Categoria "Conservação-Restauração"

Remember Universitário: Incipit Vita Nova

Em 04.04.2012   Arquivado em Conservação-Restauração

As férias eram compridas, não posso negar. Mas houve tanta coisa no processo que voou. As provas de 2ª etapa terminaram na primeira dezena de janeiro e dia 25 o resultado já tinha saído. Logo em seguida foi a matrícula e QUE CONFUSÃO!! Quase perdi o dia, tive que pular a faixa de isolamento porque tava faltando um xerox – mas eu tinha senha, eu podia – o desespero pela identidade (não) perdida e quando ouviu-se o “ufa” porque deu tudo certo eu e Daninha ainda tivemos que esperar uma hora sozinhas na beirada da mata da Federal. Uma aventura atrás da outra.
Um mês tinha se passado desde que o resultado saiu e eu me vi pegando o ônibus intitulado “UFMG” pela primeira vez na vida. Dia 25 de fevereiro eu e sabe-se Deus mais quantos mil calouros – literalmente – estávamos marchando lentamente em direção à Reitoria para conhecer os novos colegas e assistir palestras. Ou não. Eu só assisti palestras. Uma parte. Meu desânimo era EVIDENTE – mas quando cheguei em casa tentei sorrir, só sorrir!
O segundo dia: mais palestra. Quando chegou o terceiro, adivinha? Mas dessa vez era diferente, porque era palestra da EBA e eu conheci meus primeiros colegas de sala. E levei trote. E ganhei Coca Cola dos veteranos bonzinhos que não podiam me dar bebida, primeiro porque eu não bebo, mas principalmente porque eu tinha 17 anos e…

“VOCÊ TEM 17 ANOS????????”

É. Eu passei o primeiro semestre inteiro ouvindo isso. Eu era oficialmente a caçula da turma, a única que terminou o 1º semetre como menor de idade! Não que não tivessem pessoas da minha idade, mas a carinha de inocente e adolescente era evidente mais em mim do que em qualquer outro. Enquanto isso um estava na 2ª graduação, outro na terceira. Um tinha filha da minha idade e o outro, – há – , a filha estava prestes a se casar! E ao mesmo tempo que eu ia conhecendo os colegas as aulas iam chegando. Trabalho a mão só com seu nome em cima? Menina, em faculdade é formal, tem cabeçalho e é preferencialmente digitado. Procurar da Wikipedia?? PODE ESQUECER: aquilo não é fonte confiável para algo acadêmico. Pequena Luly, acorde: é hora de “Incipit Vita Nova”!!

“Incipit vita nuova: ‘Infunde vida nova’ (Divisa da Universidade Federal de Minas Gerais)” – fonte (adivinha??): Wikipedia

Eu comecei a chamar aquele momento da minha vida de “hell life”. Meus amigos do colégio vivendo momentos completamente alheios ao que eu estava vivendo. Já os familiares, ah, faça-me o favor, seus preconceituosinhos! Ninguém acreditava nuuunca no que minha vida tinha se transformado. Porque quem ia imaginar que o primeiro semestre de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis era daquele jeito? Ah, Luciana, você acha MESMO que esse curso é puxado assim? Chega de drama, você nem quer fazer esse curso…
Pois se é “vita nova” que seja de verdade. Demorou, mas eu aprendi a fazer uma bibliografia bem feita. Demorou, mas eu comecei a deixar a timidez e lado e passar a conversar com as pessoas. Demorou, mas eu aprendi a distinguir o que era certo e errado consultar. Demorou muito pouco, mas meus colegas aprenderam a me ajudar e eu aprendi a ser ajudada. Demorou MUITO, mas consegui aprender a não deixar as coisas pra última hora. E demorou… Mas as pessoas que “sobraram” daqueles 30 selecionados perceberam que uma hora eu ia deixar de ter 17 aninhos e que ia crescer, que ia virar adulta e que eles acompanhariam aquilo de perto, mais perto talvez do que qualquer um.
Eu ainda não sabia o que ia ser da minha vida. Nunca ia imaginar que 4 anos depois estaria aqui escrevendo isso. Do papai e da mamãe eu nunca pude reclamar: eles me apoiaram até quando pensei em desistir. Mas isso não aconteceu. Toda aquela pressão, os olhares tortos, a reprovação de quem SUPOSTAMENTE deveria me apoiar não conseguiu ser mais importante do que aquela coisa maravilhosa que estava acontecendo: eu estava me APAIXONANDO por aquela profissão que, sabe-se Deus como, tinha surgido na minha vida. Eu estava me apaixonando por limpar dinossauros com swab. Eu estava me apaixonando por fazer visitas técnicas em tudo quanto é museu de Belo Horizonte. Eu estava me apaixonando – e hoje sou completamente apaixonada – por algo que nunca pensei que chegaria a gostar, que era a restauração de papel. E eu estava me apaixonando pela resposta que tinha surgido na minha minha vida quando pensava naquela velha frase infantil “o que você vai ser quando crescer?”:

