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O Conto de Natal

Em 24.12.2017   Arquivado em Escrevendo

O Conto de Natal

A campainha tocou pela terceira vez em menos de meia hora lá em baixo. Eu estava com o rosto quase grudado no espelho, segurando meus cílios postiços emplastados de cola, esperando ela secar, então só dei uma olhada pro lado, como se pudesse enxergar através das paredes, e voltei a atenção para meu reflexo quase imediatamente. Enquanto posicionava tudo no lugar ouvi risadas, seguidas de um grito que não soube identificar se era de raiva ou alegria. Só sabia que a voz que o produziu era de uma criança. Laurinha, com certeza. Fiquei feliz em saber que ela tinha chegado… Por ser a neta mais nova não importava se era natal ou outra data qualquer: vovó só sentia que a festa tinha começado quando aquele rostinho sorridente cruzava a porta de entrada.

Enquanto retocava o delineador do olho esquerdo, a porta do meu quarto abriu abruptamente e ela entrou, com a voz muito chorosa. Logo depois vinha Diego, com um sorriso de vitória no rosto que só podia significar que havia tirado a menina do sério. Ele tinha seis anos quando ela nasceu, “tirando” seu posto de caçula e gerando muitos ciúmes. Desde então um de seus objetivos de vida era causar nela o maior número de lágrimas possível.

– Lola… – ela dizia as palavras entre soluços forçados – Lola, diz pra ele que é o Papai Noel de verdade!

Guardei minha bolsa de maquiagem virando os olhos pra situação. Não era POSSÍVEL que um garoto que se gabava diariamente de ter entrado na adolescência e até já “perdido o BV” estava implicando com uma criança por causa de PAPAI NOEL! Olhei para ele colocando as mãos na cintura, o que o fez começar a pronunciar as desculpas esfarrapadas ensaiadas:

– Eu não falei que ele NÃO EXISTE, só disse que aquele lá não é o de verdade…

– É SIM! – Ela gritou se colocando de pé em cima da minha cama, então corri não só pra amenizar a briga como também para tirar aqueles pés calçados de cima do meu lençol recém trocado.

Nem era preciso explicações sobre a qual Papai Noel eles se referiam. Algum dos prédios vizinhos tinham pendurado um em tamanho natural na manhã anterior. Vovó e eu ficamos observando muito agoniadas com medo de o moço que estava fazendo isso cair de lá de cima, e ao mesmo tempo adoramos a notícia justamente porque sabíamos que nossa pequenina ia vibrar vê-lo ali. Dei uma última olhada no espelho e saí do quarto arrastando os dois junto, segurando o pulso de Diego com uma força que indicava “Pára com isso!” e tranquilizando nossa priminha, dizendo que ele estava apenas tentando irritá-la e que o “bom velhinho” já estava ali sim senhorita, esperando para presenteá-la com a Barbie Sereia que havia pedido.

Eu mudei para a casa dos meus avós cinco anos atrás, pra fazer faculdade. Meus pais moram em Ipatinga, a uns 200 km de Belo Horizonte, vim pra cá quando passei no vestibular. Minha ideia inicial (e muito iludida) era procurar um lugar só meu assim que me formasse, o que aconteceu no meio do ano, mas os três meses de desemprego e o salário baixo que recebia ao finalmente conseguir um trabalho não me permitiam sequer pensar nisso. Sem contar que meus avós estavam começando a ficar bem velhinhos, sempre precisando de alguém para levá-los ao médico, pegar algo no alto do armário e correr para comprar qualquer coisa no supermercado, então minha presença acabou sendo útil… Agora a intenção de ir embora é quase zero!

