Categoria "Filmes"

“A Garota no Trem”, relacionamentos abusivos e gaslighting

Em 09.12.2016   Arquivado em Feminismo, Filmes

A Garota no Trem, via Filmow

A Garota do Trem (The Girl In The Train) *****
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Justin Theroux, Luke Evans, Rebecca Ferguson, Allison Janney, Darren Goldstein, Edgar Ramirez, Gregory Morley, Laura Prepon, Lisa Kudrow, Ross Gibby
Direção: Tate Taylor
Gênero: Mistério
Duração: 112 min
Ano: 2016
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Antes de mais nada gostaria de dizer que nunca li o livro no qual o filme é adaptado e que quando fui ao cinema (graças a um ingresso que ganhei) não sabia 100% do que se tratava, só tinha lido a sinopse mesmo, então não posso dizer se é uma boa adaptação e sequer se a temática das duas mídias é igual, mas de certa forma assisti-lo foi uma surpresa MUITO positiva porque gerou reflexões maravilhosas e me deu exemplos claros de pautas que muita gente que conheço não consegue enxergar, mas estou me adiantando. Vamos falar sobre a experiência primeiro, depois falamos do que ela gerou.

A história gira em torno de três mulheres: Anna é casada com o ex marido de Rachel, com quem tem uma filha, e Megan é a babá da criança. Desde a separação, que aconteceu por causa de seu alcoolismo, Rachel viaja todos os dias num trem que passa por sua antiga vizinhança, e para evitar olhar para a casa onde vivia observa a vida aparentemente feliz de Megan, que envolve muito carinho (e sexo) com seu marido, até que um dia dá de cara com uma cena que a deixa chocada: a garota está com um homem diferente. Desconcertada com isso e muito bêbada, ela vai até o local, tem um apagão e mais tarde descobre que Megan desapareceu, e por estar sempre “perseguindo” seu ex ela se torna suspeita, já que a vítima trabalha pra ele. A partir daí ela tem que tentar se manter sóbria pra descobrir o que aconteceu, quem causou e até que ponto está envolvida nisso. É um filme de suspense que mexe MUITO com o psicológico e emocional e tem um elenco ótimo e mega convincente, protagonizado pela MARAVILHOSA da Emily Blunt. Você vai conhecendo mais da história de cada uma delas, entendendo seus dramas e dilemas e cada hora suspeita de uma coisa que vai ser desconstruída logo em seguida (ou não).

A partir daqui esse post tem revelações sobre o enredo e, apesar de eu não falar o desfecho do filme, acho que vai dar pra sacar se ler o que tenho a dizer. Se você abomina spoiler sobre todas as coisas, não recomendo a leitura (mas salva pra depois que ver que é legal!), mas se já assistiu ou quer já fazer isso com olhar crítico e não focado no mistério, vão ‘bora!

E aí temos essa relação de três mulheres aparentemente problemáticas com três homens “misteriosos”: Tom, ex marido de Rachel e atual de Anna, Scott e Kamal Abdic, marido e terapeuta de Megan, respectivamente, e é a presença deles que nos dá exemplos claros de dois assuntos que estão dando o que falar na internet, finalmente: relacionamentos abusivos e gaslighting. O primeiro está explícito desde o momento em que conhecemos Megan durante suas sessões de terapia, ela permanece com Scott mesmo sem vontade nenhuma, mesmo tendo sua vida completamente controlada, quase como forma de auto punição pelos seus erros do passado, e só consegue se abrir para Abdic, com quem tenta ter um caso loucamente. Ele é tão absurdo que após o desaparecimento esse comportamento agressivo acaba sendo “transportado” pra coitada da Rachel que entra em contato tentando ajudar, no final das contas a gente vê que não importa os erros da pessoa, ninguém merece ser tratado assim. Inclusive muito do que rola na vida da Megan (e que acaba causando seu fim trágico) poderia ter sido evitado desde o início da parte difícil da sua história se ela tivesse tido apoio pra melhorar e sentir menos culpa pelo que passou. E aí vamos pra parte 2, mas antes um “momentinho Wikipedia” básico:

