Categoria "Escrevendo"

Quando a meta é sair do lugar…

Em 25.08.2018   Arquivado em Escrevendo

Tenho me sentido um caranguejo. Nem me refiro ao meu Sol em Câncer fortíssimo, cada vez mais aguçado, não. É mais aquela de andar pros lados, sabe? Você caminha, caminha, caminha e, ainda assim, não sai do lugar… Não regride, é claro, mas também não consegue seguir em frente, crescer, avançar, fica só nessa mesmice não importa o quão diferente sejam as coisas. Argh! Seja qual for a meta que tento traçar ela fica sempre pro amanhã, porque o que realmente acontece é andar em círculos pra lá e pra cá, achando que um novo caminho apareceu, mas voltando lá pro começo assim que pego no ritmo. Sério, pra mim já chega. Agora a meta é sair do lugar!

Quando a meta é sair do lugar...

A gente tem o costume de ter aversão ao que muda, né? Mesmo quando tá lá, acontecendo, fica batendo na tecla passada que claramente não funciona. Por muito tempo fui assim. Insistia em chamar de melhor amiga aquela com quem não tinha mais muito a ver, afirmava que certo livro era o favorito por questão de costume, via amor eterno no que nasceu pra ser primeiro amor. Como se mutar fosse fracasso, sendo que é simplesmente normal. Agora pensando em retrocesso, essa foi a primeira mudança que abracei: a de ser alguém que aceita e visa mudar! Só que quando você tem a sorte e o privilégio de estudar o que quer, quando quer e sem pagar nada, é difícil abrir a viseira e admitir que não tá dando certo, sabe? Aí tô aqui, dando murro em ponta de faca naquilo que não é minha formação e que eu sequer quero. Ou pelo menos tava.

Nos últimos tempos uma luz se acendeu no meu cérebro e cá estou, juntando alguns sonhos antigos com outros novos e descobrindo como transformar ideias em caminhos. E mesmo que ande devagar, que ande! Foi um filme que eu (re)vi, numa tarde qualquer aí, onde a protagonista me fez sentir vontade de sê-la. Não de forma sonhadora e idealizada, mas sim sabendo que se eu a tivesse como inspiração, chegaria onde me parece gostoso chegar, desde que pra isso eu comece (já!) a me esforçar. É com a força de Katherine Watson que minha pequena grande meta se tornou essa: voltar a estudar. Pegar um tema que achei e gostei (vocês também vão gostar!), que tá dentro do que aprendi mas nem tanto, e transformar na minha obsessão, tagarelar sobre até babar, até todo mundo – menos eu – se cansar! Me apoiar em quem quiser ser apoio, claro, e escalar sozinha quando der. Talvez seja o pior momento pra isso, mas é também o pior momento pra TUDO, ai, se der errado, e daí? Errado já tá! Continuar esse passinho de caranguejo é que não vai dar.

É que na vida tudo tem a enorme possibilidade de “dar ruim”, mas se privar disso vai acabar abafando a possibilidade do “dar bom” também. Depois de anos perdida, em negação, desnorteada, hoje eu sei que preciso levantar a cabeça, mudar de ar, tentar. Porque não faço ideia de quem irei me tornar quando tudo acabar (será que algo um dia acaba?), mas sei que não quero ser jamais alguém que fica parada. Sou da área das artes, mas não tenho vocação para estátua. Quero é correr, pular, até pirar, ir tremendo de ansiedade e segurando pra não chorar. Quero dar a cara tapa e depois ver ela quebrar, pagar língua e também dar o que falar, me encher de razão e ter razão de me orgulhar.

Esse post faz parte do Dreamcatcher Project organizado no grupo d’A Corte Vermelha, cujo tema de Agosto é Pequenas grandes metas para a vida. Veja também os textos de outros participantes: Memorialices, Livros, Gatos, Café,, Amável Girassol, Literabujo, Pastel Escritor, BanshuuTV e Simplesmente Criativa.

O Amor é brisa (e você, Sol)!

