Categoria "Escrevendo"

Quando a chuva vem

Em 06.11.2018   Arquivado em Escrevendo

Quando a chuva vem

Quando o vento começa a ter cheiro, a gente sabe: vem chuva aí! Se tem roupa no varal, hora de tirar. Se a gata tá lá fora, hora de buscar (ela morre de medo)! Saio correndo e volto com a bichinha no colo, tremendo. Depois, já dentro do quarto, se enrosca na cama e fica olhando pra janela, com aquela carinha de terror e vontade de ter coragem de voltar pro quintal e brincar. Mas não pode, então fica aqui, esperando a hora de acabar…

Se o clima continua assim ao longo da tarde, sei que a noite vai ser boa, porque o aumento da umidade relativa no ar faz maravilhas no funcionamento das minhas vias respiratórias. Se permanece de madrugada, melhor ainda, além disso vai ter aquele barulhinho bom pra dormir. Quando fica muito forte, pode saber: vai ter pelo menos uma piscadinha na energia! Fiação antiga, qualquer balanço forte e já temos que tirar as velas da gaveta…

Sobre o durante? Meu jeito favorito de encarar a chuva é observá-la cair, ver gotas batendo no vidro e escorregando, indo mais rápido quando esbarram em outra que tá em baixo. Contar as pessoas que passam correndo na rua, casaco sobre a cabeça, pra chegar logo em seu destino e levar o mínimo possível de água em si no trajeto. Admirar as luzes distantes de um raio aqui e outro ali, numerando os segundos entre eles e o barulho do trovão que, às vezes, dá pra ouvir logo em seguida!

Esse post foi inspirado na proposta #49 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 23º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018, o que significa que não consegui, mas vou continuar fazendo mesmo assim, até ultrapassar esse número!

A Garota na Teia de Aranha: 8 de novembro nos cinemas

Me olho, me vejo: Dia Mundial de Combate ao Bullying

Em 20.10.2018   Arquivado em Escrevendo, Vídeos

Vinte de outubro é o Dia Mundial do Combate ao Bullying e sempre que essa palavra é mencionada alguém fala “Mas na minha época NÃO TINHA bullying!”. Será mesmo? Será que em meio a tantas zoações e apelidos entre amigos não teve aquela pessoa, provavelmente meio de fora, que sofreu algo mais forte, um trauma de verdade? Ah, teve sim, te garanto que teve!

Em 2005 eu criei a Campanha Anti-Bullying do Expresso Rosa, um selinho no meu então template shop (e hoje loja virtual) para começar a divulgar o significado dessa palavra que já estava se popularizando nas terras tupiniquins. Fiz isso porque o ano anterior tinha sido INFERNAL no colégio. Usando um apelido que eu pedi repetidas vezes para não ser usado, eles conseguiram me afetar de tantas formas que ali surgiram as primeiras crises de ansiedade fortes das várias que tive ao longo da minha vida. Mas sabe… Não é esse aspecto do bullying que viemos trabalhar aqui hoje. A Lenscope me convidou para falar dele sob o aspecto da SUPERAÇÃO, sobre aquilo que nos torna fortes!

Dia Mundial de Combate ao Bullying

Quando você para diante de um espelho, quem te olha de volta? A pessoa que você é ou quem as outras pessoas querem que você acredite ser? Citando Elton John e Fall Out Boy: “Você é o que você ama, não quem ama você” e eu completo: acima de tudo você não é quem NÃO TE AMA! É muito importante estar aberto aos pensamentos alheios sobre todas as coisa, até mesmo sobre sua pessoa, mas ninguém lá fora mora aí dentro, na sua cabeça… No fim, cabe a nós descobrir e conhecer a nós mesmos…