Gaslighting ou gas-lighting é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Casos de gaslighting podem variar da simples negação por parte do agressor de que incidentes abusivos anteriores já ocorreram, até a realização de eventos bizarros pelo abusador com a intenção de desorientar a vítima. (fonte)

Essa é a essência do filme, se você quer entender como isso funciona PRECISA assistir porque é assustador de tão claro. Rachel se tornou alcoólatra durante seu casamento e desde então tem lembranças horríveis de seu próprio comportamento, TODAS elas vindas de Tom, já que ela não lembra de nada. Após a separação ela claramente persegue a nova esposa de seu ex e a filha deles, tornando-se uma ameaça pra tranquilidade de Anna. As duas vêem uma inimiga na outra e a coisa é tão absurda que você, assistindo ao filme, também acredita que é isso que elas são! Meus comentários variavam de “louca” e “que burra” a “aposto que a culpa é dela”, até o momento extremamente esclarecedor em que você percebe que por trás disso tudo tem o gostosão babaca manipulando TUDO. Ele conseguiu convencer a primeira de que ela é mentalmente instável e culpada pelo fim do casamento, passou esse pensamento pra segunda e quando a coisa apertou mudou TUDO fazendo com que as duas se achassem malucas e neuróticas! A cena mais maravilhosa de todas que exemplifica isso: a confusão do desaparecimento de Megan leva Rachel à vizinhança (mesmo que a tenham alertado pra não fazer isso) e ela cruza com Anna na rua sem ter reações, só “olho no olho” e continua andando. Mais tarde Anna conta isso pro marido dizendo que rolou “comportamento agressivo” e ele manda largar pra lá e deixar a coitada em paz, o que faz a mulher ter SAUDADES da época que era amante dele. Nesse momento a gente pensa “Ai que mentirosa nojenta!”, mas tudo vai se encaixando quando ambas têm um “click” de sanidade (que sempre esteve lá) e percebem as ligações falsas, o ciclo vicioso de transformar a mulher em errada pra justificar a amante e o aproveitamento da fragilidade da pessoa para piorar tudo pra ela, outra característica super forte do abuso. Tudo isso, claro, intensificado por essa mania quase natural que nossa sociedade tem de SEMPRE colocar as mulheres umas contra as outras, enquanto na verdade a gente tinha era que estar dando as mãos e se ajudando para impedir que isso aconteça com qualquer uma de nós. Obrigada aos meninos d’A Estante dos Gêmeos pela chance de assistir esse thriller que pela sinopse não me interessaria tanto, mas no fim das contas era EXATAMENTE o tipo de coisa que eu busco ver e quero recomendar pra galera!

Trailer:

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Em 18.11.2016   Arquivado em Filmes, Harry Potter, Vídeos

É claro, óbvio e evidente que eu não ia deixar de escrever sobre o resultado da experiência maravilhosa pela qual esperamos por três anos de assistir o vulgo *Harry Potter e os Bicho* por aqui… A pré estréia de Animais Fantásticos e Onde Habitam aconteceu aqui no Brasil na virada do dia 16 para o dia 17 e entre as 19h de um e 3h do outro eu assisti ao filme duas vezes seguidas… Estou ENCANTADA! Gravei dois vídeos sobre ele, um sem spoilers e outro com, e agora deixo aqui também meu registro em forma de texto desse acontecimento tão especial na vida de todos os fãs da obra de J.K. Rowling!

