponente”, que é o “Devoção e Arte”, da Beatriz Coelho. Esse foi o primeiro livro que comprei quando entrei na faculdade e como minha turma era a primeira de graduação em Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG tivemos uma sessão de autógrafos e lanchinho com a dona Beatriz na época que compramos. Foi MUITO incrível! Acho que ele é meu livro mais caro, e também é o mais bonito, com imagens em altíssima resolução de várias esculturas de igrejas barrocas mineiras. Pra quem é da área, vale a pena!

Tag Literária Deuses do Olimpo
Cantinho da estante com alguns livros de arte, entre eles “Devoção e Arte” (empoeiradíssimos!)

02. Hera: Deusa do casamento

Um casal que você shippa? Bom, eu sou a maior shipper de todos os tempos e tô sempre shippando tudo e todos, mas nesse caso resolvi falar dos dois personagens que eu MAIS shippo e há mais tempo. Meus queridinhos, meus seres favoritos na ficção, meu casal número 01: Rony e Hermione!

03. Poseidon: Rei dos Mares

Qual livro você jogaria no mar do esquecimento? Não, não falarei da Saga Crepúsculo, não se preocupem… Veja bem, eu obviamente não gostei da história porque já não era mais público alvo na época, além de ter críticas severas à influência que ela causa, mas pelo menos consegui TERMINAR os livros… E não foi assim com “O Segredo”, da Rhonda Byrne. Não sei se auto ajuda não é pra mim ou o que, mas abandonei sem dó. A ideia é muito bacana e tal, mas o livro inteiro poderia ter sido resumido no primeiro parágrafo: ela “conta” o segredo e depois fica mostrando como aplicar em todos os aspectos da sua vida. Isso significa que é só uma repetição sem fim do que já foi dito! Só sei que não cheguei no final, pode ser que esteja sendo injusta, mas é que não deu, MESMO!

04. Deméter: Deusa da Agricultura

Imaginando que sua bagagem literária é uma árvore, qual foi o livro semente? Obviamente “Harry Potter e a Pedra Filosofal”. Se pensar beeem antes, na época que aprendi a ler, eu poderia dizer “Flicts”, do Ziraldo, que foi meu favorito de infância, mas seria injusto. Foi J. K. Rowling quem me ensinou a gostar de ler, esse mérito é só dela!

Tag Literária Deuses do Olimpo
Hermione, Rony e minha breve coleção de edições de “A Pedra Filosofal”. Todos foram presentes: a 1ª edição brasileira da minha madrinha no natal de 2000, a ilustrada e a de 20 anos da Grifinória do Gil em dois aniversários seguidos e a nova de capa dura da Editora Rocco! Os Funkos também ganhei, dessa vez da Lili!

05. Hades: Deus dos Mortos

Um personagem que você mataria? Não faço a mínima ideia, acho que todos os personagens que eu queria ver morrendo ou que achei isso necessário realmente morreram. Deixem ideias aí nos comentários pra eu ver se concordo!

06. Héstia: Deusa virgem do lar

Qual personagem você levaria para casa? Bom, já que o assunto aqui são Deuses do Olimpo e Hades acabou de ser citado, vamos falar do mais lindo dos filhos dele: Nico di Angelo! Nico é minha personagem favorita das séries de mitologia greco-romana do Rick Riordan, seja Percy Jackson, Heróis do Olimpo ou mesmo essas “pontas” nas Provações de Apolo. Acho ele complexo e maravilhoso! Tanto que coloquei o nome dele no meu falecido cacto e em um dos protagonistas dos próximos livros que estou escrevendo (e, se tivesse um filho biológico um dia, cogitaria como possibilidade também).

07. Afrodite: Deusa do Amor e da Sensualidade

Um livro pelo qual você se apaixonou? Eu preciso caprichar BEM na resposta da pergunta referente à minha “mãe divina”, né? E vou, porque esse (junto com “O Prisioneiro de Azkaban”) é meu livro favorito: “Extraordinário”, da R. J. Palacio! Ah, como eu AMO Auggie, Via e todos seus amigos, não dá nem pra colocar em palavras. Eu já fiz um post dedicado a ele uma vez e tô contando os dias pra sair o filme, que estreia em novembro!

