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Just Listen: A garota que esconde um segredo

Em 21.04.2020   Arquivado em Leitura

Just Listen: A garota que esconde um segredo (Just Listen) *****
Just Listen: A garota que esconde um segredo Autora: Sarah Dessen
Gênero: Jovem adulto, drama, romance
Ano: 2006
Número de páginas: 308p.
Editora: Farol Literário
ISBN: 978.853.680.900-7
Sinopse: “Depois de ter sido pega com o namorado da melhor amiga numa festa, Annabel Green começa o ano letivo sendo ignorada pelo resto da escola. Mas o que realmente aconteceu naquela noite ainda é segredo, que ela não se arrisca a contar para ninguém.
Os problemas de Annabel são explicitados pela recusa da família em admitir os próprios problemas: a fissura da mãe para que as filhas virem modelos famosas e Whitney, a irmã do meio, que sofre de anorexia. Uma amizade com Owen, o DJ da rádio comunitária, que tenta constantemente ampliar os gostos musicais de Annabel, fará a tímida jovem aprender a falar a verdade, doa em quem doer.
Ele tem uma missão quase impossível: fazer com que Annabel “Não pense nem julgue. Apenas ouça”.”
(fonte)

ATENÇÃO!ATENÇÃO: Esse livro contém conteúdo sensível e pode apresentar gatilho para alguns leitores (distúrbios alimentares, depressão, relacionamento abusivo e abuso sexual).

Comentários: Annabel Greene parecia ser “a garota que tem tudo”, assim como a personagem que interpretou no comercial que estreava junto com seu novo ano letivo. Sua melhor amiga, Sophie, havia a transformado há alguns anos em uma das garotas mais populares da escola e isso, somado à sua longa carreira de modelo, tornava o cotidiano das duas regado de festas, eventos bacanas e garotos bonitos. Mas no fundo, desde antes de sua vida desmoronar no início das férias de verão, ela estava longe de ser assim. Sua carreira já deixou de ser divertida há anos, porém parecer ainda ser fundamental para sua mãe, a melhor amiga tem comportamento discutível e abusivo, suas irmãs já não se falam desde que Kirsten, a mais velha, alertou a todos sobre os transtornos alimentarem de Whitney, a do meio, e ela prefere viver com tudo isso a enfrentar o verdadeiro pavor que possui de encarar conflitos. Agora, voltando para mais um ano de Ensino Médio tendo Sophie como inimiga e guardando o maior de seus segredos sobre a noite em que elas brigaram, ela está sozinha e acuada, lidando com problemas enquanto é taxada de “vadia”.

É quando Owen, um colega de escola alto e corpulento, com o qual pouca gente conversa por causa de seu comportamento agressivo, acaba se tornando sua única companhia em meio a esse novo cenário de isolamento. Ele, como parte de seu programa de gerenciamento de raiva, aprendeu a ser o oposto dela ao expor seus sentimentos e não guardar nada, sendo sempre sincero. O mais característico no garoto é, porém, a completa obsessão por música. Dono de um programa na rádio comunitária na cidade e um auto denominado “iluminado” no assunto, ele vê nessa inusitada amizade a possibilidade de vê-la se abrindo tanto no gosto musical quanto, principalmente, admitindo para todos o que realmente sente.

Conheci e me apaixonei por Annabel e Owen no final de 2014, quando ganhei Just Listen de presente de natal e o li pela primeira vez. Após passar esse tempo todo me questionando por que nunca sentei para escrever sobre eles decidi, enfim, reler o livro pela segunda vez (a primeira não lembro quando aconteceu) e, enfim, dar minha velha visão deles sob um novo olhar, ligeiramente mais maduro. Uma coisa não mudou: esse é um dos meus livros favoritos, por diversos motivos. Lendo a sinopse a história soa um tanto quanto clichê, quase um “A Bela e a Fera contemporâneo” pela descrição da aparência dos dois, mas é tão, tão longe disso que acho até injusto ter mencionado a possibilidade. Se essa foi a impressão que você teve, já aviso: a história, assim como a vida da nossa jovem modelo, é muito diferente do que parece.