“Eu vou ser restauradora.”

Incipit Vita Nova

Esse post é o segundo de uma série de posts nostálgicos sobre meus 5 anos como universitária. Esses 5 anos acabam no fim de 2012 e só Deus sabe o que vai acontecer depois. Então vale a pena lembrar, porque é com o fim se aproximando que a gente lembra como era bom o início, como foi bom o trajeto!!
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Rapidinhas de Março

Em 31.03.2012   Arquivado em Conservação-Restauração, Cotidiano

Só eu que acho março um mês HORROROSO?? Vem logo depois de fevereiro que é lindo e passa rapidinho, e temos que esperar dolorosos 31 dias para chegar abril, tão querido abril com seus feriados.
O que tenho a dizer sobre meu mês foi que começou bonito, teve uma duração medonha de ruim e se fechou bem. Se formos fazer um balanço tá até bom, né??

Rapidinhas de Março

O motivo de ter começado tão lindamente, tãdã-dãdããããã… ESTÁGIO!! Yes!! Já é a terceira vez que começo um estágio desde que entrei na faculdade e esse é muito importante porque estou VOLTANDO pro APM, onde estagiei pela primeira vez. Foi lindo ir andando e vendo as pessoas que eu gosto falando “Você voltou!!” animadas. Esse primeiro mês foi difícil, início de projeto sempre dá problema, mas essa semana resolvemos muita coisa e a partir de 2ª feira agora o laboratório de restauração de lá voltará firme e forte tendo eu e a Marina, que trabalhou comigo no Cecor. É ótimo conhecer gente nova, mas melhor ainda ter as “velhas” pessoas queridas por perto. Tô TÃO feliz, eu me sinto tão bem naquele lugar, desde a 1ª vez que pisei lá para uma visita técnica, espero poder aproveitar muito os próximos meses, e quem sabe além??

Rapidinhas de Março

Falando em Marina, olha que coisa mais-linda-dessa-vida que ela fez pra mim… Um estojo de ferramentas que dá pra amarrar na cintura virando “cinto de utilidades do Batman”, e aí as ferramentas ficam à mão e a mesa de trabalho fica organizada!! Nós temos uma professora que usa o dela assim e é super prático, então ela tá fazendo pra vender, a idéia é incrível.
E o melhor foi o estojo em si, né?? Forro cor-de-rosa, cupcakes fooofos do lado de fora, fitinha de bolinhas e agulheiro em forma de coração. Muito amor puro transbordante, de quem mais poderia ser, tinha que ser MEU né?? Hahaha, esse aí tá mais pra “Cinto de utilidades da BATGIRL”!! Amei demais, ele não é liiindo??

Rapidinhas de Março

E aí que março eu fui de completamente ATOA pra muuito, muuuuuuito ocupada, porque além do estágio que será de 30h, as aulas também estão de volta. Por mais que eu esteja à beira da formatura, com o pezinho lá já, essa é a hora de fazer o que eu tinha deixado pra trás em nome das 20h semanais que separei pros meus estágios. E a mais importante delas a foto retrata fielmente: encadernação. Como vou me formar com o foco na restauração de papel essa é uma que eu já devia ter feito e não posso me formar sem. As aulas são beeem práticas, metódicas e puxadas, mas por ter feito todas as outras de papel eu não me perco em nada. Essa foto aí é da aula em que costuramos os cadernos fazendo uma encadernação tradicional francesa, eu refaria mais bem feitinho, mas a costura em si foi elogiada, então tá ótimo.

