Categoria "Escrevendo"

Uma carta para meu eu de 10 anos atrás

Em 25.03.2014   Arquivado em Escrevendo

Oi, Luly! Menina, que saudades que sinto de você… Sério, você nem imagina. Eu sei que essa carta vai te assustar um pouco no início mas não se preocupe porque você nunca vai chegar a ler. Mesmo assim cá estou eu, escrevendo, porque existem certas coisas que sei que preciso te falar.

Antes de mais nada quero dizer que você não vai achar aqui nenhum spoiler seguro sobre seu futuro. Claro que não, não quero mudar nada na sua vida daqui pra frente. Mentira, eu até mudaria uma coisinha ou outra, mas no balanço geral preciso que você siga seu caminho com os imprevistos que vão aparecer e, acredite, você vai criar tantos deles que vai até se assustar com o fato de eu não estar brigando com você.
O que eu preciso que você saiba acima de tudo, Luly, é que você é uma garota INCRÍVEL! Sério, eu não menti quando disse que sinto sua falta. Você é fofa, meiga, uma criança presa aí nesse corpo que tá querendo virar adolescente de vez… Eu não me arrependo nem por um segundo disso aí que você é. Hoje você pode ter vergonha e esconder das suas amigas que seu hobbie favorito (ainda) é brincar de Barbie com sua irmã, mas te garanto que no futuro você não vai se arrepender. Continue sendo essa garota, ok? Querendo ou não você é mais madura do que muitas dessas suas colegas que já largaram as bonecas de lado: você é inteligente, responsável e todas as pessoas importantes na sua vida te adoram, verdade! Ai, eu devia aprender um pouquinho com você e voltar a ser mais assim… Você nunca pronuncia uma palavra feia, não tem nenhum pensamento maldoso, está sempre rindo e de bem com a vida. Olha, prometo que vou tentar voltar a ser um pouco como você daqui em diante, viu?

Esse ano vão acontecer algumas mudanças por aí… Uma delas você vai achar que é ótima, mas vai ser meio sofrida e quando você olhar pra trás não vai sentir falta nenhum. Mas não se preocupa, você vai superar isso, isso e muito mais do que está por vir. E o que tem que coisa por vir… Sua vida vai mudar TANTO nesses próximos 3 ou 4 anos e vai parecer pra você que é impossível que isso seja bom, mas vai. Aguenta firme, Luly, eles vão precisar de você.
Você vai precisar de algumas pessoas também e algumas vão falhar justo nesse momento, triste, né? Mas outras vão estar ao seu lado e vão continuar sempre que você precisar! Te garanto que hoje eu amo essas pessoas mais do que você ama agora. Parece impossível, mas não é.

É uma pena eu não poder te contar como eu sou porque tenho tanto medo que você tente mudar seu caminho… Não quero isso, quero que você possa se transformar em mim como se transformou! Algumas coisas não mudaram sabe… Nós ainda somos MUITO choronas – cada vez piora – e mega românticas. Nós ainda amamos bonecas (Dá pra acreditar? Nessa idade!), ainda assistimos filmes da Disney nos fins de semana e somos viciadas em Harry Potter… Aliás, menina, pode aguardar porque o final da série foi incrível, mal posso esperar pra você descobri-lo! Nós ainda temos o mesmo número de celular, calçamos o mesmo número de sapato e temos praticamente a mesma altura – me desculpa te desapontar, mas você continua pequenininha… Por outro lado eu sou infinitamente menos tímida do que você e apesar dos quilinhos que ganhei mais bonita também! Além disso minha vida é tão mais fácil que a sua que é muita ingratidão minha reclamar dela quando lembro de você. Mais uma vez: parabéns!
E nós somos muito felizes hoje, Luly. As coisas ainda podem melhorar, e vão, mas eu fico feliz que você tenha decidido tomar tantos rumos diferentes. Alguns não deram certo, mas sinto orgulho de você do que você sentiria de mim se me visse hoje.
Você vai perder parentes queridos e vai chorar MUITO, vai descobrir uma profissão que nem sabe que existe e vai se surpreender com ela, vai virar uma Barbie-humana looooira e logo depois ter uma fase metaleirinha (é, menina, dá pra acreditar?) pra enfim virar alguém nada mais do que “normal”, vai continuar usando as unhas compridas apesar de todo mundo falar que você não pode, vai criar MAIS UM blog daqui a uns dias achando que não vai durar nada e, bem, aqui estou eu, usando esse exato mesmo blog pra me comunicar com você.

