Categoria "Escrevendo"

Ser mestre, com carinho

Em 21.10.2015   Arquivado em Escrevendo

Escolinha da Agnes

Quando eu estava na primeira fase do Ensino Fundamental, percebi que não poderia ser dentista, enfermeira, bailaria e jogadora de tênis ao mesmo tempo (quase um pra cada dia da semana!) e que teria que escolher uma profissão só, então decidi que seria professora. Fiquei uns três anos com essa ideia fixa na cabeça até os dez anos de idade quando resolvi que faria engenharia química na faculdade, provavelmente por influência do meu padrinho. Foi só ter um pouquinho a mais de conhecimento sobre a vida que vi que isso não era pra mim, que eu JAMAIS cursaria qualquer coisa que tivesse a palavra “engenharia” no nome, e escolhi o que queria fazer da vida de verdade numa altura em que ideia de dar aulas já tinha sido varrida completamente da minha cabeça. Por um tempo, claro.

Minha intenção era estudar Design Gráfico, mas acabei caindo de paraquedas no curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG (a história de como isso aconteceu está nesse post aqui) que eu amava e desde o início já fui vendo com o que me identificava mais, e a tal da “carreira acadêmica” não estava nos meus planos, definitivamente. Não posso expor todos os motivos que tenho aqui porque não é nisso que quero chegar, mas o principal deles é que eu tenho plena ciência de que nunca fui uma aluna boa o suficiente para isso. Eu sempre estudei muito, o fim de semana inteiro se precisasse, mas nunca adiantou porque nunca fui muito inteligente. E para dar aula na faculdade era preciso isso, acima de todas as coisas.

Depois da minha formatura, porém, surgiram possibilidades de dar aula em cursos técnicos de restauração e uma delas veio na forma de um concurso público para a FAOP, que aconteceu ano passado. Eu sabia que lecionar num curso técnico era completamente diferente de fazer isso na faculdade e de repente, depois de pensar um pouco no assunto, estava completamente encantada com a ideia! Após as duas etapas do concurso e dias de muito ansiedade o resultado saiu lindamente e, adivinha, EU PASSEI! Aí, claro, foram mais meeeses de espera pela nomeação até finalmente nos convocarem para a perícia médica. E lá fui eu fazer todos os exames e pegar os resultado e levar toda empolgada, feliz, alegre e saltitante até que… Fui reprovada no exame da fonoaudióloga por ter uma tal de disfonia leve a moderada. Entrei com recurso, fui negada, entrei na justiça, fiz tratamento com uma fono e uma otorrino (ambas liiiindas demais), segui direitinho todos os exercícios ridículos que me mandaram fazer e, ainda assim, não pude assumir. Aparentemente minhas cordas vocais apresentam um problema físico que torna minha voz insuficiente para um trabalho em que ela é o principal instrumento. Eu simplesmente não posso dar aulas, é isso. Fim de papo.

Hoje, quase um ano depois de ter sido barrada, eu fico feliz de não ter ido e de estar fazendo o que estou fazendo no momento – que são vááááááárias coisas – além de perceber que, infelizmente, eles tinham razão: não tenho potência vocal para ser professora. Tem dias em que só de conversar com amigos eu sinto minha garganta arder, então continuo fazendo os exercícios que vi que funcionaram melhor para ajudar. Lá no fundo a “derrota” é triste¿ É. Mas a gente supera e vê que é só uma das várias portas erradas que vamos abrir na vida, então temos que fechar direitinho e sem olhar pra trás para abrir uma porta certa que nos fará feliz.

Mas fica a dica para quem nasceu para ensinar: cuide da sua voz com muito amor e jeitinho porque (parafraseando a música) ela é que vai te permitir ser mestre, com carinho!

