Categoria "Filmes"

Millennium: A Garota na Teia de Aranha

Em 03.12.2018   Arquivado em Filmes

Millennium: A Garota na Teia de Aranha (The Girl in the Spider’s Web) *****
O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos Elenco: Claire Foy, Sverrir Gudnason, Sylvia Hoeks, Andreja Peji, Cameron Britton, Lakeith Stanfield, Stephen Merchant, Synnøve Macody Lund, Vicky Krieps
Direção: Fede Alvarez
Gênero: Drama, Ação
Duração: 115 min
Ano: 2018
Classificação: 16 anos
Sinopse: “A jovem hacker Lisbeth Salander (Claire Foy) e o jornalista Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason) se veem em meio à uma teia de corrupção, espionagem e intriga internacional, juntando forças para combater uma nova e terrível e ameaça.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A Série Millennium do sueco Stieg Larsson é composta de três livros escritos pelo autor e outros dois por David Lagercrantz, que conseguiu os direitos autorais da obra após a morte de seu criador através de um convite da própria editora. Além de adaptações da trilogia original na Suécia, muito elogiadas, as versões hollywoodianas também chegaram aos cinemas nos últimos anos. O primeiro, “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” saiu em 2011 e narra o início da história, baseado no primeiro romance de Larsson. Agora, porém, Lisbeth está de volta aos cinemas em um novo longa, dessa vez inspirado no livro que deu a Lagercrantz a oportunidade de continuar contando suas aventuras: A Garota na Teia de Aranha.

Lisbeth Salander é uma hacker que tem como objetivo defender e vingar mulheres de seus abusadores, seja esse abuso físico, psicológico ou sexual. Nesse contexto, vivendo sua vida reclusa de anti heroína, ela é contactada por Frans Balder, criador de um programa de computador chamado Firefall que dá acesso a um imenso arsenal bélico e está sob poder do governo dos EUA. Balder percebe o risco que seu programa traz e mesmo sendo o único com total capacidade de acessá-lo, não quer de modo algum que seja utilizado. Ao mesmo tempo, precisa proteger a si mesmo e ao filho, que é autista. Lisbeth consegue realizar o trabalho, mas é roubada logo em seguida, dando a si mesma a nova missão de recuperar o que foi tirado dela e de seu cliente. Para isso, ela conta com a ajuda de Mikael Blomkvist, com quem já viveu histórias passadas. O que ela não esperava era ter que reencontrar os fantasmas de sua infância no processo…

A Garota na Teia de Aranha

A Garota na Teia de Aranha: imagem via The Seattle Times

A primeira coisa que reparamos nessa nova adaptação de “Millennium” para os cinemas é a presença de Claire Foy como a nova Lisbeth. Depois de ficar marcada pelo público como a Rainha Elizabeth nas duas primeiras temporadas da série “The Crown”, é difícil enxerga-la de outra forma, PRINCIPALMENTE uma personagem tão visualmente diferente. A impressão que dá é que temos o rosto dela “recortado” e colocado no corpo de outra pessoa! Mas isso não significa que a atriz não dê conta do recado. Com sotaque forte e sempre expressiva na medida certa, ela traz a imagem solitária e alternativa de forma coerente. Já no caso de Gudnason como Mikael Blomkvist ficou um pouco mais difícil fazer a “leitura” do jornalista por parte das pessoas que, como eu, não leram ou assistiram mais nada da série. Ainda assim isso não parece ser culpa do ator ou mesmo do roteiro, já que de acordo com uma amiga minha que gosta da história (e assistiu comigo), esse é um livro onde ele, de fato, não tem tanta relevância quanto os outros.

