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Turma da Mônica: Laços

Em 16.07.2019   Arquivado em Filmes

Turma da Mônica: Laços *****
Turma da Mônica Elenco: Giulia Barreto, Kevin Vechiatto, Laura Rauseo, Gabriel Moreira, Rodrigo Santoro, Fafá Rennó, Paulo Vilhena, Ravel Cabral, Monica Iozzi, Adriano Bolshi, Cauã Martins, Leandro Ramos, Sidney Gusman, Maurício de Sousa
Direção: Daniel Rezende
Gênero: Aventura
Duração: 97 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: “Floquinho, o cachorro do Cebolinha, desapareceu. Ele desenvolve um plano infalível para resgatar o cãozinho, mas para isso vai precisar da ajuda de seus fieis amigos: Mônica, Magali e Cascão. Juntos, eles irão enfrentar desafios e viver grandes aventuras para levar Floquinho de volta para casa.” Fonte: Filmow.

Comentários: O Bairro do Limoeiro poderia ser uma vizinhança pacata para se viver, se não fossem seus próprios moradores. Cebolinha tem mais um plano infalível pra roubar o coelhinho de Mônica e se tornar o dono da “lua”, digo, rua, acompanhado do sempre contrariado e descrente no assunto Cascão. Já ela conta com sua melhor amiga, Magali, pra manter seu temperamento forte sob controle enquanto as duas passeiam de barraquinha em barraquinha pra pedir um novo lanche… A rotina da Turma da Mônica é a mesma há muito tempo, mas dessa vez algo deu errado e Floquinho, cachorro de Cebolinha, sumiu misteriosamente. Os quatro precisam, então, deixar as desavenças e medos de lado e tentar recuperá-lo das mãos de um homens que parece ter feito aquilo antes, com outros cãezinhos do bairro… O que eles aprendem nesse caminho só mesmo a força da história Laços, adaptada da graphic novel de mesmo nome de Vitor e Lu Cafaggi, pode ensinar pra você também.

Acho que é quase unanime na vida de brasileiros de TODAS as gerações que os quadrinhos dessa turminha criada por Maurício de Sousa fizeram parte não só da nossa infância, mas também depois disso. Com um numero super diversos de personagens de todos os tipos e tendo sempre o time renovado pra se tornar cada vez mais inclusivo, ele transformou pessoas da sua vida em verdadeiros patrimônios da cultura desse país. E depois de vários curtas e longas de animação chega pela primeira vez nos cinemas um live action de Mônica e seus amigos… É até difícil explicar pra quem tá de fora a importância disso, né? Mas a gente… Ah, a gente sabe! Com presenças óbvias e MUITAS referências a outras ao longo do roteiro, o filme é um prato cheio de identificação, independente do seu favorito: desde Titi e Cranicola explícitos a Papa Capim e Tina em detalhes sutis.

Turma da Mônica: Laços

Turma da Mônica: Laços | Imagem via Veja

O ponto alto da trama é, sem dúvidas, a sensibilidade simples, mas muito bem trabalhada, do roteiro. “Laços” não é só sobre fitas vermelhas amarradas em árvores, mas principalmente sobre o que nos une além do físico. Entre risadas por “erres” trocados por “eles” e coros de “baixinha dentuça”, todos com potencial para machucar, existe a conexão, união, confiança, esperança. O universo lúdico de crianças retratado com sabedoria de adultos é um prato cheio nos quadrinhos, tem tudo para criar um filme perfeito, mas isso não acontece justamente dessa adaptação, que é seu ponto baixo. É um enredo belíssimo, porém não tem conteúdo suficiente para um longa metragem, o que resultou em algumas cenas um tanto quanto lentas, com pausas desnecessariamente demoradas e poucos momentos de ação. Por mais que combine com o teor da história isso atrapalhou, sim, no seu ritmo, mas não no conjunto final como um todo.

