Categoria "Feminismo"

MinKa Camisetas Feministas

Em 06.11.2017   Arquivado em Feminismo, Moda

Já contei, num post desses meus de LookBook, que nos últimos meses eu tô atrás de camisetas com temática feminista que sejam legais, de qualidade e não custem uma fortuna. Na verdade sempre tento me vestir com as coisas que gosto “estampadas” em mim, grande parte do meu guarda roupa é “temático” dos meus personagens e assuntos favoritos, mas no caso do feminismo acho mais importante ainda. As pessoas de um modo geral, mesmo mulheres, têm um medo MUITO grande dessa palavra, como se fosse uma maldição, então é fundamental para mim usá-la ao máximo, pra mostrar mesmo que é um movimento positivo que devia ser geral. Sendo assim fiquei absolutamente APAIXONADA quando conheci a MinKa, uma marca que produz exclusivamente camisetas feministas!

MinKa Camisetas Feministas

Quem me “apresentou” a MinKa foi a Hanna, uma das modelos da Loja Virtual que é minha amiga de anos. Ela começou a postar as fotos do ensaio e desde que vi a primeira já mandei uma mensagem perguntando “De onde é essa lindeza?”, e foi só ela responder para que eu começasse a acompanhar as redes sociais, adicionar as blusas na minha Wish List e decidir que devia mostrar isso pro mundo! As idealizadoras são a Yasmin e a Karim, duas mineiras que, com o desejo de que as mulheres expressassem a força feminina através do vestir, começaram essa jornada ano passado aqui em Belo Horizonte. Mais um motivo pra eu amar demais, né?

MinKa Camisetas Feministas
Camiseta “100% Feminista

Eu entrei em contato pela fanpage do Facebook (elas têm Instagram também) e quem me atendeu foi a Yasmin, super rápida e atenciosa. Minha ideia era pedir permissão para “roubar” as fotos da loja, mas ela não só enviou todas as que pedi (e mais algumas) em alta qualidade, como se dispôs a responder qualquer dúvida que eu tivesse. Fofa demais! Papo vai, papo vem, ela deu um depoimento ainda mais legal do que eu já esperava:

“Acho importante lembrar que somos uma marca de camisetas feministas, mas antes somos uma MARCA FEMINISTA. Todas as pessoas envolvidas em todos os processos aqui na MinKa são mulheres. Acreditamos no empoderamento feminino de várias formas: através das camisetas, da sororidade, de mensagens de auto amor e do empoderamento financeiro de mulheres. As camisetas são produzidas em confecção própria com mão de obra humanizada, matéria prima 100% nacional, não utilizamos plástico em nossas embalagens, que inclusive são sustentáveis e reutilizáveis.”

MinKa Camisetas Feministas
Camiseta Grávidas “We Can Do It

No final da conversa, que já tinha superado todas as minhas expectativas, ela ainda se despediu com um “Vamos juntas!”… Dá vontade até de trabalhar num lugar assim, né? Fala sério! Sobre as blusas em si são muitas estampas bacanas, algumas só com frases e outras com ilustrações delicadíssimas. Elas são feitas em malha 100% poliéster nas cores branca e cinza, ambas em modelagem de camiseta tradicional e regata cavada, e numa variedade enorme de tamanhos: vai do PP (que eu acho que é o meu) ao XG! Arrasaram!

MinKa Camisetas Feministas
Camiseta “Mulher sem Temer

A vontade MESMO é ter todas elas, mas como estamos trabalhando com humildade (e desemprego) aqui resolvi fazer uma lista de desejos MinKa com meu Top 5 Favoritas, aquelas que guardei o link no fundo do coração para, assim que puder, comprar e me dar de presente. Com o tempo a gente extrapola e aumenta um cadinho, quem sabe. E vocês, de qual gostaram mais? Me conta e passa lá na loja virtual pra conhecer todas!

MinKa Camisetas Feministas

01) Viva La Frida; 02) Girls just wanna have fun(damental rights); 03) GRL PWR; 04) GRL PWR Branca de Neve; 05) The Present Is Female. Depois de muito pensar decidi que queria fazer uma menção honrosa porque a “Feminista Significado” é maravilhosa – e necessária!

MinKa Camisetas Feministas

Psiu! ‘Prestenção!

