Categoria "Escrevendo"

12 Coisas Para Fazer na Falta de Energia Elétrica

Em 18.03.2016   Arquivado em Escrevendo

12 Coisas Para Fazer na Falta de Energia Elétrica

01) Ler: Enquanto ainda existir luz natural sobre nossas cabeças para iluminar aquelas belas páginas contendo palavras organizadas em forma de texto, bem, por que não aproveitar? Pode ser um livro, uma coisinha que você anda precisando estudar, algum artigo interessante… Só não força demais a vista, hein? Se for ficando desconfortável à medida que o Sol for baixando é melhor suspender a operação!

02) Usar aquela vela que você morre de dó de acender: Saaabe quando seu primo faz um curso de velas, empolga e começa a presentear a família inteira com suas criações, inclusive você? E aí ele faz da cor que você quer com o cheirinho dos seus sonhos e você fica lá, protelando o dia em que vai usufruir de tal presente? Pois é, tempos de desespero pedem medidas desesperadas, a hora é essa!

03) Ligar para um amigo com quem não fala a muito tempo: Que é uma opção super válida, porém limitada, uma vez que só funciona até a hora em que o celular descarregar e te deixar incomunicável.

04) Jogar Uno: No meu caso CanCan, mas o nome não importa, e sim o momento em que seu irmão sacana vai jogar um 4+ e você vai ter um ataque de fúria tão grande a ponto de quase derrubar qualquer que seja o dispositivo que está usando para iluminar o ambiente.

05) Fazer bichinhos de sombra com as mãos: Quando eu era criança adorava quando faltava energia porque isso significava que em algum momento após as velas serem acendidas alguém ia começar a fazer bichinhos com as mãos pra eu adivinhar quais eram. Eu não via a hora de virar adulta pra saber fazer também, o que foi um #epicfail porque meu coelhinho sai estranho e até a borboleta é “mei” torta.

06) Aproveitar para dormir cedo: Todo dia a gente promete que vai ir dormir mais cedo e todo dia a internet não deixa… Mas sem internet não tem desculpa, então aproveita!

07) Escrever um diário narrando sua última semana: Eu sempre gostei de manter diários para ter registro das coisas que faço, vejo e penso. É ótimo, gente, ajuda demais a ter boa memória e exercer a escrita! Sei que nem todos têm ou querem ter esse costume, mas que tal aproveitar o ócio para tentar fazer um diarinho dos últimos dias? Ou ir arrumando seu próximo diário de viagem, quem sabe? Aposto que você vai gostar!

08) Observar a rua através da janela: Houve uma época em que eu morava num bairro onde QUALQUER VENTINHO era motivo pra energia cair, e nessas ocasiões minha atividade favorita era justamente essa, ficar na janela vendo a chuva, os carros e a esperança de a CEMIG aparecer para corrigir o problema.

09) Comprar um pote de sorvete e comê-lo inteiro: Afinal de contas você não tem geladeira para guardar depois, então é sua OBRIGAÇÃO não desperdiçar aquela delícia, não é mesmo?

10) Um “mexidão” com tudo o que você tem na geladeira: Novamente uma dica para evitar desperdícios. Ao invés de deixar aquela comida estragar é hora de usar a criatividade e todo esse talento MasterChef que a vida lhe deu! (Sem contar que mexidão é um trem bom demais, né minha gente, fala sério.)

11) Organizar gavetas, armários, etc: Sabe aquela bagunça que você nunca consegue colocar no final por “falta de tempo”, também conhecida como “união de preguiça com Netflix” e que deixa sua mãe LOUCA DA VIDA? Pois é, essa é a hora!

12) Tomar um banho frio: Por obrigação, né gente, não por vontade. E enquanto sofre debaixo d’água comece a cogitar trocar seu chuveiro elétrico por um a gás, é muito gostoso, seguro e permite que você tome banhos quentinhos sempre!

Esse post foi inspirado na ideia #07 proposta pelo Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018!

5 fatos sobre a Pakita!