No que diz respeito à ação, tem tudo o que o público pode querer! Alguns erros de coerência aqui e ali, claro, mas no geral explosões, tiros, perseguição e corridas de carro pra lá e pra cá acontecem o tempo todo, cada uma em seu momento específico. O drama fica por conta do reencontro da protagonista com seu passado, onde ela se vê num momento de lidar com razão e emoção à flor da pele, e na figura do filho de Balder, com quem acaba criando um rápido laço ao protegê-lo daqueles que estão atrás do programa de seu pai. Como adaptação, pelos comentários que li, parece fiel ao “grosso” da história, sem dar muita margem para uma continuação que poderia estar por vir, mas logicamente com seus erros de percurso. Por aqui, sendo apresentada à saga pela primeira vez, devo dizer que cumpre o que propõe no trailer (que eu já tinha visto antes de saber do que se tratava e me deixou SUPER curiosa) e na divulgação de um modo geral. Fiquei com vontade de assistir ao filme que foi lançado anteriormente, onde a temática principal dos livros de luta contra o abuso de mulheres é mais retratado, já que esse acaba envolvendo um pouco mais a máfia e a vida pessoal de Lisbeth.

Por fim, um adendo muito interessante que vale a pena reparar: os suecos dão MUITO valor para marcas nacionais, na vida deles isso é prioridade MESMO! Por esse motivo a gente vê a presença forte da Sony nos gadgets que estão em cena, como computadores, câmeras e celulares. Os carros também são, em grande parte, da Volvo, e é algo que não muda em nada no enredo em si, mas fica como curiosidade sobre a cultura do país onde a série nasceu!

Leia também: A Garota do Trem, filme com Emily Blunt que é uma aula sobre relacionamentos abusivos e gaslighting!

Trailer:

A Garota na Teia de Aranha: 8 de novembro nos cinemas

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

Em 22.11.2018   Arquivado em Filmes

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos (The Nutcracker and the Four Realms) *****
O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos Elenco: Mackenzie Foy, Keira Knightley, Helen Mirren, Morgan Freeman, Matthew Macfadyen, Eugenio Derbez, Richard E. Grant, Jayden Fowora-Knight, Misty Copeland, Ellie Bamber, Miranda Hart, Nick Mohammed, Omid Djalili
Direção: Joe Johnston, Lasse Hallström
Gênero: Fantasia
Duração: 99 min
Ano: 2018
Classificação: Livre
Sinopse: “Clara (Mackenzie Foy), jovem esperta e independente, perde a única chave mágica capaz de abrir um presente de valor incalculável dado por seu padrinho (Morgan Freeman). Safa na solução de problemas, ela decide então iniciar uma jornada de resgate que a leva pelo Reino dos Doces, o Reino das Neves, o Reino das Flores e o sinistro Quarto Reino.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Na véspera de natal, Clara, seu pai e irmãos vão celebrar a data pela primeira vez sem a mãe, recentemente falecida. Antes de se dirigir à tradicional comemoração de seu padrinho, os três jovens recebem presentes póstumos deixados por ela, causando grande frustração na garota, pois no seu caso é uma caixa que não consegue abrir. Já na festa, ao seguir o caminho indicado para onde se encontra outro presente, ela se vê num mundo completamente novo, onde encontra não só a chave perdida mas também o guardião quebra-nozes, que lhe apresenta quatro reinos em guerra há muitos anos: o Reino dos Doces, das Neves e das Flores são ameaçados pelo Quarto Reino e sua cruel governante, a Mãe Ginger.

Numa tentativa de agregar o tradicional Balé Quebra-Nozes à sua lista de adaptações em live action, a Disney trouxe um filme visualmente lindo, mas que passa muito longe de ganhar o título de destaque da temporada. Sendo colocado com mais de um mês de antecedência do natal (quando se passa a história), provavelmente para não ofuscar os brilho do Retorno de Mary Poppins que vem aí, ele de fato não tem toda a estrutura necessária para carregar o peso que é ser o lançamento de fim de ano da empresa… Por outro lado, não é de todo ruim e vale a pena ser visto como passatempo rápido, já que não chega a ter 2 horas de duração, e tem lá seus pontos positivos.

