Posts de November de 2016

Exposição (des) necessária para um momento de reflexão

Em 30.11.2016   Arquivado em Feminismo

Abra suas mãos agora e olhe para os seus dedinhos por um segundo. Se eu fizer o mesmo daqui de casa, agora aos meus 26 anos, consigo contar cada garoto que já beijei na minha vida sem nem preencher todos eles. Já rolaram várias brincadeiras entre meus amigos por eu ser seletiva e “difícil”, mas no fundo todo mundo sabe o motivo: eu só me envolvo com um cara se e quando REALMENTE quero, simplesmente nunca consegui (pelo menos até hoje) “ficar por ficar” com ninguém, em todos os casos teve o mínimo de sentimento e o máximo de vontade envolvida. Nem preciso dizer então que para eu dormir com alguém a “seleção” foi ainda mais “rígida”, só aconteceu quando eu soube que nunca ia me arrepender daquilo e que estava com a pessoa mais legal do planeta… Mas isso não vem ao caso porque sequer é o tema desse “textão” da vez, nosso momento de reflexão é sobre o aborto e tá só começando.

Eu não bebo bebidas alcoólicas porque não gosto, as raras vezes que fiz isso foi para saber que gosto tinha (achei tudo ruim!) e para brindar a formatura de alguém, um golinho e já passei o copo adiante. Não fumo e não uso outros tipos de droga, nem experimentei. NUNCA cedi à pressão social de amigos ou colegas para fazer qualquer coisa, nem quando era adolescente, nem quando estava desesperada pra ter os amigos que eu não tinha, nem quando riam de mim porque eu era muito careta (ou qualquer expressão que usaram, porque só gente careta como eu usa a expressão “careta”). Festinhas e baladas? Dá pra contar nos dedos também, sem precisar apelar pros dedos dos pés. Em resumo, eu pareço ser o que os padrões esdrúxulos da nossa sociedade adora enquadrar no perfil de “boa moça”, não escondo e muito menos me orgulho disso. Antes que vocês pensem que tô contando isso tudo porque discordo de quem leva a vida diferente de mim já aviso que muito pelo contrário! Na minha opinião as pessoas devem fazer o que elas quiserem, na hora que quiserem e com quem quiserem, a menos, é claro, que não seja consensual ou que magoe terceiros. Pra mim eu não sou melhor e nem pior do que a menina do “eu escolhi esperar” e nem da que pega mais de uma pessoa por vez e de uma vez, não sou melhor e nem pior do que quem passa o fim de semana na igreja ou no bar. Nós somos todas iguais em nossas diferenças, no fim das contas, e merecemos igual respeito. Com o tempo eu parei de me arrepender das coisas que não fiz e menos ainda das que fiz, todos têm o direito de se sentir assim também. (Apesar de que arrependimento a gente não controla, às vezes rola, fazer o que?)

Escrevi toda essa exposição desnecessária sobre mim para provar que é possível ser a pessoa que eu sou por completo, para já desestruturar qualquer argumento ofensivo contra a minha pessoa, argumento esse que sequer deveria existir mesmo se eu fosse o oposto do que sou. Pra mostrar que sou feminista mesmo que não me enquadre nos perfis “dá pra qualquer um” e/ou “sofre com falta de rola” (aliás, machistinhas, me expliquem como é possível ser os dois ao mesmo tempo porque ainda não entendi). E acompanhando cada vez mais as pautas do movimento eu dou de cara com uma das mais “polêmicas”: a legalização do aborto. Por muito tempo eu fui contra, mas graças às maravilhas que a reflexão trazem na nossa vida hoje sou a favor. Desde novinha eu tenho vontade de ser mãe, apesar de que hoje em dia sei que isso só vai acontecer se eu tiver condições, financeiras mesmo, de fazer isso exatamente como eu quero fazer, então não sei se vai rolar. Por outro lado eu jamais abortaria uma criança se engravidasse em situações normais, mesmo que em um momento indesejado. NUNCA tive qualquer relação sexual sem estar tomando pílula e usando camisinha ao mesmo tempo, mas sei que isso não tornaria uma gravidez algo 100% impossível. Sei que se tivesse algo de errado com a pizza que comi em um certo dia eu poderia ter passado mal e, pronto, o remédio podia nem estar mais no meu organismo, sei que o látex milagroso quase imperceptível do que preservativos são feitos não é completamente incorruptível. Sei que estou correndo um risco e que todos nós estamos, mesmo que a maioria de nós não conte com isso. Sei também que não faz sentido nenhum obrigar a sociedade a viver um voto de castidade geral a menos que seja para reprodução porque, como eu disse acima, a gente tem que fazer o que quer mesmo dessa vida, estar feliz sempre vale a pena. E eu sei que se alguma coisa der errado no meio do caminho terei que encarar as consequências.

