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5 Filmes Lançados em 1990 (e você precisa assistir!)

Em 03.05.2020   Arquivado em Filmes

Você já parou pra analisar qual filme lançado no ano do seu nascimento é tão maravilhoso que acha que TODO MUNDO deveria assistir? Pois bem, eu nasci em 1990, quaaase 30 anos atrás, e apesar de ter certa dificuldade de encontrar mídias lançadas naquele ano em pesquisas rápidas Google, que insistem em me informar sobre a década inteira, tenho uma listinha de alguns queridinhos e outros que nem tanto, mas que julgo particularmente especiais. Sendo assim no Top 5 de hoje falarei sobre filmes lançados em 1990 que você precisa assistir!

5 filmes lançados em 1990 que você precisa assistir!

Psiu! Pres’tenção! As escolhas e avaliações feitas dos filmes citados nesse post levam em consideração um único e exclusivo critério chamado MINHA OPINIÃO. Não pretendo estabelecer um ranking profissional, me basear em aspectos técnicos ou mesmo levar em consideração as bilheterias. O Top 5 é pessoal e intransferível!

01) EDWARD MÃOS DE TESOURA

5 filmes lançados em 1990 que você precisa assistir!

Título original: Edward Scissorhands (EUA) ***** | Assista ao trailer!

A aposta de Tim Burton para a temporada de natal daquele ano foi e ainda é o queridinho de muitas pessoas em todo o mundo! Edward Mãos de Tesoura conta a história de um jovem criado em laboratório por um inventor, que morreu antes de poder dar mãos a ele, deixando grandes tesouras afiadas no lugar. Ao ser encontrado pela matriarca da família Boggs, ela resolve leva-lo para morar em sua casa, onde ele passa a socializar com os moradores da colorida vizinhança até, enfim, se apaixonar pela filha do casal, Kim.

Quem me conhece sabe, e se não sabe fica sabendo, que tenho aversão ao Johnny Depp há muitos anos. Não é hora de citar motivos (alguns deles envolvendo esse filme), principalmente porque sei que é um grande favorito de MUITA gente, mas realmente sou o tipo e pessoa que não separa obra do artista, pra mim isso não existe. Porém nem mesmo a presença dele, MUITO bem trabalhada, diga-se de passagem, consegue estragar esse filme para mim. O contraste das cores do subúrbio americano com o universo em preto e branco do protagonista, sua trajetória como herói que vai ao ápice até chegar em declínio, o romance extremamente inocente que se tornou memorável… E a jovem Winona Ryder, é claro! É um clássico atemporal, impecável!

02) UMA LINDA MULHER

5 filmes lançados em 1990 que você precisa assistir!

Título original: Pretty Woman (EUA) ***** | Assista ao trailer!

Edward Lewis é um homem de negócios milionário que acaba de ficar solteiro, bem na véspera de uma importante semana de negociações onde é essencial a presença de uma boa acompanhante. Tentando encontrar o caminho de seu hotel onde passará esses dias, ele cruza com a prostituta Vivian Ward, para quem pede informação. Mais tarde já na sua cobertura, acaba contratando os serviços da garota, com quem passa a noite e decide estender o acordo até o fim da semana, pagando para que ela seja a companhia feminina que tanto precisa. Ele tem toda a bagagem acadêmia que ela gostaria e nunca teve acesso, ela esbanja o humor e descontração que faltam na vida dele. Tem como uma mistura dessa dar errado?

Garry Marshall (RIP) e suas obras de arte cinematográficas. Como falar de Uma Linda Mulher? O QUE falar dele? Que Richard Gere está lindo e Julia Roberts maravilhosa? Que é um conto de fadas da vida moderna? Que tem visual inspirador ainda 30 anos depois, com suas ruas icônicas de Hollywood, desde a mais sofisticada à super underground, e figurinos que gostaríamos de usar aqui na realidade em todos os dias da nossa vida? Eu tenho ORGULHO PESSOAL em ter nascido no mesmo ano que o amor de Edward e Vivian. Eu me gabo disso, ainda que seja um fato que não pude controlar. Perfeito!

