Categoria "Filmes"

Kubo e as Cordas Mágicas

Em 24.02.2017   Arquivado em Filmes

Kubo, via Filmow

Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings) *****
Elenco: Art Parkinson, Charlize Theron, Matthew McConaughey, Ralph Fiennes, Rooney Mara, Alpha Takahashi, Brenda Vaccaro, Cary-Hiroyuki Tagawa, George Takei
Direção: Travis Knight
Gênero: Animação, Aventura
Duração: 101 min
Ano: 2016
Classificação: Livre
Sinopse: “Kubo vive uma normal e tranquila vida em uma pequena vila no Japão com sua mãe. Até que um espírito vingativo do passado muda completamente sua vida, ao fazer com que todos os tipos de deuses e monstros o persigam. Agora, para sobreviver, Kubo terá de encontrar uma armadura mágica que foi usada pelo seu falecido pai, um lendário guerreiro samurai.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Quem assistiu outros filmes produzidos pelos estúdios Laika já está acostumado com o estilo: animações 3D em stop-motion imersas em um mundo de fantasia com um toque meio sombrio. Kubo e as Cordas Mágicas, indicado ao Oscar desse ano nas categorias Melhor Animação e Melhores Efetios Visuais, não poderia ter sido diferente: foi o quarto longa metragem deles e segue essa linha de misturar (bem) humor e aventura dentro de um ambiente soturno imerso lindamente na cultura japonesa.

Ainda quando bebê Kubo tem um de seus olhos arrancados pelo avô, o Rei da Lua, numa batalha onde seu pai, o guerreiro Hanzo, acaba falecendo. Sua mãe, Sariatu, para impedir que o filho perca o segundo olho, passa a morar com ele em uma caverna, onde vive oscilando entre a lucidez e o transe psicológico. O garoto, por sua vez, frequenta a vila que fica ali perto e conta histórias de forma mágica: ao tocar seu shamisen, um instrumento japonês de três cordas, os papéis que leva em sua bolsa vão formando origamis vivos que retratam as batalhas vividas por Hanzo. Durante um festival local onde os moradores se comunicam com o entes perdidos, porém, ele se atrasa ao tentar conversar com o pai, não volta ao pôr do sol como recomendado, e quase é capturado por suas duas tias do mal que querem cegá-lo de vez. Sua mãe então sacrifica sua última magia para que ele possa seguir numa busca da armadura, elmo e espada do pai para, assim, se proteger do avô. Nessa jornada ele conta com a ajuda da Macaca, um talismã que ganha vida durante o sacrifício de Sariatu, do Besouro, um guerreiro que eles encontram acidentalmente e que é um humanoide meio inseto, e do origami animado de Hanzo que o filho usa em suas apresentações.

A animação é visualmente maravilhosa, não tem outra palavra para definir! Existe uma cena durante a jornada do trio em que o garoto cria com sua música um barco usando folhas de árvores e é de tirar o fôlego, eu particularmente não consigo imagina COMO alguém conseguiu produzir algo grandioso assim em stop-motion, sério. O cenário, personagens e efeitos são todos muito bonitos, é engraçado porque não ouvi falar tanto sobre esse filme, mesmo se tratando da obra de um estúdio que tem feitos muito aplaudidos, como é o caso de Coraline. A busca de Kubo pelos artefatos do pai contando com o que foi deixado pela mãe é super tocante, um drama familiar carregado de descobertas e auto conhecimento, e a tensão é sempre quebrada na hora certa com uma dose de humor trazido geralmente pelos seus companheiros de viagem, que são geniais! A Macaca é, de longe, a figura mais forte, carismática e bem trabalhada do filme, foi minha personagem favorita. A presença da cultura japonesa é outro forte, conseguiram fazer um tributo sem precisar forçar a barra ou soar ofensivo. Já o ponto fraco para mim foi o clímax, apesar de gostar bastante do conflito final e de como ele tem seu ápice, achei que algumas coisas ficaram meio “soltas”, não sei se fui eu que não consegui captar e não prejudica em nada realmente, mas senti que não ficou tão claro quem era REALMENTE aquele vilão tão falado desde o início, as tias macabras cobertas por máscaras davam muito mais medo quado apareciam… Por outro lado adorei como a magia é mostarda de forma natural, não precisa de uma introdução ou explicação de como aquela família tem os poderes que tem, eles simplesmente estão ali para ser usados e bem aceitos por todos, é diferente do que estou acostumada a ver, geralmente os heróis precisam esconder esse tipo de coisa ou lutar para que os outros aceitem, mas nesse caso são outros aspectos muito maiores que são trabalhados sem precisar “perder tempo” com isso. E, desculpem falar mas também não tem como evitar, que LIÇÃO é o final, viu… Que lição!!!