Rapidinhas de Março

Outra que eu estou amando fazer é também a única que me faltava no percurso de restauração de escultura – que foi minha 2ª escolha e que eu gosto de muitas coisas nele, apesar de que minha vida mesmo vai ser no papel. A disciplina chama “Prática de Restauração – Escultura” e o próprio nome já diz: são 4 horas seguidas debruçada em cima do castiçal que já venho restaurando nos últimos tempos e minha última chance de dexa-lo bem feito. Pra isso EPI não falta: até lupa de cabeça tô tendo que usar agora porque sem ela não vejo NADA do que estou fazendo.
Além disso pra ninguém reclamar, hehe, taí um momento “Luly Restauradora” pra vocês verem como minhas costas adoooram (cahã) essa profissão que terei em breve, tadinhas.

Rapidinhas de Março

Vamos falar de coisa boa agora, não que o resto foi ruim, mas ainda assim… Lá do lado do APM abriu recentemente essa casa de Milk Shake que é coisa de doido. O que me levou até lá foi o Frozen Yogurt, mas depois que entrei e vi que tinham 151 sabores de Milk Shake resolvi que vou provar um por semana, hahahaha. Esse da foto é de chocomenta e é um pedacinho de paraíso na Terra.

Rapidinhas de Março

Eis que hoje, último dia do mês, chego na Seven para assistir aula e o que encontro por lá?? “19 Anos Depois” na parede e na bancada da recepção. Fiquei toda empolgada e me deu vontade de sair distribuindo os panfletos pra todo mundo, haha. Não cheguei nesse grau de loucura, mas confesso que entreguei alguns para algumas pessoas – e tiiiive que fotografar essa coisa linda.

Rapidinhas de Março

Por fim, mas não menos importante, minha última e muito desejada aquisição: “Manual para Normalização de Publicações Técnico-Científicas”, da Júnia Lessa França. Eu sempre quis esse livro, mas como ele é sempre atualizado resolvi deixar pra compra-lo quando “chegasse a hora”. E se comprei significa que a hora chegou e, meus queridos, isso quer dizer uma coisa: TCC à vista!!
Felizmente depois de ter passado o mês inteiro tensa em relação à parte prática agora, na última semana, tudo se resolveu. Tenho obra pra restaurar, tenho orientadora e tenho também MUITO TRABALHO PELA FRENTE!! Mas sobre isso eu vou falando ao longo do ano, porque só acaba em dezembro…

Remember Universitário: Passei no vestibular, sou a Rainha do Pomar

Em 24.03.2012   Arquivado em Conservação-Restauração

Acho que sou a ÚNICA pessoa que lembra dessa propaganda da Laranja Santal da Parmalat em que eles diziam que virar o suco deles, para a laranja, era passar no vestibular e aí vinha essa música: “Passei no vestibular, sou a rainha do pomar (…) Bom é ser Laranja Santal-tal-tal!!”. Eu NUNCA ESQUECI ISSO! Ficou na minha cabeça até que entre o fim de 2007 e o início de 2008 eu tinha virado uma “humana Santal”: PASSEI NO VESTIBULAR! Aêêêê \o/
Passei em Design Gráfico! Passei na Fumec em 20º e na Uni em 2º no vestibular de vagas “sobrando”. Ganhei minha Lamy da minha madrinha (e da Livinha), tava toda alegre me sentindo futura-designer. Mas não passei na UEMG, que era meu sonho dourado de consumo. Fiquei abalada, olhando meu comprovante de matrícula da Fumec com peso no coração (e no bolso do papai). Eu tava feliz, ia estudar o que eu queria, mas teria que fazer meus pais, que desembolsaram uma pequena fortuna para me dar um Ensino Médio em escolas particulares – ainda que com bolsa -, pagassem pela minha educação de novo.