Uma carta para meu eu daqui a 10 anos

Em 17.08.2015   Arquivado em Escrevendo

Hello, hello, Luly! Menina, que loucura eu aqui, me comunicando com você! A um ano (e com essa sua memória ótima você com certeza se lembra) eu escrevi uma carta para Lulynha de 13/14 anos e agora aqui estou, tentando falar com a de 34/35. Na verdade se eu pudesse eu te importaria do futuro para saber como vocês está, mas como não dá vou ver se minha vã sabedoria sobre nós duas pode te ensinar alguma coisa. Vai saber…

Parece hipocrisia minha querer que você volte para falar comigo uma vez que eu jamais voltaria para falar com nossa versão “teen” com medo de atrapalhá-la, mas em minha defesa digo que ela jamais vai ler o que escrevi, mas daqui a dez anos você (ou eu?) pode simplesmente abrir esse post para relembrá-lo e refletir sobre ele. Então acho que é uma troca justa. Sem contar que eu me orgulho muito muito da ex-Luly, mas me dá medo em pensar se VOCÊ AÍ, nesse mundo que eu nem sei como imaginar, se orgulha de mim também.
Sei que não faz o menor sentido porque, no fim das contas, quem define sua vida sou eu. Estranho, né? Ser responsável pela vida de alguém que ainda vai existir… Pensando bem você já existe, porque você sou eu, mas para mim é como se não existisse ainda porque eu vejo um mundo de possibilidades que podem vir ou não a ser você, isso sem contar as que não enxergo. Esse papo té meio estranho, mas visualiza aí a Luly 45 que loguinho você percebe o que quero dizer e buga no meio do seu desespero pessoal em pensar no futuro.

O que mais vem na minha cabeça quando penso sobre você é se as coisas que hoje me fazem chorar te fazem sorrir (tomara!) e se as que me fazem sorrir te fazem chorar (poxa, aí não…). Obviamente não estou falando dos verbos em si, mas dos sentimentos que eles representam. Será que você superou tudo o que eu acho que não tem como superar? Será que você conseguiu colocar no lugar tudo o que estava completamente fora dele, quase ao contrário? Será que o que era certo ficou errado e isso foi bom? Será que você escreveu tudo o que queria escrever e outras coisas a mais do que isso? Será que valeu a pena, seja lá o que for?
Espero que sim.

Eu queria muito te dar algum conselho, mas honestamente não sei se é hora pra isso. Tenho certeza de que você é muito mais sábia do que eu. Ainda assim, se me permite, tenho duas coisinhas a te dizer que têm sido muito importantes pra pessoa que sou hoje e que podem vir a ser para que serei um dia: 01) não deixe de fazer o que você quer e faz bem porque te disseram que não é bom o suficiente para você ou que você não é o suficiente para conseguir isso e 02) escolha ser gentil. Sempre.
Te vejo em dez anos, loguinho a gente se encontra. Prometo!

Sheaffer

Esse post foi um dos temas proposto a alguns meses atrás como Blogagem Coletiva no Rotaroots e tava encalhado nos meus rascunhos. Não consegui finalizá-lo como gostaria (na verdade achei que ficou bem bosta, hahaha), mas decidi que queria publicá-lo mesmo assim.
(Sem contar que tava sem post pra hoje, ehr…)

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Sobre um beijo e muito mimimi…

Em 19.03.2015   Arquivado em Escrevendo

Hoje mais cedo postei no Facebook essa publicação aqui sobre o nem tão polêmico beijo ocorrido na novela das nove entre as atrizes Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg, mas que gerou mais alguns discursos de ódio e bastante “mimimi” entre algumas pessoas que vêem o romance homossexual das duas na ficção como algo errado. A resposta que tive foi super positiva, algumas pessoas curtiram, comentaram e até compartilharam, então resolvi “plagiar” a Paula e transformá-lo em um post, como ela fez ainda essa semana com uma publicação dela. Confesso que eu nem ao menos estou assistindo a novela, portanto não vi quando a cena foi ao ar, mas me sinto no direito de falar sobre mesmo assim.

babilonia
Imagem retirada do site da Revista Veja.

Logo antes da estreia eu ouvi (ao vivo e a cores) uma pessoa que conheço dizendo que duas atrizes desse porte casadas na novela é fazer apologia ao homossexualismo e que incentivaria as pessoas a “virar gays”. E ouvi de gente inteligente mesmo, que vive plenamente bem no século XXI.
Se alguém que esta lendo esse texto pensa assim irei tentar explicar algo para vocês: homossexuais já existem e eles também assistem televisão, certo? Certo! Aí vez ou outra aparece um casal hétero na programação se beijando, dando uns amassos, fazendo sexo ou o que quer que seja e nem por esse motivo eles “viram” hétero. Sendo assim (olha que legal) é bem difícil o contrário acontecer também. Ser homossexual não é uma doença, não pega e nem é contagioso, é só ser assim, pronto.