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos

O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos: imagem via Variety

A trilha sonora de fundo composta por Tchaikovsky, cenas de balé pontuais belíssimas e reinvenção de personagens clássicos são responsáveis pela magia de ver uma história tão querida em novo ponto de vista. Clara permanece corajosa e curiosa, disposta a salvar um mundo do qual sequer sabe que faz parte. Ela está cercada de personalidades propositalmente forçadas, com destaque para a Fada Açucarada de Keira Knightley, que traz uma explosão de doce cor-de-rosa em meio a sua euforia que para nós, pessoas comuns, pode soar irritante, mas dentro de seu universo é plausível. Outra personagem forte e incrível é Mãe Ginger, interpretada por Misty Copeland, a misteriosa rainha-boneca do Quarto Reino (antigo Reino da Diversão), um contraste enorme com a “rival” visualmente, mas tem tanto carisma quanto. As três são o ponto alto do longa, deixando os outros personagens completamente ofuscados, incluindo Phillip, o próprio Quebra-Nozes! Apesar de Clara ser a protagonista, e disso todos sabemos, ele é o personagem título, e o por mais que tenha certa relevância no decorrer da história, não é suficiente para mostrar sua real importância.

O roteiro também podia ser envolvente, mas não consegue. O começo da história é lento e quase irritante, você demora bastante pra se afeiçoar às personagens. Depois, no clímax, a reviravolta impactante e seu desfecho são tão completamente previsíveis que perde toda a emoção da história. Não tem espaço para surpresa alguma, sua cabeça já adivinha o que vem pela frente muito antes de acontecer. Claro, tudo isso com fotografia, cenário, figurino, efeitos e ELENCO impecáveis, mas não o suficiente para compensar o enredo em si. É uma pena, muito alvoroço pra pouco resultado. Tem tudo para se tornar um daqueles “filmes médios de Sessão da Tarde”, pelo qual as pessoas sequer se esforçam pra lembrar de ligar a televisão, mas quando assistem dão umas risadas e comentam que “é bonitinho”. Provavelmente vai cair no esquecimento com o passar dos tempos, infelizmente, com um pouquinho mais de planejamento se tornaria sensacional…

Leia também: Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível, live action da Disney que traz de volta de maneira lúdica e emocionante o Ursinho Pooh e toda a turma do Bosque dos Cem Acres!

Trailer:

A Garota na Teia de Aranha: 8 de novembro nos cinemas

Animais Fantásticos e os Perigos dos Discursos Autoritários

Em 13.11.2018   Arquivado em Filmes, Harry Potter

Quando foi anunciado o título do segundo filme da nova série do mundo mágico de J.K. Rowling, Animais Fantásticos: os Crimes de Grindewald, que estreia essa quinta feira 15, decidi que não o assistiria no cinema ou pagaria por ele em qualquer lugar. Ver um ator com (mais de um!) histórico de agressão interpretando o papel título já era difícil, mas nem de longe o pior: o posicionamento de toda a equipe em relação a isso, inclusive da própria JK que sofreu agressão doméstica, me fez bater esse martelo. Eu não queria, de modo algum, compactuar com aquilo, mas semana passada recebi via e-mail um ingresso para que o Sweet Luly estivesse na pré-estreia de convidados dia 12, e me vi obrigada a repensar o assunto. Eu não podia recusar isso ao meu blog, poderia excluí-lo de futuras oportunidades. Pensei, é claro, em passar o ingresso adiante, mas minha cabeça deu um estalo ao lembrar de uma cena que já havia sido divulgada, e vi que eu poderia SIM assistir a esse filme, trazendo algo de positivo para ele ao produzir conteúdo sobre. Não e jamais uma resenha: o boicote permanece, nesse aspecto. É falando sobre política e como o contexto do mundo mágico na década de 20 se repete hoje no NOSSO mundo incluindo, é claro, aqui, nas terras tupiniquins.

Pode parecer coincidência, ou que estamos “vendo o que não existe”, mas qualquer um que conheça Joanne Rowling sabe que é mentira. Pondo todas as ressalvas que tenho à minha “ex maior ídola” à parte, não podemos negar, essa mulher respira ativismo, incluindo político! Seu perfil no Twitter contém mais críticas a Donald Trump do que material sobre Harry Potter, e com razão… Política, ao contrário do que somos ensinados a acreditar, não é somente o que nos leva a uma zona eleitoral a cada dois anos, ela REGE NOSSA VIDA! Tudo o que somos, fazemos e pensamos é político. O que acontece fora do país nesse aspecto nos atinge. O que acontece dentro? Mais ainda! E sabendo disso não há como negar que Gellert Grindelwald, esse velho novo vilão, não poderia ser nada mais que uma metáfora à onda neo fascista que está crescendo para todo lado.