03) GHOST: DO OUTRO LADO DA VIDA

5 filmes lançados em 1990 que você precisa assistir!

Título original: Ghost (EUA) ***** | Assista ao trailer!

Mais uma história de amor clássica do cinema norte americano (estamos românticas hoje, veja bem). Em Ghost, Sam é morto em um assalto, deixando a namorada Molly em luto completo nos dias seguintes, mas seu espírito permanece na Terra, podendo até acompanha-la. Ele descobre, então, que tem como assunto inacabado as falcatruas de um colega de trabalho das quais já tinha conhecimento e que põe a moça em risco de ter o mesmo destino. Para mudar isso, vai atrás de Oda Mae, uma médium charlatã que, após anos de falcatruas fingindo ouvir espíritos, enfim adquire esse dom ao se deparar com o dele.

Esse é “daqueles”… Que a gente não precisa ver pra saber o quanto é grande. Mesmo quem nunca assistiu conhece a famosa cena do jovem casal se beijando em frente à mesa giratória enquanto ela cria um vaso de barro ao som de “Unchained Melody”… Ou mesmo já espera rir um pouco da atuação grandiosa e vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante de Whoopi Goldberg em meio a um drama tão triste, mas pelo qual vale a pena chorar. E, curiosidade pessoal, já que o tema é esse: ele foi lançado na gringa dia 13 de julho de 1990, quando eu tinha apenas 3 dias de vida!

04) CONVENÇÃO DAS BRUXAS

5 filmes lançados em 1990 que você precisa assistir!

Título original: The Witches (Reino Unido) ***** | Assista ao trailer!

Um terror infantil que marcou várias crianças ao assisti-lo na Sessão da Tarde, resta decidir se positivamente ou não. Baseado no livro de mesmo nome, Convenção das Bruxas é a história de Luke, uma garoto cuja avó alertou prontamente sobre a existência de bruxas, seres malignos que se disfarçam de mulheres comuns e odeiam crianças. Para desespero do garoto, os dois se hospedam justamente em um hotel onde ele descobre estar acontecendo um encontro de bruxas britânicas que pretendem transformar todas as crianças do mundo em ratos.

Esse filme me traumatizou tanto que eu sequer conseguia pronunciar a palavra “bruxa” na música do teatrinho que fizemos na minha formatura da pré-escola. Passei semanas dormindo no quarto dos meus pais porque meu medinho já existente causado por “Abracadabra” se transformou em horror. O visual de Anjelica Huston como a líder delas é PAVOROSO e meus piores pesadelos envolviam ficar presa por ela em um quadro como aconteceu com a amiga de infância da avó de Luke. Gente… Juro, apesar de ter opinião completamente diferente de bruxaria hoje em dia e reconhecer o valor enorme dele, tanto que adicionei na lista, só se escrever esse pedacinho do post arrepiei toda! Acho que é um bom sinal, né? Pros que não são bocós e adoram, se preparem: um remake está em produção contando com as maravilhosas Anne Hathaway e Octavia Spencer!

05) LUA DE CRISTAL

5 filmes lançados em 1990 que você precisa assistir!

Título original: Lua de Cristal (Brasil) ***** | Assista ao trailer!

E eu sei que você aí, cinéfilo cult, virou o nariz pra minha lista nesse exato momento, mas não me importo. Lua de Cristal merece estar aqui e, no momento literalmente, só minha opinião importa. Maria da Graça, interpretada por Xuxa Meneghel (porque SIM, ela deu seu nome de batismo pra personagem), se muda para a casa da tia na cidade grande com o objetivo de ser cantora, algo que sua timidez sempre a impediu de tentar. Chegando lá ela é feita de escrava por seu casal de primos e fica amiga de Duda, sua vizinha, e de Bob, um entregador que surge para ser o príncipe incomum, porém perfeito para caber direitinho no seus sonhos.

Brega da primeira até a última cena, com força. Contando com a presença de Sérgio Malandro, ainda por cima, no papel de mocinho da história, além de paquitas e paquitos como coadjuvantes. A cena clímax meio princesa, meio fada, então? Pelo amor de Deus, sinto vergonha alheia só de pensar. Tudo isso embalado pela música título cuja letra é todos os textos de auto ajuda condensados em forma de poesia. Só que não podemos esquecer que estamos em 1990, né? Se essa não é uma manifestação extrema da cultura popular do nosso país naquela época, eu não sei o que é.