Pensem nas últimas novelas que vimos e que tinham algum casal gay forte com a história bem estruturada e e digam uma, UMA vez onde o fato de serem um casal não foi um problema para eles. UMA. Pois é, não existe. Porque na vida real também é assim, e é por isso que eles continuam lutando, fazendo manifestações, Paradas e coisas do tipo em prol do Orgulho Gay. Eles continuam fazendo isso, por exemplo, para que chegue o dia em que um adolescente que está descobrindo sua orientação sexual possa acordar sem precisar pensar como vai fazer para enfrentar o mundo inteiro em nome de alguém que ele gosta, só por esse alguém não ser do sexo oposto, independente do quão bem essa pessoa o faz. Para que a mãe de um garotinho ou garotinha que se descobriu assim ainda na infância não precise ficar explicando os motivos pelo qual ela sabe que seu filho não tem um problema, que não é jovem demais para conhecer a si mesmo. Quando você é hétero não tem esse tipo de problema, então você não precisa manifestar “orgulho”. Orgulho por que, por ser o que os outros chamam de normal? Por não ser julgado, violentado e oprimido por ninguém? Isso não é algo a ser orgulhar, é algo que devemos almejar para todos nós.

Vez ou outra, mas bem raramente, me perguntaram em algumas redes sociais se eu sou lésbica e eu sempre respondo sinceramente e sem rodeios: não. Respondo isso porque é verdade, porque não sou. E algumas pessoas rebatem mais ou menos com “É que não parece mesmo, mas você posta tanta coisa a favor dos gays que achei, sabe… Desculpa!” Elas me pedem desculpas, se justificam e tudo mais porque acham que fico ofendida. Mas pior que isso ainda é pensarem que eu SÓ posto essas coias para ME defender, acham difícil eu “abraçar uma causa” que não me afeta, única e exclusivamente pelos outros.
Sim, eu posto. Mas não faço isso por mim, faço isso para abrir a cabeça das pessoas para o fato de que vários e vários dos meus amigos, conhecidos e desconhecidos não precisam da sua aprovação, mas precisam do seu RESPEITO. E é isso que um beijo entre duas ótimas atrizes numa novela na maior rede de televisão do país quer mostrar a você. Não é para te “converter”, querido. Nem pra te fazer aceitar – tem gente que não vai aceitar NUNCA. É para te mostrar que assim como VOCÊ aquelas pessoas são seres humanos e merecem, precisam, DEVEM ser tratadas como tal. Independente de quem ou o que elas amam.

Foi um post clichê? Foi. Mas infelizmente nosso mundo ainda tem espaço para textos clichês como esse meu. Já vi outros milhões iguais a esse aqui, mas que sejam escrito bilhões a mais até que a sociedade entenda isso como um todo. Quem sabe um dia isso não acabe… (*Sonho*)

Memórias de uma blogueira das antigas…

Em 13.03.2015   Arquivado em Escrevendo

O tema deste post foi um dos propostos como blogagem coletiva desse mês do Rotaroots. Para ficar por dentro dos temas é só entrar no Grupo do Facebook!
O título é uma referência tosquinha ao livro “Memórias de um Sargento de Milícias”. Não ficou bom, mas foi de coração.

"Keep smiling, keep shining...
Madrugadas na internet com a ‘miga do lado: quem nunca?

A primeira vez que li sobre blogs foi numa revista W.I.T.C.H. quando eu ainda nem tinha internet em casa, mas fiquei doida pra ter só pra poder fazer o meu. E assim que instalamos a Click 21 na minha casa em 2003 (melhor internet discada DA VIDA!) foi o que eu fiz: entrei no site da Dakotinha, que tinha um sistema bem facinho de postagens, e criei o meu. Não tinha endereço personalizado nem podia trocar de layout (você escolhia a cor e cada cor tinha um símbolo, o meu era rosa com estrelinhas), mas eu passava o fim de semana copiando e colando imagens fofas nele: sábado a partir das 14h, domingo o dia todo, nas férias em dia de semana da meia noite às 6h. Textos que é bom quase nada.