Espero que eu eu esteja hoje vivendo o futuro que você merece. E espero mais ainda que uma outra Luly escreva pra nós duas daqui a dez anos dizendo a mesma coisa e que a cada década a gente continue gostando uma da outra, mesmo com tantos altos e baixos e sendo esse grupo de uma mesma pessoa que, cá entre nós, é meio maluca, mas vale a pena ser!
Boa sorte, Luly! Você vai precisar mas vai ter muita também. E ainda tem!

Carta para Lulynha

O tema desse post foi o proposto esse mês para a Blogagem Coletiva do Rotaroots e foi inspirado em uma tag do blog Hypeness.

Quando eu comecei a escrever (bem)

Em 07.10.2013   Arquivado em Escrevendo

Quando eu tinha quatro anos minha mãe recebeu meu boletim da escolinha e lá vinha “Prova Oral de Leitura” com a nota “B”, e uma notinha explicando que eu tinha tirado “B” porque estava gripada no dia e por isso não tinha me saído tão bem. Mas não foi a nota “baixa” que impressionou e sim o fato de que a filhinha dela estava lendo e ninguém na família parecia saber disso! A verdade é que eu sabia sim ler e já estava pronta para aquele próximo passo: aprender a escrever! Eu imagino que não tenha demorado muito, rapidinho eu já devia estar escrevendo tudo o que a professora mandava.

É engraçado isso de dizer que a criança “sabe escrever” quando ela está somente ali, repetindo textos que estão sendo ditados. Não sei dizer quando foi que eu REALMENTE aprendi pra valer, quando foi que eu aprendi a escrever aquilo que eu mesma criava, só sei que, antes que eu percebesse, escrever era algo que eu fazia em tempo integral. Nas redações da escola, nos exercícios de Para Casa, no meu diário onde eu contava (e ainda conto) o que fiz no dia-a-dia e até nos desenhos que eu fazia e sempre escrevia alguma coisa: meu nome, o nome de quem eu estava desenhando ou a explicação do que era algum elemento mal representado na cena retratada. Aos poucos deixou de ser uma atividade mecânica e passou a ser livre, passou a ser diferente, passou a ser MEU. E fui descobrindo que escrever era, provavelmente, o que eu fazia de melhor. Logo tive duas provas concretas disso quando ainda era criança e não entendia como funcionava esse progresso na nossa vida, ambas no ano de 2000, quando eu estava na 4ª série (hoje 5º ano) e o Brasil completou 500 anos desde sua descoberta.

A primeira delas foi logo na primeira prova de português que fiz naquele ano e eu não presenciei essa história, mas fui ter conhecimento dela alguns meses depois. A professora de português dividia as provas que tinha que corrigir em duas pilhas: aquelas que eram caprichadas e pareciam merecer uma nota promissora; e aquelas cheias de garranchos que provavelmente não teriam um bom resultado. Logo de cara a minha prova foi pra segunda pilha, não por ser desarrumada, bagunçada ou suja, mas pela minha letra que era HORROROSA. Sério, sempre foi e ainda é bem feinha, por mais que hoje em dia dê pra entender. A explicação é simples: eu era muito lenta na escola pra copiar coisas do quadro e afins, e para tentar acompanhar passei a deixar o capricho de lado e investi na agilidade. Até que funcionou, mas ocasionou nisso. Minha professora disse que colocou minha prova de lado sem nem pensar duas vezes, mas quando foi corrigi-la (por último!) levou um susto muito prazeroso: ela disse que era uma das melhores que tinha corrigido naquela turma e que eu escrevia muito bem. A partir daí minhas provas foram parar na primeira pilha, não importava a feiura da minha letra. Na época isso não significou muita coisa pra mim, a única parte dessa história que eu digeri foi que minha letra era feia o suficiente para merecer um desprezo inicial. A parte do elogio só foi ser processada na minha cabeça meses depois.