BÔNUS: FILME LANÇADO EM 1990 QUE EU PRECISO ASSISTIR!

5 filmes lançados em 1990 que você precisa assistir!

Lembranças de Hollywood (Postcards from the Edge), EUA | Assista ao trailer!

Vejo MUITA gente falando que essa comédia é bem mediana e decepcionante para os padrões que se espera do elenco e mesmo da temática principal… Mas eu AMO MUITO a Meryl Streep! Tenho aqui esse plano de assistir a todos os filmes para os quais ela foi indicada ao Oscar, já que os que realmente ganhou felizmente vi, e esse tá na lista, uai, tem que entrar nas metas e é isso aí. Ainda mais contracenando com a também gigante Shirley MacLaine.

O roteiro foi escrito por Carrie Fisher, eterna Princesa Leia de Star Wars, cuja trajetória marcada pela loucura de ter pais famosos está super presente na história, que aborda a relação de uma dupla de mãe e filha nessa mesma situação… Bem naquela vibe de “a vida imita a arte”, sabe? Esse sempre foi um dos motivos que me deixou curiosa para ele, mas depois de conhecer um pouco mais a fundo sobre como ela se sentia nesse lugar ao ler Memórias da Princesa: Os Diários de Carrie Fisher, a vontade ficou ainda maior. Mesmo que não seja biográfico, com certeza tem pitadinhas de experiência pessoal, mesmo que superficiais, aqui e ali… Alguém aí já viu pra me dar o veredito?

ATENÇÃO! Todos os pôsteres de filmes que ilustram esse post foram tirados de suas respectivas páginas no site Filmow, acesso em 1º de maio de 2020.

Interação United Blogs

Esse post faz parte da BLOGAGEM COLETIVA de Maio do United Blogs, que tem como tema O ANO EM QUE NASCI, sugerido por mim(!): “Em que ano você nasceu? Explore o tema e o interprete como quiser dentro do seu nicho! Liste um ou mais acontecimentos importantes, de repente uma música bacana lançada nesse ano, ou algum famoso que você admira que nasceu no mesmo ano que você. As possibilidades são muitas, então solte a criatividade!”. Veja outros textos participantes em breve.

Um Amor, Mil Casamentos

Em 26.04.2020   Arquivado em Filmes

Um Amor, Mil Casamentos (Love, Wedding, Repeat) *****
Um Amor, Mil Casamentos Elenco: Sam Claflin, Olivia Munn,, Eleanor Tomlinson, Freida Pinto, Joel Fry, Aisling Bea, Allan Mustafa, Jack Farthing, Tim Key
Direção: Dean Craig
Gênero: Comédia, Romance
Duração: 100 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Jack, um homem que ajuda sua irmã no casamento dos sonhos. Ao mesmo tempo, ele inesperadamente se reúne com Dina (Olivia Munn), a mulher por quem se apaixonou e perdeu há dois anos atrás, iniciando uma série de eventos desastrosos e hilários.” Fonte: Filmow.

Jack conheceu Dina por intermédio de sua irmã, com quem fez faculdade. Depois de dias muito agradáveis juntos em Roma, perto da hora de se despedir, ele é interrompido no momento em que pretende se declarar para a moça, jornalista de guerra prestes a embarcar para um trabalho. Dois anos se passam e eles se reencontram na Itália para o casamento da mesma irmã/amiga que os apresentou, o que parece ser a oportunidade perfeita para compensar esse tempo perdido e, enfim, tentar engatar um romance que nunca teve a oportunidade de começar. Porém, a presença de um penetra que pretende estragar a cerimônia e as atitudes travessas de crianças que brincam de trocar os lugares nas mesas podem levar tudo a perder…

Um remake do francês “Plan de Table”, de 2012, Um Amor, Mil Casamentos é uma produção Netflix lançada na Sexta Feira da Paixão como promessa de entretenimento para o feriado de Páscoa. Apostando em um dos queridinhos do momento no gênero, Sam Claflin (eternizado como o Finnick da série Jogos Vorazes), o filme é um longa metragem divididos em dois atos, ambos em torno dos mesmos eventos: o desejo dele em conquistar Dina e o plano do casal de irmãos de dopar um ex colega da noiva que pretende arruinar seu grande dia por estar apaixonado por ela. E é lógico, como mostrado no próprio trailer, que essa ideia dá errado, ocasionando nas confusões que prometem causar risadas e emoção em quem assiste, como uma boa comédia romântica deve fazer.