O elenco é outro prato cheio, com rostos conhecidos no núcleo adulto e promissores no infantil, que logicamente tem muito o que aprender, ainda. Eu tendo a ser menos crítica com a atuação de crianças, uma vez que elas estão num processo de aprendizagem e profissionalismo bem diferente que merece seu respeitado. O quarteto principal tem muito carisma, ainda que pouca habilidade, e o melhor entre eles é, de longe, o Cascão de Gabriel Moreira, que deu um show! Com certeza tem futuro. Para os mais afetivos vale mencionar uma aparição bem fofa do próprio Maurício, levando adiante a tradição de incluir interação do criador com suas “criaturas” em adaptações do tipo. Por fim, o GRANDE destaque é a participação de Rodrigo Santoro como Louco. Sua presença é rápida e parece “sem pé nem cabeça”, como as iniciais que formam o nome da personagem sugerem, mas na verdade dá sentido a tudo! Perfeito, tanto na caracterização quanto execução, por si só já vale a pena independente da beleza de todo o resto de Turma da Mônica: Laços que, sim, é lindo! Agora é segurar as expectativas para sua continuação, “Lições”, que já está confirmada para 2021.

Leia também: 10 Filmes Para Assistir em 2019

Trailer:

Aladdin

Em 12.06.2019   Arquivado em Disney, Filmes

Aladdin *****
Aladdin Elenco: Will Smith, Mena Massoud, Naomi Scott, Marwan Kenzari, Navid Negahban, Nasim Pedrad, Billy Magnussen, Amer Chadha-Patel, Amir Boutrous, Bern Collaco, Joey Ansah, Numan Acar
Direção: Guy Ritchie
Gênero: Fantasia, Musical, Romance, Comédia
Duração: 128 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: “Um jovem humilde descobre uma lâmpada mágica, com um gênio que pode lhe conceder desejos. Agora o rapaz quer conquistar a moça por quem se apaixonou, mas o que ele não sabe é que a jovem é uma princesa que está prestes a se noivar. Agora, com a ajuda do Gênio (Will Smith), ele tenta se passar por um príncipe e para conquistar o amor da moça e a confiança de seu pai.” Fonte: Filmow.

Comentários: E temos mais um clássico entrando pra lista de adaptações em live action da Disney e, olha, se é pra falar de remake falaremos MESMO de Aladdin porque está absolutamente impecável! Quem ficou com pé atrás por causa dos trailers vai se surpreender com o visual colorido, vibrante e riquíssimo em detalhes que o longa apresenta. E se A Bela e a Fera pecou pela fidelidade ao original, sem conseguir adaptar bem o roteiro e tornando o enredo arrastado, esse acertou em cheio nesse ponto! É extremamente parecido com a animação, mesmas cenas, falas e tramas, mas com adicionais bem distribuídos e pertinentes, mantendo o ritmo e principalmente o clima da cultura árabe em ambiente fantástico.

O elenco protagonista foi, também, um grande acerto por parte da Disney. Mena Massoud e Naomi Scott estão lindos nos papéis de Aladdin e Jasmine, funcionando não só individualmente, mas também como casal. Ele tem essa cara de garoto sofrido, porém gentil, o “diamante bruto” requisitado pela Caverna dos Tesouros. Já ela é LINDA e forte, de todas as princesas até agora reencenadas a mais carismática, sem dúvidas! Eles deram a ela um pouco mais de poder que na outra versão, como forma de empodera-la sem tirar o foco do enredo. Por outro lado o grande defeito dele é JUSTAMENTE o antagonista, Jafar. Um dos maiores vilões do estúdio, com imagem e imponência de dar medo, caracterizado como um galã de voz fraca e presença fraquíssima em tela. É até difícil comprar a ideia de que aquele é o grande gênio do mal, você nem teme que ele possa vencer no final. Inicialmente pensei que poderia ser problema da dublagem, mas revendo os trailers vi que não, é assim com áudio original também.