Aí veio o resultado da 1ª etapa da UFMG. O tal curso era Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis. Peraí, como é que é? Restauração de Móveis e Imóveis? NÃO! Calma, gente, vou falar de novo… Presta atenção: é Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis.
Aaaaaaaaaaaaaaaah… Mas de onde essa menina tirou isso mesmo?
Ah, sim. Do jornal que avisava que dois anos depois ela poderia mudar de curso e fazer o design que ela queria. Sim, POR ISSO. Não que o jornal tivesse isso escrito, mas saber que em 2010 a UFMG abriria uma turma de Design me fez querer entrar lá. E como uma luva me cai a inscrição num curso bem bacana que tinha aberto o edital depois dos outros. Era o plano ideal.
As provas de 2ª Etapa foram uma tortura. Saber que eu não precisava estar lá se tivesse passado na UEMG fazia com que eu me sentisse muito derrotada. Eu observava aquelas pessoas sentindo que estava roubando a vaga de uma delas. Eu escrevia o que sabia que era certo, porque sou arrogante o suficiente pra não falhar de propósito, mas no fundo eu sabia que queria que aquilo não fosse o suficiente pra encantar os avaliadores.
Mas foi. Eu nunca vou esquecer. Era 25 de janeiro de 2008. Dia do resultado. Aconteceu de manhã cedo e foi exatamente assim:

Mamãe, usando meu computador: “Luly, você ficou em 2º da Uni, agora temos que ver se vão chamar.”
Luly: *meio dormindo* “Tá…”
Mamãe: “Luly, qual o site do vestibular da UFMG?”
Luly: “co-pe-ve-ponto-U-F-M…”
Mamãe: “Entrou!!

Luly…
SAIU O RESULTADO!!”
*clique aqui para ver os aprovados blá-blá-blá*
*carregando* *falha* *F5* *carregando* *falha* *F5* *carregando* *falha* *F5*…
CARREGOU!!
Mamãe: “Luly…”
Luly, já de pé e olhando pra tela: =O

Meu nome estava lá. Em 15º lugar. A mamãe pegou o telefone e ligou pro papai, pra vovó, pras minhas tias, pros meus tios, pros amigos. Me mandou ligar pras minhas amigas que tinham passado. Pras outras amigas. Pro Gugui que deu um BERRO de alegria no telefone. E eu só pensei uma coisa: “QUE DROGA!!!”.
A Amiguinha foi lá em casa, rolou trote com batom LINDO, a gente riu até e depois saímos pra tomar sorvete. Meus primos tiveram a honra do trote também, com canetinha e tudo mais. Papai disse que me daria um presente. Mamãe me prometeu a Princesa Luciana. Todo mundo morrendo de alegria, querendo até fazer festa e churrasco. E eu só conseguia pensar: “QUE DROGA!!!”.

Não que eles não me deram a escolha. Eu pude escolher. Eles sentaram comigo e me garantiram que fariam de tudo que pudessem para que eu me formasse na Fumec, se quisesse. Mas eu via naqueles olharem o orgulhinho de ver a filha estudando na Federal, na Federal onde eles tinham estudado. Eu via o sonho de me ver lá que eles tinham desde que eu nasci se tornando realidade. Eu vi o sacrifício absurdo que eles não podiam fazer em nome daquela mensalidade que me daria o diploma, até então, “dos sonhos”. Eu vi a imagem de cada um dos meus professores e colegas do colégio me reencontrando em breve e me dando um “parabéns” alegre. Eu vi que aquilo que eu não queria, nunca quis, poderia ser bom pra mim. E aí eu fui pra UFMG. Eu escolhi estudar a tal Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis. Escolhi entrar pra o curso que eu gostava, mas não queria. Escolhi mudar pra design dois anos depois – ó, ilusão. Escolhi dar essa alegria pro papai e pra mamãe que tinham vivido 17 anos pra ME dar alegrias.
Aí eu esbocei um sorriso, entrei no MSN e escrevi na Mensagem Pessoal:
“Passei no vestibular, sou a rainha do pomar”.