Aí descobri outros “universos” como Weblogger (o Sweet Luly nasceu lá!), Blogger Brasil (o Sweet Luly passou por lá também!), Blig, Zip.Net, Blogspot… Tive incontáveis blogs: particulares, comunitários, fã clubes, “condomínios de blogueiros”, mini sites, tudo o que se pode imaginar. Eles a princípio eram um “local para postar imagens bonitinhas” ou “desculpa pra usar um template legal de algum template shop qualquer”, mas aos poucos eu fui lembrando o quanto escrever é bom e foi quando nasceu o Sweet Luly: o diarinho virtual da garotinha de 14 anos de escrevia “aki”, “vc”, “BjUuU”, entre outros. De início era bem dia a dia, mas com o passar dos tempos a coisa mudou e hoje não consigo achar outras palavras pra descrever: isso aqui é um BLOG, com todas as letras da palavra, abordando os vários sentidos que a mesma pode ter. E depois de 12 anos blogando (quase 11 deles já nesse mesmo blog aqui) eu não consigo mais ficar sem isso.

Porém, desde que o “boom” dos blogs aconteceu eu escuto a opinião das pessoas e da mídia super dividida em relação ao assunto. Quando eu estava no primeiro ano, em 2005, estávamos estudando sobre o diário e o blog e tive colegas de sala na escola que disseram “ninguém mais tem blog, flog é que é legal” e fiquei danada da vida, levantei a mão pra falar (coisa que eu quase nunca fazia) e desatei a dar minha opinião positiva, deixando claro que eu tinha e amava. É louco porque até hoje é assim, enquanto alguns dizem que os blogs são o futuro e que não vão parar de crescer, tem aqueles que acham que já é passado, que acabou, que perdeu seu sentido.

E agora eu pergunto a você, caro leitor (ficou formal isso, dexa eu reformular: querido leitor!): por que VOCÊ ainda não parou de blogar? Foi por dinheiro? Foi pra “botar tudo pra fora”? Foi por vontade de escrever, de melhorar algo, de não desistir? Seja qual for o motivo tenho certeza que é porque você decidiu assim, e pra mim não tem motivo mais válido do que isso.
O meu motivo (além de adorar isso tudo) é que gosto de escrever, eu continuaria escrevendo aqui mesmo que fosse para ninguém ler, gosto tanto que gosto até de ler o que outra pessoa escreveu. E enquanto eu tiver ideias na cabeça e capacidade de expressá-las com palavras eu digo que, por mim, VAI TER BLOG SIM! Vai ter blog sempre, e vai ter blog por causa do motivo escolhido por quem quer que seja que continue na blogosfera. Porque os motivos são muitos, mas todos os blogueiros que conheço têm um em especial em comum: AMOR!

Você é o que você quer ser!

Em 08.03.2015   Arquivado em Escrevendo, Feminismo

Já faz alguns meses que tô querendo escrever esse post, mas hoje, 8 de março, vi essa imagem abaixo no Facebook da Imaginarium e decidi que tava na hora de tirá-lo dos rascunhos de vez porque tinha tudo a ver com o assunto:

oquevocequer
Imagem tirada daqui.

Antes de mais nada, quero apresentar duas situações diferentes para vocês que foram os pivôs da existência desse post.
Situação 01, ocorrida em 2011 quando eu ficava o dia inteiro na UFMG porque além das aulas fazia estágio lá. Eu estava dentro do ônibus em pé, esperando a hora de descer pra voltar pra casa quando escuto um diálogo mais ou menos assim entre dois jovens rapazes em idade escolar (provavelmente no Ensino Médio). Nesse dia eu estava com meu cabelo sem chapinha, preso em um coque.
Garoto 01: Mas você tava afim da *fulana*, né?
Garoto 02: Tava, eu fiquei com ela!
Garoto 01: Mas você já viu o cabelo dela sem chapinha?
Garoto 02: Vi depois que fiquei com ela. Ow, assim não dá, né? Menina tem que ter uma chapinha.
Garoto 01: É, tem que fazer, é muito feio quando tá sem, fica desleixada. Aí você nem quis mais ficar com ela?
Garoto 02: Eu ficaria, mas se a gente fosse sair juntos ia querer que ela se cuidasse com certeza.