As imagens presentes nesse post foram enviadas pela MinKa Camisetas a meu pedido, assim como o depoimento da Yasmin, porém a ideia de escrever esse post foi minha e não houve qualquer remuneração ou benefício para que eu fizesse isso, ok? Não é publi!

She’s Beautiful When She’s Angry

Em 27.12.2016   Arquivado em Feminismo, Filmes

She's Beautiful When She's Angry, via Filmow

She’s Beautiful When She’s Angry *****
Direção: Mary Dore
Gênero: Documentário
Duração: 92 min
Ano: 2014
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Conta a história das mulheres que criaram o movimento feminista nos anos 1960, fazendo uma revolução em todos os âmbitos sociais.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: A primeira vez que ouvi falar sobre o movimento feminista onde o assunto realmente me chamou atenção foi através da minha mãe enquanto a gente assistia “The Wonders” pela milésima vez. Eu tinha uns 16 anos e falei que achava feio as dançarinas com os mamilos “marcando” na roupa, ela veio e me explicou o contexto, que houve a queima em massa de sutiãs em busca de direitos iguais, e apesar de continuar achando não achando bonito a presença daquelas meninas ali mudou de sentido na minha cabeça COMPLETAMENTE e eu passei a adorar a dancinha delas. Mas a história estava só começando… Sete ou oito anos precisaram se passar para eu começar a realmente entender do que aquilo tudo se tratava e o principal: perceber e admitir que eu fazia parte. Foi devagar, primeiro uns compartilhamentos no Facebook, depois uns posts por lá e por aqui, a perda total do medo de usar as palavras que marcam o movimento e, claro, a necessidade de ler e assistir mais sobre o assunto. E é aí que entra “She’s Beautiful When She’s Angry”, que está disponível na Netflix e conta um pouquinho sobre como a coisa se intensificou nos Estados Unidos justamente no período do qual minha mãe tinha me contado um pouquinho.

Sabe quando você tá lendo alguma postagem sobre feminismo e SEMPRE tem aquele(s) comentário(s) que diz(em) “Antes eu até entendo, as mulheres queriam seus direitos, mas as feminazis hoje em dia só querem privilégios e aparecer”? Pois é, as pessoas já diziam isso na época. Sabe quando as próprias mulheres reproduzem o machismo dizendo que se sentem bem com o que já têm e não entendem por que as outras querem mais? Sim, desde então muitas já davam esse tipo de entrevista. Sabe quando algum jornalista é MUITO babaca e fala merda na televisão pra todo mundo ver e ainda assim mantém seu emprego, não importa o quão misógino ele foi? Bom, nem preciso dizer que isso também sempre esteve presente, né! Esse documentários é FUNDAMENTAL pra entender do que se trata e ver que não importa o quanto as coisas melhorem pra gente, ainda temos um longo caminho pela frente até atingir a equidade de gêneros. É um mix de sentimentos, ao mesmo tempo que você quer gritar um “MUITO OBRIGADA” para cada uma delas pela vida melhor que temos hoje, é triste ver que muita coisa não mudou e ainda vai demorar pra mudar, e é por isso que a gente não deve NUNCA se calar diante do machismo nosso de cada dia!

Nele nós vemos relatos vindo direto das ativistas da época que ressaltam as dificuldades, prazeres, conquistas e até mesmo erros de cada etapa e organização que ia surgindo, a necessidade inacabável da representatividade e lugar de fala, chegando a causar até “brigas pelo protagonismo”: elas foram caladas por tanto tempo que não conseguiam ser ouvidas quando falavam em tom de voz normal ou mesmo gritando, e aí era preciso BERRAR, caminhar, reunir, queimar… O que eu mais gostei nele, porém, foi que alguns relatos me deram mais oportunidade de sair da minha “zona de conforto” feminista classe-média-branca-cis-hétero-com-curso-superior e ver que ali já começavam a nascer também algumas “diretrizes” que até hoje não têm muito espaço, como o feminismo negro e lésbico… Sempre que leio algum texto sobre esses assuntos tem alguém que está do “lado privilegiado” comentando que se sentiu ofendida, e confesso que já me senti muito também, mas é só abrir um pouquinho a mente que a gente vê que esse “ofensa” é a mesma que muitos homens sentem quando vêem que nós mulheres queremos ser tratadas como pessoas que somos, e não como seres inferiores, então é sempre bom entender que cada um tem lado oprimido, mas também seu lado “opressor” e ajudar a dar a voz pra quem tem mais “sacos de batata de opressão” nas costas poder colocar esse peso pra fora…

Eles têm também um site super legal que conta com informações sobre a tragetória de cada uma das entrevistadas, o trabalho da diretora, fontes de informação, uma lojinha virtual, links das redes sociais e, claro, divulgação de onde o filme pode ser assistido, acessem lá para poder se maravilhar com ele tanto quanto eu: shesbeautifulwhenshesangry.com!