Acima de tudo, porém, eu sei que nenhuma pessoa no mundo é igual a mim ou tem a vida exatamente igual à minha. Nem todo mundo tem os mesmos desejos e vontades que eu, as mesmas limitações e liberdades, as mesmas condições e o mesmo pensamento. Sei que ninguém acorda falando “Ai, que dia lindo, acho que vou ali dar uma engravidada pra fazer uma abortinho depois!”, mas que muita gente não tem outro pensamento que não “Puta que pariu, não posso MESMO ter um filho, e agora?”. E o “não posso” depende da pessoa, viu? Pode ser um poder financeiro, físico, mental, estrutural, sentimental, tantos tipos de não poder que nem sequer consigo citar todos. E quem sou eu para julgar isso? E quem é você para julgar isso? E quem somos nós para definir o que essa pessoa pode ou não fazer, no fim das contas? Para definir se ela está sendo egoísta? Para definir que ela deve ir contra o que os outros acreditam, e não ela mesma? O que nós sabemos da vida de cada um para definir o que é certo ou não para aquela pessoa?

Por outro lado existem várias coisas que nós sabemos! Sabemos que um terço dos brasileiros culpam a vítima por estupros sofridos, o que mata o argumento de que “aborto é permitido em caso de estupro”, já que muitos sequer acreditam que a mulher tá falando a verdade quando faz a denúncia (isso quando consegue ter coragem denunciar, porque encarar toda a sociedade depois não é fácil, não). Sabemos que as pessoas inclusive continuam achando que saias curtas, bebidas, estar solteira, andar na rua sozinha e ser “fácil” são possíveis causas do estupro, quando na verdade a ÚNICA E EXCLUSIVA CAUSA são os estupradores. Sabemos que, apesar de serem muito eficientes e do fato de que devemos SEMPRE usá-los, não existe método anticoncepcional 100% seguro. Sabemos que sendo legalizado ou não as pessoas abortam de qualquer forma, mas como a maioria não tem condições financeiras para fazer isso acontece um milhão de práticas irregulares por ano, deixando essas mulheres à mercê da morte e da justiça (inclusive: leiam esse artigo, por favor). E O MAIS IMPORTANTE DE TUDO: sabemos que a legalização não torna a prática uma obrigação, muito pelo contrário… Ela gera não só segurança, mas também reflexão e pode acabar aumentando a taxa de desistência a partir disso! Sabemos também que estar segura, protegida e livre de olhares tortos muitas vezes é só o que uma pessoa precisa num momento tão difícil, e eu não tenho como provar essa última, mas por experiência própria sei que se colocar no lugar do outro, ter empatia pelo próximo, pode aumentar horizontes e diminuir julgamentos. Eu não me enquadro no perfil que as pessoas imbecis tanto acham que os defensores da legalização têm e cá estou, mesmo porque felizmente o mundo não gira em torno de mim. E você, já tentou abrir sua mente e refletir sobre isso hoje?

Reflexões Sobre Aborto
Foto do Sacred Feminism

Links da Semana #06

Em 28.11.2016   Arquivado em Blog

Sabe o que a gente faz quando tá doida pra publicar algo e não sabe o que escrever? EXATAMENTE, recomenda que a galera leia as coisas que outra pessoa escreveu, e aí assim que nasceu a necessidade desse belo post com o que eu mais gostei nas internets da vida entre 20 e 27 de novembro!

Links da Semana

Destaque do Mês – Luly Lage, por Pullip: Só que o primeiro deles foi escrito mais ou menos por mim sim! Eu (e minha familinha de bonecas, claro) fui chamada pra ser destaque do mês de novembro lá no Pullip.com.br! Foi uma experiência super legal pra mim porque 01) o site faz parte da minha história de colecionadora desde sempre, 02) tem MUITA gente que admiro que foi destaque nos meses anteriores e 03) simplesmente adorei o resultado final da entrevista. Corram lá pra ler também!

