Categoria "Filmes"

Era Uma Vez em… Hollywood

Em 09.02.2020   Arquivado em Filmes

Era Uma Vez em… Hollywood (Once Upon a Time in… Hollywood) *****
Era Uma Vez em... Hollywood Elenco: Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Rafal Zawierucha, Damon Herriman, Austin Butler, Mikey Madison, Madisen Beaty, Dakota Fanning, Kurt Russell, Al Pacino, Lena Dunham, Dallas Jay Hunter, Brenda Vaccaro, Margaret Qualley, Lorenza Izzo, Zoë Bell, Bruce Dern, Costa Ronin, Craig Stark, Damian Lewis, Danielle Harris, Dreama Walker, Eddie Perez, Emile Hirsch Jay, Harley Quinn Smith, James Landry Hébert, James T. Schlegel, Julia Butters, Kansas Bowling, Keith Jefferson, Lew Temple Land, Luke Perry, Maurice Compte, Maya Hawke, Mike Moh, Nicholas Hammond, Rachel Ashley Redleaf Cass, Rebecca Gayheart, Rebecca Rittenhouse, Rumer Willis, Samantha Robinson, Scoot McNair,Spencer Garrett, Sydney Sweeney, Timothy Olyphant, Victoria Pedretti
Direção: Quentin Tarantino
Gênero: Drama, Policial, Ação
Duração: 165 min
Ano: 2019
Classificação: 16 anos
Sinopse: “”Era Uma Vez em… Hollywood” revisita a Los Angeles de 1969 onde tudo estava em transformação, através da história do astro de TV Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e seu dublê de longa data Cliff Booth (Brad Pitt) que traçam seu caminho em meio à uma indústria que eles nem mesmo reconhecem mais.” Fonte: Filmow.

Comentários: Era Uma Vez em… Hollywood é o 9º filme dirigido, roteirizado e produzido pelo cineasta Quentin Tarantino e concorre a DEZ CATEGORIAS do Oscar 2020, cuja premiação irá acontecer hoje à noite: Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Diretor, Melhor Ator (Leornardo Di Caprio), Melhor Ator Coadjuvante (Brad Pitt), Melhor Fotografia, Edição de Som, Figurino, Direção de Arte e Mixagem de Som (ufa!). Sediado na Hollywood dos anos 60, ele conta a história fictícia de Rick Dalton, astro de televisão, e seu amigo e dublê Cliff Booth, que em dado momento se cruza com acontecimentos baseados em fatos reais relacionados ao brutal assassinato da atriz e modelo Sharon Tate, interpretada por Margot Robbie, cometido pelo famoso grupo de criminosos à época conhecido como Família Manson.

Então antes de falar do filme em si, caso você não esteja familiarizado com o que aconteceu de verdade… Senta que lá vem história!

A “Família Manson” foi um grupo de seguidores do criminoso Charles Manson em Los Angeles na década de 60. Anteriormente músico, ele passou a reunir jovens homens e mulheres, muitos dos quais usuários de drogas saídos de lares ricos onde não se encaixavam, para morar em Spahn Movie Ranch, vivendo dos golpes cometidos e, ocasionalmente, busca por comida descartada em latas de lixo da cidade. Em agosto de 1969, um ano após se casar com o cineasta Roman Polanski e a 15 dias de dar a luz ao primeiro filho do casal, Sharon Tate e seus amigos foram assassinados a tiros, espancamento e facadas (tendo ela própria levado 16, algumas direto na barriga ainda grávida) por alguns dos seguidores de Manson, que naquela madrugada também assassinaram o casal LaBianca, deixando em ambas as casas mensagens escritas a sangue com referências a música dos Beatles, que seu líder idolatrava. O Caso Tate-LaBianca foi um dos fatores responsáveis pelo grupo ser identificado e condenado, e muitos deles ainda cumprem pena de prisão perpétua pelos crimes cometidos.