Remember Universitário

Esse post é o primeiro de uma série de posts nostálgicos sobre meus 5 anos como universitária. Esses 5 anos acabam no fim de 2012 e só Deus sabe o que vai acontecer depois. Então vale a pena lembrar, porque é com o fim se aproximando que a gente lembra como era bom o início, como foi bom o trajeto!!
Todos os posts aqui.

Conservação e Restauração no Globo Universidade

Em 21.01.2012   Arquivado em Conservação-Restauração

Agora vamos voltar um pouco no tempo, no fim de dezembro, quando eu estava impossibilitada de cuidar desse pobre blog por falta de internet, falta essa que acabou hoje…
O programa Globo Universidade “passeia” dentro e fora do país mostrando os mais diversos, diferentes e interessantes cursos e centros universitários para seus telespectadores, dentro do conjunto de programas “Globo Cidadania”… E no dia 24 de dezembro, véspera de natal, foi exibido o programa sobre o curso de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da UFMG!! *proud student*

Foram dias de filmagem com mais de um mês de antecedência, e-mails recebidos, alerta e balanceamento para que não interferisse realmente nas aulas. Duas semanas antes eu recebi um e-mail de uma das professoras contando que o último dia que gravação seria na nossa aula de “Vivência Profissional”, de papel. Cheguei CEDO-CEDO porque não pude ir no dia anterior preparar tudo e era dia de mostrar pra TV como funciona uma MOP, gente!! Tudo pronto, a moça começava a gravar e a gente de “plano de fundo”. E a moça tinha que gravar de novo e a gente de plano de fundo. E deu errado, então ela vai gravar de novo com a gente de plano de fundo!! Não lembro quantas vezes foram, mas foi o mesmo movimento, repetindo várias vezes.
E aí chega a hora da entrevista. Marina não queria falar, a moça queria que ela falasse, Marina falou primeiro e trocou de lugar comigo pra que eu pudesse falar… E aí eu falei. Eu ensaiei a resposta várias vezes e, opa, ela me fez outra pergunta. Pronto, engasguei. Aí para tudo, Luciana, faz de conta que isso é um diálogo, vamos mais uma vez. Aí deu. Acabou… Lá foi a câmera para outra entrevista, eu “livre”.

Dia 24 parecia que eu tinha ganhado o Oscar. A primeira ligação veio assim que o programa acabou de gente que eu nem imaginava que ia assistir. As mensagens começaram antes, durante o programa… Os segundinhos que eu tava lá falando fizeram a vovó ficar toda risonha e orgulhosa de mim a noite de natal toda! Vimos na Globo, vimos na internet, vimos no Globo News, e todo mundo ligava. Mas eu, eu mesma, tava feliz em ver as OUTRAS pessoas, ver colegas queridos falando tão bonitinhos. E principalmente porque a matéria ficou ótima (nem deu pra notar minha falta de maquiagem, gente!!) e agora mais pessoas pelo país afora sabem o que fazemos todo dia, toda hora, naquele curso que eu amo.
E pra quem quiser assistir a reportagem na íntegra é só ir no site, através desse link: http://redeglobo.globo.com/globouniversidade/videos/t/edicoes/v/restauracao-e-conservacao-integra/1736694/

E quando chegar na parte final, podem ver que LINDA tá a dona desse blog que vos escreve (cahã) de jaleco e óculos de proteção gigantão!! hahahaha