Aladdin

Aladdin: imagem via SpicyPulp

E já que falamos de dublagem, bom, essa é digna de um tópico especial porque é perfeita, sem outra palavra pra descrever. Com exceção do Jafar, todos têm vozes que parecem a da animação e ainda assim combinam com os atores. Mas o Gênio… Ah, o esse merece ser enaltecido individualmente. Will Smith não só está maravilhoso na pele desse icônico “compassa” como também deu à versão brasileira um toque ainda mais especial. Em 1992 ele ficou marcado por gerações na voz de Robin Williams, enquanto em terras tupiniquins foi dublado na época por Márcio Simões, que por um acaso é justamente o principal dublador do próprio Will Smith! Sendo assim, aqui no Brasil ele tem exatamente a mesma voz da animação, o que deixou tudo ainda mais gostoso de se ouvir (e querer cantar junto, claro)!

Por fim, o ponto alto de qualquer clássico Disney, temos as músicas da trilha sonora original que arrancam lágrimas de emoção em qualquer fã chorão. “Noites da Arábia” abre o filme e, pra mim, foi de forma um pouco inesperada, então senti todo o impacto de surpresa, causando brilho no olhar instantâneo. O número principal, “Um Mundo Ideal”, também é maravilhoso, digno da magnitude que devia ter. E pras fãs da princesa, uma ótima surpresa: ela ganhou sua própria canção no maior estilo “girl power” para finalmente ter uma voz mais ativa na própria história. De toda essa geração de live actions que estamos vivendo, Aladdin é, provavelmente, o melhor deles do quesito fidelidade, adequação e fotografia até agora (apesar de meu favorito continuar sendo Christopher Robin). Agora é contar os dias para “O Rei Leão” que sai em julho, e eu como grande fã dele, sendo o primeiro filme que assisti no cinema na vida, estou animadíssima – e adorando o fato de que voltei a estudar e tenho uma carteira de estudante agora, pra tornar essas experiências mais baratas e fáceis de serem vividas!

Trailer:

O Sol Também é Uma Estrela - 16 de maio nos cinemas

Rocketman: um deleite em formato musical!

Em 06.06.2019   Arquivado em Filmes, Música

Rocketman *****
Rocketman Elenco: Taron Egerton, Richard Madden, Jamie Bell, Bryce Dallas Howard, Charlie Rowe, Gemma Jones, Jason Pennycooke, Jimmy Vee, Kamil Lemieszewski, Kit Connor, Rachel Muldoon, Stephen Graham, Steven Mackintosh
Direção: Dexter Fletcher
Gênero: Romance, Drama
Duração: 121 min
Ano: 2019
Classificação: 16 anos
Sinopse: “A história de ascensão do cantor Elton John, de um aluno prodígio da Academia Royal de Música até uma lenda do rock nos anos 70.” Fonte (sinopse e poster: Filmow.

Comentários: Antes de começar esse post eu preciso fazer o alerta a você, leitor, que (ainda) não sabe: eu sou muito fã do Elton John. Assim… MUITO mesmo, há muitos anos, mais de décadas. E aí que saber disso pode te causar duas reações distintas… A primeira é não confiar em uma só palavra do que eu disse, afinal, sou suspeita, não posso opinar. Nesse caso, sugiro a todos que busquem pela reação da crítica, profissional ou não, que está tão positivamente arrebatadora quanto a minha. A segunda é confiar plenamente no que digo, uma vez que fã é fã, não existe ninguém mais apropriado para criticar, e se agradou a quem ama, vai agradar a todos. E aí só incentivo que continue lendo as palavras abaixo… Porque, sim, Rocketman é uma incrível obra de arte em forma de filme musical.