Em 03.08.2018   Arquivado em Escrevendo

Um dia desses aí, num faz nem uma semana, a querida Luh Souza propôs reflexão através de uma frase do filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, que tanto ela quanto eu guardamos em cantinhos quentinhos desses corações tão cheios. “Uma mulher sem amor murcha como uma flor sem sol.” Entrei na conversa por lá, soltei o que tinha que soltar, mas essa frase continuou a me encasquetar – então é meio que meu momento de explorar as metáforas de jardinagem pra dessa aí discordar.

O Amor é brisa

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain | Imagem via Conversando com a Lua

Pra começar, por que essa fala se refere tão diretamente à mulher, especificamente? Um homem também não vai murchar sem alguém para amá-lo? Por que somos sempre vistas e expostas como incompletas, semi plenas? Levando em consideração que a versão heteronormativa é sempre a que é esperada em um discurso, conclui-se que uma mulher sem um HOMEM é insuficiente. Mas isso não é verdade. A sociedade nos ensinou que sim, é claro, mas não é, não. Cara, a gente é suficiente pra caramba, tá?

Longe de mim criticar Amelie Poulain. Principalmente porque, quando o assunto é amor romântico, rever esse filme foi o empurrão que eu precisava pra correr atrás de experiências maravilhosas. Foi ele que me ensinou de vez que eu não tenho ossos de vidro, posso aguentar os baques da vida e que se deixar passar certas chances, com o tempo meu coração pode ficar seco e quebradiço como o esqueleto de Duyfael. Essa citação já me caiu como uma luva e faço questão de “presentear” as pessoas que também podem fazer bom uso dela. Mas, cá entre nós, a gente não precisa concordar 100% com todos os aspectos de uma obra, né? E quanto à flor sem Sol, é, tenho lá minhas ressalvas…

Veja bem, não estou e nunca irei me posicionar contra relacionamentos, ainda mais sendo uma pessoa extremamente romântica e sentimental: aquela que não “fica afim”, já se apaixona de vez (e haja dificuldade pra desapaixonar). Mas é engraçado, quando se diz que não é obrigatório que haja o envolvimento tem gente que já interpreta que tá praticamente proibindo, né? Pera lá, ninguém falou isso aqui! Um amorzinho, na verdade, é gostoso por demais! É incrível se ligar a alguém disposto a manter essa ligação também… Pode ser carinho, beijo, pode ser sexo, ser só hoje e também durar vários amanhãs, mas enquanto houver troca, eu não truco. Vale a pena ter, só que, independente do gênero, o deixar de ter não pode te invalidar.

Agora, e se a gente mudar o sentido da frase? Se for ampliar essa ideia de amor?

Aí a coisa já muda de figura, já passo a concordar. Se “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”¹, que seja em todos os sentidos da palavra! Amar fraterno, a família, os parentes, aquele laço de sangue que nem sempre é a coisa mais importante do mundo, mas que pode ser, se for o caso. Amar amigo, alguém com quem você ESCOLHEU se enlaçar, que nesse momento cabe direitinho dentro da sua vida. Amar admirando, um ídolo que sequer conhece e quer bem mesmo assim, ou de forma empática, sentindo algo bom por aquele que sequer ama de verdade. E amar-amando, o(s) seu(s) “alguém”, que é diferente dentro todos os outros amores mas de intensidade igual, ou não. E além de e (talvez) acima de todos esses, o que tanto se ouve falar, o amor próprio. Esse SIM é o Sol.

Você é seu Sol, que não deixa esse jardim cheio de flores de si mesma sucumbir. Que aquece e fortifica, que causa suas fotossínteses particulares espalhando o que consegue de melhor produzir aí dentro. Os outros? Bem, eles são brisa. O que pega o terreno de surpresa, que sacode suas pétalas de prazer e faz o agito, que espalha polens de alegria de pra lá e pra cá. É tão importante pro crescimento do jardim quanto o Sol, só não é – nunca – MAIS importante do que ele. E isso inclui o amar físico que, cá entre nós, é uma senhora brisa, ai que brisa de delícias!

¹ Tom Jobim. Wave. Wave. Santa Monica: A&M Records, 1967. Faixa 1.

''Todo Dia'', 26 de julho nos cinemas!