E aí foram chegando os preparativos para a comemoração de meio milênio do nosso país! Nesse ponto todas as escolas de Timóteo foram convidadas a enviar um aluno para participar de um concurso de redação e o melhor em cada categoria (por faixa etária) ganharia um computador. Gente, isso naquela época era o melhor prêmio que podia se esperar! Cada escola deveria adotar seu método de escolha, independente de qual fosse.
A solução que minha escola escolheu foi mandar todos os alunos escrever uma redação sobre os 500 anos do Brasil, sem avisar mais nada, fingindo ser uma redação comum. Eu estudava em uma escola estadual muito boa que tinha turmas de primeira a quarta série, quatro turmas pra cada ano com uma média mínima de 30 alunos cada, ou seja, pelo menos 480 alunos estudavam ali. E alguns dias depois dessa nossa atividade eu fui chamada na coordenação da escola. Eu, que era tão comportadinha e não fazia nada de errado!

Quando cheguei lá (tremendo de medo da cabeça aos pés) eles me mostraram minha própria redação e falaram que tinham me escolhido para o concurso em questão. Pediram que eu falasse com meus pais para eles me darem autorização e me mandaram pra casa com um bilhete explicando tudo. Lembro que saí perguntando pra escola inteira quem mais iria, quem foram os escolhidos das outras turmas, mas não tinha nenhum. Era só uma, em mais de 400, e essa “uma” era eu.

Não, eu não ganhei o concurso. O primeiro lugar foi um ex-colega meu de pré-escola que estudava agora em outro lugar (e merecido, porque aquele era, sem dúvidas, o melhor colégio da cidade na época). Saiu no jornal e tudo mais: uma foto dele com a família falando que era o vencedor. Eu fiquei feliz em saber que ele tinha ganhado, mas minha mãe não sossegou enquanto não ligou para qualquer que fosse o “órgão” responsável por aquele concurso para descobrir se eu tinha alguma colocação. E tinha: segundo lugar. Não recebi nenhum prêmio, mas ganhei meu dia!

Dizem que para escrever bem você precisa ler bastante. Eu só acredito nisso em partes. Lógico que você reproduz aquilo que sabe, o que te leva a escrever aquilo que lê (o que é assunto pra outro post). Mas existem tantos exemplos que fogem a essa regra que chego a pensar que esse tipo de coisa não tem muita explicação. Eu conheço gente que lê muito, o tempo inteiro, e escreve muito mal, em todos os aspectos. Meu caso era o contrário: só fui gostar de ler um ano depois desse concurso, quando a obra de J.K. Rowling veio parar em minhas mãos. Ainda assim não sei explicar como ou por que, mas juntar palavras em um texto sempre foi meu ponto forte. E eu só fiquei sabendo disso naquele dia quando minha mãe me deu essas duas notícias: a primeira de que eu tinha ficado em segundo lugar; a segunda, e talvez a mais importante até hoje na minha vida, que eu estava de parabéns e que escrevia muito bem!

Escrevendo

Foto tirada no final de 1996, nos meus últimos dias da pré-escola: minha mãe me ajudando num dever de casa e eu lá, de lápis na mão, escrevendo. Eu tirei uma “foto da foto”, por isso minha cabeça está deformadinha, mas essa é a que melhor pode representar!