Em 29.02.2016   Arquivado em Escrevendo

O dia 29 de fevereiro acontece apenas de quatro em quatro anos, o que pra gente não é lá grande coisa, mas na vida de um cachorrinho significa vivê-lo poucas vezes. E se esse for o ANIVERSÁRIO do cachorro em questão então temos que comemorá-lo com mais entusiasmo ainda!

pakita

Essa é a Pakita, que nasceu dia 29 de fevereiro de 2004 e logo percebemos que ser “diferentona” é parte da personalidade dela, Sempre esperamos por esse dia com mais empolgação e QUASE que não chegou dessa vez. No final do ano passado todos nós achamos que a Pakita ia morrer: ela parou de comer, o veterinário disse que era terminal e não tinha jeito, a coisa ficou tão feia que ela começou a ter mini ataques direto. E foi num dia em que eles não paravam de acontecer que levamos ela em outra clínica, por indicação de uma colega da minha irmã (que estuda veterinária) e essa nova médica disse que não era TÃO grave assim. Cirurgia, remédios, muita angústia e cinco dias de internação até que tivemos nossa Pakitinha de volta. Nem preciso dizer então a alegria que é estar comemorando o 12º aniversário dela no dia certo, né? Sendo assim eu não podia deixar passar em branco e resolvi contar 5 fatos sobre a Pakita!

01) “Poodle” só na certidão de nascimento: Sabe a cirurgia que ela teve que fazer, como contei acima? Pois bem, foi para retirar um bolo de cabelo e pedaços de sacolas plásticas que ela tinha no estômago! Alguém, em algum momento, chamou a Pakita de “Vira Lata” e ela acreditou… Destrói lixo, pisa no jornal (sujo), invade o banheiro quando estamos tomando banho, termina de comer e usa de “guardanapo” o primeiro pedaço de pano que vê pela frente – ultimamente o favorito dela tem sido MINHA CAMA, para meu horror. Ela faz coisas tão nojentas que algumas eu acho melhor nem contar porque esse é um blog fino e elegante, vocês não merecem. Nós fomos meio que enganadas quando ela veio pra casa, a moça disse que era marrom, mas com o tempo foi ficando branca com apenas ALGUNS PONTOS marrons no corpo, como o rosto e as patas, o que faz com que pareça que ela está suja mesmo quando acabou de sair do banho!

02) Fofenha: Isso é uma brincadeira entre nós duas, ela geralmente não aceita fazer com outra pessoa (nem minha irmã, que é a “mestre número um”). Na edição 70 da revistinha Turma da Mônica Jovem, a Mônica e o Do Contra adotam um bichinho chamado Fofenho e, em uma cena super lindinha, ele lambe no nariz dela. Eu ensinei a Pakita a fazer o mesmo sempre que falo “Fofenha!”, mesmo quando ela não tá pertinho fica doida pra conseguir chegar no meu nariz logo e se eu tô fora de alcance fica lambendo o ar pra compensar, hahahaha! A Pakita não late e normalmente não morde, mas lambe MUITO. Sei que muita gente tem nojo, mas a gente nunca teve.

03) Feito cão e rato: Além de mudinha e porquinha ela também é uma covardona, não pode ver formiga pela frente que já tem medo. O mesmo vale para roedores: uma vez entrou um casal de ratos na nossa casa e enquanto tentávamos pegá-los ela já estava do outro lado tremendo. Ainda assim o sonho da Pakita é ter um roedor de estimação! Quando a porquinha da Índia da ex namorada do meu pai morou com a gente por um tempo ela ficava ENLOUQUECIDA querendo brincar e até chorava, tadinha, enquanto a porquinha se escondia fugindo dela. Hoje minha irmã tem um Esquilo da Mongólia e quando compramos a gaiola, nossa, só faltou ABRAÇAR, ficava arrastando pela casa numa alegria sem tamanho. Aí ele chegou para habitar a gaiola em questão e quando fomos apresentá-los foi difícil saber qual dos dois correu mais rápido de pavor!

04) Momento humilhação: Isso não é bem um fato, mas uma história engraçada que rolou a um tempo atrás. Eu e minha irmã dividimos uma bicama por um tempo até ano passado, então como era baixinha ela subia pra dormir com a gente (em camas normais ela não sobe nem desce porque MORRE DE MEDO DE ALTURA). Houve uma época, quando ela tava começando a ficar doente, em que ela soltava vários puns bem fedorentinhos, e foi numa noite em que estávamos conversando antes de dormir e ela já estava capotada entre nós duas que nós ouvimos (e sentimos) um especialmente ruim. Começamos a rir e nossa risada acordou ela, que sentiu o cheiro, olhou pra gente muito brava e saiu do quarto, como se nós duas tivéssemos feito aquilo, indignadíssima!