Eu realmente não sabia o que esperar desse filme, mas nada que passou pela minha cabeça antes de assisti-lo chegou perto do que foi de verdade. Tenho CERTEZA que vai levar a estatueta de Roteiro Original (podem me cobrar mais tarde vixi, errei, mas Parasita mereceu!) porque é até difícil descrever o quanto gostei sem revelar demais. QUALQUER COISA que eu disser revela demais. A linha do tempo é linear e ainda assim incomum, o narrador só aparece quando pertinente, mas não soa “solto” ali. Um filme sobre fazer filmes, suas personagens interpretam personagens, cenários são movidos para deixar claro que são cenários, e um elenco que, nossa, faltam palavras pra descrever. A única vez que gostei da atuação de Brad Pitt além dessa foi em “Bastardos Inglórios”, do mesmo diretor, e mais uma vez a combinação foi ideal. Leonardo diCaprio também está melhor do que nunca, melhor do que em “Django Livre”, melhor em um nível que dava vontade de continuar vendo o filme que Rick Dalton estava fazendo, até esqueci em um momento que aquele não era seu papel e sim o papel de seu papel. Margot Robbie também está melancolicamente linda e todo o resto, de coadjuvantes relevantes ao apoio, foi selecionado a dedo para impressionar.

Falando de estilo pessoal, foi bem surpreendente pra mim a ausência de algumas “tarantinices” ao longo da história, começando pelo fato de que ele, Samuel L. Jackson e Christoph Waltz não compõe o elenco. Um ou dois eu já esperava, mas faltar todos os três foi uma surpresa que não comprometeu em nada no enredo. Quase não teve “fumacinha de sangue”, aquele ar trash meio “galhofa” ficou meio de lado e, ainda assim e ainda bem, dá pra perceber de quem é o longa. Ele faz, é claro e como sempre, homenagens às suas obras anteriores ao citar a marca de cigarros Red Apple (presente em vários deles), mostrando personagens andando em frente ao mesmo painel do LAX por onde passou Jackie Brown em uma de suas cenas mais famosas, a breve repetição de “fogo nos nazistas” como referência a Bastardos Inglórios (um dos meus momentos favoritos da história do cinema) e vários easter eggs relativos a Kill Bill. Isso já lhe é comum, mas uma vez que é um filme que homenageia o cinema dessa vez, em especial, não podia faltar esse tipo de coisa tanto referente a seus filmes, como também vários outros de terceiros.

Era Uma Vez em... Hollywood

Imagem via Veja

É também o filme com menos “tempo em tela” de cenas de violência que já vi dele, mesmo se comparado a Jackie Brown que considero o mais leve. Na verdade existem apenas dois momentos sangrentos, um bem no meio e outro no clímax, e esse compensou toda a ausência anterior superando até mesmo Os Oito Odiados. Apesar de gostar de toda a filmografia do cara eu sou, e confesso, bem fresca pra essas coisas, então quando vi que os rumos estavam exagerados simplesmente peguei o celular e fiquei mexendo sem olhar pra tela, apenas ouvindo gritos e pancadaria enquanto minha visão periférica me dava uma ideia do que estava acontecendo. E eu sei que muita gente que o conhece pode pensar “Ah, violência e Tarantino, que surpresa!”, mas juro, é realmente indigesto, apesar de obviamente esperado.

De um modo geral você quase não entende o objetivo das duas primeiras horas de filme, o que pode ser bem cansativo se não puder fazer intervalos, até tudo enfim fazer sentido nos quarenta minutos finais, onde ela se desenrola de verdade. Eu não conseguia entender COMO a família da Sharon Tate tinha autorizado usar os acontecimentos que desencadearam na sua morte numa obra agora, só 50 anos depois, enquanto tudo estão tão recente, ainda mais se tratando de um crime tão brutal. Cheguei a ler que a irmã dela inicialmente negou e só aceitou depois que o próprio Tarantino deixou que lesse o roteiro, o que a fez não só permitir como também elogiar. E foi chegando ao final que entendi. Os últimos minutos me trouxeram lágrimas que eu já sabia que viriam, mas por motivos inesperados, e deixaram meus braços REALMENTE arrepiados. E por mais que eu seja contra o uso da violência “tarantinesca” em qualquer momento da vida, foi inevitável pensar em toda a parte não real da história e imaginar “E se…?”.