Animais Fantásticos e Onde Habitam, via Filmow

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts And Where To Find Them) *****
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol, Colin Farrell, Ezra Miller, Carmen Ejogo, Jon Voight, Ron Perlman, Samantha Morton
Direção: David Yates
Gênero: Fantasia
Duração: 127 min
Ano: 2016
Classificação: 12 anos
Sinopse: “O excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte americana que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Absolutamente GENIAL! Eu sei que sou suspeita, sei que sou fã, mas também sei que não tem como não dar todo o crédito que essa obra merece! Estou cavando minha própria cova aqui nesse momento e dizendo com toda certeza que, como filme, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é melhor do que a série Harry Potter! Rowling conseguiu brilhantemente preservar a essência do livro didático de mesmo nome enquanto apresenta seu seu autor, o MAGNÍFICO Newt Scamander, e tudo isso no fundo é uma grande desculpa para contar a história de personagens e acontecimentos já conhecidos pelos seus fãs, que nós vamos acompanhar avidamente até essa série acabar ao final dos cinco filmes.

Newt é um “herói”, por falta de uma palavra melhor, completamente diferente do que estamos acostumados. Tímido e introvertido, sem jeito nenhum para lidar com seres humanos, ele se transforma COMPLETAMENTE quando está ao lado das criaturas mágicas que cria dentro de sua maleta encantada, dá pra ver claramente o quanto ele ama cada um deles e se dedica em mostrar para todos os motivos desse amor. E é por causa de uma das criaturas que esse britânico vai parar em Nova York durante a década de 20, onde um encontro com o divertido não-maj (maneira americana de se referir a um “trouxa”) Jacob e a auror Tina (e, consequentemente, sua adorável irmã Queenie) mudam completamente o rumo dessa viagem, feita numa hora que não podia ser menos oportuna. A cidade está sendo tomada por ataques que despertam o sentimento anti-bruxo em um grupo sensacionalista liderado pela opressiva mãe de Creedence, um garoto que claramente tem problemas psicológicos fortíssimos. Ainda no núcleo principal, estudando esses ataques e com suspeitas fortes do que supostamente está por trás daquilo temos o chefe da segurança da MACUSA – Congresso Mágico dos Estados Unidos da América, Percival Graves. O humor fica por conta da chance que temos de conhecer VÁRIOS dos protegidos de Newt, alguns que já citados nos livros de Harry Potter, como os muito fofos Tronquilhos e Pelúcio, outros estão no livro AFEOH, além de outros que serão de extrema relevância na história, como o Thunderbird, que é inclusive o símbolo de uma das Casas da escola de magia americana, Ilvermorny. Somos também apresentados a forças mágicas – muito sinistras – nunca antes vistas, que dão um toque sombrio ao enredo. Isso tudo retratado em torno da melhor parte de tudo que é FINALMENTE ver a dinâmica maravilhosa da vida de um bruxo adulto, que pode aparatar quando bem entender e usar todos os feitiços do mundo, o que causa uma nostalgia enorme já que os dois primeiros a serem executados são justamente velhos familiares vistos em “A Pedra Filosofal”. As lembranças dos filmes “anteriores” são intensificadas também pela trilha sonora, que mistura as notas clássicas antigas com outras novas e músicas tipicamente americanas da década retratada.

O elenco é MARAVILHOSO, com uma única exceção que, felizmente, não conseguiu atrapalhar a história (ainda). Eddie Redmayne e Scamander parecem ter sido feitos um para o outro, definitivamente foi meu personagem favorito, e olha que estava difícil escolher um só dentro do quarteto protagonista mais carismático que já vi. Toda a parte técnica é impecável, a versão 3D/IMAX tem efeitos de encantar qualquer um que gosta desse tipo de mídia sem ser o principal, o roteiro se sustenta lindamente sem isso mas também compensa o ingresso mais caro, se for o caso. A maleta do Newt é incrível, não só por causa das criaturas mas também pelo ambiente em si, dá pra perceber que eles estão em um local fechado e até meio improvisado, porém com simulações dos mais diversos ecossistemas tão bem feitos que só magia mesmo poderia proporcionar algo igual, e é ela mesma que proporciona. Essa cena é a MELHOR DE TODAS, dá vontade que não acabe nunca, que seja infinita. Outro momento super impactante é o grande clímax final da história, sobre o qual não dá pra falar nada porque precisa ser visto, eu sinceramente não esperava por aquilo.