Animais Fantásticos: o perigo de discursos autoritários!

Imagem via Pipoca Combo

Quando se trata de bruxo das trevas, estamos acostumados com a soberania mimada de Lord Voldemort e sua necessidade de atingir objetivos megalomaníacos “na marra”. Tom Servolo Riddle é um reflexo dos dois homens que seu nome homenageia: preconceituoso, arrogante, carregando aquele ar superior mesmo que não tenha nada e o esfregando na cara dos outros. Um mestiço com ideias puro-sangue, homem genial que comete erro atrás de erro em nome de sua obsessão com uma simples criança. Aquele que tem seus seguidores fanáticos por causa do discurso excludente, sim, mas que também se esforça para consegui-los à força: tortura, domina mente, mata, chantageia. A verdade é que por mais estrategista que ele seja, lhe faltam as famosas “papas na língua”.

Mas não em Grindewald: esse é seu maior poder. Ele é extremamente inteligente, sim, mas sequer precisaria disso, pois consegue conquistar seus “minions” de forma ainda mais perigosa, transformando falácias exatamente no que as pessoas precisam ouvir. Sabe quando você diz que é contra pena de morte e alguém automaticamente assume que está defendendo bandidos no lugar das vítimas? O papel de Grindewald é esse, inverter a visão de bem e mal em nome “do bem maior”, seu lema que já nos era conhecido nos livro de Harry Potter. Ouvi-lo dizer que não odeia aqueles que claramente julga inferiores nos faz quase esperar que essa frase seja finalizada com “tenho até amigos que são!”, como tanto ouvimos aqui e ali. Ele trata os que estão ao seu lado como “irmãos e irmãs”, ora, estamos todos em busca do mesmo objetivo, mas lá no fundo, todos sabemos, não espera de forma alguma ser visto como igual por eles, e sim como quem os lidera.

Grindewald não suja as mãos. Não em público! Ele permite que a violência exista e a pratica, claro, mas sempre com algum propósito, seja ele superar “inimigos” ou incitar ainda mais violência que vai fazê-lo parecer o verdadeiro inocente, no fim das contas. É desonesto, mas acredita tão fortemente que tem direito a essa desonestidade que todos os que são seduzidos por ele passam a acreditar também. Fala meias verdades e as mais velhas mentiras, e é aplaudido por aqueles que as compram, porque sabe como, onde e com quem falá-las. Sua asserção se assemelha tanto a de tantos outros antes e depois dele na história “trouxa” que é assustador ver como a vida imita a arte, inclusive no momento em que o nazismo foi protagonista da Segunda Guerra Mundial, que coincidentemente ou não (só descobriremos ao final dos cinco filmes) teve seu fim exatamente no mesmo ano em que, já sabemos, ele foi derrotado por Alvo Dumbledore… Ele, que é o “outro lado da moeda”, tão persuasivo quanto, mas que sabe decidir entre o que é certo e o que é fácil.

Leia também: Animais Fantásticos e Onde Habitam, resenha do primeiro filme da série pelo qual, por sinal, sou apaixonada!

A verdade é que a presença de Johnny Depp foi uma das coisas que menos me incomodou em cena, apesar de incomodar “a alma”, foi um dos raríssimos momentos em que olhei para uma atuação dele feita nos últimos 20 anos e achei aceitável. O segundo “Animais Fantásticos” é, porém, desserviço a uma história sensacional ao tentar enfiar o fan service na nossa “goela abaixo”. O que sobra em bons efeitos e atuações, falta em direção e roteiro a ponto de ser difícil de ser visto por causa do primeiro e cansativo (no sentido de forçar algo sem necessidade) pelo segundo. Mas, nesse momento, é o que menos importa. O discurso que é feito nas cenas finais do longa, e todas as atitudes tomadas antes (e depois, nos próximos três filmes que virão) por quem o faz são um alerta extremamente pertinente para os perigos que o autoritarismo nos traz e como ele pode ser sedutor onde menos se espera. Faz quem já está ciente disso se revoltar com a realidade da situação tão absurda, e quem não está ciente, quem sabe, abrir os olhos, antes que seja ainda mais tarde demais.

Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindewald 15 de novembro, nos cinemas

Bohemian Rhapsody: tributo digno da realeza!

Em 03.11.2018   Arquivado em Filmes, Música

Bohemian Rhapsody *****
Bohemian Rhapsody Elenco: Rami Malek, Gwilyn Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Lucy Boynton, Tom Hollander, Allen Leech, Aaron McCusker, Aidan Gillen, Mike Myers
Direção: Bryan Singer
Gênero: Drama, Música
Duração: 134 min
Ano: 2018
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Freddie Mercury e seus companheiros, Brian May, Roger Taylor e John Deacon mudam o mundo da música para sempre ao formar a banda Queen durante a década de 1970. Porém, quando o estilo de vida extravagante de Mercury começa a sair do controle, a banda tem que enfrentar o desafio de conciliar a fama e o sucesso com suas vidas pessoais cada vez mais complicadas.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: Poderiam ser “trovões e relâmpagos me assustando muito”, mas eram aplausos vindo de dentro e fora da tela do cinema. Bohemian Rhapsody, provavelmente o maior dos sucessos do Queen que fez a carreira da banda estourar mundialmente, foi o título escolhido para o filme que conta a trajetória de seu vocalista, Freddie Mercury, nos anos em que o quarteto tocou junto. E, se tratando de Freddie, estamos falando de uma grande lenda do rock! O ator escolhido para interpretá-lo, Rami Malek, teve em mãos duas possibilidades extremas em sua carreira, ficaria marcado para sempre como um sucesso estrondoso ou dolorida derrota… Felizmente, foi a primeira opção: não só a caracterização está perfeita (principalmente quando colocava os óculos de Sol), mas também os trejeitos, modo de falar e de se comportar. Com uma mixagem de som que misturou áudio originais, a voz do ator e do canadense Marc Martel, a transição do falado para o cantado está tão perfeita e convincente que é impossível não se arrepiar!

Os outros membros da banda também estão perfeitos, com destaque total para Brian May que ficou absolutamente IDÊNTICO, de forma positivamente assustadora. A história começa um pouco antes da formação do Queen, mostrando como as quatro se juntaram, apostaram em criações experimentais, ousaram , definiram seu estilo, até atingir o estrelato. Paralelo a isso, como Freddie foi de um garoto um pouco tímido a “rainha histérica”, com visual extravagante, estilo de vida cheio de excessos até, em fim, a descoberta da AIDS que desencadeou na broncopneumonia que o matou. O filme, porém, foca muito mais na música em si, deixando a vida de álcool, drogas e sexo em segundo plano e tornando a doença como “algo a mais” que, por mais que tenha abalado a todos, nos conseguiu destruir aquela imagem que sempre pareceu indestrutível.

Os números musicais são incríveis, principalmente a criação de “Bohemian Rhapsody”, as primeiras execuções de “We Will Rock You” e, CLARO, a lendária apresentação no Live Aid, que dura ousadíssimos 20 minutos e ainda assim te faz querer mais. Não sou muito fã de ver filmes em IMAX 3D porque não enxergo muito bem e me dá dor de cabeça, mas tive a oportunidade de assisti-lo na pré estreia que foi nessa sala, porém em 2D. Valeu MUITO a pena! Os momentos em que a câmera foca na plateia te fazem quase acreditar que você está ali! O uso de áudios originais traz toda a vibe que a presença do público tinha e as interpretações foram todas impecáveis, realmente reproduzindo os movimentos dos integrantes da banda, contando inclusive com a produção musical de Brian May e Roger Taylor. Nesse aspecto não tem como achar um defeito sequer, você ri e chora sem parar, cheio de brilho no olhar.