Trailer:

Dois Papas

Em 06.02.2020   Arquivado em Filmes

Dois Papas (The Two Popes) *****
Dois Papas Elenco: Jonathan Pryce, Anthony Hopkins, Cristina Banegas, Juan Minujín, Luis Gnecco, Renato Scarpa, Dilma Rousseff, Papa Francisco, Bento XVI
Direção: Fernando Meirelles
Gênero: Drama
Duração: 125 min
Ano: 2019
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Filme centrado na relação entre o Papa Bento XVI e o Papa Francisco. Produção da Netflix com direção do brasileiro Fernando Meirelles (Cidade de Deus). O filme explora o relacionamento e as visões opostas entre dois dos líderes mais poderosos da Igreja Católica, que devem abordar seus próprios passados e as demandas do mundo moderno para guiar a igreja para a frente.” Fonte: Filmow.

Comentários: Dois Papas, filme da Netflix dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles, concorre a três estatuetas no Oscar 2020, que acontecerá nesse domingo (09): Melhor Roteiro Adaptado (Anthony McCarten), Melhor Ator (Jonathan Pryce) e Melhor Ator Coadjuvante (Anthony Hopkins). Nele vemos uma história de ficção baseada em fatos reais onde McCarten sugere como seriam os acontecimentos entre 2005 e 2013 no Vaticano, da nomeação à renúncia de Bento XVI, se ele e o Papa Francisco tivessem estabelecido uma relação de amizade nesse meio tempo. Com fotografia belíssima, diálogos extremamente bem trabalhados e uma dose de humor em meio a muito drama, suas duas horas de duração fluem de maneira muito tranquila mesmo para aqueles que não estão tão inseridos na temática principal.

Digo isso na pele de uma pessoa que não segue qualquer religião, mas foi criada por duas famílias católicas, então frequentei a igreja por um tempo, não por me identificar mas também sem ser forçada, e acompanhei de certa forma alguns episódios retratos nele. Quando Bento XVI assumiu o título eu estudava em um colégio católico onde cheguei a ser crismada meses depois, e sua decisão de sair do cargo veio logo após ser escolhida como madrinha da minha irmã no mesmo sacramento. Essa conexão com o momento torna a narrativa mais interessante, traz as lembranças de “O que eu estava fazendo nesse dia?” quando algumas cenas apareciam na tela.

Dois Papas

Imagem via Veja, artigo onde pode-se ter ideia do que é verdade e o que não é no longa!

No que diz respeito à parte técnica, o filme é IMPECÁVEL, com total destaque para as duas atuações protagonistas inquestionavelmente maravilhosas. Maior parte do roteiro gira em torno de conversas não verídicas entre eles, que tornam aquelas figuras quase mitológicas no nosso cotidiano no que eles são realmente: seres humanos. Pessoalmente sempre tive antipatia por Bento XVI, assim como tenho por qualquer órgão ou personalidade que representa e age através do conservadorismo, e no que diz respeito a Francisco sinto o contrário, acho importantíssimo que entidades tão antigas e arcaicas sejam guiadas por uma mente progressista. Ver erros e acertos vindos de ambos os lados ajudou muito a enxergar duas pessoas, não meras autoridades.

A obra também faz uso de cenas históricas, atuadas e documentais, que mostram muito além do breve intervalo de tempo onde é focada, pontuando o regime militar ocorrido na Argentina entre as década de 60 e 70, incluindo vídeos reais das Mães da Plaza de Mayo, e a existência do muro de Berlim na Alemanha, nações dos dois Pontífices retratados. São tomadas bastante sentimentais e até questionadoras sobre a Igreja em si. Uma vez que o final do mandato de Bento XVI foi rodeado de escândalos onde foram revelados vários podres da mesma, isso fica inevitável, mas ele não chega a de fato invalidá-la como organização, de fato. Ao fim, durante os créditos finais, alguns minutos de descontração em meio ao emotivo onde eles assistem à final da Copa do Mundo de 2014 em que seus países se enfrentaram, e por mais que também não tenha acontecido de verdade é bem divertido de se ver, principalmente sabendo que Francisco é, de fato, apaixonado por futebol.

Leia também: Democracia em Vertigem, resenha do filme brasileiro que concorre ao prêmio de Melhor Documentário no Oscar 2020.