Just Listen: A garota que esconde um segredo

Annabel é uma pessoa que evita tanto a raiva daqueles que vivem ao seu redor que chega a ser preocupante. Para que essas pessoas não se magoem (ou ainda: não a magoem) ela simplesmente não fala NADA da sua vida pra elas. Sua mãe teve depressão há alguns anos e o pai prefere simplesmente não se aprofundar em “questões femininas”, o que envolve basicamente tudo ao seu redor já que sua família é composta completamente por mulheres. Ela não consegue se livrar do trabalho como modelo porque acha que isso vai desestabilizar a casa, não critica Sophie mesmo discordando de suas atitudes por ter medo dela, não encara nada de frente. Ela é marcada por fugir de sentimentos a ponto de preferir simplesmente ver as pessoas saindo de sua vida no lugar de falar o que precisa ser dito a elas. E por mais que isso seja extremamente problemático, estar na sua cabeça e ver como são seus pensamentos torna muito fácil ter empatia por ela e querer ajuda-la. Porque ela claramente precisa de ajuda.

Owen, por sua vez, odeia mentiras e mais ainda o silêncio. Não é babaca a ponto de se jogar no “doa a quem doer” em seus discursos, mas jamais engana ninguém. Como consequência está sempre disposto a aceitar que as pessoas hajam assim com ele também: enquanto a amizade deles se desenvolve ele aceita a opinião de Annabel quando ela julga seu programa na rádio de maneira nem sempre positiva e a faz descobrir não só sobre novas músicas, mas também sobre si mesma. E novamente esse poderia ser o momento em que as pessoas viram os olhos por ver nesse cara o “salvador” da garota perdida, mas não é isso que acontece. Ele está ao seu lado e estende a ela sua mão, metafórica e literalmente, mas durante toda a trama cabe SEMPRE a Annabel rejeitar também seu silêncio e salvar a si mesma. A não pensar ou julgar: apenas escutar. E, claro, falar.

“Quando você realmente pensa sobre ela (…), a música é a grande unificadora. Uma força inacreditável. Algo que as pessoas que são diferentes em tudo podem ter em comum.”

As personagens secundárias também são muito bem trabalhadas, o que ajuda quem está lendo a se afeiçoar (ou não) a elas. Desde Sophie, que transforma a protagonista de aliada em “vagabunda” ao acreditar que ela ficou com seu namorado, passando pela extrema dupla de irmãs da garota que intensificam suas questões familiares ao expor e lidar com o peso dos transtornos alimentares até chegar em Mallory, irmã mais nova de Owen apaixonada por modelos que não só endeusa a nova amiga do irmão sem saber as dores de seu trabalho, mas também nos faz relembrar a complicada pré adolescência, onde tudo mais intenso e os ideais de vida tão irreais… Entre outros! A maioria merece muito cuidado e carinho, outros causam asco e arrepio, mas todos existem na nossa vida real por aí, não importando se para torna-la melhor ou terrivelmente pior.

Como se não bastasse isso tudo e o fato de que eu AMO um bom drama romântico jovem adulto, esse livro me apresentou minha música favorita do Led Zeppelin, que já gosto há tanto tempo que nem sei dizer quando comecei e está, inclusive, na trilha sonora do meu próprio livro. Em meio a artistas fictícios criados para a história e alguns da nossa vida real, “Thank You” é mencionada como a preferida de Owen da banda, conquistando consequentemente Annabel e a mim. Sugiro que você aí, caso decida ler esse livro, providencie para que ela esteja por perto para ser reproduzida nos momentos em que as personagens a escutam, a experiência vai ser ainda mais gostosa porque ela é, como ele mesmo diz, um pouco brega, mas também extremamente verdadeira. E, acrescento, linda!

Psiu! Pres’tenção! A Editora Seguinte também publicou o livro no Brasil em 2017, dessa vez sob o título de “Só Escute”. Como não tive acesso a essa edição, não sei se é semelhante ou não à da Farol Literário.

5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical

Em 22.03.2020   Arquivado em Leitura

No final desse mês, mais precisamente dia 31, vai fazer 9 meses que publiquei meu primeiro livro, Wish You Were Here: Um Romance Musical, como e-book. Depois teve o lançamento da versão física (sobre o qual ainda preciso falar aqui!) e desde então ele me trouxe MUITA COISA GOSTOSA nessa vida! Cada vez que alguém lê, gosta, avalia e comenta eu sinto como se tivesse realizando mais uma vez o mesmo sonho, de novo e de novo. Acho que nunca vou me acostumar com isso: vários dos meus blogs favoritos têm resenha do meu livro! Parecia que nunca ia acontecer até que simplesmente aconteceu. Resolvi, então, contar 5 curiosidades sobre ele, pra quem já leu entender alguns aspectos e quem não conhece ainda, quem sabe, se interessar em fazer isso agora.