Por esse motivo eu acabo convivendo muito mais com o resto da família do que qualquer um deles entre si. Ao longo da semana meus tios e primos vêm aqui algumas vezes, para buscar correspondências, ver como estão as coisas ou mesmo “bater ponto” e não se arrepender de estar ausente daqui um tempo, quando os dois já não estiverem vivos. É bem fácil perceber quais se encaixam no último grupo. Enfim… Essa noite eu pretendia estar pronta antes de todo mundo chegar, mas fiquei no quintal com vovó batendo papo sobre nada, então já tinha muita gente quando desci as escadas, cada um colocando o que tinha levado na mesa. Meus pais e meu irmão tinham chegado na casa do meu padrinho bem cedo, mas eles esperaram para ir todos juntos. Estavam lá mais dois casais de tios, pais de Laurinha e Diego, além do irmão mais velho dela, Gabriel, que nasceu exatamente um mês antes de mim. Nós dois passamos a infância inteira esperando por férias e feriados para encontrar quando eu vinha pra cá, para poder brincar juntos. Somos meio que melhores amigos.

– Olha quem tá aqui! Feliz natal, Coisinha! – Meu irmão me tirou do chão ao me abraçar. Depois dele ouvir outras sete vozes repetindo “Feliz Natal, Lola” em menos de um minuto.

Quando Diego era bebê e não conseguia pronunciar “Aurora” direito, me chamava apenas de “Lóla”. Assim que me via cruzando a porta balançava seus bracinhos gorduchos gritando “Lóla! Lóla! Lóla!” com muita empolgação. Logo depois tia Clarinha, mãe dele, me presenteou com uma jaqueta onde havia a personagem Lola Bunny, dos Looney Tunes, estampada nas costas. Desde então a família inteira só me chama assim. Eu me irritava no início, sempre gostei de ter um nome que não dava muita brecha para apelidos, mas quando Laurinha nasceu foi uma das primeiras palavras que aprendeu a falar, logo depois de “mamã” e “cacágu” (que significava “água”), e passei a gostar, apesar de nunca deixar essa mania sair da família e passar para os meus amigos.

O resto do pessoal chegou na hora seguinte. Nos últimos dois natais tinha um sentimento de “Será que é o último?” no ar, todos temiam que um dos nossos avós fosse morrer a qualquer momento, então ninguém abria mão daquela noite. Bom, na verdade uma pessoa abriu dessa vez: tio Jojo. Ele tinha “saído do armário” (finalmente!) nove meses atrás ao apresentar o namorado pra todo mundo. Bastou uma única e longa conversa comigo para vovó aceitar, mas meu avô e dois dos tios ainda se recusavam a olhar na cara dele. Agora ele só vinha quando não tinha mais ninguém por lá (vovô se fechava na sala de televisão até ele ir embora) e sabe-se lá onde estava fazendo sua ceia… Eu sentia saudades e ódio de todo o resto só de pensar nisso!

Olhando ao redor da mesa, todo mundo sentado espremidinho em cadeiras e bancos improvisados, me vinha nos peito uma mistura de alegria e hipocrisia. Eu estava feliz em ter papai, mamãe e Augusto, meu irmão, ali comigo. Vovó também, já que ela é minha pessoa favorita no mundo, e eu até amava o vovô, mas o culpava de não ter meu tio mais querido ali. Gosto dos meus primos, uns mais que outros, e algumas tias. Mas todos os meus outros tios (e uma prima mais distante) eram nada além de parentes pra mim. Me dava raiva ouvir de longe os comentários machistas e preconceituosos que eram camuflados na conversa aqui e ali. Minha vontade era bater boca contra aquela babaquice toda, mas foquei na presença de Laura em meu colo, com seu prato encostadinho no meu me contando várias novidades infantis enquanto nossos braços lutavam para conseguir comer ao mesmo tempo.