A trilha sonora também é super gostosa, toda instrumental nesse clima nipônico do shamisen, e pra fechar com chave de ouro os créditos finais ainda contam com uma versão LINDA de “While My Guitar Gently Weeps” (do George Harrison), que eu particularmente já adoro, cantada pela Regina Spektor. Vale a pena procurar porque é daquelas que dá vontade de ouvir e ouvir várias vezes sem parar, ficou absolutamente perfeito! Dá pra conferir um pouquinho (e mais informações no geral) no site oficial do filme.

Trailer:

She’s Beautiful When She’s Angry

Em 27.12.2016   Arquivado em Feminismo, Filmes

She's Beautiful When She's Angry, via Filmow

She’s Beautiful When She’s Angry *****
Direção: Mary Dore
Gênero: Documentário
Duração: 92 min
Ano: 2014
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Conta a história das mulheres que criaram o movimento feminista nos anos 1960, fazendo uma revolução em todos os âmbitos sociais.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: A primeira vez que ouvi falar sobre o movimento feminista onde o assunto realmente me chamou atenção foi através da minha mãe enquanto a gente assistia “The Wonders” pela milésima vez. Eu tinha uns 16 anos e falei que achava feio as dançarinas com os mamilos “marcando” na roupa, ela veio e me explicou o contexto, que houve a queima em massa de sutiãs em busca de direitos iguais, e apesar de continuar achando não achando bonito a presença daquelas meninas ali mudou de sentido na minha cabeça COMPLETAMENTE e eu passei a adorar a dancinha delas. Mas a história estava só começando… Sete ou oito anos precisaram se passar para eu começar a realmente entender do que aquilo tudo se tratava e o principal: perceber e admitir que eu fazia parte. Foi devagar, primeiro uns compartilhamentos no Facebook, depois uns posts por lá e por aqui, a perda total do medo de usar as palavras que marcam o movimento e, claro, a necessidade de ler e assistir mais sobre o assunto. E é aí que entra “She’s Beautiful When She’s Angry”, que está disponível na Netflix e conta um pouquinho sobre como a coisa se intensificou nos Estados Unidos justamente no período do qual minha mãe tinha me contado um pouquinho.

Sabe quando você tá lendo alguma postagem sobre feminismo e SEMPRE tem aquele(s) comentário(s) que diz(em) “Antes eu até entendo, as mulheres queriam seus direitos, mas as feminazis hoje em dia só querem privilégios e aparecer”? Pois é, as pessoas já diziam isso na época. Sabe quando as próprias mulheres reproduzem o machismo dizendo que se sentem bem com o que já têm e não entendem por que as outras querem mais? Sim, desde então muitas já davam esse tipo de entrevista. Sabe quando algum jornalista é MUITO babaca e fala merda na televisão pra todo mundo ver e ainda assim mantém seu emprego, não importa o quão misógino ele foi? Bom, nem preciso dizer que isso também sempre esteve presente, né! Esse documentários é FUNDAMENTAL pra entender do que se trata e ver que não importa o quanto as coisas melhorem pra gente, ainda temos um longo caminho pela frente até atingir a equidade de gêneros. É um mix de sentimentos, ao mesmo tempo que você quer gritar um “MUITO OBRIGADA” para cada uma delas pela vida melhor que temos hoje, é triste ver que muita coisa não mudou e ainda vai demorar pra mudar, e é por isso que a gente não deve NUNCA se calar diante do machismo nosso de cada dia!