05) Saudades, Pankeka! Momento emotivo… Quando a Pakita chegou nós já tínhamos a Pankeka, que estava muito doente com câncer e já velhinha. No início ela ficou com ciúmes, mas logo adotou a Pakita como aprendiz: deixava ela subir nas costas dela mesmo tendo problema de coluna, ensinava ela a maneira apropriada de deitar para aproveitar o calor do Sol, se não estivesse muito cansada elas até brincavam juntas. No dia que a Pankeka morreu eu cheguei da escola e encontrei a Pakita desesperada, não acalmou até que a gente fosse lá fora vê-la, já embrulhadinha pela minha mãe, antes de meu pai leva-la embora para enterrar. Até hoje, uma década depois, se nós chamarmos a Pankeka ela procura pela casa. E nem precisa ser só chamar não: se mencionar panqueca, a comida mesmo, num contexto que a palavra se destaca e ela “entende” acontece também, dá muita dó!

Feliz aniversário, Pakita!

Pessoal de Belo Horizonte que procura uma bom hospital veterinário recomendo MUITO o Life, onde a Pakita ficou internada. Todos os médicos foram ótimos com ela, pudemos visitá-la todos os dias, a estrutura é maravilhosa… Sério, aquelas pessoas salvaram a vida da nossa pestinha!

Último dia

Em 26.02.2016   Arquivado em Escrevendo

Naquela época, no auge da infância, a gente nunca ia imaginar que eu tinha as cordas vocais ferradas, então minha professora me escolheu como um dos alunos que faria parte do coral comemorativo de 50 anos da escola. Eu sei, hoje em dia é até engraçado imaginar isso, mas foi o que rolou, por mais incrível que possa parecer. Fizemos a primeira apresentação na festa de aniversário e depois, por que não, eles resolveram manter aquele grupo de alunos em outras apresentações, como o Auto de Natal e, nos anos seguintes, festas juninas e qualquer outra ocasião que houvesse para a gente cantar.

Gravamos cds, cantamos em recepções de seminários, festas no shopping e aberturas de agências bancárias e, a cada nova apresentação, eu amava mais e mais fazer parte do coral. Meu amigos foram cansando depois de dois anos, mas eu continuava firme e forte, tendo que ir para a escola em horários fora de aula pros ensaios e levando a família toda pras apresentações. Era engraçado porque à medida que o tempo foi passando eu era uma das mais velhas da turma, mas continuava nas primeiras fileiras porque pequenininha daquela jeito tinha que ficar entre os mais novos e mais baixinhos. Porém, como tudo o que é bom dura pouco, na quarta série a primeira fase do Ensino Fundamental acabou e eu tive que sair da escola, deixando de fazer parte também do coral. Naquele ano eu me preparei pra cada apresentação com mais e mais alegria e no dia da última delas, o Auto de Natal de 2000, TODO MUNDO foi pra escadaria da escola me assistir cantando pela última vez. Eu nunca esqueço que eu e uma amiga (que é filha de uma amiga da minha mãe) nos arrumamos juntas lá em casa e até passamos uma sombra brilhosa nos olhos, que fomos descobrir depois que na verdade era purpurina para usar no papel, e não no rosto. Mas a gente não ligou, não. Coisa de criança né?

Ao final da apresentação eu chorei. Primeiro porque eu choro mesmo, sou a pessoa mais chorona que já existiu nesse mundo, e segundo porque estava tendo que me despedir da minha escola querida, meus amigos queridos e meu coral querido. Mas depois que as lagriminhas acabaram a gente se divertiu até… Acho que criança “supera” essas coisas com mais facilidade e, bem, a gente ia comer pizza naquela noite, não tinha muito do que reclamar, né? Mas uma coisa eu fiz questão de fazer antes de ir embora e o Rodrigo, que também estava “formando”, concordou comigo: nós tínhamos que pisar na grama da fachada da escola, aquela grama que era proibida para todos os alunos, uma vez que não estudávamos mais lá e ninguém poderia chamar nossa atenção. E foi ali, naquela grama, que tiramos uma foto celebrando aquela data “especial”.