Minha única decepção, tirando o ator queridinho das pessoas que INFELIZMENTE foi confirmado na série, foi a presidenta da MACUSA, Seraphina Picquery. Pelos trailers achei que ela seria uma imagem feminina MUITO forte, uma vez que estar em um cargo alto assim na época sendo mulher e negra é algo a se levar muito em conta, mas não aconteceu. Ao mesmo tempo não foi necessário porque Tina e Queenie deram conta do recado, elas são super fortes e à frente do seu tempo de maneiras diferentes e relevantes, dá vontade de ser uma mistura das duas! Enfim, vale a pena para quem já gosta desse universo, porque é claramente o público alvo, mas é bom o suficiente para encantar até quem não gosta. E agora vamos esperar os próximos porque tem MUITA coisa para se descobrir ainda: será que veremos outras escolas de magia? Ainda temos a segregação total com os não-majs nos EUA? Até que ponto as forças que conhecemos agora estavam presentes em personagens antigos? E o que aconteceu com personagens que supostamente estão “fora da história”? Continuaremos vendo Newt e seus “bichinhos”? Só o tempo vai nos mostrar, enquanto isso ‘bora teorizar e especular!

Vídeo SEM spoilers: A versão com spoilers tá AQUI, OH!

Trolls

Em 03.11.2016   Arquivado em Filmes

Trolls, via Filmow

Trolls *****
Elenco: Anna Kendrick, Justin Timberlake, Christine Baranski, Christopher Mintz-Plasse, Gwen Stefani, James Corden, John Cleese, Kunal Nayyar, Ron Funches, Russell Brand, Zooey Deschanel
Direção: Mike Mitchell, Walt Dohrn
Gênero: Animação, Fantasia
Duração: 93 min
Ano: 2016
Classificação: Livre
Sinopse: “Nova animação da Dreamworks levará as telas os famosos bonecos Trolls, conhecidos por aqui como os Duendes da Sorte.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Durante os anos 90 todo mundo tinha um amigo que tinha um “Duende da Sorte”, que eram bonequinhos amarronzados peladinhos com os cabelos pra cima super macios de cores vibrantes, isso quando a própria pessoa não era esse amigo em questão. Eu achava aquilo MUITO FEIO e mesmo assim ficava doida pra ter um rosa, era uma febre que eu não entendo muito bem, mas estamos falando de uma década que tinha vários desses ícones inexplicáveis. Eis que a Dreamworks resolveu resgatar isso usando sua clássica fórmula mágica de “animação para criança com trilha sonora para adulto” e, pronto, daí nasceu Trolls, o filme mais fofo e colorido do ano!

A história começa no trollsístio, que é o dia do ano onde os Bergens se unem para poder comer trolls: a única coisa que pode fazê-los feliz, já que são seres que não conhecem esse sentimento muito bem e só sabem se lamentar e reclamar da vida. A festa, porém, não é concretizada quando eles dão de cara com a árvore onde acontece a “colheita” completamente vazia após a fuga das pequenas criaturas, liderados pelo seu rei. E foi assim que eles puderam voltar a viver a vida da forma como mais gostam, cantando, dançando e se abraçando o tempo todo, rodeados de alegria e positividade. O tempo passa e a “alma” da aldeia é a princesa Poppy, que está promovendo uma festa para comemorar duas décadas de liberdade, até que o barulho atrai a atenção de da antiga chef de cozinha dos bergens, que acaba raptando os amigos da princesa para levar de volta ao seu povo, então ela tem que ir atrás deles para salvá-los com a ajuda MUITO relutante de Tronco, o único troll mal humorado e “cinza” vivendo naquela comunidade feita de animação e cores!