Minha irmã(zinha)

Em 22.07.2013   Arquivado em Escrevendo

Demorou muito tempo para eu e minha irmã entendermos que, no fundo, uma era a melhor amiga da outra. Na verdade a vida inteira quando se falava em “melhor amiga” a gente não tinha dúvidas: a dela era a Pati e as minhas mudavam, mas eram beeem definidas! Ela tinha receio de me falar alguma coisa e eu reagir com minha superproteção de irmã mais velha, ao mesmo tempo que eu morria de medo de falar coisas pra ela que depois fossem parar nos ouvidos de outras pessoas por maldadezinha de irmã mais nova. Normal. Mas chegava um certo momento em que a gente não conseguia porque só UMA pessoa no mundo nos entende tão bem: uma à outra.

rimazinha

Eu sempre quis uma “rimãzinha”. Eu pedia por uma sempre que tinha oportunidade. Dormia de bumbum pra cima, rezava pro presépio, torrava a paciência do papai e da mamãe. Quano ela finalmente estava a caminho veio a dúvida: e se for menino, como essa garota vai reagir? Aí minha mãe fez uma verdadeira lavagem cerebral em mim e eu vi que um “rimãozinho” ia ser muito mais legal: eu não teria que dividir meu quarto, não teria que compartilhar minhas bonecas, eu ainda seria a menininha da casa. Foi depois do ultrasom que confirmou que era menina que tudo mudou e me fizeram ver que menino é chato, vai brigar com você e te chutar, realmente uma irmãzinha vai ser muito mais legal: ela ia brincar comigo, me fazer companhia, nós íamos dividir tudo e eu teria muito mais coisa se contasse com as dela.
Aí chegou 30 de abril de 1995 e foi uma bagunça. Não sei o que eles fizeram pra me distrair, só lembro de alguém vindo até mim no dia seguinte e me contando que estava na hora, eu ia conhecê-la. Fomos ao hospital, entramos no quarto e quando eu vi ela era um neném. Um neném muito pequenininho. MUITO. O que eu ia fazer com aquilo? Como ela ia brincar comigo daquele jeito? Eita decepção… Nem usar ela de boneca ia dar, porque eu mal podia tocar no neném de tão sensivelzinho que era.

Sorte que o tempo foi passando. Um ano depois eu já botava ela pra ser minha filha nas brincadeiras e me jogava pra dentro do cercadinho pr’a gente ficar juntas. Mais uns dois anos e ela já conseguia decidir junto comigo qual filme da Disney a gente iria assistir no dia. Passou mais um cadinho e nós estávamos brincando de Barbie juntas e por causa dela a brincadeira ficou ainda mais divertida: a Pati apareceu na nossa vida e se tornou a “irmã número 3”, e nós não nos separávamos e fazíamos tudo juntas, mesmo eu sendo 5 anos mais velha.
O problema é que esses 5 anos que não pareciam nada começaram a fazer uma certa diferença. Eu e minhas amigas começamos a querer ter nossos segredinhos que elas não podiam entender. Eu tive que começar a me vestir menos com vestidinhos acinturados e mais com saias jeans para não me acharem muito “criancinha”. Não que eu deixasse de fazer as coisas que antes nós fazíamos, mas eu queria dividir as tardes brincando de Barbie com o tal do ICQ e a internet. E minha primeira paixão séria de verdade? Ai que difícil era para minha irmã entender o motivo de eu ter que ficar horas no telefone e não poder dar atenção pra ela… Aí a Pati ia lá pra casa e eu brincava com elas até, mas era só uma amiga minha chegar que a gente ia pra qualquer outro cômodo pra fofocar. Ela começou a associar esses momentos de bipolaridade comportamental à nossa mudança para Belo Horizonte, mas na verdade era a tal da adolescência que, logicamente, veio antes pra mim do que pra ela.
Mas a dela veio também. E assim como a minha teve seus momentos de mudanças conturbadas, a separação dos nossos pais, os problemas com as amiguinhas que queriam crescer mais rápido e ela queria continuar sendo criança. E nessas horas quem era tão bobona quanto ela, por pura ironia, era a irmãzona mais velha, já beirando a entrar na faculdade, com quem ela podia assistir desenhos, falar de brincadeiras que só nós entendemos e ser tudo o que era queria. E é incrível saber que era com ela que eu era tudo que queria também.

