Categoria "Escrevendo"

Amo e Detesto

Em 30.01.2017   Arquivado em Escrevendo

amodetesto
Amo esse filme, detesto quando chega essa cena! Imagem do Disney Wikia.

Eu amo batons vermelhos e detesto sair de casa sem eles…

Amo Coca Cola, detesto Fanta Uva;
Amo brócolis, detesto azeitona;
Amo limão, detesto goiaba;
Amo coração e detesto bife de fígado.

Amo cachorros e detesto baratas.

Amo rock, detesto axé;
Amo escrever, detesto praticar esportes
Amo filmes de animação, detesto os de terror;
N’O Rei Leão amo o Mufasa e detesto demais o Scar!

Amo a Pepsi Twist mas ironicamente detestava a Coca Cola Light Lemon…

Amo muito maiôs e detesto usar biquíni (na verdade, não uso!);
Amo o frio, detesto o calor;
Amo cor-de-rosa, detesto laranja;
Amo meu macaquinho de margaridas mas detesto ter que raspar as pernas para usá-lo!

Amo quem leva a bandeja pro lugar certo no shopping e detesto mais que tudo gente que joga lixo fora da lixeira!

Amo tatuagens, detesto quando alguém tem preconceito contra elas;
Amo todas as formas de amor, detesto que se incomodem com isso;
Inclusive amo a diversidade e detesto quando ela não é aceita!
Amo ficar sozinha mas detesto quando estou com pessoas amadas e tenho que me despedir delas…

Amo abraços e carinho, dar e receber, e não consigo achar nada que detesto tão fortemente pra criar esse contraste!

Eu amo ler quase tudo nessa vida e sempre detesto quando leio os comentários do G1;
Amo boas notícias, detesto a pouca frequência com a qual as recebo;
Amo descobrir o que há de melhor nas pessoas, detesto as que só mostram seu pior;
Amo levar as coisas na brincadeira e detesto brincadeira com assunto realmente sério.

Amo amar e detesto detestar!

Janeiro Branco e a (minha) Ansiedade

Em 15.01.2017   Arquivado em Escrevendo

janbrancoansiedade

A primeira vez que me surgiu um estalo de que algo não estava e nunca esteve bem comigo foi através de uma brincadeira. Eu estava tomando coragem para puxar assunto com um crush e assim que uma publicação dele apareceu na minha timeline do Facebook amarelei, comecei a suar frio e senti que não daria conta mais. Meu amigo que estava ao lado, sem perceber que era tão sério assim, brincou “Vai em frente, Luly, deixa de ser besta, se você ficar intimidada por causa disso é caso de precisar de tratamento, hein!”.

Ele estava certo.

Ainda assim eu fui vivendo com aquilo achando que “precisar de tratamento” era um grande exagero da minha parte, não passava de uma piada, mesmo com um grande histórico de pessoas que tiveram que se tratar com psicólogos e psiquiatras na família. Continuei minha vida do jeito que ela sempre foi, tentando justificar as coisas que me aconteciam e, principalmente, minha reação a elas com milhares de desculpas que doíam muito menos que a realidade. Até que chegou uma situação simples, algo altamente inofensivo que não iria me prejudicar em nada, aquele momento da vida em que “ou ganha, ou empata” e lá estava eu, sem conseguir fazer. Era um telefonema e tudo o que aconteceu foi eu discar e cancelar a ligação três vezes até finalmente desistir quando já estava chorando e tremendo MUITO, precisando gritar no travesseiro para que ninguém soubesse o que se passava dentro do meu quarto, sentindo dores horríveis dentro da barriga. E aí caiu a ficha de que aquilo tinha um motivo, então passei o dia inteiro quieta entre lágrimas, muitos pensamentos e testes de internet que me fizeram concluir que havia uma possibilidade de todos os meus problemas pessoais em toda a minha vida serem causados por uma única coisa. Tomei coragem para conversar com uma pessoa que poderia me ajudar, papo vai e papo vem, e enfim veio o diagnóstico, escancarado na minha frente: TAG. Transtorno de Ansiedade Generalizada. Aos poucos toda minha existência foi magicamente explicada.