Nós temos algumas tradiçõezinhas pra data, seguidas todos os anos. Todo mundo senta pra comer às 22h, em ponto, e quando faltam 15 minutos para meia noite rola uma oração e um “Parabéns pra você” para o “Menino Jesus”. Já faz anos que não sigo religiões, mas não me importo em continuar fazendo isso. Vovô então faz um discurso e assim que o relógio bate a meia noite corremos para a árvore para trocar presentes, independente se tiver terminado ou não… Na verdade o combinado é esse, mas ele sempre consegue dizer tudo a tempo, provavelmente de propósito. Dessa vez, porém, assim que a oração terminou, ele saiu alegando que precisava ir ao banheiro e pediu que a gente continuasse na sua ausência por causa das crianças. Na hora do discurso passamos a palavra para vovó, mas ela não sabia o que dizer e pediu ao meu pai que fizesse isso. Ele, por sua vez, jogou a bola pra minha mãe, que conseguiu até se emocionar com o que disse – e alfinetar cada um dos responsáveis por não sermos mais uma família completa. Alguns, eu entre eles, fizeram questão de aplaudir quando ela terminou exatamente quando devia terminar

Foi quando começamos a ouvir fogos de artifício sendo jogados ao céu do lado de fora. Laurinha largou minha mão, correndo desesperada, e abriu a cortina, com a boca aberta de excitação. Fomos assistir também e, quando parei ao seu lado, ela disse para mim, sorrindo:

– É o Papai Noel!

Passamos cinco minutos admirando o show pirotécnico que acontecia ali, até ouvir a porta dos fundos bater. Quando olhamos para trás a árvore de natal estava bem mais cheia do que antes. Fomos correndo conferir o que tinha sido deixado , gritando uns aos outros para que cada presente chegasse ao seu dono o mais rápido possível. Acho que ninguém além de mim reparou quando vovô entrou de mansinho com as chaves na mão e parou apoiado em meu ombro, para receber um pacote com seu nome que estava na minha mão. De fato, e apesar de tudo, um bom velhinho tinha trazido para cada um de nós um pouquinho mais da magia do natal.

E assim termina o Blogmas 2017: com um começo! Na série “Contos de Aurora” vou mostrar pra vocês a trajetória dessa nova personagem ao longo de algumas datas importante do ano. Em alguns momentos irei improvisar, em outros já sei exatamente o que fazer. O destino dela? Só o tempo dirá! Feliz natal!

Blogmas 2017

Sonhos perseguidos

Em 21.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Sonhos perseguidos

Toda noite era a mesma coisa: quando colocava a cabeça no travesseiro, de imediato a imagem dele me vinha à mente. Mesmo com esses pensamentos, eu conseguia dormir numa boa. O tempo passou e a minha imaginação continuou insistindo no mesmo cara. Confesso que não era fácil suportar tudo aquilo.

Meses se passaram e a situação piorou, já que a insônia começou a fazer parte dos meus dias. Era mais ou menos assim: deitava na cama, fechava os olhos e lá vinha a imagem do dito cujo. Ele era alto, poucos quilos acima do “aceitável” para o seu tamanho e tinha os cabelos lisos, que sempre usava bagunçando-os para o lado. Em todas as suas aparições mentais, aquele moço usava camisetas descoladas, com a palavra “Faith”. O motivo, claro, era desconhecido.

O problema é que aquele cara não era desconhecido. Na verdade, ele era um ex-crush chamado Jonas. Esse rolo foi rápido, não chegou nem a contabilizar um mês. Para ser mais exato, 13 dias. O meu número da sorte. Por que tive azar dessa vez? Hahaha! Não chamo de azar os livramentos da vida!

Conheci Jonas na internet. Isso mesmo, nos aplicativos de relacionamentos que tanta gente abomina. Diferente da maioria, acho até legal ficar “julgando” os perfis. É como se eu estivesse com um cardápio na minha mão, escolhendo o que comer. (Ooops, isso gerou duplo sentido!)

Mas é isso mesmo! Jonas só queria sexo, dinheiro e alguém para bancar os seus vícios em bebidas e drogas. Infelizmente, só percebi isso quando levei um bendito pé na bunda. E estava apaixonado. Loucamente apaixonado por um cara que esnobava os meus sentimentos, me fazia de trouxa e, caralho, me fazia perder horas de sono.

Fiquei semanas e semanas sem dormir, olhando para o teto do quarto à espera de uma luz do próximo passo. Suicídio ou seguir com a vida? Escolhi a pior opção: mandar mensagem.