Um breve resumo da história da fotografia, por Lizpector: Eu fiz aula de fotografia na faculdade (mais de uma disciplina, na verdade), então foi mega gostoso ler esse post da Liz e ficar relembrando o início quando a gente estudava a história e tudo mais… Pra quem quiser saber um pouco sobre, recomendo!

Resenha: Por Lugares Incríveis, por Entre Ver e Viver: Lembra quando contei AQUI e AQUI sobre esse livro, que foi um dos meus favoritos de 2015? Pois bem, agora a Cah fez isso também, e se tem coisa boa nessa vida é ouvir/ler alguém falando bem de algo que a gente ama, não é não?

My review of OMGYES, the website trying to close the orgasm gap, por Cathy Reisenwitz: Pois bem, sei que não é muito comum eu falar de sexo por aqui, mas essa foi minha descoberta da semana, não tinha como não compartilhar. O post é uma resenha (em inglês) de um site (em várias línguas) chamado OMGYES, que tem como objetivo ajudar as mulheres a terem cada vez orgasmos melhores e mais liberdade sexual. Eu assisti à prévia por lá e fiquei com muita vontade de comprar a temporada completa, sério, só ver mais porque parece ser absolutamente genial… Ele é explícito, com relatos reais e sem tabus, que é algo RARÍSSIMO de se encontrar por aí quando se trata da sexualidade feminina, recomendo a todas que dêem uma passadinha quando puder pra ver!

Tag: Meus 7 Posts

Em 22.11.2016   Arquivado em Memes e Tags

Eu não tava muito na vibe pra tags esses dias, li várias legais em vários blogs e nenhuma me “apetecia”, mas quando vi essa no De Cara com a Juh (post aqui!) e vivi o clássico momento de pensar o que responder enquanto lia as respostas dela achei muito delícia então ‘bora cavucar nesses 12 anos de blog com quase mil posts! (In fact praticamente todos são desse ano mesmo, mas foi minha melhor época produzindo pra cá, gente, fazer o que?)

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01) O post mais bonito: Definitivamente foi o “A história que nunca irei escrever”! Na verdade quando ele nasceu eu sequer pretendia publicá-lo (claramente, pelo título), mas uns poucos meses se passaram e decidi que amava ele demais pra guardar só pra mim… Acho que é por isso que ficou tão bom, foi despretensioso, quase nem era pra existir, então escrevi tudo o que vinha na cabeça sem censura. Deu certo!

02) O post mais popular: Direto do ano de 2009 e recebendo visitas diárias desde então, temos o querido “Preto Azulado – 2.1 Luminous”! Essa foi a MELHOR TINTA DE CABELO QUE JÁ USEI NA VIDA e acho que nem existe mais, mas tanta gente lê o danado que dei uma atualizada outro dia pra ficar melhor e mais informativo!

03) O post que gerou mais discussão/controvérsia: Não tem como falar de feminismo nas internets sem gerar alguma discussão, né? Confesso que aqui no blog contar “Quando eu me descobri feminista…” teve um resultado até mais positivo que eu esperava (“a-woman”!), mas na página do vídeo no YouTube tive que deletar comentário de “machorão” que veio com 50 merdas nas mãos! Eu até aceito crítica e tals, mas quando a ofensa é exagerada não sou obrigada, né?

04) O post que ajudou/ajuda muita gente: Não foi MUITA GENTE, não, mas ajudou pessoas importantes pra mim e é sobre algo que fiz que foi muito “auto-ajuda” também, então citarei o “Uma cintura que mostrou várias coisas…”, que inclusive foi ao ar coincidentemente num dia meio triste pras mulheres no processo político pelo qual nosso país passou esse ano, então fez ainda mais sentido!

05) O post no qual o sucesso te surpreendeu: O último “Lookbook: Miss Daisy”! Acho que ele até merece o sucesso porque eu gostei de tudo ali, mas ainda assim não pensei que a resposta seria tão positiva desde a criação do mesmo, quando tirei uma das fotos de mim mesma que mais gostei na vida, até os comentários lindos que vocês deixaram, fez com que eu me sentisse super bem comigo mesma fisicamente!

06) O post que não recebeu a atenção que deveria: É injusto falar isso do coitadinho porque ele só tem alguns dias de vida, mas meu post sobre manifestações (vulgo “O heroico brado retumbante”) me deixou muito orgulhosa porque falei o que queria sobre um assunto que muitos evitam, mas não deveriam: política, mesmo que indiretamente. Eu tomei muito cuidado com ele, revisei bastante, procurei “leitor beta” e tudo o que era necessário pra ter certeza de que não ia falar nenhuma besteira, então por mim roubava o lugar do mais lido rápido assim, hahaha!

