Categoria "Escrevendo"

Arvorezinhas Comestíveis

Em 26.08.2016   Arquivado em Escrevendo

Arvorezinhas Comestíveis
Imaginem uma pessoa que gosta tanto de brócolis que tem até em miniatura pras bonecas…

Quando criança eu gostava de montar meu prato criando uma floresta: o feijão era um rio, o arroz as pedras que ficavam ali na beirada e por aí vai. Obviamente, então, era uma alegria pessoal quando tinha couve flor no almoço, porque assim meu cenário estava completo com direito até a árvores! Ai, eu dedicava tanto tempo organizando cada coisa em seu lugar que devia dar até agonia em quem assistia, mas depois comia tudo direitinho sem reclamar, então tava tudo certo. Até que um belo dia quando chegaram minhas arvorezinhas comestíveis percebi que estavam um pouco diferente do normal, bem super verdinhas e um pouquinho mais magras, mas imaginei que fosse um tipo diferente e mandei ver. E foi só quando eu comi que descobri que não era a mesma coisa, não podia ser, porque couve flor era bom, mas aquilo ali… Aquilo era ainda melhor, era maravilhoso!

Engraçado como a gente nem percebe o quanto gosta de uma coisa às vezes, né? Eu acho que aquela nem era a primeira vez que eu comia brócolis na vida, mas lembro muito desse dia e sei que, depois dele, eu sabia que gostava, simplesmente. Com o tempo, porém, eu fui amando devagarzinho… Sempre que ia almoçar fora ele estava no meu prato, quando era servido dentro de casa a refeição era uma alegria, com certeza! Já bem mais velha, na época do faculdade em que eu e uma amiga almoçávamos no mesmo restaurante perto do estágio toda quarta feira, ela comentou com uma colega nossa que se tinham duas coisas que eu comia todos os dias SEM FALTA era isso (e batata). E aí quando tive que fazer uma lista dos meus 5 alimentos favoritos no blog para um desafio semanal que participei, sei lá, eu me dei conta que devia colocar minhas “arvorezinhas” queridas na lista, que elas eram importantes o suficiente para isso. Alguns amigos riram, ficaram admirados e tudo mais, mas é verdade: eu sou mais feliz quando como primeiro a parte de cima e deixo o cabinho por último, porque é o mais gostoso. Quando alguém que nem sabe dessa paixão toda cozinha pra mim (ou pra quem mais estiver ali), ou mesmo quando é alguém que sabe disso! Sou mais feliz quando vamos no nosso restaurante japonês favorito de todos e tem a opção de sushi de brócolis. Sou mais feliz quando abro a caixa de miniaturas das minhas bonecas e lembro que tenho um re-mentzinho pra elas também poderem “comer”. Sou mais feliz com brócolis!

Esse post foi inspirado na proposta #79 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

BEDA2016

Dia Chuvoso

Em 19.08.2016   Arquivado em Escrevendo

Dia Chuvoso

Apoiada na janela, sem saber se é uma boa posição, sentada com o olhar vago. Não há ninguém para se olhar, observar, analisar, estudar ou qualquer outro verbo que poderia se encaixar nesse momento. Ninguém e nada, apenas as partículas que caem do céu.

Ela começam devagar, a gente só percebe que estão vindo pelo cheiro característico que fica no ar, pelo vento forte que sacode tudo que existe ao seu redor, até que começa a engrossar, o chuvisco se torna tempestade e assim permanece até conseguir se conter e virar um chuvisco de novo. E enquanto ela cai não há nada melhor do que permanecer ali, apenar vendo aquilo acontecer. Os pingos batem no vidro e por ali escorregam, deixando seu rastro, encontrando um no outro para acelerar o caminho até, enfim, chegar no final e sumir. Gotas viram uma poça e a poça depois evapora para, alguns dias depois, virar uma gota de novo. E quando isso acontecer é só voltar para a janela para admirar esse processo mais uma vez, todas as vezes. incansavelmente!

Esse post foi inspirado na proposta #82 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018 e tive apenas 5 minutos para escrevê-lo, um baita desafio!