1. A história, originalmente, se passaria na Inglaterra

Ah, a jovem Luly, no auge dos seus 19 anos e paixão por tudo o que é porcaria britânica que via na frente, acreditando que a Inglaterra era o centro de toda a boa cultura e civilidade da Terra. Eu sei, você riu aí dela, do outro lado da dela. Eu ri de cá, também. Eu comecei essa história há MUITOS anos, no início da faculdade, com um dos calcanhares ainda na adolescência, realmente acreditando que conseguiria fazer isso. Felizmente o tempo passou, amadureci e percebi que não só NÃO PODERIA fazer isso, já que nunca sequer pisei naquele país, como também não precisava. Boas vidas são vividas nesse lindo (e complicado) Brasil, e boas histórias podem se passar aqui também. Somos tão cultos e civilizados quanto, tem problema e lindeza daqui e de lá.

Trouxe o enredo pra Belo Horizonte, MINHA cidade, mas algumas coisas se mantiveram, é claro! O título, uma música do Pink Floyd, pedia por essa trilha sonora quase toda formada por ingleses (e minha playlist idem). A linha do tempo dele, com a Marie começando a faculdade em agosto (e não fevereiro/março) permaneceu, com a justificativa que ela tinha passado para o segundo semestre da UFMG. A capa, inclusive, tem no fundo um Sol em formato da bandeira do Reino Unido e suas cores, como uma homenagem da Mari (minha amiga, que fez ela pra mim) desse acontecimento que ficou pra trás. Os nomes das personagens foram todos abrasileirados, com exceção dos protagonistas, que foram justificados.

5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical

Wish You Were Here, o e-book

2. As personagens principais têm nomes de ícones da história do rock

E aqui está a justificativa! Eu não podia perder esse detalhe, gente, Marie e David se chamavam Marie e David, com pronúncia em francês e inglês, respectivamente, e se mudasse isso não ia sentir que eles eram os mesmos mais. Isso porque ambos os nomes foram tirados de pessoas que, direta ou indiretamente, participaram a história do rock. O de David não só é explícito como MENCIONADO na história, como o motivo pelo qual sua mãe o batizou assim: David Gilmour é um dos membros do Pink Floyd, autor da música-título da história (e favorita do personagem), “Wish You Were Here”. Olha a homenagem que seria perdida aí!

Mas e a Marie? O nome francês não é justificado pela sua ascendência? Bom, no texto, sim. Mas na verdade é muito mais do que isso. Ela vive a história ao lado não só de David, mas também de sua melhor amiga, Elisa, que todos chamam de Lisa. E se você pensou em Lisa Marie Presley, filha de Elvis, ex esposa de Michael Jackson e que também teve uma carreira musical, pensei certíssimo! É, não tinha como mudar isso. Minha solução foi uma nota de rodapé, explicando como são feitas as duas pronúncias, e mantendo essas justificativas que já faziam parte do original, de qualquer forma.

Na verdade TODOS os nomes têm significado, nenhum é de origem aleatória, sendo tirados de pessoas que conheço na vida real e personagens da minha série favorita, E.R., da qual também tirei informações pra segunda metade da história (mas, ei, é spoiler!). Só que se for explicar cada um individualmente vamos ficar aqui uma eternidade, então fica pra outra hora…

3. O subtítulo foi adicionado duas semanas antes do lançamento

Durante uma década o livro se chamou “Wish You Were Here”, apenas. E durante todo esse tempo busquei um outro título pra substituir, mas novamente não consegui. Apesar de as músicas não serem realmente cantadas eu queria que ele fosse mais ou menos um filme musical, mesmo, e eles nunca têm títulos traduzidos. Eu já sabia que era problemático, mas o problema se tornou ainda maior quando foi parar numa loja internacional, como a Amazon. Como deixar claro pros leitores brasileiros que era destinado a eles, e para os de língua inglesa que NÃO era pra eles? Muito bem, com um subtítulo em português! Coloquei mil ideias na mesa e meus amigos queridos, que me ajudaram em TUDO no processo, me guiaram a chegar em “Um Romance Musical”, o que não só resume como explica a essência da história. E é legal porque, mais uma vez, seguiu a linha dos filmes do estilo, porque muitos vêm pro Brasil nessa vibe também.