Meia vida atrás…

Em 17.07.2018   Arquivado em Escrevendo

Há exatos 14 anos, quando essa era a idade que eu tinha, entrei no meu painel de controle do Blogger Brasil para criar um site que eu vinha desejando há meses, que havia se tornado até meu sonho de adolescente: um template shop, o Expresso Rosa! Eu fazia templates no Paint, editava HTML num editor chamado Aracnophilia, animava Plakinhas que piscavam em cores e glitters, tinha midi players pras músicas que tocavam no fundo. A imagem do topo era Elle Woods, a própria Legalmente Loira, porque (né!) eu nem fazia ideia do que era direito autoral e do quanto usar aquela foto pra isso era errado. Era tudo rosa, rosa-rosa-mesmo, imagem, fonte, fundo, TUDO, e eu achava a coisa mais linda do mundo. Porque aquele projeto adolescente era meu primeiro passo no meu plano de me tornar webdesigner.

O nome Expresso Rosa nasceu um ano antes, quando eu e minha então melhor amiga Lud criamos um “jornalzinho particular”, que não passava de cartinhas com fofocas das nossas vida, para ficar enviando uma pra outra no intervalo das aulas. O título juntava nossa cor favorita com a coisa que a gente mais gostava na vida, obviamente Harry Potter. A ideia original foi dela, mas roubei o nome pra mim. Na verdade, peguei emprestado, e com o tempo me foi dado! Porque eu queria e ainda assim não sabia, e ela menos ainda, mas um ano mais tarde comprei meu domínio .com pra celebrar o primeiro “Parabéns” do meu trabalho nada remunerado. Passei a fazer as edições de imagem no Photoshop, a estudar mais sobre o assunto, prestei vestibular para Design Gráfico, passei e até fiz matrícula, apesar de nunca ter cursado por razões financeiras. Pois é, ele seguia seu “trilho”, e quando parecia que ia trilhar exatamente pra onde eu queria, ia pro lado improvável da bifurcação na qual o caminho se dividia.

14 anos de Expresso Rosa!

Quando entrei na faculdade, ele ficou abandonado. O Sweet Luly, hospedado ali dentro desde quase sempre, recebeu registros de todas essas etapas da minha vida, chegando aos 14 anos também 3 semanas atrás, mas o “ER” (cuja abreviação sempre amei por ser o título da minha série favorita), não. Eu tinha planos e desejos. Um portfólio, contendo todo e qualquer trabalho que eu ainda me aventurasse a fazer na área de design. Um local com tutoriais que iam ajudar pessoas a criar seu próprio blog, sua própria arte! Esses até chegaram a se realizar, no começo. Um produto de verdade… Ah, esse era o maior dos sonhos! Um dia eu queria vender alguma coisa FÍSICA, que tivesse na etiqueta aquele morango horroroso, porém muito querido, que eu criei pra ser minha logo. Bichos de pelúcias de personagens próprios (essa aí sonha alto…), itens de papelaria (sim, essa categoria eu já previa) como os que eu tanto amava gastar meu não muito rico dinheirinho, algo que eu vendesse na minha lojinha virtual, que transformasse meu hobby na nova fonte de renda que eu sempre quis que ele fosse, desde que vendi no máximo 2 ou 3 templates personalizados a 5 reais…

E não é que aconteceu?

O roteiro inicial vocês já conhecem, quiçá já passaram por ele: TCC, fim da faculdade, cola grau, “vai pro mundo”… DESEMPREGO! Tempo livre cercado de esperanças nunca concretizadas. Com o resto do meu material das aulas de encadernação, fim um caderno para dar de presente. Com os restos do jeans de uma calça desfiada, veio outro. Ah, finalmente saiu um bonito: ACHO QUE VOU POSTÁ-LO NO EXPRESSO ROSA! Um, dois, dez, cinquenta, SIM, o meu sonho impossível tinha tornado realidade, realizado pelas minhas próprias mãos. Claro, com muita ajuda, apoio e incentivo no processo, vindo de tantos lados que nem dá pra citar, mas ainda assim com o resultado final “assinado” por mim. Finalmente abri minha loja virtual, que ainda não é o ideal, mas existe, tá lá, é isso que tem que constar!