BEDA2016

Extraordinariamente

Em 12.08.2016   Arquivado em Escrevendo, Leitura

Ex.tra.or.di.ná.rio; adjetivo: 1. fora do comum; 2. adicional, suplementar; 3. admirável, espantoso, grandioso. Acontecimento imprevisto ou inesperado. (fonte)

Extraordinariamente

A primeira vez que assisti ao booktrailer, em plena Turnê Intrínseca, foi em 2013 e minha reação foi a que todos já esperariam de mim: eu chorei. Um ano depois no mesmo evento foi reproduzido mais uma vez e chorei de novo, e aí percebi que precisava finalmente ler aquele livro que já me arrancava lágrimas antecipadas. Foi o que eu fiz e desde então posso dizer que, de certa forma, é meu livro favorito (Potter doesn’t count). Uma aula de empatia, humanidade, sensibilidade e, acima de tudo, gentileza: é assim que podemos definir Extraordinário, de R.J. Palacio, cujo título se refere ao personagem, mas poderia ser também à história, não existe classificação melhor!

August Pullman tem 10 anos, é viciado em Star Wars, adora jogar video game, vive com seus pais, irmã mais velha e uma cachorrinha de estimação. Ele também tem uma deformação craniofacial que o fez passar por diversas cirurgias ao longo de sua vida, impedindo que ele vá para a escola… Pelo menos até agora! Ser o aluno novo já é difícil, entrar na segunda fase do ensino fundamental também, mas tudo se torna muito mais impactante quando você tem um rosto tão diferente. Auggie é uma pessoa que causa reações fortes, sempre, mas nem todas são ruins: quanto mais as pessoas se abrem para ele, mais elas percebem a influência positiva que essa história pode trazer em suas vidas. Isso já é de conhecimento de Via, sua irmã igualmente extraordinária, e acaba sendo também daqueles que estão ao seu redor, como Summer, Jack, Justin… E de cada leitor que embarca junto com eles nas palavras de Palacio. Eu tornaria essa leitura obrigatória em toda e qualquer turma de escola que contenha crianças da faixa etária dele, e recomendo para todo mundo, de não importa a idade. Através de momento do cotidiano, preceitos e muitos lágrimas você termina a última página aprendendo que vale a pena ser escolher ser gentil sempre, e acima de todas as coisas!

Extraordinariamente

Esse post foi inspirado na proposta #31 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018 e nesse eu simplesmente tinha que falar sobre um objeto azul.

BEDA2016

Quando deixei ela ir…

Em 05.08.2016   Arquivado em Escrevendo

Quando deixei ela ir...

Existem duas raças de cachorro pelas quais sou completamente apaixonada, daquelas que me fazem morrer de amores com muita força, mesmo que no geral eu não dê a mínima pra isso. A grande favorita é basset hound, que eu terei um dia, e a segunda dachshund, também conhecido como “basset” ou mesmo “salsicha”. Esse amor todo nasceu por causa da Pankeka, nossa bassetzinha que foi o melhor cachorro do mundo por 11 anos da nossa vida, e desde que ela morreu eu queria uma nova, dessa vez pretinha ao invés de ruiva, pra poder se tornar minha melhor amiga de todos os tempos. E foi em 2009 que eu ganhei a Peggy, seguindo a tradição da família (que já não existe mais) de cachorros com nomes começados com P, era a “coisa” certa que devia acontecer na minha vida, mas infelizmente veio na hora errada.

Os primeiros dias foram incríveis. Ela era quietinha e amorosa, tão diferente do que eu esperava de uma raça tipicamente caçadora, fez amizade com a Pakita logo de cara, as duas se davam super bem, eu não podia estar mais feliz. Até que descobrimos que toda aquela manha era porque ela estava doente, então com a maior dor do mundo no coração internamos minha bebê. Assim que ela voltou eu percebi que já sabia que eu era a “mamãe” dela, veio correndo pra mim toda feliz e bagunceira, e foi assim que ela continuou nos dias seguintes, causando todos os problemas que nem sei se estavam ali de verdade. A versão curada da Peggy era o demônio, mas só quando eu estava perto. Fim de semestre, eu passava o dia inteiro na faculdade e no estágio, cheia de coisa pra fazer, enquanto ela ficava quietinho dentro de casa, só esperando. E assim que eu chegava o amor gigantesco que minha cachorrinha tinha por mim virava meu inferno pessoal: ela corria sem parar, queria brincar, mastigava tudo o que via pela frente pra chamar minha atenção, destruía meus cadarços, passava a noite uivando na minha cabeça, pulava na minha mão pra dar as piores mordidas de carinho do mundo, agarrava sem dó ia puxando, não soltava até perder o fôlego. Tudo isso combinado com o fato de que a gente tinha acabado de sair de uma casa grande com quintal e tivemos que enfrentar a realidade de dois cachorros em um “apertamento”, eu acordava de manhã exausta só de pensar no novo dia sempre com uma bagunça dela pra arrumar. Eu tinha que fazer meus trabalhos, estudar pras minhas provas e só o que conseguia sentir era que ela me odiava profundamente por não me deixar fazer nada daquilo, quando na verdade era o oposto, ela estava só sendo um cachorrinho feliz em me ter ao seu lado. E aí não deu mais, pra nenhuma de nós. No meio do meu desespero e crises de choro sem sentido, sem perceber o que estava fazendo, conversei com uns colegas do trabalho e um deles (e eu poderia dizer até “o melhor deles”) aceitou com a maior alegria do mundo ficar com ela. E foi quando eu deixei ela ir.