E claro que não podemos deixar de falar da trilha sonora, um dos pontos altos da história. Durante o enredo temos referências populares que ajudam o expectador a se identificar, começando por “Dancing Queen”, do ABBA (minha música favorita!) e terminando com “Blackbird”, dos Beatles… Ver duas bandas tão queridinhas ali foi algo que eu não esperava e ajudou na identificação mais um pouquinho. Também gostei de encontrar o momento onde eu de fato tinha algo em comum com duas pessoas com uma vida tão diferente da minha, ao ver Bento XVI aficionado por refrigerante e Papa Francisco jovem lendo “A Pedagogia do Oprimido” de Paulo Freire que é, hoje, a bibliografia base da minha monografia de pós-graduação que está em processo. Meirelles é diretor do filme nacional que mais gosto, “Cidade de Deus”, e fez jus à expectativa dessa vez também.

Trailer:

Democracia em Vertigem

Em 03.02.2020   Arquivado em Filmes

Democracia em Vertigem *****
Democracia em Vertigem Direção: Petra Costa
Gênero: Documentário
Duração: 113 min
Ano: 2019
Classificação: 12 anos
Sinopse: “Uma narrativa cautelosa em tempos de crise da democracia – o estopim pessoal e político para explorar um dos mais dramáticos períodos da história do Brasil. Combinando acesso exclusivo a líderes do passado e do presente (incluindo os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva) a relatos da biografia complexa de sua própria família, a diretora Petra Costa (Elena) testemunha a ascensão e a queda de políticos e o que restou do país, tragicamente polarizado.” Fonte: Filmow.

Comentários: Talvez essa seja a resenha mais ousada que já fiz nesse blog até hoje, o que de certa forma a torna também uma das mais importantes. Ela começou a ser escrita em junho de 2019, quando o documentário foi lançado na Netflix, confesso que precisei desse tempo todo pra dar a cara a tapa… Mas dei, isso é maior que o tempo. Não importa a opinião que eu publicar aqui e agora, já sei, é uma opinião impopular. E como tudo o que contém nesse blog, é pessoal, sincera e ACIMA DE TUDO com posição. Seja o que for que aconteça vai acontecer com meu pleno conhecimento de que JAMAIS fiquei em cima do muro.

“Somos uma república de famílias. Umas controlam a mídia, outras os bancos, elas possuem a areia, o cimento, a pedra e o ferro. De vez em quando, acontece de elas se cansarem da democracia, do Estado de direito. Como lidar com a vertigem de ser lançado em um futuro que parece tão sombrio como nosso passado mais obscuro? O que fazer quando a máscara da civilidade cai e o que se revela é uma imagem ainda mais assustadora de nós mesmos?” – Petra Costa

Democracia em Vertigem é um dos filmes indicados à categoria de Melhor Documentário de Longa Metragem no Oscar 2020, a maior premiação sobre cinema internacional do ano. Dirigido e narrado pela cineasta mineira Petra Costa, que através de sua visão intimista narra diversos acontecimentos na política nacional desde o primeiro mandato do presidente Lula, eleito em 2002, até o impeachment da Dilma oficializado em 2016, ressaltando causas e resultados desse marco da atual crise político-econômica (e, adiciono, SOCIAL) instalada ainda hoje no Brasil. Ela usa cenas da própria vida, com seus relatos e de sua família, recortes gravados direto com os envolvidos na história e, claro, gravações divulgadas e vazadas pela mídia de um modo geral.

Democracia em Vertigem

“(…) a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus.” – Dilma Rousseff | Imagem via Aventuras na História

Apesar das opiniões polarizadas, resultado do cenário brasileiro que também tem essa característica no momento, uma coisa é incontestável no que diz respeito ao documentário: ele é 100% HONESTO. Petra não se propõe, em momento algum, a fazer uma narração neutra ou isenta desses acontecimentos tão contemporâneos da nossa república. Ela deixa bem claro, desde início, quem é, de onde veio, para onde foi seu voto e até mesmo o envolvimento de familiares no contexto. Diferente da tão comentada série “O Mecanismo”, lançada também pela Netflix como um ensaio sobre a Operação Lava Jato, as personagens não são fictícias representando pessoas reais: ela dá nome e rosto a cada um, expondo quem disse o que sem precisar mudar autoria das falas ou fatos. Relata sua história e a do seu país, se mantendo à esquerda, sim, mas sem esconder isso em nenhum minuto.