Nele nós vemos relatos vindo direto das ativistas da época que ressaltam as dificuldades, prazeres, conquistas e até mesmo erros de cada etapa e organização que ia surgindo, a necessidade inacabável da representatividade e lugar de fala, chegando a causar até “brigas pelo protagonismo”: elas foram caladas por tanto tempo que não conseguiam ser ouvidas quando falavam em tom de voz normal ou mesmo gritando, e aí era preciso BERRAR, caminhar, reunir, queimar… O que eu mais gostei nele, porém, foi que alguns relatos me deram mais oportunidade de sair da minha “zona de conforto” feminista classe-média-branca-cis-hétero-com-curso-superior e ver que ali já começavam a nascer também algumas “diretrizes” que até hoje não têm muito espaço, como o feminismo negro e lésbico… Sempre que leio algum texto sobre esses assuntos tem alguém que está do “lado privilegiado” comentando que se sentiu ofendida, e confesso que já me senti muito também, mas é só abrir um pouquinho a mente que a gente vê que esse “ofensa” é a mesma que muitos homens sentem quando vêem que nós mulheres queremos ser tratadas como pessoas que somos, e não como seres inferiores, então é sempre bom entender que cada um tem lado oprimido, mas também seu lado “opressor” e ajudar a dar a voz pra quem tem mais “sacos de batata de opressão” nas costas poder colocar esse peso pra fora…

Eles têm também um site super legal que conta com informações sobre a tragetória de cada uma das entrevistadas, o trabalho da diretora, fontes de informação, uma lojinha virtual, links das redes sociais e, claro, divulgação de onde o filme pode ser assistido, acessem lá para poder se maravilhar com ele tanto quanto eu: shesbeautifulwhenshesangry.com!

Trailer:

“A Garota no Trem”, relacionamentos abusivos e gaslighting

Em 09.12.2016   Arquivado em Feminismo, Filmes

A Garota no Trem, via Filmow

A Garota do Trem (The Girl In The Train) *****
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Justin Theroux, Luke Evans, Rebecca Ferguson, Allison Janney, Darren Goldstein, Edgar Ramirez, Gregory Morley, Laura Prepon, Lisa Kudrow, Ross Gibby
Direção: Tate Taylor
Gênero: Mistério
Duração: 112 min
Ano: 2016
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Antes de mais nada gostaria de dizer que nunca li o livro no qual o filme é adaptado e que quando fui ao cinema (graças a um ingresso que ganhei) não sabia 100% do que se tratava, só tinha lido a sinopse mesmo, então não posso dizer se é uma boa adaptação e sequer se a temática das duas mídias é igual, mas de certa forma assisti-lo foi uma surpresa MUITO positiva porque gerou reflexões maravilhosas e me deu exemplos claros de pautas que muita gente que conheço não consegue enxergar, mas estou me adiantando. Vamos falar sobre a experiência primeiro, depois falamos do que ela gerou.

A história gira em torno de três mulheres: Anna é casada com o ex marido de Rachel, com quem tem uma filha, e Megan é a babá da criança. Desde a separação, que aconteceu por causa de seu alcoolismo, Rachel viaja todos os dias num trem que passa por sua antiga vizinhança, e para evitar olhar para a casa onde vivia observa a vida aparentemente feliz de Megan, que envolve muito carinho (e sexo) com seu marido, até que um dia dá de cara com uma cena que a deixa chocada: a garota está com um homem diferente. Desconcertada com isso e muito bêbada, ela vai até o local, tem um apagão e mais tarde descobre que Megan desapareceu, e por estar sempre “perseguindo” seu ex ela se torna suspeita, já que a vítima trabalha pra ele. A partir daí ela tem que tentar se manter sóbria pra descobrir o que aconteceu, quem causou e até que ponto está envolvida nisso. É um filme de suspense que mexe MUITO com o psicológico e emocional e tem um elenco ótimo e mega convincente, protagonizado pela MARAVILHOSA da Emily Blunt. Você vai conhecendo mais da história de cada uma delas, entendendo seus dramas e dilemas e cada hora suspeita de uma coisa que vai ser desconstruída logo em seguida (ou não).