07) O post que você tem mais orgulho: Para não repetir a respostas #01 vou falar de outro que amo, “5 lições para aprender com meu filme favorito”, que fiz como uma homenagem ao 20º aniversário de “O Corcunda de Notre Dame”, da Disney. Nele eu dei uma problematizadinha em alguns fatores que fui percebendo ao longo da história e ficou bem legal, modéstia à parte vale a pena ler!

Vou indicar 7 bonitas pra responder agora porque deu vontade… Poly, Renatinha, Clay, Bela, Beca, Grazi e Kimby!

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Em 18.11.2016   Arquivado em Filmes, Harry Potter, Vídeos

É claro, óbvio e evidente que eu não ia deixar de escrever sobre o resultado da experiência maravilhosa pela qual esperamos por três anos de assistir o vulgo *Harry Potter e os Bicho* por aqui… A pré estréia de Animais Fantásticos e Onde Habitam aconteceu aqui no Brasil na virada do dia 16 para o dia 17 e entre as 19h de um e 3h do outro eu assisti ao filme duas vezes seguidas… Estou ENCANTADA! Gravei dois vídeos sobre ele, um sem spoilers e outro com, e agora deixo aqui também meu registro em forma de texto desse acontecimento tão especial na vida de todos os fãs da obra de J.K. Rowling!

Animais Fantásticos e Onde Habitam, via Filmow

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts And Where To Find Them) *****
Elenco: Eddie Redmayne, Katherine Waterston, Dan Fogler, Alison Sudol, Colin Farrell, Ezra Miller, Carmen Ejogo, Jon Voight, Ron Perlman, Samantha Morton
Direção: David Yates
Gênero: Fantasia
Duração: 127 min
Ano: 2016
Classificação: 12 anos
Sinopse: “O excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York com sua maleta, um objeto mágico onde ele carrega uma coleção de fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte americana que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam saindo da sua maleta.” (fonte – sinopse e pôster)

Comentários: Absolutamente GENIAL! Eu sei que sou suspeita, sei que sou fã, mas também sei que não tem como não dar todo o crédito que essa obra merece! Estou cavando minha própria cova aqui nesse momento e dizendo com toda certeza que, como filme, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” é melhor do que a série Harry Potter! Rowling conseguiu brilhantemente preservar a essência do livro didático de mesmo nome enquanto apresenta seu seu autor, o MAGNÍFICO Newt Scamander, e tudo isso no fundo é uma grande desculpa para contar a história de personagens e acontecimentos já conhecidos pelos seus fãs, que nós vamos acompanhar avidamente até essa série acabar ao final dos cinco filmes.

Newt é um “herói”, por falta de uma palavra melhor, completamente diferente do que estamos acostumados. Tímido e introvertido, sem jeito nenhum para lidar com seres humanos, ele se transforma COMPLETAMENTE quando está ao lado das criaturas mágicas que cria dentro de sua maleta encantada, dá pra ver claramente o quanto ele ama cada um deles e se dedica em mostrar para todos os motivos desse amor. E é por causa de uma das criaturas que esse britânico vai parar em Nova York durante a década de 20, onde um encontro com o divertido não-maj (maneira americana de se referir a um “trouxa”) Jacob e a auror Tina (e, consequentemente, sua adorável irmã Queenie) mudam completamente o rumo dessa viagem, feita numa hora que não podia ser menos oportuna. A cidade está sendo tomada por ataques que despertam o sentimento anti-bruxo em um grupo sensacionalista liderado pela opressiva mãe de Creedence, um garoto que claramente tem problemas psicológicos fortíssimos. Ainda no núcleo principal, estudando esses ataques e com suspeitas fortes do que supostamente está por trás daquilo temos o chefe da segurança da MACUSA – Congresso Mágico dos Estados Unidos da América, Percival Graves. O humor fica por conta da chance que temos de conhecer VÁRIOS dos protegidos de Newt, alguns que já citados nos livros de Harry Potter, como os muito fofos Tronquilhos e Pelúcio, outros estão no livro AFEOH, além de outros que serão de extrema relevância na história, como o Thunderbird, que é inclusive o símbolo de uma das Casas da escola de magia americana, Ilvermorny. Somos também apresentados a forças mágicas – muito sinistras – nunca antes vistas, que dão um toque sombrio ao enredo. Isso tudo retratado em torno da melhor parte de tudo que é FINALMENTE ver a dinâmica maravilhosa da vida de um bruxo adulto, que pode aparatar quando bem entender e usar todos os feitiços do mundo, o que causa uma nostalgia enorme já que os dois primeiros a serem executados são justamente velhos familiares vistos em “A Pedra Filosofal”. As lembranças dos filmes “anteriores” são intensificadas também pela trilha sonora, que mistura as notas clássicas antigas com outras novas e músicas tipicamente americanas da década retratada.