… E TODOS TEMOS DIREITO AO AMOR PRÓPRIO, acima de todos os amores! Quando adolescente eu acreditei ser burra, porque me fizeram acreditar nisso uma quantidade absurda vezes. Acreditei que quem estava ao meu redor jamais gostaria de mim com facilidade, que seria preciso um esforço muito grande da minha parte (e da delas) pra isso. Mas descobri que não é verdade! Que ser inteligente varia de cada um, e minha inteligência é tão boa quanto a de quem não conseguia enxergá-la. Descobri que o gostar da gente pode ou não acontecer, mas as vezes em que acontece importam MUITO MAIS! Agradar a todos? Nunca vai acontecer! Agradar a quem importa e a nós mesmos? Não é fácil, mas com certeza é engrandecedor! Por isso quando me olho, eu me vejo como a Luly que fui, sou, serei. Nunca mais quero me ver como quem me fez mal me viu um dia – não é fácil, mas perfeitamente possível!

O símbolo da campanha deles é um lacinho azul e branco, e não é à toa! Azul é a cor que normalmente já é associada ao bullying, e também do combate à depressão, uma das consequências comuns da prática. O branco, porém, vem por cima, pra mostrar que sua paz de espírito é ainda mais importante que qualquer outra coisa! A culpa de sofrer abuso, não importa de onde ele venha, não é da vítima: o culpado é SEMPRE e APENAS do agressor. Mas o que fazemos com o que sofremos, ah, aí reside toda a diferença! Procurando ajuda, indo um passinho de cada vez, a gente consegue… “Let it go”!

Se você conhece alguém que sofre qualquer tipo de intimidação, estenda a mão! Se conhece o intimidador, não seja isento nesse tipo de situação: denuncie, converse, aconselhe, ajude! A única maneira de uma prática nociva acabar, é ensinando aqueles que praticam a melhorar.

Visite o site da campanha https://lenscope.com.br/bullying para conhecer outras histórias de superação de bullying e poste a sua também, na #MeOlhoMeVejo!

Novos Rumos

Em 28.08.2018   Arquivado em Escrevendo

Novos Rumos

Olhei enquanto a gaveta do armário de arquivos abria e fechava lentamente, agora contando mais um papel com meu nome assinado em baixo. Ele tirou minha via de baixo do perfurador, que usava de peso para que o ventilador não fizesse todas as folhas voarem, e estendeu a mão para apertar a minha. Foi o que fiz, com um meio sorriso no rosto, demonstrando minha mistura interna de desespero e alívio. Quando fechei a porta ao sair, o vi jogando o papel carbono que usamos no lixo, sacudindo a cabeça como se não concordasse com o que havia acabado de acontecer.

Na portaria, o escriturário da sala ao lado fumava conversando displicente com o zelador do prédio. “Até segunda!”, eles gritaram, ao que respondi com um “Até!”, não queria explicar que não voltaria ali na próxima semana, e de preferência nunca mais.

A lâmpada principal da kit net estava queimada, o escuro parecia ser a calmaria que precisava pra fechar esse dia memorável.

Ondas de pânico me invadiram novamente. Talvez eu ficasse permanentemente sem luz se não tivesse dinheiro ara pagar as contas… Acendi o abajur e a máquina de escrever que ficava ao seu lado se iluminou imediatamente. Coloquei minha via do documento ali encaixada nele, como se tivesse acabado de redigi-la. Metaforicamente era o que eu havia feito: escrito a primeira das portas a serem abertas nesse processo insano de ir atrás do que queria de verdade. Pensei em correr pro computador e começar a colocar todos os meus planos em prática naquele momento mesmo (seria o mais prudente a se fazer) mas, por enquanto, pareceu muito melhor saborear essa mistura de sensações que o futuro sempre incerto trazia. Então me joguei na cama e perdida em pensamentos permaneci, até (algumas horas depois) o cansaço me fazer adormecer.

Esse post foi inspirado na proposta #11 do Creative Writing Prompts, que oferece mais de trezentas ideias legais para desenvolver sua escrita criativa. É o 22º entre os 25 que me propus a escrever até outubro de 2018.