E nem deveria. A definição de documentário não exige que o trabalho seja imparcial (juízes, por outro lado, devem ser sim!) e eu, como expectadora, também não preciso ao afirmar que mais do que qualquer obra de ficção, esse filme me trouxe choro e angústia por lembrar cada acontecimento dos fatos mais tristes que vivi como cidadã brasileira desde que nasci (em 1990, para contextualiza-los). Lágrimas, porém, nem um pouco inéditas e sim repetição das que já haviam caído enquanto as coisas aconteciam, desde a primeira eleição da qual participei na vida e elegi nossa primeira mulher presidente até o fim, passando pelo golpe constitucional por ela sofrido chegando no agora, sua tão triste consequência que vem desmontando o Brasil no último ano. Lágrimas que sabem que enquanto de um lado a idolatria é movida pelo ódio e pela destruição, do outro ela é impulsionada pelo saber da diferença que foi feita na vida das pessoas que pensavam que essa diferença nunca ia chegar, mesmo que na época que estava acontecendo eu fosse nova (ou mesmo privilegiada) demais para entender a magnitude.

“Apesar das diferenças, sofro de novo com o sentimento de injustiça e o receio de que, mais uma vez, a democracia seja condenada junto comigo. E não tenho dúvida que, também desta vez, todos nós seremos julgados pela história.” – Dilma Rousseff

Democracia em Vertigem não é uma aventura ou fantasia, não apresenta mocinhos ou vilões. É feita de posicionamento. De fatos, sinceridade e dura realidade. Não tira a culpa no momento em que o partido é culpado, mas JAMAIS age com a desonestidade intelectual de afirmar que ele retém toda a culpa do mundo. Mostra, de perto e de frente, não só uma família de esquerda aos olhos de sua filha de microfone na mão, mas também as mais diversas pessoas que ela contactou para terminar seu trabalho, entre elas uma mulher que se recusou a recuar do cargo que era seu de direito por acreditar nele e, por isso, foi retirada. Mas, como dito pela própria, “a história será implacável com os que hoje se julgam vencedores”, e essa indicação para um prêmio tão importante talvez seja um dos passos. Minha torcida, acho que deixei claro, já tem!

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Frozen II

Em 21.12.2019   Arquivado em Disney, Filmes

Frozen II *****
Frozen II Elenco: Idina Menzel, Kristen Bell, Jonathan Groff, Josh Gad, Alfred Molina, Evan Rachel Wood, Jason Ritter, Martha Plimpton, Rachel Matthews, Santino Fontana, Sterling K. Brown
Direção: Chris Buck, Jennifer Lee
Gênero: Animação
Duração: 103 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: Anna, Elsa, Kristoff e Olaf se aventuram nas profundezas da floresta para descobrir a verdade por trás de um antigo mistério do reino.” Fonte: Filmow.

Comentários: Depois do sucesso estrondoso de “Frozen: Uma Aventura Congelante”, lançado 6 anos atrás, a Disney resolveu apostar em uma continuação como seu destaque da virada de ano em 2019/2020. A história das irmãs órfãs Rainha Elsa e Princesa Anna de Arandelle, após enfim aprender a controlar os poderes de gelo da primogênita que quase colocaram tudo a perder quando foi coroada, continua, dessa vez numa jornada em busca da paz entre seu reino e o da floresta presente em seus arredores, dois povos antes tão amigos que se separaram após uma inexplicável batalha presenciada por seu falecido pai ainda quando adolescente. O que impulsiona essa viagem, ao lado dos inseparáveis companheiros Kristoff, Olaf e Sven, porém, é um chamado musical que apenas Elsa consegue escutar, provando a ela que existe mais por trás desse velho “conto de ninar” do que elas imaginam…

Apesar de AMAR o primeiro e ter um carinho muito grande por ele, preciso admitir que o sucesso não condiz com a qualidade em si. Frozen apresenta vários furos no roteiro e aparições desnecessárias, o que faz muito sentido uma vez que originalmente estava planejado para contar uma história bem diferente da que foi lançada. Ainda assim o carisma dessas irmãs que são o amor verdadeiro uma da outra e dos seus amigos, que funcionam como alívio cômico em diversos níveis diferentes, conquistou o mundo a ponto de conseguir duas continuações em curta metragem e agora, enfim, um longa. Esse, por sua vez, não só corrige os erros passados como também traz uma nova trama tão envolvente e deliciosa que passa de forma fluida e, quando pertinente, bastante divertida.