A partir daqui esse post tem revelações sobre o enredo e, apesar de eu não falar o desfecho do filme, acho que vai dar pra sacar se ler o que tenho a dizer. Se você abomina spoiler sobre todas as coisas, não recomendo a leitura (mas salva pra depois que ver que é legal!), mas se já assistiu ou quer já fazer isso com olhar crítico e não focado no mistério, vão ‘bora!

E aí temos essa relação de três mulheres aparentemente problemáticas com três homens “misteriosos”: Tom, ex marido de Rachel e atual de Anna, Scott e Kamal Abdic, marido e terapeuta de Megan, respectivamente, e é a presença deles que nos dá exemplos claros de dois assuntos que estão dando o que falar na internet, finalmente: relacionamentos abusivos e gaslighting. O primeiro está explícito desde o momento em que conhecemos Megan durante suas sessões de terapia, ela permanece com Scott mesmo sem vontade nenhuma, mesmo tendo sua vida completamente controlada, quase como forma de auto punição pelos seus erros do passado, e só consegue se abrir para Abdic, com quem tenta ter um caso loucamente. Ele é tão absurdo que após o desaparecimento esse comportamento agressivo acaba sendo “transportado” pra coitada da Rachel que entra em contato tentando ajudar, no final das contas a gente vê que não importa os erros da pessoa, ninguém merece ser tratado assim. Inclusive muito do que rola na vida da Megan (e que acaba causando seu fim trágico) poderia ter sido evitado desde o início da parte difícil da sua história se ela tivesse tido apoio pra melhorar e sentir menos culpa pelo que passou. E aí vamos pra parte 2, mas antes um “momentinho Wikipedia” básico:

Gaslighting ou gas-lighting é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Casos de gaslighting podem variar da simples negação por parte do agressor de que incidentes abusivos anteriores já ocorreram, até a realização de eventos bizarros pelo abusador com a intenção de desorientar a vítima. (fonte)

Essa é a essência do filme, se você quer entender como isso funciona PRECISA assistir porque é assustador de tão claro. Rachel se tornou alcoólatra durante seu casamento e desde então tem lembranças horríveis de seu próprio comportamento, TODAS elas vindas de Tom, já que ela não lembra de nada. Após a separação ela claramente persegue a nova esposa de seu ex e a filha deles, tornando-se uma ameaça pra tranquilidade de Anna. As duas vêem uma inimiga na outra e a coisa é tão absurda que você, assistindo ao filme, também acredita que é isso que elas são! Meus comentários variavam de “louca” e “que burra” a “aposto que a culpa é dela”, até o momento extremamente esclarecedor em que você percebe que por trás disso tudo tem o gostosão babaca manipulando TUDO. Ele conseguiu convencer a primeira de que ela é mentalmente instável e culpada pelo fim do casamento, passou esse pensamento pra segunda e quando a coisa apertou mudou TUDO fazendo com que as duas se achassem malucas e neuróticas! A cena mais maravilhosa de todas que exemplifica isso: a confusão do desaparecimento de Megan leva Rachel à vizinhança (mesmo que a tenham alertado pra não fazer isso) e ela cruza com Anna na rua sem ter reações, só “olho no olho” e continua andando. Mais tarde Anna conta isso pro marido dizendo que rolou “comportamento agressivo” e ele manda largar pra lá e deixar a coitada em paz, o que faz a mulher ter SAUDADES da época que era amante dele. Nesse momento a gente pensa “Ai que mentirosa nojenta!”, mas tudo vai se encaixando quando ambas têm um “click” de sanidade (que sempre esteve lá) e percebem as ligações falsas, o ciclo vicioso de transformar a mulher em errada pra justificar a amante e o aproveitamento da fragilidade da pessoa para piorar tudo pra ela, outra característica super forte do abuso. Tudo isso, claro, intensificado por essa mania quase natural que nossa sociedade tem de SEMPRE colocar as mulheres umas contra as outras, enquanto na verdade a gente tinha era que estar dando as mãos e se ajudando para impedir que isso aconteça com qualquer uma de nós. Obrigada aos meninos d’A Estante dos Gêmeos pela chance de assistir esse thriller que pela sinopse não me interessaria tanto, mas no fim das contas era EXATAMENTE o tipo de coisa que eu busco ver e quero recomendar pra galera!