Quando a meta é sair do lugar…

Em 25.08.2018   Arquivado em Escrevendo

Tenho me sentido um caranguejo. Nem me refiro ao meu Sol em Câncer fortíssimo, cada vez mais aguçado, não. É mais aquela de andar pros lados, sabe? Você caminha, caminha, caminha e, ainda assim, não sai do lugar… Não regride, é claro, mas também não consegue seguir em frente, crescer, avançar, fica só nessa mesmice não importa o quão diferente sejam as coisas. Argh! Seja qual for a meta que tento traçar ela fica sempre pro amanhã, porque o que realmente acontece é andar em círculos pra lá e pra cá, achando que um novo caminho apareceu, mas voltando lá pro começo assim que pego no ritmo. Sério, pra mim já chega. Agora a meta é sair do lugar!

Quando a meta é sair do lugar...

A gente tem o costume de ter aversão ao que muda, né? Mesmo quando tá lá, acontecendo, fica batendo na tecla passada que claramente não funciona. Por muito tempo fui assim. Insistia em chamar de melhor amiga aquela com quem não tinha mais muito a ver, afirmava que certo livro era o favorito por questão de costume, via amor eterno no que nasceu pra ser primeiro amor. Como se mutar fosse fracasso, sendo que é simplesmente normal. Agora pensando em retrocesso, essa foi a primeira mudança que abracei: a de ser alguém que aceita e visa mudar! Só que quando você tem a sorte e o privilégio de estudar o que quer, quando quer e sem pagar nada, é difícil abrir a viseira e admitir que não tá dando certo, sabe? Aí tô aqui, dando murro em ponta de faca naquilo que não é minha formação e que eu sequer quero. Ou pelo menos tava.

Nos últimos tempos uma luz se acendeu no meu cérebro e cá estou, juntando alguns sonhos antigos com outros novos e descobrindo como transformar ideias em caminhos. E mesmo que ande devagar, que ande! Foi um filme que eu (re)vi, numa tarde qualquer aí, onde a protagonista me fez sentir vontade de sê-la. Não de forma sonhadora e idealizada, mas sim sabendo que se eu a tivesse como inspiração, chegaria onde me parece gostoso chegar, desde que pra isso eu comece (já!) a me esforçar. É com a força de Katherine Watson que minha pequena grande meta se tornou essa: voltar a estudar. Pegar um tema que achei e gostei (vocês também vão gostar!), que tá dentro do que aprendi mas nem tanto, e transformar na minha obsessão, tagarelar sobre até babar, até todo mundo – menos eu – se cansar! Me apoiar em quem quiser ser apoio, claro, e escalar sozinha quando der. Talvez seja o pior momento pra isso, mas é também o pior momento pra TUDO, ai, se der errado, e daí? Errado já tá! Continuar esse passinho de caranguejo é que não vai dar.

É que na vida tudo tem a enorme possibilidade de “dar ruim”, mas se privar disso vai acabar abafando a possibilidade do “dar bom” também. Depois de anos perdida, em negação, desnorteada, hoje eu sei que preciso levantar a cabeça, mudar de ar, tentar. Porque não faço ideia de quem irei me tornar quando tudo acabar (será que algo um dia acaba?), mas sei que não quero ser jamais alguém que fica parada. Sou da área das artes, mas não tenho vocação para estátua. Quero é correr, pular, até pirar, ir tremendo de ansiedade e segurando pra não chorar. Quero dar a cara tapa e depois ver ela quebrar, pagar língua e também dar o que falar, me encher de razão e ter razão de me orgulhar.

Esse post faz parte do Dreamcatcher Project organizado no grupo d’A Corte Vermelha, cujo tema de Agosto é Pequenas grandes metas para a vida. Veja também os textos de outros participantes: Memorialices, Livros, Gatos, Café,, Amável Girassol, Literabujo, Pastel Escritor, BanshuuTV e Simplesmente Criativa.

O Amor é brisa (e você, Sol)!

Em 03.08.2018   Arquivado em Escrevendo

Um dia desses aí, num faz nem uma semana, a querida Luh Souza propôs reflexão através de uma frase do filme “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, que tanto ela quanto eu guardamos em cantinhos quentinhos desses corações tão cheios. “Uma mulher sem amor murcha como uma flor sem sol.” Entrei na conversa por lá, soltei o que tinha que soltar, mas essa frase continuou a me encasquetar – então é meio que meu momento de explorar as metáforas de jardinagem pra dessa aí discordar.