Leia também: Expresso Rosa Encadernações, um relato muito emocionado, e extremamente parecido com esse aqui em alguns pontos, de quando eu finalmente abri a loja!

14 anos de Expresso Rosa!

Bom, eu não me tornei Webdesigner. O Expresso Rosa também não é mais um site voltado pra essa área. Mudamos e crescemos juntos, sem saber que rumo tomar. Continuaremos vivendo essas metamorfoses, descobrindo lado a lado onde chegaremos ou quando vamos nos separar. Eu, particularmente, espero que nunca, que ainda existam 14 anos pra frente e muito mais, nem que precisemos de outras adaptações para a coisa continuar a encaixar. Sei lá!

Falta de inspiração e momentos de nostalgia…

Em 08.07.2018   Arquivado em Escrevendo

Nos últimos dias eu não tô com inspiração pra escrever nada. Na verdade nem tenho inspiração pra terminar o que já comecei a escrever! Tem um monte de rascunhos lindos por aqui, mas cada vez que eu abro um deles minha cabeça faz BUZZZZZZ como se tivesse uma colmeia aqui dentro. Sério, tem barulho e tudo, dá pra sentir até a tremedeira das abelhas imaginárias se debatendo dentro do meu crânio. Aí eu vou e fecho pra evitar a frustração, pra que forçar a barra numa coisa que não vai sair, né?

Só que, por mais que eu não ache saudável a gente ficar se cobrando pra coisas que não precisam ser feitas, principalmente tendo tantas outras obrigações pra ocupar essas cabeças preocupadas, esse blackout me deixa triste. Pô, rolou uma “festa de aniversário” tão bonita no dia que o blog completou 14 anos, isso não devia trazer um monte de novas ideias legais? Não era pra ficar frenética nesse teclado produzindo e me enchendo de alegria com essa produção? Pois é, falhou! E aí, fingindo pra mim mesma aceitar essa realidade mas na verdade com quilos de frustração nas costas, eu e Gil estávamos falando sobre nossas artes antigas e resolvi relembrar alguns dos templates passados que tive aqui, sabe, aqueles da época em que a gente usava imagens de artistas que gostava e texto rosa em cima da imagem rosa (ou qualquer outra cor que lhe convir) e acabei achando alguns entre 2007 e 2009…

Fiquei encantada! Podia ficar horas descrevendo tudo por aqui, mas acho que nesse momento mostrar vai ser mais eficiente!
Falta de inspiração e momentos de nostalgia...

Versão 14: Perpetual Infancy (Janeiro de 2007)

Falta de inspiração e momentos de nostalgia...

Versão 15: Could It Be (Fevereiro de 2007)

Falta de inspiração e momentos de nostalgia...

Versão 23: X-mas Time (Dezembro de 2007)

Minha cabeça viajou direto pro meu ano de vestibular quando, sabe-se lá como, eu conseguia trocar de template TODOS OS MESES! Logo no início, viciei em um dos longas do meu desenho animado favorito, Kim Possible, e fiz um usando uma fanart da Kim e do Ron como casal pra ilustrar, sem nem me preocupar que em algum lugar do mundo tinha um artista não recebendo crédito pelo trabalho que tinha feito. Quando foi chegando mais pro final, com a formatura, provas e expectativa da faculdade, diminuí o ritmo, ao mesmo tempo em que o estilo “belevelado” estourou na blogosfera à fora e eu, é claro, aderi com minhas já tão queridas “Meninas Malvadas”. Deu tanto orgulho fazer a roupa vermelha delas ficar rosa… Fiquei até triste que o clima de natal dure tão pouco…

Falta de inspiração e momentos de nostalgia...

Versão 27: You Should Be Dancing (Início de 2008)

Falta de inspiração e momentos de nostalgia...

Versão 26: Glam & Chammy (Início de 2008)

Falta de inspiração e momentos de nostalgia...

Versão 27: Tiny Dancer (2008)

Falta de inspiração e momentos de nostalgia...