Bohemian Rhapsody

Bohemian Rhapsody: imagem via Metro

Se fosse pra citar um problema, por mais que não considere assim, a linha do tempo é completamente diferente de como foram as coisas na verdade. Mas trata-se de um filme biográfico, não um documentário, com intuito de celebrar uma vida, esse tipo de adaptação se faz necessária. Colocando o Rock In Rio muito cedo e Live Aid um pouco “tarde”, é possível sentir o impacto que o Queen tinha na plateia desde que nasceu até o “fim”. Tem outros pequenos deslizes, é claro, mas que estão ali justamente para levar a história ao cinema de modo mais atrativo possível. Algumas coisas foram bem dramatizadas também, como a breve carreira solo do Freddie, é claro, mas ainda assim é mensagem de que eles eram como uma família, sempre dando suporte um ao outro, foi mantida, o que é fundamental para o entendimento do Queen.

E por fim, outro ponto extremamente positivo, temos a visibilidade bi tomando conta das telonas! Não é estranho que um dos maiores ícones gays do mundo era, na verdade, bissexual? De Mary Austin, seu “Love of my life” e amiga a vida toda, mesmo após o fim do relacionamento dos dois (que o próprio Freddie definia como insubstituível) a Jim Hutton, que esteve ao seu lado até morrer, vemos o protagonista amando homens e mulheres com uma imprensa louca em cima disso, sempre tentando arrancar dali uma confissão sobre o assunto, em vão. Na época do lançamento dos trailers vi muita gente reclamando da presença de Mary neles, porque tornava tudo “muito heteronormativo”, mas a verdade é que ignorar a bissexualidade de um dos maiores nomes da música seria invisibilizar ainda mais essa parte já tão excluída do movimento LGBTQ+. E não foi o que aconteceu!

Entre tantos acertos você assiste a essas duas horas com a sensação de que está vendo muito mais, com tanta coisa acontecendo em tela, mas sem se cansar, pelo contrário! Definitivamente, um tributo digno dele que era, como o nome da banda e seu microfone simulando um cetro sugerem, a realeza do rock and roll. E, se você é fã como eu, fique na sala durante os créditos finais para não sentir falta de nada: uma das canções mais icônicas de todas, que marcou esse período final da vida do vocalista (ainda que não tenha sido escrita por ele), está ali, pra te fazer soltar as últimas lágrimas que ainda sobraram para chorar!

Leia também: Nasce Uma Estrela, resenha do musical estrelado por Lady Gaga e Bradley Cooper

Trailer:

Nasce Uma Estrela

Em 24.10.2018   Arquivado em Filmes, Música

Nasce Uma Estrela Nasce Uma Estrela (A Star Is Born) *****
Elenco: Bradley Cooper, Lady Gaga, Dave Chappelle, Sam Elliott, Alec Baldwin, Anthony Ramos, Andrew Dice Clay, DJ Pierce, Michael D. Roberts, Michael Harney, Rafi Gavron
Direção: Bradley Cooper
Gênero: Musical, Romance
Duração: 135 min
Ano: 2018
Classificação: 16 anos
Sinopse: “O experiente músico Jackson Maine descobre a jovem artista desconhecida Ally, por quem acaba se apaixonando. Ela está prestes a desistir de seu sonho de se tornar uma cantora de sucesso, até que Jack a convence a mudar de ideia. Porém, apesar de a carreira de Ally decolar, o relacionamento pessoal entre os dois começa a desandar, à medida que Jack luta contra seus próprios demônios e problemas com álcool.” Fonte: Filmow (sinopse e pôster).

Comentários: A terceira refilmagem de Nasce Uma Estrela, de 1937, e seguindo a linha de “musical de rock” da versão de 76, conta com Lady Gaga e Bradley Cooper (que também dirigiu o filme) nos papéis principais e mostra uma visão contemporânea dessa velha história há muito já conhecida. Jackson Maine, astro da música, vive seus dias de fama regados a álcool e drogas, como forma de conseguir lidar com todas as pressões que esse cotidiano traz e com uma perda de audição gradual, cada vez mais acentuada. Ainda assim ele mantém aspectos de uma “vida normal”, tendo amigos fora do ramo e frequentando bares “normais” com pessoas “normais”. E é assim que, após um de seus shows, ele vai parar num bar de drag queens onde se encanta pela voz da única mulher que as outras drags permitem performar ali: Ally. Apesar do vozeirão e de ótimas músicas autorais, ela nunca conseguiu levar a carreira adiante por, até então, não ter sido considerada atrativa para a indústria.