O Amor é brisa

O Fabuloso Destino de Amelie Poulain | Imagem via Conversando com a Lua

Pra começar, por que essa fala se refere tão diretamente à mulher, especificamente? Um homem também não vai murchar sem alguém para amá-lo? Por que somos sempre vistas e expostas como incompletas, semi plenas? Levando em consideração que a versão heteronormativa é sempre a que é esperada em um discurso, conclui-se que uma mulher sem um HOMEM é insuficiente. Mas isso não é verdade. A sociedade nos ensinou que sim, é claro, mas não é, não. Cara, a gente é suficiente pra caramba, tá?

Longe de mim criticar Amelie Poulain. Principalmente porque, quando o assunto é amor romântico, rever esse filme foi o empurrão que eu precisava pra correr atrás de experiências maravilhosas. Foi ele que me ensinou de vez que eu não tenho ossos de vidro, posso aguentar os baques da vida e que se deixar passar certas chances, com o tempo meu coração pode ficar seco e quebradiço como o esqueleto de Duyfael. Essa citação já me caiu como uma luva e faço questão de “presentear” as pessoas que também podem fazer bom uso dela. Mas, cá entre nós, a gente não precisa concordar 100% com todos os aspectos de uma obra, né? E quanto à flor sem Sol, é, tenho lá minhas ressalvas…

Veja bem, não estou e nunca irei me posicionar contra relacionamentos, ainda mais sendo uma pessoa extremamente romântica e sentimental: aquela que não “fica afim”, já se apaixona de vez (e haja dificuldade pra desapaixonar). Mas é engraçado, quando se diz que não é obrigatório que haja o envolvimento tem gente que já interpreta que tá praticamente proibindo, né? Pera lá, ninguém falou isso aqui! Um amorzinho, na verdade, é gostoso por demais! É incrível se ligar a alguém disposto a manter essa ligação também… Pode ser carinho, beijo, pode ser sexo, ser só hoje e também durar vários amanhãs, mas enquanto houver troca, eu não truco. Vale a pena ter, só que, independente do gênero, o deixar de ter não pode te invalidar.

Agora, e se a gente mudar o sentido da frase? Se for ampliar essa ideia de amor?

Aí a coisa já muda de figura, já passo a concordar. Se “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho”¹, que seja em todos os sentidos da palavra! Amar fraterno, a família, os parentes, aquele laço de sangue que nem sempre é a coisa mais importante do mundo, mas que pode ser, se for o caso. Amar amigo, alguém com quem você ESCOLHEU se enlaçar, que nesse momento cabe direitinho dentro da sua vida. Amar admirando, um ídolo que sequer conhece e quer bem mesmo assim, ou de forma empática, sentindo algo bom por aquele que sequer ama de verdade. E amar-amando, o(s) seu(s) “alguém”, que é diferente dentro todos os outros amores mas de intensidade igual, ou não. E além de e (talvez) acima de todos esses, o que tanto se ouve falar, o amor próprio. Esse SIM é o Sol.

Você é seu Sol, que não deixa esse jardim cheio de flores de si mesma sucumbir. Que aquece e fortifica, que causa suas fotossínteses particulares espalhando o que consegue de melhor produzir aí dentro. Os outros? Bem, eles são brisa. O que pega o terreno de surpresa, que sacode suas pétalas de prazer e faz o agito, que espalha polens de alegria de pra lá e pra cá. É tão importante pro crescimento do jardim quanto o Sol, só não é – nunca – MAIS importante do que ele. E isso inclui o amar físico que, cá entre nós, é uma senhora brisa, ai que brisa de delícias!

¹ Tom Jobim. Wave. Wave. Santa Monica: A&M Records, 1967. Faixa 1.

''Todo Dia'', 26 de julho nos cinemas!

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