O filme começa quando Elton John, já após 20 anos de carreira muito bem sucedida, abandona uma apresentação para iniciar seu processo de reabilitação em diversos vícios: álcool, drogas, compras, sexo e bulimia. Ao contar sua história para o grupo de apoio, ele inicia uma jornada de volta ao passado, quando ainda era (des)conhecido como Reginald Dwight, estudando piano de forma quase auto didata e buscando meios de estabelecer sua carreira musical. Ao assumir a nova identidade, inspirado pelo colegas da banda Bluesology, Elton Dean e Long John Baldry (que no filme não aparece, justificando o sobrenome escolhido pelo fato de ser fã de John Lennon, como uma homenagem à amizade dos dois que não teve tempo de ser citada), ele conhece o letrista Bernie Taupin e, juntos, começam a compor as músicas que até hoje, 50 anos depois, são grandes sucessos. À medida que a fama aumenta, porém, ele sofre também suas más consequências, perdendo as rédeas da própria saúde no meio do caminho.

Rocketman

Imagem via Page Six

Das breves reclamações que cheguei a ler sobre ele, duas se destacam: o fato de seu um musical “clássico”, com coreografias ensaiadas e cenas fantasiosas, e os momentos de sexo, pegação e interação gay presentes no longa – que, confesso, foram bem MENOS explícitos do que pensei que seriam. Quem reclama disso, porém, escolheu o filme errado para assistir, sinceramente. Seria desleal retratar de forma diferente uma vida de extravagâncias nesses e em todos os aspectos. Esse é Elton John, e leva-lo para as telas é uma missão a ser seguida à sua maneira, pedaço por pedaço. De uma ilustração de foguete na parede do quarto de seu eu criança à reprodução exata de um dos seus clipes, Rocketman reflete a alma do artista em cada detalhe minucioso. Bom, ele foi um dos produtores, não é mesmo? É inegável que a personagem reflete realmente o que foi sentido pessoalmente…

E que reflexo! Taron Egerton está brilhante nos trejeitos, aparência, atuação e, claro, no vocal, tendo regravado TODOS os números musicais com sua própria voz, sem dublagens de terceiros. Se ele faz um tributo encantador aprovado pelo próprio homenageado, quem somos nós para ir contra? Nem precisa, está impecável! Outra personagem interessante de ser analisada é John Reid e a diferença gritante com a qual foi apresentado em Bohemian Radpsody… Ali o temos na visão do Queen, o homem que os ajudou a alcançar o estrelato, mas aos olhos de Elton é um “vilão” que o seduziu e maltratou, com a aparência do próprio Príncipe Encantado saído direto do live action de Cinderela (literalmente). Na verdade, por serem dois filmes que tratam de contextos parecidos lançados com poucos meses de diferença, é quase impossível não compara-los, mas acho isso desnecessário, uma vez que os objetivos são bem diferentes e as reproduções, consequentemente, também.

Rocketman

Imagem via NME

Pra mim, pessoalmente, o filme tem apenas um defeito: a atenção praticamente nula que dá aos membros da banda dele. Eles estão juntos desde o começo e seguem suas turnês até hoje, mas não têm seus nomes sequer citados em momento nenhum das duas horas de duração. Isso contradiz com a atitude do próprio Elton, que faz questão de apresentá-los um por um nos shows, sempre, dividindo seus holofotes com quem está ao seu lado. Senti falta, mas talvez essa falta seja influenciada pelo fato de que, como fã, tenho muito carinho por cada um, também. Por outro lado o grande foco da história, o que guia o roteiro, é a relação dele com Bernie Taupin. E também pudera, né? A maior parceria entre compositor e letrista da história da música, juntos profissionalmente e quase como irmãos há meio século! Se Bernie passava despercebido na vida de alguém que gosta dessa discografia, não passa mais, felizmente. Uma das melhores cenas é quando eles compõe “Your Song”, até hoje seu maior sucesso, e essa percepção intimista me fez ver a letra com outros olhos… Parecia impossível que eu a amasse mais do que antes, mas pelo visto foi o que aconteceu, momento absolutamente emocionante e maravilhoso.