5 curiosidades sobre Wish You Were Here: Um Romance Musical

Wish You Were Here, livro físico

4. A capa é inspirada em uma foto minha

Em 2015, quando alguns amigos me convenceram que eu devia terminar essa história que eu tanto amava, mas tinha abandonado por não acreditar que seria lida um dia, aproveitei que tinha uma amiga de fora visitando BH e a levei ao zoológico em um dos dias de passeio (teve vlog aqui!). Um dos motivos era revisitar a área dos mamíferos africanos e relembrar EXATAMENTE como é a grade dos elefantes, cenário da minha cena favorita da história. Enquanto estava ali, parada, admirando esse animais que amo tanto (e a Marie mais ainda), outra amiga tirou uma foto minha com eles ao fundo. Meses se passaram, mais de um ano, e no meu aniversário de 2016 abri o presente da Mari e nele tinha, dentro de um porta retratos, um cartaz minimalista da história retratando essa cena, usando minha foto como base.

Ela foi contra, num primeiro momento, a usar esse presente como capa, porque não achava legal o suficiente para isso. Já eu simplesmente não conseguia enxergar de outro jeito mais! Usava até de wallpaper do celular, pra me lembrar todos os dias que um dia ainda ia conseguir publicar. E, de fato, publicamos, todos juntos! Ela refez o trabalho todo pra ficar mais bonito ainda quando estava pra sair, mas ainda existem registros da arte original no meu Instagram e da foto que a inspirou por lá também!

5. O livro foi publicado exatamente 10 anos após Marie e David se conhecerem

No final do Capítulo 1 – Julho, Marie e Lisa estão subindo as escadas do prédio para onde recém se mudaram e trombam com um par de vizinhos que, depois, se tornam seus namorados: David e Victor. É a última semana de férias delas, dia 31 de julho de 2009, uma sexta feira – sim, olhei o calendário para escreve-lo e os eventos belorizontinos descritos na obra de fato aconteceram. O que eu, Luly, estava fazendo esse dia? Não faço a mínima ideia, tem um post aqui no blog nessa data, então o escrevi em algum momento. Mas sei EXATAMENTE o que eu estava fazendo em 31 de julho de 2019, uma década depois: lançando oficialmente o e-book do meu primeiro livro! Lembro de receber o e-amil da Amazon avisando que ele estava disponível para ser lido no Kindle. Lembro de amigos me marcando em seus Stories pra comemorar que o receberam também. Lembro de saber que jamais esqueceria aquele dia em toda minha vida, e ainda sei jamais vou esquecer!

Outra curiosidade? O epílogo também se passa em um 31 de julho, só que esse de 2010. O que aconteceu nesse um ano na vida dela só vai saber quem ler! Wish You Were Here: Um Romance Musical está disponível como e-book na Amazon Kindle por R$5,99, de graça para assinantes Kindle Unlimited, e a edição física pode ser comprada na minha loja virtual por R$40,00 já com frete incluso pra qualquer lugar do Brasil. Vocês também têm a chance de ganha-lo num sorteio que tá acontecendo até dia 11/04 lá no Instagram @retipatia, onde a Re fez uma resenha incrível dele com as fotos mais maravilhosas do planeta, cuja leitura vale a pena!