Quando chorei porque sentaram minha irmã perto de uma sacada pedindo para tirarem ela dali porque conseguia ver direitinho milhares de jeitos dela cair não estava sendo super protetora. Quando eu unhava minhas mãos na escola porque estava prestes a ter que jogar vôlei não era frescura, como minhas amigas já me disseram várias vezes. Quando eu andava na beirada da calçada pensando no dia absolutamente comum que vinha pela frente em total desespero não era depressão juvenil. Quando eu tinha que apresentar um trabalho e suava frio não era timidez (apesar de que na época eu era bem tímida, sim). Quando eu não dormia nas vésperas das provas não era insônia. Todos os “transtornos alimentares” que já tive na verdade não eram transtornos alimentares, inclusive quando parei de comer porque tinha um TCC pra apresentar ou conversar com um cara que eu estava afim. Quando viajei para visitar uma amiga e quis voltar pra casa no segundo que cheguei lá, sem nem saber os dias ótimos que teríamos pela frente, não era arrependimento bobo . Quando eu estava prestes a dizer o que pretendia, fazer o que desejava ou realizar o que esperava e nada disso acontecia não estava “amarelando’. Quando estava vivendo uma das melhores coisas da minha vida, sabendo que não vivi várias outras por causa disso, ainda assim havia uma parte de mim desejando que um meteoro caísse naquele momento para que eu não precisasse ir em frente, por mais que eu soubesse que era o que queria… As mãos tremendo visivelmente, as dores de barriga instantâneas, o choro inexplicável em ocasiões inexplicáveis, o desespero só de pensar que existem outras milhões de possibilidades para algo além da que eu esperava, mesmo que fossem impossíveis ou improváveis. A ansiedade já me fez perder 10 quilos de uma vez, o que muita gente encarou como uma dádiva, mas eu sabia que aquilo não estava certo. A ansiedade transformou meus principais paraísos particulares em verdadeiros infernos.

Há uma diferença absurda entre estar ansioso e viver com a ansiedade. É mais ou menos a diferença entre sentir fome e passar fome: o primeiro é até gostosinho, aquele momento logo antes de uma refeição saudável e feliz que você vai encontrar em casa, enquanto o segundo muitas vezes representa uma vida de miséria. Quando você está ansioso por algo, sua viagem de férias, a festinha do fim de semana, uma oportunidade de matar saudades de alguém, sente um friozinho na barriga de animação e sorri sem parar. A ansiedade como doença não é assim… É quase odiar sua vida e não poder desistir dela porque não consegue parar de pensar nas consequências do que vai deixar pra trás, parafraseando Freddie Mercury é não querer morrer, mas às vezes desejar sequer ter nascido. Qualquer atividade comum pode ser um verdadeiro desafio para um ansioso: atender o telefone, enviar uma mensagem, falar com a atendente do banco, comparecer ao primeiro dia de trabalho, comparecer aos demais dias de trabalho, terminar um relatório que está já atrasado, flertar, sair de casa em um dia chuvoso, falar para um grande público, dirigir um carro diferente do que está acostumado. É ótimo que você, com sua mente sadia, consiga fazer, mas entenda que alguns têm muita dificuldade em conseguir também. De fato é difícil lidar com algo que você não entende e não há nada de errado em dizer “Calma, tudo vai dar certo!”, mas lembre-se que essa fala deve ser incentivo e alento, e não ordem e solução, porque palavras não curam doenças, e uma doença mental não pode ser vista, mas continua sendo uma doença. A minha vida como ansiosa não é percebida quando você entra no meu blog e vê o template colorido, ou é apresentado a mim enquanto estou falando sem parar animadamente, nem mesmo na minha foto de perfil sorridente que foi tirada num dia em que tive uma crise que me deixou sem ar, porém existe em tantas situações, grandes e pequenas, que somente eu posso saber como é viver dentro da minha cabeça… E nem mesmo ter TAG pode faz saber exatamente como é a outra pessoa que também tem, porque se manifesta de forma diferente para cada um de nós.

E é por causa da existência desses transtornos que nós temos a campanha do Janeiro Branco para conscientizar e debater sobre a Saúde Mental e o Bem Estar. Nem sempre o corpo são é sinônimo de mente sã, seu vizinho piadista pode ter depressão, sua professora maravilhosa pode ser bipolar, sua prima que te vê semanalmente na casa da vovó pode ter fobia social, o cara que senta ao seu lado na primeira aula da segunda feira pode ter um distúrbio alimentar, seu personal trainer pode ser esquizofrênico e a autora de um blog que você visita às vezes, que você encontrou naquele evento que você foi no fim de semana, pode ter sido diagnosticada com TAG. É preciso entender que o problema existe, dar carinho a quem vive com ele e lembrar que é perfeitamente possível ter uma vida normal assim, basta ter acesso ao tratamento adequado e apoio daqueles que o cercam. Quem quiser saber mais sobre o assunto pode visitar o site e Facebook do projeto e começar o ano com ainda mais empatia na sua vida!