Eram 02h da madrugada quando estava enviando mensagem para Jonas, confessando o quanto eu o amava e ele era o homem da minha vida. Clichê, eu sei. Fui surpreendido com uma rápida reposta. Em um áudio de apenas 10 segundos, fui mandado à merda, além de um “lindo” pedido para eu procurar alguma coisa para fazer da vida, ao invés de ficar correndo atrás de quem não dava a mínima por mim.

Sonhos perseguidos

Rolou um choque de realidade. Foi forte. Bem forte. Chorei tanto que às vezes me faltava lágrimas. Como podia eu ser tratado daquela forma? Como? Logo eu que sempre era prestativo, disposto a mover o mundo por Jonas…

Ainda baqueado, passei três dias chorando sem parar, vendo tudo sem graça e faltando no meu emprego. Sim, a mente continuava pensando em Jonas, em sua beleza e naquela bendita camiseta escrita a frase “Faith”. Naquela época, a fé que tinha era de que iríamos voltar, ter um relacionamento incrível, mas…

A fé que precisava era de que as coisas iriam melhorar para mim e eu iria sair daquela fossa. Daquela rotina diária de ficar pensando em que não se importava com a minha vida e os meus sentimentos. E foi assim que o fiz.

Após os três dias de “luto”, me olhei no espelho decidido a dar um basta. Comecei excluindo da agenda do celular o número de Jonas, depois o bloqueei nas redes sociais e postei uma das melhores fotos que tirei na época em que o conheci. A legenda era uma daquelas motivacionais, onde dizia que não vale à pena valorar o que não tem valor.

Tô melhor, tô de boa, tô feliz. A mente de fez em quando recorda de Jonas, mas com dó. Muita pena de quem prefere destruir o coração de uma diva poderosa como eu. Nasci pra brilhar, e não para ter sonhos perseguidos por monstros.

(Parênteses aqui para agradecer à Luly por poder postar no brógui dela. Aos desconhecidos, me chamo Adriel Christian e também sou blogueiro. Não sou bom com apresentações, então, é isso!)

[Edit em 22/12/17] Adriel, seu lindo! Eu AMEI ter tido você como meu “guest blogger” nesse Blogmas 2017! Em 13 anos de Sweet Luly eu NUNCA tive coragem de emprestar meu cantinho pra alguém, de criar um nome de usuário pra outra pessoa, de quase deixar que falassem por mim. Você foi o primeiro e foi uma escolha maravilhosa! Obrigada por ter colocado tantos sentidos por aqui. E pra quem não conhece, visitem o blog dele para mais textos assim: Não Me Venha Com Desculpas.

Blogmas 2017

Mais pequenos prazeres da vida

Em 17.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Foi uma “luta” pra mim descobrir como seguir a minha própria playlist de 100 músicas mais ouvidas no Spotify em 2017. Mas tentei, tentei e finalmente consegui. Encontrei ali vários prazeres musicais concentrados num lugar só e a certeza de que muitas dessas também serão as mais ouvidas de 2018. Principalmente porque acho que por aqui só vai tocar isso durante vários e vários dias…

Se vou postar algo no meu perfil do Lookbook, gosto que seja um trio de fotos em posições diferentes. É sempre muito difícil, no final da sessão, encontrar essas três fotos perfeitas que mostrem a roupa, eu esteja bonita e bem focada. Quando isso acontece é uma alegria sem tamanho! E se são mais de três e dá pra ficar na dúvida então? Nossa, nas raras vezes que aconteceu algo assim pareceu até que os humilhados foram finalmente exaltados, de tão bom!

Outro dia lançou a adaptação do meu livro favorito nos cinemas, “Extraordinário”. Eu fui conferir isso logo na estreia porque a espera tinha sido longa, não podia perder mais tempo! Foi maravilhoso, eu mal podia esperar pra assistir de novo, então ganhei ingressos de presente pra repetir a dose e fui, com amigos ainda que na primeira vez. A quantidade de lágrimas foi a mesma, tanto no meu rosto quanto no de todos eles… O encanto ao sair da sala escura, por sua vez, conseguiu ser ainda maior! Tem “figurinha repetida” que, ao contrário do que dizem por aí, ajuda sim a completar o álbum, né?