Blogagem Coletiva Interative-se

A Princesa salva a si mesma neste livro

Em 18.03.2020   Arquivado em Leitura

A Princesa salva a si mesma neste livro As mulheres têm uma espécie de magia # 1 (The Princess saves herself in this one) *****
A Princesa salva a si mesma neste livro Autora: Amanda Lovelace
Gênero: Poesia
Ano: 2017
Número de páginas: 208p.
Editora: LeYa Brasil
ISBN: 978.854.410.659-4
Sinopse: Amor e empoderamento em versos que levam os contos de fada à realidade feminina do século XXI ‘A princesa salva a si mesma neste livro’, de Amanda Lovelace, é comparado ao fenômeno editorial ‘Outros jeitos de usar a boca’, de Rupi Kaur, com o qual compartilha a linguagem direta, em forma de poesia, e a temática contemporânea. É um livro sobre resiliência e, sobretudo, sobre a possibilidade de escrevermos nossos próprios finais felizes. Não à toa ‘A princesa salva a si mesma neste livro’ ganhou o prêmio Goodreads Choice Award, de melhor leitura do ano, escolha do público. Esta é uma obra sobre amor, perda, sofrimento, redenção, empoderamento e inspiração. Dividido em quatro partes (“A princesa”, “A donzela”, “A rainha” e “Você”), o livro combina o imaginário dos contos de fada à realidade feminina do século XXI com delicadeza, emoção e contundência. Amanda, aclamada como uma das principais vozes de sua geração, constrói uma narrativa poética de tons íntimos e cotidianos que acolhe o leitor a cada verso, tornando-o cúmplice e participante do que está sendo dito.” (fonte)

Comentários: Eu não sou a maior fã do mundo de poesias, confesso. Tenho meus sonetos favoritos, todos muito antigos, mas de um modo geral é um estilo que não amo ler, e escrever menos ainda, sou péssima nele! Ainda assim o título de A Princesa salva a si mesma neste livro sempre me deixou tão curiosa que resolvi que ele merecia uma chance. Na verdade, e no fundo, todo mundo merece, não é mesmo? Parecia o tipo de coisa pela qual eu morro de amores com sua proposta de falar sobre ser mulher, sobre empoderar-se, sobre uma princesa contemporânea que é sua própria heroína. Pois bem, li, terminei e ainda não sei muito bem como avalia-lo. Acho que a grande questão de coletâneas é que elas nunca são uma coisa só, né? Então dá pra adorar algumas coisas e até odiar outras. Não cheguei nesse ponto extremo negativo, felizmente, mas em alguns momentos senti que estava só olhando para um monte de palavras jogadas de linha em linha, sabe? Em outros, porém, o impacto veio, menina, bem do jeito que tinha que vir!

A Princesa salva a si mesma neste livro

O livro é dividido em quatro partes que, ao seu modo, narram a vida da autora desde criança até a vida adulta e contemporânea. O início, “A Princesa” foi, pra mim, o mais sofrido de todos, por sentir uma coletividade imensa nas situações tristes que ela relatava. Ali estava sua infância e pré-adolescência, a primeira menstruação que ela não queria ver chegar, relatos de uma vida ao lado da irmã mais velha querida e da mãe, não tão querida assim. Fala de bullying, gordofobia e relacionamento abusivo não-romântico, que pode acontecer (e acontece todos os dias) dentro de casa, de quem você devia te fazer sentir mais segura. Algumas coisas já vivi, outras felizmente não, mas é o resultado das incertezas da imaturidade e de como nelas as coisa têm um peso muito maior.

Logo em seguida começa “A Donzela”, trecho mais pesado com a adolescência e início da vida adulta marcados por romances falhos (os “dragões”) e perdas familiares, uma vez que Amanda a irmã e mãe morrendo em sequência. Foi quando vi um número maior de falas simples, típicas do que vemos em Tumblrs da vida, organizadas de uma forma que soem como versos. Uma coisa MUITO bacana da escrita dela é que o título vem ao final dos textos, não no início, então sua interpretação não é muito direcionada: primeiro vem a leitura, depois o real significado dela. Nem todas as poesias têm isso, mas a maioria sim e é um fator estilístico diferente, bastante positivo.

A Princesa salva a si mesma neste livro

O momento de alento do livro fica na terceira parte, “A Rainha”. Aqui ela enfim parece se aceitar, ver o lado positivo em si mesma e na vida, principalmente no que diz respeito ao amor. Os textos românticos me causaram muita identificação, aquela sensação de “finalmente ela é feliz”, sabe? Foi onde tudo ficou mais poético, também, e talvez menos clichê porque o amor é sempre clichê, então tá permitido. Minha parte favorita, sem sombra de dúvidas, que deixou até um desejo de “quero mais” no ar quando acabou.