O elenco é MARAVILHOSO, com uma única exceção que, felizmente, não conseguiu atrapalhar a história (ainda). Eddie Redmayne e Scamander parecem ter sido feitos um para o outro, definitivamente foi meu personagem favorito, e olha que estava difícil escolher um só dentro do quarteto protagonista mais carismático que já vi. Toda a parte técnica é impecável, a versão 3D/IMAX tem efeitos de encantar qualquer um que gosta desse tipo de mídia sem ser o principal, o roteiro se sustenta lindamente sem isso mas também compensa o ingresso mais caro, se for o caso. A maleta do Newt é incrível, não só por causa das criaturas mas também pelo ambiente em si, dá pra perceber que eles estão em um local fechado e até meio improvisado, porém com simulações dos mais diversos ecossistemas tão bem feitos que só magia mesmo poderia proporcionar algo igual, e é ela mesma que proporciona. Essa cena é a MELHOR DE TODAS, dá vontade que não acabe nunca, que seja infinita. Outro momento super impactante é o grande clímax final da história, sobre o qual não dá pra falar nada porque precisa ser visto, eu sinceramente não esperava por aquilo.

Minha única decepção, tirando o ator queridinho das pessoas que INFELIZMENTE foi confirmado na série, foi a presidenta da MACUSA, Seraphina Picquery. Pelos trailers achei que ela seria uma imagem feminina MUITO forte, uma vez que estar em um cargo alto assim na época sendo mulher e negra é algo a se levar muito em conta, mas não aconteceu. Ao mesmo tempo não foi necessário porque Tina e Queenie deram conta do recado, elas são super fortes e à frente do seu tempo de maneiras diferentes e relevantes, dá vontade de ser uma mistura das duas! Enfim, vale a pena para quem já gosta desse universo, porque é claramente o público alvo, mas é bom o suficiente para encantar até quem não gosta. E agora vamos esperar os próximos porque tem MUITA coisa para se descobrir ainda: será que veremos outras escolas de magia? Ainda temos a segregação total com os não-majs nos EUA? Até que ponto as forças que conhecemos agora estavam presentes em personagens antigos? E o que aconteceu com personagens que supostamente estão “fora da história”? Continuaremos vendo Newt e seus “bichinhos”? Só o tempo vai nos mostrar, enquanto isso ‘bora teorizar e especular!

Vídeo SEM spoilers: A versão com spoilers tá AQUI, OH!

Mas… Você brinca de boneca?

Em 15.11.2016   Arquivado em Dolls

Quando eu era criança passava uma parte muito significativa do meu tempo brincando de Barbie, era minha atividade favorita na vida sem sombra de dúvidas, e isso se estendeu pelo início da adolescência também, na fase clássica de ter vergonha de admitir isso pras minhas amigas. “Essa vai ser sua última boneca, Lulu!” foi uma frase que minha mãe me disse várias vezes nesse período, porque ao mesmo tempo que ela tinha medo de que eu continuasse muito “infantil” não queria me poupar do que eu mais gostava quando pudesse, e não poupou. Mesmo depois que eu cresci e parei de realmente brincar, ou seja, sentar no chão e criar histórias com elas, isso continuou sendo recorrente, até meu presente por ter passado no vestibular foi uma Barbie, a “Princesa Luciana”, porque tinha meu nome e tudo mais. Pouco tempo depois eu comecei a colecionar Pullips e similares e isso qualquer um que me conhece um pouquinho sabe, elas são parte frequente na minha vida que faço questão de não esconder e viver intensamente, vira e meche posto foto das danadas ou mesmo das miniaturas que “complementam” esse universo delas. Já são 7 anos disso, 7 anos sem receio de admitir que bonecas em escala 1/6 de vários tipos são uma grande paixão minha, e desde o início eu já perdi as contas de quantas vezes eu tive que explicar que aquilo não me fazia mal, que eu não sou louca frustrada com a vida, que nos nossos encontros ninguém senta pra fazer chazinho “mamãe e filhinha” (e se fizesse também, hunf, azar o nosso!), que é um hobby como qualquer outro. Perdi as contas de quantas vezes tive que escutar, mesmo que a pessoa tivesse completamente encantada com elas, essa típica pergunta que quem faz até sente medo da resposta: “Mas, no final das contas, você AINDA brinca de boneca? É isso mesmo?”.