Sabe o que mais causa esse calorzinho no coração? Dar a faxina geral na caixa de areia da Arwen. Ela é limpa diariamente, mas a cada duas semanas eu jogo TODA a areia que sobrou fora e esfrego tudo pra valer, com escova e sabão. Ela não gosta muito, não, prefere que tenha algumas sujeirinhas, diferente de todo e qualquer gato que já conheci na vida. Mas eu amo! Me sinto uma super mamãe dando um ambiente limpinho pra minha filha e saber que não tem resto de nada escondido ali é bem bom. Não faz tanta diferença no cheiro, já que a areia que ela usa é BEM boa e nunca deixa realmente fedendo, mas trás um alívio imenso pra alma… Ou pelo menos nos primeiros minutos, até ela perceber que já terminei e ir lá “marcar o território” mais uma vez…

Estrear uma *brusinha* nova, principalmente quando fui eu mesma que comprei… Esse é o maior dos prazeres meio fúteis que existem no mundo, pra mim!

Quando se trata de entretenimento, uma das notícias mais bem vindas é saber que uma série querida acaba de ganhar novos episódios, ou mesmo uma temporada inteira, na Netflix. Nossa, melhor do que isso só mesmo ter um tempo livre pra curtir essas horas de maratona! E assistir assim, de forma legal, sem precisar ficar baixando, com opções dubladas e legendadas pra atender qualquer gosto e poder, de hora em hora, “riscar” mais um na listinha.

Uma alegria que adquiri mês passado foi aprender a colar cílios postiços! Nas outras vezes eles sempre descolavam um pedacinho antes da hora, mas agora não, volto do rolê com tudo tão pregadinho que dá até dó tirar. Sempre fica um pouquinho de cola aparecendo, ou um dos lados sai meio tortinho… Mas o importante é que gruda!

Mais prazeres recentes: fazer uma venda na lojinha do Expresso Rosa! As notificações chegam no e-mail e, mesmo sabendo que não tem nada, às vezes entro no painel de controle só pra garantir, sabe, se num tem nada que passou batido. Ter novos clientes cadastrados também é bom, porque significa que a pessoa tem a intenção de comprar, mas quando é real oficial fica ainda melhor!

Mais pequenos prazeres da vida
“Prazerzinho” 10/31: A adaptação do livro favorito

Esse post foi inspirado na proposta #95 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 18º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018. Essa proposta específica será dividia em quatro partes, sendo essa a segunda delas.

Blogmas 2017

Os pequenos prazeres da vida

Em 10.12.2017   Arquivado em Escrevendo

Eu gosto de ouvir as primeiras gotas de chuva caindo do céu, quando o vento até canta indo de um lado pro outro. Logo ali eu sei que, seja por horas ou só minutos, meu nariz vai funcionar maravilhosamente por causa da umidade. Ah, o cheirinho que fica no ar nesse antes, no durante e ainda depois… Se estou em casa, meio sem nada pra fazer (ou até com coisa pra fazer, mas que não são urgentes), vou correndo pra janela assistir esse momento acontecer. Aliás, mesmo quando eu trabalhava fora, era só ter uns segundos de intervalo que ia lá, olhar o pinga-pinga de alegria. Esse é um dos meus pequenos prazeres da vida.

Adoro quando compro alguma coisa pela internet e o rastreamento dos Correios chega no meu e-mail. O objeto acabou de ser postado, nada aconteceu, mas eu já dou uma olhadinha no site pra ver funcionando. E quando são vários então? É um ritual acompanhar um por um, acho esse momento da espera ainda mais gostoso do que a entrega.