Foi MUITO DIFÍCIL MESMO pra mim escrever esse post e não sou profissional no assunto, apenas alguém que está descobrindo como lutar contra algo que não escolheu viver, 100% do que está aqui é baseado na MINHA experiência e na orientação que estou recebendo para ficar melhor (se passei alguma informação equivocada me desculpem). Sendo assim, por favor, tenham muito cuidado ao julgar e comentar algo dessa vez, ok? Obrigada!

Pedaços de uma vida que abriu-se em flor

Em 12.01.2017   Arquivado em Escrevendo

“É o avô do Henrique!”

Minha mãe, já grávida de 43 semanas, abriu o portão e desligou o interfone morrendo de rir dessa resposta dado pelo meu avô para responder à pergunta “Quem é?”, lá no primeiro apartamento onde a gente morou. A ideia de não contar pra ninguém se eu era menina ou menino veio dela mesma, inicialmente porque tinha medo de ficar decepcionada com o resultado do ultrasom, mas depois que isso não aconteceu era simplesmente mais legal continuar com o suspense. O quarto era todo verde, as roupas em cores “neutras”, acho que no total apenas outras cinco pessoas sabiam da verdade, entre elas meu tio Márcio, que foi selecionado pra ajudar na escolha do nome oficial.

Mamãe queria Renata. Mentira, mamãe queria Henrique, mas não tinha como, então ela optou por Renata. Papai escolheu Luciana. Os dois gostavam de ambos, então tio Márcio desempatou e Luciana venceu. Acho que foi melhor assim porque eu gosto do meu nome – não gosto de ser chamada por ele, é verdade, mas isso não muda nada, continuo gostando e pronto. Eu só consigo me ver dessa forma, não sei quem é a Renata e muito menos quem é o Henrique… Imagino que ela seja mais ou menos parecida comigo mesma, senão idêntica, já ele não tenho a mínima ideia. Será que é um cara legal, desconstruído e educado? Será que é o contrário de tudo que deveria ser, todo machista sem noção? Ai, Deus me livre! Será que ele é gay? Eu tenho quase certeza que ele é gay, espero que a família dele (no caso, a minha) aceite isso de boa, lá no universo paralelo em que eu nasci como ele e não como eu mesma…

Luciana significa “cheia de luz”, por causa do Lúcia, apesar de que não me sinto um ser TÃO iluminado assim, não, mas estamos trabalhando pra chegar lá… Significa “cheia de graça”, por causa do Ana, e pode ser que isso justifique as piadas que eu faço em tempo integral e todo mundo sempre acha que tô falando sério. Significa “aquela que veio ao amanhecer”, mas a “diferentona” aqui nasceu no finalzinho da tarde, graças ao médico que me arrancou meio que sem eu querer. Ao contrário é Anaicul, que odeio, na família é Lulu, que acho fofo, alguns conhecidos não muito próximos insistem no Lu, que eu também não gosto, e já foi Lucy em vários e vários lugares, o que é BEM legal e lembra aquela que estava no céu com diamantes. A Luly nasceu aos 12 anos por causa de uma perninha puxada sem querer que transformou um “u” em “y”, e como é que a gente ia saber que no final ela ia se tornar a oficial entre todas as outras? Essas coisas da vida… Quando a presença é alegre vira “Luulyyy”, se tá chamando de longe sai um “Lu-lê!” e tem aquelas vezes que eu mesma falo de mim na terceira pessoa carinhosamente como Lulynha…

Um ponto divertido da história, é que seu Carlito, de fato, era o avô do Henrique. Infelizmente não viveu o suficiente para saber disso, mas meu primo de mesmo nome, filho do tio Márcio (!), nasceu pouco mais de 21 anos depois do causo do interfone. É claro que ele é uma pessoa completamente diferente do Henrique que eu teria sido, mas ainda assim acho isso legal e acredito completamente na teoria de que é por isso que ele parecia um pouquinho comigo em uma ou outra foto quando era neném. Outra dessas coisas da vida…

pedacosdeumavida

Esse é o 1º texto do projeto 52 perguntas em 52 semanas, traduzido para o português pela Bia Carunchio, que tem como objetivo “ajudar no processo de escrita da sua história de vida”. A pergunta da vez é “Qual o seu nome completo? Explique porque seus pais te deram esse nome.” e foi isso que ela me inspirou a produzir!

O título desse post é um trecho da música “Cantiga Por Luciana”, da cantora carioca Evinha, vencedora do IV Festival Internacional da Canção nas categorias Nacional e Internacional em 1969.