Um Amor, Mil Casamentos

Um Amor, Mil Casamentos: Imagem via Cinema Blend.

Ironicamente o filme não cumpre nenhum desses requisitos. Como comédia é extremamente fraco, com piadas sem graça, acontecimentos previsíveis e atuações bastante forçadas. A quebra dos atos corta completamente o clímax quando ele finalmente promete se desenrolar, e a chegada da segunda metade da história é ainda mais massante e decepcionante que a primeira. Pessoalmente eu confesso que só terminei de assisti-lo porque REALMENTE estava precisando de uma pauta para o blog e foi uma grande decepção, uma vez que divulgação da Netflix foi fortíssima a ponto de eu adicionar à Minha Lista antes mesmo do lançamento.

A emoção, normalmente vinculada à parte romântica do gênero, também não acontece. A trama tem vários casais, alguns que já estão juntos, outros que já estiveram e, claro, os que pretendem ser formados. NENHUM DELES, em nenhum momento, cativa o expectador. Não fica aquela tensão no ar, onde a gente espera pelos eventos torcendo por eles, nem mesmo os noivos ou os protagonistas da história causam isso. A verdade é que as personagens são mal apresentadas e ainda mais mal desenvolvidas, não permitindo a afeição por elas individualmente, quiçá em conjunto. Sendo bem sincera estou até surpresa em saber que sua duração é de pouco mais de uma hora e meia porque, pra mim, pareciam várias horas. A parte positiva da minha avaliação foi por causa do elenco bacana, cenário LINDÍSSIMO e os cinco minutos finais que, ainda que clichê, conseguiram ser bonitinhos. Fora isso, uma perda de tempo…

Trailer:

Adoráveis Mulheres

Em 15.03.2020   Arquivado em Filmes

Adoráveis Mulheres (Little Women) *****
Adoráveis Mulheres Elenco: Saoirse Ronan, Timothée Chalamet, Florence Pugh, Emma Watson, Eliza Scanlen, Laura Dern, Meryl Streep, Louis Garrel, James Norton, Bob Odenkirk, Chris Cooper, Tracy Letts, Jayne Houdyshell
Direção: Greta Gerwig
Gênero: Drama
Duração: 135 min
Ano: 2019
Classificação: 10 anos
Sinopse: “As irmãs Jo (Saoirse Ronan), Beth (Eliza Scanlen), Meg (Emma Watson) e Amy (Florence Pugh) amadurecem na virada da adolescência para a vida adulta enquanto os Estados Unidos atravessam a Guerra Civil. Com personalidades completamente diferentes, elas enfrentam os desafios de crescer unidas pelo amor que nutrem umas pelas outras.” Fonte: Filmow.

Comentários: As quatro irmãs March podem ter crescido sob o mesmo teto, mas são bem diferentes entre si. Meg, a mais velha, é obediente e sonhadora, com objetivos de vida bem condizentes com o que se espera em sua época. Jo, protagonista da história, é impulsiva, tem personalidade forte e sonha em ser escritora, criando histórias que elas se divertem ao atuar. Beth é a mais conformada e Amy pensa alto, com objetivo de ser uma famosa pintora casada com um homem bem rico. Com o pai longe, lutando na Guerra Civil Americana, e a mãe se esforçando ao máximo para manter a própria família e as necessitadas que vivem ao redor com pão em suas mesas, as garotas chegam à vida adulta com vários dilemas e realizações típicas desse período ao lado do vizinho, e melhor amigo de Jo, Laurie.