Você brinca de boneca?

É engraçado porque os “costumes infantis” que a sociedade julga ser “de menino” que são mantidos todo mundo lida como se fosse normal, mas os “de menina” não. Na minha cabeça a separação não devia existir, qualquer criança poderia brincar do que quisesse, mas na vida real ainda existe esse tipo de direcionamento, e o tempo que é aceitável continuar gostando da coisa também é diferente. O menino crescer e continuar gostando de futebol, video game, carros e afins tudo bem, é normal, conheço vários homens que colecionam miniatura, Lego, aeromodelos, action figures, toy art, a lista é tão extensa que nem vale a pena continuar. Mas e se a menina continua gostando de bonecas? Ah, aí é um problema! É ridículo, ela já passou da idade, devia estar pensando em namorar ou algo assim, vê se pode uma marmanja gastando dinheiro com uma coisa dessa, não tem louça pra lavar não? Eu já cheguei no ponto de ouvir da boca de parentes que COLECIONAM CARRINHOS que isso não era legal. E apesar de estar absolutamente nem aí para a opinião dessa gente ainda assim eu me questiono POR QUE não é legal? Em que momento minhas bonecas feriram a integridade de alguém? De que maneira o fato de eu comprar vestidos pra elas, e não para mim, ofendeu tão profundamente as pessoas? “Você tem dinheiro suficiente nessas bonecas pra comprar uma moto”, e de que isso adianta se foi ao gastar com elas que fiquei feliz? Alguém consegue, por favor, me explicar isso?

Eis que esse domingo minha mãe me chamou correndo para assistir televisão com ela porque estava passando uma matéria sobre o assunto na Record, que fiz questão de assistir inteira. O resultado? Bom, de acordo com o que vi ali nós somos loucas desequilibradas, vivemos fora da realidade, precisamos de apoio psicológico ou psiquiátrico e temos “falta de criança”. E como se não fosse ruim o suficiente esse preconceito externo nos julgando rolou o interno também: as próprias colecionadoras de bonecas menores ficaram ofendidas por terem sido colocadas no mesmo “patamar” de um casal que trata suas reborns, que são bebês super convincentes em tamanho real, como se fossem seus filhos. Gente, é sério isso? Ok, algumas coisas eu pessoalmente não acho legal, assim como em todos os assuntos da vida, mas quem sou eu, vocês ou mesmo um canal de televisão para julgar como as pessoas vivem ou deixam de viver sem causar nenhum mal a ninguém? Por favor, é diante de situações assim que nós devemos nos juntar para dar força e mostrar a todos que o que nos faz bem é única e exclusivamente da nossa conta! Isso me fez perceber que o preconceito é tão grande que até quem sofre com ele pode sentir, às vezes.

E quer saber a resposta pra tal pergunta tão repetida? Eu brinco de boneca SIM! Pode não ser da maneira “tradicional” com a qual brincava quando ainda era uma mini Luly, mas dou nomes a elas, deixo que elas ganhem sua personalidade, adoro criar histórias, me divirto HORRORES fotografado essas cabeçudas e outro dia eu e uma amiga que “arrastei” pra esse mundo comemoramos o aniversário do Reginald, Isul que ela me deu de presente, com bolo e muita risada, só pra curtir mesmo. Isso não me impede de trabalhar, estudar, ter uma vida saudável e nem de me relacionar com as pessoas, pelo contrário! Muitos dos grandes amigos que tenho hoje conheci foi por causa delas, mesmo que beeeeem indiretamente, então o resultado final foi totalmente positivo, e vai continuar sendo! E se ainda assim rolar a encheção de saco a gente apela pro clássico “quem gasta dinheiro com isso sou eu, e não você” e sai sorrindo bem prontinha pra continuar amando e se encantando com foto de outros colecionadores nas internets da vida, porque eita atividade gostosa que lava a alma e inspira!

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