Quando termino um caderno que estou fazendo chega a hora de colar o adesivo do Expresso Rosa na terceira capa. É a última etapa da produção, ou pelo menos da minha produção. É também a minha favorita, porque vem essa coisa de “dever cumprido”, tenho que resistir ao impulso de gravar isso pra jogar na internet toda vez.

Em 90% do tempo que escuto meu iPod, ele fica na opção “Shuffle”. Às vezes fico pulando várias de uma vez até ficar satisfeita, mas deixo no aleatório mesmo assim. E pra arrancar um sorriso certeiro, seja no ônibus lotado ou subindo uma ladeira cansada, é só tocar a “música do momento” no meio dessas que, mesmo fazendo parte de uma seleção de favoritas, não estavam agradando por algum motivo.

Praticamente sinto que venci na vida quando acordo no meio da noite, ou mesmo de manhã, e descubro a Arwen dormindo no meio das minhas pernas. Ter que ficar parada na mesma posição desconfortável por quanto tempo for preciso se tornou o maior de todos os prazeres!

Sabe o que mais me deixa animada pra valer? Ter uma ideia brilhante de algo pra executar no meu “Destrua Este Diário”. Que nem no dia que eu pensei que podia formar a palavra “ABBA” naquela página de criar imagens fechando o livro e “espelhando” uma na outra. Fiquei tão empolgada que peguei minha tinta dourada caríssima na mesma hora, sem me importar de gastá-la “a toa”. E acabou que ficou legal pra caramba, valeu a pena…

Eu simplesmente amo quando um post no blog está perfeitamente formatado, revisado, com a imagem já postada. Quando o SEO está “verdinho”, indicando que deixei tudo bom o suficiente. E aí posso agendá-lo, pro dia e horário que planejei, e já riscar como “feito” na agenda onde anoto essas coisas. Faço até minha dancinha de da alegria, rindo bem boba por minutos, sem parar!

Os pequenos prazeres da vida
“Prazerzinho” 03/31: O adesivo!

Esse post foi inspirado na proposta #95 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 17º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018. Essa proposta específica será dividia em quatro partes, sendo essa a primeira delas.

Blogmas 2017

Escrevendo aqui, pela milésima vez

Em 05.12.2017   Arquivado em Escrevendo

De acordo com o painel de controle, e esse danado não falha, esse é milésimo post que estou escrevendo no Sweet Luly. De cara a gente se surpreende e acha muito, mas por outro lado, cá entre nós… Em treze anos (e meio) eu poderia ter feito melhor, né? Isso dá o que, menos de sete por mês? Não vou nem fazer as contas exatas, que é pra não me decepcionar comigo mesma… O que tenho feito muito ultimamente, sem motivo nenhum.

Porque se parar pra pesar o jogo todo dá pra ver que, no fim das contas, mil publicações é mesmo sair ganhando. Quando isso aqui começou eu tinha internet discada em casa, bastava o plano de minutos do mês estourar e nosso telefone desligava, me impedindo de blogar o tanto que queria. Depois teve a pausa do vestibular e as várias da faculdades, principalmente quando o final do semestre começava a apertar. E TCC então? Gosto nem de lembrar! Mas aí passou, e depois que passou ainda assim não deu pra manter o ritmo que o planejamento da agenda previa. Se a crise de ansiedade bate, a página em branco se torna um tormento mesmo que as ideias estejam fervendo aqui dentro. TUDO é feito de altos e baixos, e a “arte” de escrever obedece essa regra também.

Diante desse momento “comemorativo”, outro dia eu estava dando uma revisada e formatando as postagens do início, nos anos de 2004 e 2005. Elas eram cheias de “plakinhas” e gifs que, enquanto eu tentava resgatar (alguns até consegui), me fizeram descobrir que a coisa que a Luly adolescente mais amava NA VIDA eram blogs. Minha maior diversão se resumia em “trabalhar” no Expresso Rosa, que hoje é loja de cadernos mas na época era template shop. Eu levava aquilo MUITO a sério, mesmo que praticamente ninguém usasse o que eu fazia. Me esforçava ainda que não tivesse nada vindo em troca. E fico pensando em algumas coisas que ainda faço por amar, e têm esse mesmo objetivo de ser apenas um prazerzinho… Só que lá era PRAZERZÃO, e desde que fiz essa pequena volta no tempo deu uma vontade danada de resgatar a vontade em crescer mesmo que seja só por mim mesma.