Adoráveis Mulheres é a 8ª adaptação em longa metragem do livro “Mulherzinhas”, de Louisa May Alcott, e 3ª que assisto. As duas anteriores, uma de 1994 com Winona Ryder e Claire Danes e outra de 2018 que conta uma versão contemporânea da história, são bem semelhantes no que diz respeito à linha do tempo, usando inclusive duas atrizes para retratar a passagem de tempo de Amy, irmã mais nova. Essa nova versão, porém, foca um pouco mais na vida adulta das quatro, intercalando acontecimentos desse período com os de 7 anos antes, que as levaram ao ponto onde chegaram. Achei que isso “estragaria” o final, o tornando previsível, mas me enganei, o fechamento foi ainda mais bonito do que nas outras, digno do resto do enredo.

Adoráveis Mulheres

Imagem via Variety

De todos os pontos positivos dessa história o que mais me impacta é que tem uma personagem principal forte, mas com a qual é doído se identificar justamente por ser imperfeita. Jo é inspirada na própria autora da obra, mas não é só criativa, destemida e contestadora, um exemplo para meninas de seu tempo pensar “fora da caixinha”. Ela também sente raiva, inveja e sabe ser bem egoísta, e é o que a torna ainda mais incrível do que se fosse uma heroína perfeitinha e intangível… Ela é real! É crível, como nós que a admiramos também somos.

Desde a divulgação do longa, uma coisa era certa: o elenco de peso é o grande destaque dessa produção. Saoirse Ronan e Florence Pugh foram indicadas ao Oscar como Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente, e realmente dão voz e rosto na medida certa às duas irmãs mais expressivas e ativas que são Jo e Amy. É impressionante como as duas são diferentes e, ainda assim, possuem a mesma gana de vencer naquilo que gostam de fazer. Elas conseguem brilhar mesmo estando ao lado de Laura Dern (que levou a estatueta de Melhor Coadjuvante por “História de Um Casamento”) e da incomparável Meryl Streep, que interpreta a rica e fria tia March. Até Emma Watson, cuja falta de expressão sempre me incomoda, foi escolhida na medida dessa vez! Fez um trabalho bem bonito, assim como todos os outros.

Porém, tendo esse foco na vida delas separadamente, um aspecto muito importante da história passou um pouco batido, que é justamente a relação e amizade das quatro irmãs. As brincadeiras de interpretar os textos de Jo aparecem com menos frequência, a amizade da protagonista com Laurie soa até mais importante que a delas entre si, e isso tirou um pouco o peso do drama final. Não torna o filme realmente ruim, mas é difícil definir qual dos momentos dele é o clímax, porque são vários ápices seguidos. Fora isso realmente achei impecável! Foi indicado a 8 Oscars, vencedor de Melhor Figuro com razão, visualmente também é bonito demais, do começo ao fim!

Trailer:

Por Lugares Incríveis

Em 28.02.2020   Arquivado em Filmes

Por Lugares Incríveis (All The Bright Places) *****
Por Lugares Incríveis Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandra Shipp, Felix Mallard, Keegan-Michael Key, Luke Wilson, Virginia Gardner, Alex Haydon, Kelli O’Hara, Lamar Johnson, Nicole Forester DemiP, Sara Katrenich, Sofia Hasmik
Direção: Brett Haley
Gênero: Romance, Drama
Duração: 108 min
Ano: 2020
Classificação: 16 anos
Sinopse: “Quando Theodore Finch conhece Violet Markey em circunstâncias nada usuais, uma amizade única surge entre os dois. Cada um com seus próprios traumas e sofrimentos, eles se juntam para fazer um trabalho de geografia e acabam descobrindo muito mais do que os lugares incríveis no estado onde moram: a vontade de salvar um ao outro e continuar vivendo.” Fonte: Filmow.