O filme passa VÁRIAS mensagens bacanas ao longo da sua duração, tanto de forma óbvia sobre gentileza, acreditar em si mesmo e ver o lado bom das coisas, quanto indiretamente quando se trata de fidelidade, preservação e senti até aquela “pontinha” de defesa ao meio ambiente e consumo desenfreado, que são pautas incríveis de já ir inserindo na vida das crianças. O visual também é lindíssimo, tudo fofinho que dá muita vontade de apertar, parece feito de pelúcia, isso sem contar as fumaças de glitter jorrando pra lá e pra cá o tempo todo. O ponto alto, porém, é a trilha sonora MARAVILHOSA, e se tratando de um musical não poderia ser diferente… Temos Simon & Garfunkel, Lionel Richie, Cindy Lauper, Ariana Grande e o single “Can’t Stop the Feeling!” nas vozes de Justin Timberlake (que foi o produtor musical), Anna Kendrick, Zooey Deschanel e um BAITA elenco na versão legendada. Para quem for assistir dublado, que é como a maioria das salas está exibindo, já fica o aviso: a maioria das músicas também foi traduzida para o português porque fazem parte do enredo, confesso que fiquei curiosa para assitir com áudio original depois pra ver como ficou porque deve ser lindo, tem VÁRIAS que eu gosto muito.

A MELHOR CENA DE TODAS é bem no clímax, aquele momentinho em que todo mundo acha que perdeu, e eles cantam “True Color” lindamente, os “reloginhos de abraço” deles começam a brilhar e é mágico demais ver como tudo “acontece” a partir daí. Fora a música é uma delícia por natureza e combina muito com a história e os personagens, chorei o tempo todo, muito emocionante! “Trolls” vale a pena independente da idade, já tô apostando que vai levar indicação ao Oscar pelo menos de melhor canção e longa de animação porque merece! E pra quem sair do cinema encantado (quero uma Poppy, gente, ela é linda!), rola de se “trollificar” no site oficial, olha a “Trolluly” que fofura que ficou:

trollifyyourself

Trailer:

Os Oito Odiados

Em 23.08.2016   Arquivado em Filmes

Os Oito Odiados, via Filmow

Os Oito Odiados (The Hateful Eight) *****
Elenco: Bruce Dern, Demián Bichir, Jennifer Jason Leigh, Kurt Russell, Michael Madsen, Samuel L. Jackson, Tim Roth, Walton Goggins, Arnar Valur Halldórsson, Belinda Owino, Channing Tatum, Craig Stark, Dana Gourrier, Gene Jones, James Parks, Keith Jefferson, Lee Horsley, Quentin Tarantino, Zoë Bell
Direção: Quentin Tarantino
Gênero: Ação, Faroeste, Drama
Duração: 167 min
Ano: 2015
Classificação: 18 anos
Sinopse: “Durante uma nevasca, o carrasco John Ruth (Kurt Russell) está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro. No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está de olho em outro tesouro, e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), prestes a ser empossado em sua cidade. Como as condições climáticas pioram, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados. Aos poucos, os oito viajantes no local começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: A primeira coisa que SEMPRE precisamos dizer nesse caso é que não tem como você ir assistir a um filme do Tarantino sem saber que se trata de um filme do Tarantino. Alguns podem até achar que isso os torna ruins, mas a verdade é o contrário: acho que assim fica mais fácil perceber a genialidade e a crítica por trás dessa carga de imoralidade, violência e do famoso politicamente incorreto. E se “Cães de Aluguel” é considerado um ótimo filme de estreia por já dar exemplos de todas as “Tarantinices”, cada uma no seu momento, “Os Oito Odiados” poderia ter sido deixado por último porque é uma EXPLOSÃO de todas elas, de forma que até quem já tá acostumado com o cara conseguiu se surpreender. Lembro que quando o compositor da trilha sonora Ennio Morricone, que inclusive ganhou o Oscar por ela (e foi LINDO, chorei horrores), disse que se se chocou com a violência do filme eu achei estranho porque isso não é segredo nenhum, mas fui entender o motivo agora porque eu sou meio fresca e houve um momento em que tive que dar uma pausa para não vomitar…