Olha, eu até tentei participar do coral da minha nova escola, mas como foi a ÚNICA aluna a fazer isso não deu muito certo e cancelaram a ideia. Me colocaram pra ser backing vocal da banda que os meninos do Ensino Médio tinham montado e era isso aí, foi minha última experiência como cantora da vida (para o bem de nossos ouvidos). Mas foi uma fase que rendeu várias histórias saudosas e uma das fotografias favoritas que temos da infância, desrespeitando regras e sendo aplaudidos por isso!

Creative Writing Prompts 02
Rodrigo (irmão da Pati), Daninha (minha irmã), Patiquinha (nossa melhor amiga-quase-irmã) e eu, no nosso momento *vida loka*. Porém não sigam nosso exemplo pois pisar na grama é feio e faz mal pras plantinhas, ok crianças? Ok!

Esse post foi inspirado na proposta #02 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018!
Nesse específico eu tive que expressar em apenas 10 minutos todos os sentimentos que essa foto me trouxe, então me perdoem pelo texto meio sem nexo, achei melhor publicá-lo assim mesmo porque essa que é a graça do negócio, né, se fosse arrumar demais ou censurar o resultado perdia todo o sentido. Só finalizei e revisei mesmo!

A não dita tradição

Em 15.02.2016   Arquivado em Escrevendo

Era pra ter vídeo hoje, mas nessa vida nem tudo o que a gente planeja acontece, então ficaremos apenas com palavras por enquanto, que são mais do que o suficiente.

Meu pai tinha uma caneta tinteiro. Meu avô e bisavô também tinham antes dele, todas eram Parker e ficavam na gaveta do armário da minha casa. Eu amava aquelas canetas. Não sabia se podia, mas sempre que achava uma delas (provavelmente a do meu pai, que é mais nova) usava até acabar a tinta. Ele sabia disso. Se a caneta não estava onde deveria já sabia que estava comigo. Uma vez ele teve que sair pra comprar tinta e me levou junto, porque sabia que eu ia gostar. Inclusive fui eu quem indicou uma loja onde ele provavelmente acharia essa tinta, e foi onde achou mesmo.

No natal de 2007 eu tinha acabado de passar no meu primeiro vestibular, ainda estava prestando outros, e era o primeiro desde que ele já não morava mais com a gente. Ele foi a uma loja comprar nossos presentes, pensando em dar algo realmente significativo que simbolizasse que sua filha de 17 anos estava dando o primeiro passo para virar adulta, e então resolveu seguir essa não dita tradição de família. Entrou na mesma super papelaria onde um dia eu havia indicado que ele encontraria tinta para escolher MINHA Parker, mas enquanto a moça o atendia ele viu uma linha de outra marca, Sheaffer, que estava no balcão. Apontou para uma delas, “É aquela ali que ela vai querer”.

Eu abri o pacote sem nem imaginar o que era, mas entendi no momento que abri a caixa dourada: minha primeira caneta tinteiro. E mesmo se não tivesse sido entregue a mim diretamente eu sabia que era minha. A estrutura de metal era simples, com os detalhes prateados, o nome da marca gravado na alça da tampa. E ela era cor de rosa. Nem muito claro, nem muito escuro: era rosa e ponto! “Tive que comprar essa, é a primeira caneta tinteiro ‘patty’ do mundo!”, foram as exatas palavras que ouvi dele quando peguei nela pela primeira vez. Abri e a pena também era prateada, limpinha, esperando ansiosamente para ser usada pela primeira vez.