Outro grande destaque musical a ser enaltecido, claro, é ela que dá título à história! “Rocket Man” aparece em forma de clímax, de intensidade, de angústia, quase de exposição de alma. Mais uma vez um resignificado para entender melhor aquele que a compõe e, pensando adiante, a relação desses homens que permite que um escreva com perfeição sobre os sentimentos do outro. De rir, de chorar, de AMAR! A trajetória de um dos maiores nomes da música interpretada até a virada da década de 90, e há um resumo lindo do que veio depois até chegar agora, quando ele está vivendo sua última turnê antes da aposentadoria formal que todos achávamos que jamais chegaria, mas que chegou por uma boa razão. Rocketman é indispensável se você gosta dele ou mesmo se não conhece, porque na verdade é indispensável pra qualquer um, simples assim! E eu, aqui na minha posição de apaixonada, só tenho a agradecer pela experiência que sempre quis viver, mas sequer sabia disso…

Trailer:

Psiu! Quer saber mais sobre Elton John? Aqui no Sweet Luly tem uma tag dedicada a ele com vários posts legais! Já falei sobre vida, obra, coleção e relatei momentos incríveis nesses anos que sou fã, como os shows que fui e quando recebi um livro autografado do próprio… Vale a pena ler!

O Sol Também é Uma Estrela - 16 de maio nos cinemas

O Sol Também é uma Estrela

Em 16.05.2019   Arquivado em Filmes

O Sol Também é Uma Estrela (The Sun Is Also A Star) *****
O Sol Também é Uma Estrela Elenco: Yara Shahidi, Charles Melton, Cathy Shim, Faith Logan, Gbenga Akinnagbe, Jake Choi
Direção: Ry Russo-Young
Gênero: Romance, Drama
Duração: 120 min
Ano: 2019
Classificação: Livre
Sinopse: “A caminho da faculdade, o romântico Daniel Bae e a pragmática jamaicana Natasha Kingsley se conhecem — e se apaixonam — em um dia mágico, em meio à correria da cidade de Nova York. Imediatamente começam a voar fagulhas entre esses dois desconhecidos, que jamais se encontrariam se o destino não tivesse dado um empurrãozinho. Mas será o destino suficiente para levar esses jovens do azar à sorte no amor? Com algumas horas sobrando no que deve ser o último dia dela nos EUA, Natasha luta contra a deportação de sua família com a mesma força com que luta contra seus crescentes sentimentos por Daniel, que faz tudo o que pode para convencê-la de que estão destinados a ficar juntos.” Fonte: Filmow.

Comentários: Natasha Kingsley é jamaicana, mas mora com sua família nos Estados Unidos há 9 anos. Nova York é sua casa e ela faz de tudo para reverter a situação que sua família vive atualmente: estão prestes a ser deportados. Na véspera desse dia tão temido uma nova esperança aparece através da indicação de um advogado especializado no assunto, mas no meio do caminho em direção ao escritório ela conhece Daniel Bae. De família também imigrante, no seu caso de coreanos, ele está se preparando para sua entrevista em Darthmount, onde seus pais esperam que curse medicina. Daniel, por sua vez, adora poesia e música, e agradece às coincidências da vida que o levaram até aquela garota por quem ele se apaixonou quase de cara… Ela, por outro lado, não acredita em nada disso, mas se deixa levar, completamente descrente, quando ele promete que vai convencê-la do contrário fazendo com que seja recíproca ao sentimento dele apenas durante as horas que lhe restam ali…

Adaptado no livro homônimo da também jamaicana Nicola Yoon, publicado no Brasil pela Editora Arqueiro, O Sol Também é uma Estrela é um típico romance/drama adolescente daqueles que você assiste pra passar seu tempo com uma história leve e até chorar algumas lagriminhas. Não li o livro, portanto não sei dizer o quão fiel é o filme, mas o diferencial que ele tem de cara em relação aos outros do gênero que vemos em Hollywood é justamente o fato de os protagonistas serem dois imigrantes: ela negra, de origem caribenha, ele oriental. Por esse motivo apresenta não só detalhes desse dia que eles passam juntos, mas também pequenos flashes da cultura de cada um aqui e ali. Eles também fogem um pouco do padrão com o qual fomos acostumados por muitos anos nesse tipo de produção, são dois jovens bem bonitos, mas não 100% do modo “tradicional”, cada um ao seu modo e que combinam bastante juntos.