A história é dividida em capítulos, quase todos em ordem cronológica (o que já é uma surpresa), e gira em torno de oito personagens que, por causa de uma nevasca, acabam presos em um conhecido armazém da região, o que não poderia ser mais inoportuno pois é um grupo formado de caçadores de recompensas, criminosos e até membros ativos da Guerra Civil americana. Todos eles desconfiam uns dos outros, todos eles guardam segredos sangrentos, todos carregam armas de fogo e todos pretendem sair dali vivos e cumprir quaisquer que sejam seus objetivos nessa viagem. E é aí que tá a sacada do negócio: um filme de mais de duas horas e meia, que se passa praticamente inteiro em um cenário só, onde fica concentrado um grupo de atores MUITO BONS, a maioria já “de casa” nas obras do Taranta, com destaque pra “musa inspiradora” dele que é o Samuel L. Jackson, uma trilha sonora fantástica e, à medida que os minutos vão passando, cada vez mais fumacinhas de sangue e corpos espalhados pelo chão. Os personagens são todos realmente odiosos, você não gosta de nenhum e nem deve gostar, chega num ponto que não dá pra mais saber quem vai sair dali vivo e começa a suspeita de que, no fim, não vai ser ninguém.

Os primeiros 90 minutos são relativamente lentos, mas apresentam as histórias dos personagens e trazem MUITA CRÍTICA à sociedade da época, principalmente se tratando do preconceito racial, mas também aborda assuntos como o significado de “justiça” e até onde a legítima defesa é realmente tão “legítima”. A partir daí ele muda bastante, é como se o diretor guardasse o “melhor” para o final: aparece um narrador que antes não existia, que mostra para o expectador o que precisa ser mostrado, algumas cenas têm destaque forçado através de uma câmera lenta daquelas bem mal feitas, a coisa fica indigesta pra valer. É um filme classe “B”, como todos os outros, mas o objetivo é esse mesmo, tudo que está ali era pra ser daquela maneira e feito de um jeito que só uma pessoa consegue fazer. Sou suspeita, sou fã e admito, mas quando termina não tem como não ficar bizarramente encantado com o que você acabou de ver. Entre os sete filmes dele que já assisti (falta só “À Prova de Morte” agora), “Os Oito Odiados” ficou no meu ranking pessoal em 5º lugar e eu só não veria de novo sozinha por causa das cenas muito asquerosas que temos nos capítulos 4 e 6 com as quais acho que nunca vou me acostumar, mas se conseguir ignorá-las toparia numa boa acompanhar algum amigo afim de passar pela experiência. E agora que faltam só 2 pro cara “aposentar”, já que ele disse que vai parar no 10º, fico imaginando o que está por vir porque na categoria “estilo pessoal” esse tá difícil de ser superado!

Trailer:

BEDA2016

Caça-Fantasmas

Em 02.08.2016   Arquivado em Filmes

Caça-Fantasmas, via Filmow

Caça-Fantasmas (Ghostbusters) *****
Elenco: Melissa McCarthy, Kristen Wiig, Kate McKinnon, Leslie Jones, Chris Hemsworth, Neil Casey, Charles Dance, Michael Kenneth Williams, Bill Murray, Dan Aykroyd, Ernie Hudson, Annie Potts, Cecily Strong, Ed Begley, Karan Soni, Matt Walsh, Ozzy Osbourne, Shawn Contois, Sigourney Weaver, Steve Bannos, Toby Huss, Zach Woods Tour Guide
Direção: Paul Feig
Gênero: Ação, Comédia, Ficção Científica
Duração: 116 min
Ano: 2016
Sinopse: “Atualmente uma respeitada professora da Universidade de Columbia, Erin Gilbert escreveu anos atrás um livro sobre a existência de fantasmas em parceria com a colega Abby Yates. A obra, que nunca foi levada a sério, é descoberta por seus pares acadêmicos e Erin perde o emprego. Quando Patty Tolan, funcionária do metrô de Nova York, presencia estranhos eventos no subterrâneo, Erin, Abby e Jillian Holtzmann se unem e partem para a ação pela salvação da cidade e do mundo.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Antes de começar entrar no filme em si eu preciso falar um pouquinho de “Os Caça-Fantasmas”, o original: não, eu NUNCA assisti. Soltei essa informação na internet inclusive e o que mais tive foi gente falando que é uma “falha” minha, etc e etc, mas a verdade é essa. Até tenho vontade de ver um dia porque gosto desse tipo de coisa, mas também não me faz falta nenhuma, então vamos prosseguir com a vida assim mesmo, sem problemas e tudo mais. Sendo assim é ÓBVIO que não poderei dar uma opinião comparativa, mas posso dizer que se aqueles caras tinham 10% do carisma dessas meninas o sucesso tá explicado, porque elas foram absolutamente MARAVILHOSAS! Desde que foi anunciado eu tava doida pra assistir e, oh, não me decepcionei!