Ela estava comigo quando assinei minha primeira lista de chamada dois meses depois. E meu primeiro cheque, o verso do meu primeiro cartão de banco, incontáveis anotações em sala de aula nos cinco anos que passei na UFMG. Eu era a garotinha que andava com um potinho de tinta azul na mochila, tendo que parar de escrever no meio da aula para reabastecer e chamando atenção do colega mais próximo. “Que elegante essa menina!” E quando as aulas práticas começaram e eu tinha que usar jaleco lá estava ela no meu bolso, em todos os momentos. Podia ser que nem fosse necessária, mas estava ali, e ainda está, seja no porta canetas em cima da estante ou dentro de qualquer bolsa ou mochila que eu esteja usando, meu eterno material favorito na hora de escrever, mais querida até que o teclado que é o que eu uso, hoje, para transformar qualquer ideia que tenho em palavras…

Creative Writing Prompts 01

Esse post foi inspirado na ideia #01 proposta pelo Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018!

Ser mestre, com carinho

Em 21.10.2015   Arquivado em Escrevendo

Escolinha da Agnes

Quando eu estava na primeira fase do Ensino Fundamental, percebi que não poderia ser dentista, enfermeira, bailaria e jogadora de tênis ao mesmo tempo (quase um pra cada dia da semana!) e que teria que escolher uma profissão só, então decidi que seria professora. Fiquei uns três anos com essa ideia fixa na cabeça até os dez anos de idade quando resolvi que faria engenharia química na faculdade, provavelmente por influência do meu padrinho. Foi só ter um pouquinho a mais de conhecimento sobre a vida que vi que isso não era pra mim, que eu JAMAIS cursaria qualquer coisa que tivesse a palavra “engenharia” no nome, e escolhi o que queria fazer da vida de verdade numa altura em que ideia de dar aulas já tinha sido varrida completamente da minha cabeça. Por um tempo, claro.

Minha intenção era estudar Design Gráfico, mas acabei caindo de paraquedas no curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG (a história de como isso aconteceu está nesse post aqui) que eu amava e desde o início já fui vendo com o que me identificava mais, e a tal da “carreira acadêmica” não estava nos meus planos, definitivamente. Não posso expor todos os motivos que tenho aqui porque não é nisso que quero chegar, mas o principal deles é que eu tenho plena ciência de que nunca fui uma aluna boa o suficiente para isso. Eu sempre estudei muito, o fim de semana inteiro se precisasse, mas nunca adiantou porque nunca fui muito inteligente. E para dar aula na faculdade era preciso isso, acima de todas as coisas.

Depois da minha formatura, porém, surgiram possibilidades de dar aula em cursos técnicos de restauração e uma delas veio na forma de um concurso público para a FAOP, que aconteceu ano passado. Eu sabia que lecionar num curso técnico era completamente diferente de fazer isso na faculdade e de repente, depois de pensar um pouco no assunto, estava completamente encantada com a ideia! Após as duas etapas do concurso e dias de muito ansiedade o resultado saiu lindamente e, adivinha, EU PASSEI! Aí, claro, foram mais meeeses de espera pela nomeação até finalmente nos convocarem para a perícia médica. E lá fui eu fazer todos os exames e pegar os resultado e levar toda empolgada, feliz, alegre e saltitante até que… Fui reprovada no exame da fonoaudióloga por ter uma tal de disfonia leve a moderada. Entrei com recurso, fui negada, entrei na justiça, fiz tratamento com uma fono e uma otorrino (ambas liiiindas demais), segui direitinho todos os exercícios ridículos que me mandaram fazer e, ainda assim, não pude assumir. Aparentemente minhas cordas vocais apresentam um problema físico que torna minha voz insuficiente para um trabalho em que ela é o principal instrumento. Eu simplesmente não posso dar aulas, é isso. Fim de papo.

Hoje, quase um ano depois de ter sido barrada, eu fico feliz de não ter ido e de estar fazendo o que estou fazendo no momento – que são vááááááárias coisas – além de perceber que, infelizmente, eles tinham razão: não tenho potência vocal para ser professora. Tem dias em que só de conversar com amigos eu sinto minha garganta arder, então continuo fazendo os exercícios que vi que funcionaram melhor para ajudar. Lá no fundo a “derrota” é triste¿ É. Mas a gente supera e vê que é só uma das várias portas erradas que vamos abrir na vida, então temos que fechar direitinho e sem olhar pra trás para abrir uma porta certa que nos fará feliz.

Mas fica a dica para quem nasceu para ensinar: cuide da sua voz com muito amor e jeitinho porque (parafraseando a música) ela é que vai te permitir ser mestre, com carinho!

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