Ela já o conhece e admira, mas em momento algum se sente deslumbrada em saber com quem está lidando. Um pouco surpresa e tímida, claro, e extremamente atraída, mas pela pessoa, pela voz, não pela fama. Ele se apaixona de cara, por tudo nela. Após uma noite inteira de conversas jogadas fora e músicas autorais compartilhadas, Jack convida Ally para o show do dia seguinte, colocando seu motorista particular à disposição dela. Ela reluta, mas vai, e chegando lá, em cima do palco, é “puxada” para que eles cantem juntos sua composição “Shallow”, numa cena EXTREMAMENTE impactante visual, musical e sentimentalmente. O público vibra, os dois se relacionam e ela passa a fazer parte da turnê, como “segunda voz”, chegando a atrair a atenção de um produtor musical, iniciando sua própria carreira e a vivendo lado a lado com esse romance inesperado.

Nasce Uma Estrela

Nasce Uma Estrela: imagem via Kingman, AZ

Faltam palavras e sobram elogios para falar desse musical maravilhoso, por inúmeros motivos. A voz e Lady Gaga já conhecemos e amamos, inevitavelmente. Ela causa arrepios quando está diante do microfone e, para minha surpresa, também conseguiu atuar muito bem. Bladley Cooper foi outro susto: tinha um baita músico escondido ali! Foi difícil perceber que a história se passava agora, nos anos 2010, ele cantou de forma que lembrou tanto velhos nomes do rock que só “caiu a ficha” quando o primeiro smartphone foi usado. De um modo geral eu já esperava ficar encantada ouvindo uma, mas no fim fiquei pelos dois. Funcionam lindamente tanto como dupla, quanto individualmente. Pra quem não gosta de musicais onde as personagens “cantam ao invés de falar”, aí vai um ponto muito positivo: por mais que a música esteja presente em praticamente todos os momentos, os diálogos são falados, e elas aparecem apenas quando as personagens REALMENTE estão cantando na história, dentro ou fora dos palcos. Já quem adora, como eu, bem, essa continua sendo uma vantagem de qualquer forma!

A trilha sonora, claro, é IMPECÁVEL! Não só pelos vocais, mas também ritmos, letras e pelo fato de que as cenas foram gravadas com música ao vivo (exigência da própria atriz), passando veracidade pra quem está assistindo. A maioria das canções foi escrita pela Lady Gaga, que contou com a parceria do DJ White Shadow, seu antigo colaborador, e do grande amigo – e meu maior ídolo – Elton John. “Shalow”, como eu já disse, é de encher os olhos, tanto metaforicamente quanto também de lágrimas. Definitivamente a melhor parte do longa todo! Depois dela minha favorita foi “Always Remember Us This Way”, que tem um instrumental de piano no fundo belíssimo e uma letra romântica que deixa o coração super quentinho e a cabeça cheia de lembranças.

Porém nem só de música vive uma história, e o enredo dessa também é um ponto positivo. Ele flui bem, não acelera ou reduz demais em momento algum, as personagens aparecem na hora certa sem causar estranhamento, você entende quem é todo mundo e qual a função de cada um. E, claro, aborda questões que PRECISAM ser abordadas: álcool, drogas e transtornos mentais, a depressão em meio ao que parece ser a vida perfeita. Acontecem coisas inesperadas pra te surpreender, discursos inadequados pra te lembrar de tomar cuidado com o que vai dizer e os desentendimentos são resolvidos, tem conversa, acordo, fala. Em meio a histórias clichês onde o crescimento de um dos lados faz mal ao outro, Ally e Jack tentam ao máximo se apoiar, mesmo quando parece ser impossível um segurar o outro, mas sem viver um “conto de fadas”, eles são humanos, sempre sujeitos ao lado podre dessa humanidade. O final não é muito surpreendente, mas chega com impacto digno de todo o resto. Daqueles que vale a pena ver, ouvir, digerir e depois, se possível, re assistir!

Trailer:

Um Pequeno Favor - Em exibição nos cinemas

Página 1 de 2012345... 20Próximo