Agora situação 02, que aconteceu no meio do ano passado numa mesa de jantar com algumas pessoas da minha família depois da apresentação de dança da minha prima. Como eu sabia que ia assisti-la nesse dia, fui ao salão e estava de chapinha recém feita (que eu não gosto tanto, gosto de como fica no dia seguinte). O assunto era sobre cabelos no geral.
Tia (que tem um cabelo cacheado liiindo e usa sempre natural): Eu gosto assim (cacheado), mas minha irmã fez progressiva…
Eu: Eu fiz uma vez, mas não gostei, prefiro fazer chapinha de vez em quando.
Tio: Eu não gosto de nada artificial, para mim tudo o que é artificial é feio.
Eu: Poxa, quer dizer que tô feia agora? (Falei brincando, claro.)
Tio: Não, porque seu cabelo é liso, nem parece que você fez chapinha nele.
Eu: Tio, meu cabelo não é liso, ele é enrolado.
Tio: Não! Seu cabelo é liso!
Todas as outras pessoas da mesa: Não é não!
* Tio fica chocado. *

Eu não condeno meu tio por preferir o que é natural, mas a generalização “tudo o que é artificial é feio” soou muito errada para mim naquele momento, como se eu estivesse negando aquilo que eu era. Por outro lado achei abominável o papo dos dois adolescentes do ônibus: um deles gostava de uma garota, ficou com ela, mas aí eles viram o cabelo sem chapinha e a magia acabou, como se estar natural fizesse dela uma garota feia. Mas mesmo um caso sendo muito pior que o outro em nenhum dos dois foi levado em conta como eu e a *fulana* QUERÍAMOS estar independente de como ÉRAMOS realmente.

Não, meu cabelo não é liso: ele tem a raiz lisa e o resto é meio enrolado meio ondulado, nunca sei definir. Quando eu era criança, porém, era bem lisinho. Às vezes eu uso ele natural, às vezes faço trança como ele molhado para secar mais cacheado, mas na maioria das vezes eu fico de chapinha SIM. Não sei, eu “me vejo” de cabelo liso, sabe? Parece que eu fico mais eu, que nem quando uso batom vermelho ou quando sorrio e aparece minha covinha na bochecha, e até mesmo uma vez quando a moça fez minha sobrancelha fina demais e deixei um tempo sem mexer pra voltar a ficar mais grossa como gosto: algumas dessas características são naturais, outras artificias, mas são todas minhas. Porque EU QUERO ASSIM! Muitas vezes quando posto foto com o cabelo natural recebo comentários do tipo “Isso, assuma os cachos” ou “Seu cabelo agradece a folga” como se eu estivesse fazendo mal a mim mesma ou ao próprio cabelo – que por sinal fica MUITO MAIS BEM CUIDADO quando vou ao salão com frequência porque minha cabeleireira faz questão disso – simplesmente por querer estar daquele jeito, de um jeito que eu acho bonito. E se eu simplesmente abandonasse isso, nunca mais fizesse chapinha na vida só porque os outros dizem assim, acho estaria tão errada quanto a menina que tem sempre que fazer porque a sociedade ditou assim, mesmo muitas vezes não querendo
Gostar de sair com o cabelo arrumadinho (ou sempre maquiada ou de salto alto) não faz uma pessoa necessariamente fútil. Por outro lado cara lavada, um rabo de cavalo preso rápido ou a ausência de “depilação impecável” não transformam ninguém numa desleixada. São opções da própria pessoa, e o feminismo é isso: é o direito de ESCOLHA, é saber que você pode trabalhar e chefiar uma empresa, mas que pode também decidir por ficar em casa e não ter uma profissão, ninguém manda em você e na pessoa que você decidiu se tornar! Para mim uma donzela indefesa pode ter tanto valor quanto uma heroína, todas elas podem ser mulheres maravilhosas, basta querer.

Por isso nesse Dia Internacional da Mulher eu digo: você não é só o que é, mas também o que QUER SER! Seja a moça dos cabelos lisos ou cacheados, com ou sem maquiagem, estudando ou não aquilo o que você ou seus pais querem, mãe de crianças ou de cachorros, dona de casa ou alguém que trabalha fora, colecionadora de bonecas ou selos, chefe ou funcionária, gorda ou magra, fotógrafa ou fotografada, ouvinte ou falante, tímida ou extrovertida, mulher ou não; todas as anteriores, um meio termo entre elas ou até mesmo nenhuma delas! Que seja por ser feliz, por escolha, que seja por ser você. E mesmo que você julgue quem escolheu diferente, seja a diferença qual for, não condene: aceite. E assim ser você vai ser cada vez melhor!

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