Trailer:

“A Garota no Trem”, relacionamentos abusivos e gaslighting

Em 09.12.2016   Arquivado em Feminismo, Filmes

A Garota no Trem, via Filmow

A Garota do Trem (The Girl In The Train) *****
Elenco: Emily Blunt, Haley Bennett, Justin Theroux, Luke Evans, Rebecca Ferguson, Allison Janney, Darren Goldstein, Edgar Ramirez, Gregory Morley, Laura Prepon, Lisa Kudrow, Ross Gibby
Direção: Tate Taylor
Gênero: Mistério
Duração: 112 min
Ano: 2016
Classificação: 14 anos
Sinopse: “Rachel (Emily Blunt), uma alcoólatra desempregada e deprimida, sofre pelo seu divórcio recente. Todas as manhãs ela viaja de trem de Ashbury a Londres, fantasiando sobre a vida de um jovem casal que vigia pela janela. Certo dia ela testemunha uma cena chocante e mais tarde descobre que a mulher está desaparecida. Inquieta, Rachel recorre a polícia e se vê completamente envolvida no mistério.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Antes de mais nada gostaria de dizer que nunca li o livro no qual o filme é adaptado e que quando fui ao cinema (graças a um ingresso que ganhei) não sabia 100% do que se tratava, só tinha lido a sinopse mesmo, então não posso dizer se é uma boa adaptação e sequer se a temática das duas mídias é igual, mas de certa forma assisti-lo foi uma surpresa MUITO positiva porque gerou reflexões maravilhosas e me deu exemplos claros de pautas que muita gente que conheço não consegue enxergar, mas estou me adiantando. Vamos falar sobre a experiência primeiro, depois falamos do que ela gerou.

A história gira em torno de três mulheres: Anna é casada com o ex marido de Rachel, com quem tem uma filha, e Megan é a babá da criança. Desde a separação, que aconteceu por causa de seu alcoolismo, Rachel viaja todos os dias num trem que passa por sua antiga vizinhança, e para evitar olhar para a casa onde vivia observa a vida aparentemente feliz de Megan, que envolve muito carinho (e sexo) com seu marido, até que um dia dá de cara com uma cena que a deixa chocada: a garota está com um homem diferente. Desconcertada com isso e muito bêbada, ela vai até o local, tem um apagão e mais tarde descobre que Megan desapareceu, e por estar sempre “perseguindo” seu ex ela se torna suspeita, já que a vítima trabalha pra ele. A partir daí ela tem que tentar se manter sóbria pra descobrir o que aconteceu, quem causou e até que ponto está envolvida nisso. É um filme de suspense que mexe MUITO com o psicológico e emocional e tem um elenco ótimo e mega convincente, protagonizado pela MARAVILHOSA da Emily Blunt. Você vai conhecendo mais da história de cada uma delas, entendendo seus dramas e dilemas e cada hora suspeita de uma coisa que vai ser desconstruída logo em seguida (ou não).

A partir daqui esse post tem revelações sobre o enredo e, apesar de eu não falar o desfecho do filme, acho que vai dar pra sacar se ler o que tenho a dizer. Se você abomina spoiler sobre todas as coisas, não recomendo a leitura (mas salva pra depois que ver que é legal!), mas se já assistiu ou quer já fazer isso com olhar crítico e não focado no mistério, vão ‘bora!