Em algum momento irei revisar a partir de 2006 também. Vou ver esse hobby perder força à medida que a faculdade for se aproximando. Vou ver os textos “querido diário” se transformando em artigos. Vou me ver ficando loira e depois morena de novo, querendo ser patricinha e depois metida a rockeira. Vou ler sobre amores que não existem mais, amizades que vieram e se foram, trocas de armação de óculos que amei comprar e mais ainda me livrar delas. Vou formar no colégio e depois na faculdade, contar histórias que acho que conheço mas que com esse novo velho ponto de vista vou conhecer ainda mais. Fico sempre falando a quatro ventos que tenho uma ótima memória, e vai ser um tapa na cara descobrir que na verdade não lembro de um monte de coisas e aí, consequentemente, passarei a lembrar.

Acho de verdade que vou entrar tão a fundo nessa cabecinha que vai parecer uma longa sessão no sofá da minha psicóloga. Tenho certeza que vou me estranhar e reconhecer tantas vezes que vai parecer uma gangorra mental. Às vezes por cima, outras por baixo e em mais algumas parada no meio termo, sem saber pra que lado a coisa vai tender. Vou revisitar mil Lulys diferentes, literalmente, que evoluíram e regrediram ao mesmo tempo enquanto iam escrevendo palavras que nem com muita paciência teria como contar!

Vou sentir saudades de cada uma delas e de seu blog querido, torcendo para que novas Lulys um dia sintam saudades de mim também.

É que por mais que eu seja a mesma e esse endereço seja o mesmo, nada em nenhum de nós dois é imutável. Aliás, muito pelo contrário! O objetivo é esse mesmo, evoluir, expandir, se adequar. “Prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”¹, sabe? Uma pessoa que há alguns anos atrás dizia detestar política e agora vai pra rua gritar e pras páginas que acha confiável se informar. Um mulher que antes julgava as outras e agora quer ao máximo apoiá-las. E ao mesmo tempo mantendo coisinhas como a cor e o filme favoritos desde de 1990 e poucos. Imagina só, ter boa parte das grandes diferenças e pequenas semelhanças registradas num mesmo endereço pra poder embarcar nelas sempre que quiser? Fico feliz em saber que pra mim isso é possível.

Eu tenho vários lugares favoritos. Lugares físicos, mesmo. Se você perguntar o número um entre todos eles direi a Praça da Liberdade, aqui em Belo Horizonte, sem precisar pensar ou hesitar por um segundo. Depois posso listar mais um monte, desde o prédio da faculdade onde estudei até algo bem mais longe, onde rolou alguma viagem inesquecível. Vou falar de espaços abertos, cheios de desconhecidos cujas vozes compunham a “trilha sonora” local, ou de um móvel específico dentro de um quarto fechado, onde uma pessoa só era presença suficiente e respirações ofegantes o som ambiente ideal. Mas se tiver que refletir sobre um “refúgio”, sobre pra onde vou correr quando precisar me escancarar e esconder, não vai ser possível marcar essa localização no Google Maps. Esse “lugar” vai ser o www (ponto) Sweet Luly (ponto) Expresso Rosa (ponto) com.

Escrevendo aqui, pela milésima vez
Luly 2004: um dia após meu aniversário de 14 anos, escrevendo pra contar como tinha sido a festinha, e alguns elementos que marcaram esses 13 anos e mil posts em volta “dela”!

Esse post foi inspirado na proposta #16 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 16º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

¹ Raul Seixas. Metamorfose Ambulante. Krig-ha, Bandolo!, Brasil: Philips Records, 1973. Lado A, Faixa 3.

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