Ser irmã mais velha acaba sendo uma certa responsabilidade em vários sentidos. Se meus pais tinham que trabalhar eu tinha que me virar para busca-la na escola, fazer almoço sem saber cozinhar, ver se ela tava fazendo os deveres de casa direitinho. Além disso tem aquilo de servir de referência, porque eu era a maior inspiração daquela garota. A prova disso que é hoje ela gosta é daquilo que eu gosto… Nós ouvimos as mesmas músicas, temos os mesmos hobbies, frequentamos os mesmo lugares e somos as duas da Grifinória! Nós somos tão parecidas que as pessoas têm certeza que somos gêmeas (e da idade dela, obrigada carinha de criança). Não adianta você gostar de mim se não gostar da minha “rimazinha”. Não adianta você querer fazer qualquer programa comigo (na maioria das vezes, né!) se ela não puder ir junto. Minha irmã é quem eu mais amo nesse mundo e eu sou quem ela mais ama também. Sempre foi, ainda é e sempre será assim. Se a gente briga por algum motivo bobinho logo uma vai pra cima da outra dando abraço querendo des-brigar. Se eu vejo ela chorando eu vou lá e faço isso deixar de acontecer porque ela só pode sorrir e pronto. E se você tentar ter uma conversa com nós duas ao mesmo tempo se prepara: nós não pronunciamos NENHUMA frase inteira porque uma vai, ocasionamente e sem perceber, terminar a fala da outra!
Obrigada existir, Daninha!!

Kim n' Wendy

Carta ao Cabelo

Em 16.01.2013   Arquivado em Escrevendo

Belo Horizonte, 16 de janeiro de 2013.
Querido cabelo,
não é de hoje que estamos juntos, você e eu, convivendo diariamente e tendo um que se adequar ás loucuras do outro. Digo “não é de hoje” mas a verdade é que desde sempre você esteve aí em cima, me deixando mais bonita (ou não). Mas dessa vez eu resolvi que era hora de rolar um bate-papo entre nós dois e resolvi escrever esse monólogo pra ver se, como resposta, você não tenta segurar sua onda… Ou as raízes!!
A questão, cabelo meu, é que minha cabelereira veio falar comigo. Não quis te dedurar não, ela fala pro nosso bem. Eu sei o quanto você gosta dela, que te deixa pretinho, lisinho, brilhante e macio, e ela também gosta d’a gente, então veio me falar que você tava caindo demais. A verdade é, cabelo, que ela se enganou. Cair eu sei que você cai, eu me acostumei com isso. Mas agora você tem é DESPENCADO aí de cima. Olha, eu nunca liguei pra isso porque sei que tem fio demais, nunca vi igual, mas é que já torrou minha paciência, né? Todo dia alguém tirando fios de cabelo da minha blusa, jaleco, travesseiro, até da mesa onde fiz prova essa semana.
Eu sei que, no fundo, eu tenho uma parcela de culpa. Não é só você que tem reclamado não. As unhas, suas amigas, estão quebrando das maneiras mais estranhas que já vi. Pra não falar da tal da alergia que já vem me torrando o saco e não vejo a hora de me livrar dela. Eu sei que tem muita coisa andando errado por aqui, mas nós somos um organismo, todos juntos (literalmente), e vocês precisam me ajudar.
Mas a culpa, sabe, é do nosso chefão, o tal do cérebro. Tem uma parte dele, aquela que veste de roupa branca e preza pela nossa saúde, que sempre me diz para eu não me sobrecarregar denovo. Mas o problema é que a maior parte, aquela onde fica a arrogância, sempre me diz: faz. Não importa o que, ele tá lá me dando força pra fazer. Matéria junto com TCC? Faz! Deixar coisas pra última hora? Faz! Prestar vestibular junto com formatura? Faz! Faz, faz, faz, sai fazendo de tudo sem pensar nas consequencias no final. E eu vou lá e faço, porque, no final das contas, é ela que manda em você, em mim e em todos nós, partes de mim.
Mas, vamos lá, cabelinho. Não precisa ficar tentando suicídio assim. Segura as pontas aí que logo a gente tá livre de toda essa complicação em que eu coloquei todos nós e estaremos firmes e fortes pra algumas outras que ainda estão por vir. Porque você me conhece tão bem quanto eu mesma e sabe que eu não tomo juízo: adoro caçar sarna pra me coçar!!
Um beijo, e continue me amando porque eu te amo muito =D
Luly