Versão 28: With a Smile and a Song (Fim de 2008 ao início de 2009)

No ano seguinte, 2008, o blog foi um espelho do amadurecimento violento que o entrar na faculdade causou. Comecei de um jeito e terminei de outro COMPLETAMENTE diferente, mas sei lá, ainda consigo muito ver o “meu estilo” em todos eles. O que ficou mais tempo foi com a Reese Witherspoon e, pra ser bem sincera, é o que eu mais amei em toda essa longa era pré-Wordpress do “Sweet Luly”. Ele era tão-tão eu que hoje, dez anos depois, ainda consigo me ver ali. Na verdade hoje me vejo mais do que nunca…

Falta de inspiração e momentos de nostalgia...

Versão 29: Pitstop!! (Início de 2009)

Aí as coisas foram mudando. A maneira de ter um blog de todo mundo mudou… A minha também! Um pouco pela onda, mas muito por mim, mesmo. É aquele negócio, né, nós somos 50% índole e 50% meio, tudo interfere. E hoje eu fico pensando que, se tivesse levado adiante esse sonho adolescente de ser webdesigner, talvez eu teria gostado da profissão. Até poderia ter me dado bem nela, se as coisas fluíssem bem. Mas não mais. Nesse aspecto “plano de carreira” a mudança foi DEMAIS, não tem meeeesmo como voltar atrás. (Nem quero!)

Não sei onde cheguei com tudo isso, não sei onde queria chegar. Mas nesse momento de sensibilidade extrema com duplo Sol em Câncer (um no céu, outro no meu mapa astral) me permito não ter um propósito – tenho um texto semi pronto sobre esse aspecto astrológico, inclusive. Só queria registrar um pouquinho do que esse breve túnel do tempo causou em mim, aproveitando a onda de comemoração, sei lá! Nem tô sabendo como finalizar. Acho que vou aproveitar esse momento blogueira da antigas e fazer o jeito que fazia na época: Luv ya, bye!

Psiu! Prest’enção! Você sabia que tô fazendo um sorteio pra celebrar os 14 anos do Sweet Luly e do Expresso Rosa? Tá rolando lá no Instagram e você pode participar até dia 16 de julho! Além disso até o dia 17 usando o cupom SWEET14 você ganha 14% off no valor final da sua compra na minha loja virtual pra se jogar nos caderninhos – e ajudar uma blogueira desempregada!

Aula de Biologia

Em 12.06.2018   Arquivado em Escrevendo

Aula de Biologia

Os ponteiros do relógio que ficava pregado na parede sobre o quadro negro pareciam se mover com mais lentidão do que nunca. Sempre amei aulas de biologia, mas hoje a espera a tornava insuportável. Eu estava tão distraída com meu turbilhão de problemas que até me assustei quando o porteiro do colégio bateu na porta, devolvendo uma pilha de cartões de estudantes para que a gente pudesse passar adiante e, claro, apresentar novamente no dia seguinte. Peguei da mão dele, achei o meu e passei pra trás, no modo automático.

Ainda era possível ver a marca da picada causada pela amostra de sangue que eu havia tirado na véspera, e meu desespero quanto ao resultado do exame só aumentada cada vez que olhava para ela. Já tinha sido difícil achar um laboratório que aceitasse fazê-lo sem prescrição médica, que dirá que conseguisse entregar no mesmo dia. Não, eu estava fadada a viver aquelas 24 horas de angústia, tudo isso para não encarar o olhar de reprovação que a vendedora da farmácia sequer daria. Bem feito pra mim!

Nesse meio tempo, apenas um novo minuto ainda havia se passado…

Olhei para o pedacinho de folha de papel dobrado, ao lado do meu estojo. Seu bilhete dizia somente “Você está bem?”, mas eu não consegui responder. Não tinha como fazer isso de forma sincera, então melhor ignorar. Na minha cabeça já estava rodando novamente todo o meu texto ensaiado, as desculpas por não ter resistido ao novo estudante estrangeiro da sala, e que eu provavelmente teria que recitar, chorando, aos meus pais. Estava repassando pela terceira vez seguida quando ouvi alguém chamar meu nome, usando um tom de voz irritado.

E pensar que foi essa mesma professora de biologia que nos ensinou que a camisinha era indispensável… É, eu devia ter escutado!

Esse post foi inspirado na proposta #11 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 21º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

Do Jeito Que Elas Querem: 14 de Junho nos cinemas!

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