E aí temos essa relação de três mulheres aparentemente problemáticas com três homens “misteriosos”: Tom, ex marido de Rachel e atual de Anna, Scott e Kamal Abdic, marido e terapeuta de Megan, respectivamente, e é a presença deles que nos dá exemplos claros de dois assuntos que estão dando o que falar na internet, finalmente: relacionamentos abusivos e gaslighting. O primeiro está explícito desde o momento em que conhecemos Megan durante suas sessões de terapia, ela permanece com Scott mesmo sem vontade nenhuma, mesmo tendo sua vida completamente controlada, quase como forma de auto punição pelos seus erros do passado, e só consegue se abrir para Abdic, com quem tenta ter um caso loucamente. Ele é tão absurdo que após o desaparecimento esse comportamento agressivo acaba sendo “transportado” pra coitada da Rachel que entra em contato tentando ajudar, no final das contas a gente vê que não importa os erros da pessoa, ninguém merece ser tratado assim. Inclusive muito do que rola na vida da Megan (e que acaba causando seu fim trágico) poderia ter sido evitado desde o início da parte difícil da sua história se ela tivesse tido apoio pra melhorar e sentir menos culpa pelo que passou. E aí vamos pra parte 2, mas antes um “momentinho Wikipedia” básico:

Gaslighting ou gas-lighting é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Casos de gaslighting podem variar da simples negação por parte do agressor de que incidentes abusivos anteriores já ocorreram, até a realização de eventos bizarros pelo abusador com a intenção de desorientar a vítima. (fonte)

Essa é a essência do filme, se você quer entender como isso funciona PRECISA assistir porque é assustador de tão claro. Rachel se tornou alcoólatra durante seu casamento e desde então tem lembranças horríveis de seu próprio comportamento, TODAS elas vindas de Tom, já que ela não lembra de nada. Após a separação ela claramente persegue a nova esposa de seu ex e a filha deles, tornando-se uma ameaça pra tranquilidade de Anna. As duas vêem uma inimiga na outra e a coisa é tão absurda que você, assistindo ao filme, também acredita que é isso que elas são! Meus comentários variavam de “louca” e “que burra” a “aposto que a culpa é dela”, até o momento extremamente esclarecedor em que você percebe que por trás disso tudo tem o gostosão babaca manipulando TUDO. Ele conseguiu convencer a primeira de que ela é mentalmente instável e culpada pelo fim do casamento, passou esse pensamento pra segunda e quando a coisa apertou mudou TUDO fazendo com que as duas se achassem malucas e neuróticas! A cena mais maravilhosa de todas que exemplifica isso: a confusão do desaparecimento de Megan leva Rachel à vizinhança (mesmo que a tenham alertado pra não fazer isso) e ela cruza com Anna na rua sem ter reações, só “olho no olho” e continua andando. Mais tarde Anna conta isso pro marido dizendo que rolou “comportamento agressivo” e ele manda largar pra lá e deixar a coitada em paz, o que faz a mulher ter SAUDADES da época que era amante dele. Nesse momento a gente pensa “Ai que mentirosa nojenta!”, mas tudo vai se encaixando quando ambas têm um “click” de sanidade (que sempre esteve lá) e percebem as ligações falsas, o ciclo vicioso de transformar a mulher em errada pra justificar a amante e o aproveitamento da fragilidade da pessoa para piorar tudo pra ela, outra característica super forte do abuso. Tudo isso, claro, intensificado por essa mania quase natural que nossa sociedade tem de SEMPRE colocar as mulheres umas contra as outras, enquanto na verdade a gente tinha era que estar dando as mãos e se ajudando para impedir que isso aconteça com qualquer uma de nós. Obrigada aos meninos d’A Estante dos Gêmeos pela chance de assistir esse thriller que pela sinopse não me interessaria tanto, mas no fim das contas era EXATAMENTE o tipo de coisa que eu busco ver e quero recomendar pra galera!

Trailer:

Exposição (des) necessária para um momento de reflexão

Em 30.11.2016   Arquivado em Feminismo

Abra suas mãos agora e olhe para os seus dedinhos por um segundo. Se eu fizer o mesmo daqui de casa, agora aos meus 26 anos, consigo contar cada garoto que já beijei na minha vida sem nem preencher todos eles. Já rolaram várias brincadeiras entre meus amigos por eu ser seletiva e “difícil”, mas no fundo todo mundo sabe o motivo: eu só me envolvo com um cara se e quando REALMENTE quero, simplesmente nunca consegui (pelo menos até hoje) “ficar por ficar” com ninguém, em todos os casos teve o mínimo de sentimento e o máximo de vontade envolvida. Nem preciso dizer então que para eu dormir com alguém a “seleção” foi ainda mais “rígida”, só aconteceu quando eu soube que nunca ia me arrepender daquilo e que estava com a pessoa mais legal do planeta… Mas isso não vem ao caso porque sequer é o tema desse “textão” da vez, nosso momento de reflexão é sobre o aborto e tá só começando.