Trailer:

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Em 18.11.2016   Arquivado em Filmes, Harry Potter, Vídeos

É claro, óbvio e evidente que eu não ia deixar de escrever sobre o resultado da experiência maravilhosa pela qual esperamos por três anos de assistir o vulgo *Harry Potter e os Bicho* por aqui… A pré estréia de AFEOH aconteceu aqui no Brasil na virada do dia 16 para o dia 17 e entre as 19h de um e 3h do outro eu assisti ao filme duas vezes seguidas… Estou ENCANTADA! Gravei dois vídeos sobre ele, um sem spoilers e outro com, e agora deixo aqui também meu registro em forma de texto desse acontecimento tão especial na vida de todos os fãs da obra de J.K. Rowling!

Animais Fantásticos e Onde Habitam, via Filmow

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts And Where To Find Them) *****
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol, Colin Farrell, Ezra Miller, Carmen Ejogo, Jon Voight, Ron Perlman, Samantha Morton
Direção: David Yates
Gênero: Fantasia
Duração: 127 min
Ano: 2016
Classificação: 12 anos
Sinopse: “O excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte americana que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Absolutamente GENIAL! Eu sei que sou suspeita, sei que sou fã, mas também sei que não tem como não dar todo o crédito que essa obra merece! Estou cavando minha própria cova aqui nesse momento e dizendo com toda certeza que, como filme, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é melhor do que a série Harry Potter! Rowling conseguiu brilhantemente preservar a essência do livro didático de mesmo nome enquanto apresenta seu seu autor, o MAGNÍFICO Newt Scamander, e tudo isso no fundo é uma grande desculpa para contar a história de personagens e acontecimentos já conhecidos pelos seus fãs, que nós vamos acompanhar avidamente até essa série acabar ao final dos cinco filmes.

Newt é um “herói”, por falta de uma palavra melhor, completamente diferente do que estamos acostumados. Tímido e introvertido, sem jeito nenhum para lidar com seres humanos, ele se transforma COMPLETAMENTE quando está ao lado das criaturas mágicas que cria dentro de sua maleta encantada, dá pra ver claramente o quanto ele ama cada um deles e se dedica em mostrar para todos os motivos desse amor. E é por causa de uma das criaturas que esse britânico vai parar em Nova York durante a década de 20, onde um encontro com o divertido não-maj (maneira americana de se referir a um “trouxa”) Jacob e a auror Tina (e, consequentemente, sua adorável irmã Queenie) mudam completamente o rumo dessa viagem, feita numa hora que não podia ser menos oportuna. A cidade está sendo tomada por ataques que despertam o sentimento anti-bruxo em um grupo sensacionalista liderado pela opressiva mãe de Creedence, um garoto que claramente tem problemas psicológicos fortíssimos. Ainda no núcleo principal, estudando esses ataques e com suspeitas fortes do que supostamente está por trás daquilo temos o chefe da segurança da MACUSA – Congresso Mágico dos Estados Unidos da América, Percival Graves. O humor fica por conta da chance que temos de conhecer VÁRIOS dos protegidos de Newt, alguns que já citados nos livros de Harry Potter, como os muito fofos Tronquilhos e Pelúcio, outros estão no livro AFEOH, além de outros que serão de extrema relevância na história, como o Thunderbird, que é inclusive o símbolo de uma das Casas da escola de magia americana, Ilvermorny. Somos também apresentados a forças mágicas – muito sinistras – nunca antes vistas, que dão um toque sombrio ao enredo. Isso tudo retratado em torno da melhor parte de tudo que é FINALMENTE ver a dinâmica maravilhosa da vida de um bruxo adulto, que pode aparatar quando bem entender e usar todos os feitiços do mundo, o que causa uma nostalgia enorme já que os dois primeiros a serem executados são justamente velhos familiares vistos em “A Pedra Filosofal”. As lembranças dos filmes “anteriores” são intensificadas também pela trilha sonora, que mistura as notas clássicas antigas com outras novas e músicas tipicamente americanas da década retratada.