Erin Gilbert acaba de conseguir ser professora da cadeira que tanto desejava na Universidade, até que descobre que sua ex colega Abby Yates publicou um estudo das duas sobre a existência de fantasmas, que anos antes foi motivo de chacota por elas não terem conseguido provar nada. Ela decide ir então atrás da antiga parceira para reverter isso, com medo que prejudique sua carreira, e descobre que ela continua seus estudos ao lado da engenheira Jillian. Ao mesmo tempo começam a acontecer VÁRIAS coisas estranhas pela cidade afora, inclusive no metrô onde Patty Tolan trabalha, e pequenas (e péssimas) reviravoltas na vida dessas quatro mulheres fazem com que elas acabem se unindo para descobrir o que tem causado tudo isso e, enfim, provar que fantasmas existem e podem causar muitos problemas para os cidadãos de Nova York.

O filme já começa acertando DEMAIS com a escolha das atrizes que interpretaram os personagens principais: são quatro meninas tão maravilhosas que ainda não consegui decidir minha favorita, e olha que eu babo muito o ovo da Melissa McCarthy, hein! Cada uma tem seu modo de ser maluca, sabe, é bem aquele tipo de gente vida real que parece normal à primeira vista, mas quando você vai conhecendo percebe que a loucura particular é a melhor parte da sua personalidade, só que levemente mais escrachado pra causar mais risadas. A única coisa que achei meio “mais ou menos” foi o vilão, que é bem bostinha sem força nenhuma, mas acho que esse era o objetivo mesmo, e como eu sou sempre fã do lado do bem e detesto a supervalorização do mal simplesmente adorei! Fora isso a história foi super legal e bem trabalhada, mas sem ser difícil de entender (eu sofro desse mal às vezes), a gente ri o tempo todo e, claro, rolaram homenagens LINDAS ao filme original, com a presença de referências claras, dos fantasmas antigos e de parte do elenco que apareceu bem “picadinho” sem forçar a barra e arrancava um “Aaaaawn” de alegria em que quem tava assistindo. É o tipo de “nova versão” ideal, que respeita o passado e abraça o futuro, mal posso esperar pela parte 2!

Vi muita gente (na verdade: muito homem) reclamando do Kevin, secretário gostosão porém idiota delas interpretado pelo maravilhoso do Chris Hemsworth, mas essas pessoas não conseguem perceber a genialidade da crítica que temos aí causada por anos e anos de garotas burras que só serviam para sensualizar que temos na história das comédias, o objetivo não era seguir o esteriótipo e sim esfregá-lo na cara das pessoas e mostrar o quanto aquilo é incômodo para quem não consegue se ver representado ali. E vemos claramente a necessidade disso quando voltamos pra época em que o filme foi anunciado e depois quando saíram os trailers, onde uma chuva de comentários negativos do tipo “não sou preconceituoso, mas…” mostraram o quanto o público “geek” é machista e misógino, incapaz de aceitar mulheres protagonizando suas histórias, além de ser também racista, né… É só ver o que Leslie Jones teve que suportar no Twitter nos últimos dias, sendo atacada e chamada de “macaca”, para perceber que NÃO é frescura, NÃO é vitimismo. Muito pelo contrário: é pra abrir os olhos pra isso e parar de aceitar discurso de ódio como piada já!

Trailer:

BEDA2016

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