Eu não bebo bebidas alcoólicas porque não gosto, as raras vezes que fiz isso foi para saber que gosto tinha (achei tudo ruim!) e para brindar a formatura de alguém, um golinho e já passei o copo adiante. Não fumo e não uso outros tipos de droga, nem experimentei. NUNCA cedi à pressão social de amigos ou colegas para fazer qualquer coisa, nem quando era adolescente, nem quando estava desesperada pra ter os amigos que eu não tinha, nem quando riam de mim porque eu era muito careta (ou qualquer expressão que usaram, porque só gente careta como eu usa a expressão “careta”). Festinhas e baladas? Dá pra contar nos dedos também, sem precisar apelar pros dedos dos pés. Em resumo, eu pareço ser o que os padrões esdrúxulos da nossa sociedade adora enquadrar no perfil de “boa moça”, não escondo e muito menos me orgulho disso. Antes que vocês pensem que tô contando isso tudo porque discordo de quem leva a vida diferente de mim já aviso que muito pelo contrário! Na minha opinião as pessoas devem fazer o que elas quiserem, na hora que quiserem e com quem quiserem, a menos, é claro, que não seja consensual ou que magoe terceiros. Pra mim eu não sou melhor e nem pior do que a menina do “eu escolhi esperar” e nem da que pega mais de uma pessoa por vez e de uma vez, não sou melhor e nem pior do que quem passa o fim de semana na igreja ou no bar. Nós somos todas iguais em nossas diferenças, no fim das contas, e merecemos igual respeito. Com o tempo eu parei de me arrepender das coisas que não fiz e menos ainda das que fiz, todos têm o direito de se sentir assim também. (Apesar de que arrependimento a gente não controla, às vezes rola, fazer o que?)

Escrevi toda essa exposição desnecessária sobre mim para provar que é possível ser a pessoa que eu sou por completo, para já desestruturar qualquer argumento ofensivo contra a minha pessoa, argumento esse que sequer deveria existir mesmo se eu fosse o oposto do que sou. Pra mostrar que sou feminista mesmo que não me enquadre nos perfis “dá pra qualquer um” e/ou “sofre com falta de rola” (aliás, machistinhas, me expliquem como é possível ser os dois ao mesmo tempo porque ainda não entendi). E acompanhando cada vez mais as pautas do movimento eu dou de cara com uma das mais “polêmicas”: a legalização do aborto. Por muito tempo eu fui contra, mas graças às maravilhas que a reflexão trazem na nossa vida hoje sou a favor. Desde novinha eu tenho vontade de ser mãe, apesar de que hoje em dia sei que isso só vai acontecer se eu tiver condições, financeiras mesmo, de fazer isso exatamente como eu quero fazer, então não sei se vai rolar. Por outro lado eu jamais abortaria uma criança se engravidasse em situações normais, mesmo que em um momento indesejado. NUNCA tive qualquer relação sexual sem estar tomando pílula e usando camisinha ao mesmo tempo, mas sei que isso não tornaria uma gravidez algo 100% impossível. Sei que se tivesse algo de errado com a pizza que comi em um certo dia eu poderia ter passado mal e, pronto, o remédio podia nem estar mais no meu organismo, sei que o látex milagroso quase imperceptível do que preservativos são feitos não é completamente incorruptível. Sei que estou correndo um risco e que todos nós estamos, mesmo que a maioria de nós não conte com isso. Sei também que não faz sentido nenhum obrigar a sociedade a viver um voto de castidade geral a menos que seja para reprodução porque, como eu disse acima, a gente tem que fazer o que quer mesmo dessa vida, estar feliz sempre vale a pena. E eu sei que se alguma coisa der errado no meio do caminho terei que encarar as consequências.

Acima de tudo, porém, eu sei que nenhuma pessoa no mundo é igual a mim ou tem a vida exatamente igual à minha. Nem todo mundo tem os mesmos desejos e vontades que eu, as mesmas limitações e liberdades, as mesmas condições e o mesmo pensamento. Sei que ninguém acorda falando “Ai, que dia lindo, acho que vou ali dar uma engravidada pra fazer uma abortinho depois!”, mas que muita gente não tem outro pensamento que não “Puta que pariu, não posso MESMO ter um filho, e agora?”. E o “não posso” depende da pessoa, viu? Pode ser um poder financeiro, físico, mental, estrutural, sentimental, tantos tipos de não poder que nem sequer consigo citar todos. E quem sou eu para julgar isso? E quem é você para julgar isso? E quem somos nós para definir o que essa pessoa pode ou não fazer, no fim das contas? Para definir se ela está sendo egoísta? Para definir que ela deve ir contra o que os outros acreditam, e não ela mesma? O que nós sabemos da vida de cada um para definir o que é certo ou não para aquela pessoa?