#ribbonday

Panelinhas

Em 13.06.2011   Arquivado em Escrevendo

– Outro dia passeando pela internet afora li, em algum lugar, a expessão “querer fazer parte da panelinha”, ou algo assim. Eu realmente não lembro onde foi, mas isso me levou a várias reflexões, lembrei de uns posts que rolaram no Flickr a uns tempos atrás e me pus a pensar em como a famosa “panela” virou uma espécie de tabu na vida da sociedade infanto-juvenil.

– Eu SEMPRE fui da turma dos “fracos e oprimidos” quando tava na escola. Acho que desde a quinta série, ou sei lá. Enquanto os outros andavam em panelinhas eu dizia que andava em “canequinhas”: grupos muito menores com os quais ninguém se importava. Eu não via nada de mais nisso, nunca quis ser conhecida pela escola inteira, mas também não fazia questão de evitar isso na vida: simplesmente acontecia de eu me relacionar mais com aquelas pessoas. E desde sempre, estando nesse meio, tinha um ou outro que queria que a sala de aula fossem um grupão de amizade, que todos se amassem e as panelas deixassem de existir. Mas sempre achei isso uma hipocrisia danada. Primeiro porque nós não estamos no Estados Unidos da América, não existem tribozinhos separadas dos atletas, dos nerds e etc, então não acontece de alguém querer mudar de estilo e sentar na mesa do lado e nem momentos High School Musical onde todos revelam ser mais do que são e saem cantando isso pela escola. E segundo porque o que as pessoas consideram panela eu costumo chamar de amizade. Porque se você gosta de alguém, se identifica com alguém, ótimo, fiquem amigos e andem juntos. Sem contar que isso é sempre mutável: vão chegando pessoas novas, você vai se aproximando de pessoas “velhas” e aí novas amizades, digo, panelas vão surgindo.
O legal é que pode ser uma panela, mas uma panela com a “tampa” normal, e não uma panela de pressão, são coisas diferentes! Não acho certo grupos oprimindo os que são diferentes (posso dizer por mim mesma) e nem pessoas que se fecham pras outras simplesmente por não querer abrir espaço pra novas amizades. Mas é bom ter grandes amigos na vida, e é bom ter uma panela se é isso que ela vai significar pra você.

– Um exemplo bom que tenho disso é do único lugar onde não fui “fraca e oprimida” na vida: os Bonecontros de Belo Horizonte. Quando fui no primeiro já tava feliz em ter minha irmã e uma amiga já conhecidas para nunca ficar sozinha, mas logo de cara pessoas foram me conquistando, eu as conquistei e isso gerou o que hoje chamamos de @centoeoito: três pessoas que me fazem feliz em todos os momentos e que muita gente vê como uma panelinha formada ali. Mas a gente gosta de estar uma com a outra, somos amigas, oras, por que não levar isso adiante?? Só para não parecer estar “excluindo” os outros?? Ninguém tá excluindo ninguém, ninguém tá se excluindo, a gente tá simplesmente vivendo em sociedade, simples assim. Não quer dizer que não gostamos de outras pessoas, que não conversamos com outras pessoas, só é mais forte.

– Não precisamos ser queridos por todos, principalmente se com isso não somos muito queridos por alguns. Eu confesso que já passei muito tempo da minha vida querendo que algumas pessoas valorizassem mais minha presença na vida delas, mas se essas pessoas precisam da aprovação mundial, e se assim temos que acabar com a panela, comigo não funciona. Eu não me fecho para ninguém, mas gosto de ter com quem contar, quem abraçar e, principalmente, ter alguém querido pelos lugares onde eu passei, tornando especial cada uma das minhas queridas canequinhas!!


WE HEART IT

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