O aspecto principal do filme, a relação em constante reconstrução de Elsa e Anna, permanece sendo o ponto forte. As duas se unem em busca do seu passado, como forma de garantir o futuro, mas também abrem mão uma da outra quando necessário. Ambas mantém suas personalidades, mas claramente cresceram bastante desde que nos foram apresentadas e esse crescimento é ainda maior do início para o final dessa nova aventura. Eu adoro analisa-las de acordo com seus signos solares, uma vez que a Disney divulgou suas datas de nascimento como sendo nos solstícios de inverno e verão do hemisfério norte, respectivamente. Elsa é toda de capricórnio (faz aniversário hoje!) e Anna tão canceriana que parece até que os roteiristas levaram isso em consideração ao construí-las. São signos opostos complementares como as duas, cada uma é MUITO brilhante ao seu modo e especiais quando juntas, mais uma vez. Um foco belíssimo que, felizmente, permanece.

Frozen II

Elsa e Bruni em Frozen II | Imagem via Star Tribune

Um novo grupo de personagens coadjuvantes é apresentado com os moradora da floresta, nenhum deles se destaca mais que o “elenco” original, mas todos têm sua função na história, não tem nada “jogado” como foi o Duque de Weselton no primeiro, que não trouxe nenhum propósito além de risadinhas fracas. Somos apresentados também aos espíritos dos quatro elementos da natureza enquanto elas descobrem a possibilidade de um quinto espírito, e é nesse momento que Bruni, uma salamandra super fofinha que representa o fogo, capta os corações da platéia. A escolha da iconografia dos espíritos e da ação de cada um é super pertinente e, eu diria, foge um pouco do clichê que se forma na nossa mente quando pensamos no assunto. Escolha certeira e, claro, mil possibilidades para merchandising.

Gostei muito do desenvolvimento do Olaf nessa continuação porque, mesmo sendo um grande queridinho do público, era uma personagem com a qual eu não simpatizava muito, como alívio cômico o Sven me atraía mais. Dessa vez ele não só diverte como também levanta questões e curiosidades que, de fato, influenciam na trama, mas sem perder seu lado engraçadinho. Assisti à versão dublada e a voz do Fábio Porchat é o grande destaque nela, combina perfeitamente! Inclusive, se você gosta dele, não deixe de ficar até o final para uma cena pós créditos singela, mas que vale a espera. Os demais “secundários principais” permanecem com a mesma relevância de sempre, nem ganho, nem perda.

Por outro lado as músicas tema não têm a força da trilha sonora anterior! O hit “Into The Unknown” não chega nem perto do intenso “Let It Go” e mesmo que os números sejam sensíveis, com o visual super bonito, você não sai do cinema com nada “grudado” na cabeça. Talvez para os pais sejam uma vantagem, mas se tratando de um musical foi levemente decepcionante. Já no que diz respeito à versão brasileira, as dublagens são maravilhosas com a triste exceção da Elsa, que infelizmente não consegue ter a qualidade vocal e personalidade da Idina Menzel… Ainda assim vale a pena pelas demais personagens, com suas piadas pertinentes e algumas lágrimas de alegria pelo final digníssimo carregado de emoção. Eu simplesmente amei o desfecho e, agora que o assisti, não consigo pensar em nada melhor!

Leia também: Disney On Ice: Mundos Fantásticos

Trailer:

A Dama e o Vagabundo

Em 13.12.2019   Arquivado em Disney, Filmes

A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp) *****
A Dama e o Vagabundo Elenco: Tessa Thompson, Justin Theroux, Kiersey Clemons, Thomas Mann, Janelle Monáe, Adrian Martinez, Arturo Castro, Ashley Jensen, Benedict Wong Bull, Marie Burke, Matt Mercurio, Yvette Nicole Brown
Direção: Charlie Bean
Gênero: Romance
Duração: 104 min
Ano: 2019
Classificação: 10 Anos
Sinopse: “A história de amor entre a Lady (Tessa Thompson), uma cocker spaniel mimada, e um vira-lata chamado Vagabundo (Justin Theroux), que salva a cadelinha do perigo de vagar sozinha perdida pelas ruas.” Fonte: Filmow.