O heróico brado retumbante

Em 12.11.2016   Arquivado em Escrevendo

Estudar o período da ditadura militar no Brasil sempre foi muito angustiante para mim, mais até do que o holocausto, que não ficava exatamente muito atrás. Saber que existiu poucos anos antes de eu nascer, que aquele professor que estava ali na frente nos ensinando tinha vivido tudo aquilo, que o que nos era relatado era só a ponta do iceberg de torturas e opressões pelo qual todo o povo tinha passado, bem, não tem como não se incomodar com isso. Mas o que mais me derrubava era o “pós aula”, quando eu me sentava com as amigas para falar sobre o assunto e todas elas refletiam sobre como estariam nas ruas junto com os manifestantes tentando reverter aquela situação, que lutariam em prol da democracia mesmo que se ferrassem por isso. Não, eu não achava que elas estavam erradas ou que eram malucas, eu sentia era vergonha em pensar que, ao contrário delas e de tantos antes, eu jamais seria uma daquelas pessoas, jamais teria coragem.

Outra coisa que passava muito pela minha cabeça, o mais intrigante de tudo, era COMO DIABOS AQUILO TUDO TINHA ACONTECIDO? Como as pessoas tinham permitido, será que não perceberam? Se elas estavam pedindo o fim, por que não impedir desde o começo? E aí que cá estamos, mais de cinquenta anos depois, e de repente eu vejo, diante de mim e de todos nós, uma manobra política acontecendo bem na nossa cara. Vejo gente tentando impedir e não sendo o suficiente diante do poder, gente manipulando claramente para que se concretizasse e, claro, gente que assistiu a e resolveu se manter neutro ou mesmo acreditou que era o melhor, deu seu apoio. Foi então que eu descobri COMO acontece. E foi então também que eu percebi o quanto estava errada lá na minha adolescência. Eu não precisava sentir vergonha porque no fim das contas eu sou, sim, alguém que vai para a rua lutar pelo que acredita. Porque foi isso que eu fiz (e continuarei fazendo, sempre).

Veja bem, o objetivo aqui não é falar exatamente sobre os motivos pelos quais estamos indo às ruas e sim o que sinto quando chego lá, mas é impossível desenvolver um sem ter destrinchado o outro porque independente do posicionamento político a gente precisa analisar a situação como um todo. Quando você vota em um candidato à presidência e, consequentemente, no seu vice, não são somente PESSOAS que você está elegendo, mas também e principalmente um plano de governo. E se o vice assume o cargo e não segue o plano de governo do presidente que o elegeu, pronto, é porque tem alguma coisa errada. Sobre o julgamento em si, pensem bem… Foi cometido um crime e deve existir uma condenação para ele, mas a partir do momento em que as decisões são tomadas independentes do tipo de crime, dos motivos, da defesa, a partir do momento em que aquela coisa deixa de ser crime no dia seguinte da condenação é porque tem outra coisa errada. E temos que pensar no objetivo de um governo, que é SEMPRE continuar no poder, certo? É pra isso que as melhorias são feitas, pra isso que medidas são tomadas, para que nas eleições seguintes queiram te reeleger ou eleger seu sucessor. Mas e quando isso NÃO PODE acontecer, quando quem está no poder NÃO PODE continuar? Aí seu objetivo principal se perde e ele pode fazer o que bem quiser a hora que quiser sem se importar com o que os outros vão pensar, e VÁRIAS coisas erradas nascem, crescem e se reproduzem. É o que estamos vivendo agora, é o que não dá para ver e ficar caladinho.

Eu relutei muito antes de finalmente tomar essa decisão. Via amigos indo, participando, e ao mesmo tempo que tinha vontade, faltava coragem. Sabe quando você pensa “E se der ruim?” e deixa esse pensamento te dominar a ponto de não fazer o que quer? Pois é, acontece sempre comigo, mas a situação chegou num ponto extremo em que não deu pra segurar mais. O resultado foi surpreendente e maravilhoso. Nunca me considerei muito patriota por motivos extremamente estúpidos como “gostar da cultura de outros países” e “não ouvir música nacional”, mas é escutar o hino tocando que preciso segurar as pontas e as lágrimas que querem cair. Até aí tudo bem, eu sou MUITO chorona, se bobear rola até com o hino alheio. E ver torcedor sofrendo pela derrota do Brasil em Copas do Mundo então? Nossa, parte meu coração, mas novamente eu sou muito sentimental, qualquer “amor de fã” já me toca, no futebol não seria diferente. Porém foi eu pisar na rua tomada por manifestantes pela primeira vez que percebi que a emoção que todas essas coisas me causam não vem dos outros e sim de mim. Ouvir os tambores batendo e vozes gritando em nome de uma vida melhor, seja ela uma perspectiva para o futuro ou vontade de manter o que há de bom no passado e presente, saber que todo mundo está ali por causa de um país inteiro e não somente de si mesmo, reconhecer nos discursos o que eu mesma diria se tivesse acesso àquele microfone, nossa, isso tudo me arrepia, me dá um nó na garganta, eu acho LINDO DEMAIS! E aí a gente vai caminhando às vezes sem nem perceber o que está fazendo até que bate a real, até que todo mundo canta uma música que de repente começa a fazer sentido, até que a presença da polícia ali no cantinho dá medo mesmo que nada do que está sendo feito seja errado… Tudo isso me faz refletir o quanto é heroico esse brado retumbante, o quanto é ousado lutar pelo que queremos ser e o que temos direito num mundo onde somos reprimidos o tempo todo por isso. Aliás, democracia é uma coisa linda de forma geral!