Comentários: Violet Markey se sente à beira de um abismo. No aniversário de 19 anos de sua irmã, o primeiro depois do acidente que resultou na sua morte, ela se vê parada mesma ponte onde a tragédia aconteceu. Se teria pulado ou não, ela não teria como saber, porque foi interrompida por Theodore “Aberração” Finch, um colega de escola do qual seus amigos fazem questão de manter distância. Claramente interessado no que pode tê-la levado a esse ponto extremo, o garoto se oferece como parceiro num trabalho de geografia onde eles precisam andar pelo estado de Indiana e descobrir maravilhas escondidas por lá. Ela exita, mas acaba tendo que ceder, e desse projeto acaba nascendo uma amizade (e, mais tarde, romance) completamente inusitada. Finch então tenta mostrar a Violet que ela precisa voltar pro mundo, enquanto ele próprio lida com as próprias crises.

Adaptado do livro de mesmo nome de Jennifer Niven, publicado no Brasil pela Editora Seguinte, e roteirizado pela própria autora e Liz Hannah, Por Lugares Incríveis é uma produção Netflix que chegou ao serviço de streaming essa sexta feira, dia 28. Um alerta sobre transtornos mentais sustentado por um romance adolescente de pano de fundo, ele irresponsavelmente não contém aviso de gatilho, mas devia. A classificação indicativa se refere, exclusivamente, ao peso da narrativa, que consegue ser bonita sem apelar para a romantização dessas doenças. Apesar de rápido, um daqueles filmes onde muita coisa acontece em pouco tempo de tela, o expectador consegue ver o crescimento da relação entre as personagens, traços da sua personalidade e, claro, receber o impacto de vários momentos de drama, intensificados com uma trilha sonora que casa perfeitamente com cada uma das cenas.

Por Lugares Incríveis

Imagem via Daily Motion

O casal protagonista é, talvez e mais ainda do que o roteiro, o melhor de todos os aspectos. Elle Fanning passa os sentimentos de “Ultravioleta” de forma tão melancólica, tão triste e perdida, que você consegue perceber que aquela garota de rostinho tão delicado está, no momento, carregando mais peso do que consegue suportar após sua perda. É uma vontade quase pessoal vê-la superando a ausência de Eleonor, sua irmã, para voltar a ter o brilho que em algum momento esteve ali. Justice Smith, protagonista da série The Get Down também lançada pela plataforma, mais uma vez mostrou ao que veio ao transmitir a “montanha russa” de sentimentos de Finch o interpretando, hora sorridente e brincalhão e logo em seguida quase fora de si, como se fosse duas pessoas diferentes. O elenco de apoio é também formado de vários artistas maravilhosos, que junto com o visual rústico e intimista de Indiana conseguem captar o expectador para emocionar.

Leia também: Por Lugares Incríveis, resenha do romance no qual esse filme é adaptado.

É claro que, como grande fã do livro,não posso deixar de destacar minha satisfação em relação ao longa também como uma adaptação. As mudanças e cortes, sempre necessários para se adequar à mídia, foram bem pensados de forma que o foco é ver a mensagem da história sendo passada, mais do que agradar preciosistas. Mesclando alguns personagens, deixando outros de lado para destacar os que foram colocados, reorganizando a ordem das andanças pra que as mais significativas tivessem importância. E se o livro te dá vontade de conhecer tudo na vida real, nossa, o apelo visual contribui horrores pra isso. Fiquei até me imaginando nos lugares, agora que sei exatamente como são. Acho que deve ser interessante pra quem ler depois de assistir, porque as diferenças vão se destacar de maneira surpreendente, enquanto pra quem faz o contrário, como eu, esses elementos trazem sensação enorme de carinho. As principais frases de efeito também estão lá, e ainda bem porque a Jennifer escreve lindamente!

Porém, senti falta de ver aprofundamento ao expor o quadro mental do Finch, já que a bipolaridade e tendência suicida não ficam claras e deu a impressão de que ele tem “só” depressão e usa humor para combatê-lo, reforçada pelos problemas familiares. É um olhar com maior possibilidade de identificação por parte de quem assiste, então funcionou, mas uma perda ainda assim no que diz respeito à discussão levanta. Existe também um projeto pessoal da Violet, não relacionado diretamente ao relacionamento deles, que seria interessante ver mencionado, mas talvez eu me importe mais com isso porque é o ponto principal em que temos em comum, não afeta o enredo. Fora isso, pessoalmente, achei bastante satisfatório! Ao final, antes dos créditos, consta o link de um site com contato para canais de ajuda em todo o mundo, inclusive o Brasil, pra reforçar a ideia principal que realmente importa: existem lugares incríveis. Você não está sozinho. Tente buscar ajuda!