Imagem tirada do site

Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis

Em 12.04.2011   Arquivado em Conservação-Restauração

Sempre que alguém me pergunta “Você faz faculdade de que?” eu respiro beeeeeem fundo, dou um sorrisinho e digo, de uma vez só: “Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis”. E a resposta é quase sempre “O que é isso?”. Mas pra mim é tão óbvio… Porque o nome do curso é tão auto-explicativo, não deixa sombra de dúvidas. Isso é aprender a conservar e restaurar bens culturais móveis, oras!!
Eu poderia vir aqui e fazer um discursos sobre como sempre quis isso pra minha vida, que nasci pra esse curso e que é a realização do meu maior sonho. Mas seria uma mentira deslavada. Quando fiz vestibular, na verdade, eu estava tentando Design Gráfico, e cheguei a passar em todas as faculdades particulares que tentei. Mas na UEMG, que era a única pública, eu não passei. Mas também, minha gente, 30 candidatos por vaga não é mole. Mas enfim, foco. Na época do vestibular eu não tinha feito inscrição pra UFMG, pois não tinha meu curso. Foi quando minha professora de química do colégio veio me falar que lá abririam vááááários novos cursos num futuro próximo, design entre eles. E que tinha sido aberto um novo edital pra mais nova graduação deles, de Restauração, que antes era pós. E ela me indicou que seria uma boa eu tentar.
E aí, meio sem querer, eu tentei. E SUPER sem querer eu passei!! Achei sacanagem obrigar meus pais a pagarem faculdade e fui fundo, achando que de duas uma: ou largaria pra tentar Design Gráfico mesmo, ou mudaria de curso quando o da UFMG de Design “surgisse”. Mas os planos deram errado porque ao longo do tempo eu me apaixonei por essa profissão maravilhosa que apareceu assim na minha vida!

Eu sempre gostei de arte, isso não tem como negar. E admirava sempre que via uma obra qualquer em restauração, mas nunca passou na minha cabeça como aquilo funcionava. Só depois que passei no vestibular, muito a contra-gosto, passei a pesquisar sobre isso e posso dizer para vocês que é maravilhoso, mas não é simples como parece. Ninguém tá ali pra pintar santinho que tá “feinho”. É uma prática altamente interdisciplinar que envolve muito estudo em história da arte, iconografia e símbolos, química, biologia, ética, conceitos “específicos” e, claro, técnica. É pensar sempre lembrando como cada caso é um caso, tentar fazer o melhor no processo de restauração para que ele não se torne um processo de “falsificação”, saber quando preservar, conservar e restaurar. E acreditem em mim: tem muita diferença entre esses três verbos.
A gente vê entrevistas com restauradores diariamente na televisão, ainda mais aqui em Minas Gerais, e sempre mostra a profissão com um lado meio “glamuroso”. Se as pessoas vissem como é na real iam assustar, esse lado que é mostrado não existe.

A minha turma foi a 1ª de graduação na área do país e esse é nosso último ano… Ou pelo menos era, porque muitos dos meus colegas vão continuar estudando para poder seguir nosso foco e ainda pegar um pouquinho de cada um dos “percursos” que a UFMG oferece: Pintura, Escultura em Madeira, Papel e Conservação Preventiva. Eu mesma só vou formar no que vem, com muito orgulho do que faço e tendo que enfrentar MUITO preconceito tanto com desconhecidos como de gente da minha própria família. Foi duro ser a 1ª turma, a “Turma Teste”, e pra mim mais ainda porque só tinha 17 anos numa turma de gente mais velha do que eu, tive que mostrar na marra que não tava ali pra brincadeira, assim como todos nós tivemos que provar que não somos um bando de reclamões e que queremos formar direitinho. E depois de todas as melhoras posso dizer que o curso tá cada vez mais incrível.
E a minha escolha é o papel. Quando entrei sempre pensava que faria pintura e escultura, mas logo no 2º período queria restaurar papel. E essa vontade cresceu quando fiquei um ano fazendo estágio no Arquivo Público Mineiro e vi que é naquilo mesmo que mora meu coração. E se Deus quiser ano que vem vou voltar aqui no blog para contar pra vocês como foi minha defesa de TCC e depois dos rumos que vou tomar em diante. E se vocês quer ser restaurador, vaí aí minha dica: estuda muuuuuuuito porque a gente tem que aguentar uns probleminhas e problemões, mas vale a pena. E quem sabe não viramos coleguinhas de profissão??

conrestbencultmo

Alguns momentos marcantes dos últimos anos.. 1) Amiguinha me passando trote quando saiu o resultado da 2ª Etapa; 2) o dia em que limpamos ossos no MHNJB; 3) a viagem mais cansativa do curso; 4) Vi e eu – de azul – no APM preparando banho de documentos (isso existe, gente!!).

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