Tag Literária Deuses do Olimpo
A família do Auggie quase completa!

08. Apolo: Deus do Sol e da Arte

Um personagem artista? Serve um escritor? Porque escrever é arte! E nesse caso o personagem é o próprio autor do livro: John Grogan, de “Marley & Eu”, a história maravilhosa da “vida e o amor ao lado do pior cachorro do mundo” que arranca lágrimas de toda e qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade no coração, hahahaha!

09. Ártemis: Deusa virgem da caça

O livro que te levou a grandes aventuras? Bom, eu não queria falar de Harry Potter de novo pra não ficar repetitivo, mas não dá, né galera? Foi a série que me ensinou a ler por diversão, que me apresentou vários dos melhores amigos que tenho hoje, que por mais que eu tenha relaxado um pouco em alguns aspectos continua me emocionando muito. Eu sou vice presidente de um fã clube, caramba! Pensei em citar o “Destrua Esse Diário” que traz aventuras em outros aspectos, mas seria injusto, simples assim!

10. Ares: Deus da Guerra

Um livro ou personagem que te deixou com ódio? Falaremos de um personagem, então, melhor. Recentemente falei aqui no blog do “Todos, Nenhum: Simplesmente Humano”, que fala sobre fluidez de gênero. Senti profundo ódio de todos os personagens que praticavam bullying com Riley, mas principalmente o “líder” deles e sua atrocidade final.

11. Atena: Deusa Virgem da Sabedoria

Um personagem que te inspira? Estamos evitar HP demais, então vou esconder Hermione para citar meu personagem favorito de “O Senhor dos Anéis”: Aragorn! Eu já gostava dele nos filmes, mas meu coração ainda batia mais forte por Sam e Legolas, até que li os livros e Passolargo assumiu esse amor de vez! Tanto que eu dei para minha gata o nome da esposa dele, Arwen!

12. Dionísio: Deus do vinho e das festas

Qual foi a sua maior ressaca literária? Quando eu li de uma vez os três livros da série “Jogos Vorazes”… Aquilo ACABOU COMIGO! Fiquei horas pensando como seria ruim se o mundo funcionasse daquele jeito até enfim perceber que já funciona. Mas o lado bom é que hoje eu sei que se precisar ser Katniss pra não deixar algo parecido acontecer de vez, eu serei!

13. Hefesto: Deus do Ferro e do Fogo, Ferreiro dos Deuses

Um livro que tenha ferro ou fogo na capa? Eu tinha escolhido “O Hobbit”, do Tolkien, cheguei a tirar a foto pro post e tudo mais… Até que percebi que não é fogo que está ilustrado e sim ouro! Que lerdinha, né? Mas tudo bem, as moedas de metal representam o ferro e o dragão Smaug cospe fogo, então tá valendo!

Tag Literária Deuses do Olimpo
Um “Percy Jackson” porque essa tag pedia ao lado de “O Hobbit”!

14. Hermes: Deus do comércio, Mensageiro dos Deuses

Um livro que você não compraria ou se arrependeu de ter comprado? Bom, vamos respirar fundo antes de responder essa porque é uma resposta meio triste. Eu me arrependi muito de ter comprado “O Livro do Bem”, da Ariane Freitas e da Jéssica Grecco. É o livro interativo mais fofinho que já vi, as atividades são bem lindas e já fiz várias delas, mas acaba que quando você tem mais de um desses vai cansando, sabe? Na hora da compra uma empolgação danada, mas depois fica lá, ocupando espaço… Não quero morrer por causa dele, não, mas se pudesse voltar atrás teria deixado passar.

E agora seis lindezas para responder essa tag: Clay, do Sai da Minha Lente, Renatinha, do Clumsy Luv, Rê, do Retipatia, Poly do Poly Pop, Adriel do Não Me Venha Com Desculpas e Gil, do canal Menino Gil!

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