O elenco é MARAVILHOSO, com uma única exceção que, felizmente, não conseguiu atrapalhar a história (ainda). Eddie Redmayne e Scamander parecem ter sido feitos um para o outro, definitivamente foi meu personagem favorito, e olha que estava difícil escolher um só dentro do quarteto protagonista mais carismático que já vi. Toda a parte técnica é impecável, a versão 3D/IMAX tem efeitos de encantar qualquer um que gosta desse tipo de mídia sem ser o principal, o roteiro se sustenta lindamente sem isso mas também compensa o ingresso mais caro, se for o caso. A maleta do Newt é incrível, não só por causa das criaturas mas também pelo ambiente em si, dá pra perceber que eles estão em um local fechado e até meio improvisado, porém com simulações dos mais diversos ecossistemas tão bem feitos que só magia mesmo poderia proporcionar algo igual, e é ela mesma que proporciona. Essa cena é a MELHOR DE TODAS, dá vontade que não acabe nunca, que seja infinita. Outro momento super impactante é o grande clímax final da história, sobre o qual não dá pra falar nada porque precisa ser visto, eu sinceramente não esperava por aquilo.

Minha única decepção, tirando o ator queridinho das pessoas que INFELIZMENTE foi confirmado na série, foi a presidenta da MACUSA, Seraphina Picquery. Pelos trailers achei que ela seria uma imagem feminina MUITO forte, uma vez que estar em um cargo alto assim na época sendo mulher e negra é algo a se levar muito em conta, mas não aconteceu. Ao mesmo tempo não foi necessário porque Tina e Queenie deram conta do recado, elas são super fortes e à frente do seu tempo de maneiras diferentes e relevantes, dá vontade de ser uma mistura das duas! Enfim, vale a pena para quem já gosta desse universo, porque é claramente o público alvo, mas é bom o suficiente para encantar até quem não gosta. E agora vamos esperar os próximos porque tem MUITA coisa para se descobrir ainda: será que veremos outras escolas de magia? Ainda temos a segregação total com os não-majs nos EUA? Até que ponto as forças que conhecemos agora estavam presentes em personagens antigos? E o que aconteceu com personagens que supostamente estão “fora da história”? Continuaremos vendo Newt e seus “bichinhos”? Só o tempo vai nos mostrar, enquanto isso ‘bora teorizar e especular!

Vídeo SEM spoilers: A versão com spoilers tá AQUI, OH!