Trailer:

Era Uma Vez em… Hollywood

Em 09.02.2020   Arquivado em Filmes

Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time in… Hollywood) *****
Era Uma Vez em... Hollywood Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Rafal Zawierucha, Damon Herriman, Austin Butler, Mikey Madison, Madisen Beaty, Dakota Fanning, Kurt Russell, Al Pacino, Lena Dunham, Dallas Jay Hunter, Brenda Vaccaro, Margaret Qualley, Lorenza Izzo, Zoë Bell, Bruce Dern, Costa Ronin, Craig Stark, Damian Lewis, Danielle Harris, Dreama Walker, Eddie Perez, Emile Hirsch Jay, Harley Quinn Smith, James Landry Hébert, James T. Schlegel, Julia Butters, Kansas Bowling, Keith Jefferson, Lew Temple Land, Luke Perry, Maurice Compte, Maya Hawke, Mike Moh, Nicholas Hammond, Rachel Ashley Redleaf Cass, Rebecca Gayheart, Rebecca Rittenhouse, Rumer Willis, Samantha Robinson, Scoot McNair,Spencer Garrett, Sydney Sweeney, Timothy Olyphant, Victoria Pedretti
Direção: Quentin Tarantino
Gênero: Drama, Policial, Ação
Duração: 165 min
Ano: 2019
Classificação: 16 anos
Sinopse: “”Era Uma Vez em… Hollywood” revisita a Los Angeles de 1969 onde tudo estava em transformação, através da história do astro de TV Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu dublê de longa data Cliff Booth (Brad Pitt) que traçam seu caminho em meio à uma indústria que eles nem mesmo reconhecem mais.” Fonte: Filmow.

Comentários: Era Uma Vez em… Hollywood é o 9º filme dirigido, roteirizado e produzido pelo cineasta Quentin Tarantino e concorre a DEZ CATEGORIAS do Oscar 2020, cuja premiação irá acontecer hoje à noite: Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leornardo Di Caprio), Melhor Ator Coadjuvante (Brad Pitt), Melhor Fotografia, Edição de Som, Figurino, Direção de Arte e Mixagem de Som (ufa!). Sediado na Hollywood dos anos 60, ele conta a história fictícia de Rick Dalton, astro de televisão, e seu amigo e dublê Cliff Booth, que em dado momento se cruza com acontecimentos baseados em fatos reais relacionados ao brutal assassinato da atriz e modelo Sharon Tate, interpretada por Margot Robbie, cometido pelo famoso grupo de criminosos à época conhecido como Família Manson.

Então antes de falar do filme em si, caso você não esteja familiarizado com o que aconteceu de verdade… Senta que lá vem história!

A “Família Manson” foi um grupo de seguidores do criminoso Charles Manson em Los Angeles na década de 60. Anteriormente músico, ele passou a reunir jovens homens e mulheres, muitos dos quais usuários de drogas saídos de lares ricos onde não se encaixavam, para morar em Spahn Movie Ranch, vivendo dos golpes cometidos e, ocasionalmente, busca por comida descartada em latas de lixo da cidade. Em agosto de 1969, um ano após se casar com o cineasta Roman Polanski e a 15 dias de dar a luz ao primeiro filho do casal, Sharon Tate e seus amigos foram assassinados a tiros, espancamento e facadas (tendo ela própria levado 16, algumas direto na barriga ainda grávida) por alguns dos seguidores de Manson, que naquela madrugada também assassinaram o casal LaBianca, deixando em ambas as casas mensagens escritas a sangue com referências a música dos Beatles, que seu líder idolatrava. O Caso Tate-LaBianca foi um dos fatores responsáveis pelo grupo ser identificado e condenado, e muitos deles ainda cumprem pena de prisão perpétua pelos crimes cometidos.