Eu sou uma pessoa que SEMPRE será a favor de toda e qualquer manifestação, a menos que manifestem pelo fim do meu direito de manifestar. Em 2013 achei tudo muito confuso, tudo muito fora da ordem e sem objetivo, mas sem desvalorizar, apenas não participei. As que vieram logo após o resultado das eleições de 2014 então iam contra quase todas as coisas que acredito e as pessoas que eu conheço que estavam lá pensavam apenas em manter seu status de privilegiado em relação ao outro, algo que não posso aceitar, mas mesmo julgando tudo uma baita babaquice continuei sendo a favor do que estava sendo feito. Teria como não fazer o mesmo diante da minha insatisfação, da noção de todos os erros e injustiças que estão sendo cometidos? Não, não teria. Sabe como é, eu “prefiro barulho da democracia ao silêncio oprimido da ditadura” (fonte).

heroicobradoretumbante
Primeiramente…

Amor na Primavera

Em 24.10.2016   Arquivado em Escrevendo

Amor na Primavera
Eros e Psiquê, de Antonio Canova, via Italianarte

Paris, era primavera e o amor estava no ar. Cristiane caminhava pelo parque comendo cerejas. Como a garota amava essas frutinhas! Todo dia comprava sacos e mais sacos delas. Olhando para o relógio percebeu que deveria correr, pois se demorasse não chegaria na faculdade a tempo.

Chegando lá, encontrou Renato. Seu coração bateu mais forte de modo que nem as cerejas, nem o curso de Belas Artes eram capazes de fazê-lo bater. O rapaz sorriu para ela e, de mãos dadas, foram estudar. E passaram a tarde se olhando, namorando e se beijando.

Na volta para casa, Cristiane decidiu escrever um poema sobre amor. Sobre seu amor. Sobre amor visto como oxigênio, como o amor visto em obras camonianas. Começou, escreveu, corrigiu, leu, releu e aprovou. Convidou Renato para jantar, e durante a noite lhe mostrou seu texto, tão bem escrito. Renato, emocionado, pediu a garota em casamento, decisão tomada semanas antes. Feliz, ela aceitou. Satisfeito, ele a beijou.

Anos se passaram. Renato e Cristiane continuam juntos. Continuam amando belas artes e cerejas. Continuam se amando, tão fortemente como nas obras camonianas.

Esse texto foi escrito por mim numa prova de redação no 1º ano do Ensino Médio, em agosto de 2005, e as exigências eram que fosse na terceira pessoa e retratassem o amor da forma que era apresentado em alguns do exemplos dados, entre eles a foto da mesma escultura usada para ilustrar o post e um poema de Camões. De tudo o que já escrevi no colégio ele foi meu favorito e minha mãe o encontrou semana retrasada, mas quando fui ler fiquei MUITO decepcionada. Não tinha nem um pingo da genialidade que eu estava esperando, discordei várias vezes da pontuação, da escolha de nomes, do título, foi bem triste.

Depois fiquei mais triste ainda com minha decepção. Percebi que era ÓBVIO que eu não ia gostar de algo que produzi a mais de uma década atrás, que isso é bom porque representa que evoluí, é claro. Percebi que eu não sou ninguém para julgar as palavras de uma garota de 15 anos e muito menos para esperar dela feitos acima do padrão. Aliás, essa mesma garota tirou total na prova e emocionou muitas de suas amigas na época, então tenho é que ficar orgulhosa do seu extraordinário trabalho ordinário! E quem sabe daqui a um tempo, com mais evolução ainda, Cristiane e Renato não acabam se tornando personagens em uma nova história? Veremos…

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