“(…)
preciso dos seus
momentos tarde da noite
confortavelmente calmos

preciso
de tudo
isso

– você é um poema de verdade, querido

A Princesa salva a si mesma neste livro

Por fim “Você” não se refere a uma pessoa específica, mas sim à leitora do livro. Ela retoma todas as temáticas anteriores e perdas, danos, dragões e neuras e joga junto com questões sociais, como a cultura do estupro e LGBTQfobia. Deixa de ser princesa indefesa, donzela em sofrimento e até mesmo rainha dona de si, que era seu papel nos outros momentos: sua metamorfose é tal que vira SEREIA ao falar de si mesma. É um momento que mistura auto-ajuda tanto para quem consome quanto para quem produz. Talvez seja exatamente o que alguém precisa ler, talvez seja o que esse alguém já leu mil vezes por aí…

A série “As mulheres têm uma espécie de magia”, da mesma autora, tem outros dois livros de poesia publicados no Brasil pela LeYa: “A Bruxa não vai para a fogueira neste livro” e “A voz da sereia volta neste livro”, disponível como ebook e também livro físico. Para acompanhar mais trabalhos de Amanda Lovelace é só segui-la pelo @ladybookmad no Twitter, Instagram e Tumblr. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Março no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é poesia. Leia também a resenha do título de Fevereiro (não-ficção), Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher!

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Em 15.02.2020   Arquivado em Leitura

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher (The Princess Diarist) *****
Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher Autora: Carrie Fisher
Gênero: Autobiografia
Ano: 2016
Número de páginas: 224p.
Editora: Best Seller
ISBN: 978.854.650.018-5
Sinopse: Um relato íntimo e revelador de Carrie Fisher, a Princesa Leia de Star Wars. Carrie Fisher era uma jovem atriz iniciante quando foi chamada por George Lucas para interpretar o papel que mudaria sua vida: a Princesa Leia, de Star Wars. Inexperiente, Carrie se viu imersa em um ambiente pouco acolhedor, e buscou refúgio em diários que mantinha ao longo das gravações dos filmes. Em “Memórias da princesa: Os diários de Carrie Fisher”, a atriz conta seus melhores e piores momentos ao longo das filmagens de Star Wars e a relação que mantinha com os colegas de trabalho, além de trazer detalhes inéditos sobre sua vida pessoal e sobre como o filme mudou completamente seu modo de viver.” (fonte)

Comentários: Se você nunca ouviu falar dela com certeza, e pelo menos, já ouviu falar de sua personagem. A relação de Carrie Fisher com a icônica Princesa Leia Organa é de muito carinho, apesar dos mais diversos pesares, o que é realmente uma coisa boa uma vez que a partir do momento que foi escalada para o papel uma não existia mais sem a outra. Em “Memórias da Princesa” ela conta sua visão muito pessoal sobre como se tornou Leia e o que veio logo depois, expondo acontecimentos da época da gravação de Star Wars (hoje considerado o Episódio IV – Uma Nova Esperança) através de lembranças resgatadas 40 anos depois de tudo após encontrar os diários que mantinha à época, e essa exposição inclui a transcrição de algumas páginas do próprio, que não a deixam mentir, ainda que ela não tivesse essa intenção./p>

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Carrie não era só atriz e nem só filha de artistas. Era também escritora, e isso é claro na maneira tão bem planejada com a qual escreve esse livro: ela sabe lidar com as palavras! Às vezes tão real que parece estar logo na nossa frente, outras com poéticas metafóricas que te fazem desejar ser sua a autoria da fase lida e relida até ficar tatuada no cérebro para todo o sempre. É gostoso, mas também melancólico, assistir a maneira carinhosa com a qual ela trata seu eu se 19 anos, inocente e insegura, e como tenta fazer o mesmo com a versão contemporânea, que aos seus olhos perdeu tanto se comparado à menina que foi um dia. Dá raiva, não dela é claro, mas da sociedade que faz com que a mulher odeie tanto o ato de envelhecer a ponto de achar que isso a fez perder parte do seu valor.

Em meio a esse antes, durante e depois, lá está ele: o diário em si. Poesias de uma moça abrindo os próprios sentimentos caminham nele lado a lado com a narrativa direta que os nega o tempo todo. É MUITO FÁCIL se identificar com ela, não só quando centra sua vida num romance que ela mesma nem considera assim (já-já falarei disso), mas principalmente no medo de não ser suficiente como pessoa, na crítica ao machismo talvez sem reparar que era isso que estava fazendo, nos pequenos desesperos de alguém muito privilegiada, mas que tinha seus diversos problemas com os quais lidar ainda assim. Uma menina virando mulher, exposta por causa dos pais a vida inteira, renovando um cenário de exposição, naquele momento em sua micro esfera, mas em breve para o mundo todo.