Trolls

Em 03.11.2016   Arquivado em Filmes

Trolls, via Filmow

Trolls *****
Elenco: Anna Kendrick, Justin Timberlake, Christine Baranski, Christopher Mintz-Plasse, Gwen Stefani, James Corden, John Cleese, Kunal Nayyar, Ron Funches, Russell Brand, Zooey Deschanel
Direção: Mike Mitchell, Walt Dohrn
Gênero: Animação, Fantasia
Duração: 93 min
Ano: 2016
Classificação: Livre
Sinopse: “Nova animação da Dreamworks levará as telas os famosos bonecos Trolls, conhecidos por aqui como os Duendes da Sorte.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Durante os anos 90 todo mundo tinha um amigo que tinha um “Duende da Sorte”, que eram bonequinhos amarronzados peladinhos com os cabelos pra cima super macios de cores vibrantes, isso quando a própria pessoa não era esse amigo em questão. Eu achava aquilo MUITO FEIO e mesmo assim ficava doida pra ter um rosa, era uma febre que eu não entendo muito bem, mas estamos falando de uma década que tinha vários desses ícones inexplicáveis. Eis que a Dreamworks resolveu resgatar isso usando sua clássica fórmula mágica de “animação para criança com trilha sonora para adulto” e, pronto, daí nasceu Trolls, o filme mais fofo e colorido do ano!

A história começa no trollsístio, que é o dia do ano onde os Bergens se unem para poder comer trolls: a única coisa que pode fazê-los feliz, já que são seres que não conhecem esse sentimento muito bem e só sabem se lamentar e reclamar da vida. A festa, porém, não é concretizada quando eles dão de cara com a árvore onde acontece a “colheita” completamente vazia após a fuga das pequenas criaturas, liderados pelo seu rei. E foi assim que eles puderam voltar a viver a vida da forma como mais gostam, cantando, dançando e se abraçando o tempo todo, rodeados de alegria e positividade. O tempo passa e a “alma” da aldeia é a princesa Poppy, que está promovendo uma festa para comemorar duas décadas de liberdade, até que o barulho atrai a atenção de da antiga chef de cozinha dos bergens, que acaba raptando os amigos da princesa para levar de volta ao seu povo, então ela tem que ir atrás deles para salvá-los com a ajuda MUITO relutante de Tronco, o único troll mal humorado e “cinza” vivendo naquela comunidade feita de animação e cores!

O filme passa VÁRIAS mensagens bacanas ao longo da sua duração, tanto de forma óbvia sobre gentileza, acreditar em si mesmo e ver o lado bom das coisas, quanto indiretamente quando se trata de fidelidade, preservação e senti até aquela “pontinha” de defesa ao meio ambiente e consumo desenfreado, que são pautas incríveis de já ir inserindo na vida das crianças. O visual também é lindíssimo, tudo fofinho que dá muita vontade de apertar, parece feito de pelúcia, isso sem contar as fumaças de glitter jorrando pra lá e pra cá o tempo todo. O ponto alto, porém, é a trilha sonora MARAVILHOSA, e se tratando de um musical não poderia ser diferente… Temos Simon & Garfunkel, Lionel Richie, Cindy Lauper, Ariana Grande e o single “Can’t Stop the Feeling!” nas vozes de Justin Timberlake (que foi o produtor musical), Anna Kendrick, Zooey Deschanel e um BAITA elenco na versão legendada. Para quem for assistir dublado, que é como a maioria das salas está exibindo, já fica o aviso: a maioria das músicas também foi traduzida para o português porque fazem parte do enredo, confesso que fiquei curiosa para assitir com áudio original depois pra ver como ficou porque deve ser lindo, tem VÁRIAS que eu gosto muito.

A MELHOR CENA DE TODAS é bem no clímax, aquele momentinho em que todo mundo acha que perdeu, e eles cantam “True Color” lindamente, os “reloginhos de abraço” deles começam a brilhar e é mágico demais ver como tudo “acontece” a partir daí. Fora a música é uma delícia por natureza e combina muito com a história e os personagens, chorei o tempo todo, muito emocionante! “Trolls” vale a pena independente da idade, já tô apostando que vai levar indicação ao Oscar pelo menos de melhor canção e longa de animação porque merece! E pra quem sair do cinema encantado (quero uma Poppy, gente, ela é linda!), rola de se “trollificar” no site oficial, olha a “Trolluly” que fofura que ficou:

trollifyyourself

Trailer:

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