Comentários: Adaptado da animação de mesmo nome lançada em 1955, A Dama e o Vagabundo é o primeiro nessa nova geração de live actions Disney produzido exclusivamente para plataforma de streaming da empresa, Disney+, prevista para estrear no Brasil em novembro de 2020 e já está no ar em alguns países. Nele, Lady é o centro das atenções de sua família desde que Jim Querido a deu de presente para sua esposa, Querida, que são chamados pela cocker spaniel assim porque é como os escuta falar. Após o nascimento de Lulu, primeira filha do casal, ela começa a notar mudanças na rotina na casa e conhece um vira latas conhecido como Vagabundo, que tenta mostrar a ela que o mundo é muito maior que as cercas de sua vizinhança e que a vida nas ruas é melhor, apesar da instabilidade e o risco iminente de ser pego pela carrocinha.

O filme é muito fiel à animação no quesito visual e enredo, com algumas diferenças pontuais mas sem perder a essência da história. Por se tratar de um longa para “televisão” (nesse caso streaming, mas ainda assim uma mídia que não foi lançada nos cinemas) fiquei surpresa com o capricho da produção de um modo geral, os cenários são bonitos, atuações/dublagem impecáveis e computação gráfica dos animais caprichada em quase todas as cenas, são poucas as que ficaram artificiais. Uma grande reclamação do público em relação a “O Rei Leão” foi que as emoções das personagens se assemelhavam às reais do reino animal, e não de humanos como nos desenhos, e esse filme, por usar cachorros de verdade como parte do elenco, também é assim, o que para mim é uma vantagem. Na verdade acho muito problemático essa dificuldade que as pessoas têm de identificar sentimentos que não sejam humanos, como se esses fossem superiores. Talvez seja hora de mudar o próprio pensamento, e não as produções que tendem pro realismo…

Leia também: Aladdin, resenha do live action lançado pela Disney nos cinemas em maio de 2019.

A Dama e o Vagabundo

A Dama e o Vagabundo | Imagem via Collider

Apesar da fidelidade, os mais nostálgicos podem se incomodar com modificações pontuais. Algumas sutis, como a troca de gênero do bebê e de Joca, um dos melhores amigos de Lady (nessa versão, Jackline), outras mais inclusivas em mudanças de etnias, e em pontos necessários, para que a adição de 30 minutos de uma versão para a outra funcionasse de forma fluida. Nesse quesito “adaptação” a única coisa que senti falta realmente foi a exploração das características de cada raça, que no antigo aparece a todo momento causando cenas de humor e emoção. Não atrapalha, é só um detalhe, mas que foi bastante minimizado, infelizmente, porque era bem real.

Ainda no que diz respeito às diferenças, uma que poderia acontecer de forma maravilhosa, mas que infelizmente a Disney não soube aproveitar e deixou a situação ainda pior, foi a cena da canção dos siameses. Apesar de não dar raça a eles, o que foi bem legal, ao invés de suavizar a suposta rivalidade entre cães e gatos fizeram o contrário, os felinos foram retratados de forma ainda pior! É uma pena, porque o longa tem uma mensagem super forte de incentivo à adoção de animais de rua, tendo inclusive um recadinho nos créditos finais… Inclusive parte do elenco encontrado em abrigos, curiosidade que foi largamente divulgada justamente para mostrar a necessidade de resgatar animais domésticos sem raça definida, mas reforçando a ideia de que gatos são os malvados da história… Apesar do filme ter me emocionado muito em diversos momentos, principalmente porque AMO o original, fiquei bem chateada com isso.

E já que falamos de música… Num filme Disney tem como não falar de música? Os outros números estão todos presentes, lindos como sempre! Kiersey Clemons, intérprete da Querida, tem uma voz linda quando canta a canção de ninar, que achei que seria minha maior decepção do filme ao ser alterada, mas à medida que o final foi chegando eles “corrigiram” de forma tão linda que o coração ficou até mais quentinho. O clássico “Bella Notte”, minha cena favorita(!), ficou mega romântica e emocionante, mas o grande destaque dessa versão nesse aspecto é “He’s a Tramp”, tema de Peg e seus amigos do canil. Se o resto já não tivesse lindo por si só esse pedacinho já valeria toda a experiência, ficou incrível!

Trailer:

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