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

A maioria das pessoas, ou pelo menos as pessoas com as quais tive a chance de conversar sobre, resumem o livro ao assunto principal abordado nele: o caso que ela manteve com Harrison Ford, que depois se tornou ser par romântico na série, à época casado com sua primeira esposa, nos três meses finais daquelas gravações. A Carrie dos diários se culpa bastante, e tem uma visão de negação e desespero muito forte de quem está vivendo o momento ainda como adolescente, e é muito bom balancear suas angústias apaixonadas com a visão de uma adulta, já idosa na verdade, que olha os acontecidos com distância e maturidade. Fui alertada de que NUNCA MAIS ia conseguir OLHAR pra ele mas, apesar de questionar fortemente muitas de suas atitudes, não o considero um vilão. Mais errado do que eles poderiam julgar quarenta anos atrás, é claro, principalmente no início. O durante em si foi entre os dois, e só eles sabem o quanto fez bem ou mal. Ainda assim, pensando em o quão jovem ela era, dá vontade às vezes que pega-la no colo e fazer carinho, dizendo que tudo ia ficar bem e que ela não precisava se esconder… Dele, dos outros homens que a rodeavam e, acima de todos, dela mesma.

“Tenho certeza, no entanto, de que, se eu tivesse princípios, o que estou fazendo agora violaria quase todos eles”
Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Página 107

A sinceridade ácida da autora não esconde riquezas, regalias, facilidades que teve em toda sua vida. Ela não se coloca no papel da “pobre garota rica”, admite isso tudo sem enganar quem está lendo sua própria história. Mas nunca, desde a primeira página, pinta a fama como algo perfeito, a experiência mais incrível que uma pessoa pode ter na sua existência. Porque não é. De fotos odiosas que invadem privacidades a diálogos fofos que, em certos momentos, tendem a se tornar incômodos, ela ama e odeia saber que as pessoas sempre fariam filas para vê-la, não importa o quão exausta estivesse de se submeter a tudo novamente. Em dado momento compara a participação em eventos de fãs, como a Comic Con, com uma “dança erótica”, mas ao invés de colocarem dinheiro em sua calcinha os fãs o trocava por provas de que, por um minuto que fosse, estiveram ao seu lado. Isso lisonjeia, claro, mas também assusta, e só estando na pele de quem vive para saber o quanto.

No centro do livro existem páginas de fotos, em papel específico e a cores, da época da produção do primeiro filme (muitas delas ao lado de Harrison), do merchandising da personagem à época e até uma mais recente, dela ao lado do seu eu de cera no Madame Tussauds. Vê-la vestida de figurinos tão clássicos (principalmente pra mim, que sou fã do universo da galáxia muito, muito distante) e associa-la às palavras escritas enquanto as fotos eram tiradas é uma experiência muito louca, transformadora, fazendo com que o mito intocável da tela pareça de fato um ser humano. “Só Carrie Fisher”, como ela mesma diz nas palavras da página final.

Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher

Duas das páginas de fotos centrais, todas coloridas

Carrie faleceu no dia 27 de dezembro de 2016, aos 60 anos, no intervalo de gravações entre os episódios VIII e IX de Star Wars. Sua mãe, Debbie Reynolds, morreu no dia seguinte, aos 84, mas o legado das duas foi deixado em diversos tipos de arte. Esse livro foi a minha escolha para o mês de Fevereiro no Desafio Leia Mulheres 2020, onde a proposta é uma não-ficção. Leia também a resenha do livro de Janeiro (HQ), Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos!