O Sol Também É Uma Estrela

O Sol Também É Uma Estrela: imagem via Blogbusthers

A coisa que mais me encantou no longa, porém, foi a direção. Apesar de ter cenas em que a câmera girava bem rápido, o que não é confortável para qualquer pessoa, algumas tomadas me fizeram pensar de cara “Essa diretora é mulher” – e é mesmo! Não sei exatamente o motivo, mas acho que existem alguns detalhes na sensibilidade visual dele que me causaram essa impressão, algo que venho observado muito em produções que têm essa característica. A fotografia também é bem bonita, mostrando essa versão utópica que filmes de romance normalmente mostra de Nova York, sempre limpa e com o céu vistoso. A gente sabe que não corresponde à realidade, claro, mas é bonito de se ver mesmo assim. Gostei em especial do final, mas sobre esse aspecto é impossível falar sem estraga-lo, é preciso ver pra entender (ou discordar).

Leia também: A Cinco Passos de Você, resenha de outro romance teen adaptado para o cinema!

Por outro lado é difícil hoje, já adulta, me identificar tanto com toda a intensidade excessiva que romances adolescentes têm. É tudo muito extremo e imediato: o amor à primeira vista por causa de uma única coincidência, o aceitar de desafio mesmo com tantos problemas pra resolver, os acontecimentos guiados pelo destino e, principalmente, o abrir mão de certas coisas em nome do amor verdadeiro que nem 24h de duração tem. Algumas causam risadas, outras surpresa, mas a maioria te dá vontade de “sacudir” a personagem. Também senti falta de uma visão um pouco mais aprofundada da questão que inicialmente é a principal da história, o deportar de imigrantes. Em tempos de governo Trump, onde o protecionismo e xenofobia são ainda mais fortes que o normal nos Estados Unidos, é uma pauta importante que perdeu completamente o destaque… Resta saber se é uma característica do livro em si ou se foi uma falha na adaptação, já que é sempre difícil passar todos os aspectos da página para a tela…

Trailer:

O Sol Também é Uma Estrela - 16 de maio nos cinemas

Dumbo

Em 31.03.2019   Arquivado em Disney, Filmes

Dumbo *****
Dumbo Elenco: Colin Farrell, Danny DeVito, Eva Green, Michael Keaton, Nico Parker, Alan Arkin J., Deobia Oparei, Douglas Reith Sotheby, Joseph Gatt, Lars Eidinger, Michael Buffer, Roshan Seth, Sandy Martin, Sharon Rooney
Direção: Tim Burton
Gênero: Fantasia
Duração: 135 min
Ano: 2019
Classificação: 10 anos
Sinopse: “Holt Farrier (Colin Farrell) é uma ex-estrela de circo que retorna da guerra e encontra seu mundo virado de cabeça para baixo. O circo em que trabalhava está passando por grandes dificuldades, e ele fica encarregado de cuidar de um elefante recém-nascido, cujas orelhas gigantes fazem dele motivo de piada. No entanto, os filhos de Holt descobrem que o pequeno elefante é capaz de uma façanha enorme.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A história do bebê elefante com orelhas anormalmente grandes, lançada em forma de animação pela Disney em 1941, está de volta aos cinemas em live action! Quando foi anunciado que essa nova versão de Dumbo seria dirigida por Tim Burton eu fiquei MUITO desanimada… Sou apaixonada pelo personagem desde que comprei a Byul Dumbo, um dos xodós entre minhas bonecas, faço até coleção de objetos dele, mas o HORROR de Alice No País das Maravilhas do mesmo diretor (cuja continuação nem assisti) causou o sentimento que ele tava vindo aí pra estragar mais um clássico. Meses atrás, porém, quando saiu o primeiro trailer, percebi que ia pagar língua com muito orgulho e amor, porque só pela prévia os olhos brilhavam de encantamento e lágrimas… Bom, aqui estou, admitindo meu erro e dando os parabéns porque o longa ficou, de fato, lindo, e dessa vez não só visualmente.