Eu realmente não sabia o que esperar desse filme, mas nada que passou pela minha cabeça antes de assisti-lo chegou perto do que foi de verdade. Tenho CERTEZA que vai levar a estatueta de Roteiro Original (podem me cobrar mais tarde vixi, errei, mas Parasita mereceu!) porque é até difícil descrever o quanto gostei sem revelar demais. QUALQUER COISA que eu disser revela demais. A linha do tempo é linear e ainda assim incomum, o narrador só aparece quando pertinente, mas não soa “solto” ali. Um filme sobre fazer filmes, suas personagens interpretam personagens, cenários são movidos para deixar claro que são cenários, e um elenco que, nossa, faltam palavras pra descrever. A única vez que gostei da atuação de Brad Pitt além dessa foi em “Bastardos Inglórios”, do mesmo diretor, e mais uma vez a combinação foi ideal. Leonardo diCaprio também está melhor do que nunca, melhor do que em “Django Livre”, melhor em um nível que dava vontade de continuar vendo o filme que Rick Dalton estava fazendo, até esqueci em um momento que aquele não era seu papel e sim o papel de seu papel. Margot Robbie também está melancolicamente linda e todo o resto, de coadjuvantes relevantes ao apoio, foi selecionado a dedo para impressionar.

Falando de estilo pessoal, foi bem surpreendente pra mim a ausência de algumas “tarantinices” ao longo da história, começando pelo fato de que ele, Samuel L. Jackson e Christoph Waltz não compõe o elenco. Um ou dois eu já esperava, mas faltar todos os três foi uma surpresa que não comprometeu em nada no enredo. Quase não teve “fumacinha de sangue”, aquele ar trash meio “galhofa” ficou meio de lado e, ainda assim e ainda bem, dá pra perceber de quem é o longa. Ele faz, é claro e como sempre, homenagens às suas obras anteriores ao citar a marca de cigarros Red Apple (presente em vários deles), mostrando personagens andando em frente ao mesmo painel do LAX por onde passou Jackie Brown em uma de suas cenas mais famosas, a breve repetição de “fogo nos nazistas” como referência a Bastardos Inglórios (um dos meus momentos favoritos da história do cinema) e vários easter eggs relativos a Kill Bill. Isso já lhe é comum, mas uma vez que é um filme que homenageia o cinema dessa vez, em especial, não podia faltar esse tipo de coisa tanto referente a seus filmes, como também vários outros de terceiros.

Era Uma Vez em... Hollywood

Imagem via Veja

É também o filme com menos “tempo em tela” de cenas de violência que já vi dele, mesmo se comparado a Jackie Brown que considero o mais leve. Na verdade existem apenas dois momentos sangrentos, um bem no meio e outro no clímax, e esse compensou toda a ausência anterior superando até mesmo Os Oito Odiados. Apesar de gostar de toda a filmografia do cara eu sou, e confesso, bem fresca pra essas coisas, então quando vi que os rumos estavam exagerados simplesmente peguei o celular e fiquei mexendo sem olhar pra tela, apenas ouvindo gritos e pancadaria enquanto minha visão periférica me dava uma ideia do que estava acontecendo. E eu sei que muita gente que o conhece pode pensar “Ah, violência e Tarantino, que surpresa!”, mas juro, é realmente indigesto, apesar de obviamente esperado.

De um modo geral você quase não entende o objetivo das duas primeiras horas de filme, o que pode ser bem cansativo se não puder fazer intervalos, até tudo enfim fazer sentido nos quarenta minutos finais, onde ela se desenrola de verdade. Eu não conseguia entender COMO a família da Sharon Tate tinha autorizado usar os acontecimentos que desencadearam na sua morte numa obra agora, só 50 anos depois, enquanto tudo estão tão recente, ainda mais se tratando de um crime tão brutal. Cheguei a ler que a irmã dela inicialmente negou e só aceitou depois que o próprio Tarantino deixou que lesse o roteiro, o que a fez não só permitir como também elogiar. E foi chegando ao final que entendi. Os últimos minutos me trouxeram lágrimas que eu já sabia que viriam, mas por motivos inesperados, e deixaram meus braços REALMENTE arrepiados. E por mais que eu seja contra o uso da violência “tarantinesca” em qualquer momento da vida, foi inevitável pensar em toda a parte não real da história e imaginar “E se…?”.

Trailer:

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