Por outro lado existem várias coisas que nós sabemos! Sabemos que um terço dos brasileiros culpam a vítima por estupros sofridos, o que mata o argumento de que “aborto é permitido em caso de estupro”, já que muitos sequer acreditam que a mulher tá falando a verdade quando faz a denúncia (isso quando consegue ter coragem denunciar, porque encarar toda a sociedade depois não é fácil, não). Sabemos que as pessoas inclusive continuam achando que saias curtas, bebidas, estar solteira, andar na rua sozinha e ser “fácil” são possíveis causas do estupro, quando na verdade a ÚNICA E EXCLUSIVA CAUSA são os estupradores. Sabemos que, apesar de serem muito eficientes e do fato de que devemos SEMPRE usá-los, não existe método anticoncepcional 100% seguro. Sabemos que sendo legalizado ou não as pessoas abortam de qualquer forma, mas como a maioria não tem condições financeiras para fazer isso acontece um milhão de práticas irregulares por ano, deixando essas mulheres à mercê da morte e da justiça (inclusive: leiam esse artigo, por favor). E O MAIS IMPORTANTE DE TUDO: sabemos que a legalização não torna a prática uma obrigação, muito pelo contrário… Ela gera não só segurança, mas também reflexão e pode acabar aumentando a taxa de desistência a partir disso! Sabemos também que estar segura, protegida e livre de olhares tortos muitas vezes é só o que uma pessoa precisa num momento tão difícil, e eu não tenho como provar essa última, mas por experiência própria sei que se colocar no lugar do outro, ter empatia pelo próximo, pode aumentar horizontes e diminuir julgamentos. Eu não me enquadro no perfil que as pessoas imbecis tanto acham que os defensores da legalização têm e cá estou, mesmo porque felizmente o mundo não gira em torno de mim. E você, já tentou abrir sua mente e refletir sobre isso hoje?

Reflexões Sobre Aborto
Foto do Sacred Feminism

Quando eu me descobri feminista…

Em 29.08.2016   Arquivado em Feminismo, Vídeos

“Feminismo” é uma palavra que sempre foi e se torna cada vez mais temida pelas pessoas. A mera presença da mesma num texto, vídeo, página ou perfil de um blog (oi!) já causam verdadeira aversão naqueles que não entendem o que ela significa, que não sabem que uma mulher ser feminista não quer dizer que ela vai matar homens, sacrificar crianças, transar com todos os seres humanos que ver pela frente ou mesmo queimar aparelhos depilatórios: significa que ela tem o direito de escolher quem é e o que faz, que é ela IGUAL aos homens, e não superior ou mesmo inferior, que é como a nossa sociedade ainda nos enxerga, sim. Eu mesma não sabia muito bem o que essas palavras representavam e, apesar de não ter tido um pensamento tão radical assim, imaginava que o feminismo seguia a mesma linha do machismo, só que ao contrário, até que vivi dois momentos muito reveladores na minha vida que me mostraram que eu estava errada. A partir daí eu fui de “desinformada” a “ativista” em pouquíssimo tempo e decidi que era hora a de contar essa história, mesmo que alguns se recusem a ouvir pela mera presença de um termo no título do vídeo. Inclusive pensei bem e vi que o fato de as pessoas acharem que estou errada por querer igualdade de gênero, por querer que todas as mulheres sejam livres daquilo que ainda as prendem nos padrões da sociedade, mostram que PRECISAMOS continuar falando sobre isso, que PRECISO relatar quando eu me descobri feminista.

O vídeo que citei, “We should all be feminists”, é um prato cheio para quem está querendo começar a refletir sobre o assunto ou mesmo quem já abraça a causa e quer ouvir mais sobre ela direto das palavras de uma mulher (muito) inteligente que veio de um país ainda mais machista que o nosso. Ele está disponível aqui: https://www.youtube.com/watch?v=hg3umXU_qWc e vale MUITO a pena, sempre que assisto eu aplaudo e choro com as palavras da Chimamanda.

BEDA2016

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