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Em 23.01.2020   Arquivado em Artes Visuais, Leitura

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos *****
Autoria: Carol Borges e Filipe Remedios
Gênero: História em Quadrinhos, Romance
Ano: 2019
Número de páginas: 144p.
Editora: Independente
ISBN: 978.659.019.290-5
Sinopse: “A Batatinha Fantasma é um projeto de histórias em quadrinhos criado pelo casal de cartunistas Carol Borges e Filipe Remedios que retratam através de tirinhas as aventuras cotidianas da vida a dois! O livro tem 144 páginas com TODAS AS TIRINHAS DO PRIMEIRO ANO + TIRINHAS EXTRAS feitas exclusivamente para o livro!” (fonte)

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

No dia 27 de maio de 2018, na cama da amiga-cupida Fernanda, Carol e Remedios começaram oficialmente a namorar… E em 9 de julho do mesmo ano (véspera do meu aniversário!) fizeram a primeira publicação no Instagram Batatinha Fantasma, projeto onde contam de forma divertida, fofinha e bem mente aberta sobre seu cotidiano como casal, que lá no fundo pode ter um pouquinho de qualquer casal legal por aí… São narrações em quatro quadrinhos cada, tendo os dois como personagens principais em formato bem semelhante a o de uma batata, mesmo, mas ainda assim preservando lindamente suas características físicas.

O público foi crescendo (hoje com quase 100 mil seguidores), o projeto até fez aniversário, e no segundo semestre de 2019 eles lançaram uma campanha de financiamento coletivo no Catarse para seu primeiro livro! Nele constam todas as tirinhas do primeiro ano juntos e algumas exclusivas da publicação, coloridas em altíssima qualidade. Sendo bem sincera, não sei como ou quando comecei a acompanha-los, mas a campanha caiu na mesma época em que estava rolando a minha para publicar Wish You Were Here: Um Romance Musical, então eu estava cheia de amor no coração causado pelas contribuições que estavam chegando… Não aguentei, participei da deles como forma de devolver o carinho que vinha recebendo, ao mesmo tempo em que apoiava artistas nacionais que adoro nesse momento tão triste de pouquíssimo incentivo político na área.

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Folha de rosto autografada

Como planejado e anunciado por eles, o pacotinho chegou agora, na segunda quinzena de janeiro. O livro é LINDO, quadrado tamanho 20x20cm, capa em tom de amarelo mega vibrante (afinal são batatinhas, né?) e o miolo em papel pólen bold 90g/m², tem o toque super gostoso ao folear. A leitura é super rápida, principalmente pra mim que já tinha lido praticamente todas, mas causa risadas e aquele “quentinho” no coração ao ver os dois vivendo juntos de forma absolutamente normal, porque a normalidade merece mesmo ser enaltecida. Aqui e ali rolam também alguns textos mais sérios, como na época do “Ditadura Nunca Mais” e na Carol apreensiva esperando a confirmação de uma amiga que ainda não chegou em casa (abaixo), e isso faz com que eu goste do conteúdo ainda mais.

A campanha no Catarse deu muito certo, e ainda bem! Eles arrecadaram 160% da meta proposta, o que permitiu adicionar “extras” para os compradores de algumas recompensas selecionadas. Eu tinha escolhido o plano Batata Frita, onde além do livro físico autografado ainda receberei a versão digital em PDF e um kit de figurinhas para Whatsapp, mas quando acabou já tinham juntado grana o suficiente para mandar também adesivo e um print de arte exclusiva. Veio tudo embaladinho, com o maior cuidado e carinho do mundo… O tipo de coisa que vale a pena ter na parte mais bonita da estante (e, no caso do print, na parede, porque é CLARO que vou emoldurar)!

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Página 25

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Página 101

A melhor parte de todas, porém, foi que o livro chegou aqui na hora certa. Eu tava super animada em participar do Desafio Leia Mulheres 2020, mas quando vi que logo pra janeiro a sugestão era uma HQ supus que não conseguiria desde o início… Acredita que HORA NENHUMA eu pensei nesse, que já estava comprado há meses, pronto pra chegar em casa e casando direitinho com a ocasião? Tô bem feliz com o início dessa “meta de ano novo” inesperada e tentarei fazer resenha de todos ao longo desses 12 meses. Vai ser ótimo principalmente porque nos últimos anos não li quase nada, então nesse pelo menos um por mês sei que vai rolar, e já abrindo com chave de ouro!

Para conhecer mais do trabalho dos dois vocês podem segui-los no Instagram não só no perfil @batatinhafantasma,que vai ganhar uma lojinha em breve onde todos poderão comprar o livro, mas também em @carolborgesart pra ver as ilustras da Carol, @caixadoremedios e @desenhosdoremedios onde o Remedios publica seus quadrinhos e desenhos, respectivamente.

Batatinha Fantasma: Amor em Quadrinhos

Batatinha no “andar” das artes da minha estante!

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