O enredo começa quando Holt Farrier volta da guerra para o Circo dos Irmãos Medici, onde vive sua família e ele trabalhava antes de ser convocado. Com a decadência do circo, em decorrência da falta de interesse do público, sua atração com cavalos não existe mais e ele passa a ser responsável pelos elefantes, entre eles a Sra. Jumbo, recém comprada, que está prestes a ter um filhote. Após o nascimento de Dumbo as crianças Farrier percebem que sua anomalia o torna capaz de voar, tornando-o a principal atração do circo. O objetivo? Trazer de volta sua mãe, que foi levada dali após se enfurecer com o uso de seu bebê. Esse destaque, porém, consegue alcançar muito mais que os olhares do público, levantando o interesse do sr. Vandemere, um “mestre” da diversão…

Dumbo

Dumbo: imagem via CTV News

Enquanto a animação foca no desenvolvimento do personagem título, em busca do estrelato para que possa se reunir com a sra. Jumbo, o live action divide esse plot com a busca dos Farrier em retomar sua vida em família após a ida do pai à guerra e a morte da mãe. Vários dos humanos carregam papéis importantes, não só eles, e o Dumbo acabou ficando quase secundário, mas ainda assim sendo o ponto chave de todos os acontecimentos. Essas mudanças no roteiro são não só positivas, mas também necessárias. Um dos maiores problemas de A Bela e a Fera, por exemplo, foi a fidelidade extrema ao desenho, que deixou o ritmo lento por falta de ações para preencher a diferença significativa da duração de um pra outro. Dumbo não peca nesse quesito: diversas mensagens contra o abuso de animais no entretenimento, empoderamento feminino e, claro, importância da família (seja consanguíneo ou não), torna uma fantasia em algo quase crível, e consegue homenagear seu antecessor com louvor ainda assim.

Ícones como a cegonha, o trem Casey Jr e, o mais importante deles, o rato Timóteo, estão presentes de forma adaptada. Também temos a presença de cenas clássicas, como o número em que Dumbo se apresenta como o “bombeiro” no circo e a mais memorável de todas, as enormes “bolas de sabão” em forma de elefante que dançam para o personagem, que traumatizaram várias crianças ao longo dos anos e apareceram ali, quando a gente menos esperava, e fizeram justiça total ao original. E tá pra nascer crianção mais FOFA no ramo da computação gráfica do que esse elefantinho! Dá vontade de levar pra casa, dar carinho, proteger de todos os abusos do mundo! O olhar dele é encantador, e jeitinho idem. É uma criaturinha que contrasta com o tom sóbrio característico do Tim Burton, e ao mesmo texto o complementa, como se tudo ai fosse criado em torno dele mas também já funcionasse independente de sua existência.

A fotografia é MARAVILHOSA, junto à trilha sonora extremamente sentimental com destaque para o clássico “Baby Mine”, a canção de ninar que faz suspirar (e chorar!) até os corações mais durões. Os outros personagens também são fantásticos… Michael Keaton está de volta ao universo Burton de forma que, mesmo que o visual seja completamente diferente, me soou como uma sátira crítica ao próprio Walt Disney. Já a pequena Nico Parker, no papel de Millie Farrier, ainda não “chegou lá” no quesito atuação, mas ainda assim nos dá aquele exemplo clássico da importância da representatividade ao interpreta ruma garotinha que quer ser cientista. Existe um momento em que ela “interage” com uma de suas inspirações que é uma das cenas mais simples, e ainda assim importantes de todas. Tem a possibilidade de agradar os fãs que forem dispostos a ver uma adaptação, e não cópia, e também àqueles que estão entrando pro “fã clube” do personagem agora, e melhor: com um final ainda mais bonito que o anterior!

Trailer:

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