O último momento como “mãe e filha” foi terrível. Assim que ela viu que tava indo embora olhou pra mim com a cara mais triste que já vi na vida e eu usei todas as minhas forças pra esperar eles estarem longe e começar a chorar. Mas então eu consegui terminar meu semestre em paz e foi possível sobreviver no nosso novo lar só com nossa Pakitinha e suas bagunças inofensivas. A Peggy cresceu bem maluca, como esperado, mas LINDA, saudável e completamente apaixonada pelo papai dela, e o sentimento foi recíproco desde o começo. Desde sempre eu fui e sempre serei contra fazer o que eu fiz, mas na primeira vez que vi os dois juntos numa foto soube que foi melhor assim. No final tudo deu certo e eu juro, juradinho mesmo, que é algo que não vai acontecer mais, cachorros serão pra mim o que merecem ser: uma decisão fácil, maravilhosa, não o contrário… Porque essa definitivamente foi a mais difícil que já tive que encarar, de todas.

Antes de mais nada preciso dizer o quanto esse post me causa aperto no coração, pois nesse sábado, dia 30 de julho, nossa Pakita infelizmente morreu, e agora existe um vazio gigantesco aqui em casa e na nossa vida… A ideia de fazer essa “homenagem” à Peggy, porém, foi inspirado na proposta #25 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018 e dessa vez tive que falar sobre uma das decisões mais difíceis que já tive que tomar.

BEDA2016

Desnorteada

Em 22.07.2016   Arquivado em Escrevendo

De acordo com o Dicionário inFormal, a palavra “desnorteada” significa que se desnorteou, que está perdida, desequilibrada, confusa ou até mesmo insegura. Estar “sem norte” é o mesmo que estar sem direção ou rumo, sem saber para onde ir e até mesmo o que fazer em seguida. E foi assim que eu me senti nas duas semanas que meu site e, consequentemente, o blog ficaram fora do ar.

Eu já disse várias vezes, em posts ou ao vivo, que escrever aqui é uma coisa que eu não sei ficar sem saber, que não existe para mim mais isso de desvincular a “vida real” do que eu vou produzir pra cá depois, “blogar” é tão natural que às vezes eu nem percebo que estou fazendo isso, mas só fui entender pra valer o quanto esse sentimento é forte agora. Já passei por várias fases em que me faltou tempo, inspiração e até mesmo vontade de postar, mas a IMPOSSIBILIDADE fez com que tudo saísse do lugar na minha vida. Nos últimos dias eu tentei abrir o Word em diversos momentos pensando em já ir adiantando as coisas (o BEDA tá chegando!) e mesmo que soubesse exatamente o que precisava digitar, eu não o fazia. E olha que nas vezes em que fiquei sem internet era assim que as coisas funcionavam por aqui, mas agora não sei explicar, simplesmente não deu, nem visitar o blog de outras pessoas ou fazer “textão” no Facebook eu conseguia. Saber que ele não estava aqui e nem em lugar nenhum tirou meu chão e nada disso não faz nenhum sentido na minha cabeça, mas foi o que aconteceu. E aí eu percebi que existe uma grande possibilidade de eu continuar escrevendo aqui para sempre, sem medo da força absurda que essa expressão têm. A menos que eu me torne uma pessoa completamente diferente da que sou hoje, praticamente o oposto, o Sweet Luly vai estar comigo sendo meu blog de um modo ou de outro, seja o que for que a palavra “blog” signifique daqui a 5 ou mesmo 50 anos. O mais importante no momento é que estou de volta e doida pra ficar o fim de semana inteiro com os dedos correndo que nem loucos em cima desse teclado tirando todos os atrasos possíveis que tive nessa fase de abstinência!

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O resultado do sorteio de aniversário saiu dia 19 lá na fanpage do Facebook. Obrigada a todos os que participaram, foi uma DELÍCIA poder dividir esse momento com vocês e já tô querendo fazer mais um com algum outro caderninho de temática diferente, só não sei qual ainda, cês topam ou nem?

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